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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #1819  
  13/08 a 16/08/2021  
     
 

Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação noturna do céu de Tavira no Parque do Palácio da Galeria
Datas:
15-08-2021 21:30 - Data esgotada - Lista de espera
16-08-2021 21:30 - Data esgotada - Lista de espera
22-08-2021 20:30 - Inscrição
23-08-2021 20:30 - Inscrição
29-08-2021 21:30 - Data esgotada - Lista de espera
30-08-2021 20:30 - Inscrição
02-09-2021 20:30 - Inscrição
03-09-2021 21:00 - Data esgotada - Lista de espera

Observação noturna do céu na Mata da Conceição
10-09-2021 21:30 - Inscrição

Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve

Breve encontro com a Lua em Loulé
16-08-2021
Hora: 18:00 - Inscrição
Hora: 18:15 - Inscrição
Hora: 18:30 - Inscrição
Hora: 18:45 - Inscrição
Hora: 19:00 - Data esgotada - Lista de espera

Observação no Miradouro da Praia da Marinha
19-08-2021 20:30 - Inscrição

Observação astronómica entre a Penina e a Pena
25-08-2021 20:30 - Inscrição

Observação astronómica em São Brás de Alportel
26-08-2021 20:45 - Inscrição

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
Efemérides

Dia 13/08: 225.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1814 nascia Anders Ângström, físico sueco e um dos pioneiros da espectroscopia.
Em 1898, Carl Gustav Witt encontra 433 Eros, o primeiro asteroide descoberto perto da Terra.

Observações: Assim que as estrelas começarem a aparecer, procure Espiga para baixo e para a direita da Lua. Estão separadas por menos de um punho à distância do braço esticado. Para cima e para a sua direita brilha Arcturo.

Dia 14/08: 226.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, um meteorito com 2,3 kg, do tipo condrito, colide com a superfície da Terra perto da cidade de Cape Girardeau, no estado do Missouri, EUA.

Observações: A estrela mais brilhante alta a sudeste por estas noites é Altair, com a pequena e alaranjada Tarazed por cima a um dedo à distância do braço esticado. A um pouco mais de um punho à distância do braço esticado, para a esquerda de Altair, encontra-se a delicada constelação de Golfinho, saltando para a esquerda.
Por cima de Altair, embora menos distante, está a ainda mais pequena e ténue constelação de Flecha ou Seta. Também ela está a apontar para a esquerda.

Dia 15/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o The Big Ear, um radiotelescópio operado pela Universidade Estatal do Ohio, como parte do projeto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projeto.

Em 2006, a sonda Voyager 1, o mais distante objeto feito pelo Homem, alcança as 100 UA do Sol. Isto significa que a sonda, lançada no dia 20 de agosto de 1977, estava 100 vezes mais distante do Sol que a Terra.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 16:20. Brilha esta noite entre as constelações de Balança (direita) e Escorpião (esquerda). A estrela brilhante e alaranjada para a esquerda da Lua é o coração de Escorpião, Antares.

Dia 16/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, além de Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objetos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afeta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a deteção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade Johns Hopkins.
Observações: Repita a observação de ontem. Repare que o nosso satélite natural se deslocou contra o plano de fundo das estrelas. Está agora presente na constelação de Escorpião, e Antares encontra-se logo abaixo.

 
 
   
OSIRIS-REx da NASA fornece informações sobre a órbita futura do asteroide Bennu

Num estudo divulgado na quarta-feira, investigadores da NASA usaram dados altamente precisos de rastreamento da sonda OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) para melhor compreender os movimentos do asteroide potencialmente perigoso, Bennu, até ao ano 2300, reduzindo significativamente as incertezas relacionadas à sua órbita futura e melhorando a capacidade dos cientistas em determinar a probabilidade total de impacto e em prever as órbitas de outros asteroides. O estudo foi publicado na revista Icarus.

