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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #1897  
  13/05 a 16/05/2022  
     
 
Efemérides

Dia 13/05: 133.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1713, nascia Alexis Claude Clairaut, astrónomo, matemático e geofísico francês, conhecido pelo seu teorema de Clairaut e pela sua co-computação do regresso do Halley em 1759, entre outros.
Em 1733, num registo de um eclipse solar transmitido para a Sociedade Real, o astrónomo sueco Bigerus Vassenius torna-se na primeira pessoa a notar o brilho da Terra na Lua durante a totalidade.

Ele escreve que o seu telescópio, com um diâmetro focal de 6,4 metros, consegue observar algumas das principais características da Lua durante a obscuridade total.
Em 1861, o Grande Cometa de 1861 é descoberto por John Tebbutt em Windsor, Nova Gales do Sul, Austrália.
Observações: A Lua, quase Cheia, passa a cerca de 5º para a esquerda de Espiga esta noite. A mais brilhante Arcturo está 30º para cima e para a esquerda.

Dia 14/05: 134.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1674, nascia Peder Horrebow, astrónomo holandês que inventou um método de determinar a latitude de um local a partir das estrelas, agora conhecido como Método Horrebow-Talcott.
Em 1861, um meteorito condrito de 859 gramas atinge a Terra perto de Barcelona e é apelidado de meteorito Canellas.
Em 1973, lançamento da primeira estação espacial americana, a Skylab.

É a última descolagem do foguetão Saturno V.
Em 2010, lançamento da missão STS-132 do vaivém espacial Atlantis, com o objetivo de fornecer o primeiro módulo russo da ISS via vaivém - o Rassvet.
Observações: Três estrelas de magnitude zero brilham após o anoitecer em maio: Arcturo está alta a sudeste, Vega mais baixa a nordeste e Capella a noroeste. Aparecem tão brilhantes porque cada uma é pelo menos 60 vezes mais luminosa do que o Sol, e porque estão todas relativamente perto: 37,25 e 42 anos-luz de distância, respetivamente.
Planeie para o eclipse lunar total da noite de 15 para 16 de maio. O eclipse lunar será visível de Portugal, começa pela 02:30 e dura até ao nascer do dia.

Dia 15/05: 135.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1618, Johannes Kepler confirma a sua descoberta, previamente rejeitada, da terceira lei do movimento planetário (descobriu-a primeiro a 8 de março mas rejeitou a ideia após ter feito alguns cálculos iniciais).
Em 1836, Francis Baily, um explorador e corretor de bolsa Britânico virado para a Astronomia aos 50 anos, observa na Escócia um eclipse total do Sol, no qual explica o fenómeno que ocorre no princípio e no fim da totalidade, agora conhecido como Contas de Baily. Baily ajudou a fundar a Real Sociedade de Astronomia em Londres, reviu catálogos estelares e estudou meteorologia. Morreu a 30 de agosto de 1844.
Em 1857, nascia Williamina Fleming, astrónoma escocesa que ajudou a desenvolver uma designação comum para as estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenómenos astronómicos.

É especialmente famosa pela sua descoberta da Nebulosa Cabeça de Cavalo em 1888. 
Em 1859, nascia Pierre Curie, físico francês, pioneiro na cristalografiamagnetismo,
piezoelectricidade e radioatividade. Em 1903, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com a sua mulher (Marie Curie) e Henri Becquerel.
Em 1958, lançamento do Sputnik 3.
Em 1960, a União Soviética lança o Sputnik 4
Em 1963, lançamento da última missão do programa Mercury, o Mercury-Atlas 9 com o astronauta L. Gordon Cooper a bordo. Torna-se no primeiro americano a ficar mais de um dia no espaço.
Em 1997, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-84 para atracar com a estação espacial russa, Mir.
Observações:
Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste depois do anoitecer. Cerca de 14º (punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a esquerda de Vega está Eltanin, o nariz do Dragão. A uma distância menor, mas para cima e para a esquerda de Eltanin, estão as três estrelas mais ténues da cabeça de Dragão, também chamada Lozenge. O nariz de Dragão aponta sempre para Vega. Parece despertar-lhe alguma curiosidade.

