Dia 12/03: 71.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1824, nascia Gustav Kirchhoff, físico alemão que contribuíu para o conhecimento fundamental dos circuitos eléctricos, da espectroscopia e da emissão de radiação de corpo-negro por objetos aquecidos.
Em 1881, nascia Gunnar Nordström, físico teórico finlandês, conhecido pela sua teoria da gravitação, uma competidora da relatividade geral. É por vezes designado o Einstein da Finlândia devido ao seu trabalho inovador em campos semelhantes e com métodos semelhantes aos de Einstein.
Em 1907, nascia Ellen Dorrit Hoffleit, astrónoma americana conhecida pelo seu trabalho sobre estrelas variáveis, astronometria, espectroscopia, meteoros e pelo Catálogo de Estrelas Brilhantes, bem como tendo sido mentora de muitas jovens mulheres e gerações de astrónomos.
Em 1974, "flyby" e aterragem da soviética Mars 6. A sonda enviou dados 224 segundos durante a descida mas devido à degradação de um chip, perdeu-se a comunicação.
Em 2013, uma análise de uma rocha marciana recolhida pelo rover Curiosity da NASA mostra que o Marte do passado poderá ter tido condições que suportassem vida microbiana. Observações: Aviste Arcturo, a Estrela da Primavera, muito baixa a este-nordeste após o cair da noite e cada vez mais alta com o passar das horas. As medições modernas dizem-nos que Arcturo tem magnitude -0,05, o que a torna a quarta estrela mais brilhante do céu noturno. Só é ultrapassada por Sirius, Canopus e Alpha Centauri (contando com a luz combinada de Alpha Cen A e B; parecem uma estrela a olho nu).
Para os observadores do hemisfério norte que nunca conseguem ver Canopus ou Alpha Cen, Arcturo só é derrotada por Sirius. No entanto, Vega e Capella estão logo atrás no que toca a brilho.
Dia 13/03: 72.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1781, Úrano, o primeiro planeta a ser descoberto desde a era pré-histórica da Babilónia, é identificado por William Herschel.
Em 1855, nascia Percival Lowell, astrónomo americano que alimentou a especulação da existência de canais em Marte, construídos por marcianos.
Lowell também fundou o Observatório Lowell e formou o começo do esforço que levaria à descoberta de Plutão 14 anos após a sua morte. A escolha do nome Plutão e do seu símbolo foram em parte influenciados pelas suas iniciais PL.
Em 1930, a descoberta de Plutão é telegrafada para o Observatório Harvard College.
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar.
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Em 2006, o mapa interativo Google Mars é colocado online.
Em 2012, é divulgado o primeiro mapa geológico de Io. Observações: Lua Nova, pelas 10:21.
Dia 14/03: 73.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1835, nascia Giovanni Schiaparelli, astrónomo italiano que observou Marte e afirmou que via grandes sistemas de canais em Marte. Foi também o primeiro a demonstrar que as Perseídas e as Leónidas estavam associadas com os cometas, e descobriu o asteroide 69 Hesperia.
Em 1879, nascia Albert Einstein.
Mundialmente famoso pela sua teoria da relatividade, e especificamente pela equivalência massa-energia. Recebeu em 1921 o Nobel da Física, graças à descoberta do efeito fotoeléctrico.
Em 1995, o astronauta Norman Thagard torna-se o primeiro americano a ir para o espaço a bordo de um veículo de lançamento russo. Observações: Fevereiro foi o mês de Orionte, quando esteve o mais alto a sul ao início da noite. Agora março está a empurrar o Caçador para oeste e eleva o seu cão, Cão Maior, com a sua medalha Sirius no peito.
Num céu muito escuro a figura de Cão Maior é fácil de ver - o cão está em perfil, orientado para a direita e apoiado nas suas patas traseiras, com Sirius sendo a sua brilhante medalha da coleira - mas para a maioria de nós apenas as suas cinco estrelas mais brilhantes são visíveis através da poluição luminosa. Estas formam o asterismo do Cutelo. Sirius e Mirzam (a três dedos à distância do braço esticado para a sua direita) formam a parte da frente do cutelo, com Sirius brilhando no seu topo. Para baixo e para a esquerda de Sirius está a outra extremidade do cutelo, incluindo a sua pega curta, formada pelo triângulo de Adhara, Wezen e Aludra. Está a "cortar" para baixo e para a direita.
