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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1786  
  20/04 a 22/04/2021  
     
 
 

Onde está o que queremos - via ZOOM

Astrometria é medir (a posição dos) astros; tentaremos descobrir para quê e como fazer isto!

O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas.

Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadram-se nesta filosofia uma cerca replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.

Público-alvo: Jovens e Adultos | Preço: 30€ (5 sessões)

Data: 22 de abril de 2021
Hora: 21:00 horas

INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 20/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 06:59.
Esta noite, use binóculos para observar M44, o enxame do Presépio menos de 3º por baixo da Lua. Esta quantidade de luar não é de todo ideal para um objeto do céu profundo, mas as estrelas do enxame não são difíceis de observar através de binóculos, e a Lua realmente é um bom ponto de referência por onde começar.

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO,
TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejeção de massa coronal).

Observações: A Lua esta noite forma um triângulo isósceles com Régulo e Algieba (Gamma Leonis), a segunda estrela mais brilhante da "foice" de Leão. A altura exata do triângulo isósceles vai depender da longitude do observador, dado que a Lua move-se para este um valor ainda considerável a cada hora.

Dia 22/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente atual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar. 
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: Nas horas que antecedem o nascer do dia, a chuva de meteoros das Lirídeas atinge o seu pico. Este chuva de estrelas é normalmente fraca mas por vezes imprevisível, caso esteja na sua atividade máxima. A luz da Lua vai interferir até que o nosso satélite natural se ponha cerca de uma hora antes do amanhecer.
Esta noite, a Lua forma um triângulo com Régulo e Algieba, desta vez para o seu lado direito em vez do esquerdo. Este novo triângulo é quase perfeitamente equilátero por volta do anoitecer.

 
     
 
Curiosidades


A sonda New Horizons da NASA atingiu, no domingo passado, as 50 UA de distância do Sol. Uma UA, ou unidade astronómica, é a distância Terra-Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros. Ou seja, esta nave espacial está 50 vezes mais distante do Sol do que o nosso planeta. É apenas a quinta missão a alcançar esta enorme distância, seguindo as lendárias Voyager 1, Voyager 2, e as suas antecessoras Pioneer 10 e Pioneer 11. Mesmo à velocidade da luz, os comandos e dados enviados via rádio demoram sete horas a chegar à New Horizons (ou o mesmo tempo no percurso inverso).

 
 
   
NICER testa a capacidade de compressão das estrelas de neutrões
 
O NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA é um telescópio de raios-x instalado na Estação Espacial Internacional.
Crédito: NASA
 

A matéria no coração das estrelas de neutrões - remanescentes densos de estrelas massivas que explodiram - assume a forma mais extrema que podemos medir. Agora, graças a dados do NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA, um telescópio de raios-X na ISS (International Space Station), os cientistas descobriram que esta matéria misteriosa é menos comprimível do que alguns físicos previram.

A descoberta é baseada nas observações pelo NICER de PSR J0740+6620 (J0740 para abreviar), a estrela de neutrões mais massiva conhecida, que fica a mais de 3600 anos-luz de distância na direção da constelação norte de Girafa. J0740 está num sistema binário com uma anã branca, o remanescente em arrefecimento de uma estrela parecida com o Sol, e gira 346 vezes por segundo. Observações anteriores colocam a massa da estrela de neutrões em cerca de 2,1 vezes a do Sol.

"Estamos rodeados por matéria normal, as coisas da nossa experiência quotidiana, mas há muito que não sabemos sobre como a matéria se comporta, e como é transformada, sob condições extremas," disse Zaven Arzoumanian, líder científico do NICER no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Ao medir os tamanhos e massas das estrelas de neutrões com o NICER, estamos a explorar a matéria à beira de implodir num buraco negro. Quando isso acontece, já não podemos estudar a matéria porque está oculta pelo horizonte de eventos do buraco negro."

