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Edição n.º 1175
12/06 a 15/06/2015
 
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19/06/15 - OBSERVAÇÃO NOTURNA
20:30 – 22:30 - Observação noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável)
Local: Hotel Vila Galé Albacora - Tavira

26/06/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
Observações: As duas estrelas mais brilhantes bem alto durante o mês de junho são Arcturo, a sudoeste, e Vega, a este. Estão relativamente próximas de nós: 37 e 25 anos-luz, respetivamente. A superfície de Vega tem o dobro da temperatura da superfície de Arcturo (temperatura de 9600 kelvin, em comparação com 4300 de Arcturo). É por isso que Vega brilha com tons azuis pálidos e Arcturo tem tons amarelo-alaranjados.

Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).

Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteróide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
Observações: Júpiter e Vénus brilham a menos de 11º entre si, a oeste e ao anoitecer. Assim que o céu ficar suficientemente escuro, uns binóculos podem mostrar que Vénus esta noite brilha mesmo para cima do limite de M44, o enxame do Presépio.

Dia 14/06: 165.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency). 
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de Outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.

Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana.
Em 2002, o asteróide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua. 
Observações: Marte em conjunção com o Sol.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:48 e as 22:08.
Ocultação de Ganimedes, entre as 19:40 e as 23:29.

Dia 15/06: 166.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 763 AC, os assírios registam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.

A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
Observações: Aproveite a noite para observar o planeta Saturno, já razoavelmente alto a sul-sudeste ao início da noite. Encontra-se entre as constelações de Balança e Escorpião.

 
CURIOSIDADES


O "dia" marciano é um apenas pouco mais longo que um dia na Terra. Em Marte, um dia são 24 horas, 37 minutos e 22 segundos, enquanto que na Terra é 23 horas, 56 minutos e 4,1 segundos.

 
EQUIPA DA ROSETTA AVISTA BRILHO QUE PODERÁ SER MÓDULO DESAPARECIDO
Ao ampliar a zona da elipse atual do CONSERT, podemos ver várias manchas brilhantes. Como só uma (no máximo) destas pode ser o Philae, a maioria deve estar associada com características superficiais do núcleo do cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Enquanto a Rosetta continua a estudar o cometa em constante mudança, as equipas da missão têm tentado encontrar a posição do Philae no núcleo usando uma variedade de dados, incluindo imagens, medições do campo magnético e das ondas de rádio.

O Philae pousou na zona denominada Agilkia, na cabeça do Cometa 67P/C-G às 15:34 do dia 12 de novembro de 2014 e a confirmação chegou à Terra, via Rosetta, 28 minutos depois. Infelizmente, os arpões do Philae não dispararam e os parafusos revelaram-se insuficientes para segurar o módulo. Como resultado, o Philae ressaltou durante um voo de duas horas antes de finalmente descansar num local agora conhecido como Abydos.

Tanto a câmara de navegação da Rosetta como a câmara de alta-resolução OSIRIS identificaram com sucesso o primeiro ponto de pouso e a câmara ROLIS do Philae forneceu imagens do local a 9 metros de altitude. O "lander saltitão" foi posteriormente identificado em imagens da OSIRIS e NAVCAM pouco tempo depois de ter saído de Agilkia. Seguidamente pensou-se, graças a outra imagem do OSIRIS, que o Philae estivesse acima do horizonte de uma grande depressão conhecida como Hatmehit, na cabeça do cometa.

As medições do campo magnético pelo instrumento ROMAP do Philae forneceram mais detalhes sobre os eventos subsequentes à medida que o módulo voava acima do cometa, incluindo o "timing" exato dos vários pontos de contacto. Inicialmente, o módulo voou numa orientação estável, mas depois pensa-se que colidiu com uma característica superficial às 16:20, tendo começado a tombar. Um terceiro pouso ocorreu às 17:25, seguido de um salto muito mais curto de apenas alguns minutos, antes do Philae finalmente chegar a Abydos às 17:32. No geral, pensa-se que o Philae tenha viajado mais de um quilómetro a partir do seu ponto de contacto inicial.

As imagens obtidas pelas câmaras ROLIS e CIVA, bem como telemetria e dados enviados pelos instrumentos durante as quase 60 horas de operações à superfície, ajudaram a construir uma imagem do local de pouso final. Pensa-se que o módulo esteja numa zona de terreno áspero, inclinado contra um penhasco e maioritariamente à sombra.

