DIA 27/10: 300.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I.
Em 1973, o meteorito Cañon City, um condrito com 1,4 kg, atinge Fremont County, no estado norte-americano do Colorado.
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objeto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express a partir do Cosmódromo de Plesetsk. HOJE, NO COSMOS:
Aqui chegados ao final de outubro, e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste. Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"?
O que está a ver é o resultado do pôr-do-Sol e do anoitecer chegarem cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual.
Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. Claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo vão mover-se para oeste semana após semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".
DIA 28/10: 301.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1971 a Grã-Bretanha lança o Prospero, o seu primeiro satélite.
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23, missão soviética de recolha de amostras lunares. Mas o dispositivo de recolha falhou e nenhumas amostras foram enviadas.
Em 2009, a NASA lança com sucesso a sua missão Ares I-X, o único lançamento do cancelado programa Constellation.
Em 2014, um foguetão que transportava a missão Cygnus CRS Orb-3, de reabastecimento da ISS, explode segundos depois de descolar do Porto Espacial na Ilha Wallops, Virgínia. HOJE, NO COSMOS:
Eclipse lunar parcial visível a partir da Europa, África e Ásia - começa pelas 19:02, o eclipse máximo (13% da Lua coberta pela umbra da sombra da Terra) ocorre pelas 21:14 e termina pelas 23:26.
Lua Cheia, pelas 21:24.
Júpiter brilha apenas 3º
para baixo e para a esquerda do nosso satélie natural. O par vai ficando cada vez mais próximo um do outro ao longo do passar da noite.
Não é surpresa aparecerem na mesma zona do céu. Júpiter e a Lua Cheia estão ambos muito perto da oposição: na direção oposta do Sol, a partir do ponto de vista da Terra.
DIA 29/10: 302.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1991, a sonda Galileu faz a sua maior aproximação de 951 Gaspra, a primeira a visitar um asteroide.
Em 1998, o vaivém espacial Discovery partia para o espaço na missão STS-95, levando a bordo o astronauta John Glenn de 77 anos.
Glenn, que fora o primeiro norte-americano a orbitar a Terra em 1962, tornou-se deste modo, e até à quebra do seu recorde em 2021, a pessoa mais velha a alguma vez ter estado no espaço. HOJE, NO COSMOS:
Começa o horário de inverno. Quando forem 02:00, atrase os seus relógios uma hora. Nos Açores, a mudança é feita às 01:00, passando para as 00:00.
A Lua encontra-se entre as Plêiades (para baixo e para a esquerda) e o planeta Júpiter (para cima e para a direita)
Por volta das 21:50, dependendo da posição do observador, a estrela Capella, de magnitude zero, está à mesma altitude a nordeste que Vega a oeste-noroeste. Com que precisão consegue determinar o momento deste evento? Não é necessário um sextante... mas ajudava.
DIA 30/10: 303.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1981, lançamento da soviética Venera 13. A Venera 13 transmitiu fotografias e dados de Vénus até março de 1983.
Em 1985, o vaivém espacial Challenger é lançado na STS-61-A, a sua última missão bem sucedida. HOJE, NO COSMOS:
Observe novamente a Lua e verifique que mudou de posição, por exemplo, em relação novamente a M45 e ao planeta Júpiter. Hoje, está para baixo e para a esquerda do enxame das Plêiades.
Primeira deteção, pelo Webb, de um elemento pesado proveniente da fusão de duas estrelas
Esta imagem do instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb destaca a explosão de raios gama (GRB) 230307A e a quilonova que lhe está associada, bem como a sua antiga galáxia hospedeira, no meio do seu ambiente local de outras galáxias e estrelas em primeiro plano. A explosão de raios gama foi provavelmente alimentada pela fusão de duas estrelas de neutrões. As estrelas de neutrões foram expulsas da sua galáxia de origem e percorreram uma distância de cerca de 120.000 anos-luz, aproximadamente o diâmetro da Via Láctea, antes de se fundirem várias centenas de milhões de anos mais tarde.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Levan (Universidade de Radboud e Universidade de Warwick) (ver versão sem rótulos)
Há muito tempo que as condições em que muitos elementos químicos são criados no Universo são um mistério. Isto inclui elementos que são altamente valiosos ou mesmo vitais para a vida tal como a conhecemos. Os astrónomos estão agora um passo mais perto de uma resposta, graças ao Telescópio Espacial James Webb e a um evento altamente energético: a segunda explosão de raios gama mais brilhante alguma vez detetada, muito provavelmente causada pela fusão de duas estrelas de neutrões - que resultou numa explosão conhecida como quilonova.
