Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Reia. Observações: Lua Nova, pelas 10:17.
Dia 24/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1761 nascia Jean-Louis Pons, astrónomo francês, o maior descobridor visual de cometas: entre 1801 e 1827, descobriu 37 cometas, mais do que qualquer pessoa na História.
Em 1818, nascia James Prescott Joule, físico inglês que estudou a natureza do calor e descobriu a sua relação com a mecânica. Isto levou à lei da conservação da energia, o que por sua vez levou ao desenvolvimento da primeira lei da termodinâmica. A unidade SI da energia, joule, tem o seu nome.
Em 1968, os astronautas da Apollo 8 tornam-se nos primeiros humanos a entrar em órbita da Lua.
Completam 10 órbitas lunares e enviam imagens televisivas que se tornam na famosa transmissão de Véspera de Natal, um dos programas mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro foguetão europeu Ariane. Observações: Um grande desafio - começando 20 minutos depois do pôr-do-Sol, use binóculos para olhar bem baixo, perto do horizonte a sudoeste, em busca de Vénus. Assim que o encontre, tente descobrir Mercúrio 4º para cima e para a sua esquerda (bem menos do que um campo binocular) e uma finíssima Lua Crescente a uma distância idêntica para a esquerda de Vénus.
Dia 25/12: 359.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano), físico e matemático inglês, largamente considerado um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e uma figura-chave da revolução científica.
O seu livro "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica", publicado pela primeira vez em 1687, estabelece as fundações da mecânica clássica.
Em 1968, a Apollo 8 faz a primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. No dia 16 de janeiro de 2015, mais de onze anos depois do seu desaparecimento, a sonda MRO localiza-a no solo marciano.
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de janeiro do ano seguinte.
Em 2021, era lançado o Telescópio Espacial James Webb, a bordo de um foguetão Ariane 5 e a partir da Guiana Francesa. Observações: Feliz dia do Sol Invicto! Esta data era celebrada no final da época dos Romanos porque era quando o Sol começava a recuperar do seu longo declínio com a promessa, no frio e na escuridão, da vinda de uma nova primavera e verão.
Dia 26/12: 360.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973, a Soyuz 13 voltava à Terra.
Em 1974 era lançada a Salyut 4. Observações: Bem acima de Orionte brilha a alaranjada Aldebarã com o largo enxame das Híades no plano de fundo. Os binóculos são instrumentos ideais para observar este enxame, tendo em conta o seu tamanho: as estrelas mais brilhantes (de quarta e quinta magnitudes) abrangem uma área com aproximadamente 4º de diâmetro. Mais acima, as Plêiades têm pouco mais de 1º de diâmetro, contando apenas as estrelas mais brilhantes. As estrelas principais das Híades formam um V. Está atualmente de lado, aberto para a esquerda. Aldebarã forma a mais baixa das duas pontas do V. Com binóculos, siga o ramo inferior do V para a direita de Aldebarã. A primeira "coisa" a que chega é o asterismo da Casa: um padrão de estrelas parecido a um desenho de uma criança de uma casa com um telhado. A casa está atualmente direita e inclinada para a direita como se tivesse sido empurrada. A Casa inclui três estrelas duplas binoculares que formam um triângulo equilátero, com cada par virado para o centro. O par mais brilhante é Theta1 e Theta2 Tauri. Talvez consiga resolver o par Theta à vista desarmada.
NASA reforma a missão marciana InSight após anos a fazer ciência
A missão InSight da NASA terminou após mais de quatro anos a recolher ciência em Marte.
Os controladores da missão no JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, não conseguiram contactar o "lander" após duas tentativas consecutivas, levando-os a concluir que as baterias do módulo, alimentadas a energia solar, ficaram sem energia - um estado que os engenheiros referem como "dead bus".
A NASA tinha anteriormente decidido declarar o fim da missão caso o módulo de aterragem falhasse duas tentativas de comunicação. A agência vai continuar a ouvir qualquer sinal do InSight, por via das dúvidas, mas é considerado improvável que transmita novamente. A última vez que o InSight comunicou com a Terra foi no dia 15 de dezembro.
