Apresentação às Estrelas | Cometa do Ano Novo Data: 10 de novembro de 2022 Hora: 18:30-20:30
Esta noite falaremos sobre cometas, para chamar a atenção para o "C/2022 E3 (ZTF)", que estará no céu antes do nascer-do-Sol, entre dezembro e janeiro especialmente. Após esta breve apresentação, e se a meteorologia o permitir, faremos observação noturna com telescópio. Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt) Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Noites Astronómicas em Tavira Data: 11 de novembro de 2022 Hora: 19:30
Nesta noite realiza-se uma sessão astronómica no Forte do Rato pelas 19h30. Teremos a oportunidade de observar as luas de Júpiter através de um telescópio. A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado.
Participe! Local:Forte do Rato
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes). Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
Efemérides
Dia 04/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida. Observações: A Lua brilha ao pé de Júpiter esta noite. Estão separados entre 2º ou 4º.
São ambos alvos excelentes para pequenos telescópios! Conseguem mostrar pelo menos as bandas
equatoriais norte e sul do planeta gigante gasoso e, claro, as suas quatro grandes luas (excepto quando estão à frente ou detrás do planeta). Considere, enquanto as observa, que cada uma das quatro luas galileanas tem aproximadamente o tamanho da nossa própria Lua, que está muito mais próxima de nós.
Dia 05/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1743, são organizadas observações científicas coordenadas do trânsito de Mercúrio por Joseph-Nicolas Delisle.
Em 1906, nascia Fred Whipple, que propôs o modelo da "bola de neve suja" para o núcleo dos cometas.
Em 1964, lançamento da Mariner 3, com destino Marte. No entanto, a cobertura que alojava a sonda não abriu corretamente e a Mariner 3 não chegou ao planeta. Está agora numa órbita solar.
Em 2007, o primeiro satélite lunar da China, Chang'e 1, entra em órbita da Lua.
Em 2013, a Índia lança a sua primeira sonda interplanetária, a MOM ou Mangalyaan. Observações: Por volta das 21:30, dependendo da posição do observador, a estrela Capella, de magnitude zero, está à mesma altitude a nordeste que Vega a oeste-noroeste. Com que precisão consegue determinar o momento deste evento? Não é necessário um sextante... mas ajudava.
Dia 06/11: 310.º dia do calendário gregoriano. Observações: Vega é a estrela mais brilhante a oeste ao início da noite. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a sua esquerda. Um pouco nessa direção, a cerca de punho e meio à distância do braço esticado de Vega, está Albireo, de terceira magnitude, o bico de Cisne. É um dos melhores e mais coloridos sistemas binários para telescópios pequenos.
Continuando na mesma direção, alcançamos a estrela Tarazed, de brilho quase idêntico, e depois Altair, de magnitude 0,75.
Dia 07/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1867 nascia Marie Curie, física e química polaca, naturalizada francesa, que levou a cabo estudos pioneiros sobre a radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhá-lo duas vezes.
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor. Observações: Após o anoitecer, Capella brilha a nordeste e as Plêiades estão a este-nordeste três punhos à distância do braço esticado para a direita de Capella. Com o passar das horas, encontrará a alaranjada Aldebarã subindo bem abaixo de M45.
Pelas 22:00, Orionte já está totalmente visível acima do horizonte, por baixo de Aldebarã.
Os planetas podem ser uma fórmula de antienvelhecimento para as estrelas
De acordo com um novo estudo de vários sistemas, utilizando o Observatório de raios-X Chandra da NASA, os planetas podem forçar as suas estrelas hospedeiras a agir mais jovens do que são. Esta pode ser a melhor evidência, até à data, de que alguns planetas aparentemente atrasam o processo de envelhecimento das estrelas que orbitam.
Embora a propriedade antienvelhecimento dos "Júpiteres quentes" (isto é, exoplanetas gigantes gasosos que orbitam uma estrela à distância de Mercúrio, ou até mais perto) já tenha sido vista anteriormente, este resultado é a primeira vez que é sistematicamente documentada, proporcionando o teste mais forte até agora deste fenómeno exótico.
