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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
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  Astroboletim #2191  
  07/03 a 10/03/2025  
     
 
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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
Em março haverá um eclipse solar e nós estaremos na Ponte Romana em Tavira para o observar com toda a segurança. O eclipse solar também será observado em simultâneo em Faro, pelo Centro Ciência Viva do Algarve e em Lagos pelo Centro Ciência Viva de Lagos. A atividade é gratuita. Participe!
Data: 29 de março de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
Esta atividade depende das condições atmosféricas
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
Iremos realizar uma sessão de observação do eclipse solar parcial em simultâneo com o Centro Ciência Viva de Tavira e com o Centro Ciência Viva de Lagos. A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Data: 29 de março de 2025
Hora: 09:30 - 11:30
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 07/03: 66.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espetro estelar. Um importante catálogo de espetros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, codescobridor do Cometa Hale-Bopp
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.
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Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, que já passou o seu Quarto Crescente, brilha para cima e para a direita do triângulo de Marte-Castor-Pollux assim que as estrelas ficam visíveis. Com o avançar da noite, todo este arranjo gira no sentido dos ponteiros do relógio à medida que se desloca para oeste. Esta rápida rotação acontece sempre para padrões que passam perto do zénite. À hora de jantar a Lua estará diretamente para cima de Marte quando olhar na sua direção.

 

DIA 08/03: 67.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1618, Johannes Kepler descobre a terceira lei do movimento planetário.
Em 1977, eram descobertos os anéis de Úrano durante observações aéreas de ocultações da NASA.
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Em 1979, imagens obtidas pela Voyager 1 provam a existência de vulcões em Io, uma lua de Júpiter.
Em 1999, começa a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor.
Em 2002, o asteroide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450.000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de março.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua junta-se esta noite a Marte, Pollux e Castor. Observe a Lua a mudar a sua separação relativamente a estes objetos com o avançar da noite. A Lua viaja para este ao longo da sua órbita quase um diâmetro lunar por hora.

 

DIA 09/03: 68.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1934, nascimento de Yuri Gagarin, cosmonauta soviético, o primeiro humano no espaço.
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Em 1955, Walt Disney apresenta pessoalmente o primeiro programa televisivo de "Man in Space", no canal norte-americano ABC. Wernher von Braun, o engenheiro aeroespacial e Walt Disney, o artista, usaram este novo meio de comunicação que era a televisão para mostrar que os humanos podiam ir à Lua e além com base em tecnologias futuras e no desejo de exploração e descoberta. 
Em 1961, é lançado com sucesso o Sputnik 9, que transporta um boneco humano com a alcunha de Ivan Ivanovich e demonstra que a União Soviética está pronta para os voos espaciais tripulados.
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.
Em 1997, observadores na China, Mongólia e partes da Sibéria têm a rara oportunidade de ver um espetáculo duplo: um eclipse permite ver o cometa Hale-Bopp durante o dia.
Em 2011, o vaivém Discovery faz a sua aterragem final após 39 voos.
HOJE, NO COSMOS:
Ainda faltam alguns dias para o início da primavera, mas Arcturo, a Estrela da Primavera, parece ansiosa por dar um ar da sua graça. Nasce agora acima do horizonte a este-nordeste à hora de jantar.
Para ver o nascer de Arcturo, encontre a Ursa Maior assim que as estrelas comecem a aparecer; está alta a nordeste. Siga a curva da "pega" da "frigideira" da Ursa Maior para baixo e para a direita até chegar ao horizonte. É aí que pode ficar atento ao aparecer da estrela.
Pelas 23 horas Arcturo já domina o céu a este.

 

DIA 10/03: 69.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1977, os astrónomos descobrem os anéis de Úrano.
Em 2006, a Mars Reconnaissance Orbiter chega a Marte.
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HOJE, NO COSMOS:
A Lua encontra-se no meio de uma linha entre Pollux (Gémeos) e Régulo (Leão). Um pouco para cima e para a direita do nosso satélite natural está o enxame do Presépio (M44). Para a sua observação, recomendam-se binóculos.

