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Edição n.º 1190
04/08 a 06/08/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/08: 216.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1805, nascia William Rowan Hamilton, físico, astrónomo e matemático irlandês que fez contribuições importantes para a mecânica clássica, ótica e álgebra. A sua maior contribuição é talvez a reformulação das mecânicas Newtonianas, agora chamadas mecânicas Hamiltonianas. Este trabalho foi fundamental para o estudo do eletromagnetismo e para o desenvolvimento da mecânica quântica.
Em 2007, a NASA lançava o módulo de aterragem Phoenix, cujo objetivo era procurar moléculas de água no pólo norte de Marte.

Observações: A estrela vermelha e variável de longo período, Chi Cygni, está atualmente na secção brilhante do seu ciclo e existem boas hipóteses de ainda ficar mais luminosa! Se tem acesso a um céu escuro e a um mapa celeste detalhado, tente observá-la com binóculos ou telescópio.

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864, Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II).

Vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2). 
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969, a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3524 km, enviando de volta 125 imagens. 
Em 1973, é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida. 
Em 2000, é capturada a quebra do cometa Linear 1999/S4 pelo Telescópio Espacial Hubble.
Em 2011, era lançada a missão Juno, com destino Júpiter. Chegará ao gigante gasoso em julho de 2016.
Observações: A Ursa Maior apoia-se diagonalmente a noroeste depois do anoitecer. A maioria das suas estrelas estão a cerca de 80 anos-luz de distância. Siga a curva da "pega" da "frigideira" até chegar a Arcturo, para oeste. Arcturo é a gigante laranja mais próxima, a 37 anos-luz de distância.

Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte.

Observações: Aproveite a noite para observar o planeta Saturno, situado entre as constelações de Balança e Escorpião. Um telescópio pequeno já mostra os anéis. Um telescópio modesto permite discernir a Divisão de Cassini.

 
CURIOSIDADES


O observatório SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) é o maior descobridor de cometas de todos os tempos. Espera-se que em agosto de 2015 descubra o seu 3000.º cometa.

 
CIÊNCIA À SUPERFÍCIE DO COMETA 67P/C-G
Imagens pelo instrumento ROLIS do Philae, que traçam a descida até ao primeiro local de aterragem, Agilkia, no 12 de novembro de 2014. A primeira imagem foi obtida a apenas 3 km do cometa, e indica a posição de Agilkia e a área coberta pela próxima imagem na sequência, capturada a apenas 67 metros de distância. As seis imagens que se seguem foram obtidas com aproximadamente 10 segundos de intervalo antes do pouso. A imagem final foi adquirida a 9 metros do local de aterragem. A hora de captura das imagens, bem como a distância à superfície e a resolução, encontram-se no canto inferior direito da animação. A última imagem tem a posição estimada e orientação do Philae, calculados até ±20 cm.
As imagens obtidas pouco antes do pouso revelam progressivamente uma superfície constituída por pedregulho com um metro, de diversas formas e orientações aleatórias, regolitos grosseiros com 10-50 cm e, na imagem mais próxima, grânulos com menos de 10 cm de diâmetro. Pensa-se que os regolitos nesta região atinjam uma profundidade de 2 metros em certos locais, mas parece estar isenta de depósitos de poeira fina à resolução das imagens.
O maior dos pedregulhos, visto apenas em imagens obtidas a distâncias entre 67,4 m e 28,9 m, mede cerca de 5 metros de altura, tem uma estrutura irregular e peculiar e linhas de fratura que sugerem forças erosivas que fragmentam as rochas do cometa em pedaços menores. A rocha tem uma "cauda" afunilada de detritos, fornecendo pistas sobre o modo como as partículas levantam voo de uma parte do cometa e são depositadas noutras.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/ROLIS/DLR
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Moléculas complexas que podem ser blocos de construção da vida, a subida e queda diária de temperatura e uma avaliação das propriedades da superfície e da estrutura interna do cometa - estes são apenas alguns dos destaques da primeira análise científica dos dados enviados pelo módulo Philae da Rosetta no passado mês de novembro.

Os primeiros resultados das observações científicas do Cometa 67P/Churyumov­Gerasimenko pelo Philae foram publicados a semana passada numa edição especial da revista Science.

Foram obtidos dados durante as sete horas de descida do módulo e o primeiro toque no local de aterragem em Agilkia desencadeou o início de uma sequência pré-definida de experiências. Mas, logo depois do pouso, tornou-se aparente que o Philae tinha saltado e assim sendo uma série de medições foram recolhidas durante o voo adicional de duas horas do Philae, até cerca de 100 m acima do cometa, antes de finalmente pousar em Abydos.

