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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #2047  
  20/10 a 23/10/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 20/10: 293.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efetuada em 1932).

Em 2003, a Grande Muralha Sloan, que já foi a maior estrutura cósmica conhecida pela humanidade, é descoberta por estudantes da Universidade de Princeton.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase em Quarto Crescente, brilha baixa a sul logo no final do lusco-fusco. Antes de ficar mais baixa, use binóculos para ver que está situada para baixo e para a direita das quatro estrelas da "pega" do "bule de chá" de Sagitário.

 

DIA 21/10: 294.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz.

HOJE, NO COSMOS:
A chuva de meteoros das Oriónidas deve atingir o seu pico esta noite. As melhores alturas de observação são entre as 24 horas de sábado e o amanhecer de domingo, depois do pôr da Lua.
Esta chuva é modesta; num céu muito escuro poderá ver entre 8 a 10 meteoros por hora. O radiante da chuva encontra-se a este da ténue moca de Orionte, entre Betelgeuse e os pés de Gémeos.

 

DIA 22/10: 295.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

No ano 2136 AC, primeiros registos de um eclipse solar total, testemunhado por astrónomos chineses. O imperador Zhong Kang supostamente decapita estes dois astrónomos, Hsi e Ho, por falharem em prever o eclipse.
Em 1905, nascia Karl Jansky, físico e engenheiro americano que descobriu ondas de rádio oriundas da Via Láctea. É considerado um dos fundadores da radioastronomia
Em 1966, a União Soviética lança a Luna 12.
Em 1968, a Apollo 7 aterra com sucesso no Oceano Atlântico após orbitar a Terra 163 vezes. 
Em 1975, a sonda soviética Venera 9 aterra em Vénus.

Em 2008, a Índia lança a sua primeira missão lunar não-tripulada, a Chandrayaan-1.
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 04:29.

 

DIA 23/10: 296.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Em 2014, a agência espacial chinesa lança a missão não-tripulada Chang'e 5-T1, em preparação para uma missão de recolha de amostras lunares.
HOJE, NO COSMOS:
Vem aí o "Halloween" e, assim sendo, Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão". O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.

 
 
   
Webb deteta minúsculos cristais de quartzo nas nuvens de um Júpiter quente
 
Esta ilustração mostra o possível aspeto do exoplaneta WASP-17 b, com base em observações de telescópios terrestres e espaciais, incluindo os telescópios espaciais Webb, Hubble e Spitzer da NASA. A atmosfera de WASP-17 b é composta principalmente por hidrogénio e hélio, juntamente com pequenas quantidades de vapor de água e vestígios de dióxido de carbono e outras moléculas. Observações infravermelhas de 5 a 12 micrómetros pelo MIRI do Webb mostram que a atmosfera de WASP-17 b também contém nuvens feitas de nanocristais de quartzo (SiO2).
Crédito: NASA, ESA, CSA e R. Crawford (STSCI)
 

Investigadores, recorrendo ao Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA, detetaram indícios de nanocristais de quartzo nas nuvens de alta altitude de WASP-17 b, um Júpiter quente a 1300 anos-luz da Terra. A deteção, que só foi possível com o MIRI (Mid-Infrared Instrument), marca a primeira vez que partículas de sílica (SiO2) foram detetadas na atmosfera de um exoplaneta.

"Ficámos encantados!" disse David Grant, investigador da Universidade de Bristol, no Reino Unido, primeiro autor de um artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Sabíamos, pelas observações do Hubble, que deviam haver aerossóis - partículas minúsculas que formam nuvens ou neblinas - na atmosfera de WASP-17 b, mas não esperávamos que fossem feitos de quartzo."

Os silicatos (minerais ricos em silício e oxigénio) constituem a maior parte da Terra e da Lua, bem como de outros objetos rochosos do nosso Sistema Solar, e são extremamente comuns em toda a Galáxia. Mas os grãos de silicatos anteriormente detetados nas atmosferas de exoplanetas e das anãs castanhas parecem ser constituídos por silicatos ricos em magnésio, como a olivina e a piroxena, e não apenas por quartzo - que é SiO2 puro.