Arzoumanian e membros da equipa do NICER apresentaram os seus achados sábado, dia 17 de abril, numa reunião virtual da Sociedade Física Americana, e os artigos científicos que descrevem as descobertas e as suas implicações estão agora a passar por revisão científica.

No final da sua vida, uma estrela muitas vezes mais massiva do que o Sol fica sem combustível no seu núcleo, colapsa sob o seu próprio peso e explode como supernova. As mais massivas destas estrelas deixam para trás buracos negros. As mais leves formam estrelas de neutrões, que acumulam mais massa do que o Sol numa esfera tão pequena quanto uma cidade.

 
Os cientistas pensam que as estelas de neutrões têm camadas. Como visto na imagem, o estado da matéria no seus núcleos internos permanece misterioso.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/CIL
 

Os cientistas pensam que as estrelas de neutrões têm camadas. Na superfície, uma fina atmosfera de átomos de hidrogénio ou hélio repousa sob uma crosta sólida de átomos mais pesados. Na crosta, o rápido aumento da pressão retira os eletrões dos núcleos atómicos. Mais abaixo, no núcleo externo, os núcleos atómicos dividem-se em neutrões e protões. A pressão imensa esmaga protões e eletrões para formar um mar de principalmente neutrões que são eventualmente comprimidos até duas vezes a densidade de um núcleo atómico.

Mas que forma assume a matéria no núcleo interno? Será que são neutrões até ao fim ou estes neutrões dividem-se nas suas próprias partes constituintes, chamadas quarks?

Os físicos têm feito esta pergunta desde que Walter Baade e Fritz Zwicky propuseram a existência de estrelas de neutrões em 1934. Para a responder, os astrónomos requerem medições precisas dos tamanhos e das massas destes objetos. Isto permite o cálculo da relação entre a pressão e a densidade no núcleo interno da estrela e a avaliação da capacidade de compressão final da matéria.

Nos modelos tradicionais de uma típica estrela de neutrões, uma com cerca de 1,4 vezes a massa do Sol, os físicos esperam que o núcleo interno seja preenchido principalmente com neutrões. A densidade mais baixa garante que os neutrões permanecem distantes o suficiente para conservar-se intactos, e esta rigidez interna resulta numa estrela maior.

Em estrelas de neutrões mais massivas como J0740, a densidade do núcleo interno é muito maior, esmagando os neutrões mais perto uns dos outros. Não está claro se os neutrões podem permanecer intactos sob estas condições ou se, ao invés, se dividem em quarks. Os teóricos suspeitam que se quebram sob a pressão, mas muitas questões sobre os detalhes ainda permanecem. Para obter respostas, os cientistas precisam de uma medição precisa de uma estrela de neutrões massiva. Uma estrela mais pequena favoreceria cenários onde os quarks vagueiam livremente nas profundezas mais internas porque as partículas mais pequenas podem ser mais comprimidas. Uma estrela maior sugere a presença de formas mais complexas de matéria.

Para obter as medições precisas necessárias, o NICER observa estrelas de neutrões em rápida rotação a que chamamos pulsares, descobertos em 1967 por Jocelyn Bell Burnell. À superfície destes objetos formam-se manchas quentes e brilhantes, emissoras de raios-X. Conforme os pulsares giram, as suas manchas giram para dentro e para fora de vista como feixes de um farol, produzindo variações regulares no seu brilho em raios-X.

Mas os pulsares também são tão densos que a sua gravidade distorce o espaço-tempo próximo, como uma bola de bowling em repouso num trampolim. Esta distorção é suficiente para fazer com que a radiação do outro lado da estrela - radiação que de outra forma não poderíamos detetar - seja redirecionada para nós, o que faz o pulsar parecer maior do que realmente é. A mesma massa num "pacote" mais pequeno produz maior distorção. Este efeito pode ser tão intenso que pode impedir que as manchas quentes desapareçam completamente à medida que giram em torno do pulsar.

