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Edição n.º 1442
02/01 a 04/01/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 02/01: 2.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1860 é anunciada a descoberta teórica do planeta Vulcan, numa reunião da Academia de Ciências em Paris.
Em 1959, é lançada a sonda soviética Luna 1, a primeira a alcançar a vizinhança da Lua e a orbitar o Sol.

Em 2004, a Stardust passa com sucesso pelo Cometa Wild 2, recolhendo amostras que são posteriormente enviadas para a Terra.
Observações: Maior elongação oeste de Mercúrio, pelas 02:09.
Lua Cheia, pelas 02:24. Esta é uma "superlua" especialmenter super; acontece que a Lua está no seu ponto orbital mais próximo da Terra (perigeu) para o ano de 2018. Ainda assim, a diferença de tamanho e brilho entre esta e a Lua Cheia média é bastante ligeira. Será que consegue discernir a diferença? Só se a tiver examinado cuidadosamente em muitas outras ocasiões. Nesta madrugada, a Lua brilha nos pés de Gémeos, com Pollux e Castor para sua esquerda e Betelgeuse (Orionte) para a sua direita.
À hora de jantar, consegue ver que a Lua já se deslocou desde a posição onde estava esta madrugada, estando agora entre as estrelas mais brilhantes de Gémeos e Procyon, pertencente a Cão Menor. Bem para a direita do nosso satélite natural encontra-se a constelação de Orionte.

Dia 03/01: 3.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1888, é usado pela primeira vez o telescópio refrator do Observatório Lick, com 91 cm em diâmetro. Era o maior telescópio do mundo na altura.
Em 1986, Stephen Synott (da equipa da Voyager 2) descobria as luas de ÚranoJulieta e Pórcia
Em 1999, lançamento da sonda Mars Polar Lander e da Deep Space 2.
Em 2000, "flyby" da sonda Galileu pela lua de JúpiterEuropa.

A sonda passou a uma altitude de 351 km.
Observações: Assim que a Lua nasce ao início da noite, forma um triângulo grande e quase equilátero com Pollux (para cima) e com Procyon (para cima e para a direita). Um pouco para cima de Pollux está Castor, ligeiramente mais ténue.

Dia 04/01: 4.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, os dias entre 4 e 15 de janeiro foram possivelmente os mais importantes da história da Astronomia.

Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte.
Observações: Quando a Lua ficar visível a este, nasce acompanhada por Régulo em Leão. Observe o deslocamento do nosso satélite natural em relação a esta estrela ao longo da noite.

 
CURIOSIDADES


Um novo projeto que usa dados do Chandra e de outros telescópios permite com que os internautas naveguem através de dados reais, em 3D, do remanescente de supernova Cassiopeia A. A versão VR/AR (requer óculos VR) está disponível aqui, e uma versão não-VR para a web, está disponível aqui.

 
DISCIPLINAS ABRANGENTES NA BUSCA POR VIDA PARA LÁ DA TERRA

A procura por vida para lá da Terra está a "surfar" numa onda de criatividade e de inovação. Após uma corrida de ouro de descobertas exoplanetárias ao longo das duas últimas décadas, é hora de abordar o próximo passo: determinar quais dos exoplanetas conhecidos são candidatos adequados para a vida.

Cientistas da NASA e de duas universidades apresentaram novos resultados dedicados a esta tarefa em campos que abrangem a astrofísica, ciências da Terra, heliofísica e ciências planetárias - demonstrando que é essencial uma abordagem interdisciplinar para encontrar vida noutros mundos - na reunião de outono da União Geofísica Americana no dia 13 de dezembro de 2017, em Nova Orleães, no estado norte-americano do Louisiana.

"As regiões conhecidas e potencialmente habitáveis no Universo cresceram a passos largos," afirma Giada Arney, astrobióloga do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "Conhecemos milhares de exoplanetas, mas o que sabemos sobre eles é limitado porque ainda não os podemos observar diretamente."

Atualmente, os cientistas contam principalmente com métodos indiretos para identificar e estudar exoplanetas; estes métodos podem dizer se um planeta é do tipo rochoso ou quão perto está da estrela. Mas isso ainda não é suficiente para dizer se o planeta é verdadeiramente habitável, ou adequado para a vida - para isso, os cientistas têm que ser capazes de observar os exoplanetas diretamente.