Uma equipa de cientistas utilizou vários telescópios espaciais e terrestres, incluindo o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, para observar uma explosão de raios gama excecionalmente brilhante, de nome GRB 230307A, e identificar a fusão de estrelas de neutrões que gerou a explosão que deu origem ao evento. O Webb também ajudou os cientistas a detetar o elemento químico telúrio no rescaldo da explosão.
É provável que outros elementos próximos do telúrio na tabela periódica - como o iodo, que é necessário para grande parte da vida na Terra - também estejam presentes no material ejetado pela quilonova. Uma quilonova é uma explosão produzida por uma estrela de neutrões que se funde com um buraco negro ou com outra estrela de neutrões.
"Pouco mais de 150 anos depois de Dmitri Mendeleev ter escrito a tabela periódica dos elementos, estamos agora finalmente em posição de começar a preencher os últimos espaços em branco da compreensão de onde tudo foi feito, graças ao Webb", disse Andrew Levan da Universidade de Radboud, nos Países Baixos, e da Universidade de Warwick no Reino Unido, autor principal do estudo.
Embora as fusões de estrelas de neutrões tenham sido há muito teorizadas como as "panelas de pressão" ideais para criar alguns dos elementos mais raros e substancialmente mais pesados do que o ferro, os astrónomos encontraram anteriormente alguns obstáculos à obtenção de evidências sólidas.
As quilonovas são extremamente raras, tornando difícil a observação destes eventos. As explosões de raios gama curtas (GRBs), tradicionalmente consideradas aquelas que duram menos de dois segundos, podem ser subprodutos destes episódios de fusão pouco frequentes. Em contraste, as explosões longas de raios gama podem durar vários minutos e estão normalmente associadas à morte explosiva de uma estrela massiva.
O caso de GRB 230307A é particularmente notável. Detetado pela primeira vez pelo Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA em março, é o segundo GRB mais brilhante observado em mais de 50 anos de observações, cerca de 1000 vezes mais brilhante do que uma explosão típica de raios gama observada pelo Fermi. Também durou 200 segundos, o que a coloca firmemente na categoria das explosões de raios gama de longa duração, apesar da sua origem diferente.
"Esta explosão está bem dentro da categoria longa. Não está perto da fronteira. Mas parece vir de uma estrela de neutrões em fusão", acrescentou Eric Burns, coautor do artigo e membro da equipa Fermi da Universidade Estatal do Louisiana.
A colaboração de muitos telescópios no solo e no espaço permitiu aos cientistas reunir uma grande quantidade de informação sobre este evento assim que a explosão foi detetada. É um exemplo de como os satélites e os telescópios trabalham em conjunto para testemunhar as mudanças no Universo à medida que se vão desenvolvendo.
Após a deteção inicial, uma série intensiva de observações a partir do solo e do espaço entrou em ação para localizar a fonte no céu e seguir a mudança do seu brilho. Estas observações em raios gama, raios X, no ótico, no infravermelho e no rádio mostraram que a sua contraparte ótica/infravermelha era ténue, evoluía rapidamente e tornou-se muito vermelha - as características de uma quilonova.
"Este tipo de explosão é muito rápido, com o material na explosão também a expandir-se rapidamente", disse Om Sharan Salafia, um coautor do estudo no Observatório Astronómico de Brera do INAF, em Itália. "À medida que toda a nuvem se expande, o material arrefece rapidamente e o pico da sua luz torna-se visível no infravermelho, tornando-se mais vermelho em escalas de tempo de dias a semanas."
Teria sido impossível estudar esta quilonova em alturas posteriores a partir do solo, mas estas eram as condições perfeitas para os instrumentos NIRCam (Near-Infrared Camera) e NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb observarem este ambiente tumultuoso. O espetro tem linhas largas que mostram que o material é ejetado a alta velocidade, mas uma caraterística é clara: a luz emitida pelo telúrio, um elemento mais raro do que a platina na Terra.
