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Edição n.º 1187
24/07 a 27/07/2015
 
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31/07/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/07: 205.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 regressava à Terra em segurança. A cápsula com os astronautas cai no Oceano Pacífico. 

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 05:04.
Esta noite, a Lua encontra-se quase no ponto médio entre Espiga e Saturno. Mais perto do nosso satélite natural, aviste a ténue Alpha Librae (Zubenelgenubi), um sistema binário muito largo, através de binóculos.

Dia 25/07: 206.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 5.
Em 1976, a sonda Viking 1 obtém a famosa foto da "Face de Marte". 

Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7.
Observações: A Lua Crescente encontra-se para a direita de Saturno.
Ceres, o primeiro asteroide descoberto, está em oposição. Brilha para sul de Capricónio com magnitude 7,1.

Dia 26/07: 207.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.

Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003.
Observações: Esta noite, a Lua está para a esquerda de Saturno, mesmo por cima das cabeça de escorpião.
Urano estacionário, pelas 17:00.

Dia 27/07: 208.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.

Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra.
Observações: O verão já vai a pouco mais de um-terço, astronomicamente falando. Mas o Grande Quadrado de Pégaso, símbolo do outono que se aproxima, já sobe a este-nordeste ao anoitecer e passa para este com o avançar da noite. Encontra-se apoiado sobre um canto.

 
CURIOSIDADES


O Sol queima cerca de 600 milhões de toneladas de hidrogénio por segundo.

 
KEPLER DESCOBRE PRIMO MAIOR E MAIS VELHO DA TERRA

A missão Kepler da NASA confirmou o primeiro planeta, quase do tamanho da Terra, na "zona habitável" em torno de uma estrela semelhante ao Sol. Esta descoberta e a introdução de outros 11 pequenos candidatos a planeta nas zonas habitáveis assinalam mais um marco na jornada para encontrar uma outra "Terra".

O recém-descoberto Kepler-452b é o planeta mais pequeno, até à data, descoberto na zona habitável - a área em torno de uma estrela onde a água pode existir em estado líquido à superfície de um planeta - de uma estrela do tipo G2, como o nosso Sol. A confirmação de Kepler-452b avança o número de exoplanetas confirmados para 1030.

Impressão de artista que compara a Terra (esquerda) com o novo planeta, denominado Kepler-452b, que é cerca de 60% maior em termos de diâmetro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/T. Pyle
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"No 20.º aniversário da descoberta que provou a existência de outros planetas em redor de outras estrelas, o explorador Kepler descobriu um planeta e uma estrela bastante parecidos com a Terra e com o Sol," afirma John Grunsfeld, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA na sede da agência em Washington, EUA. "Este resultado emocionante traz-nos um passo mais perto de encontrar uma Terra 2.0."

Kepler-452b é 60% maior, em diâmetro, que a Terra e é considerado uma super-Terra. Embora a sua massa e composição ainda estejam por determinar, as pesquisas anteriores sugerem que os planetas do tamanho de Kepler-452b têm uma boa hipótese de ser rochosos.

O tamanho e escala do sistema Kepler-452 quando comparado com o sistema Kepler-186 e com o Sistema Solar. Kepler-186 é um Sistema Solar em miniatura que caberia dentro da órbita de Mercúrio.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Apesar de Kepler-452b ser maior que a Terra, a sua órbita é apenas 5% mais longa - 385 dias. O planeta está 5% mais longe da sua estrela-mãe, Kepler-452, que a Terra está do Sol. Kepler-452 tem 6 mil milhões de anos - 1,5 mil milhões de anos mais velha que o nosso Sol -, tem a mesma temperatura, é 20% mais brilhante e tem um diâmetro 10% maior.

"Podemos considerar Kepler-452b como um primo mais velho e maior da Terra, fornecendo uma oportunidade para compreender e refletir sobre o ambiente em evolução da Terra," afirma Jon Jenkins, líder da equipa de análise de dados do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia, que descobriu Kepler-452b. "É inspirador considerar que este planeta passou 6 mil milhões de anos na zona habitável da sua estrela; mais do que a Terra. É uma oportunidade substancial para o surgimento da vida, caso existam todos os ingredientes e condições necessárias."

