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Edição n.º 1181
03/07 a 06/07/2015
 
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10/07/15 - OBSERVAÇÃO NOTURNA
20:30 – 22:30 - Observação noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável)
Local: Hotel Vila Galé Albacora - Tavira

31/07/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 03/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, ocorre a maior explosão na história dos foguetões quando o soviético Soyuz N-1 (5L) explode e subsequentemente destroi a sua plataforma de lançamento. Esta é também uma das maiores explosões artificiais não-nucleares da História da Humanidade.
Em 2006, o asteroide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações: Vénus e Júpiter estão agora separados por 1,2º a oeste ao anoitecer, distância esta que aumenta a cada dia que passa. Júpiter está à direita.

Dia 04/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Ficou visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.

Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão. 
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider).
Observações: Vénus e Júpiter ainda formam um esplêndido par, baixos a oeste. Régulo está para cima e para a esquerda. As duas estrelas mais brilhantes do verão, Arcturo e Vega, estão a sudoeste e a este, respetivamente.
Ocultação de Io, entre as 22:38 e as 01:38 (já de dia 5).

Dia 05/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Observações: Mais de 2º separam agora Vénus e Júpiter.

Dia 06/07: 187.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, o radar planetário de Yevpatoria com 70 metros, envia uma mensagem METI para 5 estrelas: Hip 4872HD 24540955 CancriHD 10307 e 47 Ursae Majoris, que chegará em 2036, 2040, 2044 e 2049, respetivamente.

Observações: Plutão em oposição, pelas 17 horas.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 19:15 e as 22:09.
Ocultação de Io, entre as 22:02 e as 00:24 (já de dia 7).
Eclipse de Io, entre as 22:49 e as 01:11 (já de dia 7).

 
CURIOSIDADES


A viagem da New Horizons até Plutão (4,76 mil milhões de quilómetros), é equivalente a quase 32 viagens entre a Terra e o Sol.

 
PLUTÃO A CORES. TEM MANCHAS, METANO E, QUEM SABE, NUVENS
Os dois hemisférios de Plutão, quase a cores reais.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novas imagens a cores da sonda New Horizons mostram duas faces muito diferentes do misterioso planeta, uma com uma série de manchas intrigantes ao longo do equador, uniformemente espaçadas. Cada das manchas mede cerca de 480 km em diâmetro.

Os cientistas ainda não viram nada como estas manchas escuras; a sua presença tem despertado o interesse da equipa científica da New Horizons, devido à notável consistência do seu espaçamento e tamanho. Apesar da origem das manchas permanecer, por enquanto, um mistério, a resposta poderá ser revelada à medida que a sonda continua a aproximar-se de Plutão. "É um verdadeiro quebra-cabeças - não sabemos o que são, mas estamos ansiosos por descobrir," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons e do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado. "Também intrigante é a dramática diferença nas cores e aparência de Plutão em relação à sua lua mais escura e cinzenta, Caronte."

Os membros da equipa da New Horizons combinaram imagens a preto-e-branco de Plutão e Caronte, obtidas pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) da sonda, com dados de cor e de baixa-resolução do instrumento Ralph para produzir estas imagens. Vemos o planeta e a sua maior lua aproximadamente em cores reais, isto é, como apareceriam se estivéssemos a bordo da New Horizons.

Novas imagens a cores obtidas pela sonda New Horizons da NASA mostram duas faces muito diferentes do misterioso planeta anão, um com uma série de manchas ao longo do equador uniformemente espaçadas.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Caminho até Plutão parece seguro

Os cientistas da missão têm usado o instrumento LORRI para procurar perigos, como pequenas luas, anéis ou poeira, desde meados de Maio. A decisão de manter a sonda no seu percurso original ou adotar uma outra trajetória mais segura, teve que ser tomada esta semana, pois a última oportunidade para manobrar a New Horizons até uma trajetória alternativa termina dia 4 de julho.

"A não descoberta de luas novas ou de anéis é um pouco surpreendente para a maioria de nós," afirma Alan Stern, investigador principal da sonda. "Mas, como resultado, não precisamos de nos desviar de potenciais perigos. Estamos prontos para as melhores trajetórias planeadas do encontro com Plutão."

Instrumento "Alice" treina para observações do nascer e pôr-do-Sol na atmosfera de Plutão

A New Horizons fez uma observação crítica em preparação para as observações da ténue atmosfera de Plutão. Apenas algumas horas após o "flyby" por Plutão no dia 14 de julho, a sonda observará luz solar passando pela atmosfera do planeta anão, a fim de ajudar os cientistas a determinar a composição da atmosfera. "Vai ser como se a parte de trás de Plutão ficasse iluminada por uma lâmpada de um bilião de watts," afirma Randy Gladstone, cientista da New Horizons e do Instituto de Pesquisa do Sudoeste. No dia 16 de junho, o espectrógrafo Alice realizou com sucesso uma observação de teste do Sol, a cerca de 5 mil milhões de quilómetros de distância, que será usada para interpretar as observações de 14 de julho.

