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Edição n.º 1139
06/02 a 09/02/2015
 
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27/02/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922

 
EFEMÉRIDES

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Observações: Júpiter em oposição, pelas 18:00. O termo oposição significa que está exatamente na posição oposta ao Sol a partir do ponto de vista do céu da Terra. Por isso, nasce por volta do pôr-do-Sol, brilha mais alto a Sul por volta da meia-noite e põe-se ao nascer-do-Sol. Oposição também significa que um planeta exterior está mais próximo da Terra e aparece maior e mais brilhante. Júpiter mede agora 45 segundos de arco no seu equador, o maior valor para 2015. Permanece essencialmente com este tamanho durante o resto do mês.

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se na atmosfera sobre a Argentina.
Em 1999, lançamento da sonda Stardust da NASA. Foi a primeira missão a recolher amostras de poeira cometária (Wild 2) e poeira cósmica.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Observações: Orionte encontra-se alto no céu a sudeste após o lusco-fusco. A sua cintura de três estrelas aponta para Sirius. O brilhante trio de Sirius, Betelgeuse (no ombro do "Caçador") e Procyon para a esquerda, formam o grande e equilátero Triângulo de Inverno. Em comparação com o Triângulo de Verão, este é mais brilhante, com uma forma melhor e mais colorido.

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, o meteorito Allende cai perto de Pueblito de Allende, Chihuahua, México.

Em 1974, após 84 dias no espaço, a última tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1992, a sonda espacial Ulysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os pólos do Sol
Observações: As partes frias do céu a Norte neste céu de Fevereiro podem não captar muita atenção, mas a grande e ténue constelação do Camelo, entre Cocheiro e o Pólo Celeste Norte, contém algumas estrelas duplas de interesse para binóculos.

Dia 09/02: 40.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1913, é visível ao longo da costa Este do continente americano um grupo de meteoros, levando os astrónomos a concluir que a fonte foi um satélite natural da Terra, pequeno e de curta vida.
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 faz a sua aterragem após ter colocado homens na Lua pela 3ª vez.
Em 1975, a Soyuz 17 regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.

Em 1995, os astronautas do vaivém espacial Bernard A. Harris, Jr. e Michael Foale tornam-se no primeiro africano-americano e primeiro inglês, respectivamente, a fazer passeios espaciais.
Observações: Trânsito de Calisto, entre as 20:23 e as 01:20 (já de dia 10).
Trânsito da sombra de Calisto, entre as 21:05 e as 02:10 (já de dia 10).

 
CURIOSIDADES


Na nossa perspetiva terrestre das coisas, a velocidade da luz parece incrivelmente rápida. Mas assim que vemos da perspetiva vasta do Universo, é infelizmente muito lenta. Esta animação mostra, em tempo real, a viagem de um fotão de luz emitido a partir da superfície do Sol até para lá de Júpiter.

 
PLANCK REVELA QUE PRIMEIRAS ESTRELAS NASCERAM TARDE
Visualização da polarização da radiação cósmica de fundo, detetada pelo satélite Planck da ESA por todo o céu.
Na imagem, a escala de cores representa diferenças de temperatura na radiação cósmica de fundo, enquanto a textura indica a direção da luz polarizada. Os padrões vistos na textura são característicos da polarização de "modos-E", o tipo de polarização dominante na radiação cósmica de fundo.
Para fins de ilustração, ambos os conjuntos de dados foram filtrados para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas de aproximadamente 5º no céu. No entanto, as flutuações tanto na temperatura como na polarização estão presentes e foram observadas pelo Planck também a escalas angulares muito mais pequenas.
Crédito: ESA e Colaboração Planck
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novos mapas do satélite Planck da ESA desvendaram a luz "polarizada" do início do Universo por todo o céu, revelando que as primeiras estrelas formaram-se muito mais tarde do que se pensava anteriormente.