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Webb expõe atmosfera complexa de "super-Júpiter" sem estrela
 
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Esta conceção artística mostra o objeto isolado de massa planetária SIMP 0136 como poderá ser, com base em observações recentes do Telescópio Espacial James Webb da NASA e em observações anteriores do Hubble, do Spitzer e de numerosos telescópios terrestres. Os investigadores utilizaram o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) e o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb para medir alterações subtis no brilho da luz infravermelha à medida que o objeto completava duas rotações de 2,4 horas. Analisando a mudança no brilho de diferentes comprimentos de onda ao longo do tempo, foi possível detetar a variabilidade na cobertura de nuvens a diferentes profundidades, variações de temperatura na atmosfera superior e mudanças na química do carbono à medida que diferentes lados do objeto giravam para dentro e fora de vista. Esta ilustração é baseada nas observações espetroscópicas do Webb. O Webb não captou uma imagem direta do objeto.
Crédito: NASA, ESA, CSA e Joseph Olmsted (STScI)
 

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que as variações de brilho anteriormente observadas num objeto flutuante de massa planetária, conhecido como SIMP 0136, devem ser o resultado de uma combinação complexa de factores atmosféricos e não podem ser explicadas apenas pelas nuvens.

Utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA para monitorizar um largo espetro de luz infravermelha emitida durante duas rotações completas de SIMP 0136, a equipa conseguiu detetar variações nas camadas de nuvens, na temperatura e na química do carbono que anteriormente não eram visíveis.

Os resultados fornecem uma visão crucial sobre a complexidade tridimensional das atmosferas dos gigantes gasosos dentro e fora do nosso Sistema Solar. A caracterização detalhada de objetos como estes é uma preparação essencial para a obtenção de imagens diretas de exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar, com o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, que deverá começar operações em 2027.

Flutuante e com rotação rápida

SIMP 0136 é um objeto flutuante e de rotação rápida com cerca de 13 vezes a massa de Júpiter, localizado na Via Láctea a apenas 20 anos-luz da Terra. Embora não esteja classificado como um exoplaneta gigante gasoso - não orbita uma estrela e pode ser uma anã castanha - SIMP 0136 é um alvo ideal para a exometeorologia: é o objeto mais brilhante do seu tipo no céu do hemisfério norte. Por estar isolado, pode ser observado sem receio de contaminação luminosa ou variabilidade causada por uma estrela hospedeira. E o seu curto período de rotação, de apenas 2,4 horas, torna possível uma observação muito eficiente.

Antes das observações do Webb, SIMP 0136 tinha sido estudado extensivamente usando observatórios terrestres e os telescópios espaciais Hubble e Spitzer da NASA.

"Já sabíamos que o brilho varia e estávamos confiantes de que existem camadas de nuvens irregulares que entram e saem de vista e evoluem ao longo do tempo", explicou Allison McCarthy, estudante de doutoramento na Universidade de Boston e principal autora de um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Também pensámos que podiam existir variações de temperatura, reações químicas e possivelmente alguns efeitos de atividade auroral que afetam o brilho, mas não tínhamos a certeza".

Para o descobrir, a equipa precisou da capacidade do Webb para medir mudanças muito precisas no brilho numa vasta gama de comprimentos de onda.

Registando milhares de arco-íris infravermelhos

Utilizando o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph), o Webb captou milhares de espetros individuais de 0,6 a 5,3 micrómetros - um a cada 1,8 segundos, durante mais de três horas, enquanto o objeto completava uma rotação completa. Seguiu-se imediatamente uma observação com o MIRI (Mid-Infrared Instrument), que recolheu centenas de medições espetroscópicas de luz de 5 a 14 micrómetros - uma a cada 19,2 segundos, durante outra rotação.

O resultado foram centenas de curvas de luz detalhadas, cada uma mostrando a mudança de brilho de um comprimento de onda (cor) muito preciso à medida que diferentes lados do objeto giravam para se tornarem visíveis.

