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Edição n.º 1179
26/06 a 29/06/2015
 
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26/06/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 26/06: 177.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1730 nascia Charles Messier.

Conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objetos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1824 nascia Lord Kelvin, físico irlandês bastante conhecido pelo desenvolvimento das bases do zero absoluto e da unidade de medição da temperatura que tem o seu nome.
Em 1973, morrem 9 pessoas no Cosmódromo de Plesetsk devido a uma explosão de um foguetão Cosmos 3-M.
Observações: Vénus e Júpiter estão agora separados por apenas 2,2º! Observe-os ao lusco-fusco, baixos a oeste. Se reparar, os planetas apontam para Régulo, mais para a esquerda e para cima. Com o passar dos dias, observe os planetas a aproximarem-se ainda mais, culminando no dia 30 a uma pequeníssima distância de 0,22º.

Dia 27/06: 178.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949 foi descoberto o asteroide Ícaro, com um telescópio de 48 polegadas que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteroide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância perial de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta.
Em 1982 era lançada a missão STS-4 do vaivém Columbia.

Em 2013, a NASA lança o IRIS, uma sonda para observar o Sol. 
Observações: Ocultação de Europa, entre as 19:52 e as 22:51.
Eclipse de Europa, entre as 21:42 e as 00:43 (já de dia 28).
Vénus e Júpiter estão hoje separados por 1,48º, baixos a oeste ao anoitecer.
Para sul, procure Saturno para baixo e para a esquerda da Lua. Espalhadas para a esquerda de Saturno, encontram-se as estrelas da constelação de Escorpião. A mais brilhante destas é a alaranjada Antares.

Dia 28/06: 179.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caem na Terra, perto de Alexandria, Egipto.

Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Em 2011, o Telescópio Espacial Hubble descobre outra lua em redor de Plutão, temporariamente denominada P4. A descoberta foi novamente verificada no dia 20 de julho do mesmo ano. O nome oficial da lua é agora Cérbero.
Observações: Cerca de 45 minutos antes do nascer-do-Sol, olhe para perto do horizonte a este-nordeste a fim de avistar Mercúrio. Consegue descobrir Aldebarã, piscando para a sua direita?
Tal como nos dias anteriores, observe Vénus e Júpiter cada vez mais pertos um do outro, desta vez a 1,15º.
Para sul, o planeta Saturno encontra-se agora mesmo abaixo da Lua.

Dia 29/06: 180.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1818, nascia Angelo Secchi, astrónomo italiano. Foi Diretor do Observatório da Universidade Gregoriana Pontifical durante 28 anos. Foi um pioneiro na espectroscopia astronómica, um dos primeiros cientistas a afirmar autoritariamente que o Sol era uma estrela.
Em 1868, nascia George Hale, astrónomo solar americano.

Foi quem sugeriu a Einstein (após este lhe ter perguntado) que a sua teoria da curvatura da luz devido à gravidade só poderia ser testada durante um eclipse solar total do Sol. 
Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1995, a missão STS-71 do vaivém Atlantis doca pela primeira vez com a estação espacial Mir
Observações: Vénus e Júpiter estão hoje separados por apenas 0,45º.
Ocultação de Io, entre as 20:02 e as 22:24.
A Lua forma um triângulo com Saturno (para a direita) e Antares (para baixo e um pouco para a direita da Lua).

 
CURIOSIDADES


A missão da sonda Rosetta foi prolongada até setembro de 2016. Durante esse tempo, conseguirá estudar o declínio de atividade do cometa à medida que este se afasta novamente do Sol. No final da missão, os controladores vão tentar aterrar a Rosetta à superfície do cometa 67P/C-G.

 
GALÁXIA GIGANTE AINDA ESTÁ A CRESCER
O enorme halo em torno da galáxia elíptica gigante Messier 87 pode ser visto nesta imagem muito profunda. Um excesso de radiação na região em cima à direita do halo e o movimento das nebulosas planetárias nesta galáxia, são os últimos sinais que restam de uma galáxia de tamanho médio que colidiu recentemente com M87. A imagem mostra também muitas outras galáxias que fazem parte do Enxame de Virgem, do qual Messier 87 é o membro maior. Em particular, as duas galáxias em cima à direita da imagem são chamadas “os Olhos".
Crédito: Chris Mihos (Universidade Case Western Reserve)/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Observações recentes obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO mostraram que a galáxia elíptica gigante Messier 87 engoliu uma galáxia inteira de tamanho médio no último milhar de milhões de anos. Uma equipa de astrónomos conseguiu pela primeira vez seguir o movimento de 300 nebulosas planetárias brilhantes, encontrando evidências claras deste evento e encontrando também excesso de radiação emitida pelos restos da vítima completamente desfeita.