Quer tentar observar Sirius B, a famosa anã branca? A companheira de Sirius A, uma anã branca, foi o primeiro objeto superdenso descoberto e é um alvo telescópico notavelmente difícil. Mas, durante quase os próximos 8 anos, Sirius B vai estar o mais longe possível de Sirius A (na sua órbita). E a melhor altura para experimentar esta observação é quando Sirius está no seu ponto mais alto no céu. É um desafio para telescópios mais profissionais do que amadores, embora seja possível observá-la com telescópios de 8" sob condições excelentes de observação.
Dia 15/03: 74.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1713, nascia Nicolas Lacaille, cujas medições confirmaram o bojo equatorial da Terra; deu nome a 14 constelações do Hemisfério Sul.
Em 1972, a NASA anunciava o seu programa do Vaivém Espacial.
Em 2004, foi anunciada a descoberta de 90377 Sedna, um dos objetos naturais mais longínquos já observados no Sistema Solar (além dos cometas de longo-período).
Em 2009, lançamento da missão STS-119. Observações: A estação está a mudar. Assim que as estrelas ficam visíveis, a Ursa Maior apoia-se na sua "pega" a nordeste e está à mesma altura que Cassiopeia a noroeste. Durante a primavera e verão, a Ursa Maior sobe e Cassiopeia desce da sua posição alta de outono e inverno.
SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
As primeiras leituras do instrumento SuperCam a bordo do rover Perseverance da NASA chegaram à Terra. A SuperCam foi desenvolvida em conjunto pelo Laboratório Nacional de Los Alamos no estado norte-americano do Novo México e por um consórcio de laboratórios de pesquisa franceses sob a liderança do CNES (Centre National d’Etudes Spatiales). O instrumento forneceu dados ao centro de operações da agência espacial francesa em Toulouse, que incluem o primeiro áudio de disparos de laser noutro planeta.
"É incrível ver a SuperCam a funcionar tão bem em Marte," disse Roger Wiens, investigador principal do instrumento SuperCam do rover no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. "Quando sonhámos pela primeira vez com este instrumento, há oito anos, estávamos preocupados por sermos ambiciosos demais. Agora, está em Marte a funcionar como um encanto."
Combinando duas imagens, este mosaico mostra uma ampliação da rocha denominada "Yeehgo" obtida pelo instrumento SuperCam do rover Perseverance da NASA em Marte. As imagens foram obtidas pelo RMI (Remote Micro-Imager) da SuperCam. Para ser compatível com o software do rover, "Yeehgo" tem uma grafia diferente de "Yéigo", a palavra Navajo para "diligente".
Crédito: NASA/JPL-Caltech/LANL/CNES/CNRS
"Empoleirada no topo do mastro do rover, a cabeça do sensor de 5,6 kg da SuperCam pode realizar cinco tipos de análises para estudar a geologia de Marte e ajudar os cientistas a escolher quais as rochas que o rover deverá amostrar na sua busca por sinais de antiga vida microbiana. Desde o pouso do rover de dia 18 de fevereiro que a missão tem realizado verificações da saúde de todos os seus sistemas e subsistemas. Os primeiros dados dos testes da SuperCam - incluindo sons do Planeta Vermelho - foram intrigantes.
"Os sons adquiridos são de qualidade notável, diz Naomi Murdoch, investigadora da escola de engenharia aeroespacial ISAE-SUPAERO em Toulouse. "É incrível pensar que vamos fazer ciência com os primeiros sons já gravados à superfície de Marte!"
No dia 9 de março, a missão divulgou três ficheiros de áudio da SuperCam. Obtidos apenas 18 horas após a aterragem, quando o mastro permanecia ainda retraído no convés do veículo marciano, o primeiro ficheiro captura os sons fracos do vento marciano.
O terceiro ficheiro da SuperCam, do sol 12, inclui os sons dos disparos de laser a impactar 30 vezes um alvo rochoso a uma distância de aproximadamente 3,1 metros. Alguns dos "zaps" soam ligeiramente mais altos do que outros, fornecendo informações sobre a estrutura física dos alvos, como a sua relativa dureza.
