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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1997  
  28/04 a 01/05/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Por baixo das nuvens de Vénus!

Data: 11 de maio de 2023
Hora: 20:30-22:30
Nesta atividade observaremos o céu a olho nu, falaremos um pouco sobre o planeta Vénus e voltaremos depois à observação do céu recorrendo ao telescópio, sem Lua no céu.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)

Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 28/04: 118.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1900, nascia Jan Oort, astrónomo holandês pioneiro no campo da radioastronomia, que quantificou as características da rotação da Via Láctea e propôs um vasto reservatório de cometas em redor do Sol que se estende até quase metade da distância às estrelas mais próximas.

nuvem de Oort tem o seu nome.
Em 1903, M. Wolf descobre o asteroide Iolanda (509).
Em 1906, nascia Bart Bok, astrónomo americano, natural da Holanda, conhecido pelo seu trabalho na estrutura e evolução da Via Láctea e pela descoberta dos glóbulos de Bok
Em 1913, G. Neujmin descobre o asteroide Faïna (751). J. Palisa descobre o asteroide Oskar (750).
Em 1916, M. Wolf descobre o asteroide Henrika (826).
Em 1924, J. Hartmann descobre o asteroide La Plata (1029).
Em 1928, nascia Eugene Shoemaker, geólogo americano e um dos fundadores da ciência planetária. É famoso pela sua descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9, juntamente com a sua esposa Carolyn Shoemaker e David Levy. 
Em 1932, C. Jackson descobre o asteroide Zambesia (1242)
Em 2001, o milionário Dennis Tito torna-se no primeiro turista espacial.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, um dia depois de alcançar a fase de Quarto Crescente, brilha alta a sul-sudoeste após o anoitecer. Está logo para a direita da "foice" de Leão.

 

DIA 29/04: 119.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1715, John Flamsteed observa Úrano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1872, nascia Forest Ray Moulton, astrónomo americano que, juntamente com Thomas Chamberlin, formulou a hipótese planetesimal Chamberlin-Moulton, que dizia que os planetas coalesceram a partir de corpos mais pequenos que chamaram planetesimais. A sua hipótese necessitava da passagem de uma outra estrela para despoletar esta condensação, um conceito que já caiu em desuso. Moulton também propôs que alguns dos satélites de Júpiter eram planetesimais capturados. Esta teoria foi bem aceite pelos astrónomos, bem como o termo planetesimal. 
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484).
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide Libya (1268).
Em 1985, lançamento da missão STS-51-B, do vaivém espacial Challenger
Em 1998 são realizadas as primeiras cirurgias bem-sucedidas no espaço, usando como pacientes ratinhos com três semanas a bordo do vaivém espacial Columbia, na missão STS-90.
HOJE, NO COSMOS:
Vinte e quatro horas depois, o nosso satélite natural está agora à esquerda da "foice" de Leão. A Lua está praticamente equidistante de Régulo e Algieba, as duas estrelas mais brilhantes da "foice".

 

DIA 30/04: 120.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1913, Neujmin e Belyavskij descobrem os asteroides Sulamitis (752) e Tiflis (753).
Em 1935, C. Jackson descobre os asteroides Magoeba (1355) e Numidia (1368).
HOJE, NO COSMOS:
Olhe para norte ao cair da noite, para bem alto, e encontrará as estrelas-guia, o fim da "frigideira" de Ursa Maior, no meridiano apontando para a Polar mais abaixo. Das estrelas-guia até à Polar vão cerca de três punhos à distância do braço esticado.

 

DIA 01/05: 121.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1006, a mais brilhante supernova é observada pelos Chineses e Egípcios na constelação de Lobo (Lupus).

Em 1930, o planeta anão Plutão recebe o seu nome oficial.
Em 1949, Gerard Kuiper descobria Nereida. É o segundo satélite de Neptuno a ser descoberto e o terceiro maior dos satélites conhecidos deste planeta.
HOJE, NO COSMOS:
Embora já estejamos em maio, Sirius ainda brilha baixa a oeste-sudoeste ao final do lusco-fusco. Põe-se pouco tempo depois. Durante quanto mais tempo conseguiremos ver Sirius? Por outras palavras, quando será o seu "pôr heliacal", a partir da posição do observador?

