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Edição n.º 1543
21/12 a 24/12/2018
 
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21/12/18 - Palestra - O COMETA DO SOLSTÍCIO + Sessão de observação às estrelas
21:30 - Inscreva-se para poder vir observar o cometa 46P/Wirtanen na noite mais longa* do ano.
A observação com telescópio está sujeita às condições meteorológicas próprias.
(* - por 2 segundos)
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. AndersJames A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.

Esta missão teve como objetivo alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Em 2015, a SpaceX faz história, tornando-se na primeira companhia a fazer regressar, com sucesso, o estágio de um veícullo de lançamento orbital à Terra para uma aterragem propulsiva numa plataforma de aterragem terrestre. 
Observações: Solstício de inverno, pelas 22:23.
A Lua, quase Cheia esta noite, forma um triângulo quase isósceles com Aldebarã para cima e para a direita e com Betelgeuse para baixo e para a direita. Aldebarã é alaranjada, uma gigante de classe K5 a 65 anos-luz de distância. Betelgeuse tem também tom laranja, mas é uma supergigante de classe M1 ligeiramente menos quente aproximadamente 10 vezes mais longínqua.

Dia 22/12: 356.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, o asteroide 323 Brucia torna-se no primeiro asteroide descoberto usando astrofotografia.
Em 2015, a SpaceX aterra o primeiro estágio de um foguetão Falcon 9 no solo, depois de alcançar baixa órbita terrestre às 01:40 UTC pela primeira vez na história.

Observações: Lua Cheia, pelas 17:49. Perto do perigeu, encontra-se entre os pés da figura de Castor (Gémeos) e a ténue moca de Orionte. Mais para a esquerda da Lua, ou para baixo e para a esquerda, estão Castor e Pollux. Mais para a direita ou para baixo e para a direita da Lua está Orionte, a sua cintura quase na vertical.
A Lua Cheia de dezembro sobe mais alto no céu a meio da noite do que em qualquer outro mês (para observadores no hemisfério norte).

Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia

Observações: Com a chegada do Inverno, o Grande Quadrado de Pégaso está novamente apoiado sob um canto após a hora de jantar, agora descendo para o lado ocidental do céu. A linha principal de estrelas de Andrómeda prolonga-se desde o seu canto de topo.
A Lua encontra-se para a direita de Pollux e Castor.

Dia 24/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1761 nascia Jean-Louis Pons, astrónomo francês, o maior descobridor visual de cometas: entre 1801 e 1827, descobriu 37 cometas, mais do que qualquer pessoa na História.
Em 1818, nascia James Prescott Joule, físico inglês que estudou a natureza do calor e descobriu a sua relação com a mecânica. Isto levou à lei da conservação da energia, o que por sua vez levou ao desenvolvimento da primeira lei da termodinâmica. A unidade SI da energia, joule, tem o seu nome.
Em 1968, os astronautas da Apollo 8 tornam-se nos primeiros humanos a entrar em órbita da Lua.

Completam 10 órbitas lunares e enviam imagens televisivas que se tornam na famosa transmissão de Véspera de Natal, um dos programas mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro foguetão europeu Ariane.
Observações: Esta é a altura do ano em que Orionte brilha a este-sudeste depois da hora de jantar. A constelação está agora bem alta, mas a sua Cintura de três estrelas está ainda quase na vertical. A Cintura aponta para cima em direção a Aldebarã e, ainda mais alto, para as Plêiades. Na outra direção, aponta para baixo até onde Sirius nasce, piscando furiosamente.
Aproveite esta noite de Consoada para observar o planeta Marte, alto a sul-sudoeste depois do anoitecer.

 
CURIOSIDADES

As estações em Vénus são quase impercetíveis. Vénus não tem verões mais quentes nem invernos mais frios como a Terra. Tem a mesma temperatura média de 462º C, quer seja no equador quer seja nos pólos. E esta temperatura não muda muito quer seja dia quer seja noite. A única variação significativa de temperatura ocorre consoante a altitude.
 
