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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
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  Astroboletim #2231  
  25/07 a 28/07/2025  
     
 
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Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação solar na Ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha da Tavira
22/08/2025, 10:00
12/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

Observação noturna do céu na praia do Barril
Local: Praia do Barril
29/07/2025, 21:00
29/08/2025, 21:00
(não requer inscrição)

Observação solar na praia do Barril
Local: Praia do Barril
31/07/2025, 10:00
08/08/2025, 10:00
05/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

A Lua sobre a ponte
Local: Ponte romana - Tavira
01/08/2025, 20:00
09/08/2025, 21:00
02/09/2025, 20:00
(não requer inscrição)

Observação noturna do céu de Tavira
Local: Forte do Rato
12/08/2025, 20:45
(não requer inscrição)

 

Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Astronomia romana em Vilamoura
Local: Recinto da Estação Arqueológica do Cerro da Vila
28/07/2025, 21:30 - Data esgotada - Lista de espera
04/08/2025, 21:30 - Data esgotada - Lista de espera
08/09/2025, 20:30 - Inscrição

Astronomia na praia da Marinha
Local: Observatório Panorâmico da Praia da Marinha
31/07/2025, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera
31/07/2025, 22:00 - Data esgotada - Lista de espera

O Sol na Roda dos Ventos da Porta Nova
Local: Roda dos Ventos da Porta Nova, Faro
03/08/2025, 09:30 - Inscrição
03/08/2025, 10:00 - Inscrição
03/08/2025, 10:30 - Inscrição
03/08/2025, 11:00 - Inscrição

Astronomia nos Salgados
Local: Zona da Praia dos Salgados
05/08/2025, 21:15 - Data esgotada - Lista de espera

Astros do Moinho de Maré na Quinta de Marim
Local: Moinho de Maré do Parque Natural da Ria Formosa
12/08/2025, 20:45 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia no Alto da Ameixeira - S. Brás
Local: Miradouro do Alto da Ameixeira
14/08/2025, 21:00
(não requer inscrição)

Astronáufragos na Ria Formosa
19/08/2025, 20:30 - Data esgotada - Lista de espera

Planetário no Vale Gonçalinho
Local: Centro de Educação Ambiental Vale Gonçalinho (CEAVG)
22/08/2025, 19:00 - Inscrição
22/08/2025, 19:30 - Inscrição

Uma noite astronómica no Vale Gonçalinho
Local: Centro de Educação Ambiental Vale Gonçalinho (CEAVG)
22/08/2025, 20:30 - Inscrição

Observação solar em Castro Verde
Local: Entre o Largo da Feira/Mercado e a Rua Morais Sarmento (ER123)
23/08/2025, 09:30 - Inscrição
23/08/2025, 10:00 - Inscrição

Astronomia em Vale do Álamo
Local: Vale do Álamo - Benafim
25/08/2025, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia junto ao Castelo de Paderne
Local: Castelo de Paderne
01/09/2025, 21:00 - Inscrição

Eclipse lunar na Ilha de Faro
Local: Centro Náutico da Praia de Faro
07/09/2025, 19:45 - Data esgotada - Lista de espera

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

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EFEMÉRIDES

DIA 25/07: 206.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 5.
Em 1976, a sonda Viking 1 obtém a famosa foto da "Face de Marte". 
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Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 11:32.
Com o avançar do verão, a brilhante estrela Arcturo desce pelo céu a oeste. O seu pálido tom amarelo-esbranquiçado ajuda sempre a identificá-la.
Arcturo forma a parte de baixo do "papagaio-de-papel" de Boieiro. Este "papagaio-de-papel", embora estreito, estende-se 23º para cima e para a direita de Arcturo, cerca de dois punhos à distância do braço esticado . O lado direito do "papagaio-de-papel" está amolgado, como se algum intruso celeste o tenha danificado.