Imagem bem iluminada adquirida pela câmara n.º 4 do instrumento CIVA, no local de pouso final do Philae em Abydos. A imagem mostra uma das antenas do instrumento CONSERT, que parece estar em contacto com o núcleo. As dimensões da antena, com 5 mm em espessura e 693 mm em comprimento, ajuda a dar escala à imagem. As características em forma de seixos, blocos e desfiladeiros observados nas imagens do CIVA correspondem ao que pode ser visto a partir de órbita, mas em maior escala. A variação no brilho pode estar associada com as diferentes composições minerais.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CIVA
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Cerca de 80% da primeira sequência científica foi concluída nas 64 horas após a separação, antes do Philae entrar em modo hibernação, com o bónus inesperado que os dados foram, em última análise, recolhidos em mais do que um local, permitindo comparações entre os locais de aterragem.

Ciência durante o voo

Depois do primeiro pouso em Agilkia, os instrumentos "farejadores de gás" Ptolomeu e COSAC analisaram amostras e determinaram a composição química do gás e da poeira do cometa, marcadores importantes das matérias-primas presentes no início do Sistema Solar.

O COSAC analisou amostras que entraram em tubos na parte inferior do "lander", levantadas durante o primeiro pouso, amostras estas dominadas pelo ingredientes voláteis de grãos de poeira pobres em gelo. Isto revelou um conjunto de 16 compostos orgânicos que compreendem vários compostos ricos em nitrogénio e carbono, incluindo quatro substâncias - isocianato de metila, acetona, propionaldeído e acetamida - que nunca tinham sido detetadas antes em cometas.

Entretanto, o instrumento Ptolomeu examinou o gás ambiente que entrava em tubos no topo do módulo e detetou os principais componentes dos gases da cabeleira - vapor de água, monóxido de carbono e dióxido de carbono, juntamente com pequenas quantidades de compostos orgânicos que contêm carbono, entre eles o formaldeído.

É importante salientar que alguns destes compostos detetados pelo Ptolomeu e pelo COSAC desempenham um papel fundamental na síntese pré-biótica dos aminoácidos, açúcares e nucleobases: os ingredientes da vida. Por exemplo, o formaldeído é usado na formação de ribose que, em última análise, pode ser encontrado em moléculas como o DNA.

A existência de tais moléculas complexas num cometa, uma relíquia do início do Sistema Solar, implica que os processos químicos presentes durante essa altura podem ter desempenhado um papel fundamental na promoção da formação de material pré-biótico.

Comparando locais de aterragem

Esta imagem, capturada pela câmara de descida ROLIS do Philae, foca-se no maior pedregulho visto na imagem capturada a 67,4 m da superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A imagem tridimensional realça as características da rocha com 5 metros de altura, bem como a sua "cauda" afunilada de detritos e o "fosso" escavado em seu redor.
A característica de "cauda" também foi identificada em rochas noutras partes do cometa graças a imagens do instrumento OSIRIS da Rosetta a partir de órbita.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/ROLIS/DLR
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Graças às imagens captadas pelo ROLIS durante a descida até Agilkia, e às imagens do CIVA obtidas em Abydos, pôde ser feita uma comparação visual da topografia nestes dois locais.

As imagens do ROLIS, obtidas pouco antes do primeiro pouso, revelaram uma superfície com blocos de 1 metro e de formas diversas, regolitos grosseiros entre 10 e 50 cm e grânulos com menos de 10 cm de diâmetro.

Pensa-se que os regolitos em Agilkia atinjam, em locais, uma profundidade até 2 metros, mas parece estar isento de depósitos de grãos finos à resolução das imagens.

O maior pedregulho no campo de visão do ROLIS mede cerca de 5 metros de altura, tem uma estrutura peculiar e irregular e linhas de fratura que sugerem o trabalho de forças erosivas na fragmentação das rochas do cometa em pedaços menores.

A rocha também tem uma "cauda" afunilada de detritos por trás dela, semelhante a outras vistas em imagens obtidas pela Rosetta a partir de órbita, fornecendo pistas de como as partículas "levantaram voo" de uma parte do cometa e foram depositadas noutras.

