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ROVER PERSEVERANCE RECOLHE PEÇAS DO PUZZLE DA HISTÓRIA DE MARTE
14 de setembro de 2021

 


São visíveis dois buracos na rocha apelidada "Rochette", a partir da qual o rover Perseverance obteve as suas primeiras amostras. O rover perfurou o buraco à esquerda, de nome "Montagnac", no dia 7 de setembro, e o buraco à direita, chamado "Montdenier", dia 1 de setembro. Em baixo, está uma mancha redonda que o rover desgastou.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

 

O rover Perseverance da NASA recolheu com sucesso o seu primeiro par de amostras de rocha e os cientistas já estão a obter novas informações sobre a região. Depois de recolher a sua primeira amostra, chamada "Montdenier", no dia 6 de setembro, a equipa recolheu uma segunda, "Montagnac", da mesma rocha no dia 8 de setembro.

A análise das rochas das quais as amostras Montdenier e Montagnac foram retiradas e a tentativa de amostragem anterior pelo rover podem ajudar a equipa científica a juntar a linha temporal do passado da área, que foi marcada por atividade vulcânica e períodos de água persistente.

"Parece que as nossas primeiras rochas revelam um ambiente sustentável potencialmente habitável," disse Ken Farley do Caltech, cientista do projeto da missão, que é liderada pelo JPL da NASA no sul da Califórnia. "É muito importante que a água tenha aí permanecido por muito tempo."

A rocha que forneceu as primeiras amostras da missão é de composição basáltica e pode ser o produto de fluxos de lava. A presença de minerais cristalinos em rochas vulcânicas é especialmente útil na datação radiométrica. A origem vulcânica da rocha pode ajudar os cientistas a datar com precisão quando se formou. Cada amostra pode servir como parte de um maior quebra-cabeças cronológico; coloquem-nas na ordem certa e os cientistas terão uma linha temporal dos eventos mais importantes na história da cratera. Alguns desses eventos incluem a formação da Cratera Jezero, o aparecimento e o desaparecimento do lago de Jezero e antigas mudanças no clima do planeta.

Além do mais, foram vistos sais nestas rochas. Estes sais podem ter sido formados quando a água subterrânea fluiu e alterou os minerais originais na rocha, ou mais provavelmente quando a água líquida se evaporou, deixando os sais. Os sais minerais nestas duas primeiras amostras rochosas também podem ter prendido pequenas bolhas de antiga água marciana. Se presentes, podem servir como cápsulas microscópicas do tempo, fornecendo pistas sobre o antigo clima e a habitabilidade de Marte. Os sais minerais também são conhecidos na Terra pela sua capacidade de preservar sinais de vida antiga.

A equipa científica do Perseverance já sabia que um lago tinha enchido a cratera; mas é mais incerto durante quanto tempo. Os cientistas não podiam descartar a possibilidade de que o lago de Jezero tivesse sido muito temporário; enchentes podem ter preenchido rapidamente a cratera de impacto e secado no espaço de 50 anos, por exemplo.

Mas o nível de alteração que os cientistas veem na rocha que forneceu as amostras - bem como na rocha que a equipa teve como alvo na sua primeira tentativa de amostragem - sugere que a água subterrânea esteve presente por muito tempo.

Esta água subterrânea pode estar relacionada com o lago que já existiu em Jezero, ou pode ter percorrido pelas rochas muito depois deste ter secado. Embora os cientistas ainda não possam dizer se alguma da água que alterou estas rochas esteve presente por dezenas de milhares ou milhões de anos, têm mais certeza de que esteve por lá tempo suficiente para tornar a área mais acolhedora para a vida microscópica passada.

"Estas amostras têm alto valor para futuras análises de laboratório na Terra," disse Mitch Schulte na sede da NASA, cientista do programa da missão. "Um dia, poderemos ser capazes de calcular a sequência e o 'timing' das condições ambientais que os minerais desta rocha representam. Isto ajudará a responder à grande questão científica da história e estabilidade da água líquida em Marte."

Próxima paragem, "South Séitah"

O Perseverance está atualmente a estudar o chão da cratera em busca de amostras que podem ser trazidas para a Terra e assim responder a questões profundas sobre a história de Marte. Amostras promissoras são seladas em tubos de titânio que o rover carrega no seu chassi, onde serão armazenadas até que o Perseverance as deixe cair para serem recuperadas por uma missão futura. O Perseverance provavelmente criará vários "depósitos" mais tarde na sua missão, onde deixará amostras para uma missão futura trazer para a Terra. Ter um ou mais depósitos aumenta a probabilidade de que amostras especialmente valiosas estejam acessíveis para recuperação e transporte para a Terra.

O próximo local provável de amostragem está a apenas 200 metros de distância em "South Séitah," uma série de cumes cobertos por dunas de areia, pedregulhos e fragmentos de rocha que Farley compara a "pratos partidos."

A recente recolha de amostras pelo rover representa o que é provavelmente uma das camadas rochosas mais jovens que podem ser encontradas no chão da Cratera Jezero. South Séitah, por outro lado, é provavelmente mais antiga e fornecerá à equipa científica um melhor cronograma para entender os eventos que moldaram o chão da cratera, incluindo o seu lago.

No início de outubro, todas as missões marcianas farão uma pausa no comando das suas naves por várias semanas, uma medida de proteção durante um período chamado conjunção solar de Marte. O Perseverance provavelmente só perfurará South Séitah algum tempo depois desse período.

Mais sobre a missão Perseverance

Um objetivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

 


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// NASA (comunicado de imprensa)

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