24/05/19 - Noites Astronómicas em Tavira
21:30-22:30 - Enquanto nos despedimos de algumas constelações de outono/inverno vamos aproveitar para dar as boas vindas a algumas constelações de primavera/verão assim como ao gigante planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter. Esta atividade é gratuita. Local:Forte do Rato Informações e incrições: 281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)
Efemérides
Dia 21/05: 141.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2010, a JAXA lança a sonda IKAROS de velas solares a bordo de um foguetão H-IIA, juntamente com a sonda Akatsuki.
Esta última passaria por Vénus no final do ano. Observações: Mercúrio em conjunção superior, pelas 14:12.
Esta é a altura do ano em que Leão começa a descer a oeste, a caminho de desaparecer entre o pôr-do-Sol ao início do verão. Logo após o anoitecer, aviste a sua estrela mais brilhante razoavelmente alta a oeste-sudoeste. É Régulo, a sua pata dianteira.
Dia 22/05: 142.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1783, nascia William Sturgeon, físico inglês e inventor que fez os primeiros imãs e inventou o primeiro motor elétrico inglês.
Em 1890, nascia Per Collinder, astrónomo sueco, conhecido pelo seu catálogo de enxames abertos, hoje em dia chamado Catálogo de Collinder.
Em 1969, o módulo lunar da Apollo 10 passava a 8,4 milhas náuticas (15,6 km) da superfície da Lua.
Em 1995, imagens captadas pelo Telescópio Espacial Hubble durante a travessia do plano dos anéis de Saturno levam à descoberta de uma nova lua. As travessias do plano dos anéis acontecem a cada 15 anos e historicamente têm dado aos astrónomos uma oportunidade para descobrir novos satélites que normalmente são ofuscados pelo brilho do sistema de anéis do planeta. Observações: Vega está bem alta a este-nordeste depois do cair da noite. Procure a sua ténue constelação, Lira, apoiada para baixo e inclinada para a direita.
Dia 23/05: 143.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1958, o satélite Explorer 1 cessa transmissões. Observações: Nas horas que antecedem o nascer-do-Sol, aviste a Lua a sudeste-sul. O ponto brilhante para a sua direita é o planeta Saturno. Ambos os objetos estão situados na direção da constelação de Sagitário. Mais para a direita, para cima da constelação de Escorpião, está situado o ponto brilhante que é o planeta Júpiter.
Curiosidades
O Grupo Local é um grupo de galáxias que inclui a Via Láctea e cerca de outras 30 galáxias (incluíndo anãs). O seu centro de massa está localizado algures entre a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda. Tem um diâmetro estimado em 10 milhões de anos-luz e uma massa total de 1,29x10^12 massas solares.
Primeiros resultados científicos do "flyby" da New Horizons por Ultima Thule
Esta composição do binário de contacto 2014 MU69 (com a alcunha Ultima Thule) - capa da edição de 17 de maio da revista Science - foi compilada a partir de dados obtidos pela sonda New Horizons da NASA quando passou pelo objeto no dia 1 de janeiro de 2019. A imagem combina dados de cor melhorados (perto do que o olho humano veria) com imagens pancromáticas de alta-resolução.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Roman Tkachenko
A equipa da missão New Horizons da NASA publicou o seu perfil do mundo mais distante já explorado, um bloco de construção planetária e objeto da Cintura de Kuiper chamado 2014 MU69.
Analisando apenas os primeiros conjuntos de dados recolhidos durante o "flyby" de Ano Novo de 2019 da New Horizons por MU69 (apelidado de Ultima Thule), a equipa da missão rapidamente descobriu um objeto muito mais complexo do que o esperado. A equipa publicou os seus primeiros resultados científicos e interpretações revistas por pares - apenas quatro meses depois da passagem rasante - na edição de 17 de maio da revista Science.
Os dados iniciais resumidos na revista Science revelam muito sobre o desenvolvimento, a geologia e a composição do objeto. É um binário de contacto com dois lóbulos distintamente diferentes. Com cerca de 36 quilómetros de comprimento, Ultima Thule é composto por um lóbulo maior e estranhamente achatado (chamado "Ultima") ligado a um lóbulo mais pequeno e mais redondo (chamado "Thule") num ponto chamado "pescoço". O modo como os dois lóbulos adquiriram a sua forma invulgar é um mistério imprevisto que provavelmente se relaciona com o modo como se formaram há milhares de milhões de anos.
Os lóbulos provavelmente orbitavam-se um ao outro, como muitos dos chamados mundos binários na Cintura de Kuiper, até que algum processo os reuniu no que os cientistas mostraram ser uma fusão "gentil". Para que isso aconteça, grande parte do momento orbital do binário deve ter-se dissipado para os objetos se unirem, mas os cientistas ainda não sabem se isso ocorreu devido às forças aerodinâmicas do gás na antiga nebulosa solar, ou se Ultima e Thule expulsaram outros lóbulos, formados juntamente com eles, para dissiparem energia e encolherem a sua órbita. O alinhamento dos eixos de Ultima e Thule indica que, antes da fusão, os dois lóbulos devem ter ficado com bloqueio de marés, o que significa que os mesmos lados estavam sempre virados um para o outro enquanto orbitavam em torno do mesmo ponto.
