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Edição n.º 1177
19/06 a 22/06/2015
 
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19/06/15 - OBSERVAÇÃO NOTURNA
20:30 – 22:30 - Observação noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável)
Local: Hotel Vila Galé Albacora - Tavira

26/06/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/06: 170.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" o perímetro da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).

Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
Observações: O grupo Vénus-Júpiter está cada vez mais íntimo a oeste ao lusco-fusco, até que no dia 30 atingem a maior aproximação. E à medida que anoitece, a Lua Crescente encontra-se para baixo de Vénus.

Dia 20/06: 171.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1976, o módulo de aterragem da Viking 1 pousava em Marte.

Em 1990, era descoberto o asteróide Eureka.
Observações: A Lua, Júpiter e Vénus formam um triângulo a oeste durante e após o anoitecer. Régulo e a "foice" de Leão encontram-se mais para cima e para a esquerda.
Eclipse de Europa, entre as 19:04 e as 22:06.
Ocultação de Io, entre as 23:33 e as 01:55 (já de dia 21).

Dia 21/06: 172.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascia Max Wolf, astrónomo alemão e pioneiro no campo da astrofotografia.
Em 2003, quase 20 anos depois da sua viagem ao espaço, Sally Ride entra para o Corredor da Fama dos Astronautas, tornando-se na primeira mulher a ser honrada por esta instituição. 

Em 2004, o SpaceShipOne torna-se no primeiro avião espacial privado a voar no espaço.
Em 2006, as recém-descobertas luas de Plutão são oficialmente denominadas Nix e Hydra.
Observações: Começa o verão (solstício ocorre às 17:38), quando o Sol alcança a sua posição mais a norte no céu durante o ano e começa a sua viagem de seis meses para sul. Hoje é também o dia mais longo. No hemisfério sul, começa o inverno e tem lugar a noite mais longa.
A Lua, Júpiter e Vénus formam um linha reta. Mesmo por cima, encontra-se a constelação de Leão.
Trânsito da sombra de Io, entre as 21:43 e as 00:02 (já de dia 22).

Dia 22/06: 173.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, a Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma, força Galileu a retirar a sua visão que o Sol, não a Terra, era o centro do Universo.

Em 1675 era fundado o Observatório Real de Greenwich
Em 1978 James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos em Flagstaff, Arizona, descobre o satélite de Plutão, Caronte, acerca do qual quase nada se sabia mais de uma década depois. Plutão foi também descoberto em Flagstaff (no Observatório Lowell) em 1930.
Observações: Graças ao movimento do nosso satélite natural em redor da Terra, deslocou-se o suficiente no céu, desde ontem, para que a Lua, Régulo, Júpiter e Vénus formem um linha reta, a oeste e ao anoitecer.

 
CURIOSIDADES


Contagem mais recente de exoplanetas conhecidos: 1931 exoplanetas em 1222 sistemas planetários (484 destes são sistemas multiplanetários).

 
MEDINDO A MASSA DE UM EXOPLANETA COM O TAMANHO DE MARTE

A determinação da dimensão de um exoplaneta de tamanho semelhante à Terra, pela quantidade de luz estelar que bloqueia a centenas de anos-luz de distância, já esteve no reino da ficção científica. A medição da massa de um planeta assim tão pequeno com base na sua gravidade estava completamente noutro nível, mas os astrónomos fizeram exatamente isso para um exoplaneta com 50% do tamanho da Terra.

Investigadores, usando dados da missão Kepler da NASA, mediram a massa de um exoplaneta do tamanho de Marte que tem aproximadamente um-décimo da massa da Terra. Chamado Kepler-138b, é o primeiro exoplaneta mais pequeno que a Terra a ter tanto a sua massa como o seu tamanho medidos. Isto amplia significativamente a gama de planetas com densidades medidas.

Para determinar a massa de um planeta, os astrónomos geralmente medem o movimento minúsculo da estrela provocado pela força gravitacional de um planeta em órbita. Para planetas da massa da Terra, a deteção de uma influência assim tão pequena torna-se extraordinariamente difícil com a tecnologia atual. Felizmente, para uma estrela que hospeda vários planetas que orbitam uns perto dos outros, os cientistas desenvolveram outra forma de chegar à massa dos planetas.