"Quero estender os meus sinceros agradecimentos e parabéns aos nossos parceiros internacionais no CNES e à equipa da SuperCam por fazer parte desta jornada importante," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado de ciência na sede da NASA em Washington. "A SuperCam realmente dá ao nosso rover olhos para ver amostras de rochas promissoras e ouvidos para ouvir o som dos lasers quando as atingem. Esta informação será essencial para determinar quais as amostras a armazenar em cache e, em última análise, a enviar para a Terra através da nossa campanha MSR (Mars Sample Return), que será um dos feitos mais ambiciosos já realizados pela humanidade."
A equipa da SuperCam também recebeu excelentes primeiros conjuntos de dados do sensor VISIR (Visible and InfraRed) bem como do seu espectrómetro Raman. O VISIR recolhe a luz refletida do Sol para estudar o conteúdo mineral de rochas e sedimentos. Esta técnica complementa o espectrómetro Raman, que usa um feixe de laser verde para excitar as ligações químicas numa amostra a fim de produzir um sinal dependendo de quais os elementos ligados, que por sua vez fornece informações sobre a composição mineral de uma rocha.
Composto a partir de cinco imagens, este mosaico mostra o alvo de calibração do instrumento SuperCam a bordo do rover Perseverance da NASA em Marte. As imagens foram obtidas pelo RMI (Remote Micro-Imager) da SuperCam.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/LANL/CNES/CNRS
"Esta é a primeira vez que um instrumento usa a espectroscopia Raman em qualquer lugar que não a Terra! disse Olivier Beyssac, diretor de pesquisa do CNRS no Institut de Minéralogie, de Physique des Matériaux et de Cosmochimie em Paris. "A espectroscopia Raman vai desempenhar um papel crucial na caracterização de minerais para obter uma visão mais profunda das condições geológicas sob as quais se formaram e na potencial deteção de moléculas orgânicas e minerais que podem ter sido formados por organismos vivos."
Deteções da sonda Juno destroem ideias sobre a origem da luz zodiacal
Olhe para o céu logo antes do nascer-do-Sol, ou depois do pôr-do-Sol, e poderá ver uma ténue coluna de luz a estender-se do horizonte. Esse brilho difuso é a luz zodiacal, ou luz solar refletida em direção à Terra por uma nuvem de minúsculas partículas de poeira que orbitam o Sol. Os astrónomos há muito tempo que pensam que a poeira é trazida para o Sistema Solar interior por algumas famílias de asteroides e cometas que se aventuram de longe.
Mas agora, uma equipa de cientistas da Juno argumenta que Marte pode ser o culpado. Publicaram os seus achados na edição online de 11 de novembro de 2020 da revista Journal of Geophysical Research: Planets.
Um instrumento a bordo da sonda Juno detetou por acaso partículas de poeira a chocarem contra a nave espacial durante a sua viagem da Terra a Júpiter. Os impactos forneceram pistas importantes sobre a origem e evolução orbital da poeira, resolvendo algumas variações misteriosas da luz zodiacal.
Embora a sua descoberta tenha grandes implicações, os cientistas que passaram anos a estudar os detritos cósmicos não planearam fazê-la. "Nunca pensei que estivéssemos a procurar poeira interplanetária," disse John Leif Jørgensen, professor da Universidade Técnica da Dinamarca.
Esta fotografia, captada no dia 1 de março de 2021, mostra a luz zodiacal em Skull Valley, Utah, EUA. O enxame estelares das Plêiades é visível perto do topo da coluna de luz. Marte é o ponto brilhante logo abaixo.
Crédito: NASA/Bill Dunford
Jørgensen projetou os quatro rastreadores estelares que fazem parte do magnetómetro da Juno. Estas câmaras a bordo tiram fotos do céu a cada quarto de segundo para determinar a orientação da Juno no espaço, reconhecendo padrões estelares nas suas imagens - uma tarefa de engenharia espacial essencial para a precisão do magnetómetro.
Mas Jørgensen esperava que as suas câmaras também pudessem avistar um asteroide desconhecido. De modo que programou uma câmara para relatar "coisas" que apareciam em várias imagens consecutivas, mas que não estavam no catálogo de objetos celestes conhecidos.
Ele não esperava ver muito: quase todos os objetos no céu são contabilizados no catálogo estelar. De modo que quando a câmara começou a transmitir milhares de imagens de objetos não identificáveis - riscos que apareciam e depois desapareciam misteriosamente - Jørgensen e os seus colegas ficaram perplexos. "Estávamos a olhar para as imagens e a dizer, 'O que pode ser isto?'" acrescentou.