"Estamos a estudar os remanescentes bem preservados do passado," disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Não há dúvida de que as descobertas feitas sobre Ultima Thule vão avançar as teorias de formação do Sistema Solar."
Tal como o artigo na Science divulga, os investigadores da New Horizons também estão a investigar uma série de características da superfície de Ultima Thule, como pontos brilhantes e manchas, colinas e vales, crateras e buracos. A maior depressão é uma característica com 8 km de diâmetro que a equipa apelidou de cratera Maryland - provavelmente formada a partir de um impacto. No entanto, algumas depressões mais pequenas no objeto da Cintura de Kuiper podem ter sido criadas por material caindo em espaço subterrâneo, ou devido a gelos exóticos que passam do estado sólido para o estado gasoso (processo chamado sublimação) e deixando buracos em seu lugar.
Em cor e composição, Ultima Thule assemelha-se com muitos outros objetos encontrados na sua área da Cintura de Kuiper. É muito vermelho - mais vermelho do que Plutão, muito maior, com 2400 km de diâmetro, que a New Horizons explorou na orla interna da Cintura de Kuiper em 2015 - e é, na verdade, o objeto do Sistema Solar mais vermelho já visitado por uma sonda espacial; pensa-se que o seu tom avermelhado seja provocado por modificação dos materiais orgânicos à superfície. Os cientistas da New Horizons encontraram evidências de metanol, água gelada e moléculas orgânicas à superfície de Ultima Thule - uma mistura muito diferente da maioria dos objetos gelados explorados anteriormente pela sonda.
A transmissão de dados do "flyby" continua e continuará até ao final do verão de 2020. Entretanto, a New Horizons continua a realizar novas observações de objetos adicionais da Cintura de Kuiper que passa à distância. Estes KBOs (Kuiper Belt Objects) estão demasiado distantes para revelar descobertas como aquelas em MU69, mas a equipa pode medir aspetos como o brilho do objeto. A New Horizons também continua a mapear o ambiente de radiação de partículas carregadas e da poeira na Cintura de Kuiper.
A sonda New Horizons está agora a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e avançando mais profundamente na Cintura de Kuiper a quase 53.000 quilómetros por hora.
As primeiras descobertas de asteroides do Gaia.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
Enquanto explora o céu para cartografar um milhar de milhão de estrelas na nossa galáxia, a Via Láctea, o satélite Gaia da ESA é também sensível a corpos celestes mais próximos de casa e observa, regularmente, asteroides no nosso Sistema Solar. Esta imagem mostra as órbitas de mais de 14 mil asteroides conhecidos (com o Sol no centro da imagem) com base nas informações da segunda publicação de dados de Gaia, a qual foi divulgada em 2018.
A maioria dos asteroides retratados nesta imagem, mostrados em tons vermelho vivo e laranja, são asteroides da cintura principal, localizados entre as órbitas de Marte e Júpiter; asteroides troianos, encontrados ao redor da órbita de Júpiter, são mostrados em tons vermelho escuro.
A amarelo, em direção ao centro da imagem, estão as órbitas de várias dezenas de asteroides próximos da Terra observados pelo Gaia: são asteroides que chegam a cerca de 1,3 unidades astronómicas (AU) ao Sol, na aproximação mais adjacente ao longo da sua órbita. A Terra orbita o Sol a uma distância de 1 UA (cerca de 150 milhões de km), de modo que os asteroides próximos da Terra têm o potencial de se aproximar do nosso planeta.
A maioria dos asteroides que o Gaia deteta já são conhecidos, mas os dados adicionais recolhidos fornecem informações importantes para melhor determinar as suas órbitas e propriedades físicas, como composição e período de rotação.
De vez em quando, porém, os asteroides observados pelo Gaia não correspondem a nenhuma observação existente. Este é o caso das três órbitas mostradas em tom cinza nesta imagem: estas são as primeiras descobertas de asteroides de Gaia.
Os três novos asteroides foram descobertos pela primeira vez pelo Gaia em dezembro de 2018, e, posteriormente, confirmados por observações de acompanhamento realizadas com o Observatório de Haute-Provence, na França. A comparação destes dados com as observações existentes indicou que os objetos não haviam sido detetados anteriormente. Enquanto estes fazem parte da cintura principal de asteroides, todos circundam o Sol em órbitas que têm uma inclinação maior, (15 graus ou mais) em relação ao plano orbital dos planetas, do que a maioria dos asteroides da cintura principal.