 
 
   
Primeira imagem direta de um buraco negro a expelir um poderoso jato
 
Esta imagem mostra, pela primeira vez e simultaneamente, o jato e a sombra do buraco negro situado no centro da galáxia M87. As observações foram obtidas com o auxílio de telescópios das redes GMVA (Global Millimetre VLBI Array), ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro, e GLT (Greenland Telescope). Esta imagem fornece aos cientistas o contexto necessário para compreenderem como é que o poderoso jato se forma. As novas observações revelaram também que o anel do buraco negro, que aqui vemos em sobreposição, é 50% maior que o anel observado a comprimentos de onda mais pequenos pelo EHT (Event Horizon Telescope). Este facto sugere que a nova imagem vê mais do material que está a cair em direção ao buraco negro do que o que podíamos ver com o EHT.
Crédito: R.-S. Lu (SHAO), E. Ros (MPIfR), S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)
 

Os astrónomos observaram, pela primeira vez numa mesma imagem, a sombra do buraco negro situado no centro da galáxia Messier 87 (M87) e o poderoso jato que este objeto lança para o espaço. As observações foram efetuadas em 2018, com telescópios pertencentes às redes GMVA (Global Millimetre VLBI Array), ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, do qual o ESO é um parceiro, e GLT (Greenland Telescope). Esta nova imagem ajuda os astrónomos a compreender melhor o processo que faz com que os buracos negros libertem jatos tão energéticos.

A maioria das galáxias alberga um buraco negro supermassivo no seu centro. Embora sejam conhecidos por engolir matéria da sua vizinhança imediata, os buracos negros podem também lançar poderosos jatos de matéria que se estendem para além das galáxias que os acolhem. Compreender como é que os buracos negros criam jatos tão grandes tem sido um problema de longa data na astronomia. "Sabemos que os jatos são lançados a partir da região que rodeia os buracos negros," diz Ru-Sen do Observatório Astronómico de Xangai, na China, "no entanto, ainda não compreendemos totalmente como é que isto acontece. Para estudar diretamente este fenómeno, temos que observar a origem do jato tão perto do buraco negro quanto possível."

 
Ao observarem o núcleo compacto rádio de M87, os cientistas descobriram novos detalhes sobre o buraco negro supermassivo desta galáxia. Nesta imagem artística, vemos o jato massivo a ser lançado a partir do centro do buraco negro. Os dados nos quais esta ilustração é baseada, correspondem à primeira vez que o jato e a sombra do buraco negro foram observados em simultâneo numa só imagem, fornecendo assim aos cientistas novas pistas sobre como é que os buracos negros conseguem lançar jatos tão poderosos.
Crédito: S. Dagnello (NRAO/AUI/NSF)
 

A nova imagem publicada anteontem mostra pela primeira vez isto mesmo: como a base de um jato se liga com a matéria que gira em torno de um buraco negro supermassivo. O alvo é a galáxia M87, localizada a 55 milhões de anos-luz, na nossa vizinhança cósmica, e que acolhe um buraco negro 6,5 mil milhões de vezes mais massivo do que o Sol. Observações anteriores tinham conseguido obter imagens separadas da região próxima do buraco negro e do jato, no entanto, esta é a primeira vez que ambas as estruturas foram observadas em conjunto. "Esta nova imagem completa a 'fotografia', ao mostrar simultaneamente a região em torno do buraco negro e o jato", acrescenta Jae-Young Kim do Instituto Max Planck para Radioastronomia, na Alemanha.

A imagem foi obtida com o GMVA, o ALMA e o GLT, que formam uma rede global de radiotelescópios, operando em conjunto como se de um telescópio virtual gigante do tamanho da Terra se tratassem. Com uma rede de telescópios assim tão grande podemos observar detalhes muito pequenos na região em torno do buraco negro de M87.

A nova imagem mostra o jato a emergir próximo do buraco negro, bem como a sombra do próprio buraco negro. À medida que orbita o buraco negro, a matéria aquece e emite luz. O buraco negro curva e captura alguma desta luz, criando uma estrutura semelhante a um anel em torno do buraco negro, quando visto a partir da Terra. A escuridão no centro do anel é a sombra do buraco negro, da qual foram obtidas pela primeira vez imagens com o telescópio EHT (Event Horizon Telescope), em 2017. Tanto esta nova imagem como a obtida anteriormente com o EHT, combinam dados recolhidos por vários radiotelescópios de todo o mundo, mas esta imagem divulgada recentemente mostra a radiação de rádio emitida a um comprimento de onda maior do que a do EHT: 3,5 mm em vez de 1,3 mm. "Neste comprimento de onda, podemos ver como o jato emerge do anel de emissão em torno do buraco negro supermassivo central", diz Thomas Krichbaum, do Instituto Max Planck para Radioastronomia.