Metano em Plutão

Sim, há metano em Plutão, mas não, não vem das vacas. O espectrómetro infravermelho a bordo da sonda New Horizons da NASA detetou metano gelado à superfície de Plutão; os astrónomos, cá na Terra, detetaram pela primeira vez o elemento químico em Plutão em 1976.

"Nós já sabíamos que havia metano em Plutão, mas estas são as nossas primeiras deteções," afirma Will Grundy, da equipa da New Horizons e do Observatório Lowell em Flagstaff, no estado americano do Arizona. "Em breve vamos saber se existem diferenças na presença de metano gelado nos vários locais do planeta."

A localização do instrumento Ralpha da New Horizons, que detetou metano em Plutão. A inserção é uma imagem a cores falsas de Plutão no infravermelha; o tom rosa indica a presença de metano à superfície do planeta anão.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O metano (fórmula química CH4) é um gás inodoro e incolor que está presente no subsolo e na atmosfera da Terra. Em Plutão, o metano pode ser primordial, herdado da nebulosa solar a partir da qual o Sistema Solar se formou há 4,5 mil milhões de anos atrás. O metano foi originalmente detetado à superfície de Plutão por uma equipa de astrónomos liderados por Dale Cruikshank, atualmente da equipa New Horizons e do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Mountain View, Califórnia.

Instrumentos preparam a busca de nuvens na atmosfera de Plutão

Se Plutão tem nuvens, a New Horizons conseguirá detetá-las. Tanto o LORRI como o Ralph serão usados para procurar nuvens na face de Plutão durante a aproximação e partida do planeta. "Estaremos à procura de nuvens nas nossas imagens, utilizando uma série de técnicas," afirma Kelsi Singer, da equipa científica e do Instituto de Pesquisa do Sudoeste. "Se encontrarmos nuvens, a sua presença permitir-nos-á determinar as velocidades e direções dos ventos de Plutão."

Instrumento PEPSSI prova atmosfera de Plutão

O instrumento PEPSSI (Pluto Energetic Particle Spectrometer Science Investigation) a bordo da New Horizons está a enviar dados diariamente enquanto estuda o ambiente espacial perto de Plutão. O PEPSSI está desenhado para detetar iões (átomos que perderam ou ganharam um ou mais eletrões) que escaparam da atmosfera de Plutão. À medida que fogem, estes átomos ficam presos no vento solar, o fluxo de partículas subatómicas emanado pelo Sol. A função do PEPSSI é informar os cientistas acerca da composição do escape atmosférico de Plutão e a sua velocidade.

A New Horizons está agora a menos de 15 milhões de quilómetros do sistema de Plutão. Está de boa saúde e todos os sistemas estão a operar normalmente.

Este pequeno filme foi feito a partir de imagens obtidas pelo instrumento LORRI a bordo da New Horizons entre os dias 28 de maio de 25 de junho de 2015. Durante esse tempo, a distância até Plutão diminuiu quase três vezes, de 56 milhões de quilómetros para 22 milhões de quilómetros. As imagens mostram Plutão e a sua maior lua, Caronte, a crescer em tamanho aparente enquanto a New Horizons se aproxima. À medida que gira, Plutão apresenta uma superfície contrastante dominada por um hemisfério norte brilhante com uma faixa descontinuada de material mais escuro no equador. Caronte tem uma região polar escura e existem indícios de variações de brilho a latitudes mais baixas.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste
(clique na imagem para ver versão maior)
 

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Sistema de Plutão:
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DEPRESSÕES NO COMETA 67P/C-G PRODUZEM JATOS
Esquerda: foram identificadas 18 cavidades em imagens do hemisfério norte do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko obtidas pela câmara OSIRIS da Rosetta. As fossas têm o nome da região onde foram encontradas e algumas delas estão ativas. A imagem de contexto foi obtida no dia 3 de agosto de 2014 a uma distância de 285 km.
Meio, topo: ampliação do buraco ativo denominado Seth_01 que revela pequenos jatos emanados a partir das paredes interiores. Também mostra a estrutura interna e complexa do cometa. A imagem foi capturada no dia 20 de outubro de 2014 a uma distância de 7 km da superfície do cometa. Seth_01 mede cerca de 220 metros em diâmetro.
Direita, topo: imagem contextual que mostra as estruturas finas dos jatos cometários a partir de 28 km da superfície, capturada no dia 22 de novembro de 2014. Ambas as imagens têm contraste modificado a fim de ver a atividade com mais detalhe. Os poços ativos neste estudo correspondem a uma pequena fração da atividade observada.
Direita, baixo: como as cavidades podem ser formadas através de colapso. 1. O calor faz com que o gelo à subsuperfície sublime (setas azuis), formando uma cavidade (2). Quando o teto fica demasiado fraco para suportar o seu próprio peso, colapsa, criando um buraco profundo e circular (3, seta vermelha). O material recém-exposto sublima, correspondendo à atividade observada (3, setas azuis).
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; gráfico por J-B Vincent et al (2015)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um certo número dos jatos de poeira que emergem do cometa da Rosetta podem ser traçados até poços ativos que provavelmente foram formados pelo colapso repentino da superfície. Estes "buracos" estão a fornecer um vislumbre do interior caótico e diverso do cometa.

