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  Astroboletim #1637  
  15/11 a 18/11/2019  
     
 

15/11/19 - Noites Astronómicas em Tavira
19:00-20:00 - No dia 15 de novembro (19:00; Forte do Rato) realiza-se mais uma sessão de Noites Astronómicas em Tavira. Nesta noite vai ser possível observar planetas, enxames de estrelas entre outros. Vamos verificar que algumas constelações de primavera/verão vão começar a dar lugar a constelações de outono/inverno. Esta atividade é gratuita.
Local: Forte do Rato
Público-alvo: Público em geral
Pré-inscrição obrigatória
(A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes).
Telefones: 281 326 231; 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

30/11/19 - "À Descoberta do Universo"
18:30 - Ciclo de conversas com Tiago Campante e o convidado Alexandre Cabral (IA-FCUL)

Ciclo de conversas que contará, em cada sessão, com a presença do astrónomo Tiago Campante e de um(a) investigador(a) convidado(a). As estrelas e os planetas extrassolares serão os protagonistas destas animadas conversas, servindo de ligação entre os mais diversos tópicos da Astrofísica moderna, nomeadamente a Astrobiologia, a exploração do Sistema Solar, a instrumentação e robótica, os buracos negros, e as ondas gravitacionais.

Clique aqui saber mais

Inscrições

Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt
Local: Centro Ciência Viva do Algarve

 
     
 
Efemérides

Dia 15/11: 319.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1738, nascia William Herschel.

Foi o primeiro astrónomo a fazer observações sistemáticas do espaço para além do nosso Sistema Solar.
Descobriu Úrano (1781), o movimento do Sol na Via Láctea (1785), a companheira do binário de Castor (1804, e de acordo com as leis de Kepler) e a radiação infravermelha. Herschel também descobriu muitos enxamesnebulosas
 e galáxias enquanto observava o céu noturno e compilou catálogos cujos dados básicos são ainda hoje utilizados.
Em 1966, a Gemini 12 regressa à Terra caindo no Atlântico em segurança.
Em 1988, a União Soviética lança o seu primeiro e último vaivém espacial, o Buran.
Em 1990, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-38.
Observações: A Lua está alta no céu ao final da noite. Encontra-se na direção da constelação de Gémeos, perto das suas estrelas mais famosas, Castor e Pollux.
Vega é a estrela mais brilhante a oeste ao início destas noites de novembro. A sua pequena constelação, Lira, prolonga-se para a esquerda, apontando na direção de Altair, a estrela mais brilhante a sudoeste.
Três das estrelas principais de Lira, depois de Vega, são binários interessantes. Logo acima de Vega está Epsilon Lyrae, de 4.ª magnitude, o famoso duplo-duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º; um lado mede quase a espessura do seu polegar à distância do braço esticado.
Os binóculos ajudam a resolver Epsilon. E um telescópio de 4 polegadas com 100x ou mais de ampliação deverá resolver cada um dos componentes de Epsilon em duas estrelas binárias cada um.
Delta Lyrae, para cima e para a esquerda de Zeta, é um par muito mais largo e mais fácil.

Dia 16/11: 320.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteroide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objetivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.

Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direção do enxame globular M13, a uns 25.000 anos-luz de distância. A mensagem chegará a espaço vazio pois o enxame terá, entretanto, mudado de posição. 
Observações: A Lua nasce um pouco depois da hora de jantar. Assim que se torne visível, note que está ainda em Gémeos, com Pollux para a esquerda e Castor por cima de Pollux.

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robot controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17.

Observações: Pico da chuva de meteoros das Leónidas. Este ano a Lua intefere com as observações das estrelas cadentes, mas poderá observar antes do nascer do nosso satélite natural, antes das 22 horas.

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte.
Observações: Com a Lua já ausente das primeiras horas do céu noturno, tire vantagem destas noites escuras para explorar as galáxias dentro do canto noroeste do Grande Quadrado de Pégaso - magnitudes 11 a 13 - usando um telescópio com 6 polegadas ou maior. Para um maior desafio e um telescópio mais potente, tente o enxame galáctico Abell 194, na constelação de Baleia (Cetus).