 
Esta imagem artística mostra um buraco negro supermassivo a girar rapidamente, rodeado por um disco de acreção. O disco fino de material em rotação é constituído por restos de uma estrela do tipo do Sol que foi desfeita por ação das forças de maré do buraco negro. O buraco negro está assinalado, mostrando a anatomia deste fascinante objeto.
Crédito: ESO
 

O tamanho do anel observado pela rede GMVA é cerca de 50% maior do que o da imagem obtida com o EHT. "Para compreender a origem física do anel maior e mais grosso, tivemos de utilizar simulações de computador para testar diferentes cenários", explica Keiichi Asada, da Academia Sinica de Taiwan. Os resultados sugerem que a nova imagem revela mais do material que está a cair em direção ao buraco negro do que o que podíamos ver com o EHT.

Estas novas observações do buraco negro de M87 foram levadas a cabo em 2018 com o GMVA, que consiste de 14 radiotelescópios instalados na Europa e América do Norte. Adicionalmente, foram ligadas ao GMVA duas outras infraestruturas: o telescópio da Gronelândia e o ALMA, do qual o ESO é um parceiro. O ALMA, constituído por 66 antenas instaladas no deserto chileno do Atacama, desempenhou um papel fundamental nestas observações. Os dados recolhidos por todos estes telescópios foram combinados, utilizando uma técnica chamada interferometria, que sincroniza os sinais captados por cada infraestrutura individual. No entanto, para obter de modo adequado a forma real de um objeto astronómico, é importante que os telescópios se encontrem espalhados por todo o planeta. Os telescópios GMVA estão na sua maioria alinhados Este-Oeste, pelo que a adição do ALMA no hemisfério Sul provou ser essencial para capturar esta imagem do jato e da sombra do buraco negro de M87. "Graças à localização e sensibilidade do ALMA, pudemos revelar a sombra do buraco negro e, ao mesmo tempo, observar mais profundamente a emissão do jato", explica Lu.

Estão previstas observações futuras com esta rede de telescópios, para se continuar a investigar como é que os buracos negros supermassivos podem lançar jatos tão poderosos. "Planeamos observar a região em redor do buraco negro situado no centro de M87 em diferentes comprimentos de onda de rádio para estudar melhor a emissão do jato", diz Eduardo Ros do Instituto Max Planck para Radioastronomia. Estes tipos de observações simultâneas permitirão à equipa estudar os complicados processos que ocorrem perto do buraco negro supermassivo. "Os próximos anos serão bastante interessantes, uma vez que podemos aprender mais sobre o que acontece perto de uma das regiões mais misteriosas do Universo", conclui Ros.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)
// MIT (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// ESOcast 260: Primeira imagem direta de um buraco negro a expelir um poderoso jato (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
25/05/2021 - Cientistas analisam dados da primeira imagem de um buraco negro
25/09/2020 - O anel em torno do buraco negro cintila
23/04/2019 - Como os cientistas capturaram a primeira imagem de um buraco negro
12/04/2019 - Astrónomos obtêm primeira imagem de um buraco negro

Notícias relacionadas:
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M87*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

GMVA (Global Millimetre VLBI Array):
Página principal

GLT (Greenland Telescope):
Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian
Wikipedia

EHT (Event Horizon Telescope):
Página principal
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
A visão mais clara de sempre do núcleo de Marte

Embora a NASA tenha aposentado o seu módulo de aterragem InSight em dezembro, o tesouro de dados do seu sismómetro será analisado durante décadas. Ao analisar as ondas sísmicas que o instrumento detetou de um par de tremores de terra em 2021, os cientistas conseguiram deduzir que o núcleo líquido de ferro de Marte é mais pequeno e mais denso do que se pensava.

As descobertas, que marcam as primeiras observações diretas alguma vez feitas do núcleo de outro planeta, foram detalhadas num artigo científico publicado a 24 de abril na revista PNAS (Proceedings of the National Academies of Sciences). Ocorridos a 25 de agosto e a 18 de setembro de 2021, os dois tremores de terra foram os primeiros identificados pela equipa do InSight como tendo tido origem no lado oposto do planeta em relação ao "lander". A distância revelou-se crucial: quanto mais longe um sismo ocorre do InSight, mais fundo no planeta as suas ondas sísmicas podem viajar antes de serem detetadas.