Impressão de artista que mostra o sistema planetário que alberga Kepler-138b, o primeiro exoplaneta mais pequeno que a Terra com a massa e tamanho medidos. Os tamanhos dos planetas, relativamente à estrela, foram exagerados.
Crédito: Instituto SETI/Danielle Futselaar
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Daniel Jontof-Hutter, associado de pesquisa do Centro para Exoplanetas e Mundos Habitáveis da Universidade Estatal de Pensilvânia, EUA, liderou uma equipa de astrónomos num estudo para medir a massa de todos os três planetas ao observar com precisão os tempos de cada passagem em frente da estrela Kepler-138.

"Cada planeta diminui periodicamente de velocidade e acelera ligeiramente devido à gravidade dos seus planetas vizinhos. A ligeira mudança no tempo entre os trânsitos permite-nos medir a massa dos planetas," afirma Jontof-Hutter.

De cada vez que um planeta transita uma estrela, bloqueia uma pequena fração da luz estelar, permitindo que os astrónomos possam medir o tamanho do planeta. Este é o método que o Kepler utilizou para detetar milhares de planetas em torno de outras estrelas.

Ao medir tanto a massa como o tamanho de um exoplaneta, os cientistas podem calcular a densidade e inferir a composição para determinar se um planeta é feito predominantemente de rocha, água ou gás. A densidade do minúsculo Kepler-138b é consistente com uma composição rochosa como a Terra ou Marte, mas são necessárias mais observações até que os astrónomos possam afirmar definitivamente que é um mundo rochoso.

Kepler-138b é o mais interior dos três planetas que orbitam Kepler-138, uma estrela com menos de metade do tamanho do nosso Sol e cerca de 30% mais fria. O sistema de Kepler-138 está localizado a mais ou menos 200 anos-luz da Terra na direção da constelação de Lira.

Os dois planetas exteriores, Kepler-138c e Kepler-138d, têm aproximadamente o tamanho da Terra. Kepler-138c é provavelmente rochoso, enquanto Kepler-138d é menos denso e não pode ser constituído da mesma mistura de materiais que a Terra. Todos os três planetas orbitam demasiado perto da estrela para a existência de água líquida à superfície e para a existência de vida como a conhecemos.

Este gráfico mostra as massas e tamanhos do exoplanetas mais pequenos onde estes dois parâmetros já foram determinados. Os planetas do Sistema Solar (vermelho) estão aqui para efeitos de comparação. Os três planetas do sistema Kepler-138 (laranja) estão entre os quatro exoplanetas mais pequenos com tanto o tamanho como a massa já medidos. Kepler-138b é o primeiro exoplaneta, mais pequeno que a Terra, com a massa e tamanho já determinados. Isto amplia significativamente a gama de planetas com densidades medidas.
Crédito: Centro de Pesquisa Ames da NASA/W. Stenzel
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A principal diferença entre as densidades dos dois planetas maiores diz-nos que nem todos os planetas parecidos à Terra em tamanho são rochosos," afirma Jack Lissauer, coautor e cientista planetário do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia. "Estudos adicionais de planetas pequenos ajudarão a fornecer um melhor conhecimento da diversidade que existe na natureza e ajudarão a determinar se planetas rochosos como a Terra são comuns ou raros."

Tal como os astrónomos no início do século XX estudavam uma grande variedade de estrelas a fim de caracterizar e classificar diferentes tipos, os astrónomos no século XXI estão a fazer o mesmo para compreender a diversidade da demografia das populações exoplanetárias na nossa Galáxia, a Via Láctea.

Os cientistas estão trabalhando para usar estas novas medições de planetas pequenos do Kepler e do futuro TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) com o objetivo de identificar padrões na relação entre a massa e o tamanho. Estas informações irão fornecer um contexto para a compreensão da história da Terra e de outros planetas no nosso próprio Sistema Solar e informar os caçadores de exoplanetas da próxima geração à medida que procuram vida fora do nosso Sistema Solar.

Um estudo anterior mediu as massas dos dois planetas exteriores. Este novo estudo realizou uma análise mais detalhada do sistema de Kepler-138 usando dados adicionais do Kepler. Isto permitiu a medição da massa do planeta interior com o tamanho de Marte e melhorou a precisão do tamanho e da massa dos planetas exteriores. Os resultados foram publicados na edição de ontem da revista Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto SETI (comunicado de imprensa)
Penn State News (comunicado de imprensa)
Nature
Gráfico animado (cortesia YouTube)
SPACE.com
PHYSORG
Popular Science

Kepler-138:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

TESS:
NASA/Goddard
Wikipedia

 
DESPERTAR DO PHILAE DESENCADEIA INTENSO ESFORÇO DE PLANEAMENTO
Imagem do cometa 67P/C-G obtida às 19:38 GMT de dia 13 de junho, pouco antes do despertar do Philae. A imagem foi capturada a uma distância de 201 km do centro do núcleo.
Crédito: ESA/Rosetta/NAVCAM
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A receção de sinais do módulo de aterragem Philae, a 13 de junho, ao fim de 211 dias de hibernação marcou o início de uma intensa atividade. Em coordenação com os seus parceiros de missão, as equipas da ESA estão a trabalhar para rearranjar os planos de voo da Rosetta com novas investigações científicas que envolvam o "lander".