O resultado desta equipa, que também inclui investigadores do Centro de Investigação Ames e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, dá uma nova orientação à nossa compreensão de como as nuvens dos exoplanetas se formam e evoluem. "Esperávamos ver silicatos de magnésio", disse a coautora Hannah Wakeford, também da Universidade de Bristol. "Mas o que estamos a ver em vez disso são provavelmente os blocos de construção desses silicatos, as minúsculas partículas 'sementes' necessárias para formar os grãos de silicato maiores que detetamos em exoplanetas mais frios e nas anãs castanhas."

Detetando variações subtis

Com um volume mais de sete vezes superior ao de Júpiter e uma massa inferior a metade da de Júpiter, WASP-17 b é um dos maiores e mais inchados exoplanetas conhecidos. Este facto, juntamente com o seu curto período orbital de apenas 3,7 dias terrestres, torna o planeta ideal para a espetroscopia de transmissão: uma técnica que envolve a medição dos efeitos de filtragem e dispersão da luz da estrela pela atmosfera de um planeta.

O Webb observou o sistema WASP-17 durante quase 10 horas, recolhendo mais de 1275 medições do brilho da luz infravermelha média entre 5 e 12 micrómetros quando o planeta passou em frente da sua estrela. Ao subtrair o brilho de cada um dos comprimentos de onda da luz que chegou ao telescópio quando o planeta estava em trânsito, do brilho da estrela por si só, a equipa conseguiu calcular a quantidade de cada comprimento de onda bloqueado pela atmosfera do planeta.

O que surgiu foi uma "protuberância" inesperada a 8,6 micrómetros, uma caraterística que não seria esperada se as nuvens fossem feitas de silicatos de magnésio ou outros possíveis aerossóis de alta temperatura, como o óxido de alumínio, mas que faz todo o sentido se forem feitas de quartzo.

 
Um espetro de transmissão do exoplaneta WASP-17 b, um gigante de gás, captado pelo MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA, nos dias 12-13 de março de 2023, revela a primeira evidência de quartzo (sílica cristalina, SiO2) nas nuvens de um exoplaneta. Esta é a primeira vez que o SiO2 é identificado num exoplaneta e a primeira vez que uma espécie específica de nuvem é identificada num exoplaneta em trânsito.
Crédito: NASA, ESA, CSA e R. Crawford (STSI); ciência - Nikole Lewis (Universidade de Cornell), David Grant (Universidade de Bristol), Hannah Wakeford (Universidade de Bristol)
 

Cristais, nuvens e ventos

Embora estes cristais sejam provavelmente semelhantes em forma aos prismas hexagonais pontiagudos encontrados em geodos e lojas de pedras preciosas na Terra, cada um tem apenas cerca de 10 nanómetros de diâmetro - um milionésimo de um centímetro.

"Os dados do Hubble desempenharam um papel fundamental na determinação do tamanho destas partículas", explicou a coautora Nikole Lewis, da Universidade de Cornell, que lidera o programa GTO (Guaranteed Time Observation) do Webb, concebido para ajudar a construir uma visão tridimensional da atmosfera de um Júpiter quente. "Sabemos que há sílica apenas com os dados MIRI do Webb, mas precisávamos das observações do Hubble no visível e no infravermelho próximo para contexto, para descobrir o tamanho dos cristais."

Ao contrário das partículas minerais encontradas nas nuvens da Terra, os cristais de quartzo detetados nas nuvens de WASP-17 b não são varridos de uma superfície rochosa. Em vez disso, têm origem na própria atmosfera. "WASP-17 b é extremamente quente - cerca de 1500 graus Celsius - e a pressão onde se formam no alto da atmosfera é apenas cerca de um milésimo da que temos na superfície da Terra", explicou Grant. "Nestas condições, os cristais sólidos podem formar-se diretamente a partir do gás, sem passar primeiro por uma fase líquida".

Compreender de que são feitas as nuvens é crucial para compreender o planeta como um todo. Júpiteres quentes como WASP-17 b são feitos principalmente de hidrogénio e hélio, com pequenas quantidades de outros gases como o vapor de água e dióxido de carbono. "Se considerarmos apenas o oxigénio contido nestes gases e não incluirmos todo o oxigénio contido em minerais como o quartzo (SiO2), iremos subestimar significativamente a abundância total", explicou Wakeford. "Estes belos cristais de sílica dizem-nos mais sobre o inventário de diferentes materiais e de como todos eles se juntam para moldar o ambiente deste planeta".

