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Edição n.º 1160
21/04 a 23/04/2015
 
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24/04/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomos Alexander WolszczanDale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHOTRACE  e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejeção de massa coronal).

Observações: A Lua Crescente brilha para a esquerda de Vénus ao lusco-fusco. Aldebarã encontra-se a menos de 1º para baixo da Lua. E bem para baixo e para a direita destes três astros, Mercúrio e Marte encontram-se a menos de 1,5º entre si, hoje e amanhã. Utilize binóculos.

Dia 22/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente actual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar.
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 00:53 e as 04:42.
A chuva de meteoros das Líridas, geralmente bastante fraca, deverá atingir o pico esta noite.

Dia 23/04: 113.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objeto mais distante e antigo do Universo conhecido.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 01:33 e as 04:30.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 04:02 e as 07:02.
Estamos quase em maio, mas Sirius, a estrela de inverno, ainda pisca baixa a sudoeste ao anoitecer. Durante quanto tempo mais a conseguiremos observar?

 
CURIOSIDADES


O Telescópio Espacial Hubble mede 13,2 metros e tem um diâmetro máximo de 4,2 metros. Tem aproximadamente o mesmo tamanho que um autocarro.

 
25 ANOS DO HUBBLE: COMEMORAÇÕES GLOBAIS
Impressão de artista do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA na sua órbita 600 km acima do planeta Terra.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao fim de 25 anos no espaço, o mundo celebra o aniversário do lançamento do telescópio espacial que mudou a face da astronomia. Fique a par dos principais eventos.

No espaço há 25 anos, o Telescópio Espacial Hubble, uma missão conjunta da NASA e da ESA, mudou a forma como vemos o Universo. Observou estrelas a devorar planetas, colisões de asteroides no espaço e produziu belíssimas imagens como a da Nebulosa Cabeça de Cavalo ou a sua mais icónica, captada pela primeira vez há vinte anos, Pilares da Criação – um aglomerado de poeira e gás, na Nebulosa da Águia.

No dia 24 de abril celebra-se o 25º aniversário do lançamento do telescópio, com eventos que irão decorrer por todo o mundo, promovidos pela comunidade astronómica e abertos ao público que se queira juntar à festa.

Aqui ao lado, em Madrid, o Centro Europeu de Astronomia Espacial (ESAC), sendo a sede científica da ESA, promove um evento destinado aos meios de comunicação social, durante o qual peritos da ESA e astrónomos espanhóis explicarão de que forma é que o Hubble revolucionou a nossa visão do universo. O evento decorrerá a partir das 16:00, de dia 23 de abril, nas instalações do ESAC, em Villanueva de La Cañada, Madrid.

Será feito um resumo de toda a atividade do Hubble, ao longo da sua história, com enfoque nas principais descobertas. A apresentação será feita pelo astrofísico da ESA Pedro García-Lario.

O responsável pelos arquivos científicos da ESA, Christophe Arviset, também fará uma apresentação. No ESAC estão armazenadas as observações científicas do Hubble, feitas por astrónomos de todo o mundo, ao longo da vida do Hubble. São mais de um milhão de observações, que geraram mais de 10 mil publicações científicas. A gestão do acesso aos dados de arquivo do Hubble, por toda a comunidade científica mundial, é feita a partir do ESAC.

Será ainda feita uma apresentação do sucessor do Hubble, o Telescópio Espacial James Webb, que será lançado pela NASA e pela ESA, em 2018.

Será ainda apresentada a imagem que a NASA e a ESA prepararam para celebrar o acontecimento com o público. A imagem foi distribuída por diversos centros de divulgação científica, em vários países, incluindo Portugal.