Esta impressão de artista mostra um planeta gigante gasoso (em baixo e à direita) orbitando de perto a sua estrela hospedeira (esquerda), com outra estrela à distância (em cima e à direita). As duas estrelas estão elas próprias em órbita uma da outra.
Crédito: NASA/CXC/M.Weiss
"Na medicina, são necessários muitos pacientes inscritos num estudo para saber se os efeitos são reais ou algum tipo de 'outlier'", disse Nikoleta Ilic do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, que liderou este novo estudo. "O mesmo pode ser verdade em astronomia e este estudo dá-nos a confiança de que estes Júpiteres quentes estão realmente a fazer com que as estrelas que orbitam atuem como se fossem mais jovens".
Um Júpiter quente pode potencialmente influenciar a sua estrela hospedeira devido às forças das marés, fazendo com que a estrela gire mais rapidamente do que se não tivesse um planeta assim. Esta rotação mais rápida pode tornar a estrela hospedeira mais ativa e produzir mais raios-X, sinais geralmente associados à juventude estelar.
No entanto, tal como com os humanos, há muitos factores que podem determinar a vitalidade de uma estrela. Todas as estrelas abrandam a sua rotação e atividade e sofrem menos erupções à medida que envelhecem. Dado que é um desafio determinar com precisão as idades da maioria das estrelas, tem sido difícil para os astrónomos identificar se uma estrela é invulgarmente ativa porque está a ser afetada por um planeta próximo, tornando-a mais jovem do que realmente é, ou porque é de facto jovem.
O novo estudo liderado por Ilic, recorrendo ao Chandra, abordou este problema através da observação de sistemas binários (com duas estrelas) onde as estrelas estão amplamente separadas, mas apenas uma delas tem um Júpiter quente em órbita. Os astrónomos sabem que, tal como os gémeos humanos, as estrelas em sistemas binários formam-se ao mesmo tempo. A separação entre as estrelas é demasiado grande para que se possam influenciar mutuamente ou para que o Júpiter quente possa afetar a outra estrela. Isto significa que podem usar a estrela sem planeta no binário como objeto de controle.
"É quase como usar gémeos num estudo onde um gémeo vive num bairro completamente diferente que afeta a sua saúde", disse a coautora Katja Poppenhaeger, também do mesmo instituto. "Ao comparar uma estrela, que hospeda um planeta próximo, com a sua gémea, que não tem um planeta próximo, podemos estudar as diferenças de comportamento de estrelas com a mesma idade".
Imagem rotulada, em raios-X, dos sistemas HD 189733 e WASP-77.
Crédito: NASA/CXC/Universidade de Potsdam/N. Ilic et al.
A equipa utilizou a quantidade de raios-X para determinar quão "jovem" uma estrela está a agir. Procuraram evidências da influência planeta-para-estrela, estudando quase três dúzias de sistemas em raios-X (a amostra final continha 10 sistemas observados pelo Chandra e seis pelo XMM-Newton da ESA, com vários observados por ambos). Descobriram que as estrelas com Júpiteres quentes tendem a ser mais brilhantes em raios-X e, portanto, mais ativas do que as suas estrelas companheiras sem Júpiteres quentes.
"Em casos anteriores houve algumas pistas muito intrigantes, mas agora temos finalmente evidências estatísticas de que alguns planetas estão, de facto, a influenciar as suas estrelas e a mantê-las jovens", disse a coautora Marzieh Hosseini, também do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam. "Esperemos que estudos futuros ajudem a descobrir mais sistemas para melhor compreender este efeito".
O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de julho de 2022 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e pode ser consultado online.
NASA prepara-se para dizer "adeus" ao módulo InSight
Aproxima-se o dia em que o "lander" InSight da NASA cairá em silêncio, pondo fim à sua missão histórica de revelar segredos do interior do Planeta Vermelho. A produção energética do módulo de aterragem continua a diminuir à medida que a poeira soprada pelo vento nos seus painéis solares se torna mais espessa, pelo que a equipa tomou medidas para continuar, tanto quanto possível, com a energia que resta. Espera-se que o fim chegue nas próximas semanas.