Impressão de artista que ilustra a possível aparência do planeta Kepler-452b, o primeiro mundo quase do tamanho da Terra descoberto na zona habitável de uma estrela parecida com o Sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/T. Pyle
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Para ajudar a confirmar os resultados e a melhor determinar as propriedades do sistema Kepler-452, a equipa levou a cabo observações terrestres no Observatório McDonald da Universidade do Texas em Austin, no Observatório Fred Lawrence Whipple no Monte Hopkins, Arizona e no Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii. Estas medições foram fundamentais para a confirmação da natureza planetária de Kepler-452b, para refinar o tamanho e brilho da estrela-mãe e para melhor determinar o tamanho do planeta e sua órbita.

O sistema Kepler-452 está localizado a 1400 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne. O artigo científico que apresenta o resultado foi aceite para publicação na revista The Astronomical Journal.

Desde o lançamento do Kepler em 2009, foram descobertos doze planetas com menos do dobro do tamanho da Terra, situados nas zonas habitáveis das suas estrelas.
Crédito: NASA/N. Batalha e W. Stenzel
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Além de confirmar Kepler-452b, a equipa do Kepler aumentou em 521 o número de novos candidatos a exoplaneta, a partir da sua análise de observações realizadas entre maio de 2009 e maio de 2013, totalizando 4696 candidatos a planeta detetados pela missão Kepler. Os candidatos necessitam de observações e análises de acompanhamento para verificar que são planetas reais.

Doze dos novos candidatos a planeta têm diâmetros entre uma e duas vezes o da Terra e orbitam na zona habitável da sua estrela. Destes, nove orbitam estrelas parecidas com o Sol em tamanho e temperatura.

"Fomos capazes de automatizar completamente o nosso processo de identificação de candidatos a planeta, o que significa que podemos finalmente avaliar cada sinal de trânsito em todo o conjunto de dados do Kepler de forma rápida e uniforme," comenta Jeff Coughlin, cientista do Kepler e do Instituto SETI em Mountain View, Califórnia, que liderou a análise de um novo catálogo de candidatos. "Isto dá aos astrónomos uma população estatisticamente saudável de candidatos a exoplaneta a fim de determinar o número de planetas pequenos e possivelmente rochosos como a Terra na nossa Via Láctea."

Existem agora 4696 candidatos a planeta, com a divulgação do Sétimo Catálogo de Candidatos do Kepler - um aumento de 521 desde o anúncio do catálogo anterior em janeiro de 2015.
Crédito: NASA/W. Stenzel
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Estes resultados, apresentados no Sétimo Catálogo de Candidatos do Kepler, serão submetidos para publicação na revista The Astrophysical Journal. São derivados de dados publicamente disponíveis no Arquivo de Exoplanetas da NASA.

Os cientistas estão agora a produzir o último catálogo com base nos quatro anos de dados da missão original do Kepler. A análise final será realizada usando software sofisticado que é cada vez mais sensível às pequenas assinaturas reveladoras de planetas do tamanho da Terra.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA - 2 (comunicado de imprensa)
nature
Universe Today
SPACE.com
Popular Science
Popular Mechanics
TIME
Forbes
BBC News
Diário de Notícias
SOL
Observador
ZAP.aeiou
SIC Notícias

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
NOVA CADEIA MONTANHOSA EM PLUTÃO; IMAGENS DE NIX E HIDRA
Imagem de uma cadeia de montanhas situada na secção sudoeste de Tombaugh Regio de Plutão, entre planícies brilhantes e geladas e terreno escuro e altamente craterado.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As montanhas geladas de Plutão têm companhia. A missão New Horizons da NASA descobriu uma nova cadeia de montanhas, aparentemente menos elevada, na fronteira inferior esquerda da característica mais conhecida de Plutão, a região brilhante em forma de coração chamada Tombaugh Regio (Região de Tombaugh). Estes recém-descobertos picos gelados têm alturas estimadas entre 1 e 1,5 km.