Nos dias e semanas que se seguiram à aterragem, a equipa do OSIRIS continuou a procurar o Philae através do exame detalhado de novas imagens do cometa à medida que estas iam chegando. No entanto, isto provou ser uma tarefa árdua, dado o terreno acidentado, o pequeno tamanho do "lander" e a distância da Rosetta ao cometa.

As imagens de mais alta-resolução obtidas da região de interesse após a aterragem do Philae foram capturadas como parte de uma busca dedicada que teve lugar em meados de dezembro, a uma distância de aproximadamente 18 km da superfície do cometa. A esta distância, a câmara de ângulo estreito OSIRIS tem uma resolução de 34 centímetros por pixel. O corpo do Philae tem apenas 1 metro de comprimento, apesar das suas três pernas finas estenderem-se até 1,4 metros do seu centro.

Tendo em conta o tamanho, refletividade e orientação do Philae, bem como a "função propagação do ponto" ou resolução intrínseca da ótica da câmara, a equipa do OSIRIS espera que o Philae não tenha mais do que uns poucos pixéis nas suas imagens. A sua investigação da cabeça do Cometa 67P/C-G revelou muitos candidatos iniciais para o Philae sob a forma de pontos brilhantes com apenas alguns pixéis de largura.

Localizações aproximadas dos cinco candidatos ao módulo, inicialmente identificados em imagens de ângulo estreito pela câmara OSIRIS obtidas em dezembro de 2014 a partir de mais ou menos 20 km do centro do cometa. os candidatos estão identificados com círculos nas ampliações, salientando características do tamanho do Philae com aproximadamente 1-2 metros de comprimento. O contraste foi melhorado em algumas imagens para melhor revelar os candidatos. Todos menos um (topo à esquerda) foram excluídos da análise devido às restrições impostas pela trajetória do módulo e pela topografia do local de aterragem. O candidato no canto superior esquerda situa-se perto da elipse atual do CONSERT.
Crédito: centro: ESA/Rosetta/NAVCAM; ampliações: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A questão então é: qual destes candidatos, caso seja um deles, é o verdadeiro Philae?

Felizmente, existe mais informação disponível. A trajetória inicial do Philae, enquanto se afastava de Agilkia, pôde ser trabalhada a partir das imagens da OSIRIS. Isto limitou um pouco o problema, mas apenas até ao segundo salto.

Também foi possível afinar a localização final do "lander" usando sinais de rádio enviados entre o Philae e a Rosetta como parte da experiência CONSERT depois do pouso final. Combinando os dados do tempo de viagem do sinal entre os dois veículos, e sabendo a trajetória da Rosetta e o melhor modelo da forma do cometa, a equipa do CONSERT foi capaz de estabelecer a localização do Philae até uma elipse com aproximadamente 16 x 160 metros em tamanho, logo para lá da orla da depressão Hatmehit.

Ao combinar dados de rádio trocados entre a Rosetta e o Philae como parte da experiência CONSERT com dados da trajetória e o modelo atual da forma do Cometa 67P/C-G, a localização do Philae foi restringida a uma elipse com aproximadamente 16 x 160 metros. A elipse do CONSERT corresponde aos limites exteriores de várias soluções identificadas para o provável loca de pouso do Philae, embora dependa, até certo ponto, do modelo assumido do cometa. Mais trabalho detalhado, incluindo uma consideração de todos os erros envolvidos, está atualmente em progresso.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CONSERT
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A elipse representa, com base no número de simulações, a melhor estimativa atual da equipa dos limites exteriores da provável posição do Philae, mas ainda estão a decorrer mais esforços para quantificar as coisas de forma mais rigorosa em termos da probabilidade estatística do Philae se encontrar dentro desta região. A localização da elipse também depende do modelo da forma assumida do cometa: tendo em conta que este está sempre a ser refinado, algumas revisões ligeiras da posição da elipse permanecem possíveis.

No entanto, a equipa do CONSERT exclui a maioria dos candidatos vistos. Mas existe pelo menos um candidato perto da elipse, bem como um número de outras manchas brilhantes na vizinhança.

"Nós identificámos vários candidatos em imagens do OSIRIS, tanto dentro da região de interesse do CONSERT como perto," afirma Holger Sierks, investigador principal do OSIRIS no Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, na Alemanha.