Estão em andamento projetos e missões de instrumentos de captura de imagem direta, explicou Arney, mas, entretanto, os cientistas estão a fazer progressos com ferramentas já à sua disposição. Estão a construir modelos computacionais para simular o aspeto dos planetas habitáveis e como podem interagir com as suas estrelas-mãe. Para validar os seus modelos, debruçam-se sobre planetas dentro do nosso próprio Sistema Solar, como análogos de exoplanetas que possamos um dia descobrir. Isto, claro, inclui a Terra - o planeta que conhecemos melhor e o único que sabemos ser habitado.

"Na nossa busca por vida noutros mundos, é importante que os cientistas considerem os exoplanetas a partir de uma perspetiva holística - isto é, na perspetiva de múltiplas disciplinas," comenta Arney. "Nós precisamos destes estudos multidisciplinares para examinar exoplanetas como os mundos complexos moldados por processos múltiplos e processos estelares, em vez de apenas pontos distantes no céu."

Estudando a Terra como um Exoplaneta

Quando os seres humanos começarem a captar as primeiras imagens diretas de exoplanetas, até a imagem mais detalhada aparecerá como um punhado de pixéis. O que podemos aprender sobre a vida planetária a partir de apenas alguns pixéis?

Stephen Kane, especialista em exoplanetas da Universidade da Califórnia, em Riverside, EUA, encontrou uma maneira de responder a essa questão usando a câmara EPIC (Earth Polychromatic Imaging Camera) a bordo do DSCOVR (Deep Space Climate Observatory) do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration). Kane explicou que ele e colegas pegam em imagens de alta-resolução do DSCOVR - normalmente usadas para documentar os padrões climáticos globais da Terra e outros eventos relacionados com o clima - e degradam-nas para imagens com apenas alguns pixéis de tamanho. Kane passa as imagens DSCOVR através de um filtro de ruído que tenta simular a interferência esperada para uma missão exoplanetária.

"De apenas um punhado de pixéis, tentamos extrair o máximo de informação possível sobre a Terra," realça Kane. "Se pudermos fazê-lo com precisão para a Terra, podemos fazê-lo para planetas em torno de outras estrelas."

À esquerda está uma imagem da Terra obtida pela câmara EPIC do satélite DSCOVR. À direita, a mesma imagem degradada até uma resolução de 3 por 3 pixéis, parecida à que os investigadores vão obter em observações exoplanetárias futuras.
Crédito: NOAA/NASA/DSCOVR
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O DSCOVR tira uma foto a cada meia-hora e está em órbita há dois anos. As suas mais de 30.000 imagens são, de longe, o registo contínuo mais longo de observações de disco completo a partir do espaço em existência. Ao observar como o brilho da Terra muda quando está visível na maior parte, terra, em comparação com maioritariamente água, Kane foi, através de engenharia reversa, capaz de determinar o albedo da Terra, obliquidade, taxa de rotação e até variações sazonais - algo que ainda não foi medido diretamente para os exoplanetas - todos estes fatores que podem influenciar, potencialmente, a capacidade de um planeta suportar vida.

À Procura de Outros Vénus

Tal como os cientistas usam a Terra como estudo de caso para planetas habitáveis, também usam outros planetas do Sistema Solar - e, portanto, os planetas com os quais estão mais familiarizados - como estudos para o que torna os planetas inabitáveis.

Kane também estuda o planeta irmão da Terra, Vénus, onde a superfície atinge os 450º C e a atmosfera - repleta de ácido sulfúrico - tem uma pressão 90 vezes a da Terra. Uma vez que a Terra e Vénus são tão parecidos em tamanho, e ainda assim tão diferentes em termos de perspetivas de habitabilidade, ele está interessado em desenvolver métodos para distinguir entre análogos da Terra e análogos de Vénus noutros sistemas planetários, como uma forma de identificar planetas terrestres potencialmente habitáveis.

Kane explicou que ele trabalha para identificar análogos de Vénus em dados do Kepler da NASA ao definir a "Zona de Vénus", onde a insolação planetária - a quantidade de luz que um determinado planeta recebe da sua estrela hospedeira - desempenha um papel fundamental na erosão atmosférica e nos ciclos de gases de efeito de estufa.