Ampliando uma secção do penhasco fraturado, numa imagem da câmara n.º 4 do CIVA. A imagem revela variações de brilho nas propriedades da superfície do cometa até escalas centimétricas e milimétricas. Os constituintes dominantes são aglomerados muito escuros, provavelmente compostos orgânicos. As zonas mais brilhantes podem representar grãos minerais, talvez até apontando para materiais ricos em gelo.
A imagem da esquerda mostra uma das antenas do instrumento CONSERT, que parece estar em contacto com o núcleo.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CIVA
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A mais de um quilómetro de distância, em Abydos, não só as imagens obtidas pelas sete microcâmaras do CIVA revelam detalhes do terreno circundante até à escala milimétrica, como também ajudaram a decifrar a orientação do Philae.

O módulo está inclinado contra um penhasco que fica 1 metro para o lado "aberto" do Philae, as imagens stereo mostram topografia até 7 metros de distância e uma câmara mostra o céu.

As imagens revelam fraturas nas paredes do penhasco, presentes em todas as escalas. Convém informar que o material em redor do Philae é dominado por aglomerados escuros, talvez compostos por grãos ricos em material orgânico. Os pontos mais brilhantes provavelmente representam diferenças na composição mineral e podem, até, apontar para materiais ricos em gelo.

Da superfície para o interior

O conjunto de instrumentos MUPUS forneceu dados sobre as propriedades físicas de Abydos. O seu "martelo" penetrante mostrou que o material à superfície e subsuperfície é substancialmente mais duro que em Agilkia, como inferido a partir da análise mecânica da primeira aterragem.

Os resultados apontam para uma camada fina de poeira com menos de 3 cm de espessura, sobreposta a uma mistura muito mais resistente de poeira e gelo em Abydos. Em Agilkia, esta camada mais dura pode existir a uma maior profundidade do que aquela descoberta pelo Philae.

Resumo das medições do MUPUS do Philae em Abydos, o seu local de pouso final no Cometa 67P/C-G. O gráfico no topo mostra o perfil da temperatura média à superfície medida pelo mapeador térmico MUPUS, situado no lado "aberto" do módulo. As lacunas correspondem a momentos em que o instrumento não estava registando dados. O perfil mostra um claro aumento e queda na temperatura, correspondente aos pontos baixos de cerca de -180º C e aos pontos "altos" de mais ou menos -145º C, em sintonia com o dia de 12,4 horas do cometa. Os picos são interpretados como radiação infravermelha da superfície diretamente insolada, e as variações mais suaves fora dos picos são atribuídas a iluminação indireta. A inércia termal implicada pelo aumento rápido e consequente queda de temperatura sugerem que a superfície é constituída por uma fina camada de poeira no topo de uma crosta compacta de gelo e poeira.
O gráfico na parte inferior mostra o perfil do "martelo" penetrante do MUPUS. O deslocamento é expressado como a posição do sensor de profundidade em relação à sua posição inicial sobre a superfície. É observado um deslocamento inicial de 27 mm, talvez através de uma fina camada de poeira, seguido por oscilações de 10-15 mm e deslocamentos mais pequenos. A razão para a amplitude mais baixa depois dos 80 minutos é pouco clara, mas poderá indicar que a ponta do penetrador ficou bloqueado no chão. Os dados sugerem que o instrumento "martelava" mais ou menos na mesma região, embora não necessariamente no mesmo local de cada vez, com recortes de poucos milímetros e recuos de até 10 mm. As linhas vermelhas indicam os níveis de potência do MUPUS, que correspondem a 0,49, 1,59, 2,17 e 4,23 joules, respetivamente. Estão em curso discussões sobre se os dados refletem o pleno uso da energia n.º 4. Em qualquer caso, os resultados fornecem uma estimativa da resistência da superfície por baixo da fina camada de poeira de, pelo menos, 2 MPa.
Crédito: imagem do Philae - ESA/ATG medialab; dados - Spohn et al (2015)
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O sensor térmico MUPUS, no lado aberto do Philae, revelou uma variação na temperatura local entre cerca de -180º C e -145º C, em sintonia com o dia de 12,4 horas do cometa. A inércia térmica assinalada pela subida e queda rápida da temperatura também indica uma camada fina de poeira no topo de uma crosta de gelo e poeira.

Movendo-se por baixo da superfície, o instrumento CONSERT forneceu informações únicas acerca da estrutura global inferior do cometa, que passou ondas rádio através do núcleo entre o módulo de aterragem e a sonda.

Os resultados mostram que o pequeno lóbulo do cometa é consistente com uma mistura muito pouco compacta de poeira e gelo (porosidade de 75-85%) (relação de 0,4-2,6 de poeira-para-gelo em volume), bastante homogénea à escala de dezenas de metros.