 
Este mosaico de Bennu foi criado usando observações feitas com a sonda OSIRIS-REx da NASA quando estava em íntima proximidade com o asteroide durante dois anos.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona
 

"A missão de defesa planetária da NASA é a de encontrar e monitorizar asteroides e cometas que podem aproximar-se da Terra, representando assim um perigo para o nosso planeta," disse Kelly Fast, gerente do programa NEOO (Near-Earth Object Observations) na sede da NASA em Washington. "Realizamos este esforço por meio de levantamentos astronómicos contínuos que recolhem dados para descobrir objetos até então desconhecidos e refinando os nossos modelos orbitais. A missão OSIRIS-REx forneceu uma oportunidade extraordinária para refinar e testar estes modelos, ajudando-nos a prever melhor onde Bennu estará quando fizer a sua aproximação à Terra daqui a mais de um século."

Em 2135, o asteroide Bennu passará perto da Terra. Embora o objeto não represente um perigo para o nosso planeta nessa altura, os cientistas têm que entender a trajetória exata de Bennu durante esse encontro, a fim de prever como a gravidade da Terra vai alterar o percurso do asteroide em torno do Sol - e como afetará o risco de impacto na Terra.

Usando a DSN (Deep Space Network) da NASA e modelos de computador de última geração, os cientistas foram capazes de reduzir significativamente as incertezas na órbita de Bennu, determinando que a sua probabilidade de impacto total até ao ano 2300 é de cerca de 1 em 1750 (ou 0,057%). Os investigadores também foram capazes de identificar 24 de setembro de 2182 como a data mais significativa em termos de potencial impacto, com uma probabilidade de impacto de 1 em 2700 (ou cerca de 0,037%).

Embora as chances de atingir a Terra sejam muito baixas, Bennu permanece um dos dois asteroides conhecidos mais perigosos no nosso Sistema Solar, juntamente com outro asteroide chamado 1950 DA.

Antes de deixar Bennu no dia 10 de maio de 2021, a OSIRIS-REx passou mais de dois anos em órbita do asteroide, recolhendo informações sobre o seu tamanho (tem cerca de 500 metros de largura), forma, massa e composição, enquanto monitorizava a sua rotação e trajetória orbital. A nave espacial também recolheu uma amostra de rocha e poeira da superfície do asteroide, que será entregue à Terra no dia 24 de setembro de 2023 para futuras investigações científicas.

"Os dados da OSIRIS-REx dão-nos informações muito mais precisas, podemos testar os limites dos nossos modelos e calcular a trajetória futura de Bennu com um alto grau de certeza até 2135," disse o autor do estudo Davide Farnocchia do CNEOS (Center for Near Earth Object Studies), que é gerido pelo JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia. "Nunca tínhamos antes modelado a trajetória de um asteroide com esta precisão."

"Buracos de fechadura" gravitacionais

As medições de precisão de Bennu ajudam a determinar melhor como a órbita do asteroide irá evoluir ao longo do tempo e se passará por um "buraco de fechadura" gravitacional durante a sua aproximação de 2135. Estes "buracos de fechadura" são áreas no espaço que colocariam Bennu num percurso para um impacto futuro com a Terra caso o asteroide passasse por eles em determinados momentos, devido ao efeito da atração gravitacional da Terra.

Para calcular exatamente onde o asteroide estará durante a sua passagem de 2135 - e se pode passar por um "buraco de fechadura" gravitacional - Farnocchia e a sua equipa avaliaram vários tipos de pequenas forças que podem afetar o asteroide enquanto orbita o Sol. Até a força mais pequena pode desviar significativamente o seu percurso orbital ao longo do tempo, fazendo com que acerte ou falhe completamente num "buraco de fechadura".

Entre essas forças, o calor do Sol desempenha um papel crucial. À medida que um asteroide viaja em torno do Sol, a luz solar aquece o seu lado diurno. Tendo em conta que o asteroide gira, a superfície aquecida irá girar e arrefecer ao entrar no lado noturno. Enquanto arrefece, a superfície liberta energia infravermelha, que gera uma pequena quantidade de impulso no asteroide - um fenómeno chamado efeito de Yarkovsky. A curto prazo, este impulso é minúsculo, mas a longo prazo, o efeito na posição do asteroide aumenta e pode desempenhar um papel significativo na mudança da órbita do asteroide.