 

DIA 26/07: 207.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.
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Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003.
HOJE, NO COSMOS:
Olhe novamente para Arcturo. Na astronomia de hoje, Arcturo pode ser mais conhecida pela sua história cósmica: é uma gigante laranja de População II com cerca de 7 mil milhões de anos, mais velha que o Sistema Solar, navegando pela nossa parte do espaço numa trajetória que indica que veio de outra galáxia: uma galáxia anã que caiu na Via Láctea e se fundiu com ela. Mas nos livros de astronomia dos nossos avós, Arcturo tinha outra fama: acendeu as luzes da Feira Mundial de Chicago de 1933, celebrando "um século de progresso". Os astrónomos manipularam uma fotocélula, recentemente inventada, até aos olhos dos grandes telescópios em redor dos EUA e apontaram para onde Arcturo passaria no momento certo na noite de abertura. Em locais onde o céu estava limpo, a luz da estrela rastejou para as fotocélulas, os sinais fracos foram amplificados e enviados através de fios telegráficos para Chicago, um interruptor foi disparado, e as luzes massivas acenderam-se sobre os aplausos de dezenas de milhares.
Porquê Arcturo? Os astrónomos da época pensavam que estava a 40 anos-luz de distância (valor moderno: 36,7±0,2 anos-luz). Assim, a luz estaria em voo desde o grande evento anterior em Chicago, a Exposição Mundial de 1893. E antes? Arcturo era famosa por ser uma das primeiras estrelas descobertas com movimento próprio, movimento independente na esfera celeste. Em 1718, Edmond Halley percebeu que Arcturo, Sirius e Aldebarã se tinham movido mais de meio-grau de onde o astrónomo grego Hiparco as tinha medido cerca de 1850 anos antes.
Arcturo era também conhecida como a primeira das estrelas (noturnas) a ser vista durante o dia com um telescópio: por Jean-Baptiste Morin, em 1635.

 

DIA 27/07: 208.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.
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Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra.
HOJE, NO COSMOS:
Utilize a fina Lua Crescente como guia até Marte e Denébola ao lusco-fusco.

 

DIA 28/07: 209.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).
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Foi também diretor do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana.
HOJE, NO COSMOS:
Aviste a Lua Crescente baixa a oeste ao anoitecer. O ponto avermelhado logo para cima e um pouco para a direita é o planeta Marte.

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Descoberta, finalmente, a estrela companheira de Betelgeuse
 
Betelgeuse e a sua estrela companheira. Aparece azul aqui porque, com base na análise da equipa, é provavelmente uma estrela do tipo A ou B, ambas de cor branca azulada devido às suas altas temperaturas. Ver aqui imagem sem rótulos.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA; processamento de imagem - M. Zamani (NOIRLab da NSF)
 

Os astrónomos descobriram uma estrela companheira numa órbita incrivelmente íntima em torno de Betelgeuse, utilizando o instrumento 'Alopeke acoplado ao telescópio Gemini North, uma metade do Observatório Internacional Gemini. Esta descoberta resolve o mistério de longa data da variação de brilho da estrela e fornece informações sobre os mecanismos físicos subjacentes a outras supergigantes vermelhas variáveis.

Betelgeuse é uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno e a supergigante vermelha mais próxima da Terra. Tem um volume enorme, com um raio cerca de 700 vezes superior ao do Sol. Apesar de ter apenas dez milhões de anos, o que é considerado jovem para os padrões da astronomia, já está no final da sua vida. Localizada no ombro da constelação de Orionte, há milénios que as pessoas observam Betelgeuse a olho nu, notando que a estrela muda de brilho ao longo do tempo. Os astrónomos estabeleceram que Betelgeuse tem um período principal de variabilidade de cerca de 400 dias e um período secundário mais alargado de cerca de seis anos.

Em 2019 e 2020, registou-se uma diminuição acentuada no brilho de Betelgeuse - um evento referido como o "Grande Escurecimento". O evento levou algumas pessoas a pensar que a morte da estrela - por supernova - estava a chegar, mas os cientistas foram capazes de determinar que a diminuição de brilho foi efetivamente provocada por uma grande nuvem de poeira ejetada de Betelgeuse.