Com base nos mais recentes cálculos usando dados do CONSERT e modelos detalhados da forma do cometa, a posição do Philae foi revista até um área de 34 por 21 metros. A melhor posição calculada está marcada a vermelho, uma boa posição calculada em amarelo, e as áreas brancas correspondem a estimativas anteriores agora descartadas.
Crédito: ESA/Rosetta/Philae/CONSERT
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Além disso, o CONSERT também ajudou a triangular a posição do Philae à superfície, a melhor solução atualmente apontando para uma área com 21 por 34 metros.

"No seu conjunto, estas primeiras medições pioneiras realizadas à superfície de um cometa estão a mudar profundamente a nossa visão destes mundos e continuam a moldar a nossa impressão da história do Sistema Solar," afirma Jean-Pierre Bibring, cientista líder do módulo e investigador principal do instrumento CIVA no IAS (Institut d'Astrophysique Spatiale) em Orsay, França.

"A reativação permitir-nos-ia concluir a caracterização das composição elementar, isotópica e molecular do material cometário, em particular das suas fases refratárias, pelo APXS, CIVA-M, Ptolomeu e COSAC."

"Com o novo contacto do Philae em meados de junho, ainda esperamos que possa ser reativado e continue esta aventura emocionante, com a possibilidade de mais medições científicas e novas imagens que podem mostrar-nos alterações à superfície ou mudanças na posição do Philae desde o pouso há mais de oito meses atrás," afirma Stephan Ulamec, gestor do Philae no DLR.

"Estas observações de um par de locais à superfície suportam as extensas medições remotas realizadas pela Rosetta, cobrindo todo o cometa a partir de órbita há já quase um ano," afirma Nicolas Altobelli, cientista do projeto Roseta da ESA.

"Já perto do periélio, estamos ocupados a monitorizar a atividade do cometa a uma distância segura e a procurar quaisquer mudanças nas características da superfície, e esperamos que o Philae seja capaz de enviar relatórios complementares a partir da sua posição."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Science (edição especial)
Artigo científico - 1
Artigo científico - 2
Artigo científico - 3
Artigo científico - 4
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Artigo científico - 6
Artigo científico - 7
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SPITZER CONFIRMA EXOPLANETA ROCHOSO MAIS PRÓXIMO
Esta impressão de artista mostra a silhueta do planeta rochoso HD 219134b. A 21 anos-luz de distância, o planeta é o mais próximo do nosso Sistema Solar que transita, ou passa em frente, da sua estrela.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, astrónomos confirmaram a descoberta do planeta rochoso mais próximo fora do nosso Sistema Solar, maior que a Terra e uma potencial mina de ouro de dados científicos.

Apelidado HD 219134b, este exoplaneta, que orbita demasiado perto da sua estrela para albergar vida, está a uns meros 21 anos-luz de distância. Apesar do planeta, propriamente dito, não poder ser observado diretamente, mesmo através de telescópios, a estrela que orbita é visível a olho nu, em céus escuros, na direção da constelação de Cassiopeia.

HD 219134b é também o exoplaneta mais próximo da Terra detetado por trânsito, ou seja, pela passagem em frente da sua estrela. Portanto, é perfeito para uma extensa pesquisa.

Este mapa estelar mostra a posição da estrela HD 219134 (círculo), o lar do exoplaneta rochoso mais próximo já descoberto até à data. A estrela pode ser vista a olho nu sob céus escuros. Na realidade, o sistema tem vários planetas, nenhum dos quais é habitável.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Os exoplanetas em trânsito valem o seu peso em ouro porque podem ser amplamente caracterizados," afirma Michael Werner, cientista do projeto Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Este exoplaneta será um dos mais estudados das próximas décadas."

O planeta, inicialmente descoberto usando o instrumento HARPS-Norte acoplado ao telescópio italiano Galileu de 3,6 metros, nas Ilhas canárias, é o objeto de um estudo aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Ati Motalebi, a autora principal do estudo, do Observatório de Genebra, na Suíça, disse que acredita que o planeta é o alvo ideal para o Telescópio Espacial James Webb da NASA em 2018.

"O Webb e os grandes observatórios terrestres do futuro vão apontar, de certeza, para lá e examiná-lo em detalhe," comenta Motalebi.

Apenas uma pequena fração dos exoplanetas podem ser detetados pelo método de trânsito, devido às suas orientações em relação à Terra. Quando a orientação é a ideal, a órbita do planeta coloca-o entre a sua estrela e a Terra, diminuindo a luz estelar detetável. É esta diminuição de brilho que observatórios como o Spitzer observam, e pode revelar não só o tamanho do planeta, mas também indícios sobre a sua composição.