A história do nosso Universo é um conto com 13,8 mil milhões de anos que os cientistas esforçam-se por ler através do estudo dos planetas, asteroides, cometas e outros objetos no nosso Sistema Solar, e recolhendo luz emitida por distantes estrelas, galáxias e por matéria espalhada entre elas.

A principal fonte de informação usada para reconstituir esta história é a Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (em inglês, Cosmic Microwave Background, sigla CMB), a luz fóssil resultante de uma época em que o Universo era quente e denso, apenas 380.000 anos após o Big Bang.

Graças à expansão do Universo, vemos que esta luz hoje cobre todo o céu em comprimentos de onda de micro-ondas.

Entre 2009 e 2013, o Planck examinou o céu para estudar esta radiação antiga em detalhes sem precedentes. As pequenas diferenças na temperatura de fundo traçam regiões de densidades ligeiramente diferentes no início do cosmos, representando as sementes de todas as estruturas futuras, as estrelas e as galáxias de hoje.

Os cientistas da colaboração Planck publicaram os resultados da análise destes dados num grande número de artigos científicos ao longo dos últimos dois anos, confirmando o quadro cosmológico padrão do nosso Universo cada vez com maior precisão.

"Mas há mais: a CMB contém pistas sobre a nossa história cósmica, codificadas na sua 'polarização'," explica Jan Tauber, cientista do projeto Planck da ESA.

"O Planck mediu este sinal pela primeira vez em alta-resolução e por todo o céu, produzindo estes mapas únicos."

Sumário da história de quase 14 mil milhões de anos do Universo, mostrando em particular os eventos que contribuíram para a radiação cósmica de fundo em micro-ondas.
O cronograma da secção superior da ilustração mostra uma impressão de artista da evolução do cosmos em larga escala. Os processos variam entre a inflação, a breve era de expansão acelerada do Universo quando tinha apenas uma pequena fração de um segundo, a libertação da CMB, a forma mais antiga de luz do Universo, impressa no céu quando o cosmos tinha apenas 380.000 anos; e da "Idade das Trevas" até ao nascimento das primeiras estrelas e galáxias, que reionizaram o Universo quanto tinha apenas algumas centenas de milhões de anos, até ao presente.
Pequenas flutuações quânticas geradas durante o período inflacionário são as sementes das estruturas futuras: as estrelas e galáxias de hoje. Depois do fim da inflação, as partículas de matéria escura começaram a aglomerar-se em torno destas sementes cósmicas, construindo lentamente uma teia cósmica de estruturas. Mais tarde, depois da libertação da CMB, a matéria normal começou a cair na direção destas estruturas, eventualmente dando origem às estrelas e galáxias.
As imagens circulares na secção inferior mostram ampliações de alguns processos microscópicos que tiveram lugar durante a história cósmica: desde pequenas flutuações geradas durante a inflação, até à sopa densa de luz e partículas que preencheram o Universo jovem; passando pela última dispersão de luz pelos eletrões, que deram origem à CMB e à sua polarização, até à reionização do Universo, provocada pelas primeiras estrelas e galáxias, que induziram polarização adicional na CMB.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A luz é polarizada quando vibra numa direção preferida, algo que pode surgir como resultado de fotões - partículas de luz - ricocheteados por outras partículas. Isto é exatamente o que aconteceu quando a radiação cósmica de fundo teve origem no início do Universo.

Inicialmente, os fotões estavam presos numa sopa quente e densa de partículas que, quando o Universo tinha apenas alguns segundos, consistia principalmente de eletrões, protões e neutrinos. Devido à alta densidade, os eletrões e os fotões colidiam uns com os outros com tanta frequência que a luz não podia viajar qualquer distância significativa sem esbarrar com outro eletrão, tornando o início do Universo extremamente "enevoado".

Lentamente mas seguramente, à medida que o cosmos expandia e arrefecia, os fotões e outras partículas afastaram-se e as colisões tornaram-se menos frequentes.