Um "selfie" final obtido pelo "lander" InSight da NASA a 24 de abril de 2022, o 1211º dia marciano, ou sol, da missão. O "lander" está coberto de muito mais pó do que estava no seu primeiro "selfie", tirado em dezembro de 2018, pouco tempo depois da aterragem - ou na sua segunda fotografia, composta de imagens tiradas em março e abril de 2019. Dado que os painéis solares empoeirados do InSight estavam já a produzir menos energia, a equipa colocou o braço robótico do "lander" na sua posição de descanso (chamada "pose de reforma") em maio de 2022.
Crédito: NASA
"Assisti ao lançamento e à aterragem desta missão, e embora dizer adeus a uma nave espacial seja sempre triste, a fascinante ciência que a missão InSight realizou é motivo de celebração", disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington. "Só os dados sísmicos desta missão do Programa Discovery fornecem uma tremenda visão não só sobre Marte, mas também sobre outros corpos rochosos, incluindo a Terra".
Abreviatura de "Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport", o InSight propôs-se a estudar o interior profundo de Marte. Os dados do "lander" forneceram detalhes sobre as camadas interiores de Marte, sobre os remanescentes surpreendentemente fortes, abaixo da superfície, do seu extinto dínamo magnético, sobre o tempo nesta parte de Marte e sobre a imensa atividade sísmica.
O seu sismómetro altamente sensível, juntamente com a monitorização diária realizada pela agência espacial francesa CNES (Centre National d'Etudes Spatiales) e pelo Serviço de Sismos Marcianos gerido pela ETH Zurique, detetou 1319 sismos marcianos, incluindo sismos provocados por impactos de meteoroides, o maior dos quais desenterrou pedregulhos de gelo no final do ano passado.
Tais impactos ajudam os cientistas a determinar a idade da superfície do planeta, e os dados do sismómetro fornecem aos cientistas uma forma de estudar a crosta, o manto e o núcleo do planeta.
"Com o InSight, a sismologia foi pela primeira vez o foco de uma missão para lá da Terra desde as missões Apollo, quando os astronautas colocaram sismómetros na Lua", disse Philippe Lognonné do IPGP (Institut de Physique du Globe de Paris), investigador principal do sismómetro do InSight. "Abrimos novos caminhos e a nossa equipa científica pode orgulhar-se de tudo o que aprendemos".
O sismómetro foi o último instrumento científico que permaneceu ligado à medida que a poeira se acumulava nos painéis solares do módulo terrestre, cada vez com menos energia, um processo que começou antes da NASA alargar a missão no início deste ano.
Esta é a última imagem enviada pelo "lander" InSight da NASA. Foi obtida no dia 11 de dezembro de 2022, ou durante o sol 1436 da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
"O InSight fez mais do que jus ao seu nome. Como cientista que passou uma carreira a estudar Marte, tem sido emocionante ver o que o módulo de aterragem alcançou, graças a toda uma equipa de pessoas em todo o mundo que ajudou a fazer desta missão um sucesso", disse Laurie Leshin, diretora do JPL, que gere a missão. "Sim, é triste dizer adeus, mas o legado do InSight permanecerá vivo, informando e inspirando".
Todas as missões a Marte enfrentam desafios e o InSight não foi diferente. O "lander" trazia com ele um espigão automático - apelidado de "the mole" (toupeira) - que tinha a tarefa de escavar 5 metros, ligado a um cabo carregado de sensores para medir o calor dentro do planeta, permitindo aos cientistas calcular quanta energia sobrava da formação de Marte.
Concebido para o solo solto e arenoso visto em outras missões, a toupeira não conseguiu ganhar tração no solo inesperadamente rugoso em torno do InSight. O instrumento, fornecido pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), eventualmente enterrou a sua sonda de 40 centímetros ligeiramente abaixo da superfície, recolhendo dados valiosos sobre as propriedades físicas e térmicas do solo marciano ao longo do percurso. Isto é útil para quaisquer missões futuras humanas ou robóticas que tentem escavar no subsolo.