Mas mesmo à medida que a unida equipa de operações, que tem 25 a 30 membros - um grupo pequeno em comparação com outras missões marcianas - continua a "espremer" o máximo que pode do InSight (abreviatura de "Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport"), eles próprios também começaram a tomar medidas que assinalam o fim.
Aqui fica um vislumbre do que isso engloba.
Comparação que mostra o InSight "limpo" e "sujo" - duas selfies obtidas no dia 6 de dezembro de 2018 - apenas 10 dias após o pouso em Marte - e no dia 24 de abril de 2022. Pode ser vista uma espessa camada de poeira no "lander" e nos seus paineis solares. Ver aqui apenas a imagem do InSight "limpo"; aqui apenas a imagem do InSight "sujo".
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Preservação de dados
A mais importante das etapas finais da missão InSight é o armazenamento dos seus dados e a sua disponibilização aos investigadores de todo o mundo. Os dados do "lander" forneceram detalhes sobre as camadas interiores de Marte, o seu núcleo líquido, os remanescentes surpreendentemente variáveis, sob a superfície, do seu campo magnético maioritariamente extinto, a meteorologia nesta parte de Marte e muita atividade sísmica.
O sismómetro do InSight, fornecido pelo CNES (Centre National d’Études Spatiales) da França, detetou mais de 1300 sismos marcianos desde que o módulo pousou em novembro de 2018, o maior medindo magnitude 5. Registou até sismos do impacto de meteoroides. A observação de como as ondas desses sismos mudam à medida que viajam pelo planeta fornece uma melhor compreensão de como todos os mundos rochosos, incluindo a Terra e a sua Lua, se formaram.
"Finalmente podemos ver Marte como um planeta com camadas, com espessuras e composições diferentes", disse Bruce Banerdt do JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, o investigador principal da missão. "Estamos a começar a mergulhar profundamente nos detalhes. Agora não se trata apenas deste enigma; é na verdade um planeta 'vivo', um planeta que 'respira'".
As leituras do sismómetro vão juntar-se ao único outro conjunto de dados sísmicos extraterrestres, das missões lunares Apollo, no PDS (Planetary Data System) da NASA. Vão também para um arquivo internacional gerido pelo consórcio IRIS (Incorporated Research Institutions for Seismology), que hospeda "todos os locais de dados da rede sísmica terrestre", disse Sue Smrekar do JPL, investigadora principal adjunta do InSight. "Agora, também temos Marte".
Smrekar disse que se espera que os dados continuem a produzir descobertas durante décadas.
Gestão energética
No início deste verão, o "lander" tinha tão pouca energia disponível que a missão desligou todos os outros instrumentos científicos do InSight a fim de manter o sismómetro a funcionar. Até desligaram o sistema de proteção de falhas, que de outra forma desligaria automaticamente o sismómetro caso o sistema detetasse que a produção de energia estava perigosamente baixa.
"Estávamos reduzidos a menos de 20% da capacidade de produção original", disse Banerdt. "Isso significa que não nos podemos dar ao luxo de deixar os instrumentos continuamente ligados".
Recentemente, após uma tempestade regional de poeira ter acrescentado ainda mais poeira aos painéis solares do módulo, já de si "sujos", a equipa decidiu desligar completamente o sismómetro a fim de poupar energia. Agora que a tempestade terminou, o sismómetro está novamente a recolher dados - embora a missão espera que o módulo de aterragem só tenha energia suficiente para mais algumas semanas.
Do conjunto de sensores do sismómetro, apenas os mais sensíveis estão ainda em funcionamento, disse Liz Barrett, que lidera as operações científicas e instrumentais da equipa no JPL, acrescentando: "Estamos a 'espremê-lo' ao máximo possível".
Numa zona de teste no JPL, os engenheiros praticam a utilização dos instrumentos do InSight usando o ForeSight, uma réplica em tamanho real do "lander", réplica esta que será guardada assim que a missão terminar. Vários engenheiros estão a usar óculos de sol para bloquear as luzes amarelas brilhantes e assim imitar a luz solar tal como esta é em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/IPGP
Arrumando o gémeo
Um membro silencioso da equipa é o ForeSight, o modelo de engenharia em tamanho real do InSight, situado no ISIL (In-Situ Instrument Laboratory) do JPL. Os engenheiros utilizaram o ForeSight para praticar como o InSight poderia colocar os instrumentos científicos na superfície marciana com o seu braço robótico, para testar técnicas para colocar a sonda de calor do "lander" no pegajoso solo marciano e para desenvolver formas de reduzir o ruído captado pelo sismómetro.