Isto teve duas consequências: os eletrões e os protões puderam finalmente combinar-se para formar átomos neutros sem serem dilacerados novamente por um fotão, e os fotões tiveram espaço suficiente para viajar, já não estando presos na neblina cósmica.

Visualização da polarização da CMB, detetada pelo satélite Planck da ESA. Nas imagens, a escala de cores representa diferenças de temperatura na radiação cósmica de fundo, enquanto a textura indica a direção da luz polarizada. Os padrões vistos na textura são característicos da polarização de "modos-E", o tipo de polarização dominante na radiação cósmica de fundo.
Em primeiro lugar, a polarização da CMB é vista em todo o céu. Para fins de ilustração, ambos os conjuntos de dados foram filtrados para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas de aproximadamente 5º no céu. No entanto, as flutuações tanto na temperatura como na polarização estão presentes e foram observadas pelo Planck também a escalas angulares mais pequenas.
Para dar uma ideia da estrutura fina das medições obtidas pelo Planck, a animação amplia uma zona mais pequena do céu, com 20º de comprimento. Esta zona é vista inicialmente com os mesmos filtros da imagem de todo o céu, e depois com um filtro diferente que mostra principalmente o sinal detetado em ângulos do céu com mais ou menos 20 minutos de arco.
Crédito: ESA e Colaboração Planck
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma vez livre deste nevoeiro, a luz começou a sua viagem cósmica que iria levá-la até aos dias de hoje, onde telescópios como o Planck detetam-na como radiação cósmica de fundo em micro-ondas. Mas a luz também mantém uma memória do seu último encontro com os eletrões, capturada na sua polarização.

"A polarização da CMB também mostra flutuações minúsculas de um lugar para outro através do céu: tal como as flutuações de temperatura, as flutuações da polarização refletem o estado do cosmos na altura em que a luz e matéria se separaram," explica François Bouchet do Institut d’Astrophysique de Paris, França.

"Isto fornece uma ferramenta poderosa para estimar, de um modo novo e independente, parâmetros como a idade do Universo, a sua taxa de expansão e a composição essencial da matéria normal, da matéria escura e da energia escura."

Os dados de polarização do Planck confirmam os detalhes do quadro cosmológico padrão determinados a partir da sua medição das flutuações de temperatura da CMB, mas acrescentam uma nova e importante resposta a uma questão fundamental: quando é que as primeiras estrelas nasceram?

Representação da polarização da CMB, detetada pelo satélite Planck da ESA numa pequena zona do céu com 20º de comprimento.
A CMB (Cosmic Background Radiation, ou Radiação Cósmica de Fundo em Micro-Ondas em português) é um retrato da luz mais antiga do nosso Universo, impresso no céu quando este tinha apenas 380.000 anos. Mostra pequenas flutuações de temperatura que correspondem a regiões de densidades ligeiramente diferentes, representando as sementes da todas as estruturas futuras: as estrelas e galáxias de hoje.
Uma pequena fração da CMB é polarizada - vibra num direção preferida. Isto é resultado do último encontro desta luz com os eletrões, antes de começaram a sua viagem cósmica. Por esta razão, a polarização da CMB retém informação acerca da distribuição da matéria no Universo jovem, e o seu padrão no céu segue aquele de pequenas flutuações observadas na temperatura da CMB.
Na imagem, a escala de cores representa diferenças de temperatura na radiação cósmica de fundo, enquanto a textura indica a direção da luz polarizada. Os padrões vistos na textura são característicos da polarização de "modos-E", o tipo de polarização dominante na radiação cósmica de fundo.
Para fins de ilustração, ambos os conjuntos de dados foram filtrados para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas de aproximadamente 5º no céu. No entanto, as flutuações tanto na temperatura como na polarização estão presentes e foram observadas pelo Planck também a escalas angulares maiores e mais pequenas.
Crédito: ESA e Colaboração Planck
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"Depois da libertação da CMB, o Universo era ainda muito diferente daquele em que vivemos hoje em dia e demorou muito tempo até que as primeiras estrelas fossem capazes de se formar," explica Marco Bersanelli da Università degli Studi di Milano, Itália.