Holger acrescenta: "Dito isto, é importante notar que a geometria de visão durante a nossa pesquisa de dezembro foi tal que a Rosetta estava 90º na direção Sol-cometa e em órbita do terminador. Os painéis solares do Philae podem ter sido bem iluminados, mas ainda ficarem escondidos no terreno acidentado do ponto de vista da Rosetta, tornando difícil ou impossível a deteção."

Ao ampliar a zona da elipse atual do CONSERT, podemos ver várias manchas brilhantes. Como só uma (no máximo) destas pode ser o Philae, a maioria deve estar associada com características superficiais do núcleo do cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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Além disso, ambas as características brilhantes são comuns à superfície do núcleo. O desafio de identificar o Philae é ainda mais difícil devido ao facto de muitas delas serem transitórias. Por exemplo, pequenas regiões do núcleo podem "cintilar" em condições de iluminação favoráveis, aparecendo assim em algumas imagens mas noutras não.

Para resolver este problema, os cientistas que trabalham com Philippe Lamy, membro da equipa da câmara OSIRIS e do Laboratório de Astrofísica de Marselha e do Instituto de Pesquisa de Astrofísica e Planetologia, França, começaram a estudar conjuntos especiais de imagens da OSIRIS.

Em particular, procuraram imagens obtidas antes e depois da aterragem do Philae sob condições de iluminação quase similares, a fim de reduzir as hipóteses de engano por reflexos de características superficiais transitórias. Dessa forma, caso algo novo aparecesse após o pouso, podia ser o Philae.

Ao analisar uma grande área que engloba a zona de aterragem esperada, a equipa identificou um candidato promissor que é observado em imagens obtidas nos dias 12 e 13 de dezembro, um mês após a aterragem de 12 de novembro, mas não numa imagem obtida no dia 22 de outubro.

Imagens "antes" e "depois" do promissor candidato localizado perto da elipse do CONSERT, pela câmara OSIRIS. Cada imagem cobre aproximadamente 20 x 20 metros no cometa. A imagem da esquerda mostra a região no dia 22 de outubro (antes da aterragem do Philae), a partir de uma distância de 10 km do centro do 67P/C-G, enquanto as imagens do centro e da direita mostram a mesma região nos dias 12 e 13 de dezembro (após o pouso). O candidato é apenas visto nas imagens mais recentes. As condições de iluminação são similares na três imagens e a mesma topografia pode ser reconhecida em cada caso. A diferença na distância a partir da qual as imagens foram obtidas implica uma diferença na resolução e, por isso, as imagens de dezembro foram ampliadas e interpoladas para coincidir com a escala da imagem de outubro. Como resultado, o candidato cobre mais pixéis calculados para um objeto do tamanho do Philae visto pela OSIRIS a 18 km da superfície.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Imagens adicionais mostram que a região que contém o candidato foi observada dia 22 de outubro a uma distância de 10 km do centro do cometa (aproximadamente 8 km da superfície) e nos dias 12 e 13 de dezembro a 20 km do centro (18 km da superfície).

As imagens do "depois" foram redefinidas e interpoladas para estarem à mesma escala das imagens do "antes": assim, a mancha brilhante cobre mais pixéis do que os dados originais.

"Apesar das imagens pré e pós-aterragem terem sido capturadas em diferentes resoluções espaciais, os detalhes da topografia local coincidem à exceção de um ponto brilhante presente nas imagens pós-pouso, o que sugere ser um bom candidato para o Philae," afirma Philippe Lamy. Ele acrescenta: "Esta mancha brilhante é visível em duas imagens diferentes obtidas em dezembro de 2014, claramente indicando que é uma característica real à superfície do cometa, não um artefacto do detetor ou uma partícula de poeira que se movimenta no primeiro plano."

Mas será que é realmente o Philae? Infelizmente, é impossível ter a certeza.

Por um lado, as análises realizadas no centro de operações do Philae sugerem que este candidato satisfaz um número de restrições em relação, por exemplo, à iluminação e visibilidade rádio nesta região.

Por outro, o candidato está localizado mesmo para fora da elipse atualmente identificada pelo CONSERT, apesar de, como mencionado anteriormente, os modelos melhorados da forma do cometa e da análise contínua dos dados do CONSERT poderem alterar a sua posição.

Adicionalmente, dado o relativamente longo espaço de tempo entre as imagens "antes" e "depois" (sete semanas), é possível que este objeto seja apenas uma mudança física nesse local, talvez material fresco recentemente exposto. A relativa falta de iluminação significativa nesta região, nessa altura, sugere que tais mudanças são improváveis, mas não podem ser totalmente eliminadas.