"O efeito Yarkovsky atuará em todos os asteroides de todos os tamanhos e, embora tenha sido medido remotamente para uma pequena fração da população de asteroides, a OSIRIS-REx deu-nos a primeira oportunidade de o medir em detalhe enquanto Bennu viajava ao redor do Sol," disse Steve Chesley, investigador sénior do JPL e coinvestigador do estudo. "O efeito em Bennu é equivalente ao peso de duas uvas agindo constantemente sobre o asteroide - minúsculo, sim, mas significativo na determinação das chances de impacto futuro de Bennu nas décadas e séculos vindouros."

A equipa também considerou muitas outras forças perturbadoras, incluindo a gravidade do Sol, dos planetas, das suas luas, e de mais de 300 outros asteroides, o arrasto provocado pela poeira interplanetária, a pressão do vento solar e os eventos de ejeção de partículas de Bennu. Os investigadores até avaliaram a força que a OSIRIS-REx exerceu ao realizar o seu evento de recolha de amostras TAG (Touch-And-Go) no dia 20 de outubro de 2020, para ver se podia ter alterado ligeiramente a órbita de Bennu, em última análise confirmando as estimativas anteriores de que o evento TAG teve um efeito insignificante.

"A força exercida na superfície de Bennu durante o evento TAG foi minúsculo, mesmo em comparação com os efeitos de outras pequenas forças," disse Rich Burns, gestor do projeto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "A manobra TAG não alterou a probabilidade de Bennu colidir com a Terra."

Pequeno risco, grande ganho

Embora uma probabilidade de impacto de 0,057% até ao ano 2300 e uma probabilidade impacto de 0,037% no dia 24 de setembro de 2182 sejam baixas, este estudo destaca o papel crucial que as operações da OSIRIS-REx desempenharam na caracterização precisa da órbita de Bennu.

"Os dados orbitais desta missão ajudaram-nos a avaliar melhor as chances de impacto de Bennu nos próximos dois séculos e a nossa compreensão geral de asteroides potencialmente perigosos - um resultado incrível," disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx e professor na Universidade do Arizona. "A espaçonave está agora a voltar para casa, transportando uma amostra preciosa deste objeto antigo e fascinante que nos ajudará a melhor entender não apenas a história do Sistema Solar, mas também o papel da luz solar na alteração da órbita de Bennu, uma vez que vamos medir as propriedades térmicas do asteroide a escalas sem precedentes em laboratórios cá na Terra."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Icarus)
// Teleconferência de imprensa sobre o novo estudo (NASA via YouTube)
// OSIRIS-REx lança luz sobre o perigoso asteroide Bennu (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
14/05/2021 - OSIRIS-REx despede-se de Bennu
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

Notícias relacionadas:
Science
Sky & Telescope
SPACE.com
PHYSORG
National Geographic
UPI
CNN
Gizmodo

Asteroide Bennu:
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Efeito Yarkovsky–O'Keefe–Radzievskii–Paddack:
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V404 Cygni: anéis enormes em torno de um buraco negro

O Observatório de raios-X Chandra e o Observatório Neil Gehrels Swift capturaram esta espetacular imagem de um conjunto de anéis em torno de um buraco negro. As imagens de raios-X dos anéis gigantes revelam informações sobre a poeira localizada na nossa Galáxia, usando um princípio semelhante aos raios-X realizados em consultórios médicos e aeroportos.

O buraco negro faz parte de um sistema binário chamado V404 Cygni, localizado a cerca de 7800 anos-luz da Terra. O buraco negro está a puxar ativamente material de uma estrela companheira - com cerca de metade da massa do Sol - num disco em torno do objeto invisível. Este material brilha em raios-X, de modo que os astrónomos se referem a estes sistemas como "binários de raios-X".

