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Edição n.º 1399
04/08 a 07/08/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/08: 216.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1805, nascia William Rowan Hamilton, físico, astrónomo e matemático irlandês que fez contribuições importantes para a mecânica clássica, ótica e álgebra. A sua maior contribuição é talvez a reformulação das mecânicas Newtonianas, agora chamadas mecânicas Hamiltonianas. Este trabalho foi fundamental para o estudo do eletromagnetismo e para o desenvolvimento da mecânica quântica.
Em 2007, a NASA lançava o módulo de aterragem Phoenix, cujo objetivo era procurar moléculas de água no pólo norte de Marte.

Observações: Assim que anoitecer, olhe para baixo e para a direita da Lua em busca do "Bule de Chá" de Sagitário. Derrama o chá para a direita.

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864, Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II).

Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969, a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3524 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973, é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, é capturada a quebra do cometa Linear 1999/S4 pelo Telescópio Espacial Hubble.
Em 2011, era lançada a missão Juno, com destino Júpiter. Chegou ao gigante gasoso em julho de 2016.
Observações: A Ursa Maior apoia-se diagonalmente a noroeste depois do cair de noite. A partir do seu ponto médio, olhe para a direita para encontrar a Polar (não muito brilhante) piscando a norte, como sempre.
A Estrela Polar é a parte final da "pega" da Ursa Menor. As outras únicas partes da Ursa Menor de brilho modesto são as duas estrelas da outra extremidade da sua "frigideira". Durante estas noites de agosto, estão a cerca de punho e meio (à distância de um braço esticado) para cima e para a esquerda da Polar. São chamadas as Guardiãs do Polo, porque rodeiam a Estrela Polar durante toda a noite e durante todo o ano.
Ocultação de Io, entre as 22:00 e as 00:20 (já de dia 6).
Eclipse de Io, entre as 23:10 e as 01:27 (já de dia 6).

Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte.

Observações: Trânsito de Io, entre as 19:13 e as 21:29.
Trânsito da sombra de Io, entre as 20:20 e as 22:34.

Dia 07/08: 219.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, lançamento do Explorer 6 que, com uma massa de 64,4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra a partir de órbita. 

Em 1976, a Viking 2 entra em órbita de Marte.
Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10,5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso. A descoberta foi, alguns anos depois, colocada em causa.
Observações: Lua Cheia, pelas 19:11.
A Ursa Maior apoia-se diagonalmente a noroeste depois do anoitecer. A maioria das suas estrelas estão a cerca de 80 anos-luz de distância. Siga a curva da "pega" da "frigideira" até chegar a Arcturo, para oeste. Arcturo é a gigante laranja mais próxima, a 37 anos-luz de distância.

 
CURIOSIDADES


Última contagem de planetas extrasolares confirmados: 3639 exoplanetas (em 2729 sistemas planetários, 612 destes são sistemas múltiplos).

 
APÓS 40 ANOS, SONDAS VOYAGER AINDA QUEREM ALCANÇAR AS ESTRELAS
Impressão de artista que mostra uma das sondas Voyager. As naves espaciais mais longínquas e de longa duração da Humanidade celebram em agosto e setembro 40 anos.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As naves espaciais mais longínquas e de longa duração da Humanidade, a Voyager 1 e 2, alcançam 40 anos de operação e exploração durante os meses de agosto e setembro. Apesar da sua grande distância, continuam a comunicar diariamente com a NASA, ainda estudando a fronteira final.

A sua história não só afetou gerações atuais e futuras de cientistas e engenheiros, mas também a cultura da Terra, incluindo filmes, arte e música. Cada nave transporta um Disco Dourado de sons, imagens e mensagens da Terra. Uma vez que as sondas poderão ter uma duração de milhares de milhões de anos (de existência, não de operação), estes discos, verdadeiras cápsulas do tempo, poderão muito bem um dia ser os únicos vestígios da civilização humana.

"Acredito que poucas missões podem chegar aos calcanhares das Voyager durante as suas quatro décadas de exploração," afirma Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA na sede da agência espacial. "Elas educaram-nos para as maravilhas desconhecidas do Universo e inspiraram verdadeiramente a humanidade para continuar a explorar o nosso Sistema Solar e além."