Em última análise, a identificação definitiva deste ou de quaisquer outros candidatos ao Philae necessita de imagens de mais alta-resolução, o que por sua vez significa "flybys" mais próximos. Isto poderá não ser possível a curto prazo, pois foram encontrados problemas na navegação perto do cometa, o que significa que a oportunidade para fazer passagens mais rasantes a muito menos que 20 km da superfície terá que ser adiada para mais tarde na missão. Mas depois da atividade do cometa diminuir, a Rosetta será capaz de, novamente, operar com segurança em estreita proximidade com o núcleo do cometa.

A outra possibilidade de refinar ainda mais a localização do Philae poderia surgir caso este recebesse energia suficiente para acordar da sua hibernação e retomar o estudo científico de 67P/C-G. Aí, o CONSERT poderia ser usado para realizar medições adicionais e reduzir significativamente as incertezas no que toca à localização do módulo de aterragem.

De momento, o Philae ainda permanece em hibernação, mas a equipa científica retém esperanças que, à medida que o cometa se aproxima do Sol na sua órbita, este receba energia suficiente para, durante as próximas semanas ou meses, acordar e transmitir um sinal até à Rosetta.

"As condições para o Philae acordar estão a ficar cada vez mais favoráveis à medida que o cometa se aproxima do Sol," afirma Stephan Ulamec, gestor do projeto do módulo de aterragem. " A equipa no centro de operações continua a preparar operações de longo prazo para o Philae e para os seus instrumentos, na esperança que acorde em breve."

Entretanto, a equipa continua a pesquisar todos os dados disponíveis. Patrick Martin, gestor da missão Rosetta na ESA, afirma: "o trabalho de acompanhamento, como por exemplo a identificação de candidatos noutras imagens capturadas a 20 km ou menos, bem como a reconstrução melhorada da topografia local, podem ajudar a restringir ainda mais a localização do Philae."

Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA, acrescenta: "a determinação, com precisão, da localização do 'lander' tem um grande valor científico, em particular para a Rosetta e para a experiência CONSERT, a fim de obter a melhor avaliação da estrutura interior do núcleo do cometa. O conhecimento da posição exata do Philae forneceria um contexto importante para as medições e informações valiosas para a sua eventual operação futura. Entretanto, a Rosetta continua a observar o cometa à medida que este aumenta de atividade."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
Blog da Rosetta
NewScientist
PHYSORG
Wired
BBC News

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
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Wikipedia
Philae (Wikipedia)

 
CHANDRA ENCONTRA EVIDÊNCIAS DE ERUPÇÕES SUCESSIVAS DE BURACO NEGRO

Os astrónomos usaram o Observatório de raios-X Chandra da NASA para mostrar que várias erupções de um buraco negro supermassivo, ao longo de 50 milhões de anos, reorganizou a paisagem cósmica no centro de um grupo de galáxias.

Os cientistas descobriram esta história de erupções do buraco negro através do estudo de NGC 5813, um grupo de galáxias a cerca de 105 milhões de anos-luz da Terra. Estas observações do Chandra são as mais longas já obtidas para um grupo de galáxias, com a duração de pouco mais de uma semana. Os dados do Chandra são vistos aqui nesta composição onde os raios-X do Chandra (roxo) foram combinados com dados no visível (vermelho, verde e azul).

Composição do grupo de galáxias NGC 5813 no visível e em raios-X.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/SAO/S. Randall et al.; ótico: SDSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os grupos galácticos são como os seus primos maiores, os enxames galácticos, mas em vez de albergarem centenas ou até mesmo milhares de galáxias como os enxames, os grupos são normalmente compostos por 50 galáxias ou menos. Tal como os enxames de galáxias, os grupos de galáxias estão envolvidos em quantidades gigantescas de gás quente que emite raios-X.

O buraco negro supermassivo em erupção está localizado na galáxia central de NGC 5813. A rotação do buraco negro, juntamente com o gás que espirala na sua direção, pode produzir uma torre vertical e enrolada de campos magnéticos que arremessam uma grande fração do gás para longe da vizinhança do buraco negro sob a forma de jatos altamente energéticos e velozes.