NEW HORIZONS NA TRAJETÓRIA IDEAL EM DIREÇÃO A ULTIMA THULE
Esta imagem mostra a posição da New Horizons no dia 18 de dezembro. O segmento verde da linha mostra a viagem da sonda desde o seu lançamento; o vermelho indica o seu percurso futuro.
Crédito: Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Sem perigos aparentes a caminho, a sonda New Horizons da NASA recebeu o sinal positivo para permanecer na trajetória ideal até Ultima Thule, à medida que se aproxima do "flyby", dia 1 de janeiro, pelo objeto da Cintura de Kuiper situado a mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão - a passagem rasante mais distante da história.

Depois de quase três semanas de buscas sensíveis por anéis, pequenas luas e outros potenciais riscos em torno do objeto, Alan Stern, o investigador principal da New Horizons, deu o "all clear" para a sonda permanecer no caminho que a leva a cerca de 3500 quilómetros de Ultima, em vez de um desvio evitando perigos que a teria empurrado para três vezes mais longe. Viajando a 50.700 km/h, uma partícula tão pequena quanto um grão de arroz seria letal para a sonda com o tamanho de um piano.

A equipa de observação de perigos, com uma dúzia de membros, tem usado a câmara telescópica mais poderosa da New Horizons, o instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), para procurar possíveis perigos. A decisão de manter a New Horizons na sua trajetória original, ou de a desviar para um "flyby" mais distante, que teria produzido dados menos detalhados, teve que ser feita esta semana, uma vez que a última oportunidade de manobrar a sonda para outra trajetória era dia 18 de dezembro.

A New Horizons formou a sua equipa de vigilância de perigos em 2011 para preparar a passagem por Plutão, abordando as preocupações de que as recém-descobertas luas pequenas de Plutão pudessem espalhar detritos perigosos pelo percurso da sonda. Uma pesquisa intensa não revelou nenhum risco potencial para a missão; a equipa optou pelo plano de voo original e a New Horizons realizou em julho de 2015, e em segurança, a sua exploração histórica do sistema de Plutão.

Este ano, a equipa de observação de perigos tem realizado análises semelhantes para a passagem por Ultima Thule, oficialmente designado 2014 MU69. Qualquer estrutura em forma de anel, refletindo apenas 0,5 milionésimos de luz solar que incidia sobre si, teria sido visível nas imagens, assim como quaisquer luas com mais de 3 km de diâmetro, mas a equipa não viu nenhuma. Os cientistas vão continuar a procurar anéis ou luas que estejam muito próximas de Ultima, mas esses objetos não representam um perigo.

"A nossa equipa sente-se como se estivesse a viajar com a nave, como se fôssemos marinheiros empoleirados no cesto da gávea de um navio, à procura de perigos," comenta o líder da equipa de perigos, Mark Showalter, do Instituto SETI. "A equipa estava em completo consenso de que a sonda deveria permanecer na trajetória mais próxima, e a liderança da missão aceitou a nossa recomendação."

"A sonda tem agora um percurso ideal, mais de três vezes mais próxima do que quando passou por Plutão," acrescenta Stern. "Ultima, aqui vamos nós!"

A New Horizons fará a sua histórica aproximação a Ultima Thule às 05:33 de dia 1 de janeiro (hora portuguesa) - o primeiro "flyby" por um objeto da Cintura de Kuiper.

Links:

Cobertura da secção 2014 MU69 da missão New Horizons pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
31/08/2018 - Às portas de Ultima Thule: New Horizons faz primeira deteção do seu próximo alvo de "flyby"
16/03/2018 - New Horizons escolhe alcunha para alvo do "flyby"
13/02/2018 - New Horizons captura imagens recorde na Cintura de Kuiper
15/12/2017 - Será que o próximo alvo da New Horizons tem uma lua?
08/08/2017 - Próximo alvo da New Horizons acaba de ficar muito mais interessante
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"

Notícias relacionadas:
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Astronomy Now
ScienceNews
Science alert
PHYSORG
Popular Mechanics
Gizmodo
BBC News

Ultima Thule (2014 MU69):
Wikipedia 
NASA

New Horizons:
Página oficial
NASA
Twitter
Wikipedia

 
INSIGHT COLOCA PRIMEIRO INSTRUMENTO NO SOLO MARCIANO
O "lander" InSight da NASA colocou o seu sismómetro no solo de Marte no dia 19 de dezembro de 2018. Esta é a primeira vez que um sismómetro é colocado à superfície de outro planeta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O módulo de aterragem InSight da NASA colocou o seu primeiro instrumento à superfície de Marte, alcançando um importante marco da missão. Novas imagens do "lander" mostram o sismómetro no chão, a sua cobertura de cor de cobre levemente iluminada pelo crepúsculo marciano. A missão tem decorrido sem problemas.