As Voyager estabeleceram inúmeros recordes nas suas viagens sem paralelo. Em 2012, a Voyager 1, lançada no dia 5 de setembro de 1977, tornou-se na única nave espacial a entrar no espaço interestelar. A Voyager 2, lançada no dia 20 de agosto de 1977, é a única nave espacial a ter passado por todos os quatros planetas exteriores - Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Os seus vários encontros planetários incluem a descoberta dos primeiros vulcões ativos para lá da Terra, na lua de Júpiter, Io; pistas de um oceano subterrâneo na lua de Júpiter, Europa; a atmosfera mais parecida com a da Terra, na lua de Saturno, Titã; a gelada lua desordenada de Úrano, Miranda; e os geysers gelados da lua de Neptuno, Tritão.

Embora as sondas há muito que deixaram os planetas para trás - e nem chegarão remotamente perto de outra estrela nos próximos 40.000 anos - as duas ainda transmitem observações sobre as condições onde a influência do nosso Sol diminui e o espaço interestelar começa.

A Voyager 1, agora a quase 21 mil milhões de quilómetros da Terra, viaja através do espaço interestelar para norte, para fora do plano dos planetas. A sonda informou os investigadores que os raios cósmicos, núcleos atómicos acelerados até quase à velocidade da luz, são quase quatro vezes mais abundantes no espaço interestelar do que na vizinhança da Terra. Isto significa que a heliosfera, o volume parecido com uma bolha que contém os planetas do Sistema Solar e o vento solar, age efetivamente como um escudo de radiação para os planetas. A Voyager 1 também sugeriu que o campo magnético do meio interestelar local é enrolado em torno da heliosfera.

A Voyager 2, agora a mais de 17 mil milhões de quilómetros da Terra, viaja para sul e espera-se que entre no espaço interestelar nos próximos anos. As diferentes direções das duas Voyager permitem com que os cientistas comparem agora duas regiões do espaço onde a heliosfera interage com o meio interestelar envolvente usando instrumentos que medem partículas carregadas, campos magnéticos, ondas de rádio de baixa frequência e plasma do vento solar. Quando a Voyager 2 atravessar para o meio interestelar, os cientistas também poderão "provar" o meio simultaneamente a partir de dois locais diferentes.

"Nenhum de nós sabia, quando as lançámos há 40 anos atrás, que ainda estariam a trabalhar e a continuar esta viagem pioneira," afirma Ed Stone, cientista do projeto Voyager com base no Caltech, Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "A coisa mais excitante que vão descobrir nos próximos cinco anos é provavelmente algo que não sabíamos que estava para ser descoberto."

As gémeas Voyager têm sido prodígios cósmicos, graças à visão dos desenhadores da missão. Ao preparem-nas para o ambiente de radiação em Júpiter, o mais severo de todos os planetas no Sistema Solar, as naves espaciais estão bem apetrechadas para as suas viagens subsequentes. Ambas as Voyager estão equipadas com fontes de alimentação bastante duradouras, bem como sistemas redundantes que permitem com que as sondas alternem para sistemas de backup de forma autónoma quando necessário. Cada Voyager transporta três geradores termoelétricos de radioisótopos, dispositivos que usam a energia do calor gerado pelo decaimento do plutónio-238 - apenas metade do total desaparecerá após 88 anos.

O espaço é praticamente vazio, de modo que as Voyager não estão num nível significativo de risco de bombardeamento por objetos grandes. No entanto, o ambiente espacial interestelar da Voyager 1 não é totalmente vazio. Tem nuvens de material diluído remanescente de estrelas que explodiram como supernovas há milhões de anos. Este material não representa um perigo para a nave espacial, mas é uma parte fundamental do ambiente que a missão Voyager está a ajudar os cientistas a estudar e a caracterizar.

Tendo em conta que a energia das Voyager diminui 4 watts por ano, os engenheiros estão a aprender como operar as gémeas sob restrições de potência cada vez mais apertadas. E, para maximizar a expetativa de vida das Voyager, também têm que consultar documentos escritos décadas antes que descrevem comandos e software, além da experiência dos antigos engenheiros das Voyager.