 
O buraco negro no sistema V404 Cygni está a puxar ativamente material de uma estrela companheira - com cerca de metade da massa do Sol - para um disco em torno do objeto invisível. Uma explosão de raios-X do buraco negro, detetada em 2015, criou os anéis altamente energéticos de um fenómeno conhecido como ecos de luz, onde a luz ressalta das nuvens de poeira entre o sistema e a Terra. Nesta imagem podem ser vistos os raios-X pelo Chandra, juntamente com dados óticos do telescópio Pan-STARRS que mostram as estrelas no campo de visão. Cada dos anéis concêntricos foi criado pelo surto de raios-X refletido por nuvens de poeira a distâncias diferentes. Os anéis estão incompletos, com lacunas em cima e à esquerda, em cima e à direita e no meio. Estas lacunas mostram as orlas do campo de visão do Chandra durante as observações, ou as secções do campo que o Chandra não observou.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Universidade de Wisconsin-Madison/S. Heinz et al.; ótico/infravermelho - Pan-STARRS
 

No dia 5 de junho de 2015, o Swift descobriu uma explosão de raios-X originária de V404 Cygni. A explosão criou os anéis altamente energéticos de um fenómeno conhecido como ecos de luz. Em vez de ondas sonoras ricocheteadas numa parede de um desfiladeiro, os ecos de luz em torno de V404 Cygni foram produzidos quando um surto de raios-X do sistema do buraco negro ricocheteou nas nuvens de poeira entre V404 Cygni e a Terra. A poeira cósmica não é como o pó das nossas casas, mas é mais parecida com fumo e consiste de minúsculas partículas sólidas.

Nesta composição, os raios-X do Chandra (azul claro) foram combinados com dados óticos do telescópio Pan-STARRS no Hawaii que mostram as estrelas no campo de visão. A imagem contém oito anéis concêntricos separados. Cada anel é criado por raios-X de surtos de V404 Cygni observados em 2015 que são refletidos por diferentes nuvens de poeira (uma impressão de artista explica como os anéis vistos pelo Chandra e pelo Swift foram produzidos. Para simplificar o gráfico, a ilustração mostra apenas quatro anéis em vez de oito).

 
Esta ilustração mostra, em detalhe, como a estrutura anular vista pelo Chandra e pelo Swift é produzida. Cada anel é provocado pela explosão de raios-X que ressaltam de nuvens de poeira diferentes. Se a nuvem estiver mais próxima de nós, o anel parece maior. O resultado é um conjunto de anéis concêntricos com diferentes tamanhos aparentes dependendo da distância da nuvem interveniente à Terra.
Crédito: Universidade de Wisconsin-Madison/S. Heinz
 

Uma equipa de investigadores liderada por Sebastian Heinz da Universidade de Wisconsin em Madison, EUA, analisou 50 observações do sistema pelo Swift feitas entre 30 de junho de 2015 e 25 de agosto do mesmo ano, e observações do Chandra feitas nos dias 11 e 25 de julho de 2015. Foi um evento tão brilhante que os operadores do Chandra tiveram que tomar medidas para não danificar os seus instrumentos.

Os anéis informam os astrónomos não apenas sobre o comportamento do buraco negro, mas também sobre o espaço entre V404 Cygni e a Terra. Por exemplo, o diâmetro dos anéis em raios-X revela a distância às nuvens de poeira intermédias onde a luz ressaltou. Se a nuvem estiver mais perto da Terra, o anel parecerá maior e vice-versa. Os ecos de luz aparecem como anéis estreitos em vez de largos ou halos porque a explosão de raios-X durou apenas um período relativamente curto de tempo.

Os cientistas também usaram os anéis para estudar as propriedades das próprias nuvens de poeira. Eles compararam os espectros de raios-X - isto é, o brilho dos raios-X numa faixa de comprimentos de onda - com modelos de computador da poeira com diferentes composições. Diferentes composições de poeira resultam em diferentes quantidades de raios-X de baixa energia sendo absorvidos e impedidos de serem detetados com o Chandra. Este é um princípio semelhante ao modo como diferentes partes do nosso corpo ou da nossa bagagem absorvem diferentes quantidades de raios-X, fornecendo informações sobre a sua estrutura e composição.

A equipa determinou que a poeira provavelmente contém misturas de grãos de grafite e silicato. Além disso, analisando os anéis internos com o Chandra, descobriram que as densidades das nuvens de poeira não são uniformes em todas as direções. Estudos anteriores já tinham presumido que não.

Um artigo que descreve os resultados de V404 Cygni foi publicado dia 1 de julho de 2016 na revista The Astrophysical Journal.