Os astrónomos pensam que as galáxias crescem ao engolir galáxias mais pequenas. No entanto, evidências deste fenómeno não são fáceis de encontrar — tal como os restos da água de um copo lançada num lago se mistura com a água do lago, as estrelas da galáxia mais pequena misturam-se com as estrelas muito semelhantes da galáxia maior, não deixando qualquer traço.

Uma equipa de astrónomos liderada pela estudante de doutoramento Alessia Longonardi do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha, utilizou uma técnica observacional inteligente para mostrar que a nossa vizinha galáxia elíptica gigante Messier 87 se fundiu com uma galáxia mais pequena no último milhar de milhões de anos.

"Este resultado mostra de modo direto que as estruturas grandes e luminosas no Universo ainda estão a crescer de modo substancial — as galáxias ainda não estão prontas!" — diz Alessia Longobardi. "Uma grande parte do halo exterior de Messier 87 aparece-nos duas vezes mais brilhante do que seria de esperar se a colisão não tivesse ocorrido."

Messier 87 situa-se no centro do enxame de galáxias de Virgem. Trata-se de uma enorme bola de estrelas com um massa total de mais de um bilião de vezes a do Sol, localizada a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância.

Os pontos vermelhos e azuis marcam a posição das nebulosas planetárias cujo movimento revelou que M87 foi recentemente atingida por uma galáxia mais pequena, que foi completamente engolida por ela. Os objetos marcados a vermelho estão a afastar-se de nós, enquanto os azuis se aproximam (relativamente à galáxia como um todo).
Crédito: A. Longobardi (Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik)/C. Mihos (Universidade Case Western Reserve)/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em vez de tentarem ver todas as estrelas de Messier 87 — existem literalmente milhares de milhões destes objetos que, para além de serem muito ténues, são obviamente muito numerosos para poderem ser estudados de forma individual — a equipa observou nebulosas planetárias, as conchas luminosas em torno de estrelas envelhecidas. Uma vez que estes objetos brilham muito intensamente num tom específico de verde ultramarino, podemos facilmente distingui-los das estrelas circundantes. Observações cuidadas da radiação emitida por estas nebulosas usando um espectrógrafo potente podem também revelar os seus movimentos.

Tal como a água de um copo que deixa de se ver uma vez atirada a um lago — mas que pode causar ondas e outras perturbações passíveis de serem vistas se houver partículas de lama na água — os movimentos das nebulosas planetárias, medidos com o auxílio do espectrógrafo FLAMES montado no VLT, dão-nos pistas sobre a fusão que ocorreu.

"Estamos a assistir a um único evento de acreção recente, no qual uma galáxia de tamanho médio passou através do centro de M87 e, como consequência das enormes forças de maré, as suas estrelas dispersaram-se ao longo de uma região 100 vezes maior que a galáxia original!” acrescenta Ortwin Gerhard, chefe do grupo de dinâmica do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha, e coautor do novo estudo.

A equipa observou também de forma cuidada a distribuição da radiação nas regiões exteriores de Messier 87 e descobriu evidências de radiação adicional emitida pelas estrelas da galáxia mais pequena que se desfez. Estas observações mostraram igualmente que a galáxia desfeita trouxe estrelas mais jovens e azuis para M87, inferindo-se assim que esta galáxia seria antes da fusão, muito provavelmente, uma galáxia em espiral a formar estrelas.

"É muito interessante conseguir identificar estrelas que se encontram espalhadas por centenas de milhares de anos-luz no halo desta galáxia — e ainda conseguir inferir a partir das suas velocidades que pertencem a uma estrutura comum. As nebulosas planetárias verdes são as agulhas no palheiro das estrelas douradas. No entanto, estas 'agulhas' raras dão-nos pistas sobre o que aconteceu às estrelas," conclui a coautora Magda Arnaboldi (ESO, Garching, Alemanha).