 
     
 
Curiosidades


Sabia que o Cometa 67P/C-G "canta"? Ouça a sua "voz" aqui.

 
 
   
Com o mistério do metano marciano por resolver, cientistas do Curiosity fornecem outro: o do oxigénio
 
O rover Curiosity da NASA fotografou estas nuvens passageiras no dia 17 de maio de 2019, o 2410.º dia marciano, ou sol, da missão, usando as suas Navcams a preto e branco.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Pela primeira vez na história da exploração espacial, os cientistas mediram as mudanças sazonais nos gases que preenchem o ar diretamente acima da superfície da Cratera Gale em Marte. Como resultado, notaram algo desconcertante: o oxigénio, o gás que muitos seres vivos da Terra usam para respirar, comporta-se de uma maneira que até agora os cientistas não conseguem explicar através de processos químicos conhecidos.

Ao longo de três anos marcianos (ou quase seis anos terrestres) um instrumento pertencente ao laboratório químico portátil SAM (Sample Analysis at Mars) no interior do rover Curiosity da NASA inalou o ar da Cratera Gale e analisou a sua composição. Os resultados obtidos pelo SAM confirmaram a composição da atmosfera marciana à superfície: 95% de dióxido de carbono (CO2), 2,6% de azoto molecular (N2), 1,9% de árgon (Ar), 0,16% de oxigénio molecular (O2) e 0,06% de monóxido de carbono (CO). Também revelaram como as moléculas no ar marciano se misturam e circulam com as mudanças na pressão do ar ao longo do ano. Estas mudanças são provocadas quando o gás CO2 congela nos polos no inverno, diminuindo a pressão do ar por todo o planeta após a redistribuição do ar para manter o equilíbrio da pressão. Quando o CO2 evapora na primavera e no verão e se mistura por Marte, aumenta a pressão do ar.

Neste ambiente, os cientistas descobriram que o azoto e o árgon seguem um padrão sazonal previsível, aumentando e diminuindo a concentração na Cratera Gale ao longo do ano em relação à quantidade de CO2 existente no ar. Eles esperavam que o oxigénio fizesse o mesmo. Mas não fez. Ao invés, a quantidade deste gás no ar subiu durante toda a primavera e verão, até 30%, e depois voltou aos níveis previstos pela química conhecidos no outono. Este padrão repetiu-se em cada primavera, embora a quantidade de oxigénio adicionada à atmosfera variasse, implicando que algo estava a produzi-lo e a retirá-lo.

 
As variações sazonais do oxigénio na Cratera Gale.
Crédito: Melissa Trainer/Dan Gallagher/NASA Goddard
 

"A primeira vez que vimos isto, foi incompreensível," disse Sushil Atreya, professor de ciências climáticas e espaciais na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, EUA. Atreya é coautor de um artigo sobre este tópico publicado dia 12 de novembro na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

Assim que os cientistas descobriram o enigma do oxigénio, os especialistas em Marte começaram a trabalhar para o explicar. Primeiro, verificaram duas, três vezes a precisão do instrumento do SAM que usaram para medir os gases: o QMS (Quadrupole Mass Spectrometer). O instrumento estava a funcionar bem. Consideraram a possibilidade de que as moléculas de CO2 ou água (H2O) pudessem libertar oxigénio quando se quebrassem na atmosfera, levando a este aumento de curta duração. Mas seria necessária 5 vezes mais água acima de Marte para produzir este oxigénio extra, e o CO2 quebra-se demasiado devagar para gerar tanto oxigénio em tão pouco tempo. E a diminuição do oxigénio? A radiação solar pode ter quebrado as moléculas de oxigénio em dois átomos que escaparam para o espaço? Não, concluíram os cientistas, já que levaria pelo menos 10 anos para o oxigénio desaparecer por este processo.

"Estamos com dificuldades em explicar este processo," acrescenta Melissa Trainer, cientista planetária no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que liderou esta investigação. "O facto do comportamento do oxigénio não ser perfeitamente repetível a cada estação faz-nos pensar que não é um problema que tem a ver com a dinâmica atmosférica. Tem que ser alguma fonte e 'pia' químicas que ainda não conseguimos explicar."