Jørgensen e a sua equipa consideraram muitas causas plausíveis e algumas implausíveis. Havia a possibilidade enervante de que a câmara estelar tivesse captado um derrame do tanque de combustível da Juno. "Pensámos, 'Algo está realmente errado'", disse Jørgensen. "As imagens pareciam que alguém estava a sacudir uma toalha de mesa cheia de pó à janela."
Só quando os investigadores calcularam o tamanho aparente e a velocidade dos objetos nas imagens é que finalmente perceberam algo: grãos de poeira estavam a colidir com a Juno a cerca de 16.000 km/h, lascando pedaços submilimétricos. "Mesmo que estejamos a falar de objetos com apenas uma minúscula massa, têm um grande impacto," disse Jack Connerney, líder da investigação do magnetómetro da Juno, e investigador principal adjunto da missão, que trabalha no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.
Ao que parece, o spray de detritos estava a vir dos grandes painéis solares da Juno - o maior e mais sensível detetor não intencional de poeira já construído.
"Cada pedaço de detrito que acompanhámos regista o impacto de uma partícula de poeira interplanetária, permitindo-nos compilar uma distribuição de poeira ao longo da viagem da Juno," disse Connerney. A Juno foi lançada em 2011. Após uma manobra no espaço profundo na cintura de asteroides em 2012, regressou ao Sistema Solar interior para uma assistência gravitacional da Terra em 2013, que catapultou a nave em direção a Júpiter.
Connerney e Jørgensen notaram que a maioria dos impactos de poeira foram registados entre a Terra e a cintura de asteroides, com lacunas na distribuição relacionadas com a influência da gravidade de Júpiter. Segundo os cientistas, esta foi uma revelação radical. Até agora, os cientistas não conseguiam medir a distribuição destas partículas de poeira no espaço. Os detetores de poeira dedicados têm áreas de recolha limitadas e, portanto, sensibilidade limitada a uma população esparsa de poeira. Contam principalmente as partículas de poeira mais abundantes e muito mais pequenas do espaço interestelar. Em comparação, os expansivos painéis solares da Juno têm 1000 vezes mais área de recolha do que a maioria dos detetores de poeira.
Ilustração que mostra a sonda Juno da NASA ao entrar em órbita de Júpiter no dia 4 de julho de 2016, depois de viajar durante quase cinco anos e percorrer mais de 2,7 mil milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL/SwRI
Os cientistas da Juno determinaram que a nuvem de poeira acaba na Terra porque a gravidade do nosso planeta "suga" toda a poeira que chega cá perto. "Essa é a poeira que vemos como luz zodiacal," disse Jørgensen.
No que toca à orla mais externa, a cerca de 2 UA (unidades astronómicas) do Sol (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol), esta acaba logo além de Marte. Nesse ponto, relatam os cientistas, a influência da gravidade de Júpiter atua como uma barreira, evitando que as partículas de poeira atravessem do Sistema Solar interior para o espaço profundo. Este mesmo fenómeno, conhecido como ressonância orbital, também funciona no sentido inverso, onde bloqueia a poeira originária no espaço profundo de passar para o Sistema Solar interior.
A influência profunda da barreira gravitacional indica que as partículas de poeira estão numa órbita quase circular em torno do Sol, disse Jørgensen. "E o único objeto que conhecemos numa órbita quase circular por volta das 2 UA é Marte, de modo que o raciocínio natural é que Marte seja uma fonte desta poeira," explicou.
"A distribuição da poeira que medimos é mais consistente com a variação observada da luz zodiacal," disse Connerney. Os cientistas desenvolveram um modelo de computador para prever a luz refletida pela nuvem de poeira, dispersada pela interação gravitacional com Júpiter que espalha a poeira num disco mais espesso. O espalhamento depende apenas de duas variáveis: a inclinação da poeira em relação à eclíptica e a sua excentricidade orbital. Quando os investigadores inseriram os elementos orbitais de Marte, a distribuição previu com precisão a assinatura reveladora da variação da luz zodiacal perto da elíptica. "Isto é, na minha opinião, uma confirmação de que sabemos exatamente como estas partículas estão a orbitar no nosso Sistema Solar," disse Connerney, "e qual a sua origem."