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy & Astrophysics
PHYSORG

M87:
Wikipedia
SEDS.org

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
HUBBLE OBSERVA EXOPLANETA DO TAMANHO DE NEPTUNO QUE "SANGRA" ATMOSFERA
Esta impressão de artista mostra a enorme nuvem em forma de cometa que "sangra" do Neptuno quente, Gliese 436b, a apenas 30 anos-luz da Terra. A estrela hospedeira também está na imagem, uma ténue anã vermelha de nome Gliese 436. O hidrogénio está a evaporar do planeta devido à radiação extrema da estrela. Um fenómeno assim tão grande nunca tinha sido observado num exoplaneta deste tamanho.
Crédito: NASA, ESA, STScI e G. Bacon
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA descobriram uma imensa nuvem de hidrogénio dispersada por um planeta quente do tamanho de Neptuno em órbita de uma estrela próxima. A enorme cauda gasosa do planeta tem cerca de 50 vezes o tamanho da estrela-mãe. Os resultados foram publicados na edição de 24 de junho da revista Nature.

Um fenómeno assim tão grande nunca tinha sido observado antes em redor de um exoplaneta deste tamanho (já foram observados fenómenos parecidos mas em exoplanetas mais massivos). Pode proporcionar pistas de como as super-Terras - versões quentes e gigantes da Terra - nascem em torno de outras estrelas.

"Esta nuvem de hidrogénio é espetacular!" afirma David Ehrenreich do Observatório da Universidade de Genebra, na Suíça, autor principal do estudo. "Embora a taxa de evaporação não ameace, por agora, o planeta, nós sabemos que a estrela, uma ténue anã vermelha, já foi mais ativa no passado. Isto significa que a atmosfera do planeta evaporou-se mais depressa durante o primeiro milhar de milhão de anos da sua existência. No geral, estima-se que pode ter perdido até 10% da sua atmosfera."

O planeta, chamado Gliese 436b, é considerado um "Neptuno quente" porque é parecido em tamanho com Neptuno, mas está muito mais perto da sua estrela Gliese 436 do que Neptuno está do Sol. Embora, neste caso, o planeta não esteja em perigo de perder completamente a sua atmosfera - deixando apenas um núcleo sólido e rochoso - este comportamento pode explicar a existência das super-Terras quentes, que orbitam muito perto das suas estrelas e são normalmente mais massivas que a Terra, embora mais pequenas que as dezassete massas terrestres de Neptuno.

As super-Terras quentes podem ser os núcleos remanescentes de planetas mais massivos que perderam completamente as suas atmosferas espessas, devido ao mesmo género de evaporação que o Hubble observou em redor de Gliese 436b.

O gráfico mostra a vista polar do planeta Gliese 436b em torno da estrela-mãe. A cauda, tipo-cometa, é o resultado do rasgo da atmosfera. O exoplaneta situa-se a cerca de 4 milhões de quilómetros da estrela e completa uma órbita a cada 2,6 dias terrestres.
Crédito: NASA, ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Tendo em conta que a atmosfera da Terra bloqueia a maior parte da luz ultravioleta, os astrónomos precisaram de um telescópio espacial com a capacidade ultravioleta e precisão requintada do Hubble a fim de observar a nuvem. "Não teríamos sido capazes de a observar em comprimentos de onda visíveis," explica Ehrenreich. "Mas quando apontamos o olho ultravioleta do Hubble para este sistema, dá-se uma verdadeira transformação - o planeta altera-se para uma coisa monstruosa."

Ehrenreich e a sua equipa sugerem que a enorme nuvem de gás pode existir em torno deste planeta porque a nuvem não é rapidamente aquecida e varrida pela radiação da estrela anã vermelha, que é relativamente fria. Isto permite com que a nuvem fique por mais tempo.

Este género de evaporação pode também ter acontecido no passado do nosso Sistema Solar, quando a Terra tinha uma atmosfera rica em hidrogénio que se dissipou. Também é possível que aconteça novamente no final da vida do nosso planeta, quando o Sol inchar para se tornar numa gigante vermelha e ferver a nossa atmosfera restante, antes de engolir completamente o nosso planeta.

Gliese 436b reside muito próximo de Gliese 436 - apenas a cerca de 4 milhões de quilómetros de distância - e completa uma órbita em mais ou menos 2,6 dias terrestres. Este planeta tem, pelo menos, 6 mil milhões de anos, mas os astrónomos suspeitam que possa ser mais velho. Com aproximadamente o tamanho de Neptuno, tem uma massa que corresponde a mais ou menos 23 Terras. E a apenas 30 anos-luz da Terra, é um dos exoplanetas mais próximos que se conhecem.