Para os cientistas que estudam Marte, a história do oxigénio é curiosamente semelhante à do metano. O metano está constantemente no ar dentro da Cratera Gale em quantidades tão pequenas (0.00000004% em média) que dificilmente se pode discernir, mesmo com os instrumentos mais sensíveis em Marte. Ainda assim, foi medido pelo TLS (Tunable Laser Spectrometer) do SAM. O instrumento revelou que, embora o metano aumente e diminua sazonalmente, aumenta em abundância cerca de 60% nos meses de verão por razões até ao momento inexplicáveis (de facto, o metano também aumenta de forma aleatória e dramática. Os cientistas estão a tentar descobrir porquê).

Com as novas descobertas do oxigénio em mão, a equipa de Trainer quer saber se alguma química semelhante à que está a impulsionar as variações sazonais naturais do metano também pode gerar oxigénio. Pelo menos ocasionalmente, os dois gases parecem flutuar em conjunto.

"Estamos a começar a ver esta correlação tentadora entre o metano e o oxigénio durante boa parte do ano marciano," acrescentou Atreya. "Penso que há algo aqui. Apenas ainda não tenho as respostas. Ninguém tem."

 
Variações sazonais do oxigénio e do metano na Cratera Gale.
Crédito: Melissa Trainer/Dan Gallagher/NASA/Goddard
 

O oxigénio e o metano podem ser produzidos tanto biologicamente (de micróbios, por exemplo) quanto abioticamente (de química relacionada com a água e as rochas). Os cientistas estão a considerar todas as opções, embora não tenham nenhuma evidência convincente de atividade biológica em Marte. O Curiosity não tem instrumentos que possam dizer definitivamente se a fonte do metano ou oxigénio em Marte é biológica ou geológica. Os cientistas esperam que as explicações não biológicas sejam mais prováveis e estão a trabalhar diligentemente para as entender completamente.

A equipa de Trainer considerou o solo marciano como uma fonte do oxigénio extra da primavera. Afinal, é conhecido por ser rico no elemento, na forma de compostos como peróxido de hidrogénio e percloratos. Uma experiência realizada nos "landers" Viking mostrou, há décadas atrás, que o calor e a humidade podem libertar oxigénio do solo marciano. Mas essa experiência ocorreu em condições bem diferentes do ambiente primaveril de Marte e não explica a queda do oxigénio, entre outros problemas. Outras explicações possíveis também não são suficientes por enquanto. Por exemplo, a radiação altamente energética do solo pode produzir O2 extra no ar, mas levaria um milhão de anos para acumular oxigénio suficiente no solo a fim de explicar o aumento medido em apenas uma primavera, relatam os investigadores no seu artigo.

 
Pôr-do-Sol no local de aterragem da Viking 1 em 1976.
Crédito: NASA/JPL
 

"Ainda não conseguimos chegar a um processo que produza a quantidade de oxigénio necessária, mas achamos que deve haver algo no solo superficial que muda sazonalmente, porque não há átomos de oxigénio disponíveis na atmosfera para criar o comportamento que vemos," disse Timothy McConnochie, cientista assistente de pesquisa da Universidade de Maryland em College Park e também coautor do artigo.

Os únicos veículos espaciais anteriores com instrumentos capazes de medir a composição do ar marciano perto do solo foram os "landers" Viking da NASA, que alcançaram o Planeta Vermelho em 1976. No entanto, as experiências Viking cobriram apenas alguns dias marcianos, de modo que não puderam revelar os padrões sazonais dos diferentes gases. As novas medições do SAM são as primeiras a fazê-lo. A equipa do SAM vai continuar a medir os gases atmosféricos para que os cientistas possam recolher dados mais detalhados ao longo de cada estação. Enquanto isso, Trainer e a sua equipa esperam que outros especialistas em Marte trabalhem para resolver o mistério do oxigénio.