O Philae despertou depois de sete meses em hibernação no Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. Escondido por sombras, o Philae desligou-se a 15 de novembro de 2014 às 00:36 GMT, depois de ter completado as suas principais operações científicas no cometa, quando as baterias primárias chegaram ao fim, tal como previsto, ao fim de 60 horas.

Desde março de 2015, quando as condições ambientais do Philae começaram a melhorar com o aumento da temperatura à superfície e melhor iluminação, o recetor do orbitador começou a ser ligado periodicamente, à procura de sinais vindos do 'lander', quando se pensou que a geometria orbital tinha atingido o ponto ótimo.

Na noite de 13 de junho foi estabelecida finalmente uma fraca mas sólida ligação entre a Rosetta e o "lander", durante 85 segundos. Foram recebidos mais de 300 'pacotes' – 663 kbits – de telemetria do módulo de aterragem. Esta informação tinha sido guardada a bordo, numa altura que ainda está por determinar, e que pode ir de alguns dias a algumas semanas e portanto, não reflete necessariamente o estado atual do Philae.

A Rosetta então reenviou a informação para o Centro de Operações da ESA, ESOC, em Darmstadt, Alemanha, às 20:28 GMT.

Todos os sistemas operacionais

"Ainda estamos a examinar a informação no Centro de Controlo do Lander, no Centro Aeroespacial Alemão, DLR, em Colónia, mas já podemos dizer que todos os sub-sistemas do 'lander' estão a funcionar, sem qualquer degradação aparente depois de mais de meio ano escondido na superfície gelada do cometa, " diz o gestor de projeto da DLR, Stephan Ulamec.

No domingo, 14 de junho, foi recebido mais um pequeno lote de dados, às 21:26 GMT, com duração de alguns segundos. Estes dados foram confirmados, permitindo chegar ao atual estado, mostrando que a temperatura interna já subiu para -5ºC.

Na memória do Philae estão armazenados mais de 8000 pacotes adicionais de dados de estado, mas ainda não é claro quando é que foram gravados.

Aqui vem o Sol

Os engenheiros no Centro de Controlo do Lander determinaram que o Philae já está a ser exposto a suficiente luz do Sol para o aquecer até uma temperatura operacional e para gerar eletricidade.

Os dados de telemetria recolhidos cobriram o estado do "lander" durante um ciclo completo de dia-noite do cometa, o que ajuda as equipas em terra a compreender como é que o Sol está a brilhar no "lander". Parece que os painéis solares recebem energia durante mais de 135 minutos em cada período de iluminação.

"Apesar de termos apenas informação preliminar, parece que o "lander" está tão bem quanto poderíamos esperar," diz Stephen Ulamec.

A próxima tarefa

A principal tarefa agora, para todos os parceiros da missão – a ESA para as operações da Rosetta e a DLR e a agência espacial francesa, CNES, para as operações do "lander" e ciência, respetivamente – é determinar de que forma otimizar a órbita da Rosetta para facilitar o contacto e permitir novas investigações científicas.

O módulo Philae em segurança à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, como estas duas primeiras imagens do instrumento CIVA confirmam. Pode ser visto um dos três pés do "lander". Mosaico obtido no passado mês de novembro.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CIVA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Acredita-se que há energia suficiente a ser gerada para permitir algumas medições científicas durante o tempo em que o Philae está iluminado, com as atividades iniciais focadas em medições de baixa exigência energética. Esta primeira fase também há de incluir medições que não puderam gerar ciência em novembro.

No entanto, as equipas de missão têm primeiro que estabelecer uma ligação mais robusta entre a Rosetta e o Philae antes de fazerem o upload do primeiro lote de comandos de operações científicas.

É possível que a qualidade da ligação esteja relacionada com a trajetória de voo da Rosetta e a orientação que adota.

Otimizar uma órbita a 305 milhões de km de distância

Neste momento, a Rosetta tem dois "slots" de comunicação disponíveis por cada 24 horas – um a cada 12 horas de rotação do cometa.