É difícil determinar com exatidão a quantidade de quartzo existente e quão pervasivas são as nuvens. "As nuvens estão provavelmente presentes ao longo da transição dia/noite (o terminador), que é a região que as nossas observações sondam", disse Grant. Dado que o planeta tem acoplamento de marés, com um lado diurno muito quente e um lado noturno mais frio, é provável que as nuvens circulem à volta do planeta, mas vaporizem quando atingem o lado diurno mais quente. "Os ventos podem estar a mover estas pequenas partículas vítreas a milhares de quilómetros por hora".

WASP-17 b é um dos três planetas visados pelas investigações da equipa DREAMS (Deep Reconnaissance of Exoplanet Atmospheres using Multi-instrument Spectroscopy) do JWST, que foram concebidas para reunir um conjunto abrangente de observações de um representante de cada classe chave de exoplanetas: um Júpiter quente, um Neptuno quente e um planeta rochoso temperado. As observações MIRI do Júpiter quente WASP-17 b foram efetuadas como parte do programa 1353 do GTO.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Bristol (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
15/12/2015 - Mistério da água em falta resolvido em estudo compreensivo de exoplanetas
06/12/2013 - Hubble descobre sinais subtis de água em mundos nublados

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
ZME science
Space Daily
CNN

WASP-17 b:
NASA
ipac
Exoplanet.eu
Wikipedia

Quartzo (SiO2):
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Ciclo 2 GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST

 
   
Novo estudo revela a origem do maior sismo marciano

Uma equipa global de cientistas liderada pela Universidade de Oxford anunciou os resultados de uma colaboração sem precedentes para procurar a origem do maior evento sísmico alguma vez registado em Marte. O estudo exclui a hipótese de um impacto de meteorito, sugerindo, em vez disso, que o tremor foi o resultado de enormes forças tectónicas na crosta de Marte. Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters.

O sismo, que teve uma magnitude de 4,7 e causou vibrações que reverberaram pelo planeta durante pelo menos seis horas, foi registado pelo módulo de aterragem InSight da NASA no dia 4 de maio de 2022. Uma vez que o sinal sísmico era semelhante a sismos anteriores conhecidos por serem provocados por impactos de meteoroides, a equipa pensou que este evento (denominado "S1222a") também poderia ter sido causado por um impacto e lançou uma busca internacional por uma nova cratera.

 
Esta ilustração mostra o módulo InSight da NASA com os seus instrumentos colocados na superfície marciana. Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Embora Marte seja mais pequeno do que a Terra, tem uma área de superfície terrestre semelhante porque não tem oceanos. Para pesquisar nesta enorme quantidade de solo - 144 milhões de quilómetros quadrados - o Dr. Benjamin Fernando, do Departamento de Física da Universidade de Oxford, responsável pelo estudo, procurou obter contribuições da Agência Espacial Europeia, da Administração Espacial Nacional da China, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial e da Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos. Pensa-se que esta é a primeira vez que todas as missões em órbita de Marte colaboraram num único projeto.

Durante o seu tempo em Marte, o InSight (que teve participação parcial da Universidade de Oxford) registou pelo menos 8 sismos provocados por impactos de meteoroides. Os dois maiores destes eventos formaram crateras com cerca de 150 m de diâmetro. Se o evento S1222a tivesse sido formado por um impacto, seria de esperar que a cratera tivesse pelo menos 300 m de diâmetro. Cada grupo examinou os dados dos seus satélites em órbita de Marte para procurar uma nova cratera ou qualquer outra assinatura reveladora de um impacto (por exemplo, uma nuvem de poeira que aparecesse nas horas após o sismo).

Depois de vários meses de procura, a equipa anunciou que não foi encontrada nenhuma cratera nova. Concluem que o evento foi causado pela libertação de enormes forças tectónicas no interior de Marte. Isto indica que o planeta é muito mais ativo em termos sísmicos do que se pensava anteriormente.