"Ver o espetro completo deste objeto mudar ao longo de minutos foi incrível", disse a investigadora principal Johanna Vos, do Trinity College de Dublin. "Até agora, só tínhamos uma pequena fatia do espetro no infravermelho próximo pelo Hubble e algumas medições de brilho pelo Spitzer".

A equipa reparou quase imediatamente que haviam várias formas distintas de curvas de luz. Em qualquer altura, alguns comprimentos de onda estavam a ficar mais brilhantes, enquanto outros estavam a ficar mais ténues ou não mudavam muito. Há uma série de factores diferentes que devem estar a afetar as variações de brilho.

"Imaginemo-nos a observar a Terra de longe. Se olhássemos para cada cor separadamente, veríamos padrões diferentes que nos diriam algo sobre a sua superfície e atmosfera, mesmo que não conseguíssemos distinguir as características individuais", explicou o coautor Philip Muirhead, também da Universidade de Boston. "O azul aumentaria à medida que os oceanos se tornassem visíveis. As mudanças no castanho e no verde dir-nos-iam algo sobre o solo e sobre a vegetação".

 
Estas curvas de luz mostram a mudança de brilho de três conjuntos diferentes de comprimentos de onda (cores) no infravermelho próximo, provenientes do objeto isolado de massa planetária SIMP 0136, à medida que este gira. A luz foi captada pelo espetrógrafo NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb, que recolheu um total de 5726 espetros - um a cada 1,8 segundos - ao longo de cerca de 3 horas no dia 23 de julho de 2023. Pensa-se que as variações de brilho estejam relacionadas com diferentes características atmosféricas - nuvens profundas compostas por partículas de ferro, nuvens mais altas compostas por pequenos grãos de minerais de silicato e manchas quentes e frias a grande altitude - que giravam para dentro e fora de vista. O diagrama à direita ilustra a possível estrutura da atmosfera de SIMP 0136, com as setas coloridas representando os mesmos comprimentos de onda da luz vistos nas curvas de luz. As setas grossas representam mais luz (mais brilhante); as setas finas representam menos luz (mais fraca).
Crédito: NASA, ESA, CSA e Joseph Olmsted (STScI)
 

Nuvens irregulares, manchas quentes e química do carbono

Para descobrir o que poderia estar a causar a variabilidade de SIMP 0136, a equipa utilizou modelos atmosféricos para mostrar em que parte da atmosfera cada comprimento de onda da luz era originário.

"Diferentes comprimentos de onda fornecem informação sobre diferentes profundidades na atmosfera", explicou McCarthy. "Começámos a perceber que os comprimentos de onda que tinham as formas de curva de luz mais semelhantes também sondavam as mesmas profundidades, o que reforçou a ideia de que deviam ser causados pelo mesmo mecanismo".

Um grupo de comprimentos de onda, por exemplo, tem origem nas profundezas da atmosfera, onde podem existir nuvens irregulares feitas de partículas de ferro. Um segundo grupo provém de nuvens mais altas que se pensa serem constituídas por pequenos grãos de minerais de silicato. As variações em ambas as curvas de luz estão relacionadas com a irregularidade das camadas de nuvens.

Um terceiro grupo de comprimentos de onda tem origem a uma altitude muito elevada, muito acima das nuvens, e parece seguir a temperatura. As "manchas quentes" brilhantes podem estar relacionadas com auroras que foram previamente detetadas no rádio, ou com a afluência de gás quente de zonas mais profundas da atmosfera.

Algumas das curvas de luz não podem ser explicadas nem pelas nuvens nem pela temperatura, mas mostram variações relacionadas com a química do carbono atmosférico. Poderão existir bolsas de monóxido e dióxido de carbono que entram e saem de vista, ou reações químicas que alteram a atmosfera ao longo do tempo.

