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Edição n.º 1019
13/12 a 16/12/2013
 
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ACTIVIDADES

27.12.13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

28.12.13 - DESCOBRINDO O SOL 15:30 – 16:30 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/12: 347.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1920, era medido o primeiro diâmetro estelar (Betelgeuse), por Francis Pease com um interferómetro no Mt. Wilson.
Em 1962, lançamento do Relay 1da NASA, primeiro satélite de comunicações em órbita.
Em 1972, Eugene Cernan e Harrison Schmitt fazem o seu terceiro e último passeio lunar com o rover, da Apollo 17.

Observações: Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 18:06 e as 21:30.
Trânsito de Ganimedes, entre as 20:24 e as 23:48.

Dia 14/12: 348.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1546 nascia Tycho Brahe.

Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho no campo.
Em 1782, o primeiro balão dos irmãos Montgolfier levanta voo no seu primeiro teste.
Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao Pólo Sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos pólos). 
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária bem-sucedida.
Em 1972, Eugene Cernan torna-se na última pessoa a pisar a Lua, após ele e Harrison Schmidt completarem o terceiro e último EVA (actividade extra-veicular) da missão Apollo 17.
Observações: Pico da chuva de meteoros das Geminídeas. A melhor altura para observação será depois do pôr-da-Lua (de dia 13 para 14), a partir das 05:45 (dia 14), até ao amanhecer. Mesmo assim, os melhores meteoros conseguirão ser vistos apesar da presença da Lua.
Trânsito da sombra de Io, entre as 21:29 e as 23:45.
Trânsito de Io, entre as 22:01 e as 00:20 (já de dia 15).

Dia 15/12: 349.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra.

Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados da superfície de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu pára-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados. 
Em 1984 era lançada a Vega 1(missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).
Observações: Trânsito de Europa, entre as 03:52 e as 06:39.
A Lua brilha esta noite em Touro. Através do seu brilho, consegue discernir as Híades e as Plêiades? Aldebarã é a estrela mais brilhante mesmo para baixo do nosso satélite natural. Para cima, está o enxame das Plêiades.

Dia 16/12: 350.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1857 nascia Edward Emerson Barnard, astrónomo americano.

É mais conhecido pela sua descoberta da estrela de Barnard em 1916, com este nome em sua honra.
Em 1965 a Pioneer 6 foi lançada para uma órbita solar entre Vénus e a Terra
Em 2000, usando dados científicos registados pela sonda em Júpiter, Galileu, a 20 de Maio, os cientistas do JPL anunciam provas de um oceano salgado por baixo da superfície de Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar. Junta-se a Calisto e a Europa como luas de Júpiter com prováveis oceanos de água líquida por baixo do gelo.
Observações: Esta noite a Lua, quase Cheia, encontra-se para cima da constelação de Orionte.

 
CURIOSIDADES


O local mais frio da Terra encontra-se bem no interior da Antárctica, onde em Agosto de 2010 foi registada uma temperatura mínima de -93,2º C.

 
 

Nas últimas semanas, temos encontrado dificuldades no envio do Astroboletim, pelo que pedimos imensas desculpas pelo ocorrido.

Neste espaço de tempo, foram criadas quatro edições, que não chegaram ser distribuídas via e-mail. No entanto, estas edições encontram-se disponíveis para consulta no Arquivo:

Enquanto não resolvemos o problema no servidor, decidimos usar temporariamente um outro software de envio de "mailing lists". Infelizmente, não temos um prazo definido para a sua correcção, pelo que se este e-mail estiver a ir para a sua caixa de lixo electrónico, por favor acrescente o e-mail "nucleo.astronomia@ccvalg.pt" (sem as aspas) à sua lista de contactos.

Relembramos também que o conteúdo noticioso encontra-se, como sempre, disponível na página do Núcleo de Astronomia do CCVAlg, via Facebook do Centro Ciência Viva do Algarve ou via feed RSS.

 
HUBBLE VÊ EVIDÊNCIAS DE PLUMAS DE VAPOR DE ÁGUA EM LUA DE JÚPITER

O Telescópio Espacial Hubble observou vapor de água por cima da frígida região polar sul da lua de Júpiter, Europa, fornecendo a primeira forte evidência de plumas de água em erupção a partir da superfície.