A missão enterrou a toupeira na medida do possível graças aos engenheiros do JPL e do DLR usando o braço robótico do "lander" de forma inventiva. Destinado principalmente a colocar instrumentos científicos à superfície marciana, o braço e a sua pequena pá também ajudaram a remover a poeira dos painéis solares do InSight, à medida que a potência começava a diminuir. Contraintuitivamente, a missão determinou que ao espalhar alguma sujidade presente na pá, sobre os painéis solares durante os dias ventosos, que isso permitia que os grãos em queda varressem suavemente alguma da poeira já presente nos painéis.
"Pensámos no InSight como nosso amigo e colega em Marte ao longo dos últimos quatro anos, por isso é difícil dizer adeus", disse Bruce Banerdt do JPL, o investigador principal da missão. "Mas ganhou uma merecida reforma".
Exoplaneta está a espiralar em direção à sua estrela hospedeira evoluída
Pela primeira vez, os astrónomos avistaram um exoplaneta cuja órbita está a decair em torno de uma estrela hospedeira evoluída, ou seja, mais antiga. O mundo afetado parece destinado a aproximar-se cada vez mais da sua estrela amadurecida até à colisão e obliteração final.
A descoberta fornece novas informações sobre o longo processo de decaimento orbital planetário ao proporcionar o primeiro olhar sobre um sistema nesta fase tardia da evolução. A "morte-por-estrela" é algo que se pensa que muitos planetas venham a estar destinados e poderá ser também o adeus final da Terra, daqui a milhares de milhões de anos, à medida que o nosso Sol envelhece.
"Já tínhamos detetado anteriormente evidências de exoplanetas a espiralar em direção às suas estrelas, mas nunca tínhamos visto antes um planeta assim em torno de uma estrela evoluída", diz Shreyas Vissapragada, membro do grupo 51 Pegasi b do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian e autor principal de um novo estudo que descreve os resultados. "A teoria prevê que as estrelas evoluídas são muito eficazes na extração de energia das órbitas dos seus planetas e agora podemos testar estas teorias com observações".
Ilustração do sistema Kepler-1658. Kepler-1658b, orbitando com um período de apenas 3,8 dias, foi o primeiro candidato a exoplaneta descoberto pelo Kepler.
Crédito: Gabriel Perez Diaz/Instituto de Astrofísica das Canárias
Os resultados foram publicados na passada segunda-feira na revista The Astrophysical Journal Letters.
O malfadado exoplaneta tem a designação de Kepler-1658b. Como o seu nome indica, os astrónomos descobriram o exoplaneta com o telescópio espacial Kepler, uma missão pioneira de caça exoplanetária que foi lançada em 2009. Curiosamente, o mundo foi o primeiro [novo] candidato a exoplaneta que o Kepler observou. No entanto, foi necessária quase uma década para confirmar a sua existência, altura em que o objeto foi colocado oficialmente no catálogo do Kepler como a sua 1658.º entrada.
Kepler-1658b é um Júpiter quente, alcunha dada a exoplanetas ao mesmo nível de massa e tamanho de Júpiter, mas em órbitas abrasadoramente ultra-íntimas em torno das suas estrelas hospedeiras. Para Kepler-1658b, essa distância é de apenas um-oitavo do espaço entre o nosso Sol e o seu planeta mais interior, Mercúrio. Para os Júpiteres quentes e outros planetas como Kepler-1658b, que já estão muito próximos das suas estrelas, o decaimento orbital parece culminar certamente na destruição.
A medição do decaimento orbital dos exoplanetas tem desafiado os investigadores porque o processo é muito lento e gradual. No caso de Kepler-1658b, de acordo com o novo estudo, o seu período orbital está a diminuir ao minúsculo ritmo de cerca de 131 milissegundos (milésimos de segundo) por ano, com uma órbita mais curta indicando que o planeta se aproximou da estrela.