"Ainda não descobrimos a parte química do puzzle", disse Vos. "Mas estes resultados são realmente excitantes porque mostram-nos que as abundâncias de moléculas como o metano e o dióxido de carbono podem mudar de lugar para lugar e ao longo do tempo. Se estamos a olhar para um exoplaneta e só conseguimos obter uma medição, temos de ter em conta que essa medição pode não ser representativa de todo o planeta".

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Trinity College de Dublin (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

SIMP 0136:
Wikipedia

Anãs castanhas:
Wikipedia
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Planeta errante (ou fugitivo, interestelar, flutuante):
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Sinal de raios X aponta para um planeta destruído
 
Esta composição da Nebulosa da Hélice contém dados de raios X do Chandra (magenta), dados no visível pelo Hubble (laranja, azul claro), dados no infravermelho pelo ESO (dourado, azul escuro) e dados no ultravioleta pelo GALEX (roxo). Os dados do Chandra indicam que esta anã branca destruiu um planeta em órbita muito íntima. O ponto roxo no centro da nebulosa é a anã branca WD 2226-210.
Crédito: raios X - NASA/CXC/SAO/Univ. México/S. Estrada-Dorado et al.; ultravioleta - NASA/JPL; ótico - NASA/ESA/STScI (M. Meixner)/NRAO (T.A. Retor); infravermelho - ESO/VISTA/J. Emerson; processamento - NASA/CXC/SAO/K. Arcand
 

Um planeta pode ter sido destruído por uma anã branca no centro de uma nebulosa planetária - a primeira vez que tal se verifica. Isto explicaria um misterioso sinal de raios X que os astrónomos já detetam na Nebulosa da Hélice há mais de 40 anos. A Nebulosa da Hélice é uma nebulosa planetária, uma estrela como o nosso Sol, mas numa fase mais avançada, que libertou as suas camadas exteriores, deixando no seu centro uma pequena estrela ténue chamada anã branca.

Eventualmente, os detritos do planeta formaram um disco à volta da anã branca e caíram na superfície da estrela, criando o misterioso sinal em raios X que os astrónomos têm detetado durante décadas.

Desde 1980, missões de raios X, como o Observatório Einstein e o telescópio ROSAT, detetaram uma leitura invulgar no centro da Nebulosa da Hélice. Detetaram raios X altamente energéticos provenientes da anã branca no centro da Nebulosa da Hélice, chamada WD 2226-210, localizada a apenas 650 anos-luz da Terra. As anãs brancas como WD 2226-210 não emitem normalmente raios X muito intensos.

Um novo estudo com dados do Chandra e do XMM-Newton pode ter finalmente resolvido a questão do que está a causar estes raios X de WD 2226-210: este sinal de raios X pode ser os detritos de um planeta destruído a serem puxados para a anã branca. Se confirmado, este seria o primeiro caso de um planeta visto a ser destruído pela estrela central numa nebulosa planetária.

 
Esta impressão artística mostra um planeta (à esquerda) que se aproximou demasiado de uma anã branca (à direita) e está a ser destruído pelas forças de maré da estrela. A anã branca está no centro de uma nebulosa planetária representada pelo gás azul no plano de fundo. O planeta faz parte de um sistema planetário, que inclui um planeta no canto superior esquerdo e outro no canto inferior direito. O planeta dizimado pode ter estado inicialmente a uma distância considerável da anã branca, mas depois migrou para o interior, interagindo com a gravidade dos outros planetas do sistema.
Crédito: CXC/SAO/M. Weiss
 

Observações efetuadas pelo ROSAT, Chandra e XMM-Newton entre 1992 e 2002 mostram que o sinal de raios-X da anã branca permaneceu aproximadamente constante em termos de brilho durante esse tempo. Os dados, no entanto, sugerem que pode haver uma mudança subtil e regular no sinal de raios-X a cada 2,9 horas, fornecendo evidências da existência de um planeta excecionalmente próximo da anã branca.