"O cronograma de atividades do InSight em Marte tem até corrido melhor do que esperávamos" comenta Tom Hoffman, gerente do projeto InSight, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "A colocação do sismómetro no chão, e em segurança, é um grande presente de Natal."

A equipa do InSight tem trabalhado com cuidado para implantar os seus dois instrumentos científicos no solo marciano desde que este pousou em Marte no dia 26 de novembro. Entretanto, a experiência RISE (Rotation and Interior Structure Experiment), que não tem o seu próprio instrumento separado, já começou a usar a ligação rádio do InSight com a Terra para recolher dados preliminares sobre o núcleo do planeta. Ainda não passou tempo suficiente para os cientistas deduzirem o que querem saber - os cientistas estimam que podem ter alguns resultados daqui a mais ou menos um ano.

Para a implantação do sismómetro (também conhecido como SEIS - Seismic Experiment for Interior Structure) e da sonda de calor (também conhecida como HP3 - Heat Flow and Physical Properties Probe) no solo, os engenheiros tiveram primeiro que verificar que o braço robótico que levanta e coloca os instrumentos na superfície marciana estava a funcionar corretamente. Os engenheiros testaram os comandos do módulo de aterragem, certificando-se de que um modelo no leito de testes, no JPL, implantava os instrumentos exatamente como planeado. Os cientistas também tiveram que analisar imagens do terreno marciano em redor do "lander" para descobrir os melhores lugares onde colocar os instrumentos.

Na passada terça-feira, dia 18 de dezembro, os engenheiros do InSight enviaram os comandos para o módulo. Na quarta-feira, dia 19 de dezembro, o sismómetro foi gentilmente colocado no chão diretamente em frente do "lander", aproximadamente à distância máxima alcançada pelo braço robótico - 1,6 metros.

"A colocação do sismómetro é tão importante quanto a aterragem do InSight em Marte," comenta o investigador principal da missão, Bruce Banerdt, também do JPL. "O sismómetro é o instrumento de maior prioridade do InSight: precisamos dele para completar cerca de três-quartos dos nossos objetivos científicos."

O sismómetro permite que os cientistas perscrutem o interior de Marte através do estudo do movimento do solo - também conhecido como sismos marcianos. Cada sismo marciano atua como uma espécie de "flash" que ilumina a estrutura do interior do planeta. Ao analisarem como as ondas sísmicas atravessam as camadas do planeta, os cientistas podem deduzir a profundidade e composição destas camadas.

"Ter um sismómetro no chão é como segurar um telefone ao ouvido," comenta Philippe Lognonné, investigador principal do SEIS do IPGP (Institut de Physique du Globe de Paris) e da Universidade Paris Diderot. "Estamos entusiasmados por estar agora na melhor posição para ouvir todas as ondas sísmicas à subsuperfície e no interior profundo de Marte."

Nos próximos dias, a equipa do InSight vai trabalhar para nivelar o sismómetro, que está sobre um terreno inclinado 2 a 3 graus. Os primeiros dados científicos do sismómetro devem começar a ser transmitidos para a Terra após o instrumento ficar na posição correta.

Mas os engenheiros e cientistas do JPL, da agência espacial francesa e de outras instituições afiliadas à equipa do SEIS, precisarão de várias semanas adicionais para garantir que os dados enviados são os mais claros possíveis. Por um lado, vão verificar e possivelmente ajustar o cabo longo e forrado que liga o instrumento ao "lander", a fim de minimizar o ruído que possa viajar por ele até ao sismómetro. Depois, no início de janeiro, os engenheiros esperam comandar o braço robótico para posicionar o escudo termal e de vento sobre o sismómetro para estabilizar o ambiente em torno dos sensores.

Assumindo que não existem problemas inesperados, a equipa do InSight planeia colocar a sonda de calor à superfície no final do mês de janeiro. O instrumento HP3 será colocado no lado este do espaço de trabalho do módulo, mais ou menos à mesma distância do "lander" do que o sismómetro.

No entanto, por agora, a equipa está focada em obter os primeiros dados sísmicos (embora barulhentos) da superfície marciana.

