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ASTEROIDE BENNU TEM PEDAÇOS DE VESTA À SUA SUPERFÍCIE
25 de setembro de 2020

 


Durante a primavera de 2019, a sonda OSIRIS-REx da NASA capturou estas imagens, que mostram fragmentos do asteroide Vesta presentes à superfície do asteroide Bennu. Os pedregulhos brilhantes (com o círculo à volta) têm material rico em piroxenas de Vesta. Parte deste material brilhante parece ser rochas individuais (esquerda), enquanto outros parecem ser partes de rochas maiores (direita).
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

 

Incrivelmente, de acordo com a sonda OSIRIS-REx da NASA, parece que alguns pedaços do asteroide Vesta acabaram no asteroide Bennu. O novo resultado lança luz sobre a intrincada dança orbital dos asteroides e sobre a origem violenta de Bennu, que é um asteroide "pilha de entulho" que coalesceu a partir dos fragmentos de uma colisão massiva.

"Encontrámos seis rochas que variam entre 1,5 e 4,3 metros espalhadas pelo hemisfério sul de Bennu e perto do equador," disse Daniella DellGiustina do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, Tucson, EUA. "Estes pedregulhos são muito mais brilhantes do que o resto de Bennu e combinam com o material de Vesta."

"A nossa hipótese principal é que Bennu herdou este material do seu asteroide parental depois de um 'vestoide' (um fragmento de Vesta) o ter atingido," disse Hannah Kaplan do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Então, quando o asteroide parental foi catastroficamente perturbado, uma parte dos seus detritos acumularam-se sob a sua própria gravidade para formar Bennu, incluindo parte das piroxenas de Vesta."

DellaGiustina e Kaplan são os autores principais de um artigo sobre esta investigação, publicado na edição de 21 de setembro da revista Nature Astronomy.

Os pedregulhos invulgares em Bennu chamaram a atenção da equipa pela primeira vez em imagens da OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) da nave espacial OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer). Pareciam extremamente brilhantes, alguns quase dez vezes mais brilhantes do que outras rochas nas proximidades. Analisaram a luz dos pedregulhos usando o instrumento OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) para obter pistas sobre a sua composição. Um espectrómetro separa a luz nas suas cores componentes. Dado que os elementos e os compostos têm padrões distintos de assinaturas claras e escuras ao longo de uma gama de cores, estes podem ser identificados usando este tipo de instrumento. A assinatura dos pedregulhos era característica do mineral piroxena, semelhante ao que é visto em Vesta e nos vestoides, asteroides mais pequenos que são fragmentos expelidos de Vesta quando sofreu impactos significativos de asteroides.

Claro, é possível que as rochas se tenham formado no asteroide parental de Bennu, mas a equipa pensa que isto é improvável com base no modo como as piroxenas se formam normalmente. Este mineral normalmente forma-se quando o material rochoso derrete a altas temperaturas. No entanto, a maior parte de Bennu é composta por rochas contendo minerais com água, de modo Bennu (e o seu parente) não deve ter passado por fases de altas temperaturas. Em seguida, a equipa considerou o aquecimento localizado, talvez devido a um impacto. Um impacto necessário para derreter material suficiente e criar grandes rochas de piroxenas seria tão significativo que teria destruído o corpo parental de Bennu. Portanto, a equipa descartou estes cenários e, ao invés, considerou outros asteroides ricos em piroxenas que podem ter implantado este material em Bennu ou no seu corpo parente.

 

As observações revelam que não é invulgar um asteroide ter material de outro asteroide "espirrado" à sua superfície. Os exemplos incluem material escuro nas paredes de crateras vistas pela sonda Dawn em Vesta, uma rocha negra vista pela nave Hayabusa no asteroide Itokawa e, mais recentemente, material de asteroides do tipo S observados pela Hayabusa2 no asteroide Ryugu. Isto indica que muitos asteroides estão a participar numa dança orbital complexa que às vezes resulta em misturas cósmicas.

À medida que os asteroides se movem pelo Sistema Solar, as suas órbitas podem ser alteradas de várias maneiras, incluindo a atração gravitacional de planetas e de outros objetos, impactos de meteoroides e até mesmo a leve pressão da luz solar. O novo resultado ajuda a definir a complexa jornada que Bennu e outros asteroides traçaram pelo Sistema Solar.

Com base na sua órbita, vários estudos indicam que Bennu foi entregue da região interior da cintura de asteroides por meio de uma via gravitacional bem conhecida que pode levar objetos da cintura principal interior até órbitas próximas da Terra. Existem duas famílias de asteroides da cintura principal interna (Polana e Eulalia) que se parecem com Bennu: escuros e ricos em carbono, o que as torna prováveis candidatas ao parente de Bennu. Da mesma forma, a formação dos vestoides está ligada à formação das bacias de impacto Veneneia e Rheasilvia em Vesta, há cerca de 2 mil milhões e mil milhões de anos atrás, respetivamente.

"Estudos futuros de famílias de asteroides, bem como da origem de Bennu, deverão reconciliar a presença de material semelhante ao de Vesta, bem como a aparente falta de outros tipos pertencentes a outros asteroides. Estamos ansiosos pela entrega da amostra, que esperançosamente contém pedaços destes tipos de rochas intrigantes," disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade Estatal do Arizona em Tucson. "Esta restrição é ainda mais convincente dada a descoberta de material do tipo S no asteroide Ryugu. Esta diferença mostra o valor de estudar vários asteroides por todo o Sistema Solar."

A sonda fará a sua primeira tentativa de recolher amostras de Bennu em outubro e entregá-las-á à Terra em 2023 para uma análise detalhada. A equipa da missão examinou de perto quatro potenciais locais de recolha de amostras em Bennu para determinar o seu valor científico e de segurança antes de fazer uma seleção final em dezembro de 2019. A equipa de DellaGiustina e de Kaplan pensa que podem encontrar pedaços mais pequenos de Vesta em imagens destes estudos mais íntimos.

 


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// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Meteoritos de Vesta encontrados no asteroide Bennu (NASA Goddard via YouTube)

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Asteroide Bennu:
NASA
NASA - 2 
Wikipedia

Vesta:
Wikipedia
Rheasilvia (Wikipedia)
Veneneia (Wikipedia)
Vestoide (Wikipedia)

Asteroides da família Polana e Eulalia:
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142 Polana (Wikipedia)
495 Eulalia (Wikipedia)

Piroxenas:
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Sonda Dawn:
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