Dia 16/05: 136.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1925, nascia Nancy Roman, astrónoma americana. Ao longo da sua carreira, foi oradora pública, educadora e defensora das mulheres nas ciências. É tida como a "mãe" do Telescópio Hubble.
Em 1969, a sonda soviética, Venera 5, aterra em Vénus.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour aterra em segurança após o seu voo inaugural
Em 1997, a STS-84 atraca com a MIR para a sexta missão STS-MIR.

É o 122.º dia de Jerry Linenger como membro da tripulação da MIR.
No mesmo ano, imagens de todo o mundo do Cometa Halle-Bopp são colocadas online.
Em 2011, a STS-134 (sequência ULF6 da construção da ISS) é lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, o 25.º e último voo do vaivém Endeavour.
Observações: Eclipse total da Lua, entre as 02:32 e até o nascer do dia (fase total entre as 04:29 e as 05:53).
Lua Cheia, pelas 05:14.

 
 
   
Astrónomos divulgam primeira imagem do buraco negro no coração da nossa Galáxia
 
Esta é a primeira imagem de Sgr A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Galáxia. Trata-se da primeira evidência visual direta da presença deste buraco negro e foi capturada pelo EHT (Event Horizon Telescope), uma rede que liga entre si oito observatórios rádio existentes em todo o planeta, para formar um único telescópio virtual do "tamanho da Terra". O nome do telescópio vem do horizonte de eventos (em inglês, "event horizon"), a fronteira dum buraco negro a partir da qual nem mesmo a luz consegue escapar.
Apesar de não vermos o horizonte de eventos propriamente dito, já que este não emite luz, o gás resplandecente que orbita o buraco negro revela-nos uma assinatura inconfundível: uma região central escura (chamada sombra) rodeada por uma estrutura anular brilhante. Esta nova imagem captura a luz que se curva sob a enorme força da gravidade do buraco negro, o qual é cerca de quatro milhões de vezes mais massivo que o nosso Sol. A imagem do buraco negro Sgr A* é uma média das várias imagens diferentes extraídas pela Colaboração EHT das suas observações de 2017.
Para além de outras infraestruturas, a rede EHT de observatórios rádio que tornou possível a obtenção desta imagem inclui o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e o APEX (Atacama Pathfinder EXperiment), ambos instalados no deserto do Atacama no Chile, copertencentes e co-operados pelo ESO em prol dos seus Estados Membros na Europa.
Crédito: Colaboração EHT
 

Ontem, em conferências de imprensa simultâneas por todo o mundo, incluindo na sede do ESO (Observatório Europeu do Sul), na Alemanha, os astrónomos divulgaram a primeira imagem do buraco negro supermassivo situado no centro da nossa própria Galáxia, a Via Láctea. Este resultado dá-nos não só provas irrefutáveis de que o objeto é, de facto, um buraco negro, mas também pistas valiosas sobre o funcionamento destes gigantes, que se pensa existirem no centro da maioria das galáxias. A imagem foi criada por uma equipa internacional de investigadores, a chamada Colaboração EHT (Event Horizon Telescope), a partir de observações obtidas por uma rede mundial de radiotelescópios.

Esta imagem dá-nos um olhar há muito esperado do objeto massivo que se encontra no centro da nossa Galáxia. Os cientistas já tinham observado estrelas em órbita de algo invisível, compacto e muito massivo no centro da Via Láctea. Este facto sugeria fortemente que este objeto, conhecido como Sagitário A* (Sgr A*), se tratava de um buraco negro e a imagem de ontem dá-nos a primeira evidência visual direta disto mesmo.

Apesar de não vermos o buraco negro propriamente dito, já que é completamente escuro, o gás resplandecente que o rodeia revela-nos uma assinatura inconfundível: uma região central escura (chamada sombra) rodeada por uma estrutura anular brilhante. Esta nova imagem captura a luz que se curva sob a enorme força da gravidade do buraco negro, o qual é cerca de quatro milhões de vezes mais massivo que o nosso Sol.