"A descoberta da nuvem em redor de Gliese 436b pode mudar completamente o jogo da caracterização das atmosferas de toda a população de Neptunos e super-Terras em observações ultravioletas," comenta Vincent Bourrier, também do Observatório de Genebra na Suíça, coautor do estudo. Nos próximos anos, Bourrier espera que os astrónomos encontrem milhares de planetas deste género."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Hubblesite
Artigo científico
Impressão de artista de um trânsito de GJ 436b (ESA)
Nature
SPACE.com
EarthSky
science 2.0
(e) Science News
Astronomy Now
Forbes

Gliese 436b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Hubble:
Site dos 25 anos do Hubble 
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios

 
ÁGUA GELADA EXPOSTA, DETETADA À SUPERFÍCIE DO COMETA 67P/C-G
Exemplos de seis diferentes zonas brilhantes identificadas à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em imagens obtidas pela câmara OSIRIS a bordo da Rosetta. As inserções apontam para as regiões onde se encontram (não para os locais em específico). No total, foram identificadas 120 zonas brilhantes, incluindo agrupamentos de características brilhantes, características isoladas e pedregulhos individuais, através de imagens obtidas no mês de setembro de 2014, quando a Rosetta estava a 20-50 km do centro do cometa.
À esquerda, temos um pedregulho com gelo em Hatmehit (topo), um conjunto de características geladas em Imhotep (meio) e um outro conjunto em Khepry (baixo). À direita, um agrupamento em Anuket (topo), uma características brilhante em Imhotep (meio) e um outro agrupamento perto do limite Khepry-Imhotep (baixo).
As imagens a cores falsas são composições RGB a partir de imagens monocromáticas obtidas a diferentes alturas e foram ampliadas e ligeiramente saturadas para enfatizar os contrastes de cor, tais como os terrenos escuros mais avermelhados e regiões brilhantes mais azuladas em comparação com o que o olho humano consegue normalmente ver. Esta técnica permite com que os cientistas determinem mais sobre a natureza do material; neste caso, o tom azul indica a presença de gelo.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando a câmara científica de alta-resolução a bordo da sonda Rosetta da ESA, os cientistas identificaram mais uma centena de zonas de água gelada com poucos metros de tamanho à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

A Rosetta chegou ao cometa em agosto de 2014 a uma distância de aproximadamente 100 km e eventualmente orbitou a 10 km ou menos, permitindo a obtenção de imagens de alta-resolução da superfície.

Um novo estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics centra-se na análise de manchas brilhantes de gelo exposto à superfície do cometa.

Com base em observações do gás expelido pelos cometas, sabemos que são ricos em gelos. À medida que se aproximam do Sol, as suas superfícies são aquecidas e os gelos sublimam em gás, que flui para longe do núcleo, arrastando com ele partículas de poeira embebidas no gelo para formar a cabeleira e a cauda.

Mas certa parte das poeiras dos cometas permanecem à superfície, à medida que o gelo sublima por baixo, ou caem de volta para o núcleo noutros locais, revestindo-o com uma fina camada de poeira e deixando muito pouco gelo diretamente exposto à superfície. Estes processos ajudam a explicar porque é que o 67P/Churyumov-Gerasimenko e outros cometas observados em missões anteriores são tão escuros.

Apesar disso, os instrumentos da Rosetta já detetaram uma variedade de gases, incluindo vapor de água, monóxido e dióxido de carbono, que se pensa serem originários de reservatórios gelados por baixo da superfície.

Agora, usando imagens capturadas pela câmara OSIRIS da Rosetta no passado mês de setembro, os cientistas identificaram 120 regiões à superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko que são até dez vezes mais brilhantes que o brilho médio da superfície.

Exemplo de um agrupamento de manchas brilhantes na região Khepry (topo) e de um pedregulho individual com zonas brilhantes à superfície da região Hatmehit (baixo). Pensa-se que seja água gelada exposta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Algumas destas características brilhantes encontram-se em agrupamentos, enquanto outras parecem estar isoladas e, quando observadas em alta-resolução, muitas parecem ser pedregulhos que exibem manchas brilhantes à superfície.

Os agrupamentos brilhantes, que consistem de algumas dezenas de pedregulhos com um metro de comprimento espalhados por várias dezenas de metros, são normalmente encontrados em campos de detritos na base de penhascos. São provavelmente o resultado de erosão recente ou do colapso da parede do rochedo que revela material mais fresco por baixo da superfície coberta por poeira.

Em contraste, alguns dos objetos brilhantes isolados encontram-se em regiões sem qualquer relação aparente com o terreno circundante. Pensa-se que sejam objetos originários de outras partes do cometa levantados durante um período de atividade cometária, mas com velocidade insuficiente para escapar completamente à atração gravitacional do cometa.