Este gráfico compara os dados espectrais da quilonova GRB 230307A observados pelo Telescópio Espacial James Webb e um modelo de quilonova. Ambos mostram um pico distinto na região do espetro associada ao telúrio, com a área sombreada a vermelho. A deteção do telúrio, que é mais raro do que a platina na Terra, marca o primeiro olhar direto do Webb sobre um elemento pesado individual de uma qiilonova.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
As capacidades infravermelhas altamente sensíveis do Webb ajudaram os cientistas a identificar a origem das duas estrelas de neutrões que criaram a quilonova: uma galáxia espiral a cerca de 120.000 anos-luz de distância do local da fusão.
Antes da sua aventura, eram duas estrelas massivas normais que formavam um sistema binário na sua galáxia espiral de origem. Como a dupla estava ligada gravitacionalmente, ambas as estrelas foram lançadas em duas ocasiões distintas: quando uma delas explodiu como supernova e se tornou uma estrela de neutrões, e quando a outra estrela seguiu o mesmo percurso.
Neste caso, as estrelas de neutrões permaneceram como um sistema binário apesar de dois abalos explosivos e foram expulsas da sua galáxia hospedeira. O par viajou aproximadamente o equivalente ao diâmetro da Via Láctea antes de se fundir várias centenas de milhões de anos mais tarde.
Os cientistas esperam encontrar ainda mais quilonovas no futuro, graças ao número crescente de oportunidades de ter telescópios espaciais e terrestres a trabalhar de forma complementar para estudar as mudanças no Universo.
"O Webb dá um impulso fenomenal e pode encontrar elementos ainda mais pesados", disse Ben Gompertz, coautor do estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido. "À medida que as observações se tornam mais frequentes, os modelos melhoram e o espetro pode evoluir mais no tempo. O Webb abriu certamente a porta para fazer muito mais e as suas capacidades serão completamente transformadoras para a nossa compreensão do Universo".
Estas descobertas foram publicadas na revista Nature.
A análise dos dados sísmicos marcianos registados pela missão InSight revelou que o núcleo de ferro líquido de Marte está rodeado por uma camada de silicato fundido com 150 km de espessura, o que faz com que o seu núcleo seja mais pequeno e mais denso do que o anteriormente proposto.
Crédito: Thibaut Roger, NCCR PlanetS/ETH Zurique
O núcleo de ferro líquido de Marte é mais pequeno e mais denso do que se pensava. Não só é mais pequeno, como também está rodeado por uma camada de rocha fundida. É o que concluem os investigadores da ETH Zurique, com base em dados sísmicos do módulo InSight.
Durante quatro anos, o "lander" InSight da NASA registou sismos em Marte com o seu sismómetro. Os investigadores da ETH Zurique recolheram e analisaram os dados transmitidos para a Terra para determinar a estrutura interna do planeta. "Embora a missão tenha terminado em dezembro de 2022, descobrimos agora algo muito interessante", diz Amir Khan, cientista sénior do Departamento de Ciências da Terra da ETH Zurique.
Uma análise dos sismos registados, combinada com simulações em computador, traça uma nova imagem do interior do planeta. Entre o núcleo de ferro líquido de Marte e o seu manto sólido de silicato encontra-se uma camada de silicato líquido (magma) com cerca de 150 quilómetros de espessura. "A Terra não tem uma camada de silicato completamente fundida como esta", diz Khan.
Esta descoberta, agora publicada na revista científica Nature, juntamente com um estudo liderado por Henri Samuel, do Instituto de Física do Globo de Paris, França, que chega a uma conclusão semelhante usando métodos complementares, também fornece novas informações sobre o tamanho e a composição do núcleo de Marte, resolvendo um mistério que os investigadores não conseguiram explicar até agora.
Uma análise dos sismos inicialmente observados mostrou que a densidade média do núcleo marciano tinha de ser significativamente mais baixa do que a do ferro líquido puro. O núcleo da Terra, por exemplo, é constituído por cerca de 90% de ferro. Elementos leves como o enxofre, o carbono, o oxigénio e o hidrogénio perfazem um total combinado de cerca de 10%. As estimativas iniciais da densidade do núcleo marciano mostraram que este é composto por uma percentagem muito maior de elementos leves - cerca de 20%. "Isto representa um complemento muito grande de elementos leves, quase impossível. Desde então, temos vindo a questionar este resultado", afirma Dongyang Huang, investigador pós-doutorado no Departamento de Ciências da Terra da ETH Zurique.