"A tecnologia já tem várias gerações e é preciso alguém com experiência em design da década de 1970 para compreender como é que as naves operam e que atualizações podem ser feitas para permitir com que continuem a operar hoje e no futuro," comenta Suzanne Dodd, gestora do projeto Voyager no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

Os membros da equipa estimam que terão que desligar o último instrumento científico até 2030. No entanto, mesmo depois das naves espaciais ficarem em silêncio, continuarão nas suas trajetórias à velocidade atual de 48.280 km/h, completando uma órbita da Via Láctea a cada 225 milhões de anos.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/01/2017 - Hubble fornece roteiro interestelar da viagem galáctica das Voyager
17/09/2013 - Como é que sabemos que a Voyager alcançou o espaço interestelar? 
13/09/2013 - É oficial: Voyager 1 deixa Sistema Solar e entre no espaço interestelar
16/08/2013 - Novo estudo argumenta que Voyager 1 já saiu do Sistema Solar 
02/07/2013 - Voyager 1 explora fronteira final da nossa "bolha solar"
04/12/2012 - Voyager 1 da NASA encontra nova região no espaço profundo
09/10/2012 - Voyager 1 pode já ter deixado o Sistema Solar
19/06/2012 - Dados da Voyager 1 apontam para futuro interestelar
02/12/2011 - Sondas Voyager detectam radiação Lyman-Alpha da Via Láctea
10/06/2011 - Uma grande surpresa no limite do Sistema Solar
11/03/2011 - Voyager 1 procura resposta que sopra ao vento
25/11/2009 - Resolvido mistério nos confins do Sistema Solar
12/12/2007 - Sistema Solar é "esborrachado"
27/05/2005 - Voyager alcança fronteira do Sistema Solar

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA - 2 (comunicado de imprensa)
PHYSORG

Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)
Documentário "Voyager - Journey to the Stars" (SpaceRip via YouTube)

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Espaço interestelar:
Wikipedia

 
ATMOSFERA PARECIDA COM A DA TERRA PODERÁ NÃO SOBREVIVER NA ÓRBITA DE PROXIMA B

Proxima b, um planeta do tamanho da Terra fora do nosso Sistema Solar, situado na zona habitável da sua estrela, pode não ser capaz de "agarrar" a sua atmosfera, deixando a superfície exposta à nociva radiação estelar e reduzindo o seu potencial de habitabilidade.

A apenas 4 anos-luz de distância, Proxima b é o nosso vizinho extrassolar mais próximo. No entanto, devido ao facto de que não pode ser visto a passar em frente da sua estrela-mãe, a atmosfera do exoplaneta não pode ser estudada recorrendo aos métodos habituais. Em vez disso, os cientistas apoiam-se em modelos para entender se o exoplaneta é habitável.

Um desses modelos de computador considerou o que aconteceria se a Terra orbitasse Proxima Centauri, a nossa vizinha estelar mais próxima e a estrela hospedeira de Proxima b, na mesma órbita que Proxima b. O estudo da NASA, publicado na edição de 24 de julho da revista The Astrophysical Journal Letters, sugere que a atmosfera da Terra não sobreviveria em íntima proximidade com a violenta anã vermelha.

"Nós decidimos pegar no único planeta habitado que conhecemos até agora - a Terra - e colocá-lo no lugar de Proxima b," comenta Katherine Garcia-Sage, cientista espacial do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e autora principal do estudo. A investigação foi apoiada pela NExSS da NASA - liderando a busca de vida em planetas para lá do nosso Sistema Solar - e pelo Instituto de Astrobiologia da NASA.

Na sua órbita, o exoplaneta Proxima b não consegue, provavelmente, sustentar uma atmosfera parecida com a da Terra.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Só porque a órbita de Proxima b o coloca na zona habitável, que é a distância à estrela hospedeira onde a água permanece em estado líquido à superfície de um planeta, isso não significa que é habitável. Não leva em conta, por exemplo, se a água existe realmente no planeta, ou se uma atmosfera consegue sobreviver naquela órbita. As atmosferas também são essenciais para a vida como a conhecemos: uma atmosfera ideal permite a regulação do clima, a manutenção de uma pressão superficial favorável à água, a proteção contra o perigoso clima espacial e a presença dos blocos de construção química da vida.

O modelo de computador de Garcia-Sage e colegas usou a atmosfera, o campo magnético e a gravidade da Terra como homólogos para Proxima b. Também calcularam a quantidade de radiação que Proxima Centauri produz em média, com base em observações do Observatório de raios-X Chandra da NASA.