A nova cadeia está mesmo para oeste da região de Sputnik Planum (Planície Sputnik) do coração de Plutão. Os picos encontram-se cerca de 110 km para noroeste de Norgay Montes. Esta imagem mais recente ilustra ainda a topografia extraordinariamente bem definida ao longo da orla ocidental de Tombaugh Regio.

"Há uma diferença pronunciada de textura entre as planícies geladas e mais jovens a leste e o terreno escuro e fortemente craterado para oeste," afirma Jeff Moore, líder da equipa GGI (Geology, Geophysics and Imaging) no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett, Field, no estado americano da Califórnia. "Há uma interação complexa entre os materiais claros e escuros que ainda estamos a tentar compreender."

Apesar de se pensar que Sputnik Planum seja relativamente jovem (em termos geológicos) - talvez com menos de 100 milhões de anos - a região mais escura remonta, provavelmente, a milhares de milhões de anos. Moore comenta que o material claro, parecido com sedimentos, parece preencher crateras antigas (por exemplo, a característica circular clara um pouco para baixo e para a esquerda do centro).

Esta imagem foi adquirida pelo instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) no dia 14 de julho a uma distância de 77.000 km e enviada para a Terra no dia 20. São visíveis características tão pequenas quanto 1 km. Os nomes das características em Plutão são nomes informais dados pela equipa da New Horizons.

Novas imagens das pequenas luas de Plutão

Apesar da maior lua de Plutão, Caronte, ter capturado a maior parte dos holofotes lunares até agora, estes dois satélites mais pequenos e menos conhecidos estão a receber alguma atenção. Nix e Hidra - a segunda e a terceira lua descobertas - têm aproximadamente o mesmo tamanho, mas as suas semelhanças terminam aí.

Nix (esquerda) e Hidra (direita), fotografadas pela sonda New Horizons.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A lua de Plutão, Nix (esquerda), vista aqui em cores melhoradas, foi fotografada pelo instrumento Ralph da New Horizons e tem uma mancha avermelhada que atraiu o interesse dos cientistas da missão. Os dados foram obtidos na manhã de dia 14 de julho e recebidos no dia 18. No momento das observações, a New Horizons estava a 165.000 km de Nix. A imagem do satélite mostra características tão pequenas quanto 3 km, satélite este que tem um tamanho estimado em 42 km (comprimento) por 36 km (largura).

Embora a cor geral da superfície de Nix seja cinzento neutro na imagem, a região recém-descoberta tem um distinto tom avermelhado. Pistas de um padrão parecido a um alvo levam os cientistas a especular que a região avermelhada é uma cratera. "Foram recolhidos dados adicionais de Nix, mas ainda não foram enviados. Estes dir-nos-ão o porquê do tom colorido da região," afirma Carly Howett, cientista da missão e do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, em Boulder, Colorado, EUA.

A pequena e irregular lua de Plutão, Hidra (direita), é revelada na imagem a preto e branco obtida pelo LORRI no passado dia 14 de julho, a uma distância de mais ou menos 231.000 km. São visíveis características até 1,2 km em Hidra, que mede 55 km em comprimento e 40 km de largura.

Parecem existir pelo menos duas grandes crateras, uma das quais está maioritariamente à sombra. A porção superior parece mais escura que o resto de Hidra, sugerindo uma possível diferença na composição da superfície.

Ted Stryk, colaborador científico da missão, comenta: "Antes da semana passada, Hidra era apenas um ponto fraco de luz, por isso é uma experiência surreal vê-lo tornar-se, pela primeira vez, num lugar real, com forma e com características discerníveis à superfície."

As imagens das luas descobertas mais recentemente, Estige e Cérbero, deverão ser transmitidas para a Terra o mais tardar em meados de outubro.

Os satélites Nix e Hidra foram descobertos em 2005 usando dados do Telescópio Espacial Hubble, por uma equipa de investigação liderada pelo cientista do projeto New Horizons, Hal Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado americano de Maryland. As descobertas da New Horizons sobre as características da superfície e outras propriedades de Nix e Hidra vão ajudar os cientistas a melhor compreender as origens e subsequente história de Plutão e das suas luas.

