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Edição n.º 880
10/08 a 13/08/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/08: 223.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviasse foguetões à Lua já nos anos 20.

Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta activo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobrem o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Em 2003, Yuri Malencheko torna-se na primeira pessoa a casar no espaço.
Observações: O mês de Agosto é quando a brilhante Vega atravessa o zénite a meio da noite (para observadores a latitudes médias norte). Quando Vega se encontra quase por cima das nossas cabeças, sabemos que o Bule de Chá de Sagitário, rico em objectos de céu profundo, está o mais alto a Sul.

Dia 11/08: 224.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999 teve lugar o último eclipse solar total do século XX

Observações: A Lua forma um pequeno triângulo com Júpiter e com a mais ténue Aldebarã a partir das 02:30. O planeta Vénus nasce quase uma hora depois.

Dia 12/08: 225.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de MarteDeimos, por Asaph Halldo Observatório Naval dos EUA

Descobriu Phobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1960 era lançado o Echo 1. O primeiro satélite experimental de comunicações é usado para redireccionar chamadas telefónicas transcontinentais e intercontinentais, rádio e sinais de televisão.
Em 1977, primeiro voo livre do vaivém espacial Enterprise
Em 1999, a porta do Observatório de Raios-X Chandra, que protege os seus espelhos, abre-se e o Chandra começa a sua exploração do Universo de alta energia.
Observações: A chuva de meteoros Perseídas atinge o pico antes do amanhecer, quando os observadores com céus limpos poderão esperar ver uma média de 60 a 80 meteoros por hora. A Lua nasce quase às 2 da manhã, mas isso não deverá impedir muito a observação dos meteoros.

Dia 13/08: 226.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1596 era descoberta a primeira estrela variável, Mira, por David Fabricius.

Em 1814 nascia Anders Ângström, físico sueco e um dos pioneiros da espectroscopia.
Em 1998 tinha lugar a Convenção de Fundação da Sociedade de Marte, entre 13 e 16 de Agosto, na Universidade do Colorado em Boulder, Colorado, EUA.
Observações: Antes do amanhecer de dia 13 e a Este, Vénus encontra-se a cerca de 6,3º para baixo da Lua.

 
CURIOSIDADES


Meio-quilo de hidrogénio sendo transformado em hélio dentro de uma estrela tem uma energia equivalente a 10.000 toneladas de carvão.

 
CURIOSITY ENVIA 1.º PANORAMA A CORES

O rover Curiosity da NASA capturou um magnífico postal do Planeta Vermelho - um panorama a 360º e a cores que fornece um olhar das redondezas coloridas e aparentemente diversas do veículo.

O Curiosity, também conhecido como MSL (Mars Science Laboratory), aterrou com sucesso em Marte na manhã de Segunda-feira, e já enviou imensas fotos, incluindo imagens a preto e branco e a cores da paisagem marciana e um auto-retrato. Numa conferência de imprensa que teve lugar ontem, a NASA anunciou imagens e um vídeo do primeiro panorama a cores do Curiosity, um mosaico obtido no terceiro dia em Marte, que os cientistas referem como Sol 3.

Este é o primeiro panorama a 360º a cores obtido pelo rover Curiosity em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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A vista panorâmica mostra a própria sombra do Curiosity reflectida na superfície marciana, com uma banda escura de dunas à distância, e o limite da Cratera Gale ainda mais longe. Mais perto e à direita, podem ser vistas zonas cinzentas onde os motores do guindaste aéreo remexeram o chão. A grua aérea ajudou o Curiosity a diminuir de velocidade enquanto viajava desde a atmosfera marciana até à superfície do planeta. O impacto das plumas dos motores levantou material da superfície, deixando estas cicatrizes que os cientistas estão agora ansiosos por investigar.

"Tem havido muita discussão e muita ansiedade em saber a composição das rochas e para usar o nosso laser," afirma Dawn Sumner, cientista do MSL e professora de geologia na Universidade da Califórnia.

O panorama a cores foi composto usando 130 imagens com 144x144 pixéis cada. Nos próximos dias os cientistas deverão receber imagens de mais alta resolução para constituir um melhor panorama, afirma Michael Malin, investigador principal do sistema de imagens do Curiosity, o Mastcam. A imagem panorâmica também mostra as cores reais de Marte, embora um pouco mais brilhantes. "É o que a câmara enviou de volta, apenas aumentei um pouco o brilho," afirma Malin. "É o que o filtro básico mostra quando olhamos para Marte."

Os controladores da missão estão agora a preparar um procedimento com a duração aproximada de 4 dias, para actualizar o software do Curiosity a partir da Terra. Espera-se que esta transição comece amanhã (11 de Agosto), e vai trocar o foco da aterragem do rover para a operação na superfície marciana.

Este auto-retrato mostra o corpo do rover Curiosity. Para a esquerda está a traseira do veículo. Alguns detritos rochosos com cerca de 1 cm de tamanho, são visíveis em cima do corpo do rover.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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No entanto, durante a actualização do software as operações científicas vão ficar em segundo plano. Assim que a actualização termine, os cientistas planeiam estudar as características coloridas realçadas no panorama a cores do Curiosity. "Estamos muito contentes por haver muitas coisas para estudar," afirma Sumner.

No que diz respeito às diferentes cores na foto - a aparência escura, quase azulada, do campo de dunas, a poeira escura, a poeira avermelhada de Marte, e os pequenos seixos com tons mais claros - os cientistas esperam que o Curiosity consiga responder se estas diferenças também indicam diferenças na composição. "Não sabemos se têm a mesma composição ou se são diferentes, mas certamente têm texturas diferentes. Esperamos que as cores nos guiem também para algumas variações."