"A maioria dos planetas conhecidos estão a centenas de anos-luz de distância. Este é praticamente um vizinho," afirma o astrónomo e coautor do estudo Lars A. Buchhave do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, EUA. Para referência, o exoplaneta mais próximo conhecido é GJ674b, a 14,8 anos-luz; a sua composição é desconhecida.

HD 219134b foi avistado pela primeira vez pelo instrumento HARPS-Norte usando uma técnica chamada velocidade radial, na qual a massa e órbita do planeta podem ser medidas pela força que exerce sobre a estrela hospedeira. Determinou-se que o planeta tem uma massa 4,5 vezes superior à da Terra e uma órbita veloz com o período de 3 dias.

Impressão de artista do possível aspecto do planeta HD 219134b, o exoplaneta rochoso mais próximo já descoberto até à data. O planeta tem 1,6 vezes o tamanho da Terra e completa uma órbita em torno da sua estrela-mãe em apenas 3 dias. Os cientistas prevêm que este planeta super-quente - que se sabe ser rochoso graças a medições da sua massa e tamanho - terá uma superfície parcialmente derretida e atividade geológica, possivelmente incluindo vulcões.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Spitzer acompanhou o achado, descobrindo que o planeta transita a sua estrela. As medições infravermelhas do Spitzer revelaram o tamanho do planeta, cerca de 1,6 vezes o da Terra. Combinando o tamanho e a massa, chegamos a uma densidade de seis gramas por centímetro cúbico - confirmando que HD 219134b é um planeta rochoso.

Agora que os astrónomos sabem que HD 219134b transita a sua estrela, os cientistas vão "lutar entre si" para o observar a partir do solo e do espaço. O objetivo é recolher informações químicas da diminuição de brilho quando o planeta passa à frente da estrela. Se o planeta tem uma atmosfera, os compostos químicos podem imprimir padrões na luz estelar observada.

Os planetas rochosos como este, maiores que a Terra, pertencem à classe crescente de planetas com o nome super-Terras.

"Graças à missão Kepler da NASA, sabemos que as super-Terras são omnipresentes na nossa Galáxia, mas ainda sabemos muito pouco sobre estes exoplanetas," afirma Michael Gillon, coautor do artigo e da Universidade de Liege, na Bélgica, cientista-chefe da deteção do trânsito pelo Spitzer. "Temos agora um espécime local para estudar em maior detalhe. Pode ser considerado uma espécie de Pedra da Rosetta para o estudo das super-Terras."

Outras observações com o HARPS-Norte também revelaram outros três planetas no mesmo sistema, mais longínquos da estrela que HD 219134b. Dois são relativamente pequenos e não estão muito longe da estrela. Estes sistemas multiplanetários, pequenos e íntimos, são completamente diferentes do nosso Sistema Solar mas, tal como as super-Terras, estão a ser encontrados cada vez mais.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
JPL (via YouTube)
Science
Astronomy
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Popular Mechanics
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CNN
UPI
Observador
AstroPT
ZAP.aeiou

HD 219134b:
Wikipedia
Open Exoplanet Catalogue
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Telescópios formam equipa para encontrar exoplaneta do tamanho de Neptuno através de microlentes (via Hubblesite)
O Telescópio Espacial Hubble da NASA e o Observatório W. M. Keck no Hawaii fizeram confirmações independentes de um exoplaneta que orbita muito longe da sua estrela central. O planeta foi descoberto através de uma técnica chamada microlente gravitacional. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A ISS e a Lua Colorida
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dylan O'Donnell
 
Este mosaico nítido e detalhado, registado com um câmara digital acoplada a um telescópio, antes da primeira Lua Cheia de julho, mostra uma superfície lunar colorida. As cores foram manipuladas na imagem mas, no entanto, são reais, correspondendo a diferenças verdadeiras na composição química da superfície lunar. Também especialmente fáceis de observar quando a Lua está perto da sua fase Cheia, os raios brilhantes da cratera Tycho, com 85 km de diâmetro, que se estendem em grande parte da superfície. Contra o fundo das terras altas e para a direita de Tycho está a silhueta incrivelmente detalhada da Estação Espacial Internacional. Visto a partir de Byron Bay, Nova Gales do Sul, Austrália, no dia 30 de junho, o trânsito lunar da ISS durou cerca de 1/3 de segundo, capturado com uma velocidade rápida do obturador e em modo "burst".
 

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