"O destino da Terra, o destino de Vénus e das suas atmosferas está ligado um ao outro," comenta Kane. "Ao procurarmos planetas semelhantes, estamos a tentar entender a sua evolução e, em última análise, a frequência com que se tornam parecidos com Vénus."

Dado que a Terra, à direita, e Vénus, à esquerda, são tão parecidos em tamanho mas tão diferentes em termos de perspetivas de habitabilidade, Stephen Kane, especialista em exoplanetas da Universidade da Califórnia em Riverside, está interessado em desenvolver métodos para distinguir entre análogos da Terra e análogos de Vénus noutros sistemas planetários, como maneira de identificar planetas terrestres potencialmente habitáveis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Ames
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Modelando Interações Estrela-Planeta

Enquanto Kane falou sobre planetas, a cientista Katherine Garcia-Sage, também de Goddard, focou-se no modo como os planetas interagem com a sua estrela-mãe. Os cientistas também devem considerar como as qualidades da estrela e do ambiente eletromagnético de um planeta - que o pode proteger de uma rígida radiação estelar - impedem ou ajudam a habitabilidade. O campo magnético da Terra, por exemplo, protege a atmosfera do forte vento solar, o fluxo constante de partículas carregadas que pode retirar gases atmosféricos num processo chamado escape ionosférico.

Garcia-Sage descreveu investigações sobre Proxima b, um exoplaneta a quatro anos-luz de distância e que se sabe estar dentro da zona habitável da sua estrela anã vermelha, Proxima Centauri. Mas lá por estar dentro da zona habitável - a gama de distâncias onde a água pode permanecer líquida à superfície de um planeta - isso não significa necessariamente que é habitável.

Apesar dos cientistas ainda não saberem se Proxima b é magnetizado, podem usar modelos computacionais para simular a eficácia de um campo magnético parecido com o da Terra para proteger a atmosfera de um exoplaneta em órbita íntima de Proxima Centauri, que frequentemente produz tempestades estelares violentas. Os efeitos de tais tempestades no ambiente espacial de um determinado planeta são coletivamente conhecidos como meteorologia do espaço.

"Nós precisamos de entender o ambiente meteorológico espacial de um planeta para determinar se é habitável," explica Garcia-Sage. "Se a estrela for muito ativa, pode pôr em perigo a atmosfera, necessária para fornecer água líquida. Mas há uma linha fina: há alguns indícios de que a radiação de uma estrela pode produzir blocos de construção para a vida."

Uma estrela anã vermelha - um dos tipos estelares mais comuns na nossa Galáxia - como Proxima Centauri retira atmosfera quando a radiação ultravioleta extrema ioniza os gases atmosféricos, produzindo uma faixa de partículas carregadas eletricamente que podem fluir para o espaço ao longo das linhas do campo magnético.

Nesta ilustração, a radiação ultravioleta extrema de uma estrela anã vermelha ativa faz com que os iões escapem da atmosfera de um exoplaneta.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
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Os cientistas calcularam a quantidade de radiação que Proxima Centauri produz em média, com base em observações do Observatório de raios-X Chandra da NASA. Na órbita de Proxima b, os cientistas descobriram que o seu planeta terrestre recebe radiação ultravioleta extrema centenas de vezes mais poderosa do que a Terra em relação ao Sol.

Garcia-Sage e colegas projetaram um modelo de computador para estudar se um planeta parecido com a Terra - com a atmosfera, campo magnético e gravidade da Terra - na órbita de Proxima b podia manter a sua atmosfera. Examinaram três fatores que impulsionam o escape ionosférico: a radiação estelar, a temperatura da atmosfera neutra e o tamanho da calote polar, a região onde o escape ocorre.

Os cientistas mostraram que, com as condições extremas que provavelmente existem em Proxima b, o planeta pode perder o equivalente à totalidade da atmosfera terrestre em 100 milhões de anos - apenas uma fração dos atuais 4 mil milhões de anos de Proxima b. Mesmo no melhor dos cenários, essa massa escapa ao longo de mais de 2 mil milhões de anos, bem dentro do tempo de vida do planeta.

Enquanto Garcia-Sage lidou com planetas magnetizados, David Brain, cientista planetário da Universidade do Colorado em Boulder, falou sobre Marte - um planeta sem campo magnético.

"Marte é um ótimo laboratório para pensar sobre exoplanetas," afirma Brain. "Podemos usar Marte para ajudar a restringir o nosso pensamento sobre uma variedade de exoplanetas rochosos onde ainda não temos observações."