A deteção deste declínio exigiu vários anos de observações cuidadosas. O acompanhamento começou com o Kepler e depois foi retomado pelo Telescópio Hale do Observatório Palomar no sul da Califórnia e, finalmente, pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Telescope), que foi lançado em 2018. Todos os três instrumentos capturaram trânsitos, o termo para quando um exoplaneta atravessa a face da sua estrela e provoca uma queda muito ligeira no seu brilho. Durante os últimos 13 anos, o intervalo entre os trânsitos de Kepler-1658b tem diminuído ligeiramente, mas de forma constante.
A principal causa do decaimento orbital sofrido por Kepler-1658b são as marés - o mesmo fenómeno responsável pela subida e descida diária dos oceanos da Terra. As marés são geradas por interações gravitacionais entre dois corpos em órbita, tais como entre o nosso mundo e a Lua ou Kepler-1658b e a sua estrela. As gravidades dos corpos distorcem-se mutuamente e, à medida que os corpos respondem a esta mudanças, é libertada energia. Dependendo das distâncias, tamanhos e períodos de rotação dos corpos envolvidos, estas interações de maré podem resultar em corpos que se empurram uns aos outros - o caso da Terra e da Lua, que se afasta lentamente - ou que se puxam para mais perto, como com Kepler-1658b em direção à sua estrela.
Há ainda muito que os investigadores não compreendem acerca destas dinâmicas, particularmente em cenários de estrelas e planetas. Consequentemente, um estudo mais aprofundado do sistema Kepler-1658b deverá revelar-se instrutivo.
A estrela evoluiu até ao ponto, no seu ciclo de vida estelar, em que começou a crescer, tal como se espera do nosso Sol, e entrou no que os astrónomos chamam de fase sub-gigante. A estrutura interna das estrelas evoluídas deveria levar mais prontamente à dissipação da energia das marés retirada das órbitas dos planetas em comparação com estrelas não evoluídas como o nosso Sol. Isto acelera o processo de decaimento orbital, tornando mais fácil o estudo em escalas humanas de tempo.
Os resultados ajudam ainda a explicar uma surpresa intrínseca acerca de Kepler-1658b, que parece mais brilhante e mais quente do que o esperado. As interações de maré que diminuem a órbita do planeta podem também estar a provocar um aumento de energia dentro do próprio planeta, diz a equipa.
Vissapragada aponta para uma situação semelhante com a lua de Júpiter, Io, o corpo mais vulcânico do Sistema Solar. O empurrar e puxar gravitacional de Júpiter sobre Io derrete as "entranhas" do planeta. Esta rocha derretida irrompe então através da famosa superfície infernal da lua, repleta de depósitos sulfúreos amarelos e lava vermelha fresca.
Várias observações adicionais de Kepler-1658b deverão lançar mais luz sobre as interações entre corpos celestes. E, tendo em conta que se prevê que o TESS continue a escrutinar milhares de estrelas próximas, Vissapragada e colegas esperam que o telescópio descubra vários outros exemplos de exoplanetas a espiralarem em direção às suas estrelas hospedeiras.
"Agora que temos evidências de um planeta a espiralar em direção a uma estrela evoluída, podemos realmente começar a refinar os nossos modelos da física de marés", diz Vissapragada. "O sistema Kepler-1658 pode servir como laboratório celeste, desta forma, durante anos e, com alguma sorte, em breve poderão haver muitos mais destes laboratórios".
Vissapragada, que recentemente se juntou ao Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian e está agora a ser mentorado por Mercedes Lopez-Morales, aguarda com expetativa que a ciência dos exoplanetas continue a avançar dramaticamente.
"Shreyas tem sido uma adição bem-vinda à nossa equipa que trabalha na caracterização da evolução dos exoplanetas e das suas atmosferas", diz Lopez-Morales, astrónoma do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian.
"Mal posso esperar para ver o que todos nós vamos acabar por descobrir juntos", acrescenta Vissapragada.