"O trabalho da equipa de dinâmica de voo e operações do ESOC aliado a um intenso planeamento conduzido pelos parceiros de missão, permitirá desenhar uma nova órbita de forma a que esta venha a garantir a otimização das comunicações com o lander," diz Paolo Ferri, Chefe de Operações da Missão da ESA.

Esta nova órbita inclui uma já planeada redução da distância relativamente ao núcleo, dos 200 km para os 180 km, e que os dois estão apontados em 'nadir' – com a unidade de comunicação da Rosetta a apontar continuamente para o cometa. Nos próximos dias, o orbitador também poderá ser deslocado para mais perto do cometa, sem comprometer a segurança da nave, para ajudar nas comunicações.

A Rosetta começou a voar na nova órbita 23:25 GMT do dia 16 de junho, mantendo-se até 19 de junho, permitindo manter mais contactos com o Philae, especialmente em direção ao final deste período.

Prontos para reagir

"Se conseguirmos manter um padrão de contacto", continua Paolo Ferri, "as equipas do 'lander' podem montar uma estratégia para uma nova sequência de operações científicas."

"Independentemente disso, iremos manter-nos flexíveis e prontos a reagir rapidamente. É claro que esta incrível missão continua a estimular-nos e a desafiar-nos, desenrolando-se de uma forma que seríamos incapazes de prever."

Como bónus, qualquer operação dos instrumentos do Philae até ao periélio, ou durante o mesmo, a 13 de agosto – o ponto de aproximação máxima do cometa ao Sol durante a sua órbita – irá permitir o estudo "in situ" de um cometa durante o seu pico de atividade.

Se o Philae tivesse pousado no local planeado, em Agilkia em novembro de 2014, a sua missão teria provavelmente acabado em março por causa das temperaturas mais altas naquele local, à medida que aumentava a iluminação.

O Philae é da responsabilidade de um consórcio liderado pela DLR, o Max Planck Institute for Solar System Research (MPS), o CNES e a Agência Espacial Italiana, ASI. Fez a primeira aterragem de sempre num cometa a 12 de novembro de 2014.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NewScientist
PHYSORG
Discovery News
Popular Science
Forbes
BBC News

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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ESA

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Philae (Wikipedia)

 
A MELHOR EVIDÊNCIA OBSERVACIONAL ATÉ À DATA DA PRIMEIRA GERAÇÃO DE ESTRELAS NO UNIVERSO
Esta impressão artística mostra CR7, uma galáxia muito distante que foi descoberta com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO. É de longe a galáxia mais brilhante encontrada até à data no Universo primordial e existem evidências fortes de que este objeto contém estrelas da primeira geração. Estas estrelas massivas e brilhantes, puramente teóricas até agora, foram as criadoras dos primeiros elementos pesados na história — os elementos necessários à formação das estrelas que nos rodeiam atualmente, os planetas que as orbitam e a vida tal como a conhecemos. A galáxia recentemente descoberta é três vezes mais brilhante do que a galáxia distante mais brilhante que era conhecida até agora.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO os astrónomos descobriram a galáxia mais brilhante observada até hoje no Universo primordial e encontraram evidências fortes de que este objeto contém estrelas de primeira geração. Estas estrelas massivas e brilhantes, puramente teóricas até agora, foram as criadoras dos primeiros elementos pesados na história — os elementos necessários à formação das estrelas que nos rodeiam atualmente, os planetas que as orbitam e a vida tal como a conhecemos. A galáxia recentemente descoberta chamada CR7 é três vezes mais brilhante do que a galáxia distante mais brilhante que era conhecida até agora.

Os astrónomos desenvolveram há muito a teoria da existência de uma primeira geração de estrelas - conhecidas por estrelas de População III — que teriam nascido do material primordial do Big Bang. Todos os elementos químicos mais pesados — como o oxigénio, azoto, carbono e ferro, que são essenciais à vida — formaram-se no interior das estrelas, o que significa que as primeiras estrelas se devem ter formado dos únicos elementos que existiam antes delas: hidrogénio, hélio e traços mínimos de lítio.

Estas estrelas de População III seriam enormes — várias centenas ou mesmo milhares de vezes mais massivas do que o Sol — extremamente quentes e transientes — e explodiriam sob a forma de supernovas após cerca de apenas dois milhões de anos. No entanto, e até agora, a busca de provas físicas da sua existência tinha-se revelado infrutífera.