Em Portugal:

  • Centro Ciência Viva do Algarve - A próxima "Apresentação às Estrelas" coincide com o aniversário do Hubble. Entre as 20:30 e as 22:30, apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável). Pré-inscrição: http://www.ccvalg.pt/public/even.php?evid=377

 

  • Planetário Calouste Gulbenkian - Ciência Viva, Lisboa, 23 de abril 2015. Às 21h30, sob o céu estrelado do Planetário Calouste Gulbenkian, um conjunto de pequenas palestras sobre as contribuições do Hubble serão apresentadas por investigadores do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Ismael Tereno estará “À procura dos faróis do Universo", David Sobral fala d’ "O rei das galáxias distantes", e Pedro Machado mostra "Uma janela para os sistemas planetários". Uma hora depois, a Sessão de planetário "Hubble Vision" antecede a revelação da imagem comemorativa, que será acompanhada de um pequeno espetáculo de música e efeitos visuais na cúpula do planetário. Mais informações: http://planetario.marinha.pt/PT/Pages/Planetario.aspx e http://www.iastro.pt/

 

  • Observatório Astronómico de Santana Açores (OASA), em São Miguel, promove a 23 de abril, das 21:00 às 23:00 o evento "Hubble 25 anos, 25 minutos, 25 imagens". Durante o evento, o astrofísico João Miguel Tavarela Ferreira irá mostrar 25 imagens captadas pelo telescópio, mostrando os segredos desvendados graças ao mesmo. Será ainda inaugurado o módulo Hubble Puzzle, com destaque para as principais imagens captadas pelo telescópio espacial. Haverá ainda oportunidade para fazer observações astronómicas. Mais informações na página do OASA: http://oasa.centrosciencia.azores.gov.pt/

 

  • O Museu Nacional de História Natural, irá promover uma atividade ao longo do dia 24 de abril e integrada nas comemorações do Ano Internacional da Luz. Mais informações: http://www.museus.ulisboa.pt/ano-da-luz

 

  • Centro de Astrofísica da Universidade do Porto – Planetário. Atividades a partir das 14:00, de dia 23 de abril, com presença de astrónomos e astrofísicos. Revelação da imagem comemorativa do aniversário, realização de experiências alusivas a temas cosmológicos, como a expansão do Universo, demonstração de planetário. Mais informações: http://www.astro.up.pt/

 

  • Centro Multimeios de Espinho, sessão a 24 de abril, a partir das 21:30. Revelação da imagem comemorativa e sessão de planetário dedicada ao Hubble, dirigida pelo diretor do Centro, António Pedrosa. Mais informações: http://www.multimeios.pt/

Links:

Telescópio Espacial Hubble:
Site dos 25 anos do Hubbe
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
MISSÃO DA MESSENGER APROXIMA-SE DO FIM

Depois de descobertas científicas e inovações tecnológicas extraordinárias, uma sonda da NASA lançada em 2004 para estudar Mercúrio vai impactar a superfície do planeta, muito provavelmente no dia 30 de abril, quando ficar sem combustível.

A Sonda MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) vai colidir com a superfície do planeta a mais de 3,91 km/s no lado do planeta oposto à Terra. Devido ao local esperado, os engenheiros não serão capazes de ver em tempo real a localização exata do impacto.

Na semana passada, os operadores da missão no Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado americano de Maryland, completaram o quarto numa série de manobras de correção orbitais destinadas a retardar o impacto da sonda na superfície de Mercúrio. A última manobra está agendada para sexta-feira, dia 24 de abril.

A sonda MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) viajou durante mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita de Mercúrio no dia 18 de março de 2011.
Crédito: NASA/JHU APL/Instituto Carnegie de Washington
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Após esta última manobra, vamos finalmente declarar a sonda sem combustível, pois esta manobra gastará praticamente todo o nosso gás hélio," afirma Daniel O'Shaughnessy, engenheiro de sistemas da missão. "Nesse momento, a sonda não será mais capaz de combater o empurrão da gravidade do Sol."

Apesar de Mercúrio ser um dos vizinhos planetários mais próximos da Terra, pouco se sabia sobre o planeta antes da missão da MESSENGER.

"Pela primeira vez na história temos conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que mostra ser um mundo fascinante como parte do nosso Sistema Solar diversificado," afirma John Grunsfeld, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Embora as operações terminem, estamos a celebrar a MESSENGER como mais do que uma missão bem-sucedida. É o início de uma longa jornada para analisar os dados que, esperamos, revelarão todos os mistérios científicos de Mercúrio."