Os cientistas podem tirar proveito destes efeitos porque o NICER mede a chegada de cada raio-X com uma precisão superior a 100 nanossegundos. Ao rastrear como o brilho dos raios-X do pulsar varia conforme gira, os cientistas podem reconstruir o quanto este distorce o espaço-tempo. Como conhecem a sua massa, podem traduzir esta distorção num tamanho.

Duas equipas usaram abordagens diferentes para modelar o tamanho de J0740. Uma equipa liderada por Thomas Riley e Anna Watts - investigador pós-doutorado e professora de astrofísica da Universidade de Amesterdão, respetivamente - estimam que o pulsar tem cerca de 24,8 km de diâmetro. Uma equipa liderada por Cole Miller, professor de astronomia da Universidade de Marylan, em College Park, descobriu que J0740 tem aproximadamente 27,4 km de diâmetro. Os dois resultados sobrepõem-se significativamente tendo em conta as suas incertezas, variando de 22,8 a 27,4 km e de 24,4 a 32,6 km, respetivamente.

Além dos dados do NICER, ambos os grupos também incluíram observações de raios-X pelo satélite XMM-Newton da ESA que foram úteis na contabilização do ruído de fundo. A massa de J0740 foi determinada anteriormente por medições de rádio feitas por cientistas das colaborações NANOGrav (North American Nanohertz Observatory for Gravitational Waves) e CHIME (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment).

 
A gravidade de uma estrela de neutrões distorce o espaço-tempo, como uma bola de bowling em repouso num trampolim. A distorção é forte o suficiente para redirecionar luz do outro lado da estrela na nossa direção, o que faz com que pareça maior do que realmente é.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith(USRA/GESTAR)
 

Em 2019, as equipas de Riley e Miller usaram dados do NICER para estimar o tamanho e a massa do pulsar J0030+04512 (ou J0030). Determinaram que o objeto tinha cerca de 1,4 vezes a massa do Sol e 26 km de diâmetro.

"As nossas novas medições de J0740 mostram que, embora seja quase 50% mais massivo que J0030, é essencialmente do mesmo tamanho," disse Watts. "Isto desafia alguns dos modelos mais compactáveis dos núcleos das estrelas de neutrões, incluindo versões em que o interior é apenas um mar de quarks. O tamanho e a massa de J0740 também representam problemas para alguns modelos menos comprimíveis contendo apenas neutrões e protões."

Modelos teóricos recentes propõem algumas alternativas, como núcleos internos contendo uma mistura de neutrões, protões e matéria exótica feita de quarks ou novas combinações de quarks. Mas todas as possibilidades vão precisar de ser reavaliadas no contexto destas novas informações do NICER.

"O tamanho de J0740 deixou-nos a nós, teóricos, perplexos e entusiasmados," disse Sanjay Reddy, professor de física na Universidade de Washington que estuda a matéria sob condições extremas, mas que não esteve envolvido na descoberta. "As medições do NICER, combinadas com outras observações multimensageiras, parecem apoiar a ideia de que a pressão aumenta rapidamente em núcleos de estrelas de neutrões massivas. Embora isto desfavoreça as transições para formas mais compactáveis de matéria no núcleo, as suas implicações ainda não são totalmente compreendidas."

A equipa de Miller também determinou o quão bem os cientistas podem estimar o tamanho de um pulsar, usando medições de J0740 e J0030 pelo NICER para suplementar as informações existentes de outros pulsares massivos e eventos de ondas gravitacionais, ondulações no espaço-tempo geradas pelas colisões de objetos massivos como estrelas de neutrões e buracos negros.

"Sabemos agora o raio de uma estrela de neutrões padrão, com 1,4 vezes a massa do Sol, até uma incerteza de 5%", disse Miller. "É como saber o tamanho de Washington, D.C., até cerca de 400 metros. O NICER não está apenas a reescrever os livros didáticos sobre estrelas de neutrões, mas também a revolucionar a nossa confiança nas nossas medições de objetos que são muito distantes e muito pequenos."