"Ficámos espantados ao ver como o tamanho do anel que observamos está tão de acordo com as previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein," disse o Cientista do Projeto EHT, Geoffrey Bower, do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sínica, em Taipei. "Estas observações sem precedentes aumentaram grandemente o nosso conhecimento do que acontece mesmo no centro da nossa Galáxia e dão-nos novas pistas sobre como é que estes buracos negros gigantes interagem com o meio que os rodeia." Os resultados da equipa do EHT foram publicados ontem num número especial da revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.

 
Esta imagem mostra o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) a observar a Via Láctea e, consequentemente, também o local de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo que se encontra no Centro Galáctico. Destacada na caixa vemos a imagem de Sagitário A* obtida pela Colaboração EHT (Event Horizon Telescope). Situado no deserto chileno do Atacama, o ALMA é o mais sensível de todos os observatórios rádio que compõem a rede EHT, sendo copertencente e co-operado pelo ESO em prol dos seus Estados Membros na Europa.
Crédito: ESO/José Francisco Salgado (josefrancisco.org), Colaboração EHT
 

Uma vez que se encontra a uma distância de cerca de 27.000 anos-luz da Terra, o buraco negro aparece-nos no céu com o mesmo tamanho de um donut na Lua. Para o observar, a equipa criou um poderoso EHT, ligando entre si oito radiobservatórios existentes em todo o planeta, para formar um único telescópio virtual do "tamanho da Terra". O EHT observou Sgr A* em 2017 durante várias noites, recolhendo dados ao longo de muitas horas de seguida, num processo semelhante a tirar uma fotografia de longa exposição com uma máquina fotográfica.

Para além de outras infraestruturas, a rede EHT de observatórios rádio inclui o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e o APEX (Atacama Pathfinder EXperiment), ambos instalados no deserto do Atacama no Chile, copertencentes e co-operados pelo ESO em prol dos seus Estados Membros na Europa. A Europa contribuiu também para as observações EHT com outros observatórios rádio — o Telescópio IRAM de 30 metros em Espanha e, desde 2018, o NOEMA (NOrthern Extended Millimeter Array) em França — para além de um supercomputador que combina os dados EHT e que se encontra no Instituto Max Planck para Radioastronomia, na Alemanha. Adicionalmente, a Europa contribuiu ainda com fundos para o projeto do consórcio EHT através de bolsas atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação e pela Sociedade Max Planck da Alemanha.

 
Estes painéis mostram as duas primeiras imagens de buracos negros alguma vez obtidas. À esquerda temos M87*, o buraco negro supermassivo situado no centro da galáxia Messier 87 (M87), a 55 milhões de anos-luz de distância. À direita encontra-se Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo que se esconde no centro da nossa Via Láctea. As duas imagens mostram os buracos negros tal como apareceriam no céu, com os seus anéis brilhantes mais ou menos do mesmo tamanho, apesar de M87* ser cerca de mil vezes maior que Sgr A*. As imagens foram capturadas pelo EHT (Event Horizon Telescope), uma rede global de rádio telescópios que inclui o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e o APEX (Atacama Pathfinder EXperiment), ambos copertencentes ao ESO.
Crédito: Colaboração EHT
 

"É muito gratificante para o ESO desempenhar um papel tão importante no desvendar dos mistérios dos buracos negros e, em particular, de Sgr A*, ao longo de tantos anos," comentou o Diretor Geral do ESO, Xavier Barcons. "O ESO contribuiu não só para as observações EHT com o ALMA e o APEX, como também possibilitou, com os seus outros observatórios no Chile, algumas das observações do Centro Galáctico feitas anteriormente com enorme sucesso."

De facto, este resultado do EHT vem no seguimento da divulgação, feita pela Colaboração em 2019, da primeira imagem de um buraco negro, M87*, situado no centro de uma galáxia mais distante, Messier 87.

Os dois buracos negros são muito parecidos, apesar do buraco negro da nossa Galáxia ser cerca de um milhar de vezes mais pequeno e menos massivo que o M87*. "Temos dois tipos de galáxias completamente diferentes e dois buracos negros com massas muito diferentes, no entanto, perto da fronteira destes buracos negros as semelhanças são surpreendentemente enormes," diz Sera Markoff, copresidente do Conselho Científico do EHT e Professora de Astrofísica Teórica na Universidade de Amesterdão, nos Países Baixos. "Este facto diz-nos que a Relatividade Geral governa estes objetos no seu âmago e que quaisquer diferenças que vemos mais além são devidas a diferenças no material que rodeia os buracos negros."