Links:

Cobertura da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
21/07/2015 - As planícies geladas e a atmosfera de Plutão
17/07/2015 - New Horizons "telefona"; envia primeiros dados da passagem por Plutão
14/07/2015 - New Horizons passa hoje por Plutão
03/06/2015 - Plutão a cores. Tem manchas, metano e, quem sabe, nuvens
29/05/2015 - New Horizons vê mais detalhes em Plutão 
01/05/2015 - New Horizons deteta características à superfície, possivelmente uma calote polar em Plutão
09/12/2014 - New Horizons acorda para encontro com Plutão 
26/08/2014 - New Horizons passa órbita de Neptuno a caminho de encontro histórico com Plutão 
17/06/2014 - Fracturas em lua de Plutão podem indicar que já teve um oceano subterrâneo
10/06/2014 - Plutão e Caronte podem partilhar atmosfera
25/06/2013 - Equipa da New Horizons mantém plano de voo original para Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons 
25/07/2007 - Neva em Caronte
28/02/2007 - A semana dos "flybys"
20/01/2006 - New Horizons partiu
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo

Notícias relacionadas:
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Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

 
ALMA OBSERVA PELA PRIMEIRA VEZ FORMAÇÃO DE GALÁXIAS NO UNIVERSO PRIMORDIAL
Esta imagem mostra uma combinação de dados do ALMA e do VLT. O objeto central é uma galáxia muito distante chamada BDF3299, que está a ser observada quando o Universo tinha menos de 800 milhões de anos de idade. A nuvem brilhante vermelha logo à esquerda e abaixo da galáxia é a deteção feita pelo ALMA de uma vasta nuvem de material que se encontra a "construir" a galáxia muito jovem.
Crédito: ESO/R. Maiolino
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) foram detetadas as nuvens de gás de formação estelar mais distantes observadas até hoje em galáxias normais no Universo primordial. As novas observações permitem aos astrónomos começar a ver como é que as primeiras galáxias se foram construindo e como é que limparam o nevoeiro cósmico durante a era da reionização. Esta é a primeira vez que tais galáxias são observadas com melhor detalhe do que simples manchas ténues.

Quando as primeiras galáxias se começaram a formar algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, o Universo estava cheio de um nevoeiro de hidrogénio gasoso. Mas à medida que mais e mais fontes brilhantes — tanto estrelas como quasares alimentados por enormes buracos negros — começaram a brilhar, este nevoeiro foi desaparecendo tornando o Universo transparente à radiação ultravioleta. Os astrónomos chamam a este período a época da reionização, no entanto pouco se sabe acerca destas primeiras galáxias e, até agora, apenas se tinham observado como manchas ténues. Estas novas observações obtidas com o poder do ALMA estão a mudar esta realidade.

Uma equipa de astrónomos liderada por Roberto Maiolino (Cavendish Laboratory e Kavli Institute for Cosmology, University of Cambridge, Reino Unido) apontou o ALMA a galáxias que se sabia estarem a ser observadas a cerca de apenas 800 milhões de anos depois do Big Bang. Os astrónomos não estavam à procura da radiação emitida pelas estrelas, mas sim do fraco brilho do carbono ionizado emitido pelas nuvens de gás a partir das quais se formam as estrelas. A equipa pretendia estudar a interação entre uma geração de estrelas jovens e os frios nodos de gás que se estavam a formar nestas primeiras galáxias.

A equipa também não estava à procura de objetos raros extremamente brilhantes — tais como quasares e galáxias com elevada taxa de formação estelar — que tinham sido observados anteriormente. Em vez disso, o trabalho concentrou-se em galáxias muito mais comuns, galáxias que reionizaram o Universo e se transformaram na maior parte das galáxias que vemos hoje à nossa volta.

Vindo de uma das galáxias — chamada BDF3299 — o ALMA captou um sinal fraco mas claro de carbono brilhante. No entanto, este brilho não vinha do centro da galáxia, mas sim de um dos lados.