O Dr. Fernando afirmou: "Continuamos a pensar que Marte não tem atualmente placas tectónicas ativas, pelo que este acontecimento foi provavelmente causado pela libertação de stress na crosta de Marte. Estes stresses são o resultado de milhares de milhões de anos de evolução, incluindo o arrefecimento e a contração de diferentes partes do planeta a ritmos diferentes. Ainda não compreendemos totalmente porque é que algumas partes do planeta parecem ter stresses mais elevados do que outras, mas resultados como estes ajudam-nos a investigar com maior detalhe. Um dia, esta informação poderá ajudar-nos a compreender onde seria seguro para os humanos viverem em Marte e onde seria melhor evitar!"

A Dra. Daniela Tirsch, coordenadora científica da HRSC (High Resolution Stereo Camera) a bordo da nave espacial Mars Express da ESA, afirmou: "Esta experiência mostra como é importante manter um conjunto diversificado de instrumentos em Marte e estamos muito satisfeitos por termos contribuído para completar a abordagem multi-instrumental e internacional deste estudo.

Da China, o Dr. Jianjun Liu (Observatórios Astronómicos Nacionais, Academia Chinesa de Ciências) acrescentou: "Estamos dispostos a colaborar com cientistas de todo o mundo para partilhar e aplicar estes dados científicos a fim de obter mais conhecimentos sobre Marte, e estamos orgulhosos por termos fornecido dados das imagens a cores da Tianwen-1 para contribuir para este esforço".

O Dr. Dimitra Atri, líder de grupo para Marte na Universidade de Nova Iorque Abu Dhabi e contribuinte de dados da nave espacial Hope Mars dos EAU, afirmou: "Esta foi uma grande oportunidade para colaborar com a equipa do InSight, bem como com indivíduos de outras grandes missões dedicadas ao estudo de Marte. Esta é de facto a idade de ouro da exploração de Marte!"

O sismo S1222a foi um dos últimos eventos registados pelo InSight antes do fim da missão ter sido declarado em dezembro de 2022. A equipa está agora a avançar na aplicação dos conhecimentos deste estudo a trabalhos futuros, incluindo as próximas missões à Lua e à lua de Saturno, Titã.

// Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Geophysical Research Letters)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão InSight pelo CCVAlg - Astronomia:
11/08/2023 - Estudo do InSight descobre que Marte está a girar mais depressa
28/04/2023 - A visão mais clara de sempre do núcleo de Marte
23/12/2022 - NASA reforma a missão marciana InSight após anos a fazer ciência
04/11/2022 - NASA prepara-se para dizer "adeus" ao módulo InSight
01/11/2022 - "Lander" InSight deteta impressionante impacto de meteoroide em Marte
11/10/2022 - InSight da NASA à espera que tempestade de poeira se dissipe
24/06/2022 - InSight obtém algumas semanas extra de ciência marciana
20/05/2022 - InSight ainda "à escuta" de sismos marcianos enquanto os seus níveis de energia diminuem
13/05/2022 - InSight regista sismo monstruoso em Marte
26/04/2022 - Registados os dois maiores sismos marcianos, do outro lado do planeta
30/11/2021 - A análise das vibrações induzidas pelo vento de Marte lança luz sobre as propriedades da subsuperfície do planeta
28/09/2021 - InSight "ouve" três grandes sismos marcianos, graças à limpeza dos seus painéis solares
27/07/2021 - InSight da NASA revela o interior de Marte
06/04/2021 - InSight da NASA deteta dois sismos consideráveis em Marte
19/01/2021 - "Toupeira" do InSight termina a sua viagem em Marte
22/12/2020 - Três coisas que aprendemos com o InSight da NASA
08/09/2020 - Surpresa em Marte
28/02/2020 - Um ano de ciência surpreendente da missão InSight da NASA
25/02/2020 - "Lander" InSight vai empurrar a "toupeira"
22/10/2019 - "Toupeira" do InSight está a mover-se novamente
08/10/2019 - A estratégia da NASA para salvar a "toupeira" do InSight
04/10/2019 - InSight "ouve" sons peculiares em Marte
05/07/2019 - InSight da NASA destapa a "toupeira"
26/04/2019 - InSight captura áudio do seu primeiro sismo marciano
08/03/2019 - "Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
19/02/2019 - InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte
08/02/2019 - Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte
21/12/2018 - InSight coloca primeiro instrumento no solo marciano
11/12/2018 - Lander InSight "ouve" ventos marcianos
27/11/2018 - "Lander" InSight aterra em Marte
23/11/2018 - InSight aterra em Marte no dia 26
20/11/2018 - Local de aterragem do InSight é perfeitamente "chato"
08/05/2018 - InSight a caminho de Marte
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
New Scientist
science alert
PHYSORG
Popular Science
Newsweek
Reuters
Sky News

