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Edição n.º 931
05/02 a 07/02/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Observações: Com a Lua fora do céu nocturno, esta semana é uma boa altura para tentar observar a Luz Zodiacal a partir do Hemisfério Norte. Com céu limpo e escuro, olhe para Oeste mesmo no fim do lusco-fusco à procura de uma pirâmide ténue mas muito grande de luz. Está inclinada para a esquerda ao longo das constelações do zodíaco - ou, mais correctamente, ao longo do plano da elíptica. Por isso, a pirâmida aponta na direcção de Júpiter. O que está a ver é poeira interplanetária iluminada pelo Sol - detritos de asteróides e cometas - em órbita do Sol perto do plano do Sistema Solar.

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Observações: As partes frias do céu a Norte neste céu de Fevereiro podem não captar muita atenção, mas a grande e ténue constelação do Camelo, entre Cocheiro e o Pólo Celeste Norte, contém algumas estrelas duplas de interesse para binóculos.

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta.
Em 1984, missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, no qual os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se pela atmosfera sobre a Argentina.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Observações: Difícil conjunção entre Mercúrio e Marte. Procure-os baixos a Oeste-Sudoeste meia-hora após o pôr-do-Sol. Marte está a meio grau para cima e para esquerda de Mercúrio. É um interessante par binocular!

 
CURIOSIDADES


Um ano cósmico ou ano galáctico é o tempo que o Sol demora a completar uma órbita em torno do centro da Via Láctea, aproximadamente 230 milhões de anos.

 
CURIOSITY PERFURA ROCHA MARCIANA PELA PRIMEIRA VEZ

Um veículo robótico da Terra perfurou com sucesso uma rocha marciana pela primeira vez e expôs material alienígena primitivo para análise científica.

O rover Curiosity, com o tamanho de um carro, deliberadamente mergulhou a sua broca na ponta do seu braço robótico de 2,1 metros num afloramento de rochas que possuem veias de minerais hidratados, situado dentro de uma bacia rasa chamada Yellowknife Bay, onde a água fluiu repetidamente.

"Foi feito o teste de perfuração. A missão tem sido espectacular até agora," afirma o Dr. Jim Green, director da Divisão de Ciências Planetárias da NASA. "A área é tremendamente excitante." E o que é ainda mais surpreendente é que, à medida que o Curiosity perfurava a rocha, parecia que as resultantes vibrações também, simultaneamente, desvendavam uma veia escondida de material esbranquiçado que pode ser sulfato de cálcio - quando o solo marciano tremeu e uma fina camada de solo com cor de ferrugem visivelmente se desalojava.

Comparação do antes e depois da primeira perfuração de uma rocha marciana pelo Curiosity. A broca penetrou alguns milímetros e as vibrações aparentemente desvendaram minerais esbranquiçados escondidos por baixo da superfície enferrujada.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Ken Kremer/Marco Di Lorenzo
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O rover está a trabalhar num lugar chamado Gleneg - onde a água líquida fluiu há muito tempo atrás através da superfície do Planeta Vermelho. "Esta área é realmente rica, com todas estas fendas nas rochas e veias. É realmente fabuloso," afirma Green. "A aterragem foi um feito de engenharia que nos permitiu fazer toda esta ciência maravilhosa."

A perfuração é essencial para alcançar a meta do Curiosity em determinar se Marte já teve um ambiente favorável à vida microbiana, passada ou presente. A broca penetrou apenas uns milímetros de profundidade no interessante afloramento chamado 'John Klein', como planeado durante os testes de perfuração executados a 31 de Janeiro e a 2 de Fevereiro (Sol 174 e 176), elaborou Green. Os resultados foram confirmados em novas imagens capturadas pelo Curiosity ao longo dos últimos dias, que viajaram até à Terra este fim-de-semana passado ao longo de milhões de quilómetros de espaço interplanetário.

Várias câmaras - incluindo a câmara microscópica de alta-resolução MAHLI na torre do braço robótico - fotografaram o antes e o depois do terreno para avaliar o sucesso da manobra de perfuração. O instrumento APXS (Alpha Particle X-Ray Spectrometer) foi também colocado em contacto com o solo para determinar a composição química da rocha, do possível sulfato de cálcio na veia e investigar o seu estado de hidratação.

As ferramentas no braço robótico do Curiosity, com a broca em contacto com o afloramento John Klein para a primeira perfuração de uma rocha marciana, a 31 de Janeiro de 2013.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Ken Kremer/Marco Di Lorenzo
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O teste da broca marca um feito histórico da exploração espacial. Os rovers Spirit e Opportunity da NASA desgastaram com sucesso inúmeras rochas, mas não estão equipados com brocas penetrantes ou instrumentos de aquisição e análise de amostras. Durante este teste inicial, a broca de alta tecnologia do Curiosity foi usada apenas em modo de percussão - martelando para a frente e para trás como um cinzel. Não foram recolhidas amostras. A broca de 16 mm de largura será rodada em testes futuros para perfurar diferentes buracos.

Green realça que a equipa científica e de engenharia do Curiosity diz que este teste inicial será em breve acompanhado por exames mais complexos que irão directamente levar à perfuração interior de uma rocha para a primeira recolha e análise de novo material rochoso.

"Os resultados dos testes de perfuração parecem bons até agora," afirma Green. "Dependendo da análise, é possível que o furo do teste inicial seja mais perfurado muito em breve. A recolha de amostras segue-se depois."

A broca do Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa científica e de engenharia têm "cuidado extremo", afirma Green, em lentamente e metodicamente verificar a broca complexa. "Estamos motivados para trabalhar de forma gradual para tudo correr conforme o previsto," elabora Green. "A perfuração tem que ser feita com cuidado. Estamos ainda em modo de testes e a broca é o último dos 10 instrumentos do Curiosity a ser totalmente testado."

O Curiosity pode perfurar rochas até uma profundidade de 5 cm. Em última análise, uma amostra de material com o tamanho de metade de uma aspirina será entregue ao SAM e aos laboratórios análiticos do CheMin no convés do Curiosity. "A perfuração tem corrido muito bem até agora e estamos fazendo grandes progressos com os primeiros passos," afirma John Grotzinger, cientista do projecto Curiosity. A perfuração vai ao coração da missão. As amostras recolhidas serão analisadas pela dupla de espectrómetros para determinar a sua composição química e se moléculas orgânicas - os blocos de construção da vida - estão presentes.

O veículo de 1 tonelada via passar pelo menos algumas semanas ou mais investigando Yellowknife Bay e Gleneg - que fica na junção de três tipos diferentes de terreno geológico. Depois, o mega rover de seis rodas irá partir numa viagem de quase um ano até ao seu destino principal - as camadas sedimentares da base do Monte Sharp com 5 km de altura. O Monte Sharp está actualmente a 10 km de distância.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA
Universe Today
NASA spaceflight.com
Discovery News
UPI.com

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Marte: Sombra em Point Lake
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-CaltechMSSSMastcam
 
E se visse a sua sombra em Marte e não era humana? Então só pode ser o rover Curiosity, actualmente a explorar Marte. O Curiosity aterrou na Cratera Gale no passado mês de Agosto e tem estado ocupado a procurar sinais antigos de água corrente e pistas de que Marte possa ter abrigado vida. Na imagem acima, o Curiosity capturou um panorama que inclui a sua própria sombra na direcção oposta do Sol. A imagem foi obtida em Novembro a partir de um local apelidado de Point Lake, embora não exista lá água actualmente. O Curiosity já descobriu vários indícios de leitos secos de rio em Marte, e irá continuar a sua exploração ao subir o Monte Sharp nos próximos anos.
 

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