Descobertas científicas anteriores, de outras fontes, já apontavam a existência de um oceano localizado sob a crosta gelada de Europa. Os investigadores ainda não têm certeza absoluta que detectaram vapor de água sendo gerado pela erupção de plumas de água na superfície, mas estão confiantes de que esta é a explicação mais provável.

Caso observações futuras suportem o achado, isto torna Europa a segunda lua no Sistema Solar a ter plumas de vapor de água. As descobertas foram publicadas on-line na edição de ontem (dia 12 Dezembro) da revista Science Express e anunciadas na reunião da União Geofísica Americana em São Francisco, EUA.

Observações UV pelo Hubble mostram o tamanho das plumas de vapor de água produzidas no pólo sul de Europa.
Crédito: NASA, ESA e M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"De longe, a explicação mais simples para este vapor de água é que entra em erupção sob a forma de plumas oriundas da superfície de Europa," afirma Lorenz Roth, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em San Antonio, autor principal do estudo. "Se estas plumas estiverem ligadas com o oceano subterrâneo de água, que estamos confiantes existir por baixo da crosta de Europa, então isto significa que no futuro podemos investigar a composição química do ambiente potencialmente habitável de Europa sem ter que perfurar através de camadas de gelo. E isso é tremendamente excitante."

Em 2005, a sonda Cassini detectou jactos de vapor de água e poeira expelidos desde a superfície da lua de Saturno, Encelado. Apesar de subsequentemente se ter detectado nas plumas de Encelado gelo e partículas de poeira, até agora só foi medido em Europa o vapor de água.

As observações espectroscópicas do Hubble providenciaram as evidências das plumas de Europa em Dezembro de 2012. As amostras temporais de emissões aurorais de Europa, medidas pelo espectrógrafo de imagem do Hubble, permitiu aos cientistas distinguir as características criadas por partículas carregadas oriundas da bolha magnética de Júpiter, das plumas da superfície de Europa, e também descartar explicações mais exóticas como raras observações fortuitas de um impacto de meteorito.

O espectrógrafo de imagem detectou a fraca radiação ultravioleta de uma aurora, alimentada pelo intenso campo magnético de Júpiter, perto do pólo sul da lua. O oxigénio e hidrogénio atómicos e excitados produzem um brilho auroral variável e deixam um sinal revelador de que são os produtos de moléculas de água sendo quebradas por electrões ao longo das linhas do campo magnético.

"Para ver esta ténue emissão, empurrámos o Hubble para os seus limites. Estas podem ser plumas furtivas, porque podem ser ténues e demasiado difíceis de observar no visível," afirma Joachim Saur da Universidade de Colónia, Alemanha, investigador principal da campanha de observação do Hubble, que co-escreveu o artigo com Roth.

Este gráfico mostra a localização do vapor de água detectado por cima do pólo sul de Europa, em observações obtidas pelo Telescópio Hubble em Dezembro de 2012.
Crédito: NASA/ESA/L. Roth/WRI/Universidade de Colónia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Roth sugeriu que longas fissuras na superfície de Europa, conhecidas como "lineae", podem ventilar vapor de água para o espaço. A Cassini observou fissuras semelhantes que produzem os jactos de Encelado.

Além disso, a equipa do Hubble descobriu que a intensidade das plumas de Europa, como as de Encelado, varia com a posição orbital de Europa. Os jactos activos foram apenas vistos quando a lua está na sua posição mais longínqua (em relação a Júpiter). Os investigadores não detectaram sinais de erupções quando Europa estava o mais próximo de Júpiter.

Uma explicação para a variabilidade é que estas "lineae" sofrem mais stress à medida que as forças de maré gravitacionais empurram e puxam a lua e abrem saídas a maiores distâncias de Júpiter. Estas aberturas ficam mais estreitas ou fecham-se quando a lua está mais próxima do planeta gasoso gigante.

"A variabilidade aparente das plumas suporta uma previsão chave que Europa deve ser flexível [no que toca a forças de marés] se tem um oceano subterrâneo," afirma Kurt Retherford, também do Instituto de Pesquisa do Sudoeste.