Marte:
CCVAlg - Astronomia
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InSight:
NASA
NASA - 2
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Mars Express:
ESA 
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Tianwen-1:
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Missão Hope Mars:
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Novas observações confirmam um passo importante na formação estelar
 
Impressão artística da geometria do disco de acreção em torno da estrela jovem e do vento do disco giratório. As regiões do vento do disco que se deslocam na nossa direção têm um desvio para o azul e são, por isso, coloridas a azul na imagem; as regiões que se afastam de nós têm um desvio para o vermelho (coloridas a vermelho).
Crédito: T. Müller, R. Launhardt (Instituto Max Planck de Astronomia)
 

Novas observações confirmaram um passo fundamental no processo de formação estelar: um "vento cósmico" giratório feito de moléculas, de importância vital para que as nuvens de gás em colapso se contraiam o suficiente para formar uma jovem estrela quente e densa. O resultado foi obtido a partir de observações de rádio, combinadas com uma análise sofisticada que permitiu aos astrónomos sondar o fluxo de matéria em torno de uma jovem estrela na nuvem escura CB26 com mais pormenor do que nunca. O trabalho foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

As observações efetuadas por Ralf Launhardt, líder de um grupo no Instituto Max Planck de Astronomia, e seus colegas, permitiram vislumbrar uma parte importante do cenário padrão para a formação de novas estrelas: um mecanismo que explica como as nuvens de gás podem colapsar para dar origem a uma nova estrela, sem serem despedaçadas pela sua própria rotação durante o processo.

As novas estrelas formam-se quando o gás de uma nuvem cósmica de hidrogénio colapsa sob a sua própria gravidade e a sua temperatura aumenta. A partir de um certo limiar de densidade e temperatura, dá-se a fusão nuclear, com os núcleos de hidrogénio a fundirem-se para formar núcleos de hélio. A energia libertada por este processo é o que faz as estrelas brilharem. Mas há uma complicação. Nenhuma nuvem de gás no cosmos está perfeitamente imóvel - todas as nuvens giram pelo menos um pouco. Quando o gás se contrai, essa rotação torna-se cada vez mais rápida. Os físicos chamam a isto "conservação do momento angular". Fora do âmbito da astronomia, este fenómeno é conhecido, por exemplo, na patinagem artística: quando uma patinadora artística quer girar muito depressa, começa uma rotação lenta com os dois braços e uma perna esticados. Depois, puxa os membros para junto do seu eixo de rotação e a velocidade de rotação aumenta consideravelmente.

Um problema e a sua (potencial) solução

Para a formação estelar, isto representa um potencial problema. A rotação rápida implica forças centrífugas, que atiram a matéria para longe do eixo de rotação. Num carrossel com baloiços, isso faz parte da diversão: à medida que o carrossel gira, as cadeiras dos utilizadores, suportadas por correntes, são atiradas para fora. Para uma protoestrela, por outro lado, as forças centrífugas podem ser fatais: se for expulso material suficiente à medida que a nuvem colapsa e acelera a sua rotação, pode não sobrar o suficiente para formar uma protoestrela!

Isto é conhecido como o "problema do momento angular" da formação estelar. Uma solução teórica para pelo menos uma grande parte do problema foi encontrada na década de 1980. À medida que matéria adicional cai sobre a protoestrela central nascente, forma-se o chamado disco de acreção: um disco plano e giratório de gás e poeira, cuja matéria acabará por cair sobre a protoestrela no centro. A física por detrás dos discos de acreção é bastante complexa: parte do gás no disco transforma-se em plasma, com os átomos de hidrogénio a separarem-se num eletrão e num protão cada. À medida que o plasma gira no disco, cria um campo magnético. Este campo, por sua vez, influencia o fluxo de plasma: uma pequena quantidade de plasma desloca-se ao longo das linhas do campo magnético. De vez em quando, as partículas de plasma à deriva colidem com moléculas (eletricamente neutras); o resultado é que parte do gás molecular é também arrastado. Estas moléculas formam um "vento de disco", que pode retirar um momento angular considerável do disco. A perda de momento angular abranda a rotação, diminui as forças centrífugas e pode resolver o problema do momento angular da protoestrela.