Menos elementos leves
As novas observações mostram que o raio do núcleo marciano diminuiu do intervalo inicialmente determinado de 1800-1850 quilómetros para algures entre 1650-1700 quilómetros, o que corresponde a cerca de 50% do raio de Marte. Se o núcleo marciano é mais pequeno do que se pensava, mas tem a mesma massa, a sua densidade é maior e, por isso, contém menos elementos leves. De acordo com os novos cálculos, a proporção de elementos leves desceu para 9 a 14%. "Isto significa que a densidade média do núcleo marciano ainda é um pouco baixa, mas já não é inexplicável no contexto de cenários típicos de formação de planetas", diz Paolo Sossi, professor assistente no Departamento de Ciências da Terra da ETH Zurique e membro do NCCRs (National Centres of Competence in Research) PlanetS. O facto de o núcleo marciano conter uma quantidade significativa de elementos leves indica que deve ter sido formado muito cedo, possivelmente quando o Sol ainda estava rodeado pelo gás da nebulosa solar, a partir do qual os elementos leves se poderiam ter acumulado no núcleo marciano.
Os cálculos iniciais baseavam-se em sismos que tinham ocorrido nas proximidades do módulo de aterragem InSight. No entanto, em agosto e setembro de 2021, o sismómetro registou dois tremores no lado oposto de Marte. Um deles foi causado pelo impacto de um meteorito. "Estes tremores produziram ondas sísmicas que atravessaram o núcleo", explica Cecilia Duran, estudante de doutoramento no Departamento de Ciências da Terra da ETH Zurique. "Isto permitiu-nos iluminar o núcleo". No caso dos sismos anteriores, em contraste, as ondas eram refletidas na fronteira entre o núcleo e o manto, não fornecendo qualquer informação sobre o interior mais profundo do Planeta Vermelho. Como resultado destas novas observações, os investigadores conseguiram agora determinar a densidade e a velocidade das ondas sísmicas do núcleo líquido até uma profundidade de cerca de 1000 quilómetros.
Simulações em supercomputador
Para inferir a composição do material a partir destes perfis, os investigadores comparam normalmente os dados com os de ligas sintéticas de ferro contendo diferentes proporções de elementos leves (S, C, O e H). No laboratório, estas ligas são expostas a altas temperaturas e pressões equivalentes às encontradas no interior de Marte, permitindo aos investigadores medir diretamente a densidade e a velocidade das ondas sísmicas. De momento, no entanto, a maioria das experiências são realizadas em condições prevalentes no interior da Terra e, por isso, não são imediatamente aplicáveis a Marte. Consequentemente, os investigadores da ETH Zurique recorreram a um método diferente. Calcularam as propriedades de uma grande variedade de ligas através de cálculos quântico-mecânicos, efetuados no CSCS (Centro Svizzero di Calcolo Scientifico) em Lugano, na Suíça.
Quando os investigadores compararam os perfis calculados com as suas medições baseadas nos dados sísmicos do InSight, depararam-se com um problema. Verificou-se que nenhuma liga de ferro e elementos leves correspondia simultaneamente aos dados, tanto no topo como no centro do núcleo marciano. No limite entre o núcleo e o manto, por exemplo, a liga de ferro teria de conter muito mais carbono do que no interior do núcleo. "Demorámos algum tempo a perceber que a região que tínhamos anteriormente considerado como o núcleo de ferro líquido exterior não era afinal o núcleo, mas a parte mais profunda do manto", explica Huang. Em apoio a isto, os investigadores descobriram também que a densidade e a velocidade das ondas sísmicas medidas e calculadas nos 150 quilómetros mais exteriores do núcleo eram consistentes com as dos silicatos líquidos - o mesmo material, em forma sólida, de que é composto o manto marciano.
Novas análises de sismos anteriores e simulações computacionais adicionais confirmaram este resultado. Só é de lamentar que os painéis solares empoeirados e a consequente falta de energia tenham impossibilitado o módulo de aterragem InSight de fornecer dados adicionais que poderiam ter lançado mais luz sobre a composição e sobre a estrutura do interior de Marte. "No entanto, o InSight foi uma missão muito bem-sucedida, que nos forneceu muitos dados novos e conhecimentos que serão analisados nos próximos anos", afirma Khan.