Uma montanha dentro de uma cratera

A Cratera Gale, anunciada como o destino do Curiosity em Julho de 2011, situa-se poucos graus para Sul do equador marciano. Embora a cratera tenha 154 km em diâmetro, o tamanho da Gale não é a sua característica mais interessante: é o Monte Sharp, a montanha gigante situada no centro da Gale.

Com 5,5 km de altura, tem quase o tamanho do Kilimanjaro. Os cientistas pensam que é o resto de um bloco muito maior que preencheu a Cratera Gale, embora não tenham a certeza de como se tenha formado.

"De uma só vez, temos estratos com 5 km de espessura," afirma John Grotzinger, líder da equipa científica do Curiosity, geólogo no Caltech em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Não há nada assim na Terra." Estas camadas preservam um registo da história de Marte com talvez mil milhões de anos ou mais. As sondas em órbita de Marte avistaram evidências de argilas e sulfatos perto da base do Monte Sharp, sugerindo que a base da montanha esteve em contacto com água líquida há muito tempo atrás.

Os quatro componentes de hardware que chegaram a Marte com o rover Curiosity, avistados pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
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Na Terra, a vida tende a prosperar na presença de água líquida. Por isso o Curiosity - cujo objectivo principal é determinar se Marte já foi capaz de suporta vida microbiana - vai provavelmente passar muito tempo estudando os flancos e a base da montanha.

Mas Grotzinger e a sua equipa esperam também mandar o rover de 2,5 mil milhões de dólares gentilmente subir as encostas da montanha. A cerca de 700 metros, o Curiosity alcança uma fronteira, deixando para trás os minerais hidratados e encontrando camadas que indicam tempos passados muito mais secos.

"Alguma coisa aconteceu em Marte, ficou seco, e é o que vemos hoje em dia," realça Grotzinger. "A questão é, que evento foi esse? O que é que o despoletou? O que aconteceu ambientalmente? Tenho esperanças que consigamos descobrir mais acerca deste Grande Evento de Dessecação."

A equipa do Curiosity começou uma longa série de diagnósticos com a duração de um mês para ter a certeza que o rover e todos os seus instrumentos científicos estão em boas condições. Mas mesmo que o rover esteja em condições para viajar, não irá directamente para o Monte Sharp.

O contexto geológico do local de aterragem do Curiosity, visto pelo instrumento HiRISE a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter. O Curiosity aterrou na zona 51.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
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Isto porque o local onde aterrou também é interessante. O Curiosity aterrou perto de um antigo leque fluvial, uma característica provavelmente criada por água que descia uma inclinação. Os dados recolhidos de órbita sugerem também que muitos depósitos em redor do rover podem ter sido formados na presença de água. Os cientistas estão por isso ansiosos em estudar seriamente a área em redor.

A missão principal do Curiosity tem a duração aproximada de dois anos terrestres, mas o rover a energia nuclear pode continuar a explorar durante muito mais tempo caso as suas peças principais não avariem. Longevidade é o factor-chave, porque pode durar algum tempo até desvendar os mistérios escondidos na Cratera Gale, e nas muitas camadas do Monte Sharp.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
HiRISE
SPACE.com
SPACE.com - 2
Universe Today
Universe Today - 2
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Sky & Telescope
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COSMOS
BBC News
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Wired News - 2
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AstroPT - 2
RTP
Visão
Euronews
Expresso
SIC Notícias
Público

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia
Momentos finais da aterragem do Curiosity (YouTube)
A Ciência do Curiosity (YouTube) 
Química em Marte: a missão do Curiosity (YouTube)

Monte Sharp:
Wikipedia
Cratera Gale (YouTube)

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Nova missão pronta para estudar os campos de radiação da Terra (via NASA)
A missão RBSP (Radiation Belt Storm Probes) vai enviar duas sondas para o perigoso ambiente das cinturas de radiação do nosso planeta. As preparações finais para o lançamento a 23 de Agosto começaram na Flórida. As RBSP estão desenhadas para voar e operar no coração das mais perigosas regiões do espaço perto da Terra e recolher dados cruciais. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - As Voltas de Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Cenk E. Tezel, Tunç Tezel (TWAN)
 
Esta composição de imagens com intervalos de 5 a 7 dias, começando em Outubro de 2011 (topo e direita) até ao início de Julho de 2012 (baixo e esquerda), traça o movimento retrógrado do planeta Marte pelo céu nocturno da Terra, visível também nesta animação. Mas na realidade Marte não inverte a direcção da sua órbita. Ao invés, o aparente movimento em marcha atrás em relação às estrelas de fundo é um reflexo do movimento da própria Terra. O movimento retrógrado pode ser visto de cada vez que a Terra ultrapassa planetas em órbitas mais afastadas em torno do Sol, com a Terra movendo-se mais rapidamente na sua órbita relativamente próxima. A 4 de Março de 2012, Marte estava em oposição no céu da Terra, mais perto e mais brilhante no centro da imagem. Acabado de chegar à superfície do Planeta Vermelho, o rover Curiosity foi lançado a 26 de Novembro, quando Marte estava perto do ponto de cruzamento do movimento. Claro, Marte pode ser por enquanto avistado perto de Saturno e da estrela brilhante Espiga, perto do horizonte Oeste após o pôr-do-Sol.
 

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