Embora existam agora boas evidências de que Marte, o planeta mais empoeirado que conhecemos, seja a fonte da luz zodiacal, Jørgensen e colegas ainda não conseguem explicar como a poeira pode ter escapado das garras da gravidade marciana. Esperam que outros cientistas os ajudem.
Entretanto, os investigadores salientam que a determinação da verdadeira distribuição e densidade das partículas de poeira no Sistema Solar vai ajudar os engenheiros a projetar materiais para naves espaciais que podem suportar melhor os impactos da poeira. O conhecimento da distribuição precisa de poeira também pode orientar o design de trajetórias de voo para futuras espaçonaves, a fim de evitar a maior concentração de partículas. As partículas minúsculas que viajam a velocidades tão altas podem arrancar até 1000 vezes a sua massa de uma nave espacial.
Os painéis solares da Juno escaparam a estes danos porque as células solares estão bem protegidas contra impactos na parte de trás - ou lado escuro - dos painéis pela estrutura de suporte.
Detritos de explosão estelar encontrados em local invulgar
No primeiro levantamento de todo o céu pelo telescópio de raios-X eROSITA a bordo do SRG (Spectrum + Röntgen + Gamma), astrónomos do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre identificaram um remanescente de supernova até então desconhecido, denominado "Hoinga". O achado foi confirmado por dados de rádio de arquivo e assinala a primeira descoberta de uma parceria conjunta australiana-eROSITA estabelecida para explorar a nossa Galáxia usando vários comprimentos de onda, desde ondas de rádio de baixa frequência até raios-X energéticos. O remanescente de supernova Hoinga é muito grande e está localizado longe do plano galáctico - uma primeira descoberta surpreendente - o que implica que os próximos anos podem trazer muito mais descobertas.
Composição de dados rádio e de raios-X do remanescente de supernova Hoinga. Os raios-X descobertos pelo eROSITA são emitidos pelos detritos quentes da progenitora explodida, ao passo que as antenas de erádio detetam emissão de sincotrão dos eletrões relativistas, que são desacelerados na camada exterior do remanescente.
Crédito: eROSITA/MPE (raios-X), CHIPASS/SPASS/N. Hurley-Walker, ICRAR-Curtin (rádio)
As estrelas massivas terminam as suas vidas em explosões de supernova gigantescas quando os processos de fusão no seu interior não produzem mais energia suficiente para conter o seu colapso gravitacional. Mas mesmo com centenas de milhares de milhões de estrelas numa galáxia, estes eventos são muito raros. Na nossa Via Láctea, os astrónomos estimam a ocorrência de uma supernova, em média, a cada 30 a 50 anos. Embora a própria supernova só seja observável numa escala de tempo de meses, os seus remanescentes podem ser detetados durante cerca de 100.000 anos. Estes remanescentes são compostos por material ejetado a altas velocidades pela explosão da estrela que formam ondas de choque quando atingem o meio interestelar circundante.
Conhecemos atualmente cerca de 300 remanescentes de supernovas - muito menos dos que os 1200 estimados na nossa Galáxia. Portanto, ou os astrofísicos entenderam mal o ritmo de ocorrência de supernovas ou uma grande maioria não foi observada até agora. Uma equipa internacional de astrónomos está agora a usar os levantamentos de todo o céu do telescópio de raios-X eROSITA para procurar vestígios de supernovas até então desconhecidas. Com temperaturas de milhões de graus, os detritos de tais supernovas emitem radiação altamente energética, ou seja, devem aparecer nos dados de levantamentos de raios-X de alta qualidade.
"Ficámos muito surpresos ao descobrir quase imediatamente o primeiro remanescente de supernova," disse Werner Becker do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre. Em honra ao nome romano da cidade natal do autor principal, "Hoinga" é o maior remanescente de supernova já descoberto em raios-X. Com um diâmetro de aproximadamente 4,4 graus, cobre uma área cerca de 9 vezes maior do que o tamanho da Lua Cheia. "Além disso, fica muito longe do plano galáctico, o que é muito invulgar," acrescenta. A maioria das investigações anteriores por remanescentes de supernova concentraram-se no disco da nossa Galáxia, onde a formação estelar é mais alta e os remanescentes estelares, portanto, devem ser mais numerosos, mas parece que muitos remanescentes de supernova foram negligenciados devido a esta estratégia de pesquisa.