O mistério do Grande Escurecimento foi resolvido, mas o evento despertou um interesse renovado no estudo de Betelgeuse, o que suscitou novas análises de dados de arquivo. Uma investigação levou os cientistas a propor que a causa da variabilidade de seis anos de Betelgeuse era a presença de uma estrela companheira. Mas quando o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório de raios X Chandra procuraram essa companheira, nenhuma foi detetada.

A estrela companheira foi agora detetada pela primeira vez por uma equipa de astrofísicos liderada por Steve Howell, investigador sénior do Centro de Investigação Ames da NASA e autor principal do artigo científico que relata a descoberta. Observaram Betelgeuse utilizando um instrumento chamado 'Alopeke. 'Alopeke, que significa "raposa" em havaiano, é financiado pelo PNN-EXPLORE (NASA–NSF Exoplanet Observational Research Program) e está acoplado ao telescópio Gemini North, uma metade do Observatório Internacional Gemini.

O instrumento utiliza tempos de exposição muito curtos para "congelar" as distorções nas imagens causadas pela atmosfera da Terra. Esta técnica permite uma alta resolução que, quando combinada com o poder de recolha de luz do espelho de 8,1 metros do Gemini North, permitiu a deteção direta da ténue companheira de Betelgeuse.

 
A estrela Betelgeuse, juntamente com a sua recém-descoberta companheira, situada no ombro da constelação de Orionte.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA; processamento de imagem - M. Zamani (NOIRLab da NSF)
 

A análise da luz da estrela companheira permitiu a Howell e à sua equipa determinar as características da estrela companheira. Descobriram que é seis magnitudes mais fraca do que Betelgeuse no visível, tem uma massa estimada em cerca de 1,5 vezes a do Sol e parece ser uma estrela de pré-sequência principal do tipo A ou B - uma estrela quente, jovem e azul-esbranquiçada que ainda não iniciou a combustão de hidrogénio no seu núcleo.

A companheira está a uma distância relativamente curta da superfície de Betelgeuse - cerca de quatro vezes a distância entre a Terra e o Sol. Esta descoberta marca a primeira vez que se deteta uma companheira estelar próxima em órbita de uma estrela supergigante. Ainda mais impressionante - a companheira orbita bem dentro da atmosfera exterior alargada de Betelgeuse, comprovando as incríveis capacidades de resolução do 'Alopeke.

"A capacidade do Gemini North para obter resoluções angulares elevadas e contrastes nítidos permitiu detetar diretamente a companheira de Betelgeuse", diz Howell. Além disso, explica que 'Alopeke fez o que nenhum outro telescópio tinha feito antes: "Os estudos que previram a companheira de Betelgeuse diziam que ninguém seria capaz de a fotografar".

Esta descoberta fornece uma imagem mais clara da vida e da futura morte desta supergigante vermelha. Betelgeuse e a sua estrela companheira nasceram provavelmente ao mesmo tempo. No entanto, a estrela companheira terá um tempo de vida reduzido, uma vez que as fortes forças de maré farão com que espirale em direção a Betelgeuse e encontre aí a sua morte, que os cientistas estimam que ocorrerá nos próximos 10.000 anos.

A descoberta também ajuda a explicar porque é que estrelas supergigantes vermelhas semelhantes podem sofrer alterações periódicas no seu brilho à escala de muitos anos. Howell partilha a sua esperança de mais estudos nesta área: "Esta deteção foi feita nos extremos do que pode ser alcançado com o Gemini em termos de imagens de alta resolução angular, e funcionou. Isto abre agora a porta a outras iniciativas de observação de natureza semelhante".

Martin Still, diretor do programa NSF para o Observatório Internacional Gemini, acrescenta: "As capacidades fornecidas pelo Observatório Internacional Gemini continuam a ser uma ferramenta espetacular, aberta a todos os astrónomos para uma vasta gama de aplicações astronómicas. A solução para o problema de Betelgeuse, que se arrasta há centenas de anos, permanecerá como um feito digno de destaque".