A Rosetta tem vindo a estudar a atividade do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko há mais de um ano, observando como o seu halo de poeira e gás cresce à medida que o cometa se aproxima do Sol.

A partir de uma distância de algumas centenas de quilómetros, a Rosetta observa um padrão intricado de jatos de poeira emitidos do núcleo à medida que fogem para o espaço. Mas agora, graças a imagens de alta-resolução da câmara OSIRIS obtidas no ano passado a apenas 10-30 km do centro do cometa, pelo menos alguns destes jatos de poeira podem ser seguidos até locais específicos à superfície, a primeira observação do género.

Num estudo anunciado anteontem na revista Nature, foram identificados 18 poços quási-circulares no hemisfério norte do cometa, alguns dos quais são fonte de atividade contínua.

Imagem de alta-resolução das regiões ativas em Seth, obtida no dia 20 de setembro de 2014 a 26 km da superfície. A cavidade Seth_01 está perto do centro e mede cerca de 220 metros de diâmetro e 185 de profundidade. A imagem também mostra Seth_02 e Seth_03 no "topo" de Seth_01, e Seth_04 e Seth_05 "por baixo". A imagem não foi manipulada para revelar os jatos da atividade, foca-se ao invés na rica diversidade da geologia cometária, tanto nas regiões ativas como nos arredores.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estas depressões têm entre algumas dezenas e centenas de metros em diâmetro e estendem-se até 210 metros abaixo da superfície para um chão coberto por poeira macia. Observou-se material a sair dos buracos mais ativos.

"Vemos jatos decorrentes das áreas fraturadas das paredes internas dos buracos. Estas fraturas contêm materiais voláteis presos sob a superfície que podem ser aquecidos mais facilmente e, posteriormente, escapam para o espaço," afirma Jean-Baptiste Vincent do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, autor principal do estudo.

Os cientistas que analisam as imagens pensam que os poços são formados quando o teto de uma cavidade à subsuperfície torna-se demasiado fino para suportar o seu próprio peso e acaba por colapsar, formando uma fossa. Isto expõe o interior fraturado do cometa, permitindo que o material, de outra forma escondido, sublime, continuando assim a corroer o buraco com o passar do tempo.

Depressões ativas detetadas na região Seth do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko que podem ser vistas na secção à direita desta imagem obtida pela câmara OSIRIS da Rosetta. A maior, Seth_01, mede 220 metros de diâmetro e 185 de profundidade. Seth_02 e Seth_03 estão situadas imeditamente para a esquerda e medem 110 e 140 metros em diâmetro, respetivamente. O contraste foi deliberadamente exagerado para revelar os detalhes dos jatos finos contra a sombra dos buracos, que são interpretados como correntes de poeira que surgem das paredes das fossas. A imagem foi obtida no dia 20 de outubro de 2014 a 7 km da superfície.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Embora nós pensemos que o colapso que produz o buraco seja súbito, a cavidade no subsolo poroso pode crescer ao longo de períodos muito mais longos," afirma Sebastien Besse, do Centro técnico ESTEC da ESA, na Holanda, coautor do estudo.

Os autores sugerem três cenários possíveis para a formação dos buracos.

O primeiro, é que já existiam desde a formação do cometa, como resultado de colisões a baixa velocidade entre os blocos primordiais de construção com dezenas e centenas de metros em tamanho. O desabamento do teto, acima de um vazio, pode ser despoletado através do enfraquecimento da superfície, talvez por sublimação, agitação sísmica ou pelo impacto de pedregulhos expelidos de outros lugares do cometa.

Outra hipótese, é que se trata de sublimação direta de bolsas de gelos voláteis como dióxido e monóxido de carbono abaixo da superfície, aquecidos pelo calor da luz solar que penetra a camada superior de poeira.

Alternativamente, a sublimação pode ser impulsionada pela energia libertada por água gelada que muda de um estado físico amorfo para cristalino, sublimando gelos vizinhos mais voláteis como o dióxido de carbono e monóxido de carbono.