"É a primeira vez que vemos este comportamento estranho ao longo de vários anos. Não o entendemos totalmente," disse Trainer. "Para mim, é um convite aberto a todas as pessoas inteligentes interessadas nisto: vejam o que podem determinar."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Journal of Geophysical Research: Planets)

 


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Estrela "fugitiva" foi expulsa do "Coração da Escuridão"
 
Impressão de artista da expulsão de S5-HVS1 por Sagitário A*, o buraco negro no centro da Via Láctea. O buraco negro e a parceira estelar de S5-HVS1 podem ser vistas no plano de fundo, perto do canto inferior esquerdo da imagem. S5-HVS1 está no plano da frente, afastando-se a grandes velocidades.
Crédito: James Josephides (Produções Astronómicas de Swinburne)
 

Uma estrela que viaja a velocidades ultrarrápidas após ser expelida pelo buraco negro supermassivo no coração da nossa Galáxia foi avistada por uma equipa internacional de astrónomos. O seu trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Viajando a uma incrível velocidade de 6 milhões de quilómetros por hora, a estrela está a mover-se tão depressa que deixará a Via Láctea e entrará no espaço intergaláctico.

De nome S5-HVS1, a estrela foi descoberta na direção da constelação de Grou pelo autor principal Sergey Koposov da Universidade Carnegie Mellon como parte do levantamento S5 (Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey) liderado por Ting Li de Carnegie. Estava a mover-se 10 vezes mais depressa do que a maioria das estrelas da Galáxia.

"A velocidade da estrela é tão alta que inevitavelmente deixará a Galáxia para nunca mais regressar," disse o coautor Douglas Boubert da Universidade de Oxford.

As estrelas de alta velocidade têm sido uma grande fonte de curiosidade para os astrónomos desde a sua descoberta há duas décadas. Dado que S5-HVS1 se move tão depressa e por ter passado relativamente perto da Terra - a 29.000 anos-luz, o que é praticamente "aqui ao lado" por padrões astronómicos - forneceu uma oportunidade sem precedentes para melhor entender estes fenómenos. Graças a estas circunstâncias únicas, os investigadores conseguiram traçar a sua viagem de volta ao centro da Via Láctea, onde existe um buraco negro com 4 milhões de vezes a massa do Sol.

 
Impressão de artista da expulsão da estrela S5-HVS1 pelo buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.
Crédito: James Josephides (Produções Astronómicas de Swinburne)
 

"Isto é muito emocionante, pois há muito que suspeitamos que os buracos negros podem expulsar estrelas com velocidades muito altas. No entanto, nunca tivemos uma associação inequívoca de uma estrela tão rápida com o Centro Galáctico," explicou Koposov. "Nós pensamos que o buraco negro ejetou a estrela a uma velocidade de milhares de quilómetros por segundo há cerca de 5 milhões de anos. Esta expulsão ocorreu quando os antepassados do ser humano estavam apenas a aprender a andar eretos."

Há trinta anos, o astrónomo Jack Hills propôs que estrelas super-rápidas pudessem ser expelidas por buracos negros através de um processo que agora tem o seu nome.

"Esta é a primeira demonstração clara do mecanismo Hills em ação," disse Li.

"Ver esta estrela é realmente incrível," acrescentou. "Achamos que deve ter-se formado no Centro Galáctico, um local muito diferente do nosso ambiente local. É uma visitante de uma terra estranha."

 
A localização da estrela no céu e a direção do seu movimento. A estrela está a viajar para longe do Centro Galáctico, de onde foi expulsa há 5 milhões de anos.
Crédito: Sergey Koposov
 

Originalmente, S5-HSV1 vivia com uma companheira num sistema binário, mas aproximaram-se demais do Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Na luta gravitacional que se seguiu, a estrela companheira foi capturada pelo buraco negro, enquanto S5-HSV1 foi expulsa a uma velocidade extremamente alta.

"A minha parte favorita desta descoberta é pensar de onde esta estrela veio e para onde está a ir," disse Ji. "Nasceu num dos locais mais loucos do Universo, perto de um buraco negro supermassivo com muitas outras amigas estelares próximas; mas vai deixar a nossa Galáxia e morrer sozinha, no meio do nada."