Em novembro de 2027 ocorrerá outra oportunidade para estudar a companheira estelar de Betelgeuse, quando esta voltar à sua maior separação da supergigante vermelha e, portanto, quando for mais fácil de detetar. Howell e a sua equipa aguardam com expetativa as observações de Betelgeuse antes e durante este evento para melhor determinar a natureza da companheira.

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv)
// Cosmoview Ep. 101: Gemini North descobre a há muito prevista companheira estelar de Betelgeuse (NOIRLabAstro via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
25/10/2024 - A brilhante estrela Betelgeuse tem provavelmente uma companheira
16/08/2022 - Hubble vê supergigante vermelha Betelgeuse a recuperar lentamente após explodir o seu topo
18/06/2021 - Desvendado o mistério da diminuição de brilho de Betelgeuse
18/08/2020 - Hubble ajuda a resolver o mistério do escurecimento de Betelgeuse
03/03/2020 - Os últimos suspiros de uma estrela massiva
18/02/2020 - Telescópio do ESO observa a superfície de Betelgeuse a diminuir de brilho
23/12/2016 - Betelgeuse gira mais depressa do que o esperado; poderá ter engolido uma companheira há 100.000 anos atrás

Betelgeuse:
Wikipedia

Supergigante vermelha:
Wikipedia

Observatório Internacional Gemini:
Página principal
Wikipedia
'Alopeke (Gemini North)

 
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Um elenco diversificado de mundos rochosos em torno de uma pequena estrela
 
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Ilustração do sistema planetário L 98-59. Cinco pequenos exoplanetas orbitam próximo desta estrela anã vermelha, localizada a 35 anos-luz de distância. Em primeiro plano está a super-Terra L 98-59 f, localizada na zona habitável, cuja existência foi confirmada neste estudo.
Crédito: Benoit Gougeon, Universidade de Montreal
 

Uma equipa liderada pelo IREx (Trottier Institute for Research on Exoplanets) da Universidade de Montreal realizou o estudo mais preciso até à data do sistema planetário L 98-59 e confirmou a existência de um quinto planeta na zona habitável da estrela, onde as condições poderiam permitir a existência de água líquida.

Planetas vulcânicos, uma sub-Terra e um mundo aquático

L 98-59, uma pequena anã vermelha localizada a apenas 35 anos-luz da Terra, abriga três pequenos exoplanetas em trânsito descobertos em 2019, graças ao telescópio espacial TESS da NASA, e um quarto planeta revelado através de medições de velocidade radial com o espetrógrafo ESPRESSO do VLT do ESO. Todos os quatro planetas orbitam a sua estrela-mãe numa configuração orbital compacta, todos a distâncias cinco vezes mais próximas do que Mercúrio está do Sol.

Ao reanalisar cuidadosamente um rico conjunto de observações de telescópios terrestres e espaciais, uma equipa liderada pelo investigador Charles Cadieux, da Universidade de Montreal e do IREx, determinou os tamanhos e massas dos planetas com uma precisão sem precedentes.

"Estes novos resultados pintam o quadro mais completo que alguma vez tivemos do fascinante sistema L 98-59", disse Cadieux. "É uma demonstração poderosa do que podemos alcançar combinando dados de telescópios espaciais e instrumentos de alta precisão na Terra, e dá-nos alvos importantes para futuros estudos atmosféricos com o Telescópio Espacial James Webb".

Todos os planetas do sistema têm massas e tamanhos compatíveis com o regime terrestre. O planeta mais interior, L 98-59 b, tem apenas 84% do tamanho da Terra e cerca de metade da sua massa, tornando-o uma das raras sub-Terras conhecidas com parâmetros bem medidos.

Os dois planetas interiores podem ter atividade vulcânica extrema devido ao aquecimento de maré, semelhante à lua vulcânica de Júpiter, Io, no Sistema Solar. Entretanto, o terceiro, com densidade excecionalmente baixa, pode ser um "mundo aquático", um planeta rico em água diferente de qualquer outro do nosso Sistema Solar.