O ForeSight será acondicionado e colocado em armazém. "Vamos guardá-lo com carinho", disse Banerdt. "Tem sido uma grande ferramenta, um grande companheiro durante toda a missão".
Declarando o fim da missão
A NASA declarará o fim da missão quando o InSight falhar duas sessões consecutivas de comunicação com as naves espaciais em órbita de Marte, parte da MRN (Mars Relay Network) - mas apenas se a causa da falha de comunicação for o próprio "lander", disse o gerente da rede, Roy Gladden, do JPL. Depois disso, a DSN (Deep Space Network) da NASA ainda irá continuar à escuta durante algum tempo, por via das dúvidas.
Não vão haver medidas heroicas para restabelecer o contacto com o InSight. Embora um evento que salve a missão - uma forte rajada de vento, digamos, que limpe os painéis - não esteja fora de questão, é considerado improvável.
Entretanto, enquanto o InSight se mantiver em contacto, a equipa vai continuar a recolher dados. "Vamos continuar a fazer medições científicas enquanto pudermos", disse Banerdt. "Estamos à mercê de Marte. Em Marte não se prevê nem chuva nem neve; a meteorologia em Marte é poeira e vento".
Experiência ajuda a prever os efeitos do impacto da DART
No dia 26 de setembro, a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA colidiu com Dimorphos, uma lua do asteroide próximo da Terra, Didymos, a cerca de 22.500 km/h. Antes do impacto, os engenheiros e cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) realizaram uma experiência para estudar o processo de formação de crateras que produz a massa de materiais ejetados e mede o subsequente aumento de momento do impacto. A experiência, financiada internamente, que utilizou um alvo mais realista do que os anteriormente explorados, está descrita num novo artigo publicado na revista The Planetary Science Journal.
O satélite LICIACube da Agência Espacial Italiana obteve esta imagem imediatamente antes da sua maior aproximação do asteroide Dimorphos, após a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) ter propositadamente colidido a 26 de setembro de 2022. Didymos, Dimorphos e a pluma que sai de Dimorphos após o impacto da DART são claramente visíveis.
Créditos: Agência Espacial Italiana/NASA
A NASA não só rastreia asteroides próximos da Terra (NEAs, sigla inglesa para "near-Earth asteroids") que poderiam constituir uma ameaça de impacto para o nosso planeta, mas também está a explorar tecnologia para desviar um pequeno NEA. Apenas uma pequena mudança orbital seria necessária para alterar a trajetória de um objeto de modo a que este passe em segurança pela Terra, desde que a mudança seja aplicada com suficiente antecedência em relação ao instante do impacto. A alteração de momento de um asteroide através de uma colisão direta fornece um golpe duplo: a transferência direta de momento do projétil de impacto, empurrando-o para a frente e o recuo dos detritos do asteroide que irrompem da cratera de impacto. O material ejetado transfere momento, impulsionando o alvo de um modo "ação-reação", tal como um foguetão é lançado quando o gás a alta velocidade irrompe da traseira do veículo.
"Uma grande questão que enfrentámos foi o aspeto do asteroide e qual seria a sua composição. Para nós é importante saber se podemos aprender algo com experiências laboratoriais em pequena escala", disse o Dr. James D. Walker, diretor do departamento de Dinâmica de Engenharia do SwRI e o autor principal do estudo.
Walker é membro da Equipa de Investigação DART juntamente com os seus coautores, o Dr. Sidney Chocron, Donald J. Grosch e o Dr. Simone Marchi.
A nave espacial DART foi lançada da Terra em novembro de 2021. No dia 26 de setembro, colidiu deliberadamente com a lua Dimorphos para avaliar se uma nave espacial poderia desviar um asteroide em rota de colisão com a Terra. Dimorphos orbita o asteroide Didymos, um objeto próximo da Terra que foi classificado como um asteroide potencialmente perigoso. A missão DART foi concebida para dar um empurrão à órbita da lua em redor de Didymos.