Astrónomos realizam a maior simulação cosmológica computorizada de sempre
A imagem de fundo mostra a distribuição atual da matéria numa "fatia" da maior simulação FLAMINGO, que é um volume cúbico com 2,8 Gpc (9,1 mil milhões de anos-luz) de lado. A luminosidade da imagem de fundo indica a distribuição atual da matéria escura, enquanto a cor indica a distribuição dos neutrinos. As inserções mostram três ampliações consecutivas centradas no enxame de galáxias mais massivo; por ordem, mostram a temperatura do gás, a densidade da matéria escura e uma observação virtual de raios X (da Figura 1 de Schaye et al. 2023).
Crédito: Josh Borrow, equipa FLAMINGO e Consórcio Virgo
Uma equipa internacional de astrónomos levou a cabo o que se crê ser a maior simulação cosmológica computorizada de sempre, rastreando não só a matéria escura, mas também a matéria normal (como planetas, estrelas e galáxias), dando-nos um vislumbre de como o nosso Universo poderá ter evoluído. As simulações do projeto FLAMINGO (Full-hydro Large-scale structure simulations with All-sky Mapping for the Interpretation of Next Generation Observations) calculam a evolução de todos os componentes do Universo - matéria comum, matéria escura e energia escura - de acordo com as leis da física. À medida que a simulação avança, surgem galáxias virtuais e enxames virtuais de galáxias. Foram publicados três artigos na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: um que descreve os métodos, outro que apresenta as simulações e o terceiro que examina a forma como as simulações reproduzem a estrutura em grande escala do Universo.
Equipamentos como o Telescópio Espacial Euclid, recentemente lançado pela ESA, e o JWST da NASA recolhem quantidades impressionantes de dados sobre galáxias, quasares e estrelas. Simulações como o FLAMINGO desempenham um papel fundamental na interpretação científica dos dados, ligando as previsões das teorias do nosso Universo aos dados observados.
De acordo com a teoria, as propriedades de todo o nosso Universo são definidas por alguns números chamados "parâmetros cosmológicos" (seis na versão mais simples da teoria). Os valores destes parâmetros podem ser medidos com grande exatidão de várias formas. Um desses métodos baseia-se nas propriedades da radiação cósmica de fundo, um brilho ténue de fundo deixado pelo Universo primitivo. No entanto, estes valores não coincidem com os medidos por outras técnicas que se baseiam na forma como a força gravitacional das galáxias dobra a luz (efeito de lente). Estas "tensões" poderão assinalar o fim do modelo padrão da cosmologia - o modelo da matéria escura fria.
As simulações em computador podem ser capazes de revelar a causa destas tensões porque podem informar os cientistas sobre possíveis enviesamentos (erros sistemáticos) nas medições. Se nenhum destes erros for suficiente para explicar as tensões, a teoria estará em sérios problemas.
Até agora, as simulações computacionais utilizadas para comparar com as observações apenas seguem a matéria escura fria. "Embora a matéria negra domine a gravidade, a contribuição da matéria vulgar já não pode ser negligenciada", diz o líder da investigação Joop Schaye (Universidade de Leiden), "uma vez que essa contribuição pode ser semelhante aos desvios entre os modelos e as observações".
Os primeiros resultados mostram que tanto os neutrinos como a matéria comum são essenciais para fazer previsões exatas, mas não eliminam as tensões entre as diferentes observações cosmológicas.
As simulações que também seguem a matéria comum (ou bariónica) são muito mais difíceis e requerem muito mais poder de computação. Isto porque a matéria comum - que constitui apenas 16% de toda a matéria do Universo - sente não só a gravidade, mas também a pressão do gás, o que pode fazer com que a matéria seja expelida das galáxias para o espaço intergaláctico por buracos negros ativos e supernovas. A força destes ventos intergalácticos depende de explosões no meio interestelar e é muito difícil de prever. Além disso, a contribuição dos neutrinos, partículas subatómicas de massa muito pequena, mas não conhecida com precisão, é também importante, mas o seu movimento ainda não foi simulado.