Além de testar os limites da matéria, as estrelas de neutrões também fornecem um novo meio de explorar as vastas extensões do espaço. Em 2018, uma equipa de cientistas e engenheiros da NASA usou o NICER para demonstrar, pela primeira vez, a navegação totalmente autónoma no espaço usando pulsares, o que poderia revolucionar a nossa capacidade de pilotar naves espaciais robóticas até aos confins do Sistema Solar e além.

"O NICER foi um ótimo companheiro de tripulação," disse a astronauta da NASA Christina Koch, engenheira de voo na ISS de março de 2019 a fevereiro de 2020, estabelecendo o recorde para o voo espacial individual mais longo feito por uma mulher. "A missão exemplifica todos os melhores aspetos da investigação na estação espacial. É ciência fundamental revolucionária, ciência espacial e inovação tecnológica, tudo possibilitado pelo ambiente único e pela plataforma de um laboratório orbital."

// NASA (comunicado de imprensa)
// NICER da NASA testa limites da matéria (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

PSR J0740+6620:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Pulsares:
Wikipedia

NICER:
NASA
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
   
Detetada uma nova super-Terra em torno de estrela anã vermelha

Nos últimos anos, tem havido um estudo exaustivo de estrelas anãs vermelhas para encontrar exoplanetas em órbita. As estrelas têm temperaturas superficiais efetivas entre 2400 e 3700 K (mais de 2000 graus mais frias que o Sol), e massas entre 0,08 e 0,45 massas solares. Neste contexto, uma equipa de investigadores liderada por Borja Toledo Padrón, estudante de doutoramento do IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias), especializado na procura por planetas em torno deste tipo de estrelas, descobriu uma super-Terra orbitando a estrela GJ 740, uma anã vermelha situada a cerca de 36 anos-luz da Terra.

O planeta orbita a sua estrela com um período de 2,4 dias e a sua massa é cerca de 3 vezes a da Terra. Dado que a estrela está tão perto do Sol, e o planeta tão perto da sua estrela, esta nova super-Terra pode ser objeto de investigações futuras com telescópios de diâmetro muito grande no final desta década. Os resultados do estudo foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

 
Impressão artística da super-Terra em redor da anã vermelha GJ 740.
Crédito: Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC)
 

"Este é o planeta com o segundo período orbital mais curto em torno deste tipo de estrela. A massa e o período sugerem um planeta rochoso, com um raio de aproximadamente 1,4 raios terrestres, que poderá ser confirmado em observações futuras com o satélite TESS", explica Borja Toledo Padrón, primeiro autor do artigo. Os dados também indicam a presença de um segundo planeta com um período orbital de nove anos, e uma massa comparável à de Saturno (perto de 100 massas terrestres), embora o seu sinal de velocidade radial possa ser devido ao ciclo magnético da estrela (semelhante ao do Sol), de modo que são necessários mais dados para confirmar que o sinal é devido à presença de um planeta.

A missão Kepler, reconhecida como uma das mais bem-sucedidas na deteção de exoplanetas pelo método de trânsito (que é a busca por pequenas variações no brilho de uma estrela provocadas pela passagem de um planeta entre esta e o nosso ponto de vista), descobriu um total de 156 novos planetas em torno de estrelas frias. A partir dos seus dados, estimou-se que este tipo de estrelas abriga uma média de 2,5 planetas com períodos orbitais de menos de 200 dias. "A busca por novos exoplanetas em torno de estrelas frias é impulsionada pela menor diferença entre a massa do planeta e a massa da estrela em comparação com estrelas em classes espectrais mais quentes (o que facilita a deteção dos sinais dos planetas), bem como o grande número deste tipo de estrelas na nossa Galáxia," comenta Borja Toledo Padrón.