As plumas de Europa e Encelado têm abundâncias notavelmente similares de vapor de água. Dado que Europa tem um puxo gravitacional 12 vezes maior que Encelado, segundo as medições do Hubble, o vapor a -40º C, na sua maioria, não escapa para o espaço como em Encelado, mas cai de volta para a superfície após atingir uma altitude de 201 km. Os investigadores teorizam que isto pode criar características superficiais brilhantes perto da região polar sul da lua.

"Se confirmada, esta nova observação mostra mais uma vez o poder do Telescópio Espacial Hubble para explorar e abrir um novo capítulo na nossa busca por ambientes potencialmente habitáveis no nosso Sistema Solar," afirma John Grunsfeld, astronauta que participou em missões de serviço do Hubble e é agora administrador associado da NASA para ciência, em Washington. "O esforço e o risco que tomámos para actualizar e reparar o Hubble torna-se ainda mais útil quando aprendemos sobre descobertas emocionantes como esta em Europa."

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
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Júpiter:
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Telescópio Espacial Hubble:
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MINERAIS TIPO-ARGILA DESCOBERTOS NA GELADA CROSTA DE EUROPA

Uma nova análise de dados da missão Galileu da NASA revelou minerais tipo-argila à superfície da lua gelada de Júpiter, Europa, que parecem ter sido entregues por uma espectacular colisão com um asteróide ou cometa. Esta é a primeira vez que tais minerais foram detectados na superfície de Europa. Os tipos de rochas espaciais que fornecem tais minerais também tipicamente transportam materiais orgânicos.

"Os materiais orgânicos, que são importantes blocos de construção para a vida, são frequentemente encontrados em cometas e asteróides primitivos," afirma Jim Shirley, investigador no JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. Shirley dará hoje (dia 13), uma palestra sobre este tópico numa reunião da União Geofísica Americana. "A descoberta de resíduos rochosos da colisão deste cometa na superfície de Europa pode abrir um novo capítulo na história da busca por vida na lua," realça.

Muitos cientistas acreditam que Europa é o melhor local no Sistema Solar para encontrar vida em existência. Tem um oceano subterrâneo em contacto com a rocha, uma superfície gelada que se mistura com o oceano por baixo, sais na superfície que criam um gradiente de energia, e uma fonte de calor (a flexão que ocorre no planeta por força da gravidade de Júpiter). Estas condições surgiram provavelmente pouco depois de Europa ter coalescido no nosso Sistema Solar.

Esta imagem, usando dados da missão Galileu da NASA, mostra a primeira detecção de minerais tipo-argila na superfície da lua de Júpiter, Europa. Os minerais argilosos aparecem em azul na área de cores falsas obtidos pelo espectrómetro da Galileu.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SETI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas também pensavam há muito tempo que deviam existir materiais orgânicos em Europa, embora ainda tivessem que os detectar directamente. Uma teoria é que o material orgânico pode ter chegado através de impactos de cometas ou asteróides, e esta nova descoberta apoia essa ideia.

Shirley e colegas, financiados por um subsídio do programa de Pesquisa de Planetas Exteriores da NASA, foram capazes de ver os minerais argilosos chamados filossilicatos em imagens do infravermelho próximo obtidas pela Galileu em 1998. Estas imagens são de baixa resolução tendo em conta os padrões actuais, e o grupo de Shirley está a tentar aplicar uma nova técnica que puxa um sinal mais forte destes materiais para fora da imagem ruidosa. Os filossilicatos aparecem num anel quebrado com cerca de 40 quilómetros de diâmetro, que está a cerca de 120 km do centro de uma cratera de impacto com 30 km de diâmetro.

Esta impressão de artista mostra uma possível explosão, resultante da colisão a alta-velocidade entre uma rocha espacial e a lua de Júpiter, Europa. Foram descobertos minerais tipo-argila na superfície, graças a uma nova análise de dados obtidos pela missão Galileu da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A principal explicação para este padrão de material ejectado é que um cometa ou asteróide atingiu a superfície a um ângulo de 45º (ou mais) a partir da direcção vertical. Um ângulo mais raso permitiria com que algum do material da rocha espacial original caísse sobre a superfície. Uma colisão mais frontal teria provavelmente vaporizado ou empurrado o material para baixo da superfície. É difícil saber como os filossilicatos do interior de Europa podem chegar à superfície, devido à sua crosta gelada, que os cientistas pensam ter uma espessura até 100 km em certas áreas.