Os investigadores foram capazes de determinar a duração das erupções do buraco negro ao estudar cavidades, ou bolhas gigantes, no gás de NGC 5813 que tem vários milhões de graus. Estas cavidades são esculpidas quando jatos do buraco negro supermassivo geram ondas de choque que empurram o gás para fora e criam enormes buracos.

As últimas observações do Chandra revelam um terceiro par de cavidades, além de outros dois que já tinham sido anteriormente descobertos em NGC 5813, representando três erupções distintas do buraco negro central. Este é número mais alto de pares de cavidades já descoberto num grupo ou num enxame de galáxias. Semelhante à forma como uma bolha de ar de baixa densidade sobe para a superfície da água, as cavidades gigantes em NGC 5813 tornam-se "flutuantes" e afastam-se do buraco negro.

Localização das cavidades produzidas pelo buraco negro da galáxia central de NGC 5813.
Crédito: raios-X: NASA/CXC/SAO/S. Randall et al.; ótico: SDSS
 

Para melhor compreender a história das erupções do buraco negro, os investigadores estudaram os detalhes dos três pares de cavidades. Descobriram que a quantidade de energia necessária para produzir o par de cavidades mais próximas do buraco negro é inferior à energia produzida necessária para produzir os outros dois pares mais antigos. No entanto, a taxa de produção energética é aproximadamente a mesma para todos os três pares. Isto indica que a erupção associada com o par interior de cavidades está ainda a ocorrer.

Cada um dos três pares de cavidades está associado com uma frente de choque, visível como as arestas nítidas na imagem de raios-X. Estas frentes de choque, parecidas com estrondos sónicos de um avião supersónico, aquecem o gás, impedindo com que a maioria arrefeça e forme um grande número de estrelas novas.

O estudo detalhado das frentes de choque revela que são, na realidade, ligeiramente turvos em vez de nítidos. Isto pode ser provocado pela turbulência no gás quente. Assumindo que este é o caso, os autores descobriram uma velocidade turbulenta - isto é, a velocidade média dos movimentos aleatórios do gás - de aproximadamente 258.000 km/h. Isto é consistente com as previsões dos modelos teóricos e estimativas com base em observações de raios-X do gás quente noutros grupos e enxames.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de 1 junho da revista The Astrophysical Journal e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Astronomy
PHYSORG

NGC 5813:
Wikipedia
NASA/IPAC Extragalactic Database

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
UMA BORBOLETA CELESTE EMERGE DO SEU CASULO DE POEIRA
Algumas das imagens mais nítidas obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram pela primeira vez o que parece ser uma estrela velha a dar origem a uma nebulosa planetária em forma de borboleta. Estas observações da estrela gigante vermelha L2 Puppis, obtidas no modo ZIMPOL do recentemente instalado instrumento SPHERE, mostram também de forma clara uma companheira próxima. As fases finais das estrelas continuam a suscitar muitas questões aos astrónomos.
Crédito: ESO/P. Kervella
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Algumas das imagens mais nítidas obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram pela primeira vez o que parece ser uma estrela velha a dar origem a uma nebulosa planetária em forma de borboleta. Estas observações da estrela gigante vermelha L2 Puppis, obtidas no modo ZIMPOL do recentemente instalado instrumento SPHERE, mostram também de forma clara uma companheira próxima. As fases finais das estrelas continuam a suscitar muitas questões aos astrónomos, incluindo a origem de uma nebulosa bipolar como esta, com a sua estranha e complexa forma de ampulheta.

A cerca de 200 anos-luz de distância, L2 Puppis é uma das gigantes vermelhas mais próximas da Terra que se sabe ter atingido já as fases finais da sua vida. As novas observações obtidas com o modo ZIMPOL do SPHERE foram feitas no visível usando métodos de ótica adaptativa extremos, com os quais se corrigem as imagens com um grau muito mais elevado do que com a ótica adaptativa normal, permitindo assim que objetos ténues próximos de fontes de luz intensa possam ser observados com imenso detalhe. Tratam-se dos primeiros resultados publicados com este modo e os mais detalhados obtidos para uma estrela deste tipo.

O ZIMPOL consegue produzir imagens três vezes mais nítidas do que as obtidas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, sendo que as novas observações mostram a poeira que rodeia L2 Puppis de forma extremamente detalhada. Estes dados confirmam resultados anteriores, obtidos com o instrumento NACO, de poeira a formar um disco, o qual a partir da Terra nos aparece praticamente de perfil, mas dão-nos uma visão muito mais detalhada. A informação de polarização obtida com o ZIMPOL permitiu à equipa construir um modelo tridimensional das estruturas de poeira.