Com estes dados, o modelo simula como a intensa radiação estelar e as frequentes proeminências afetam a atmosfera do exoplaneta.

"A questão é, que percentagem da atmosfera já foi perdida, e quão depressa ocorre esse processo? comenta Ofer Cohen, cientista espacial da Universidade de Massachusetts, em Lowell e coautor do estudo. "Como essa estimativa, podemos calcular quanto tempo leva para a atmosfera escapar completamente - e comparar esse valor com o tempo de vida do planeta."

Uma estrela anã vermelha ativa como Proxima Centauri retira atmosfera quando a extrema radiação ultravioleta altamente energética ioniza os gases atmosféricos, quebrando os eletrões e produzindo uma faixa de partículas carregadas. Neste processo, os eletrões recém-formados ganham energia suficiente para poderem escapar facilmente à gravidade do planeta e saírem da atmosfera.

As cargas opostas atraem-se, de modo que quando os eletrões carregados negativamente deixam a atmosfera, criam uma poderosa separação de carga que puxa com eles iões carregados positivamente, para o espaço.

Na zona habitável de Proxima Centauri, Proxima b sofre ataques de extrema radiação ultravioleta, centenas de vezes mais fortes do que os que a Terra recebe do Sol. Essa radiação fabrica energia suficiente para "despir" não apenas as moléculas mais leves - hidrogénio - como também, ao longo do tempo, elementos mais pesados como o oxigénio e o azoto.

O modelo mostra que a poderosa radiação de Proxima Centauri "drena" uma atmosfera parecida à da Terra até 10.000 vezes mais depressa do que acontece na nossa Terra propriamente dita.

"Este foi um cálculo simples baseado na atividade média da estrela hospedeira," acrescenta Garcia-Sage. "Não tem em conta variações como o aquecimento extremo na atmosfera da estrela ou as violentas perturbações estelares sobre o campo magnético do exoplaneta - coisas que esperamos que forneçam ainda mais radiação ionizante e escape atmosférico."

Para entender como o processo pode variar, os cientistas analisaram outros dois factores que agravam a perda atmosférica. Primeiro, consideraram a temperatura da atmosfera neutra, chamada termosfera. Descobriram que à medida que a termosfera aquece com a radiação estelar, a fuga atmosférica aumenta.

Os cientistas também consideraram o tamanho da região sobre a qual a fuga atmosférica tem lugar, chamada calote polar. Os planetas são mais sensíveis aos efeitos magnéticos nos polos magnéticos. Quando as linhas do campo magnético nos polos se fecham, a calote polar é limitada e as partículas carregadas permanecem presas perto do planeta. Por outro lado, ocorre uma maior fuga quando as linhas do campo magnético estão abertas, proporcionando uma via unidirecional para o espaço.

"Este estudo analisa um aspeto subestimado da habitabilidade, que é a perda atmosférica no contexto da física estelar," realça Shawn Domagal-Goldman, cientista espacial de Goddard que não esteve envolvido no estudo. "Os planetas têm muitos sistemas de interação e é importante incluí-los nos nossos modelos."

Os cientistas mostram que com as temperaturas mais altas da termosfera e um campo magnético completamente aberto, Proxima b pode perder uma quantidade equivalente ao total da atmosfera da Terra em 100 milhões de anos - apenas uma fração dos atuais 4 mil milhões de anos de Proxima b. Quando os cientistas assumiram as temperaturas mais baixas e um campo magnético fechado, essa mesma massa escapa ao longo de mais de 2 mil milhões de anos.

"As coisas tornam-se interessantes caso um exoplaneta consiga agarrar a sua atmosfera, mas as perdas atmosféricas de Proxima b são tão altas que a habitabilidade é improvável," salienta Jeremy Drake, astrofísico do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e coautor do estudo. "No geral, isto põe em causa a habitabilidade de planetas em torno de anãs vermelhas similares."

As anãs vermelhas como Proxima Centauri ou TRAPPIST-1 são frequentemente alvo de caças exoplanetárias, porque são as estrelas mais frias, mais pequenas e as mais comuns da Galáxia. Dado que são mais frias e mais ténues, os planetas têm que manter órbitas íntimas para que a água líquida esteja presente.