"As observações da polarização da CMB pelo Planck dizem-nos agora que esta 'Idade das Trevas' acabou cerca de 550 milhões de anos após o Big Bang - mais de 100 milhões de anos mais tarde do que se pensava anteriormente.

"Embora estes 100 milhões de anos pareçam insignificantes em comparação com os quase 14 mil milhões de anos do Universo, constituem uma diferença significativa quando se trata da formação das primeiras estrelas."

A "Idade das Trevas" terminou quando as primeiras estrelas começaram a brilhar. E quando a sua luz interagia com o gás no Universo, cada vez mais átomos voltaram para as suas partículas constituintes: eletrões e protões.

Esta fase fundamental na história do cosmos é conhecida como "época da reionização" ou "alvorada cósmica".

Representação da polarização da CMB, detetada pelo satélite Planck da ESA numa pequena zona do céu com 20º de comprimento.
Na imagem, a escala de cores representa diferenças de temperatura na radiação cósmica de fundo, enquanto a textura indica a direção da luz polarizada. Os padrões encaracolados são característicos da polarização de "modos-E", o tipo de polarização dominante na radiação cósmica de fundo.
Ambos os conjuntos de dados foram filtrados para mostrar principalmente o sinal detetado em escalas de aproximadamente 20 minutos de arco no céu. Isto mostra a fina estrutura da medição obtida pelo Planck, revelando flutuações tanto na temperatura da CMB como na polarização em escalas angulares muito pequenas.
Crédito: ESA e Colaboração Planck
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os eletrões recém-libertados foram uma vez mais capazes de colidir com a luz da CMB, ainda que com muito menos frequência agora que o Universo estava significativamente maior. No entanto, tal como o tinham feito da mesma forma 380.000 anos após o Big Bang, estes encontros entre eletrões e fotões deixaram uma marca reveladora na polarização da radiação cósmica de fundo em micro-ondas.

"A partir das nossas medições das galáxias e quasares mais distantes, sabemos que o processo de reionização ficou completo quando o Universo tinha aproximadamente 900 milhões de anos," explica George Efstathiou da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

"Mas, de momento, é apenas com os dados da CMB que podemos aprender quando este processo começou."

Os novos resultados do Planck são cruciais, porque os estudos prévios da polarização da CMB pareciam apontar para um amanhecer anterior no que toca às primeiras estrelas, colocando o início da época de reionização cerca de 450 milhões de anos após o Big Bang.

E isto constituía um problema. As imagens muito profundas do céu obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA-ESA forneceram um censo das primeiras galáxias conhecidas do Universo, que começaram a formar-se talvez 300-400 milhões de anos após Big Bang.

No entanto, não teriam sido suficientemente poderosas para ter sucesso em acabar com a Idade das Trevas em 450 milhões de anos.

"Nesse caso, teríamos necessitado de fontes adicionais, de fontes mais exóticas de energia para explicar a história da reionização," afirma o professor Efstathiou.

As novas evidências do Planck reduzem significativamente o problema, indicando que a reionização começou mais tarde do que se pensava anteriormente e que as primeiras estrelas e galáxias, por si só, foram suficientes para a dirigir.

Este fim mais tardio da Idade das Trevas também implica que talvez seja mais fácil detetar a primeira geração de galáxias com a próxima geração de observatórios, incluindo o Telescópio Espacial James Webb.