A sonda viajou durante mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita de Mercúrio no dia 18 de março de 2011. A missão principal era orbitar o planeta e recolher dados durante um ano terrestre. A boa saúde da sonda, o combustível restante e as novas questões levantadas pelas descobertas iniciais resultaram na aprovação de dois prolongamentos das operações, permitindo com que a missão continuasse durante quase quatro anos e resultando em mais marcos científicos.

Uma descoberta chave em 2012 prestou um apoio convincente à hipótese que Mercúrio abriga água gelada abundante e outros materiais voláteis nas suas crateras polares permanentemente à sombra.

Os dados indicaram que o gelo nas regiões polares de Mercúrio, casso estivesse espalhado numa área equivalente a uma grande cidade, teria uma espessura superior a 3 km. Pela primeira vez, os cientistas começaram a ver claramente um capítulo na história de como os planetas interiores, incluindo a Terra, adquiriram água e alguns dos blocos químicos de construção da vida.

Uma camada escura que cobre a maioria dos depósitos de água gelada suporta a teoria que compostos orgânicos, assim como a água, foram entregues a partir do Sistema Solar exterior até aos planetas interiores e tal pode ter levado à síntese química pré-biótica e, desta forma, à vida na Terra.

"A água, agora armazenada em depósitos de gelo no chão de crateras de impacto permanentemente à sombra nos polos de Mercúrio, foi provavelmente entregue ao planeta mais interior por impactos de cometas e asteroides ricos em voláteis," comenta Sean Solomon, investigador principal da missão e diretor do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia em Palisades, Nova Iorque. "Esses mesmos impactos também provavelmente forneceram o material orgânico escuro."

Além das descobertas científicas, a missão proporcionou muitos marcos tecnológicos, incluindo o desenvolvimento de um guarda-sol cerâmico vital, resistente ao calor e altamente refletivo que isolou os instrumentos e os componentes eletrónicos da sonda da radiação solar direta - cruciais para o sucesso da missão dada a proximidade de Mercúrio ao Sol. A tecnologia vai ajudar a informar os projetos futuros para missões planetárias dentro do nosso Sistema Solar.

"O lado frontal do guarda-sol rotineiramente acusava temperaturas superiores a 300º Celsius, ao passo que a maioria dos componentes à sombra operava perto da temperatura ambiente (20º C)," explica Helene Winters, gestora do projeto da missão no APL. "Esta tecnologia que protegeu os instrumentos da MESSENGER foi a chave para o sucesso da missão durante a operação principal e durante as estendidas."

Links:

Cobertura da missão MESSENGER pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2015/01/06 - Sonda MESSENGER pronta para última tournée de Mercúrio
2014/12/16 - Dados da MESSENGER sugerem chuva de meteoros recorrente em Mercúrio
2014/04/22 - MESSENGER completa 3000.ª órbita de Mercúrio, define data para maior aproximação
2012/12/04 - MESSENGER descobre novas evidências de água gelada nos pólos de Mercúrio
2012/03/27 - Sonda MESSENGER fornece novos dados sobre Mercúrio
2011/06/17 - Sonda MESSENGER fornece novos dados sobre Mercúrio
2011/03/15 - Sonda MESSENGER prepara-se para entrar em órbita de Mercúrio
2008/10/08 - MESSENGER envia imagens de um Mercúio nunca antes visto
2008/10/04 - MESSENGER regressa a Mercúrio
2008/07/05 - Superfície de Mercúrio dominada por actividade vulcânica 
2008/02/06 - Os mistérios de Mercúrio, velhos e novos
2008/01/26 - Mercúrio visto pela sonda MESSENGER 
2008/01/16 - Sonda MESSENGER passa por Mercúrio 
2008/01/12 - Sonda MESSENGER fará histórico voo rasante por Mercúrio
2005/06/07 - MESSENGER fotografa Terra e Lua
2004/04/03 - MESSENGER com destino a Mercúrio