A descoberta inicial foi feita com o Telescópio Anglo-Australiano e acompanhada com observações do satélite Gaia da ESA, que permitiu aos astrónomos revelar totalmente a velocidade da estrela e a sua viagem.

"As observações não teriam sido possíveis sem as capacidades únicas do instrumento 2dF do AAT," disse Daniel Zucker, astrónomo da Universidade Macquarie em Sydney e membro do Comité Executivo do S5.

"Estou tão empolgado por esta estrela ter sido descoberta pelo S5," acrescentou Kyler Kuehn do Observatório Lowell e outro membro do Comité Executivo do S5. "Embora o principal objetivo científico do S5 seja investigar os fluxos estelares - a perturbação por galáxias anãs e enxames globulares - nós dedicámos recursos do instrumento para procurar alvos interessantes na Via Láctea e 'voilá!', encontrámos algo incrível 'de graça'."

// Instituto Carnegie para Ciência (comunicado de imprensa)
// Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Expulsão da estrela S5-HSV1 por Sagitário A* (Sociedade Astronómica Real via YouTube)

 


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Ultima Thule recebe o nome oficial "Arrokoth"
 
Composição do binário de contacto primordial da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, a partir de dados obtidos pela sonda New Horizons. A imagem combina dados de cor melhorados (perto do que o olho humano veria) com imagens pancromáticas de alta-resolução.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Roman Tkachenko
 

Em homenagem à passagem rasante mais distante já realizada por uma sonda espacial, o objeto da Cintura de Kuiper 2104 MU69 (informalmente também denominado "Ultima Thule") recebeu o nome oficial Arrokoth, um termo nativo-americano que significa "céu" na língua Powhatan/Algonquiana.

Com o consentimento dos anciãos e representantes tribais dos Powathan, a equipa da New Horizons da NASA - cuja nave espacial realizou o reconhecimento recorde de Arrokoth a mais de 6 mil milhões de quilómetros da Terra - propôs o nome à União Astronómica Internacional e ao Centro de Planetas Menores, a autoridade internacional que detém a responsabilidade de dar nomes aos objetos da Cintura de Kuiper. O nome foi anunciado numa cerimónia na sede da NASA em Washington, DC.

"O nome 'Arrokoth' reflete a inspiração de olhar para o céu e pensar sobre as estrelas e sobre os mundos para lá do nosso," disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Este desejo de aprender está no centro da missão New Horizons e temos a honra de nos unir à comunidade Powhatan e aos cidadãos de Maryland nesta celebração de descoberta."

A New Horizons foi lançada em janeiro de 2006; de seguida, passou por Júpiter para um impulso gravitacional e estudos científicos em fevereiro de 2007 e realizou o primeiro "flyby" pelo sistema de Plutão no dia 14 de julho de 2015. A sonda continuou a sua viagem inigualável no Ano Novo de 2019 com a exploração de Arrokoth - que a equipa apelidou de "Ultima Thule" - mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, a passagem rasante mais distante já realizada.

 
O percurso da New Horizons.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
 

Arrokoth é um dos milhares de pequenos mundos gelados conhecidos da Cintura de Kuiper, a vasta "terceira zona" do Sistema Solar para lá dos planetas terrestres interiores e dos planetas gigantes exteriores. Foi descoberto em 2014 por uma equipa da New Horizons - que incluía Marc Buie, do SwRI - usando o poderoso Telescópio Espacial Hubble.

"Os dados do recém-nomeado Arrokoth deram-nos pistas sobre a formação dos planetas e sobre as nossas origens cósmicas," disse Buie. "Nós pensamos que este corpo antigo, composto por dois lóbulos distintos que se fundiram num só objeto, pode abrigar respostas que contribuem para a nossa compreensão da origem da vida na Terra."

De acordo com as convenções de nomenclatura da UAI, a equipa de descoberta ganhou o privilégio de selecionar um nome permanente para o corpo celeste. A equipa usou esta convenção para associar a cultura dos povos nativos que viviam na região onde o objeto foi descoberto; neste caso, o Telescópio Espacial Hubble (no STScI - Space Telescope Science Institute) e a missão New Horizons (no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins) são operados no estado de Maryland - vínculo à importância da região da Baía de Chesapeake para a tribo Powathan.