 
Comparação dos tamanhos dos dois buracos negros para os quais a Colaboração EHT (Event Horizon Telescope) obteve imagens: M87*, no coração da galáxia Messier 87, e Sagitário A* (Sgr A*), no centro da Via Láctea. A imagem mostra a escala de Sgr A* em comparação com M87* e com outros elementos do Sistema Solar, tais como as órbitas de Plutão e Mercúrio. Também podemos ver o diâmetro do Sol e a atual localizacão da sonda Voyager 1, a mais afastada da Terra. M87*, que se situa a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância, é um dos maiores buracos negros conhecidos. Enquanto Sgr A*, a 27.000 anos-luz de distância de nós, tem uma massa de cerca de quatro milhões de vezes a massa solar, M87* tem 600 vezes mais massa que Sgr A*. Devido às suas distâncias relativas à Terra, ambos os buracos negros parecem ter o mesmo tamanho no céu.
Crédito: Colaboração EHT (reconhecimento: Lia Medeiros, xkcd)
 

Este resultado foi consideravelmente mais difícil de obter que o de M87*, apesar de Sgr A* se encontrar muito mais perto de nós. Chi-kwan Chan, cientista do EHT no Observatório Steward e no Departamento de Astronomia e Instituto de Dados Científicos da Universidade do Arizona, EUA, explica: "O gás que se encontra perto dos buracos negros move-se à mesma velocidade — quase à velocidade da luz — tanto em torno de Sgr A* como em torno de M87*. No entanto, o gás leva dias a semanas para orbitar o muito maior M87*, enquanto que em torno do mais pequeno Sgr A* completa uma órbita em meros minutos. Consequentemente, o brilho e o padrão do gás que circunda Sgr A* variavam rapidamente à medida que a Colaboração EHT o estava a observar — um pouco como tentar tirar uma fotografia nítida a um cachorro que persegue a sua cauda a toda a velocidade."

Os investigadores tiveram que desenvolver novas ferramentas sofisticadas que levassem em linha de conta o movimento do gás em torno de Sgr A*. Enquanto M87* constituiu um alvo mais fácil e mais estável, com quase todas as imagens obtidas a apresentarem-se bastante iguais, este já não foi o caso de Sgr A*. A imagem do buraco negro Sgr A* é uma média das várias imagens diferentes extraídas pela equipa, que nos revela finalmente, e pela primeira vez, o gigante que se esconde no centro da nossa Galáxia.

Este trabalho foi possível graças ao esforço conjunto de mais de 300 investigadores de cerca de 80 instituições de todo o mundo, que se juntaram na Colaboração EHT. Adicionalmente, ao desenvolver ferramentas complexas para superar os desafios da obtenção da imagem de Sgr A*, a equipa trabalhou rigorosamente durante cinco anos, usando supercomputadores para combinar e analisar os dados, tendo ao mesmo tempo compilado uma biblioteca sem precedentes de buracos negros simulados para comparar às observações.

 
Esta imagem artística mostra um buraco negro supermassivo a rodar rapidamente, rodeado por um disco de acreção. O disco fino de material em rotação é constituído por restos de uma estrela parecida com o Sol que foi desfeita por ação das forças de maré do buraco negro. O buraco negro está assinalado, mostrando a anatomia deste fascinante objeto. Crédito: ESO
 

Os cientistas estão particularmente excitados por terem finalmente imagens de dois buracos negros de tamanhos muito diferentes, o que nos oferece a oportunidade de os comparar e contrastar. A equipa começou também a utilizar os novos dados para testar teorias e modelos de como é que o gás se comporta em torno de buracos negros supermassivos. Apesar de não ser ainda completamente compreendido, pensa-se que este processo desempenhe um papel crucial na formação e evolução das galáxias.

"Podemos agora estudar as diferenças entre estes dois buracos negros supermassivos para obtermos novas pistas sobre como é que este importante processo funciona," disse Keiichi Asada, cientista do EHT do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sínica, em Taipei. "Temos imagens de dois buracos negros — um grande e um pequeno — por isso vamos conseguir avançar muito mais do que até agora no sentido de compreendermos como é que a gravidade se comporta nestes meios tão extremos."