Os astrónomos descobriram que o disco de poeira começa a cerca de 900 milhões de quilómetros da estrela — um pouco mais do que a distância do Sol a Júpiter — e que depois se espalha para o exterior, criando uma forma simétrica semelhante a um funil que rodeia a estrela. A equipa observou também uma segunda fonte luminosa a cerca de 300 milhões de quilómetros — o dobro da distância da Terra ao Sol — de L2 Puppis. Esta companheira estelar próxima é muito provavelmente outra estrela gigante vermelha de massa ligeiramente menor e menos evoluída.

Algumas das imagens mais nítidas obtidas com o VLT (Very Large Telescope do ESO) revelaram pela primeira vez o que parece ser uma estrela velha a dar origem a uma nebulosa planetária em forma de borboleta. Estas observações da estrela gigante vermelha L2 Puppis, obtidas no modo ZIMPOL do recentemente instalado instrumento SPHERE, mostram também de forma clara uma companheira próxima. As fases finais das estrelas continuam a suscitar muitas questões aos astrónomos.
Crédito: ESO/P. Kervella
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A combinação de enormes quantidades de poeira a rodear uma estrela que está a morrer lentamente, juntamente com a presença de uma estrela companheira, é exatamente o tipo de sistema do qual se espera que surja uma nebulosa planetária bipolar. Estes três elementos parecem ser necessários, no entanto é também preciso uma boa dose de sorte para chegarmos ao subsequente emergir de uma borboleta celeste deste casulo poeirento.

O autor principal do artigo científico que descreve estes resultados, Pierre Kervella, explica: "A origem das nebulosas planetárias bipolares é um dos grandes problemas clássicos da astrofísica moderna, especialmente a questão de saber exatamente como é que as estrelas libertam para o espaço a sua quantidade valiosa de metais — um processo importante, uma vez que este material será usado para produzir futuras gerações de sistemas planetários."

Para além do disco de L2 Puppis, a equipa encontrou também dois cones de material perpendiculares ao disco. Mais importante ainda, no interior destes cones, foram descobertas duas plumas de material, compridas e ligeiramente curvas. A partir dos pontos de origem destas plumas, a equipa pôde deduzir que uma é possivelmente o resultado da interação entre o material de L2 Puppis e o vento e pressão de radiação da sua estrela companheira, enquanto a outra parece ter tido origem na colisão entre os ventos estelares das duas estrelas ou ser o resultado de um disco de acreção que se encontrará em torno da estrela companheira.

Embora muito ainda esteja por compreender, existem duas teorias principais sobre nebulosas planetárias bipolares, ambas apoiadas na existência de um sistema binário de estrelas.

A primeira teoria diz que a poeira produzida pelos ventos estelares da estrela primária moribunda, fica confinada numa órbita em forma de anel em torno da estrela por ação dos ventos estelares e pressão de radiação da estrela companheira. Qualquer perda de massa subsequente por parte da estrela principal é canalizada, ou colimada, por este disco, que força a matéria a deslocar-se para o exterior em duas colunas opostas perpendiculares ao disco.

A segunda teoria diz que a maior parte do material que está a ser ejetado pela estrela moribunda é acretado pela sua companheira próxima, que começa a formar um disco de acreção e um par de poderosos jatos. Qualquer material restante é empurrado pelos ventos estelares da estrela moribunda, dando origem a uma nuvem de gás e poeira, o que ocorreria normalmente num sistema com uma única estrela. Os jatos bipolares recém-formados da estrela companheira, deslocando-se a velocidades muito mais elevadas que os ventos estelares da estrela moribunda, esculpem duas cavidades na poeira circundante, dando assim origem a uma nebulosa planetária bipolar.

As novas observações sugerem que ambos estes processos estão a atuar em torno de L2 Puppis, parecendo muito provável que este par de estrelas dê origem a uma borboleta.

Pierre Kervella conclui: "Com a estrela companheira a completar uma órbita em torno de L2 Puppis em apenas alguns anos, esperamos ver como é que esta companheira irá dar forma ao disco da gigante vermelha. Podemos seguir a evolução da poeira em torno da estrela em tempo real — uma possibilidade extremamente interessante e rara."

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Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
science 2.0
Sky & Telescope
SPACE.com
PHYSORG
(e) Science News
AstroPT

L2 Puppis:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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