"Aceitamos graciosamente este presente do povo Powathan," disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA. "Atribuir o nome Arrokoth significa a força e a resistência do povo indígena Algonquiano da região de Chesapeake. A sua herança continua a ser uma luz orientadora para todos que procuram o significado e a compreensão das origens do Universo e da ligação celeste da humanidade."

// NASA (comunicado de imprensa)
// JHUAPL (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Cobertura da secção 2014 MU69 da missão New Horizons pelo CCVAlg - Astronomia:
21/05/2019 - Primeiros resultados científicos do "flyby" da New Horizons por Ultima Thule
26/02/2019 - Novas imagens de Ultima Thule
12/02/2019 - O evocativo olha de despedida da New Horizons a Ultima Thule
29/01/2019 - Melhor imagem, até agora, de Ultima Thule
18/01/2019 - Aproximação a Ultima Thule pela New Horizons
04/01/2019 - New Horizons explora Ultima Thule
25/12/2018 - O primeiro mistério de Ultima Thule
21/12/2018 - New Horizons na trajetória ideal em direção a Ultima Thule
31/08/2018 - Às portas de Ultima Thule: New Horizons faz primeira deteção do seu próximo alvo de "flyby"
16/03/2018 - New Horizons escolhe alcunha para alvo do "flyby"
13/02/2018 - New Horizons captura imagens recorde na Cintura de Kuiper
15/12/2017 - Será que o próximo alvo da New Horizons tem uma lua?
08/08/2017 - Próximo alvo da New Horizons acaba de ficar muito mais interessante
21/07/2017 - Equipa de New Horizons da NASA alcança ouro na Argentina
11/07/2017 - Novos mistérios em redor do próximo alvo da New Horizons
16/06/2017 - Equipa da New Horizons examina novos dados do próximo alvo da sonda
30/05/2017 - New Horizons com equipa global para raro olhar do seu próximo alvo
03/02/2017 - New Horizons refina trajetória para próximo "flyby"
01/09/2015 - Equipa da New Horizons escolhe potencial alvo da Cintura de Kuiper para "flyby"

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Arrokoth (2014 MU69; Ultima Thule):
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New Horizons:
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Imagens "raw", pelo LORRI do encontro com Arrokoth
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Os cientistas há muito que investigam a existência das chamadas "buckyballs" - complexas moléculas de carbono com uma estrutura parecida à de uma bola de futebol - no espaço interestelar. Agora, uma equipa de investigadores da Universidade do Arizona propôs um mecanismo para a sua formação num estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. Ler fonte
     
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A fim de procurar vida no espaço, os astrónomos precisam primeiro de saber onde procurar. Uma equipa científica foi a primeira a combinar modelos climáticos 3D com química atmosférica para explorar a habitabilidade dos planetas em torno de Anãs M, que correspondem a 70% da população estelar da Galáxia. Com esta ferramenta os cientistas redefiniram as condições que tornam um planeta habitável tendo em conta a radiação estelar e a rotação do planeta. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - NGC 3717: Uma Galáxia Espiral Quase de Lado
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Hubble & NASA, Processamento: D. Rosario
 
Algumas galáxias espirais são vistas quase de lado. A maioria das estrelas brilhantes nas galáxias espirais gira em torno do centro num disco e, visto de lado, este disco pode parecer bastante fino. Algumas galáxias espirais parecem ainda mais finas do que NGC 3717, que na verdade está um pouco inclinada. As galáxias espirais formam discos porque o gás original colidiu com ele próprio e arrefeceu enquanto caía para o interior. Os planetas podem orbitar discos por razões semelhantes. A imagem em destaque, pelo Telescópio Espacial Hubble, mostra um bojo central de cor clara, composto por estrelas mais antigas para lá de filamentos de poeira castanha. NGC 3717 abrange cerca de 100.000 anos-luz e fica a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância em direção à constelação de Hidra.
 
   
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