Parte do primeiro levantamento de todo o céu pelo eROSITA do SRG. O remanescente de supernova Hoinga está assinalado pela seta. A grande fonte de brilho no quadrante inferior da imagem é o remanescente de supernova "Vela" com Puppis-A. As cores da imagem são correlacionadas com as energias dos fotões de raios-X detetados. O vermelho representa a faixa de energia 0,3-0,6 keV, o verde 0,6-1,0 keV e o azul a faixa 1,0-2,3 keV.
Crédito: SRG/eROSITA
Depois dos astrónomos terem descoberto o objeto nos dados de todo o céu do eROSITA, voltaram-se para outros recursos para confirmar a sua natureza. Hoinga é - embora pouco - visível também em dados obtidos pelo telescópio de raios-X ROSAT de há 30 anos atrás, mas ninguém o tinha visto antes devido ao seu fraco brilho e à sua localização a altas latitudes galácticas. No entanto, a confirmação real veio de dados de rádio, a banda espectral onde 90% de todos os remanescentes de supernova conhecidos foram encontrados até agora.
"Analisámos dados de rádio de arquivo e lá estava, à espera de ser descoberto," maravilha-se Natasha Walker-Hurley, do nodo ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) da Universidade Curtin, na Austrália. "A emissão de rádio em levantamentos com 10 anos confirmou claramente que Hoinga é um remanescente de supernova, de modo que podem haver mais destes lá fora, à espera de olhos atentos."
O telescópio de raios-X eROSITA vai realizar um total de oito levantamentos de todo o céu e é cerca de 25 vezes mais sensível do que o seu antecessor ROSAT. Ambos os observatórios espaciais foram projetados, construídos e são operados pelo Instituto Max Planck para Física Extraterrestre. Os astrónomos esperam descobrir novos remanescentes de supernova nos seus dados de raios-X nos próximos anos, mas ficaram surpresos ao identificar um tão cedo no programa. Combinado com o facto de que o sinal já estava presente em dados com décadas, isto significa que muitos outros remanescentes de supernova podem ter sido negligenciados no passado devido ao baixo brilho, à sua posição invulgar ou por causa de outras emissões próximas de fontes mais brilhantes. Juntamente com as próximas pesquisas no rádio, o levantamento de raios-X do eROSITA mostra-se bastante promissor no que toca a encontrar muitos dos remanescentes de supernova em falta, ajudando a resolver este mistério astrofísico de longa data.
Jato de buraco negro espiado no Universo primitivo (via Chandra/Harvard)
Os astrónomos descobriram evidências de um extraordinariamente longo jato de partículas de um buraco negro supermassivo no início do Universo, usando o Observatório de raios-X Chandra da NASA. A ser confirmado, será o buraco negro supermassivo mais distante com um jato detetado em raios-X, oriundo de uma galáxia a cerca de 12,7 mil milhões de anos-luz da Terra. Poderá ajudar a explicar como os maiores buracos negros se formaram tão cedo na história do Universo. Ler fonte
Álbum de fotografias - Luz Zodiacal e Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Joshua Rhoades
Logo após o pôr-do-Sol de dia 7 de março, uma ténue banda de luz ainda atinge o céu acima do horizonte nesta paisagem noturna, rural e serena situada no estado norte-americano do Illinois. Obtida a partir de uma antiga quinta, o brilho luminoso é a luz zodiacal, proeminente a oeste depois do pôr-do-Sol durante a primavera do hemisfério norte do planeta. Naquela noite clara, a faixa de luz zodiacal parece englobar o planeta Marte, amarelado e brilhante, e o enxame de estrelas das Plêiades. A sua conjunção íntima encontra-se para cima do telhado do velho celeiro. A luz zodiacal é luz solar espalhada por partículas interplanetárias de poeira que se situam perto do plano da eclíptica do Sistema Solar. Claro, todos os planetas do Sistema Solar orbitam perto do plano da eclíptica, dentro da faixa de luz zodiacal. Mas a luz zodiacal e Marte podem ter uma ligação mais profunda. Uma análise recente de deteções fortuitas de poeira interplanetária pela nave espacial Juno, durante a sua viagem da Terra a Júpiter, sugere que Marte é a provável fonte da poeira que produz a luz zodiacal.
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