Um vislumbre invulgarmente próximo de um buraco negro a devorar uma estrela
Vários telescópios da NASA observaram recentemente um enorme buraco negro a rasgar uma estrela azarada que vagueou demasiado perto. Localizado a cerca de 250 milhões de anos-luz da Terra, no centro de outra galáxia, foi o quinto exemplo mais próximo, alguma vez observado, de um buraco negro a destruir uma estrela.
Assim que a estrela foi completamente dilacerada pela gravidade do buraco negro, os astrónomos viram um aumento dramático de raios-X altamente energéticos em torno do buraco negro. Isto indicou que, à medida que o material estelar foi puxado em direção à sua aniquilação, acima do buraco negro foi formada uma estrutura extremamente quente chamada coroa. O satélite NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescopic Array) da NASA é o telescópio espacial mais sensível capaz de observar nestes comprimentos de onda e, de acordo com um novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal, a proximidade do evento forneceu uma visão sem precedentes da formação e evolução da coroa.
Nesta ilustração, um disco de gás quente gira em torno de um buraco negro. O fluxo de gás que se estende para a direita é o que resta de uma estrela que foi dilacerada pelo buraco negro. Uma nuvem de plasma quente (átomos de gás com os seus eletrões removidos) acima do buraco negro é conhecida como uma coroa.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O trabalho demonstra como a destruição de uma estrela por um buraco negro - um processo formalmente conhecido como evento de perturbação de marés - pode ser utilizada para compreender melhor o que acontece ao material que é capturado por um destes monstros antes de ser totalmente devorado.
A maioria dos buracos negros que os cientistas podem estudar estão rodeados por gás quente que se acumulou ao longo de muitos anos, por vezes milénios, e formaram discos com milhares de milhões de quilómetros em diâmetro. Em alguns casos, estes discos brilham mais do que galáxias inteiras. Mesmo em torno destas fontes brilhantes, mas especialmente em torno de buracos negros muito menos ativos, uma única estrela a ser destruída e consumida "salta à vista". E, do princípio ao fim, o processo leva muitas vezes apenas uma questão de semanas ou meses. A observabilidade e a curta duração dos eventos de perturbação de marés tornam-nos especialmente atrativos para os astrónomos, que podem determinar a forma como a gravidade do buraco negro manipula o material à sua volta, criando incríveis espetáculos de luz e novas características físicas.
"Os eventos de perturbação de marés são uma espécie de laboratório cósmico", disse a coautora do estudo Suzi Gezari, astrónoma do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. "Eles são a nossa janela para a alimentação em tempo real de um enorme buraco negro que espreita no centro de uma galáxia".
Um sinal surpreendente
O foco do novo estudo é um evento chamado AT2021ehb, que teve lugar numa galáxia com um buraco negro central com cerca de 10 milhões de vezes a massa do nosso Sol (mais ou menos a diferença entre uma bola de bowling e o Titanic). Durante este evento de perturbação de marés, o lado da estrela mais próximo do buraco negro foi puxado com mais força do que o lado mais distante, esticando o objeto e deixando para trás um "esparguete" de gás quente.
Os cientistas pensam que o fluxo de gás é chicoteado à volta de um buraco negro durante tais eventos, colidindo consigo próprio. Pensa-se que isto cria ondas de choque e fluxos externos de gás que geram luz visível, assim como comprimentos de onda não visíveis ao olho humano, tais como radiação ultravioleta e raios-X. O material começa então a assentar num disco que gira em torno do buraco negro como água que rodeia o ralo, com fricção que gera raios-X de baixa energia. No caso de AT2021ehb, esta série de eventos teve lugar durante apenas 100 dias.
O evento foi visto pela primeira vez no dia 1 de março de 2021 pelo ZTF (Zwicky Transient Facility), localizado no Observatório Palomar, no sul do estado norte-americano da Califórnia. Foi posteriormente estudado pelo Observatório Neil Gehrels Swift da NASA e pelo telescópio NICER (Neutron star Interior Composition Explorer), que observa raios-X mais longos do que o Swift.