Mas, a menos que a perda atmosférica seja contrariada por algum outro processo - como uma enorme quantidade de atividade vulcânica ou bombardeamentos cometários -, esta proximidade, encontram os cientistas com maior frequência, não é promissora para a sobrevivência ou sustentabilidade de uma atmosfera.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/06/2017 - Proeminências podem ameaçar a habitabilidade de planetas perto de anãs vermelhas

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
The Astrophysical Journal Letters
Astrobiology Magazine
EarthSky
PHYSORG

Proxima Centauri:
Wikipedia

Proxima b:
Wikipedia 
Exoplanet.eu

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Zona habitável:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
HUBBLE DETETA EXOPLANETA COM BRILHANTE ATMOSFERA DE ÁGUA
Esta impressão de artista mostra o Júpiter quente WASP-121b, que forneceu as melhores evidências, até agora, da presença de uma estratosfera num exoplaneta.
Crédito: Engine House VFX, At-Bristol Science Centre, Universidade de Exeter
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas descobriram as evidências mais fortes, até agora, da existência de uma estratosfera num planeta para lá do nosso Sistema Solar, ou exoplaneta. A estratosfera é uma camada da atmosfera na qual a temperatura aumenta com altitudes mais elevadas.

"Este resultado é emocionante porque mostra que uma característica comum da maioria das atmosferas no nosso Sistema Solar - uma estratosfera quente - também pode ser encontrada em atmosferas exoplanetárias," comenta Mark Marley, coautor do estudo baseado no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. "Agora podemos comparar processos em atmosferas exoplanetárias com os mesmos processos que ocorrem sob diferentes condições no nosso próprio Sistema Solar."

Relatado na revista Nature, os cientistas usaram dados do Telescópio Espacial Hubble para estudar WASP-121b, um tipo de exoplaneta chamado "Júpiter quente". A sua massa é 1,2 vezes maior que a de Júpiter e o seu raio corresponde a 1,9 vezes o de Júpiter - tornando-o mais inchado. Mas enquanto Júpiter gira em torno do Sol uma vez a cada 12 anos, WASP-121b tem um período orbital de apenas 1,3 dias. Este exoplaneta está tão perto da sua estrela que, se chegasse mais perto, a gravidade da estrela começaria a rasgá-lo. Isto também significa que o topo da atmosfera do planeta é aquecido até uns ardentes 2500 graus Celsius, quente o suficiente para ferver alguns metais. O sistema WASP-121 está a uma distância estimada em 900 anos-luz - longe, mas próximo por padrões galácticos.

Investigações anteriores encontraram possíveis sinais de uma estratosfera no exoplaneta WASP-33b, bem como em alguns outros Júpiteres quentes. O novo estudo apresenta as melhores evidências, até agora, devido à assinatura das moléculas de água quente que os investigadores observaram pela primeira vez.

"Os modelos teóricos sugeriram que as estratosferas podem definir uma classe distinta de planetas ultra quentes, com implicações importantes para a sua física e química atmosférica," afirma Tom Evans, autor principal e investigador da Universidade de Exeter, Reino Unido. "As nossas observações suportam esta imagem."

Para estudar a estratosfera de WASP-121b, os cientistas analisaram a forma como diferentes moléculas na atmosfera reagem a determinados comprimentos de onda da luz, usando as capacidades do Hubble para espectroscopia. O vapor de água na atmosfera do planeta, por exemplo, comporta-se de maneira previsível em resposta a certos comprimentos de onda, dependendo da temperatura da água.

O topo da atmosfera do planeta é aquecida até uns ardentes 2500º C, quente o suficiente para ferver alguns metais.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A luz estelar é capaz de penetrar nas profundezas da atmosfera de um planeta, onde aumenta a temperatura do gás aí presente. Este gás então irradia o seu calor para o espaço sob a forma de radiação infravermelha. No entanto, se existir vapor de água mais frio no topo da atmosfera, as moléculas de água evitarão com que certos comprimentos de onda dessa luz escape para o espaço. Mas se as moléculas de água no topo da atmosfera tiverem uma temperatura mais alta, vão brilhar nos mesmos comprimentos de onda.

"A emissão da luz da água significa que a temperatura aumenta com a altura," afirma Tiffany Kataria, coautora do estudo no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Estamos ansiosos por explorar a que longitudes este comportamento persiste com as próximas observações do Hubble."