Portanto, a melhor explicação é que os materiais vieram de um asteróide ou cometa. Se o corpo foi um asteróide, tinha provavelmente 1100 metros em diâmetro. Se o corpo foi um cometa, media provavelmente 1700 metros em diâmetro. Tinha quase o mesmo tamanho que o Cometa ISON antes de passar pelo Sol há algumas semanas atrás.

"A compreensão da composição de Europa é a chave para decifrar a sua história e o seu potencial de habitabilidade," acrescenta Bob Pappalardo do JPL, cientista do pré-projecto para uma missão proposta a Europa. "Será necessária uma missão futura a Europa para descobrir as especificidades da sua composição química e as implicações desta lua albergar vida."

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
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Europa:
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Sonda Galileu:
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SONDA MARCIANA REVELA UM PLANETA VERMELHO MAIS DINÂMICO

A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA revelou aos cientistas marcas escuras e delgadas - possivelmente devido a água salgada - que avançam sazonalmente por encostas surpreendentemente perto do equador marciano.

"A região da superfície equatorial de Marte tem sido considerada seca, livre de água líquida ou congelada, mas talvez seja necessário repensar isso," afirma Alfred McEwen da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, investigador principal da câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da MRO.

O acompanhamento destas características ao longo dos anos é um exemplo de como a longevidade das sondas que observam Marte está a fornecer informações sobre as mudanças em muitas escalas de tempo. Na Terça-feira passada, durante uma reunião da União Geofísica Americana, investigadores discutiram um conjunto de actividades marcianas, desde crateras novas que oferecem vislumbres da subsuperfície, até padrões de vários anos na ocorrência de grandes tempestades regionais de poeira.

Estas imagens da câmara HiRISE a bordo da MRO mostram como a aparência das marcas escuras em encostas marcianas mudam com as estações.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os fluxos à superfície que mudam com o passar das estações foram anunciados pela primeira vez há dois anos em encostas situadas a latitudes médias sul. São características semelhantes a dedos, regularmente com menos de 5 metros de largura, que aparecem e se estendem para baixo ao longo de encostas rochosas durante a Primavera e o Verão, desaparecem no Inverno e regressam na Primavera seguinte. As marcas nas encostas recentemente observadas esticam-se até 1200 metros.

McEwen e co-autores relataram os fluxos equatoriais na conferência e num artigo on-line publicado na Terça-feira passada na Nature Geoscience. Cinco dos locais bem estudados que contêm estas marcas encontram-se em Valles Marineris, o maior sistema de desfiladeiros no Sistema Solar. Em cada destes locais, as características aparecem tanto nas faces voltadas para Norte como nas faces voltadas para Sul. Nas encostas voltadas para Norte, estão activas durante a época do ano em que recebem a quantidade máxima de luz solar. As suas homólogas voltadas para Sul começam a fluir quando a estação muda e a maior quantidade de luz solar atinge o seu lado.

"A explicação que se encaixa melhor é água salgada que flui para baixo nas encostas quando a temperatura sobe," explica McEwen. "Nós ainda não temos nenhuma identificação definitiva de água nestes locais, mas também não existe nada que a ponha de parte."

Os sais dissolvidos podem manter a água no estado líquido sob temperaturas em que água mais pura congela, podem retardar a taxa de evaporação e assim esta solução salina pode fluir numa área maior. Esta análise usou dados do espectrómetro CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars) e da câmara CTX (Context Camera), ambos a bordo da MRO, bem como a experiência THEMIS (Thermal Emission Imaging System) da sonda Mars Odyssey.

Esta imagem da câmara HiRISE a bordo da MRO mostra as marcas escuras em encostas marcianas, que mudam com as estações.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A água gelada foi também identificada noutro processo dinâmico que os cientistas estudam com a MRO. Os impactos de pequenos asteróides ou pedaços de cometas escavam todos os anos muitas crateras em Marte. Vinte destas crateras frescas expuseram gelo brilhante anteriormente oculto sob a superfície. Cinco foram relatadas em 2009. As 15 recém-anunciadas estão distribuídas por uma gama mais ampla de latitudes e longitudes.