"Estamos ansiosos por abrir uma garrafa de champanhe quando começarmos a recolher dados do sismómetro do InSight," acrescenta Banerdt. "Tenho uma garrafa guardada para a ocasião."

Links:

Cobertura da missão InSight pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
11/12/2018 - Lander InSight "ouve" ventos marcianos
27/11/2018 - "Lander" InSight aterra em Marte
23/11/2018 - InSight aterra em Marte no dia 26
20/11/2018 - Local de aterragem do InSight é perfeitamente "chato"
08/05/2018 - InSight a caminho de Marte
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG
BBC News
engadget

InSight:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ESTRELA JOVEM "APANHADA" NUM SURTO DE CRESCIMENTO

Investigadores descobriram uma estrela jovem no meio de um raro surto de crescimento - uma fase dramática da evolução estelar em que a matéria que gira em torno de uma estrela cai sobre ela, aumentando a sua massa. A estrela pertence a uma classe ativa e irregular conhecida como FU Ori, em homenagem ao membro original do grupo, FU Orionis (as letras maiúsculas representam um esquema de nomenclatura para estrelas variáveis e Orionis refere-se à sua localização na constelação de Orionte). Normalmente, estas estrelas, com poucos milhões de anos, escondem-se por trás de espessas nuvens de poeira e são difíceis de observar. Este novo objeto é apenas o 25.º membro dessa classe encontrado até à data e um dos cerca de uma dúzia capturados durante um episódio explosivo.

"Estes eventos FU Ori são extremamente importantes na nossa atual compreensão do processo de formação estelar, mas permaneceram quase míticos porque têm sido muito difíceis de observar," afirma Lynne Hillenbrand, professora de astronomia no Caltech e autora principal de um novo artigo científico sobre os achados, publicado na revista The Astrophysical Journal. "Esta é, na realidade, a primeira vez que vimos um destes eventos no visível e no infravermelho, e estes dados permitiram-nos mapear o movimento do material através do disco até à estrela."

Esta ilustração mostra uma estrela jovem a atravessar um determinado tipo de crescimento estelar. Painel da esquerda: material do disco rico em gás e poeira (laranja), mais gás quente (azul), fluem levemente para a estrela, criando uma zona quente. Painel do meio: começa a explosão - o disco interno é aquecido, a estrela atrai ainda mais material e o disco aproxima-se. Painel da direita: a explosão atinge o nível máximo, o disco mais interno fundindo-se com a estrela e expelindo gás (verde).
Crédito: Caltech/T. Pyle (IPAC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A estrela recém-descoberta, chamada Gaia 17bpi, foi avistada pela primeira vez pelo satélite Gaia da ESA, que estuda o céu continuamente, fazendo medições precisas das estrelas no visível. Quando o Gaia observa uma mudança no brilho de uma estrela, é enviado um alerta para a comunidade astronómica. Um estudante da Universidade de Exeter e coautor do estudo, Sam Morrell, foi o primeiro a perceber que a estrela tinha ficado mais brilhante. Outros membros da equipa, de seguida, acompanharam e descobriram que o aumento de brilho da estrela havia sido capturado, por acaso, no infravermelho pelo satélite caçador de asteroides da NASA, NEOWISE, ao mesmo tempo que o Gaia o via, bem como ano e meio antes.

"Apesar da missão principal do NEOWISE seja detetar objetos próximos do Sistema Solar, também fotografa todas as estrelas e galáxias de fundo à medida que varre o céu a cada seis meses," comenta o coautor Roc Cutri, cientista chefe do Centro de Dados do NEOWISE no IPAC (Infrared Processing and Analysis Center), um centro de astronomia e "data center" no Caltech. "O NEOWISE tem vindo a fazer o seu trabalho, desta forma, há cinco anos, por isso é muito eficaz a detetar mudanças no brilho dos objetos."

O Telescópio Espacial Spitzer, um observatório infravermelho da NASA, também testemunhou o início da fase de aumento de brilho da estrela, duas vezes em 2014, dando aos cientistas um tesouro de dados infravermelhos.