As estrelas frias também são um alvo ideal para a busca de planetas pelo método de velocidade radial. Este método baseia-se na deteção de pequenas variações na velocidade de uma estrela devido à atração gravitacional de um planeta em órbita, usando observações espectroscópicas. Desde a descoberta em 1998 do primeiro sinal de velocidade radial de um exoplaneta em torno de uma estrela fria, até agora, foram descobertos um total de 116 exoplanetas em torno desta classe de estrelas usando o método da velocidade radial. "A principal dificuldade deste método está relacionada com a intensa atividade magnética deste tipo de estrela, que pode produzir sinais espectroscópicos muito semelhantes aos de um exoplaneta," diz Jonay I. González Hernández, investigador do IAC e coautor do artigo.

O estudo faz parte do projeto HADES (HArps-n red Dwarf Exoplanet Survey), no qual o IAC está a colaborar com o IEEC-CSIS (Institut de Ciències de l’Espai) da Catalunha, e o programa italiano GAPS (Global Architecture of Planetary Systems), cujo objetivo é a deteção e caracterização de exoplanetas em torno de estrelas frias, nos quais estão a ser usados o HARPS-N, no TNG (Telescopio Nazionale Galileo) do Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma). Esta deteção foi possível graças a uma campanha de seis anos com o HARPS-N, complementada com medições com o espectrógrafo CARMENES acoplado ao telescópio de 3,5 metros do Observatório Calar Alto (Almería) e o HARPS, no telescópio de 3,6 metros do Observatório de La Silla (Chile), bem como com apoio fotométrico dos levantamentos ASAP e EXORAP. Também participam deste trabalho os investigadores do IAC Alejandro Suárez Mascareño e Rafael Rebolo.

// Instituto de Astrofísica das Canárias (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
PHYSORG

GJ 740 b:
NASA
Exoplanet.eu

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Telescópio Nacional Galileu:
Página principal
Wikipedia

Observatório Calar Alto:
Página principal
Wikipedia

Observatório La Silla:
ESO
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Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
   
OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu

Como pegadas na Lua, a nave espacial OSIRIS-REx da NASA deixou a sua marca no asteroide Bennu. Agora, novas imagens - obtidas durante o voo rasante final da sonda de 7 de abril - revelam as consequências do seu encontro histórico com o asteroide.

A sonda voou a 3,7 km do asteroide - o mais perto que já esteve desde a sua manobra TAG (Touch-and-Go), o evento de recolha de amostras de 20 de outubro de 2020. Durante o evento TAG, a cabeça de amostragem da nave espacial afundou 48,8 cm na superfície do asteroide e simultaneamente disparou uma carga pressurizada de gás azoto, agitando o material da superfície e levando um pouco desse material para a câmara de recolha. Os propulsores da nave também lançaram rochas e poeira durante a manobra para reverter o curso e para se afastar com segurança do asteroide.

 
Imagem do local de recolha de amostras Nightingale antes do evento TAG. As imagens foram obtidas dia 7 de março de 2019, pelo instrumento PolyCam da nave espacial OSIRIS-REx, como parte da campanha de mapeamento global da missão.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona
 

A comparação das duas imagens revela sinais óbvios de perturbação à superfície. No local de recolha de amostras, parece haver uma depressão, com vários blocos grandes evidentes no fundo, sugerindo que foram expostos pela amostragem. Há um aumento notável na quantidade de material altamente refletivo perto do ponto TAG contra o fundo geralmente escuro da superfície, e muitas rochas foram movidas.

Onde os propulsores dispararam contra a superfície, é aparente o movimento de massa substancial. Múltiplas rochas submétricas foram mobilizadas pelas plumas para uma forma que se assemelha ao anel de uma fogueira - parecido aos anéis de pedregulhos vistos em torno de pequenas crateras que marcam a superfície.