As pedras na moldura de madeira antes (esquerda) e depois (direita) do cimento para as manter no lugar ter sido vertido. A fotografia da direita mostra o bloco alvo, acorrentado ao pêndulo. Atrás do alvo encontra-se uma placa de alumínio com 10,16 cm de espessura com dimensões de 30,48 × 30,48 cm. A placa de alumínio foi colocada sobre blocos de madeira, de modo a sobrepor a parte traseira aberta da moldura de madeira. O ponto branco com uma borda vermelha no centro da face do alvo é o ponto de impacto projectado e alinhado a laser.
Crédito: SwRI, Walter et al., 2022
O SwRI tem uma grande pistola de gás, capaz de lançar projéteis a velocidades até sete quilómetros por segundo, que foi utilizada para lançar um projétil, projétil este que colidiu com um objeto que representava a pequena lua. Pensa-se que Dimorphos é um asteroide "pilha de escombros", composto por pedaços de rocha unidos pela gravidade, pelo que a lua foi representada por uma coleção de rochas e pedras, neste caso mantidas juntas por cimento.
"Disparámos uma esfera de alumínio, que representa a sonda DART, usando a pistola de gás, na direção do alvo a 5,44 km/s, perto da velocidade de 6,1 km/s do impacto da DART", disse Walker. "A nossa experiência mediu uma transferência de momento para o alvo de 3,4 vezes o momento da esfera projétil de alumínio. O número 3,4 é referido pelos cientistas como a letra grega "beta" do impacto. Assim, o material ejetado forneceu um momento adicional de 240% para defletir o corpo, para além do que é fornecido pelo próprio projétil".
A experiência visava estudar o processo de formação de crateras e medir o aumento do momento que resultaria da colisão. Crucialmente, a pilha de escombros não foi mantida no lugar, mas foi pendurada verticalmente como um pêndulo a fim de medir o aumento do momento, o recuo criado pelo material ejetado pelo impacto.
Uma sequência de fotografias do impacto com uma câmara de alta velocidade (da esquerda para a direita, de cima para baixo). O primeiro é dois fotogramas antes do impacto, onde com maior sensibilidade é possível distinguir a esfera antes do impacto (o crescente do voo hipersónico através do gás residual num vácuo parcial). A imagem seguinte mostra o impacto, onde a imagem saturada tem cerca de 12 cm de diâmetro. A seguinte é de uma simulação numérica do impacto, mostrando a velocidade do material; a linha preta demarca o pêndulo e o alvo) e a cratera a 10 μs tem cerca de 6 cm de diâmetro. Os três fotogramas seguintes são fotografias sequenciais após o impacto. Os fotogramas estão separados por 12,65 µs; a exposição é de 0,29 µs. As imagens experimentais são autoiluminadas. Crédito: SwRI, Walter et al., 2022
"É importante compreender o recuo", disse o coautor Dr. Simone Marchi. "Tudo se resume à quantidade de momento que foi transferido do impacto para o alvo, e houve uma quantidade significativa de material ejetado e de recuo".
Ao medir o momento, a equipa do SwRI pôde então extrair informações importantes que poderiam avaliar a dificuldade de desviar asteroides no espaço. Nesta última experiência, o aumento do momento foi superior ao que foi testemunhado nas experiências anteriores da equipa. Um recuo maior sugere que seria mais fácil desviar o asteroide.
Nas semanas que se seguiram ao impacto, a NASA anunciou que a DART tinha sido bem-sucedida em dar em empurrãozinho à lua. Walker está agora ansioso por ver o que mais se pode aprender com a missão, incluindo a transferência de momento do evento no espaço.
"Vai demorar algum tempo a calcular os resultados, em parte porque envolve a estimativa da massa da lua, que é desconhecida", disse. "Assim que houver um acordo sobre a massa, então a medição da mudança na órbita da lua dir-nos-á a transferência de momento. Temos um corpo especulativo que impactámos e o que realmente gostaríamos de saber é como o tamanho afetou as coisas. Será um desafio determinar isso".
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