Os progressos do EHT continuam: uma enorme campanha de observação levada a cabo em março de 2022 incluiu mais telescópios do que anteriormente. A constante expansão da rede EHT e as atualizações tecnológicas significativas permitirão aos astrónomos obter imagens ainda mais impressionantes, assim como filmes, de buracos negros num futuro próximo.

// ESO (comunicado de imprensa)
// EHT (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// CNRS (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// IAS (comunicado de imprensa)
// IRAM (comunicado de imprensa)
// MIT (comunicado de imprensa)
// Universidade de Harvard (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
// Universidade de Massachusetts em Amherst (comunicado de imprensa)
// Universidade do Illinois em Urbana-Champaign (comunicado de imprensa)

(artigos científicos principais na revista The Astrophysical Journal Letters):
//Artigo #1 - The Shadow of the Supermassive Black Hole in the Center of the Milky Way
//Artigo #2 - EHT and Multi-wavelength Observations, Data Processing, and Calibration
//Artigo #3 - Imaging of the Galactic Center Supermassive Black Hole
//Artigo #4 - Variability, Morphology, and Black Hole Mass
//Artigo #5 - Testing Astrophysical Models of the Galactic Center Black Hole
//Artigo #6 - Testing the Black Hole Metric

(artigos científicos suplementares na revista The Astrophysical Journal Letters):
//Artigo #1 - Selective Dynamical Imaging of Interferometric Data
//Artigo #2 - Millimeter Light Curves of Sagittarius A* Observed during the 2017 Event //Horizon Telescope Campaign
//Artigo #3 - A Universal Power Law Prescription for Variability from Synthetic Images of Black Hole Accretion Flows
//Artigo #4 - Characterizing and Mitigating Intraday Variability: Reconstructing Source Structure in Accreting Black Holes with mm-VLBI

vídeos:
// Apresentação aos media da nova imagem EHT (ESO via YouTube)
// Conheça Sgr A*: aproximação ao buraco negro central da nossa Galáxia (ESO via YouTube)
// O que é preciso fazer para obter a imagem de um buraco negro (ESO via YouTube)
// Comparação dos tamanhos dos dois buracos negros EHT (ESO via YouTube)
// Montagem vídeo dos observatórios do EHT (ESO via YouTube)
// ETH, uma rede à escala planetária (ESO via YouTube)
// Tamanho equivalente da sombra de Sagitário A* (ESO via YouTube)
// Animação dos rádio telescópios da rede EHT (ESO via YouTube)

 


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Sagitário A*:
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Via Láctea:
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SEDS

M87*:
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Buraco negro supermassivo:
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Teoria da relatividade geral:
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EHT (Event Horizon Telescope):
Página principal
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ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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APEX:
ESO
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ESO:
Página oficial
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Astrónomos encontram estrela "padrão de ouro" na Via Láctea

No nosso bairro solar da Via Láctea, está uma estrela relativamente brilhante, e nela, os astrónomos têm sido capazes de identificar a mais vasta gama de elementos até agora encontrados numa estrela para lá do Sistema Solar.

O estudo, liderado pelo astrónomo Ian Roederer da Universidade de Michigan, identificou 65 elementos na estrela HD 222925. Quarenta e dois dos elementos identificados são elementos pesados que estão listados ao longo da parte inferior da tabela periódica de elementos.

 
HD 222925 é uma estrela de magnitude 9 localizada na direção da constelação do hemisfério sul de Tucano.
Crédito: STScI Digitized Sky Survey
 

A identificação destes elementos numa única estrela vai ajudar os astrónomos a compreender o que se chama de "processo rápido de captura de neutrões", ou uma das principais formas pelas quais os elementos pesados do Universo foram criados. Os seus resultados foram publicados no site arXiv e foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal Supplement Series.