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
Universidade do Michigan (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
Spacedaily
Discovery News
CNN
Visão
Diário de Notícias
Correio da Manhã
RTP
SIC Notícias
tvi24

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
AS GALÁXIAS GIGANTES MORREM DE DENTRO PARA FORA
A formação estelar em galáxias que estão agora “mortas” desligou-se há milhares de milhões de anos atrás. O VLT do ESO e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revelaram que três milhares de milhões de anos após o Big Bang, estas galáxias ainda formavam estrelas nas suas periferias, mas isso já não acontecia nos seus interiores. O desligar da formação estelar parece ter-se iniciado nos núcleos das galáxias, espalhando-se depois para as regiões mais externas.
Este diagrama ilustra este processo. Galáxias do Universo primordial situam-se à esquerda no diagrama. As regiões azuis são onde a formação estelar se encontra ativa e as regiões vermelhas mostram as regiões “mortas” das galáxias, ou seja, onde existem apenas estrelas velhas vermelhas e não se formam já estrelas jovens azuis. As galáxias esferoidais que resultam do processo e se encontram no Universo atual estão do lado direito do diagrama.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos mostraram pela primeira vez como é que a formação estelar em galáxias “mortas” se desligou há milhares de milhões de anos atrás. O VLT (Very Large Telescope) do ESO e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revelaram que três milhares de milhões de anos após o Big Bang, estas galáxias ainda formavam estrelas nas suas periferias, mas isso já não acontecia nos seus interiores. O desligar da formação estelar parece ter-se iniciado nos núcleos das galáxias, espalhando-se depois para as regiões mais externas. Estes resultados foram publicados a 17 de abril de 2015 na revista Science.

Um dos principais mistérios da astrofísica prende-se com o facto de saber como é que as galáxias elípticas massivas adormecidas, bastante comuns no Universo atual, extinguiram as suas antes intensas taxas de formação estelar. Tais galáxias colossais, muitas vezes também chamadas esferoides devido à sua forma, possuem tipicamente dez vezes mais estrelas nas suas regiões centrais do que as que tem a nossa galáxia, a Via Láctea, e contêm também cerca de dez vezes mais massa.

Os astrónomos referem-se a estas galáxias como sendo vermelhas e mortas, uma vez que possuem uma enorme abundância de estrelas vermelhas velhas, mas falta-lhes estrelas azuis jovens, e não mostram sinais de formação estelar recente. As idades estimadas das estrelas vermelhas sugerem que as suas galáxias hospedeiras deixaram de formar novas estrelas há cerca de dez mil milhões de anos atrás. Este desligar da formação estelar começou logo após o pico de formação estelar no Universo, quando muitas galáxias ainda estavam a formar estrelas a uma taxa cerca de vinte vezes maior do que atualmente.

"Estas galáxias esferoides muito massivas contêm cerca de metade de todas as estrelas que o Universo produziu durante toda a sua vida," disse Sandro Tacchella do ETH Zurich na Suíça, autor principal do artigo que descreve estes resultados. "Não podemos dizer que compreendemos como é que o Universo evoluiu e se tornou no que hoje é, se não compreendermos primeiro como é que estas galáxias evoluíram."

Tacchella e colegas observaram um total de 22 galáxias de massas diferentes, numa época que corresponde a cerca de três mil milhões de anos depois do Big Bang. O instrumento SINFONI montado no VLT recolheu radiação desta amostra de galáxias, mostrando de modo preciso onde é que se encontravam as estrelas recém-formadas. O SINFONI pode fazer estas medições detalhadas de galáxias distantes graças ao seu sistema de ótica adaptativa, que consegue cancelar a maior parte dos efeitos de distorção da atmosfera terrestre.

Os investigadores apontaram também o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA à mesma amostra de galáxias, tirando partido da posição do telescópio no espaço, acima da atmosfera do nosso planeta. A câmara WFC3 do Hubble obteve imagens no infravermelho próximo, revelando a distribuição espacial das estrelas mais velhas no seio destas galáxias.