As medições refinadas revelam órbitas quase perfeitamente circulares para os planetas interiores, uma configuração favorável para futuras deteções atmosféricas.

"Com a sua diversidade de mundos rochosos e variedade de composições planetárias, L 98-59 é um laboratório único para abordar algumas das questões mais prementes do campo: de que são feitas as super-Terras e os sub-Neptunos? Os planetas formam-se de maneira diferente em torno de estrelas pequenas? Os planetas rochosos em torno de anãs vermelhas podem reter atmosferas ao longo do tempo?", acrescenta René Doyon, coautor do estudo, professor da Universidade de Montreal e diretor do IREx.

Um quinto planeta na zona habitável

Uma das principais descobertas deste estudo é a confirmação de um quinto planeta no sistema L 98-59. Este planeta, designado L 98-59 f, não transita a sua estrela hospedeira - o que significa que não passa diretamente entre nós e a estrela - mas a sua presença foi revelada através de variações subtis no movimento da estrela, detetadas usando medições de velocidade radial do HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) montado no telescópio de 3,6 metros do Observatório de La Silla e dados do ESPRESSO.

L 98-59 f recebe aproximadamente a mesma quantidade de energia estelar que a Terra recebe do Sol, o que o coloca firmemente dentro da zona temperada, ou habitável, uma região onde a água pode permanecer na forma líquida.

"Encontrar um planeta temperado num sistema tão compacto torna esta descoberta particularmente excitante", disse Cadieux. "Destaca a notável diversidade dos sistemas exoplanetários e reforça a importância de estudar mundos potencialmente habitáveis em torno de estrelas de baixa massa".

 
Este estudo utiliza dados de dois telescópios terrestres: o VLT (canto superior esquerdo) e o telescópio de 3,6 metros do ESO, com o instrumento HARPS (canto superior direito), bem como dois telescópios espaciais: TESS e JWST, aqui representados artisticamente, respetivamente, no canto inferior esquerdo e no canto inferior direito.
Crédito: VLT - ESO/G. Hüdepohl; telescópio de 3,6 m - ESO; TESS e JWST - NASA
 

Desvendando novas informações com observações existentes

Em vez de solicitar novo tempo de observação com telescópios, a equipa fez essas descobertas com base num rico arquivo de dados do telescópio espacial TESS da NASA, dos espetrógrafos HARPS e ESPRESSO do ESO no Chile e do JWST.

Utilizaram a nova técnica de análise de velocidade radial linha por linha introduzida pelos investigadores do IREx em 2022 para melhorar significativamente a precisão dos dados. Ao combiná-la com um novo indicador de temperatura diferencial também desenvolvido pela equipa, conseguiram identificar e remover com precisão o sinal de atividade estelar dos dados, revelando o sinal planetário com detalhes sem precedentes.

Ao combinar essas medições melhoradas com a análise dos trânsitos observados pelo JWST, a equipa duplicou a precisão das estimativas de massa e raio dos planetas conhecidos.

"Desenvolvemos estas técnicas para revelar este tipo de potencial oculto nos dados de arquivo", acrescenta Étienne Artigau, coautor do estudo e investigador da Universidade de Montreal. "Também destaca como o aperfeiçoamento das ferramentas de análise nos permite melhorar as descobertas anteriores com dados que estão apenas à espera de serem revisitados".

Próxima paragem: Webb

Estes resultados confirmam L 98-59 como um dos sistemas próximos mais atraentes para explorar a diversidade dos planetas rochosos e, eventualmente, procurar sinais de vida.

A sua proximidade, o pequeno tamanho da sua estrela e a variedade de composições planetárias e órbitas tornam-no um candidato ideal para um acompanhamento atmosférico com o JWST, que a equipa do IREx já começou.