Anteriormente, os cientistas determinaram que um planeta do tamanho de Neptuno está numa órbita muito próxima da anã branca - completando uma órbita em menos de três dias. Os investigadores deste último estudo concluem que poderia ter existido um planeta como Júpiter ainda mais próximo da estrela. O planeta dizimado poderia ter estado inicialmente a uma distância considerável da anã branca, mas depois migrou para o interior, interagindo com a gravidade de outros planetas do sistema. Assim que se aproximou o suficiente da anã branca, a gravidade da estrela teria parcial ou completamente despedaçado o planeta.

WD 2226-210 tem algumas semelhanças, no que toca ao seu comportamento em raios-X, com duas outras anãs brancas que não estão no interior de nebulosas planetárias. Uma delas está possivelmente a retirar material de um planeta companheiro, mas de uma forma mais calma, sem que o planeta seja rapidamente destruído. A outra anã branca está provavelmente a arrastar material dos vestígios de um planeta para a sua superfície. Estas três anãs brancas podem constituir uma nova classe de objetos variáveis, ou em mudança.

O artigo científico que descreve estes resultados foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Sinal de raios X aponta para um planeta destruído (Observatório de raios X Chandra via YouTube)

 


Quer saber mais?

Nebulosa da Hélice:
SEDS
Wikipedia

Nebulosa planetária:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Anã branca:
NASA
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

 
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NASA desliga dois instrumentos científicos das Voyager para prolongar a missão
 
Impressão artística de uma das sondas Voyager da NASA. As naves espaciais gémeas foram lançadas em 1977.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Os engenheiros no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, desligaram o instrumento CRS (Cosmic Ray Subsystem) a bordo da Voyager 1 no passado dia 25 de fevereiro e vão desligar o instrumento LECP (Low-Energy Charged Particle) da Voyager 2 no dia 24 de março. Três instrumentos científicos continuarão a funcionar em cada nave espacial. Estas decisões fazem parte de um esforço contínuo para gerir a diminuição gradual do fornecimento energético das sondas gémeas.

Lançadas em 1977, as Voyagers 1 e 2 dependem de um sistema de energia de radioisótopos que gera eletricidade a partir do calor do decaimento do plutónio. Ambas perdem cerca de 4 watts de energia por ano.

"As Voyagers têm sido 'estrelas de rock' do espaço profundo desde o seu lançamento e queremos mantê-las assim o máximo de tempo possível", disse Suzanne Dodd, gestora do projeto Voyager no JPL. "Mas a energia elétrica está a acabar. Se não desligarmos agora um instrumento em cada Voyager, elas terão provavelmente apenas mais alguns meses de energia antes de termos de declarar o fim da missão".

As duas naves espaciais transportam conjuntos idênticos de 10 instrumentos científicos. Alguns dos instrumentos, orientados para a recolha de dados durante as passagens pelos planetas, foram desligados depois das duas naves terem concluído a sua exploração dos gigantes gasosos do Sistema Solar.

Os instrumentos que permaneceram ligados muito depois da última passagem planetária foram os que a equipa científica considerou importantes para estudar a heliosfera do Sistema Solar, uma bolha protetora de vento solar e campos magnéticos criada pelo Sol, e o espaço interestelar, a região para lá da heliosfera. A Voyager 1 atingiu o limite da heliosfera e o início do espaço interestelar em 2012; a Voyager 2 atingiu o limite em 2018. Nenhuma outra nave espacial de fabrico humano operou no espaço interestelar.

Em outubro passado, para conservar energia, o projeto desligou o instrumento PLS (Plasma Science) da Voyager 2, que mede a quantidade de plasma - átomos eletricamente carregados - e a direção em que flui. O instrumento tinha recolhido apenas dados limitados nos últimos anos devido à sua orientação relativamente à direção em que o plasma flui no espaço interestelar. O instrumento PLS da Voyager 1 tinha sido desligado há alguns anos devido à degradação do seu desempenho.

Legado de ciência interestelar

O instrumento CRS que foi desligado na Voyager 1 na semana passada é um conjunto de três telescópios concebidos para estudar os raios cósmicos, incluindo protões da Galáxia e do Sol, medindo a sua energia e fluxo. Os dados desses telescópios ajudaram a equipa científica da Voyager a determinar quando e onde a Voyager 1 saiu da heliosfera.