A interação entre a poeira interestelar na Via Láctea e a estrutura do campo magnético da nossa Galáxia, como detetado pelo satélite Planck da ESA em todo o céu.
O Planck estudou o céu para detetar a forma mais antiga de luz no Universo - a radiação cósmica de fundo em micro-ondas. Também detetou emissão significativa no plano da frente, oriunda de material difuso na nossa Galáxia que, apesar de ser um incómodo para os estudos cosmológicos, é extremamente importante para o estudo do nascimento das estrelas e de outros fenómenos na Via Láctea.
Entre as fontes de primeiro plano nos comprimentos de onda estudados pelo Planck destacam-se a poeira cósmica, um componente menor mas crucial do meio interestelar que permeia a Galáxia. Principalmente gás, é a matéria-prima da formação estelar.
As nuvens interestelares de gás e poeira são também segmentadas pelo campo magnético da Via Láctea, e os grãos de poeira tendem a alinhar o seu eixo maior perpendicularmente à direção do campo. Como resultado, a luz emitida pelos grãos de poeira é parcialmente "polarizada" - vibra numa direção preferida - e, como tal, pode ser detetada pelos instrumentos sensíveis a polarização do Planck.
Os cientistas da colaboração Planck estão a usar a emissão polarizada da poeira interestelar para reconstruir o campo magnético da Galáxia e para estudar o seu papel na construção de estruturas na Via Láctea, levando à formação estelar.
Na imagem, a escala de cores representa a intensidade total da emissão de poeira, revelando a estrutura das nuvens interestelares da Via Láctea. A textura é baseada em medições da direção da luz polarizada emitida pela poeira, que por sua vez indica a orientação do campo magnético.
Crédito: ESA e Colaboração Planck
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Mas as primeiras estrelas definitivamente não são o limite. Com os novos dados do Planck, divulgados ontem, os cientistas também podem estudar a polarização da emissão no plano da frente, oriunda do gás e da poeira da Via Láctea, a fim de analisar a estrutura do campo magnético galáctico.

Os dados também permitiram a recolha de novas e importantes informações sobre o início do cosmos e dos seus componentes, incluindo a intrigante matéria escura e os esquivos neutrinos, descritos em artigos também divulgados ontem.

Os dados do Planck mergulharam na história mais antiga do cosmos, até à inflação - a era breve da expansão acelerada que o Universo sofreu quando tinha apenas uma pequena fração de segundo. Como uma sonda final desta época, os astrónomos estão à procura da assinatura de ondas gravitacionais provocadas pela inflação e depois impressas na polarização da CMB.

Ainda não foi descoberta a deteção direta deste sinal, como anunciado há poucos dias. No entanto, quando os cientistas combinaram os dados mais recentes do Planck, determinaram os melhores limites superiores para a quantidade de ondas gravitacionais primordiais.

"Estes são apenas alguns destaques do escrutínio das observações da polarização da CMB pelo Planck, que está a revelar o céu e o Universo de uma maneira completamente nova," comenta Jan Tauber.

"É um conjunto extremamente rico de dados e a 'colheita' de descobertas está apenas a começar."

Links:

Cobertura da missão Planck pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/02/2015 - Planck: ondas gravitacionais permanecem elusivas
18/03/2014 - Primeira evidência directa da inflação cósmica
22/03/2013 - Planck revela um Universo quase perfeito
17/01/2012 - Instrumento HFI do Planck completa estudo do Universo primordial
06/07/2010 - Imagem global do céu revela neblina galáctica por cima de fundo cósmico
18/05/2009 - Herschel e Planck lançados com sucesso
13/05/2009 - Satélite Planck pronto para medir o Big Bang

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigos científicos que descrevem os novos resultados (ESA)
NASA (comunicado de imprensa)
NewScientist
SPACE.com
PHYSORG
Spaceref

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Radiação cósmica de fundo em micro-ondas:
Wikipedia

Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Wikipedia

 
ROSETTA "MERGULHA" PARA ENCONTRO ÍNTIMO

A sonda Rosetta da ESA está a preparar-se para fazer um encontro próximo com o seu cometa no dia 14 de fevereiro, passando a apenas 6 km da superfície.