"O que é extraordinário é que o sistema de ótica adaptativa do SINFONI pode contrabalançar em grande parte os efeitos atmosféricos e dizer-nos onde é que estão a nascer as novas estrelas, fazendo-o com a mesma precisão com que o Hubble nos dá a distribuição de massas estelares," comenta Marcella Carollo, também do ETH Zurich e coautora do estudo.

De acordo com os novos dados, as galáxias mais massivas da amostra mantiveram uma produção estável de novas estrelas nas suas periferias. Contudo, nos seus centros densamente populados, a formação estelar já se encontrava desligada nesta altura.

"Esta, agora demonstrada, paragem da formação estelar a ocorrer de dentro para fora em galáxias massivas deverá ajudar-nos a compreender os mecanismos subjacentes envolvidos, os quais têm sido extensivamente debatidos desde há muito tempo no seio da comunidade astronómica," diz Alvio Renzini, do Observatório de Pádua, Instituto Nacional de Astrofísica italiano.

Uma teoria promissora para explicar este fenómeno é que os materiais necessários à formação das estrelas espalham-se em correntes de energia libertadas pelo buraco negro supermassivo central da galáxia, à medida que este devora enormes quantidades de matéria. Outra ideia diz que o gás deixa de fluir para o interior da galáxia, deixando-a sem combustível para formar novas estrelas e transformando-a num esferoide vermelho e morto.

"Há muitas sugestões teóricas diferentes para explicar os mecanismos físicos que levaram à morte destes esferoides massivos," diz a coautora Natascha Förster Schreiber, do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik em Garching, Alemanha. "Descobrir que a extinção da formação estelar começou nos centros, tendo depois progredido para o exterior da galáxia é um passo muito importante para compreender como é que o Universo se transformou no que hoje é."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Science
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
AstroPT

Galáxias elípticas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
ALMA REVELA CAMPO MAGNÉTICO INTENSO PRÓXIMO DE BURACO NEGRO SUPERMASSIVO
Esta impressão artística mostra o meio circundante de um buraco negro supermassivo típico, como muitos dos que se encontram no coração de muitas galáxias. O buraco negro propriamente dito está rodeado por um brilhante disco de acreção de material muito quente a cair para o buraco negro e mais longe encontra-se o toro de poeiras. Vemos também frequentemente jatos de matéria lançados a altas velocidades a partir dos polos do buraco negro, que podem estender-se até enormes distâncias no espaço. Observações obtidas com o ALMA detectaram um campo magnético muito intenso próximo do buraco negro, na base dos jatos, estando este campo muito provavelmente envolvido na produção dos jactos e sua colimação.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) revelou um campo magnético extremamente potente, muito para além do que tinha sido anteriormente detetado no núcleo de uma galáxia, muito próximo do horizonte de eventos de um buraco negro supermassivo. Esta nova observação ajuda os astrónomos a compreender melhor a estrutura e formação destes habitantes massivos dos centros das galáxias e os jatos gémeos de plasma que frequentemente ejetam a alta velocidade dos seus polos. Estes resultados foram publicados a 17 de abril de 2015 na revista Science.

Os buracos negros supermassivos, frequentemente com massas de milhares de milhões de vezes a do Sol, situam-se no coração da maior parte das galáxias existentes no Universo. Estes buracos negros podem acretar enormes quantidades de matéria sob a forma de um disco que os rodeia. Enquanto a maioria desta matéria alimenta o buraco negro, uma parte pode escapar momentos antes de ser capturada, sendo lançada no espaço com velocidades próximas da velocidade da luz sob a forma de um jato de plasma. A maneira como isto acontece não é muito bem compreendida, embora se pense que campos magnéticos fortes atuando muito próximo do horizonte de eventos tenham um papel crucial no processo, ajudando a matéria a escapar às “mandíbulas escancaradas da escuridão”.

Apenas se tinham observado até agora campos magnéticos fracos longe dos buracos negros - a vários anos-luz de distância. No entanto, astrónomos da Universidade de Tecnologia Chalmers e do Observatório Espacial Onsala na Suécia, utilizaram o ALMA para detetar sinais diretamente relacionados com um campo magnético intenso localizado muito perto do horizonte de eventos do buraco negro supermassivo da galáxia distante PKS 1830-211. Este campo magnético situa-se precisamente no local onde a matéria é lançada repentinamente para longe do buraco negro sob a forma de um jato.