Programado para ser desativado no final deste mês, o instrumento LECP da Voyager 2 mede os vários iões, eletrões e raios cósmicos provenientes do nosso Sistema Solar e da nossa Galáxia. O instrumento consiste em dois subsistemas: o LEPT (Low-Energy Particle Telescope), para medições de energia mais amplas, e o LEMPA (Low-Energy Magnetospheric Particle Analyzer), para estudos magnetosféricos mais específicos.

Ambos os sistemas usam uma plataforma giratória para que o campo de visão seja de 360 graus, e a plataforma é alimentada por um motor de passo que fornece um impulso de 15,7 watts a cada 192 segundos. O motor foi testado até 500.000 passos - o suficiente para garantir um funcionamento contínuo durante os encontros da missão com Saturno, que ocorreu em agosto de 1980 para a Voyager 2. Quando for desativado na Voyager 2, o motor terá completado mais de 8,5 milhões de passos.

"As naves Voyager ultrapassaram largamente a sua missão original de estudar os planetas exteriores", disse Patrick Koehn, cientista do programa Voyager na sede da NASA em Washington. "Cada bit de dados adicionais que recolhemos desde então não é apenas uma valiosa ciência bónus para a heliofísica, mas também um testemunho da engenharia exemplar das Voyagers - começando há quase 50 anos e continuando até hoje".

Adição através de subtração

Os engenheiros da missão tomaram medidas para evitar desligar os instrumentos científicos durante o máximo de tempo possível, porque os dados científicos recolhidos pelas sondas gémeas Voyager são únicos. Com estes dois instrumentos desligados, as Voyagers deverão ter energia suficiente para funcionar durante cerca de um ano antes da equipa ter de desligar outro instrumento em ambas as naves espaciais.

Entretanto, a Voyager 1 continuará a operar o seu magnetómetro MAG e o instrumento PLS (Plasma Wave Subsystem). O instrumento LECP desta nave espacial funcionará até ao final do ano, mas será desligado no próximo.

A Voyager 2 continuará a operar os seus instrumentos MAG e PLS num futuro previsível. O seu instrumento CRS está programado para ser desligado em 2026.

Com a implementação deste plano de conservação de energia, os engenheiros acreditam que as duas sondas poderão ter eletricidade suficiente para continuar a funcionar com pelo menos um instrumento científico até à década de 2030. Mas também estão conscientes de que as Voyagers já viajam pelo espaço profundo há 47 anos e que desafios imprevistos podem encurtar essa linha temporal.

Longa distância

A Voyager 1 e a Voyager 2 continuam a ser os objetos de fabrico humano mais distantes alguma vez construídos. A Voyager 1 está a mais de 25 mil milhões de quilómetros de distância. A Voyager 2 está a mais de 21 mil milhões de quilómetros da Terra.

De facto, devido a esta distância, são necessárias mais de 23 horas para fazer chegar um sinal de rádio da Terra à Voyager 1, e 19,5 horas à Voyager 2.

"A cada minuto de cada dia, as Voyagers exploram uma região onde nenhuma nave espacial esteve antes", disse Linda Spilker, cientista do projeto Voyager no JPL. "Isso também significa que cada dia pode ser o último. Mas esse dia também pode trazer outra revelação interestelar. Por isso, estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir que as Voyagers 1 e 2 continuem a sua viagem o maior tempo possível".