"Tanto quanto sei, é um recorde para qualquer objeto para lá do nosso Sistema Solar. E o que torna esta estrela tão única é que tem uma proporção relativa muito elevada dos elementos listados ao longo dos dois-terços inferiores da tabela periódica. Até detetámos ouro," disse Roederer. "Estes elementos foram feitos através do processo rápido de captura de neutrões. É o que estamos realmente a tentar estudar: a física na compreensão de como, onde e quando esses elementos foram feitos."

O processo, também chamado "processo r", começa com a presença de elementos mais leves, como o ferro. Depois, rapidamente - na ordem de um segundo - neutrões são adicionados aos núcleos dos elementos mais leves. Isto cria elementos mais pesados tais como selénio, prata, telúrio, platina, ouro e tório, do tipo encontrado em HD 222925, e todos eles raramente são detetados em estrelas, segundo os astrónomos.

"São necessários muitos neutrões que sejam livres e um conjunto de condições muito energéticas para os libertar e adicioná-los aos núcleos de átomos," disse Roederer. "Não há muitos ambientes em que isso possa acontecer - dois, talvez."

Um destes ambientes foi confirmado: a fusão de estrelas de neutrões. As estrelas de neutrões são os núcleos colapsados de estrelas supergigantes e são os objetos celestes mais pequenos e mais densos conhecidos. A colisão de pares de estrelas de neutrões provoca ondas gravitacionais e, em 2017, os astrónomos detetaram pela primeira vez ondas gravitacionais da fusão de estrelas de neutrões. Outra forma de o processo r poder ocorrer é após a morte explosiva de estrelas massivas.

"Este é um importante passo em frente: reconhecer onde o processo r pode ocorrer. Mas é um passo muito maior dizer, "O que é que esse evento realmente fez? O que foi produzido lá?" disse Roederer. "É aí que entra o nosso estudo."

Os elementos que Roederer e a sua equipa identificaram em HD 222925 foram produzidos ou numa supernova massiva ou numa fusão entre estrelas de neutrões muito cedo no Universo. O material foi ejetado e atirado de volta para o espaço, onde mais tarde foi reformado para a estrela que Roederer está hoje a estudar.

Esta estrela pode então ser usada como um substituto para o que um desses eventos teria produzido. Qualquer modelo desenvolvido no futuro que demonstre como o processo r ou a natureza produz elementos nos dois-terços inferiores da tabela periódica deve ter a mesma assinatura que HD 222925, explica Roederer.

Crucialmente, os astrónomos utilizaram um instrumento no Telescópio Espacial Hubble que pode recolher espectros ultravioletas. Este instrumento foi fundamental para permitir aos astrónomos recolher luz na secção ultravioleta do espectro - luz que é fraca, proveniente de uma estrela fria como HD 222925.

Os astrónomos também utilizaram um dos telescópios Magellan - um consórcio do qual a Universidade de Michigan é parceira - no Observatório Las Campanas no Chile para recolher a luz de HD 222925 na parte ótica do espectro de luz.

Estes espectros codificam a "impressão digital química" de elementos dentro das estrelas e a leitura destes espectros permite aos astrónomos não só identificar os elementos contidos na estrela, mas também a quantidade de um elemento que a estrela contém.

Anna Frebel é coautora do estudo e professora de física no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Ela ajudou na interpretação geral do padrão de abundância de elementos de HD 222925 e na forma como este informa a nossa compreensão da origem dos elementos no cosmos.

"Conhecemos agora a produção detalhada, elemento a elemento, de algum evento de processo r que aconteceu no início do Universo," disse Frebel. "Qualquer modelo que tente compreender o que se passa com o processo r tem de ser capaz de reproduzir isso."

Muitos dos coautores do estudo fazem parte de um grupo chamado "R-Process Alliance", um grupo de astrofísicos dedicados a resolver as grandes questões do processo r. Este projeto marca um dos principais objetivos da equipa: a identificação de quais os elementos, e em que quantidades, foram produzidos no processo e com um nível de detalhe sem precedentes.

// Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
// Universidade de Wisconsin-Madison (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

HD 222925:
Simbad

Processo r:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Supernovas:
Wikipedia 

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Telescópios Magellan:
Observatório Las Campanas
Instituto Carnegie
Universidade do Arizona
Wikipedia

 
   
InSight regista sismo monstruoso em Marte

O "lander" marciano InSight da NASA detetou o maior sismo alguma vez observado noutro planeta: uma magnitude estimada de 5 que ocorreu no dia 4 de maio de 2022, o 1222.º dia marciano, ou sol, da missão. Isto acrescenta ao catálogo de mais de 1313 sismos que o InSight detetou desde que pousou em Marte em novembro de 2018. O maior sismo anteriormente registado teve uma magnitude estimada de 4,2, detetado no dia 25 de agosto de 2021.

 
Este espectrograma mostra o maior sismo alguma vez detetado noutro planeta. De magnitude estimada em 5, este terramoto foi descoberto pelo "lander" InSight da NASA no dia 4 de maio de 2022, o 1222.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ETH Zurique
 

O Insight foi enviado para Marte com um sismómetro altamente sensível, fornecido pelo CNES (Centre National d’Études Spatiales) na França, para estudar o interior profundo do planeta. À medida que as ondas sísmicas passam ou são refletidas do material na crosta, manto e núcleo de Marte, mudam de formas que os sismólogos podem estudar para determinar a profundidade e composição destas camadas. O que os cientistas aprendem sobre a estrutura de Marte pode ajudá-los a compreender melhor a formação de todos os mundos rochosos, incluindo a Terra e a sua Lua.

Um sismo de magnitude 5 é de tamanho médio em comparação com os sentidos na Terra, mas está próximo do limite superior do que os cientistas esperavam ver em Marte durante a missão do InSight. A equipa científica terá de estudar mais profundamente este novo tremor de terra antes de poder fornecer detalhes como a sua localização, a natureza da sua fonte e o que nos poderá dizer sobre o interior de Marte.

"Desde que colocámos o nosso sismómetro em dezembro de 2018, temos estado à espera do 'grande'", disse Bruce Banerdt, investigador principal do InSight no JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, que lidera a missão. "Este sismo vai certamente proporcionar uma vista sobre o planeta como nenhum outro. Os cientistas vão analisar estes dados para aprenderem coisas novas sobre Marte nos próximos anos."

O grande sismo surge à medida que o Insight enfrenta novos desafios com os seus painéis solares, que alimentam a missão. À medida que a localização do InSight em Marte entra no inverno, há mais poeira no ar, reduzindo a luz solar disponível. No dia 7 de maio de 2022, a energia disponível ao módulo caiu abaixo do limite que desencadeia o modo de segurança, onde o "lander" suspende todas as funções à exceção das mais essenciais. Esta reação está concebida para proteger o módulo de aterragem e pode ocorrer novamente à medida que a energia disponível diminui lentamente.

Depois do "lander" ter completado a sua missão principal no final de 2020, cumprindo os seus objetivos científicos originais, a NASA prolongou a missão até dezembro de 2022.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


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  Num par de buracos negros supermassivos em fusão, um novo método para medir o vazio (via Universidade Columbia)
Investigadores descobriram uma forma de determinar o tamanho das "sombras" de dois buracos negros supermassivos no processo de colisão, dando aos astrónomos uma ferramenta potencialmente nova para medir os buracos negros em galáxias distantes e para testar teorias alternativas da gravidade. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Estrelas Jovens de NGC 346
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA; reconhecimento - Antonella Nota (ESA/STScIet al.,
 
As estrelas massivas de NGC 346 têm vidas curtas, mas são muito energéticas. O enxame estelar está incorporado na maior região de formação estelar da Pequena Nuvem de Magalhães, a cerca de 210.000 anos-luz de distância. Os seus ventos e radiação varrem uma caverna interestelar na nuvem de gás e poeira com cerca de 200 anos-luz, desencadeando a formação estelar e esculpindo a densa orla interior da região. Catalogada como N66, a região de formação estelar também parece conter uma grande população de estrelas infantis. Com apenas 3 a 5 milhões de anos de idade e ainda não queimando hidrogénio nos seus núcleos, as estrelas infantis estão espalhadas pelo enxame de estrelas incorporado. Nesta imagem a cores falsas pelo Telescópio Espacial Hubble, a luz visível e no infravermelho próximo é vista como azul e verde, enquanto que a luz da emissão atómica de hidrogénio é vermelha.
 
   
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