 
Esta é a última imagem enviada pelo "lander" InSight da NASA. Foi obtida no dia 11 de dezembro de 2022, ou durante o sol 1436 da missão; mostra o sismómetro do InSight à superfície do Planeta Vermelho.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Precisámos de sorte e de habilidade para encontrar e usar estes sismos", disse a autora principal Jessica Irving, cientista da Terra na Universidade de Bristol, Reino Unido. "Os sismos que ocorrem no lado oposto [de Marte, em relação ao InSight,] são intrinsecamente mais difíceis de detetar porque uma grande quantidade de energia é perdida ou desviada à medida que as ondas sísmicas viajam através do planeta".

Irving observou que os dois tremores ocorreram depois de a missão ter estado a operar no Planeta Vermelho durante mais de um ano marciano (cerca de dois anos terrestres), o que significa que o Serviço de Sismos Marcianos - os cientistas que inicialmente examinam os sismógrafos - já tinha aperfeiçoado as suas capacidades. Também ajudou o facto de um impacto de um meteoroide ter provocado um dos dois tremores de terra; os impactos fornecem uma localização precisa e dados mais exatos para um sismólogo trabalhar (como Marte não tem placas tectónicas, a maioria dos sismos de Marte são provocados por falhas, ou fraturas na rocha, que se formam na crosta do planeta devido ao calor e ao stress). O tamanho dos sismos foi também um factor importante para as deteções.

"Estes dois tremores de terra foram dos maiores 'ouvidos' pelo InSight", disse Bruce Banerdt, investigador principal do InSight no JPL da NASA, no sul da Califórnia. "Se não fossem tão grandes, não os teríamos detetado".

 
Esta ilustração mostra um corte de Marte, juntamente com as trajetórias das ondas sísmicas de dois tremores de terra distintos em 2021. Detetadas pela missão InSight da NASA, estas ondas sísmicas foram as primeiras identificadas a entrar no núcleo de outro planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Maryland
 

Um dos desafios na deteção destes sismos em particular foi o facto de se encontrarem numa "zona de sombra" - uma parte do planeta a partir da qual as ondas sísmicas tendem a ser refratadas para longe do InSight, tornando difícil que o eco de um terramoto chegue ao módulo de aterragem, a menos que seja muito grande. A deteção de ondas sísmicas que atravessam uma zona de sombra é excecionalmente difícil; é ainda mais impressionante que a equipa do InSight o tenha feito usando apenas o único sismómetro que tinha em Marte (em contraste, existem muitos sismómetros espalhados pela Terra).

"Foram necessários muitos conhecimentos sismológicos de toda a equipa do InSight para extrair os sinais dos complexos sismogramas registados pelo 'lander'", disse Irving.

Um artigo anterior, que forneceu um primeiro vislumbre do núcleo do planeta, baseou-se em ondas sísmicas refletidas do seu limite exterior, fornecendo dados menos precisos. A deteção de ondas sísmicas que realmente viajaram através do núcleo permite aos cientistas aperfeiçoar os seus modelos do aspeto do núcleo. Com base nas descobertas documentadas no novo artigo, cerca de um-quinto do núcleo é composto por elementos como enxofre, oxigénio, carbono e hidrogénio.

"A determinação da quantidade destes elementos num núcleo planetário é importante para compreender as condições no nosso Sistema Solar quando os planetas se estavam a formar e como estas condições afetaram os planetas que se formaram", disse um dos coautores do artigo, Doyeon Kim da ETH Zurique.

Foi sempre esse o objetivo central da missão do InSight: estudar o interior profundo de Marte e ajudar os cientistas a compreender como todos os mundos rochosos se formam, incluindo a Terra e a Lua.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Bristol (comunicado de imprensa)
// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Proceedings of the National Academies of Sciences)

 


Quer saber mais?

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23/12/2022 - NASA reforma a missão marciana InSight após anos a fazer ciência
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08/10/2019 - A estratégia da NASA para salvar a "toupeira" do InSight
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03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

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Observatórios solares revelam que a cauda de um asteroide, semelhante à de um cometa, não é feita de poeira

Um asteroide estranho acaba de ficar um pouco mais estranho.

Há já algum tempo que sabemos que o asteroide 3200 Faetonte atua como um cometa. Brilha e forma uma cauda quando se aproxima do Sol e é a fonte da chuva anual de meteoros das Gemínidas, apesar de os cometas serem responsáveis pela maioria das chuvas de meteoros. Os cientistas atribuíram o comportamento tipo-cometa de Faetonte à poeira que escapa do asteroide quando este é "queimado" pelo Sol. No entanto, um novo estudo utilizando dois observatórios solares da NASA revela que a cauda de Faetonte não é de todo poeirenta, mas sim constituída pelo gás sódio.