Este resultado está relacionado com uma descoberta semelhante no binário de raios-X Circinus X-1, que contém uma estrela de neutrões em vez de um buraco negro, publicado dia 20 de junho de 2015 na The Astrophysical Journal. Este estudo também foi liderado por Sebastian Heinz.

Vários artigos publicados todos os anos relatam estudos sobre a explosão de V404 Cygni em 2015 que provocou estes anéis. Foram registadas explosões anteriores em 1938, 1956 e 1989, de modo que os astrónomos ainda podem ter muitos anos para continuar a analisar a de 2015.

// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico de 2016 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico de 2016 (arXiv.org)
// Um olhar rápido sobre V404 Cygni (Observatório de raios-X Chandra via YouTube)

 


Saiba mais

V404 Cygni:
SIMBAD
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
   
Geólogos descobrem que rover Curiosity tem explorado sedimentos superficiais, não depósitos de lago

Em 2012, a NASA pousou o rover Curiosity na Cratera Gale em Marte porque esta tem sido considerada por muitos cientistas como o local de um antigo lago que aí existiu há mais de 3 mil milhões de anos. Desde então, o rover tem navegado e realizado análises geológicas com o seu conjunto de instrumentos por mais de 3190 sols (dias marcianos, o equivalente a 3278 dias terrestres). Depois de analisarem dados, investigadores do Departamento de Ciências da Terra, da Faculdade de Ciências da Universidade de Hong Kong, propuseram que os sedimentos medidos pelo rover durante a maior parte da sua missão não se formaram num lago.

 
Imagem obtida pelo instrumento MastCam do rover Curiosity que mostra rochas sedimentares que compõem o Monte Sharp. O rover tem vindo a percorrer o chão da Cratera Gale e Monte Sharp acima a fim de compreender como as rochas mudam da secção mais baixa (mais antiga) para a secção mais alta (mais jovem). O rover já subiu mais de 400 metros de elevação desde o início da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A equipa de cientistas sugere que o grande monte de rochas sedimentares exploradas e analisadas ao longo dos últimos oito anos representa na verdade areia e silte depositados por queda através da atmosfera e "retrabalhados" pelo vento. A alteração dos minerais formados pela interação entre a água e a areia não ocorreu na configuração de um lago. O ambiente "húmido", propõem, na verdade representa um intemperismo semelhante à formação do solo sob chuva numa atmosfera antiga que era muito diferente da atual.

A descoberta foi publicada recentemente na revista Science Advances num artigo liderado pelo estudante Jiacheng Liu, pelo seu orientador o professor Dr. Joe Michalski e pelo coautor professor Mei Fu Zhou. Os investigadores usaram medições químicas e medições de difração de raios-X, além de imagens de texturas de rochas, para revelar como as tendências composicionais nas rochas se relacionam com os processos geológicos.

"Jiacheng demonstrou alguns padrões químicos muito importantes nas rochas, que não podem ser explicados num contexto de um ambiente de lago," disse o Dr. Michalski. "O ponto chave é que alguns elementos são móveis, ou fáceis de dissolver em água, e alguns elementos são imóveis, ou sejam, ficam nas rochas. Se um elemento é móvel ou imóvel depende não apenas do tipo de elemento, mas também das propriedades do fluido. Tenha o fluido sido ácido, salino, oxidante, etc. Os resultados de Jiacheng mostram que os elementos imóveis estão correlacionados uns com os outros, e fortemente enriquecidos a altitudes mais elevadas no perfil da rocha. Isto aponta para o desgaste de cima para baixo, como se vê nos solos. Além disso, mostra que o ferro se esgota à medida que o desgaste aumenta, o que significa que a atmosfera à época estava a reduzir-se, não a oxidar-se como no planeta 'enferrujado' dos dias modernos."