Caso o "culpado" seja qualquer dos dois últimos processos, então o facto de que as fossas não são vistas em todos os locais pode indicar uma distribuição desigual de gelos no interior do cometa.

"Independentemente dos processos que criam as cavidades, estas características mostram-nos que existem grandes diferenças estruturais e/ou composicionais dentro das primeiras centenas de metros da superfície do cometa e que as cavidades revelam materiais relativamente não transformados que, caso contrário, não seriam visíveis," explica Sebastien.

Os autores observam que as características internas reveladas nas paredes dos buracos variam significativamente de poço para poço, e incluem materiais fraturados e "terraços", camadas horizontais e estrias verticais, e/ou estruturas globulares apelidadas de "goosebumps" (em português, arrepios).

"Nós pensamos ser capazes de usar as aberturas para caracterizar as idades relativas da superfície do cometa: quantas mais fossas existirem numa região, mais jovem e menos processada é a superfície," observa Jean-Baptiste.

"Isto é confirmado por observações recentes do hemisfério sul: este hemisfério está mais transformado porque recebe significativamente mais energia que o hemisfério norte e parece não apresentar estruturas semelhantes."

As cavidades Ma'at 1, 2 e 3 no Cometa 67P/C-G mostram diferenças em aparência que podem refletir a história da sua atividade. As primeiras duas estão ativas e não houve deteção de atividade na terceira. Os buracos jovens e ativos são particularmente íngremes e aqueles sem atividade são mais rasos e parecem estar cobertos com poeira. Os de meia-idade tendem a exibir pedregulhos no chão, caídos das paredes. A imagem foi obtida com a câmara OSIRIS da Rosetta a 28 km da superfície. Da esquerda para a direita, as cavidades medem 125, 130 e 140 metros em diâmetro, e 65, 60 e 50 metros de profundidade, respetivamente.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As cavidades ativas são particularmente íngremes, enquanto os buracos sem atividade observada são mais rasos e, em vez disso, podem indicar regiões ativas mas no passado. A equipa sugere que os buracos ativos são os mais jovens, enquanto os de meia-idade têm pedregulhos no chão que caíram dos lados. Entretanto, os mais antigos têm orlas deterioradas e estão recheados de poeira.

"Estamos a continuar a analisar as nossas observações para ver se esta teoria é verdadeira e se esta 'série temporal' está, por exemplo, relacionada com a evolução térmica e interna do cometa," comenta Sebastien.

"Mas achamos que a maioria das depressões ativas já devem ter estado presentes durante várias órbitas em torno do Sol, caso contrário esperávamos ver uma série de surtos à medida que os seus colapsos eram provocados durante a órbita atual."

A Rosetta testemunhou um surto durante a sua aproximação ao cometa em abril de 2014, que se pensa ter gerado entre 1000 e 100.000 kg de material. Os autores afirmam que a origem deste surto poderá ter sido o colapso de uma cavidade, mas apenas uma pequena fração do volume total de uma cavidade normal foi libertada nessa altura.

Por exemplo, tendo em conta a densidade média medida no cometa, 470 kg por metro cúbico, a rápida evacuação de um típico buraco com 140 metros de largura e 140 metros de profundidade resultaria na libertação de aproximadamente mil milhões de kg de material, várias ordens de magnitude maiores do que o observado em abril de 2014.

"Nós estamos muito interessados em ver como estes poços ativos evoluem e, quem sabe, possamos testemunhar a formação de um novo poço," afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

"Ser capaz de observar mudanças no cometa, em particular ligando a atividade com características à superfície, é uma capacidade fundamental da Rosetta e ajudar-nos-á a melhor compreender como o interior e a superfície do cometa têm evoluído desde a sua formação."

"E com a extensão da missão até setembro de 2016, podemos fazer o melhor trabalho possível em desvendar como os cometas funcionam."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Vénus e Júpiter, Comparados com a Lua
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Quem fez a imagem
 
No passado dia 30 de junho, Vénus e Júpiter estavam bastante próximos um do outro ao anoitecer. Perto da culminação da maravilhosa conjunção deste ano, os dois planetas brilhantes foram fotografados no mesmo campo de visão telescópica a partir de Pequim, China. À medida que os dois planetas desciam para trás do horizonte a oeste, uma Lua quase Cheia nascia a sudeste. Fotografada com o mesmo telescópio e com a mesma câmara, a Lua que nasce quase na direção oposta à de Vénus e Júpiter está aqui na imagem digitalmente modificada para efeitos de comparação. O disco lunar total cobre um ângulo de aproximadamente meio grau no céu. O crescente de Vénus e as quatro luas galileanas de Júpiter são visíveis tanto em binóculos como em telescópios pequenos. Vénus e Júpiter ainda estão perto um do outro.
 

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