 
Esta ilustração mostra o asteroide Faetonte a ser aquecido pelo Sol. A superfície do asteroide fica tão quente que o sódio, dentro da rocha de Faetonte, provavelmente vaporiza e é expelido para o espaço, fazendo com que aumente de brilho como um cometa e desenvolva uma cauda.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/IPAC
 

"A nossa análise mostra que a atividade tipo-cometa de Faetonte não pode ser explicada por qualquer tipo de poeira", disse o estudante de doutoramento Qicheng Zhang, do Caltech (California Institute of Technology), autor principal de um artigo científico publicado na revista The Planetary Science Journal.

Os asteroides, que são maioritariamente rochosos, não costumam formar caudas quando se aproximam do Sol. Os cometas, no entanto, são uma mistura de gelo e rocha, e normalmente formam caudas quando o Sol vaporiza o seu gelo, libertando material das suas superfícies e deixando um rasto ao longo das suas órbitas. Quando a Terra passa por um rasto de detritos, esses pedaços de cometas ardem na nossa atmosfera e produzem um enxame de estrelas cadentes - uma chuva de meteoros.

Depois de os astrónomos terem descoberto Faetonte em 1983, aperceberam-se que a órbita do asteroide coincidia com a dos meteoros das Gemínidas. Este facto apontou para Faetonte como a fonte da chuva de meteoros anual, apesar de Faetonte ser um asteroide e não um cometa.

Em 2009, a sonda STEREO (Solar Terrestrial Relations Observatory) da NASA detetou uma pequena cauda que se estendia de Faetonte quando o asteroide atingiu o ponto mais próximo do Sol (ou "periélio") ao longo da sua órbita de 524 dias. Os telescópios normais não tinham visto a cauda antes, porque esta só se forma quando Faetonte está demasiado perto do Sol para ser observada, exceto pelos observatórios solares. A STEREO também viu a cauda de Faetonte desenvolver-se em aproximações solares posteriores, em 2012 e 2016. O aparecimento da cauda apoiou a ideia de que a poeira estava a escapar da superfície do asteroide quando aquecido pelo Sol.

No entanto, em 2018, outra missão solar captou imagens de parte do rasto de detritos das Gemínidas e encontrou uma surpresa. As observações da Parker Solar Probe da NASA mostraram que o rasto continha muito mais material do que aquele que Faetonte poderia ter libertado durante as suas aproximações ao Sol.

 
Esta sequência de imagens, obtida ao longo de duas horas pela sonda SOHO (Solar Terrestrial Relations Observatory), mostra Faetonte (dentro do círculo) a mover-se em relação às estrelas de fundo. As imagens foram obtidas no dia 15 de maio de 2022, quando o asteroide com 5,4 km passou perto do Sol, a uma distância de quase 21 milhões de quilómetros. Embora a SOHO observe normalmente o Sol, também observa muitos objetos que passam perto do Sol, incluindo cometas e asteroides. Os riscos brancos aleatórios são partículas energéticas, ou raios cósmicos, que bombardeiam constantemente a câmara da SOHO.
Crédito: ESA/NASA/USNRL/Karl Battams
 

A equipa de Zhang interrogou-se se outra coisa, para além da poeira, estaria por detrás do comportamento cometário de Faetonte. "Os cometas brilham frequentemente devido à emissão do sódio quando estão muito perto do Sol, por isso suspeitámos que o sódio poderia também desempenhar um papel fundamental no brilho de Faetonte", disse Zhang.

Um estudo anterior, baseado em modelos e testes laboratoriais, sugeriu que o calor intenso do Sol durante as aproximações solares de Faetonte poderia, de facto, vaporizar o sódio dentro do asteroide e conduzir a uma atividade semelhante à de um cometa.

Na esperança de descobrir de que é realmente feita a cauda, Zhang procurou-a novamente durante o último periélio de Faetonte, em 2022. Utilizou a sonda SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) - uma missão conjunta da NASA e da ESA - que possui filtros de cor capazes de detetar sódio e poeira. A equipa de Zhang também pesquisou imagens de arquivo da STEREO e da SOHO, encontrando a cauda durante 18 das aproximações solares de Faetonte entre 1997 e 2022.