Uma equipa liderada por David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade de Lisboa, e do Observatório de Leiden, Holanda, utilizou o VLT para observar o Universo primordial, no período conhecido por época da reionização, que ocorreu cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang. Em vez de fazer um estudo profundo e direcionado a uma pequena área do céu, a equipa alargou o seu foco de estudo produzindo o maior rastreio de galáxias muito distantes alguma vez obtido.

Este extenso estudo fez uso não apenas do VLT, mas também do Observatório W. M. Keck, do Telescópio Subaru e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A equipa descobriu — e confirmou — um número surpreendente de galáxias brilhantes muito jovens. Uma delas, chamada CR7 (o nome foi inspirado no jogador de futebol, Cristiano Ronaldo, que é conhecido por CR7), trata-se de um objeto excecionalmente raro, de longe a galáxia mais brilhante alguma vez observada nesta época do Universo. Com a descoberta de CR7 e outras galáxias brilhantes, o estudo era já um sucesso, no entanto investigação posterior produziu mais resultados ainda melhores.

Com o auxílio dos instrumentos X-shooter e SINFONI montados no VLT, a equipa encontrou forte emissão de hélio ionizado em CR7 mas — crucial e surpreendentemente — nenhum traço de elementos mais pesados no seio da galáxia brilhante, o que constitui uma forte evidência da existência de enxames de estrelas de População III com gás ionizado, no seio de uma galáxia do Universo primordial.

"A descoberta superou, desde o início, todas as nossas expectativas," disse David Sobral, "uma vez que não esperávamos encontrar uma galáxia tão brilhante. Seguidamente ao desvendarmos pouco a pouco a natureza de CR7, percebemos que não só tínhamos descoberto a galáxia distante mais brilhante conhecida até agora, como também que este objeto tinha todas as características que se esperam de estrelas de População III. Estas estrelas são as que formaram os primeiros átomos pesados que, em última análise, são os que nos permitem aqui estar. Este estudo revelou-se extremamente interessante."

No seio de CR7 encontraram-se tanto enxames de estrelas mais azuis como também alguns mais vermelhos, o que indica que a formação das estrelas de População III ocorreu de forma faseada — como se previa. O que a equipa observou de modo direto foi o último período de estrelas de População III formadas, sugerindo que tais estrelas devem ser mais fáceis de detetar do que o que se pensava anteriormente: estas estrelas encontram-se no meio de estrelas regulares, em galáxias mais brilhantes, e não apenas nas galáxias mais ténues, pequenas e precoces, as quais são tão ténues que se tornam extremamente difíceis de estudar.

Jorry Matthee, segundo autor do artigo científico que descreve estes resultados, conclui: "Sempre me perguntei de onde é que nós vimos. Mesmo quando era pequeno queria saber donde vinham os elementos químicos: o cálcio dos meus ossos, o carbono dos meus músculos, o ferro do meu sangue. Descobri que estes elementos foram formados inicialmente no início do Universo, pela primeira geração de estrelas. Com esta descoberta estamos a ver, de facto, tais objetos pela primeira vez."

Estão planeadas mais observações com o VLT, o ALMA e o Telescópio Espacial Hubble de modo a confirmar sem sombra de dúvidas que o que se observou são estrelas de População III e procurar e identificar outros exemplos.

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Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Artigo científico
Astronomy
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(e) Science News
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Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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Crédito: Michael MillerJimmy Walker
 
Esta bonita e brilhante galáxia espiral é Messier 64, muitas vezes chamada de Galáxia do Olho Negro ou Galáxia da Bela Adormecida devido à sua aparência de pálpebras pesadas em imagens telescópicas. M64 está a cerca de 17 milhões de anos-luz na constelação de Cabeleira de Berenice. Na verdade, "Galáxia do Olho Vermelho" podia também ser um nome apropriado nesta composição colorida. As enormes nuvens de poeira que obscurecem o lado mais próximo da região central de M64 estão entrelaçadas com o brilho avermelhado do hidrogénio associado com regiões de formação estelar. Mas não são as únicas características peculiares desta galáxia. As observações mostram que M64 é na realidade composta por dois sistemas de estrelas em contra rotação. Enquanto todas as estrelas de M64 rodam na mesma direção que o gás interestelar na região central da galáxia, o gás nas regiões exteriores, que se estende até mais ou menos 40.000 anos-luz, roda na direção oposta. O olho empoeirado e a rotação bizarra são provavelmente o resultado de uma fusão de duas galáxias diferentes que ocorreu há mil milhões de anos.
 

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