Dia 3 de fevereiro foi o último dia a 26 km do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, marcando o fim do atual período orbital e o começo de uma nova fase para o resto deste ano.

A Rosetta já começou as preparações para o encontro da próxima semana. Primeiro, vai afastar-se mais ou menos 140 km do cometa até dia 7, antes de fazer uma passagem rasante às 12:41 de dia 14. A passagem mais próxima ocorre ao longo do maior lóbulo do cometa, acima da região Imhotep.

A posição relativa da Rosetta com o 67P/Churyumov-Gerasimenko no momento da maior aproximação de 14 de fevereiro de 2015, quando a sonda está a apenas 6 km do maior lóbulo do cometa.
Crédito: ESA/C. Carreau
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O próximo voo rasante permitirá observações científicas únicas, fornecendo-nos com medições de alta-resolução da superfície ao longo de uma gama de comprimentos de onda e dando-nos a oportunidade de degustar - saborear ou cheirar - as partes mais profundas da atmosfera do cometa," afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

O "flyby" vai levar a Rosetta a passar por cima das regiões mais ativas do cometa, ajudando os cientistas a compreender a ligação entre a fonte da atividade observada e a atmosfera, ou cabeleira.

Em particular, vão estar à procura de zonas onde o gás e a poeira aceleram desde a superfície e como estes componentes evoluem a distâncias cada vez maiores do cometa.

Já sabemos que a superfície do cometa é muito escura, refletindo apenas 6% da luz que incide sobre ela. Durante o voo rasante, a Rosetta passará sobre o cometa com o Sol diretamente por trás, permitindo com que sejam capturadas imagens sem sombra. Ao estudar a refletividade do núcleo enquanto varia com o ângulo da luz solar que incide sobre ele, os cientistas esperam obter uma visão mais detalhada dos grãos de poeira à superfície.

"Após este voo rasante, terá início uma nova fase, quando a Rosetta executar grupos de 'flybys' pelo cometa a várias distâncias, entre os 15 km e 100 km," afirma Sylvain Lodiot, gerente de operações da ESA.

O plano sempre foi mudar de "órbitas vinculadas" para trajetórias de sobrevoo neste momento da missão, com base em previsões do aumento de atividade cometária. A gama de distâncias destes voos rasantes também equilibra as diversas necessidades dos 11 instrumentos da Rosetta a fim de otimizar o retorno científico da missão.

Mosaico de quatro imagens obtidas pelas câmaras da Rosetta a uma distância de 27,9 km do centro do cometa no dia 21 janeiro.
Crédito: ESA/Rosetta/NAVCAM
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Durante algumas das passagens, a Rosetta vai encontrar o cometa quase em passo com a rotação, permitindo que os instrumentos monitorizem um ponto único na superfície à medida que a sobrevoa.

Entretanto, os voos mais distantes vão proporcionar o contexto mais amplo de uma visão de grande angular do núcleo e da sua crescente cabeleira.

"Estamos agora na fase principal da missão e durante o resto do ano vamos continuar a mapear o cometa em alta-resolução," comenta Matt.

"Vamos 'provar' o gás, a poeira e o plasma a várias distâncias durante o aumento de atividade do cometa e quando esta começar a diminuir novamente no final do ano."

O periélio, o ponto orbital mais próximo do Sol, ocorre no dia 13 de agosto, quando o cometa e a Rosetta estiverem a 186 milhões de quilómetros do Sol, entre as órbitas da Terra e de Marte.

No mês que antecede o periélio, quando a atividade estiver a atingir o seu pico, a equipa planeia estudar um dos jatos do cometa no maior detalhe já atingido.

"Esperamos ter como alvo uma destas regiões e esperamos atravessá-la, para realmente ficarmos com uma ideia do fluxo cometário," comenta Matt.