O coautor Andrea Ferrara (Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália) explica a importância desta nova descoberta: "Trata-se da deteção mais distante deste tipo de emissão de uma galáxia 'normal', observada menos de mil milhões de anos depois do Big Bang, o que nos dá a oportunidade de observar a formação das primeiras galáxias. Estamos a ver pela primeira vez galáxias primordiais não como pequenos pontos, mas como objetos com estrutura interna!"

Os astrónomos pensam que a localização deslocada do centro desta emissão deve-se ao facto das nuvens centrais estarem a ser desfeitas pelo meio inóspito criado pelas estrelas recém-formadas — tanto pela sua radiação intensa como pelos efeitos de explosões de supernova — enquanto o carbono está a traçar gás frio recente que está a ser acretado do meio intergaláctico.

Ao combinar as novas observações ALMA com simulações de computador foi possível compreender em detalhe processos chave que estão a ocorrer no seio das primeiras galáxias. Os efeitos da radiação emitida pelas estrelas, o sobreviver de nuvens moleculares, o facto da radiação ionizante escapar e a estrutura complexa do meio interestelar podem agora ser calculados e comparados às observações. BDF3299 é muito possivelmente um exemplo típico das galáxias responsáveis pela reionização.

"Durante muitos anos tentámos compreender o meio interestelar e a formação das fontes de reionização. Conseguir finalmente testar previsões e hipóteses em dados reais do ALMA é algo extremamente excitante e que nos abre um novo conjunto de questões. Este tipo de observação clarificará muitos dos difíceis problemas que temos tido com a formação das primeiras estrelas e galáxias no Universo," acrescenta Andrea Ferrara.

Roberto Maiolino conclui: "Este estudo teria sido simplesmente impossível sem o ALMA, uma vez que nenhum outro instrumento consegue atingir a sensibilidade e resolução espacial necessárias. Embora esta seja uma das observações mais profundas do ALMA realizadas até agora, estamos ainda longe de atingir todas as capacidades deste telescópio. No futuro o ALMA fará imagens da estrutura fina das galáxias primordiais, mostrando em detalhe a formação das primeiras galáxias."

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Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
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ALMA (NAOJ)
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TAMBÉM EM DESTAQUE
  Pulsar faz buraco em disco estelar (via NASA)
Um pulsar em movimento rápido parece ter perfurado um buraco num disco de gás em torno da sua estrela companeira e ter lançado um fragmento do disco para fora a uma velocidade de aproximadamente 6,4 milhões de quilómetrs por hora. O Observatório de raios-X Chandra da NASA está a seguir este amontoado cósmico, que parece estar ganhando velocidade à medida que se desloca para fora. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Zeta Oph: Estrela Fugitiva
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechTelescópio Espacial Spitzer
 
Como um navio que navega mares cósmicos, a estrela fugitiva Zeta Ophiuchi produz a "onda de proa" interestelar, ou arco de choque, nesta deslumbrante imagem infravermelha. Em cores falsas, a azulada Zeta Oph, uma estrela cerca de 20 vezes mais massiva que o Sol, encontra-se perto do centro, movendo-se para a esquerda a 24 quilómetros por segundo. Os seus fortes ventos estelares precedem-na, comprimindo e aquecendo o material interestelar poeirento e esculpindo a frente de choque curvada. Em seu redor, nuvens de material relativamente intocado. O que despoletou o movimento desta estrela? Zeta Oph provavelmente fez parte de um sistema binário - a sua companheira era mais massiva e, portanto, teve uma vida mais curta. Quando a companheira explodiu como supernova, Zeta Oph foi arremessada para fora do sistema. A cerca de 460 anos-luz de distância, Zeta Oph é 65.000 vezes mais luminosa que o Sol e seria uma das estrelas mais brilhantes do céu, caso não estivesse rodeada por poeira obscurante. A imagem cobre uma área com mais ou menos 1,5 graus ou 12 anos-luz à distância estimada de Zeta Ophiuchi.
 

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