Cada um destes estudos contribui com apenas uma peça para o enigma muito maior - para determinar quais as características que devemos procurar, e reconhecer, na busca por um planeta que possa suportar vida. Em conjunto, esta investigação interdisciplinar estabelece as bases para garantir que, à medida que novas missões para observar exoplanetas mais claramente são desenvolvidas, estaremos prontos para determinar se podem hospedar vida.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Conferência de imprensa da União Geofísica Americana (AGU via YouTube)
ScienceDaily
PHYSORG

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Terra:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

Proxima Centauri:
Wikipedia

Proxima b:
Wikipedia 
Exoplanet.eu

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Meteorologia do espaço:
Wikipedia

DSCOVR:
NOAA
Imagens EPIC
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
MISSÃO MARCIANA LANÇA LUZ SOBRE HABITABILIDADE DE EXOPLANETAS
Impressão de artista de uma tempestade solar que atinge Marte e retira iões da atmosfera superior do planeta.
Crédito: NASA/GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Quanto tempo pode um planeta rochoso parecido com Marte permanecer habitável, se orbitar uma estrela anã vermelha? É uma questão complexa, mas uma que a missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA pode ajudar a responder.

"A missão MAVEN diz-nos que Marte perdeu quantidades consideráveis da sua atmosfera ao longo do tempo, mudando a habitabilidade do planeta," afirma David Brain, coinvestigador da MAVEN e professor do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado em Boulder, EUA. "Nós podemos usar Marte, um planeta que já conhecemos bastante bem, como laboratório para estudar planetas rochosos para lá do nosso Sistema Solar, os quais ainda não conhecemos tão bem."

Na reunião de outono da União Geofísica Americana de passado dia 13 de dezembro de 2017, em Nova Orleães, no estado norte-americano do Louisiana, Brain descreveu como as informações recolhidas pela sonda MAVEN podem ser aplicadas à habitabilidade de planetas rochosos em órbita de outras estrelas.

A MAVEN transporta uma série de instrumentos que têm sido usados para medir a perda atmosférica de Marte desde novembro de 2014. Os estudos indicam que Marte perdeu, ao longo do tempo, a maior parte da sua atmosfera para o espaço através de uma combinação de processos químicos e físicos. Os instrumentos da nave espacial foram escolhidos para determinar quanto cada processo contribui para a fuga total.

Nos últimos três anos, o Sol passou por períodos de atividade solar mais forte e mais fraca, e Marte foi afetado por tempestades solares, proeminências solares e ejeções de massa coronal. Estas condições variadas deram à MAVEN a oportunidade de observar o escape atmosférico intenso e fraco de Marte.

Brain e colegas começaram a pensar em aplicar estas ideias a um hipotético planeta parecido com Marte em órbita de uma estrela do tipo-M, ou anã vermelha, a classe mais comum de estrelas na nossa Galáxia.

Os investigadores fizeram alguns cálculos preliminares com base nos dados da MAVEN. Tal como em Marte, assumiram que este planeta podia estar situado na orla da zona habitável da sua estrela. Mas tendo em conta que uma anã vermelha é mais fraca do que o nosso Sol, um planeta na zona habitável teria que orbitar muito mais perto da estrela-mãe do que Mercúrio orbita o Sol.

Para receber a mesma quantidade de luz estelar que Marte recebe do nosso Sol, um planeta em órbita de uma estrela anã vermelha de classe-M teria que estar situado muito mais perto dela do que Mercúrio está do Sol.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O brilho de uma anã vermelha no ultravioleta extremo, combinado com a órbita próxima, significaria que o hipotético planeta seria atingido com cerca de 5 a 10 vezes mais radiação UV do que o real planeta Marte. Isto aumenta a quantidade de energia disponível para alimentar os processos responsáveis pela fuga atmosférica. Com base no que a MAVEN aprendeu, Brain e colegas estimaram como os processos individuais de escape responderiam ao aumento dos níveis de radiação UV.

Os seus cálculos indicam que a atmosfera do planeta podia perder 3 a 5 vezes mais partículas carregadas, um processo chamado escape de iões. Entre 5 e 10 vezes mais partículas neutras podiam ser perdidas através de um processo chamado escape fotoquímico, que acontece quando a radiação UV quebra moléculas na atmosfera superior.