Após a passagem pelo periélio e assim que a atividade do cometa começar a diminuir, a equipa da missão terá que determinar se e quando retornará a uma órbita vinculada em torno do cometa, e durante quanto tempo a Rosetta poderá operar para lá de 2015.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Vídeo do voo rasante da Rosetta (ESA)
Universe Today
PHYSORG

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta - ESA
NASA
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Wikipedia
Philae (Wikipedia)

 
OLIMPÍADAS DE ASTRONOMIA 2015
 

És um apaixonado (se és uma apaixonada segue já por aqui) pela Astronomia mas tens dúvidas em participar nas Olimpíadas de Astronomia?

Não tenhas! Inscreve-te! O pior que pode acontecer é perceberes que a Astronomia é mesmo aquilo a que te queres dedicar de futuro. Mesmo que penses que sabes pouco do assunto só terás a certeza depois de passares pelas nossas mãos e se as coisas não correrem bem, para o ano, temos a certeza, correrão muito melhor.

Vem conhecer outros jovens com os mesmo interesses, vem perceber como trabalham os Astrónomos profissionais, como pensam, o que estudam...

Com algum trabalho poderás chegar à final. E atenção que este ano temos novidades: dos dez finalistas quatro irão fazer parte da equipa que vai à Indonésia, representar Portugal na final internacional. Essa equipa terá uma preparação especial.

Terás em breve toda a informação que precisas nesta página mas se ainda assim tiveres dúvidas fala com o teu professor de Fisica e Química, Física ou Matemática ou envia-nos um e-mail.

Junta-te a este grupo!


Eliminatória Regional - 25 de fevereiro de 2015
Final Nacional - 17 & 18 de abril de 2015
Final Internacional - agosto de 2015 (Indonésia)


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Caso tenha alguma questão ou dúvida não hesite em nos contactar:

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Links:

Olímpiadas de Astronomia 2015 (Sociedade Portuguesa de Astronomia):
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Enunciados e Resoluções das provas dos anos anteriores
Página das Olímpiadas de Astronomia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  New Horizons envia novas imagens de Plutão (via NASA)
A sonda New Horizons da NASA enviou as primeiras novas imagens de Plutão na passada quarta-feira, à medida que se aproxima do planeta anão. Embora ainda não mais do que um ponto, tal como a sua lua Caronte, as imagens foram obtidas no 109.º aniversário de Clyde Tombaugh, que descobriu o mundo gelado e distante em 1930. Ler fonte
     
  Meteoro "explosivo" no céu açoriano registado por sismógrafos (via Observatório Astronómico de Santana - Açores)
Foi identificado na passada noite de 02 de fevereiro um fenómeno luminoso a Oeste dos Açores em várias ilhas do grupo central e em São Miguel, ao qual se seguiu um estrondo. O fenómeno foi observado às 20 horas e 20 minutos locais com maior intensidade na ilha Graciosa. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Conjunção Tripla de Luas de Júpiter
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, e Equipa Hubble Heritage (STScI/AURA)
 
O maior planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter, e 3 das suas 4 maiores luas galileanas foram capturadas nesta singular imagem do Hubble dia 24 de Janeiro. Passando em frente das bandas de nuvens de Júpiter temos Europa, Calisto e Io (canto inferior esquerdo para o canto superior direito, respetivamente) numa rara conjunção tripla de luas. Distinguíveis consoante as cores, Europa é quase branca, a superfície craterada de Calisto é castanha escura e a vulcânica Io parece amarelada. As luas em trânsito e respetivas sombras podem ser identificadas seguindo este link. Notavelmente, duas pequenas luas interiores, Amalteia e Tebe, bem como as suas sombras, também podem ser vistas nesta nítida imagem do Hubble. As luas de Galileu têm diâmetros entre os 3000 e 5000 km, comparáveis em tamanho com a Lua da Terra. Mas Amalteia e Tebe, com formas estranhas, têm apenas 260 e 100 km, respetivamente.
 

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