"Com estes novos resultados, L 98-59 junta-se ao seleto grupo de sistemas planetários compactos próximos que esperamos compreender com mais detalhes nos próximos anos", diz Alexandrine L’Heureux, coautora do estudo e estudante de doutoramento na Universidade de Montreal. "É emocionante vê-lo ao lado de sistemas como TRAPPIST-1 na nossa busca para desvendar a natureza e a formação de pequenos planetas que orbitam estrelas anãs vermelhas".

// Universidade de Montreal (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
06/08/2021 - Novas observações do ESO mostram que exoplaneta rochoso tem apenas metade da massa de Vénus
02/07/2019 - TESS encontra o seu exoplaneta mais pequeno até agora

L 98-59:
Simbad
ipac
Wikipedia
L 98-59 b (NASA)
L 98-59 b (Exoplanet.eu)
L 98-59 b (Wikipedia)
L 98-59 c (NASA)
L 98-59 c (Exoplanet.eu)
L 98-59 d (NASA)
L 98-59 d (Exoplanet.eu)
L 98-59 e (NASA)
L 98-59 e (Exoplanet.eu)
L 98-59 f (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia
Espetrógrafo ESPRESSO (ESO)

Observatório de La Silla:
ESO
Wikipedia
HARPS (ESO)
HARPS (Wikipedia)

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Como uma colisão de buracos negros pode explicar as estrelas S da Via Láctea
 
As regiões centrais da nossa Galáxia, a Via Láctea, observadas no infravermelho próximo pelo instrumento NACO, montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO.
Crédito: ESO/S. Gillessen et al.
 

Uma nova investigação mostra que uma colisão passada entre o buraco negro central da Via Láctea e um buraco negro mais pequeno poderia explicar a dinâmica das estrelas S, um grupo de estrelas que orbitam precariamente perto do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia.

Viagem ao centro da Via Láctea

O centro da Via Láctea alberga um buraco negro supermassivo (Sagitário A* ou Sgr A*) com uma massa de 4 milhões de sóis. Os vizinhos mais próximos deste gigante são um disco compacto de jovens estrelas massivas e um conjunto de estrelas chamadas estrelas S, que habitam os 48 dias-luz mais internos da nossa Galáxia.

Ao passo que as estrelas no disco estão ordenadas, dispostas em órbitas com excentricidades moderadas e baixas inclinações, as estrelas S orbitam Sgr A* em todas as direções, girando em torno do buraco negro com uma ampla gama de excentricidades e inclinações. Até agora, a causa dessa distribuição invulgar de estrelas é desconhecida.

Quando os buracos negros colidem

Investigações anteriores tiveram dificuldade em explicar as órbitas das estrelas S. Uma teoria bem-sucedida sobre a origem das estrelas S deve explicar as órbitas excêntricas das estrelas (e=0,61, em média) e as altas inclinações orbitais (i=79º, em média), e deve produzir essas características dentro do tempo de vida de 15 milhões de anos das estrelas.

 
Esquema que mostra o processo de formação proposto para a população de estrelas S da Via Láctea.
Crédito: Akiba et al., 2025
 

Num artigo científico recente, uma equipa liderada por Tatsuya Akiba (Universidade do Colorado em Boulder) apresentou uma nova hipótese para explicar estas características: Sgr A* absorveu um buraco negro mais pequeno num passado não muito distante, e as consequências da fusão criaram a distribuição de estrelas que vemos hoje.

A premissa não é rebuscada: com a idade avançada de quase 14 mil milhões de anos, a Via Láctea provavelmente engoliu galáxias anãs vizinhas e enxames globulares várias vezes. Quando um buraco negro embebido numa dessas refeições de estrelas e gás se funde com o buraco negro central da Via Láctea, a colisão faz com que Sgr A* recue - potencialmente reorganizando, no processo, as estrelas nas suas proximidades.