Dado que seriam produzidas mais partículas carregadas, também haveria mais pulverização, outra forma de perda atmosférica. A pulverização acontece quando as partículas energéticas são aceleradas na atmosfera e empurram moléculas, expulsando algumas para o espaço e enviando outras contra as suas vizinhas, tal como uma bola num jogo de bilhar.

Finalmente, o planeta hipotético podia passar pelo mesmo processo de escape térmico, também chamado escape de Jeans. O escape térmico ocorre apenas para as moléculas mais leves como o hidrogénio. Marte perde o seu hidrogénio através de fuga térmica no topo da atmosfera. No exo-Marte, o escape térmico seria maior somente se o aumento da radiação UV empurrasse mais hidrogénio para o topo da atmosfera.

No total, as estimativas sugerem que a órbita na extremidade da zona habitável de uma calma estrela do tipo-M, em vez do nosso Sol, podia encurtar o período habitável do planeta por um fator de cerca de 5 a 20. Para uma estrela do tipo-M cuja atividade é ampliada como a de um demónio da Tasmânia, o período habitável seria reduzido por um fator de aproximadamente 1000 - reduzindo-o a um simples piscar de olhos em termos geológicos. Só as tempestades solares podiam bombardear o planeta com pulsos de radiação milhares de vezes mais intensos do que a atividade normal do nosso Sol.

No entanto, Brain e colegas consideraram uma situação particularmente desafiadora para a habitabilidade colocando Marte em torno de uma estrela de classe M. Um planeta diferente podia ter alguns fatores atenuantes - por exemplo, processos geológicos ativos que reabastecem a atmosfera até certo grau, um campo magnético que protege a atmosfera da erosão pelo vento estelar, ou um tamanho maior que fornece mais gravidade para segurar a atmosfera.

"A habitabilidade é um dos maiores tópicos da astronomia e estas estimativas demonstram uma maneira de alavancar o que sabemos acerca de Marte e do Sol para ajudar a determinar os fatores que controlam se os planetas de outros sistemas podem ser adequados para a vida," comenta Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN na Universidade do Colorado em Boulder.

Links:

Cobertura da missão MAVEN pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/10/2017 - MAVEN descobre que Marte tem uma "cauda torcida"
04/04/2017 - Sonda MAVEN revela que maior parte da atmosfera marciana foi perdida para o espaço
06/11/2015 - MAVEN revela velocidade a que o vento solar retira atmosfera de Marte
23/06/2015 - Marte é uma "estrela de rock"
20/03/2015 - MAVEN deteta auroras e misteriosa nuvem de poeira em torno de Marte
19/12/2014 - MAVEN identifica elos da cadeia que leva a perda atmosférica
23/09/2014 - MAVEN chega a Marte, amanhã é a vez da indiana Mangalyaan
19/09/2014 - MAVEN chega a Marte este fim-de-semana 
19/11/2013 - Lançamento da MAVEN 
15/11/2013 - MAVEN vai investigar o que aconteceu em Marte 
01/11/2013 - NASA prepara lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Conferência de imprensa da União Geofísica Americana (AGU via YouTube)
Astrobiology Magazine
Seeker
PHYSORG

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M78
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Fabian Neyer
 
As nuvens de poeira interestelar e as nebulosas brilhantes abundam na fértil constelação de Orionte. Uma das mais brilhantes, M78, está centrada nesta colorida e ampla vista de campo-largo, cobrindo uma área para norte da cintura de Orionte. A uma distância de aproximadamente 1500 anos-luz, a nebulosa de reflexão azulada mede cerca de 5 anos-luz. A sua tonalidade é devida à poeira que reflete preferencialmente a luz azul de estrelas jovens e quentes. A nebulosa de reflexão NGC 2071 está mesmo para a esquerda de M78. Para a direita, e muito mais compacta em aparência, a intrigante Nebulosa de McNeil é uma nebulosa variável recentemente reconhecida associada com uma jovem estrela parecida com o Sol. As manchas vermelhas mais profundas de emissão de objetos Herbig-Haro, jatos energéticos das estrelas no processo de formação, destacam-se contra as correntes de poeira escura. A exposição também evidencia o brilho mais ténue, mas penetrante do hidrogénio atómico gasoso da região.
 

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