Mesmo assim, em todos os casos as manchas brilhantes foram descobertas em áreas que recebem relativamente pouca energia solar, tais como à sombra de um penhasco, e não foram observadas alterações significativas entre imagens capturadas ao longo de um período de um mês. Além disso, parecem ser mais azuis em comprimentos de onda visíveis, em comparação com o fundo mais avermelhado, consistentes com um componente gelado.

"A água gelada é a explicação mais plausível para a ocorrência e propriedades destas características," afirma Antoine Pommerol da Universidade de Berna e o autor principal do estudo.

"À altura das nossas observações, o cometa estava ainda de tal forma longe do Sol que a velocidade de sublimação da água gelada era inferior a 1 mm por hora de energia solar incidente. Em contraste, se os elementos expostos fossem gelos de dióxido ou monóxido de carbono, a sublimação seria mais rápida quando iluminada pela mesma quantidade de luz solar. Assim sendo, não esperaríamos observar esses tipos de gelo estáveis à superfície durante tais momentos."

Exemplos de zonas de gelo no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko durante setembro de 2014.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa virou-se também para experiências de laboratório que testaram o comportamento da mistura de água gelada com diferentes minerais sob iluminação solar simulada a fim de recolher mais informações sobre o processo. Eles descobriram, depois de algumas horas de sublimação, a formação de um manto de poeira escura com apenas alguns milímetros de espessura. Em certos lugares, o manto tapou completamente quaisquer traços visíveis do gelo mas, ocasionalmente, grãos maiores ou pedaços de poeira subiam à superfície e mudavam-se para outro lugar, expondo manchas brilhantes de água gelada.

"Uma camada de poeira escura com 1 mm de espessura é suficiente para esconder as camadas geladas dos instrumentos óticos," confirma Holger Sierks, investigador principal do OSIRIS no Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar em Gotinga, Alemanha.

"A superfície relativamente escura e homogénea do núcleo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, pontuada por apenas algumas manchas brilhantes à escala de metros, pode ser explicada pela presença de uma fina camada de poeira composta por minerais refratários e matéria orgânica, os pontos brilhantes correspondendo a áreas onde o manto de poeira foi removido, revelando por baixo uma subsuperfície rica em água gelada."

A equipa também especula acerca do momento da formação das manchas de gelo. Uma hipótese é que foram formadas durante o último periélio do cometa (menor distância ao Sol), há 6,5 anos atrás, quando blocos de gelo foram expulsos para regiões permanentemente à sombra, preservando-os durante vários anos abaixo da temperatura necessária para a sublimação.

Outra ideia é que, mesmo a relativamente grandes distâncias do Sol, a atividade do dióxido de carbono e monóxido de carbono pode projetar blocos de gelo. Neste cenário, presume-se que a temperatura não era ainda suficientemente elevada para a sublimação da água, de tal modo que os componentes ricos em água gelada sobrevivem a quaisquer gelos de dióxido ou monóxido de carbono.

"À medida que o cometa continua a aproximar-se do periélio, o aumento da iluminação solar sobre as manchas brilhantes uma vez à sombra poderá provocar mudanças na sua aparência, e podemos esperar ver novas e até mesmo maiores de regiões de gelo exposto," afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

"A combinação das observações da câmara OSIRIS, feitas antes e depois da passagem pelo periélio, com outros instrumentos, irá fornecer informações valiosas sobre o que estimula a formação e evolução de tais regiões."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
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JPL/NASA (comunicado de imprensa)
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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ESA

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Philae (Wikipedia)

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Sharpless 308: Bolha Estelar
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Kfir Simon
 
Formada por ventos velozes oriundos de uma estrela quente e massiva, esta bolha cósmica é enorme. Catalogada como Sharpless 2-308, está situada a cerca de 5200 anos-luz de distância na direção da constelação de Cão Maior e cobre, no céu, uma área ligeiramente superior à área da Lua Cheia. Isto corresponde, à sua distância estimada, a um diâmetro de 60 anos-luz. A estrela gigante que criou a bolha, uma estrela Wolf-Rayet, é o ponto brilhante perto do centro da nebulosa. As estrelas Wolf-Rayet têm mais de 20 vezes a massa do Sol e pensa-se que se encontrem numa fase breve e anterior à fase de supernova. Os rápidos ventos desta estrela Wolf-Rayet criam a nebulosa com a forma de bolha à medida que varrem o material mais lento de uma fase passada da evolução da estrela. A nebulosa tem uma idade que ronda os 70.000 anos. A relativamente fraca emissão capturada nesta imagem é dominada pelo brilho dos átomos ionizados de oxigénio, mapeados em tons de azul.
 

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