Reorganização radical

Akiba e colaboradores utilizaram simulações de N-corpos para explorar os resultados dessa colisão. Nas suas simulações, Sgr A* está situado dentro de um disco axisimétrico de estrelas ou gás. Um buraco negro mais pequeno cai em direção a Sgr A*, espirala para dentro e funde-se com o buraco negro maior. A emissão assimétrica de ondas gravitacionais faz com que Sgr A* recue, deformando o conjunto de estrelas e gás ao redor em um disco excêntrico. Para que a excentricidade do disco corresponda ao que é visto no disco de estrelas que rodeia Sgr A* hoje, o buraco negro que se aproxima deve ter uma massa de aproximadamente 200.000 massas solares.

 
Instantâneos da simulação tirados no início da simulação (coluna da esquerda) e após 2 milhões de anos (coluna da direita). As órbitas com inclinação superior a 30 graus são mostradas a magenta. Observe a diferença de escala entre as linhas. Crédito: Akiba et al., 2025
 

Após a fusão, as estrelas que orbitam mais longe alteraram as inclinações e excentricidades das estrelas mais internas até valores elevados através do que é chamado de mecanismo de Kozai-Lidov. Dois milhões de anos de tempo de simulação depois, essa interação produziu uma distribuição estelar semelhante à que é vista hoje: um disco de excentricidade moderada em torno de "estrelas S" com órbitas excêntricas e altamente inclinadas.

Embora as propriedades das estrelas S simuladas não correspondam exatamente às propriedades das estrelas reais - as estrelas simuladas têm, em média, inclinações e excentricidades mais baixas -, os autores realçam que este trabalho representa uma primeira abordagem à sua hipótese. É necessário um modelo que explore uma gama mais ampla de parâmetros para compreender totalmente as origens das estrelas no centro da Via Láctea.

// AAS Nova (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

Sagitário A*:
Wikipedia
Enxame estelar de Sgr A* (Wikipedia)

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Mecanismo de Kozai-Lidov:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   XRISM faz raios X do enxofre da Via Láctea (via NASA)
Uma equipa internacional de cientistas forneceu uma contagem sem precedentes do elemento enxofre espalhado entre as estrelas, utilizando dados da missão XRISM (X-ray Imaging and Spectroscopy Mission), liderada pelo Japão. Os astrónomos utilizaram raios X de dois sistemas estelares binários para detetar enxofre no meio interestelar, o gás e a poeira encontrados no espaço entre as estrelas. É a primeira medição direta das fases gasosa e sólida do enxofre, uma capacidade única da espetroscopia de raios X, o principal método do XRISM (pronuncia-se "crism") para estudar o cosmos. Ler fonte
     
  Magmas jovens da Lua vieram de profundidades muito mais superficiais (via Universidade da Flórida)
Novas investigações das rochas recolhidas pela missão chinesa Chang'e 5 estão a reescrever a nossa compreensão do arrefecimento da Lua. Descobriu-se que a lava no lado visível da Lua provavelmente veio de uma profundidade muito menor do que se pensava anteriormente, contradizendo as teorias anteriores sobre como a Lua produziu lava ao longo do tempo. Estas amostras de basalto são as mais recentes recolhidas em qualquer missão lunar, tornando-as um recurso inestimável para aqueles que estudam a história geológica da Lua. Ler fonte
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Álbum de fotografias
A Nebulosa da Pata de Gato pelo Telescópio Espacial Webb

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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESACSASTScI
 
As nebulosas são talvez tão famosas por assumirem formas familiares como os gatos são famosos por se meterem em sarilhos. Ainda assim, nenhum gato conhecido poderia ter criado a vasta Nebulosa da Pata de Gato, visível na direção da constelação de Escorpião. A 5700 anos-luz de distância, a Pata de Gato é uma nebulosa de emissão dentro de uma nuvem molecular maior. Também conhecida como Nebulosa da Pata de Urso e catalogada como NGC 6334, nela nasceram estrelas com quase dez vezes a massa do nosso Sol apenas nos últimos milhões de anos. Em destaque está uma imagem recentemente divulgada da Nebulosa da Pata de Gato, obtida no infravermelho pelo Telescópio Espacial James Webb. Esta visão detalhada da nebulosa ajuda a perceber como é que as nuvens moleculares turbulentas transformam gás em estrelas.
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