Depois, cerca de 300 dias após o evento ter sido visto pela primeira vez, o NuSTAR da NASA começou a observar o sistema. Os cientistas ficaram surpreendidos quando o NuSTAR detetou uma coroa - uma nuvem de plasma quente, ou átomos de gás com os seus eletrões removidos -, dado que as coroas aparecem normalmente com jatos de gás que fluem em direções opostas de um buraco negro. Contudo, no evento de perturbação de marés AT2021ehb, não foram detetados jatos, o que tornou a observação da coroa um tanto ou quanto inesperada. As coroas emitem raios-X mais energéticos do que qualquer outra parte de um buraco negro, mas os cientistas não sabem de onde vem o plasma ou exatamente como fica tão quente.
"Nunca vimos um evento de perturbação de marés com emissão de raios-X como esta sem um jato presente, e isso é realmente espetacular porque significa que podemos potencialmente separar o que causa os jatos e o que causa as coroas", disse Yuhan Yao, estudante no Caltech em Pasadena, Califórnia, e autora principal do novo estudo. "As nossas observações de AT2021ehb estão de acordo com a ideia de que os campos magnéticos têm algo a ver com a formação da coroa e queremos saber o que está a fazer com que este campo magnético fique tão forte".
Yao está também a liderar um esforço para procurar mais eventos de perturbação de marés identificados pelo ZTF para depois observá-los com telescópios como o Swift, NICER e NuSTAR. Cada nova observação fornece o potencial para novos conhecimentos ou oportunidades de confirmar o que foi observado em AT2021ehb e noutros eventos de perturbação de marés. "Queremos encontrar o máximo que pudermos", disse Yao.
Estudo de 40 anos encontra padrões misteriosos nas temperaturas de Júpiter (via NASA)
Os cientistas completaram o estudo mais longo de sempre sobre o rastreio das temperaturas na troposfera superior de Júpiter, a camada da atmosfera onde ocorre o clima do planeta gigante e onde se formam as suas famosas nuvens listradas e coloridas. O trabalho, realizado ao longo de quatro décadas juntando dados de naves espaciais da NASA e de observações telescópicas na Terra, encontrou padrões inesperados na forma como as temperaturas das cinturas e zonas de Júpiter mudam ao longo do tempo. O estudo é um passo importante para uma melhor compreensão do que impulsiona o clima no maior planeta do nosso Sistema Solar e, eventualmente, ser capaz de o prever. Ler fonte
Álbum de fotografias - Pêlo de Raposa, Unicórnio e Árvore de Natal
Nuvens brilhantes de hidrogénio preenchem esta colorida paisagem espacial na direção da ténue, mas bonita constelação de Unicórnio. Uma região de formação estelar catalogada como NGC 2264, é uma mistura complexa de gás e poeira cósmica a cerca de 2700 anos-luz de distância com nebulosas de emissão avermelhadas excitadas pela luz energética de estrelas recém-nascidas com nuvens escuras de poeira interestelar. Onde as nuvens de poeira, de outra maneira escuras, se aproximam das estrelas quentes e jovens, também refletem luz estelar, formando nebulosas azuis de reflexão. Este mosaico telescópico cobre cerca de 3/4 de um grau ou quase 1,5 Luas Cheias, cerca de 40 anos-luz à distância de NGC 2264. O seu elenco de personagens cósmicas inclui a Nebulosa Pêlo de Raposa, situada para a esquerda do centro, a brilhante estrela variável S Monocerotis embebida no tom azulado para a direita da Nebulosa Pêlo de Raposa, e a Nebulosa do Cone que aponta para baixo no topo da imagem. Claro, as estrelas de NGC 2264 são também conhecidas como o enxame estelar da Árvore de Natal. A triangular forma de árvore traçada pelas estrelas tem o seu vértice na Nebulosa do Cone. A base mais larga da árvore está centrada perto de S Monocerotis.
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