A população de tais asteroides de alta inclinação não está tão bem estudada quanto aqueles com órbitas menos inclinadas, já que a maioria das pesquisas tende a concentrar-se no plano onde reside a maioria dos asteroides. Mas o Gaia pode observá-los prontamente enquanto explora o céu inteiro a partir do seu ponto de vista no espaço, de modo que é possível que o satélite encontre mais objetos no futuro e contribua com novas informações para estudar as suas propriedades.
Juntamente com o extenso processamento e análise dos dados do Gaia, em preparação para os próximos lançamentos de dados, as informações preliminares sobre as deteções de asteroides do Gaia são partilhadas regularmente através de um sistema de alerta on-line para que os astrónomos possam realizar observações complementares. Para observar estes asteroides é necessário um telescópio de 1 m ou maior.
Assim que um asteroide detetado pelo Gaia seja também identificado em observações terrestres, os cientistas encarregados do sistema de alerta analisam os dados para determinar a órbita do objeto. Caso as observações terrestres coincidam com a órbita com base nos dados de Gaia, fornecem as informações para o Minor Planet Center, que é a organização mundial oficial que recolhe dados observacionais para corpos pequenos do Sistema Solar, como asteroides e cometas.
Este processo pode levar a novas descobertas, como os três asteroides com órbitas representadas nesta imagem, ou a melhorias na determinação das órbitas de asteroides conhecidos, que às vezes são muito pouco conhecidas. Até agora, várias dezenas de asteroides detetados pelo Gaia foram observados a partir do solo em resposta ao sistema de alerta, todos pertencem à cintura principal, mas é possível que também os asteroides próximos da Terra sejam observados no futuro.
Vários observatórios por todo o mundo já se encontram envolvidos nestas atividades, incluindo o Observatório de Haute-Provence, a estação Kyiv Comet, Odessa-Mayaki, Terskol, C2PU no Observatório da Côte d'Azur e a Rede Global de Telescópios do Observatório Las Cumbres. Quantos mais se juntarem, mais aprenderemos sobre asteroides - novos e já conhecidos.
Missão Chang'E 4 descobre novos "segredos" do lado oculto da Lua
Um veículo lunar com o nome da deusa chinesa da Lua pode ter encolhido o mistério do lado oculto do nosso satélite natural. A quarta missão Chang'E (CE-4) foi a primeira a aterrar no outro lado da Lua e recolheu novas evidências da maior cratera do Sistema Solar, esclarecendo como a Lua pode ter evoluído.
Os resultados foram publicados na revista Nature no dia 16 de maio.
Na década de 1970 surgiu a teoria que, na infância da Lua, um oceano feito de magma cobria a sua superfície. Quando o oceano começou a acalmar e a arrefecer, os minerais mais leves flutuaram até ao topo, enquanto os componentes mais pesados afundaram. Foi formada uma crosta, uma camada de basalto, envolvendo um manto de minerais densos como olivina e piroxena.
À medida que os asteroides e detritos espaciais colidiam com a superfície da Lua, quebravam a crosta e levantavam pedaços do manto lunar.
Imagem capturada pelo Chang'E 4 que mostra a paisagem perto do local de alunagem.
Crédito: NAOC/CNSA
"Compreender a composição do manto lunar é fundamental para testar se um oceano de magma de facto existiu como postulado," disse o autor LI Chunlai, professor dos Observatórios Astronómicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências. "Também ajuda a avançar a nossa compreensão da evolução térmica e magmática da Lua."
Segundo LI, a evolução da Lua pode fornecer uma janela para a evolução da Terra e de outros planetas terrestres, porque a sua superfície está relativamente intocada em comparação com, digamos, a superfície inicial da Terra.
LI e a sua equipa pousaram o CE-4 na Bacia do Polo Sul-Aitken da Lua, que se estende por cerca de 2500 quilómetros - cerca de metade da largura da China. O CE-4 recolheu dados espectrais das regiões mais lisas da bacia, bem como de outras crateras de impacto mais pequenas, porém menos profundas, dentro da região.
Imagem capturada pelo Chang'E 4 que mostra a paisagem perto do local de alunagem.
Crédito: NAOC/CNSA
Os investigadores esperavam encontrar uma grande quantidade de material escavado do manto no chão liso da bacia, uma vez que o impacto teria penetrado e passado a crosta lunar. Ao invés, encontraram apenas vestígios de olivina, o principal componente do manto superior da Terra.
"A ausência de olivina em abundância no interior da Bacia do Polo Sul-Aitken continua a ser um enigma," disse LI. "Será que as previsões de um manto lunar rico em olivina estão incorretas?"
Não é bem assim. Ao que parece, a olivina apareceu em maior quantidade nas amostras de impactos mais profundos. Uma teoria, diz LI, é que o manto consiste de olivina e piroxena em partes iguais, em vez de dominado por um sobre o outro.
O CE-4 precisará explorar mais para melhor entender a geologia do seu local de alunagem, bem como recolher muitos mais dados espectrais a fim de validar as suas descobertas iniciais e entender completamente a composição do manto lunar.
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