 
Estas imagens mostram a Cratera Gale em imagens da HRSC (High Resolution Stereo Camera) da Mars Express. A imagem da esquerda mostra o modelo padrão onde se assume a Cratera Gale como um grande lago (inundada até uma elevação de pelo menos ~4000 m). A imagem à direita é o modelo proposto por Liu et al., no qual existiram apenas lagos muitos rasos e pequenos no chão da Cratera Gale (com o chão inundado até uma elevação de aproximadamente ~4500 m). A maioria dos sedimentos foram depositados da atmosfera como depósitos em queda e mais tarde sofreram intemperismo de precipitação ou derretimento de gelos. A estrela assinala o local de aterragem do rover.
Crédito: ESA/HRSC/DLR
 

Compreender como a atmosfera marciana e o ambiente da superfície como um todo evoluíram é importante para a exploração de possível vida em Marte, bem como para a nossa compreensão de como a Terra pode ter mudado durante a sua história inicial. "Obviamente, o estudo de Marte é extremamente difícil e é necessária a integração de metodologias criativas e tecnologicamente avançadas. Liu e coautores fizeram observações intrigantes por meio da utilização de técnicas de sensoriamento remoto para entender a composição química de sedimentos antigos que informam o seu desenvolvimento inicial. Os seus dados colocam desafios às hipóteses atuais para o ambiente de deposição destas formações rochosas únicas e para as condições atmosféricas sob as quais se formaram - especificamente, os autores mostram evidências de processos de intemperismo sob uma atmosfera redutora num ambiente subareal semelhante a um deserto, ao invés de formação num ambiente aquoso de lago. De facto, este trabalho irá inspirar direções novas e estimulantes para investigações futuras", acrescentou o Dr Ryan McKenzie, professor assistente do mesmo Departamento da Universidade de Hong Kong.

A China pousou com sucesso o seu primeiro módulo, Zhurong, em Marte no passado mês de maio. O Zhurong está atualmente a percorrer as planícies de Utopia Planitia, explorando pistas mineralógicas e químicas de mudanças climáticas recentes. A China também está a planear uma missão de recolha e envio de amostras, que provavelmente ocorrerá no final desta década.

// Universidade de Hong Kong (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Saiba mais

Cratera Gale:
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Monte Sharp (Wikipedia)

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia 

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
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Tianwen-1 e rover Zhurong:
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Novas evidências recentes (geologicamente falando) de vulcanismo venusiano (via Planetary Science Institute)
Novas técnicas de análise de dados permitem ver evidências de vulcanismo recente em dados da sonda Magellan. Não está claro se esta atividade ocorre hoje, ou se ocorreu há dezenas de milhões de anos mas, geologicamente falando, ambos os casos são recentes. Isto acrescenta ao corpo de evidências de que os vulcões em Vénus não foram extintos há tanto tempo como se pensava. Ler fonte
     
  Como é que foram formados os planetas mais comuns da Via Láctea (via Instituto Carnegie para Ciência)
Uma investigação liderada, por Carnegie, de candidatos a exoplanetas identificados pelo TESS (Transiting Exoplanets Satellite Survey) da NASA está a preparar as bases para ajudar os astrónomos a entender como os planetas mais comuns da Via Láctea se formaram e evoluíram, e determinar porque é que o padrão de órbitas planetárias e tamanhos do nosso Sistema Solar é tão invulgar. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Uma Linda Trífida
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby
 
A linda Nebulosa Trífida é um estudo cósmico em contrastes. Também conhecida como M20, fica a cerca de 5000 anos-luz de distância em direção à constelação de Sagitário, constelação esta rica em nebulosas. Uma região de formação estelar no plano da nossa Galáxia, a Trífida ilustra três tipos diferentes de nebulosas astronómicas; nebulosas vermelhas de emissão dominadas pela luz dos átomos de hidrogénio, nebulosas de reflexão azuis produzidas pela poeira refletindo a luz das estrelas e nebulosas escuras onde densas nuvens de poeira aparecem em silhueta. Mas a região de emissão aproximadamente separada em três partes por faixas de poeira é o que dá à Trífida o seu nome popular. Pilares e jatos esculpidos por estrelas recém-nascidas, abaixo e à esquerda do centro da nebulosa de emissão, aparecem nas famosas imagens da região pelo Telescópio Espacial Hubble. A Nebulosa Trífida tem cerca de 40 anos-luz de diâmetro. Demasiado fraca para ser vista a olho nu, cobre quase a área de uma Lua Cheia no céu do planeta Terra.
 
   
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