A equipa mediu a intensidade do campo magnético através da polarização da radiação, à medida que esta se afastava do buraco negro.

"A polarização é uma propriedade importante da luz muito usada na vida diária, por exemplo nos óculos de sol ou nos óculos 3D no cinema," diz Ivan Marti-Vidal, o autor principal deste trabalho. "Quando produzida naturalmente, a polarização pode ser usada para medir campos magnéticos, uma vez que a radiação muda a sua polarização quando viaja através de um meio magnetizado. Neste caso, a radiação detetada pelo ALMA viajou através da matéria situada muito próximo do buraco negro, um local cheio de plasma altamente magnetizado."

Os astrónomos aplicaram uma nova técnica de análise desenvolvida para os dados ALMA e descobriram que a direção da polarização da radiação vinda do centro da PKS 1830-211 rodou. Estes foram os comprimentos de onda mais curtos de sempre usados neste tipo de estudo, o que permitiu que se investigassem regiões muito próximas do buraco negro central.

"Descobrimos sinais claros da rotação da polarização, que são centenas de vezes maiores do que os maiores alguma vez encontrados no Universo," diz Sebastien Muller, coautor do artigo científico que descreve estes resultados. "A nossa descoberta constitui um enorme passo em frente em termos de frequência observada, graças ao uso do ALMA, e em termos de distância ao buraco negro onde estudámos o campo magnético - da ordem de apenas alguns dias-luz do horizonte de eventos. Estes resultados, assim como estudos futuros, ajudar-nos-ão a perceber o que é que se passa realmente na vizinhança imediata dos buracos negros supermassivos."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Science
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spaceref
AstroPT

Buraco negro supermassivo:
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ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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ESO:
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TAMBÉM EM DESTAQUE
  Dawn avista polo norte de Ceres (via NASA)
Depois de passar mais de um mês em órbita no lado escuro do planeta anão Ceres, a sonda Dawn da NASA capturou várias imagens do polo norte iluminado. As imagens foram obtidas no dia 10 de abril a partir de uma distância de 33.000 km, e são as imagens de mais alta-resolução de Ceres até à data. Ler fonte
     
  Anã branca pode ter despedaçado planeta passageiro (via NASA)
A destruição de um planeta pode parecer uma cena de um filme de ficção científica, mas uma equipa de astrónomos descobriu evidências que tal possa ter acontecido num antigo enxame estelar nos confins da Via Láctea. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M46 + Dois
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Denis Priou
 
Os enxames estelares abertos são jovens. Estes aglomerados de estrelas nascem juntas perto do plano da Via Láctea, mas os seus números diminuem de forma constante à medida que os membros do enxame são expelidos pelas marés galácticas e por interações gravitacionais. De facto, este bonito e brilhante enxame aberto, conhecido como M46, tem aproximadamente 300 milhões de anos. Ainda contém algumas centenas de estrelas num espaço de mais ou menos 30 anos-luz. Localizado a cerca de 5000 anos-luz na direção da constelação de Popa, M46 também parece conter contradições no que toca ao seu estatuto de jovem. Nesta linda paisagem celeste, a mancha colorida e redonda mesmo para a direita do centro é a nebulosa planetária NGC 2438. Ainda mais ténue, uma segunda nebulosa planetária, PK231+4.1, está identificada pela ampliação no canto superior direito. As nebulosas planetárias são a fase breve e final na vida de uma estrela parecida com o Sol com mil milhões de anos ou mais, cujo reservatório central de hidrogénio foi esgotado. Mesmo assim, a distância até NGC 2438 está estimada em apenas 3000 anos-luz e move-se a uma velocidade diferente das estrelas do enxame M46. Juntamente com a sua homóloga mais fraca, a nebulosa planetária NGC 2438 provavelmente aparece apenas por acaso junto do aglomerado M46.
 

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