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura das missões Voyager pelo CCVAlg - Astronomia:
08/10/2024 - NASA desliga instrumento científico para poupar energia à Voyager 2
17/09/2024 - Equipa da Voyager 1 realiza uma complicada troca de propulsores
24/10/2023 - Equipa da missão Voyager concentra-se numa correção de software e nos propulsores
02/05/2023 - Voyager da NASA fará mais ciência com nova estratégia energética
24/05/2022 - Os engenheiros estão a investigar os dados de telemetria da Voyager 1
14/05/2021 - À medida que a Voyager 1 estuda o espaço interestelar, as suas medições de densidade "levantam ondas"
24/03/2020 - Reimaginando a heliosfera, a bolha protetora do nosso Sistema Solar
08/11/2019 - Voyager 2 ilumina fronteira do espaço interestelar
12/07/2019 - Um novo plano para manter vivos os exploradores mais antigos da NASA
05/04/2019 - A viagem ao espaço interestelar
11/12/2018 - Voyager 2 entra no espaço interestelar
09/10/2018 - Voyager 2 pode estar perto de alcançar o espaço interestelar
05/09/2017 - O legado das missões Voyager
04/08/2017 - Após 40 anos, sondas Voyager ainda querem alcançar as estrelas
17/01/2017 - Hubble fornece roteiro interestelar da viagem galáctica das Voyager
06/03/2015 - Estudo descobre dois jatos de vento solar na heliosfera
17/09/2013 - Como é que sabemos que a Voyager alcançou o espaço interestelar? 
13/09/2013 - É oficial: Voyager 1 deixa Sistema Solar e entra no espaço interestelar
16/08/2013 - Novo estudo argumenta que Voyager 1 já saiu do Sistema Solar 
02/07/2013 - Voyager 1 explora fronteira final da nossa "bolha solar"
04/12/2012 - Voyager 1 da NASA encontra nova região no espaço profundo
09/10/2012 - Voyager 1 pode já ter deixado o Sistema Solar
19/06/2012 - Dados da Voyager 1 apontam para futuro interestelar
02/12/2011 - Sondas Voyager detectam radiação Lyman-Alpha da Via Láctea
10/06/2011 - Uma grande surpresa no limite do Sistema Solar
11/03/2011 - Voyager 1 procura resposta que sopra ao vento
25/11/2009 - Resolvido mistério nos confins do Sistema Solar
12/12/2007 - Sistema Solar é "esborrachado"
27/05/2005 - Voyager alcança fronteira do Sistema Solar

Sondas Voyager:
NASA
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Heliosfera:
Wikipedia

Espaço interestelar:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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  Gemini South observa nova ultraquente em erupção com uma surpreendente assinatura química (via NOIRLab)
Usando o telescópio Gemini South, uma metade do Observatório Internacional Gemini, parcialmente financiado pelo NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation), e o Telescópio Baade (uma metade dos Telescópios Magellan), os astrónomos observaram pela primeira vez uma nova recorrente fora da Via Láctea no infravermelho próxima. Os dados revelaram emissões químicas altamente invulgares, bem como uma das temperaturas mais quentes alguma vez registadas para uma nova, ambas indicativas de uma erupção extremamente violenta. Ler fonte
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Álbum de fotografias
As Sete Irmãs vs. Califórnia

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Todd Anderson
 
À direita, vestidas de azul, estão as Plêiades. Também conhecidas como as Sete Irmãs ou M45, é um dos enxames abertos mais brilhantes e mais facilmente visíveis no céu. As Plêiades contêm mais de 3000 estrelas, estão a cerca de 400 anos-luz de distância e têm apenas 13 anos-luz de diâmetro. À volta das estrelas existe uma espetacular nebulosa azul de reflexão composta por poeira fina. Uma lenda comum diz que uma das estrelas mais brilhantes desapareceu desde que o enxame foi batizado. À esquerda, brilhando em tons de vermelho, está a Nebulosa Califórnia. Assim designada devido à sua forma, a Nebulosa Califórnia é muito mais fraca e, por isso, mais difícil de ver do que as Plêiades. Também conhecida como NGC 1499, esta massa de hidrogénio gasoso, vermelho e brilhante, fica a cerca de 1500 anos-luz de distância. Embora cerca de 25 Luas Cheias pudessem caber entre elas, esta composição de campo largo e profundo capturou ambas. Uma inspeção cuidadosa da imagem de céu profundo também revelará a região de formação estelar IC 348 e a nuvem molecular LBN 777 (a Nebulosa da Águia Bebé).
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