Os novos achados esclarecem alguns dos antigos mistérios que rodeiam a evolução das estrelas jovens. Uma questão não respondida é: como é que uma estrela obtém toda a sua massa? As estrelas formam-se a partir de bolas de gás e poeira em colapso. Com o tempo, forma-se um disco de material em torno da estrela e esta continua a extrair material deste disco. Mas, de acordo com observações anteriores, as estrelas não puxam material para si mesmas com rapidez suficiente para alcançar as suas massas finais.

A localização de Gaia 17bpi, situada na direção da constelação de Sagitta (Flecha), indicada no centro desta imagem captada pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/M. Kuhn (Caltech)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os teóricos pensam que os eventos FU Ori - em que a massa é despejada do disco para a estrela durante um período total de aproximadamente 100 anos - podem ajudar a esclarecer o enigma. Os cientistas acham que todas as estrelas sofrem entre 10 a 20 destes eventos FU Ori ao longo das suas vidas, mas como essa fase estelar está frequentemente escondida por trás da poeira, os dados são limitados. "Alguém esboçou este cenário na parte de trás de um envelope na década de 1980, ainda não fizemos muito mais para determinar a frequência dos eventos," acrescenta Hillenbrand.

O novo estudo mostra, com o maior detalhe até agora, como o material se move da secção intermédia de um disco, numa região localizada a mais ou menos 1 UA da estrela, para a estrela propriamente dita (1 UA, Unidade Astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol). O NEOWISE e o Spitzer foram os primeiros a captar sinais da acumulação de material no meio do disco. À medida que o material encetou a acumular-se no disco, aqueceu, emitindo luz infravermelha. De seguida, quando o material começou a cair para a estrela, aqueceu ainda mais, emitindo luz visível, que foi o que o Gaia detetou.

"O material no meio do disco aumenta de densidade e torna-se instável," explica Hillenbrand. "É então drenado para a estrela, manifestando-se como uma explosão."

Os astrónomos usaram o Observatório W. M. Keck e o Observatório Palomar de Caltech para ajudar a confirmar a natureza FU Ori da estrela recém-descoberta. Hillenbrand conclui: "Podemos pensar no Gaia como o descobridor da cena inicial do crime, enquanto o Keck e o Palomar apontaram-nos para as provas conclusivas."

Links:

Notícias relacionadas:
Caltech (comunicado de imprensa)
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
Artigo científico (The Astrophysical Journal)
Artigo científico (arXiv.org)
EurekAlert!
Astronomy
Space Daily
PHYSORG

Formação estelar:
Wikipedia

Classe FU Orionis:
Wikipedia
Estrela FU Orionis (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
Arquivo de dados do WISE
NEOWISE
U. Berkele

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Palomar:
Página principal
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Telescópio espacial deteta água em vários asteroides (via Universidade de Kobe)
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  Impostores alienígenas: planetas com oxigénio não têm necessariamente vida (via Universidade Johns Hopkins)
Na sua busca por vida noutros sistemas solares, próximos e distantes, investigadores muitas vezes aceitam a presença de oxigénio na atmosfera de um planeta como o sinal mais forte da presença de vida. No entanto, um novo estudo recomenda uma reconsideração dessa regra de ouro. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa Vermelha, Cometa Verde, Estrelas Azuis
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tom Masterson (Observatório Grand Mesa)
 
Esta paisagem celeste festivamente colorida foi capturada às primeiras horas da manhã de dia 17 de dezembro, depois da maior aproximação do Cometa Wirtanen ao planeta Terra. O cometa tem estado visível a olho nu. A linda cor verde da sua atmosfera cometária fluorescente, ou cabeleira, é realçada aqui apenas adicionando exposições digitais registadas da posição do cometa abaixo do enxame estelar das Plêiades. As exposições também revelam a luz estelar azul refletidas pelas nuvens de poeira que rodeiam as jovens estrelas de M45. Olhe (para a esquerda) através de nebulosas escuras e poeirentas ao longo da orla da nuvem molecular de Perseu e viajará até à nebulosa de emissão NGC 1499, também conhecida como Nebulosa da Califórnia. Demasiado ténue para ser observada à vista desarmada, o pronunciado tom avermelhado da nuvem cósmica vem dos eletrões que se recombinam com átomos de hidrogénio ionizados. Por volta de dia 23 de dezembro, o Cometa Wirtanen deverá ser fácil de encontrar com binóculos quando passar perto da brilhante estrela Capella, na constelação de inverno de Cocheiro.
 

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