Nas observações da SOHO, a cauda do asteroide apareceu brilhante no filtro que deteta o sódio, mas não apareceu no filtro que deteta a poeira. Além disso, a forma da cauda e a maneira como brilhou quando Faetonte passou pelo Sol correspondem exatamente ao que os cientistas esperariam se fosse feita de sódio, mas não se fosse constituída por poeira.

Esta evidência indica que a cauda de Faetonte é feita de sódio e não de poeira.

"Não só temos um resultado muito interessante, que de certa forma altera 14 anos de pensamento sobre um objeto bem escrutinado", disse o membro da equipa Karl Battams, do Laboratório de Investigação Naval, "como também o fizemos utilizando dados de duas naves espaciais heliofísicas - a SOHO e a STEREO - que não se destinavam de todo a estudar fenómenos como este".

 
O instrumento LASCO (Large Angle and Spectrometric Coronagraph) da SOHO fotografou o asteroide Faetonte através de diferentes filtros quando este passou perto do Sol em maio de 2022. À esquerda, o filtro laranja sensível ao sódio mostra o asteroide com uma nuvem circundante e uma pequena cauda, sugerindo que os átomos de sódio da superfície do asteroide estão a brilhar em resposta à luz solar. À direita, o filtro azul sensível à poeira não mostra qualquer sinal de Faetonte, indicando que o asteroide não está a produzir qualquer poeira detetável.
Crédito: ESA/NASA/Qicheng Zhang
 

Zhang e os seus colegas perguntam-se agora se alguns dos cometas descobertos pela SOHO - e por cientistas cidadãos que estudam as imagens da SOHO no âmbito do projeto Sungrazer - nem serão, de facto, cometas.

"Muitos desses outros 'cometas' que 'raspam' o Sol podem também não ser 'cometas' no sentido habitual de corpos gelados, mas podem ser asteroides rochosos como Faetonte, aquecidos pelo Sol", explicou Zhang.

Ainda assim, resta uma questão importante: se Faetonte não liberta muita poeira, como é que o asteroide fornece o material para a chuva de meteoros das Gemínidas que vemos todos os anos em dezembro?

A equipa de Zhang suspeita que algum tipo de acontecimento perturbador ocorrido há alguns milhares de anos - talvez um pedaço do asteroide que se partiu sob o stress da rotação da Faetonte - fez com que Faetonte ejetasse os milhares de milhões de toneladas de material que se estima constituírem a corrente de detritos das Gemínidas. Mas exatamente que acontecimento foi esse permanece um mistério.

Mais respostas poderão vir de uma futura missão da JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency) chamada DESTINY+ (Demonstration and Experiment of Space Technology for Interplanetary voyage Faetonte fLyby and dUst Science). No final desta década, espera-se que a nave espacial DESTINY+ passe por Faetonte, capte imagens da sua superfície rochosa e estude qualquer poeira que possa existir à volta deste asteroide enigmático.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

3200 Faetonte:
Centro de Planetas Menores da UAI
NEOCC da ESA
SSD do JPL/NASA
Wikipedia

Chuva de meteoros das Gemínidas:
Wikipedia

SOHO:
Página oficial 
ESA 
Wikipedia

Sondas STEREO:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Parker Solar Probe:
NASA
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Álbum de fotografias
A Nebulosa da Tarântula, pelo SuperBIT

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: SuperBITNASA
 
A Nebulosa da Tarântula, também conhecida como 30 Dourado, tem mais de mil anos-luz de diâmetro e é uma gigante região de formação estelar na galáxia satélite vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães. A cerca de 160 mil anos-luz de distância, é a maior e mais violenta região de formação estelar conhecida em todo o Grupo Local de galáxias. O aracnídeo cósmico está perto do centro desta imagem espetacular obtida durante o voo do SuperBIT (Super Pressure Balloon Imaging Telescope), o telescópio de 0,5 metros da NASA a bordo de um balão que flutua agora perto dos limites do espaço. No interior da bem estudada Tarântula (NGC 2070), a radiação intensa, os ventos estelares e os choques de supernovas do jovem enxame central de estrelas massivas, catalogado como R136, energizam o brilho nebular e dão forma aos filamentos de aranha. À volta da Tarântula existem outras regiões de formação estelar com jovens enxames estelares, filamentos e nuvens em forma de bolha. O amplo campo de visão do SuperBIT estende-se por mais de 2 graus ou 4 Luas Cheias na direção da constelação austral de Dourado.
 
   
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