"Quanto mais descobrimos, mais conseguimos preencher o mapa global de onde o gelo está enterrado," afirma Colin Dundas do Serviço Geológico dos EUA, em Flagstaff, no estado americano do Arizona. "Vimos crateras geladas até à latitude 39 no Norte, mais de metade do caminho desde o pólo até ao equador. Elas dizem-nos que ou o clima médio ao longo de milhares de anos é mais húmido do que o actual, ou que o vapor de água na atmosfera moderna está concentrado perto da superfície. O gelo pode ter-se formado sob condições mais húmidas, com restos dessa época que perduram hoje, mas desaparecendo lentamente."

O clima moderno de Marte torna-se mais conhecido a cada ano que passa graças ao conjunto crescente de dados obtidos por uma verdadeira armada de sondas que estudam Marte continuamente desde 1997. Este espaço de tempo totaliza quase nove anos marcianos porque um ano em Marte corresponde a quase dois na Terra. As sondas anteriores e os "landers" deram-nos mais ideias sobre a dinâmica da atmosfera de Marte e a sua interacção com o solo.

Esta imagem obtida no dia 19 de Maio de 2010, mostra uma cratera de impacto que não existia quando o mesmo local em Marte foi anteriormente observado em Março de 2008.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O ciclo de poeira é o principal motor do sistema climático," afirma Robert Haberle do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia.

Uma questão-chave que os investigadores esperam responder é o porquê das tempestades de areia cercarem Marte nalguns anos e não noutros. Estas tempestades afectam os padrões anuais de vapor de água e de dióxido de carbono na atmosfera, formando as calotes polares no Inverno e reabastecendo a atmosfera na Primavera. A identificação de variações significativas nos padrões anuais requer muitos anos de observações de Marte.

Os dados que emergem de estudos a longo-prazo vão ajudar os futuros exploradores humanos de Marte a encontrar recursos como água, a prepararem-se para riscos como tempestades de areia e onde ser mais cautelosos com a contaminação com micróbios da Terra.

Lançada em 2005, a sonda MRO e os seus seis instrumentos forneceram mais dados de alta-resolução acerca do Planeta Vermelho do que todas as outras sondas marcianas combinadas. Os dados estão disponíveis para os cientistas de todo o mundo pesquisarem, analisarem e relatarem as suas conclusões.

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
HiRISE (Universidade do Arizona)
Nature Geoscience (requer subscrição)
Slides de apresentação na AGU (formato Powerpoint)
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MRO:
Página oficial da NASA 
Página oficial do JPL 
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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TAMBÉM EM DESTAQUE
  Surpresa química descoberta na Nebulosa do Caranguejo (via ESA)
Usando o Observatório Espacial Herschel da ESA, uma equipa de astrónomos descobriu a primeira evidência de uma molécula baseada num gás nobre no espaço. Um composto do árgon, a molécula foi detectada nos filamentos gasosos da Nebulosa do Caranguejo, um dos mais famosos restos de supernova na nossa Galáxia. Embora o árgon seja um produto das explosões de supernova, a formação e sobrevivência de moléculas baseadas em árgon no árduo ambiente do resto de uma supernova é uma surpresa imprevista. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Alnitak, Alnilam, Mintaka
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rogelio Bernal Andreo (Deep Sky Colors)
 
Alnitak, Alnilam e Mintaka são as estrelas brilhantes azuladas de Este para Oeste (parte inferior à direita até cima à esquerda), ao longo da diagonal, nesta linda paisagem cósmica. Também conhecida como Cintura de Orionte, estas três supergigantes azuis são mais quentes e massivas que o Sol. Estão situadas a aproximadamente 1500 anos-luz de distância, nascidas nas bem estudadas nuvens interestelares de Orionte. Na verdade, as nuvens de gás e poeira à deriva nesta região têm formas intrigantes e surpreendentemente familiares, incluindo a Nebulosa Cabeça de Cavalo e a Nebulosa da Chama perto de Alnitak em baixo e à direita. A famosa Nebulosa de Orionte está para a direita deste rico e colorido campo estelar. A bem enquadrada imagem telescópica abrange cerca de 4 graus no céu.
 

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