Os astrónomos completaram uma série de simulações em computador que acompanham a formação de estruturas na matéria escura, na matéria normal e nos neutrinos. O estudante de doutoramento Roi Kugel (Universidade de Leiden) explica: "O efeito dos ventos galácticos foi calibrado usando aprendizagem de máquina, comparando as previsões de muitas simulações diferentes de volumes relativamente pequenos com as massas observadas das galáxias e a distribuição do gás nos enxames de galáxias".
Os investigadores simularam o modelo que melhor descreve as observações de calibração com um supercomputador em diferentes volumes cósmicos e a diferentes resoluções. Além disso, variaram os parâmetros do modelo, incluindo a força dos ventos galácticos, a massa dos neutrinos e os parâmetros cosmológicos em simulações de volumes ligeiramente mais pequenos, mas ainda assim grandes.
A maior simulação utiliza 300 mil milhões de elementos de resolução (partículas com a massa de uma pequena galáxia) num volume cúbico com arestas de dez mil milhões de anos-luz. Pensa-se que esta é a maior simulação cosmológica computorizada com matéria comum alguma vez efetuada. Matthieu Schaller (Universidade de Leiden): "Para tornar esta simulação possível, desenvolvemos um novo código, SWIFT, que distribui eficientemente o trabalho computacional por 30 mil CPUs".
As simulações FLAMINGO abrem uma nova janela virtual para o Universo que ajudará a tirar o máximo partido das observações cosmológicas. Além disso, a grande quantidade de dados (virtuais) cria oportunidades para fazer novas descobertas teóricas e testar novas técnicas de análise de dados, incluindo a aprendizagem de máquina. Utilizando a aprendizagem de máquina, os astrónomos podem então fazer previsões para universos virtuais aleatórios. Comparando-as com observações de estruturas em grande escala, podem medir os valores dos parâmetros cosmológicos. Além disso, podem medir as incertezas correspondentes, comparando-as com observações que limitam o efeito dos ventos galácticos.
Rover Curiosity encontra novas evidências da existência de antigos rios em Marte (via Universidade Estatal da Pensilvânia)
Uma nova análise dos dados do rover Curiosity revela que grande parte das crateras em Marte poderiam ter sido outrora rios habitáveis. "Estamos a encontrar evidências de que Marte foi provavelmente um planeta de rios", disse Benjamin Cardenas, professor assistente de geociências na Universidade Estatal da Pensilvânia e autor principal de um novo artigo científico que anuncia a descoberta. "Vemos sinais disso por todo o planeta". Ler fonte
Como é que um pedaço da Lua se pode tornar num asteroide próximo da Terra? Os investigadores têm uma resposta (via UC San Diego)
Uma equipa de astrónomos encontrou um novo indício de que um recentemente descoberto asteroide próximo da Terra, Kamo'oalewa, poderá ser um pedaço da Lua. A hipótese é que o asteroide tenha sido ejetado da superfície lunar durante a queda de um meteorito - e descobriram que um caminho raro poderia ter permitido com que Kamo'oalewa entrasse em órbita do Sol, mantendo-se perto das órbitas da Terra e da Lua. Ler fonte
Lá vai mais um! Os vulcões da lua de Júpiter, Io, não param de entrar em erupção. Para investigar, a nave espacial robótica Juno da NASA iniciou uma série de visitas a esta lua muito estranha. Io tem aproximadamente o tamanho da Lua da Terra, mas devido à flexão gravitacional de Júpiter e de outras luas, o interior de Io aquece e a sua superfície fica coberta de vulcões. A imagem em destaque é do "flyby" da semana passada, quando passou a 12.000 quilómetros do mundo perigosamente ativo. A superfície de Io está coberta de enxofre e dióxido de enxofre gelado, o que lhe dá um aspeto amarelo, laranja e castanho. Como se esperava, a Juno passou mesmo quando um vulcão estava em erupção - com a sua ténue pluma visível perto do topo da imagem em destaque. Estudar os vulcões e as plumas de Io ajuda a humanidade a compreender melhor como o complexo sistema de luas, anéis e auroras de Júpiter interagem entre si. A Juno deverá fazer duas passagens por Io nos próximos meses, quase 10 vezes mais próximas: uma em dezembro e outra em fevereiro de 2024.
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