Jason Dworkin, cientista do projeto da missão no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, notou que uma rocha que mede 1,25 metros de largura na orla do local de amostragem parecia apenas estar visível na imagem pós-TAG. "A rocha provavelmente pesa cerca de uma tonelada, com uma massa algures entre a de uma vaca e a de um carro."

 
Imagem do local de recolha de amostras Nightingale depois do evento TAG. As imagens foram obtidas dia 7 de abril de 2021 como parte da campanha de observação final para documentar o estado da superfície depois do evento TAG.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona
 

Dante Lauretta, da Universidade do Arizona e investigador principal da missão, salientou mais tarde que esta rocha é provavelmente uma daquelas presentes na imagem pré-TAG, mas está muito mais perto do local de amostragem, e estima que tenha sido lançada a uma distância de mais ou menos 12 metros pelo evento de recolha de amostras.

Para comparar as imagens de antes e depois, a equipa teve que planear meticulosamente este sobrevoo final. "Bennu é acidentado e rochoso, de modo que se o observarmos de um ângulo diferente ou se o fotografarmos noutro momento em que o Sol não está diretamente por cima, isso muda drasticamente a aparência da superfície," disse Dathon Golish, membro do grupo de trabalho de processamento de imagens da OSIRIS-REx, com sede na Universidade do Arizona. "Estas imagens foram obtidas deliberadamente perto do meio-dia, com o Sol brilhando diretamente para baixo, quando não existem tantas sombras."

"Estas observações não faziam parte do plano original da missão, de modo que estávamos ansiosos por voltar e documentar o que fizemos," disse Golish. "A equipa realmente uniu-se para esta tarefa final em Bennu."

 
A superfície de Bennu foi perturbada de três maneiras diferentes: pela força do pouso da nave espacial; pelo mecanismo de amostragem, que recolheu material "soprando" gás para o seu filtro de recolha; e pelos quatro propulsores da OSIRIS-REx, que a afastaram do local de recolha de amostras Nightingale (assinalado pelo "X" vermelho na segunda destas duas imagens) e agitaram poeira e rochas à superfície. A imagem mostra o local TAG e realça (círculo vermelho) um pedregulho atirado cerca de 12 metros.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona
 

A nave espacial vai permanecer na vizinhança de Bennu até à partida de dia 10 de maio, quando a missão começar a sua viagem de dois anos de volta à Terra. Quando estiver perto do nosso planeta, a nave libertará a cápsula SRC (Sample Return Capsule) que contém as amostras de Bennu. A SRC viajará então pela atmosfera da Terra e pousará com a ajuda de para-quedas no deserto do Utah, EUA, no dia 24 de setembro de 2023.

Depois de recuperada, a cápsula será transportada para as instalações do Centro Espacial Johnson NASA em Houston, onde as amostras serão removidas para distribuição por laboratórios de todo o mundo, permitindo que os cientistas estudem a formação do nosso Sistema Solar e da Terra como um planeta habitável. A NASA vai reservar 75% das amostras para futuras gerações estudarem com tecnologias ainda não inventadas.

A missão OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA a visitar um asteroide próximo da Terra, a estudar a superfície e a recolher uma amostra para entrega à Terra.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// OSIRIS-REx deixa a sua marca em Bennu (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

Asteroide Bennu:
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OSIRIS-REx:
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Álbum de fotografias - Ingenuity voa pela primeira vez em Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPL-Caltech
 
Ontem, o helicóptero marciano Ingenuity, transportado na barriga do rover Perseverance, tornou-se o primeiro veículo aéreo na história da humanidade a fazer um voo motorizado e controlado noutro planeta. Os dados do altímetro indicam que o Ingenuity subiu até à sua altitude máxima prevista de 3 metros e pairou de modo estável durante 30 segundos. De seguida, desceu, pousando novamente na superfície de Marte após registar um total de 39,1 segundos de voo. São esperados mais detalhes deste teste em transmissões futuras.
 
   
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