O fenómeno é semelhante ao que acontece com os fogos-de-artifício, que recebem as suas cores dos vários compostos químicos que emitem luz. Quando as substâncias metálicas são aquecidas e vaporizadas, os seus eletrões movem-se para estados de energia mais elevados. Dependendo do material, esses eletrões emitem luz em comprimentos de onda específicos à medida que perdem energia; o sódio produz um tom amarelo-alaranjado e o estrôncio produz um tom vermelho neste processo, por exemplo. As moléculas de água na atmosfera de WASP-121b, similarmente, libertam radiação à medida que perdem energia, mas sob a forma de radiação infravermelha, que o olho humano não consegue detetar.

Na estratosfera da Terra, o ozono prende a radiação ultravioleta do Sol, o que aumenta a temperatura desta camada atmosférica. Outros corpos do Sistema Solar também possuem estratosferas; por exemplo, o metano é o responsável pelo aquecimento na estratosfera de Júpiter e na lua de Saturno, Titã.

Nos planetas do Sistema Solar, a mudança de temperatura dentro de uma estratosfera ronda normalmente os 56º C. Em WASP-121b, a temperatura na estratosfera sobe 560º C. Os cientistas ainda não sabem que elementos químicos provocam o aumento de temperatura na atmosfera de WASP-121b. O óxido de vanádio e o óxido de titânio são dois candidatos, pois são observados frequentemente em anãs castanhas, "estrelas falhadas" que têm algumas semelhanças com os exoplanetas. Pensa-se que estas substâncias estejam presentes apenas nos mais quentes dos Júpiteres quentes, uma vez que são necessárias temperaturas altas para as manter no estado gasoso.

"Este exoplaneta superquente será um ponto de referência para os nossos modelos atmosféricos e será um importante alvo de observação na era do Webb," realça Hannah Wakeford, coautora do estudo que trabalhou nesta investigação baseada no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
Nature
WASP-121b: O Planeta Com Uma Brilhante Atmosfera de Água (At-Bristol Science Centre via YouTube)
SPACE.com
Sky & Telescope
Astronomy Now
ScienceDaily
New Scientist
EurekAlert!
Space Daily
PHYSORG
UPI
The Verge

WASP-121b:
Exoplanet.eu
SIMBAD
Wikipedia

Estratosfera da Terra:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  As ondas de gravidade detetadas no interior do Sol revelam núlcoe de rotação rápida (via ESA)
Os cientistas que usam o observatório solar ESA/NASA SOHO encontraram modos de gravidade de vibração sísmica, há muito procurados, que implicam que o núcleo do Sol gira quatro vezes mais rápido que a superfície. Ler fonte
     
  Formação estelar intensa na região de Westerhout 43 (via ESA)
Escondida da nossa visão, a região formadora de estrelas de Westerhout 43 é revelada, com toda a glória, nesta imagem de infravermelho distante, do observatório espacial Herschel da ESA. Esta nuvem gigante, onde uma multidão de estrelas massivas ganha vida no vento e no pó, está a quase 20.000 anos-luz do Sol, na constelação de Águia. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Ampliação da Nebulosa do Pelicano
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sara Wager
 
A proeminente crista de emissão presente nesta vívida paisagem estelar é designada IC 5067. Parte de uma região de emissão maior com uma forma distintiva, popularmente chamada Nebulosa do Pelicano, a crista abrange cerca de 10 anos-luz e segue a curva da cabeça e do pescoço do pelicano cósmico. Entre as fantásticas formas escuras que habitam a vista estão nuvens de gás frio e poeira esculpidas por radiação energética de estrelas jovens, quentes e massivas. Mas as estrelas também se estão a formar nestas formas escuras. Jatos gémeos emergindo da forma longa e escura para a esquerda do centro são os sinais reveladores de uma protoestrela embebida, objeto este catalogado como Herbig-Haro 555 (HH 555). De facto, na imagem podem ser encontrados outros objetos Herbig-Haro, indicando a presença de protoestrelas. A Nebulosa do Pelicano, propriamente dita, também conhecida como IC 5070, fica a cerca de 2000 anos-luz de distância. Para a encontrar, olhe para nordeste da brilhante estrela Deneb, na alta constelação de Cisne.
 

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