Da hipótese à observação

Ao início, este cenário não era mais do que uma hipótese plausível. Para um observador na Terra, uma estrutura como um disco de acreção, mesmo à volta da estrela recém-formada mais próxima, é de facto muito pequena. Foi por isso que foram precisos mais de 20 anos para os astrónomos encontrarem evidências tentadoras de rotação neste tipo de fluxo: em 2009, Ralf Launhardt e colegas do Instituto Max Planck de Astronomia conseguiram observar o fluxo de massa em torno de uma jovem estrela numa pequena nuvem de hidrogénio com a designação CB26. A menos de 460 anos-luz da Terra, CB26 é um dos sistemas de disco mais próximos conhecidos em torno de uma protoestrela.

As observações em questão são feitas com radiotelescópios que operam em comprimentos de onda milimétricos, neste caso um conjunto de antenas chamado PdBI (Plateau de Bure Interferometer). Com efeito, estas antenas são combinadas de uma forma inteligente, de modo a atuarem como uma única antena de rádio muito maior. Os radiotelescópios deste tipo podem detetar radiação que é característica de diferentes tipos de moléculas - neste caso, monóxido de carbono (CO). Quando as moléculas se aproximam ou se afastam do observador, essa radiação característica é deslocada para comprimentos de onda ligeiramente mais longos ou mais curtos ("efeito Doppler"), o que, por sua vez, permite aos astrónomos seguir o movimento do gás ao longo da linha de visão.

As observações de 2009 mostraram que o fluxo de gás proveniente da jovem estrela estava de facto em movimento, e da forma correta que seria de esperar de um vento de disco giratório a remover momento angular. Mas não conseguiram fornecer pormenores suficientemente finos para permitir qualquer julgamento sobre a distância da estrela a que o vento foi lançado do disco - uma propriedade chave que determina a quantidade de momento angular que o fluxo de gás pode transportar.

Observando ventos de discos giratórios

Os novos resultados agora publicados confirmam este facto. Para este trabalho, Launhardt e colegas puderam efetuar observações com uma resolução angular muito mais elevada. Utilizaram uma configuração do PdBI em que as antenas de rádio foram colocadas muito mais afastadas do que nas suas primeiras observações. Também dispunham de um modelo físico-químico sofisticado do disco, que lhes permitia distinguir entre as contribuições do disco e as contribuições do vento do disco. Tudo isto permitiu aos astrónomos determinar as dimensões do fluxo em forma de cone: perto do disco, a extremidade inferior do cone tem um raio de cerca de 1,5 vezes a distância Terra-Neptuno - mais do que suficiente para o vento do disco transportar muito momento angular! Esta foi a primeira vez que estas dimensões foram determinadas diretamente a partir de imagens (reconstruídas).

Com estas medições, o argumento ficou claro: os ventos do disco podem de facto resolver a maior parte do problema do momento angular das protoestrelas. Launhardt e colegas puderam também comparar as suas medições com reconstruções indiretas das dimensões do vento do disco, em nove outros sistemas estrela-disco jovens que tinham sido publicados desde o artigo científico de 2009. A comparação mostra uma tendência clara para o raio médio da área em que o vento do disco tem origem no disco ter crescido ao longo do tempo: no início, durante as primeiras dezenas de milhares de anos, há ventos do disco altamente concentrados, ao passo que após cerca de um milhão de anos, os ventos do disco são muito mais difusos.

Os próximos passos

Os astrónomos já estão a planear as suas próximas observações de CB26. Entretanto, o PdBI foi melhorado. O novo observatório, agora com o nome NOEMA, tem 12 antenas em vez das 6 anteriores e permite configurações que podem revelar pormenores duas vezes mais pequenos do que o seu antecessor. Mas embora estes aperfeiçoamentos sejam bastante promissores, o passo fundamental é o que é dado no presente artigo científico: uma confirmação sólida de que os ventos do disco são, de facto, um factor importante para permitir a formação de protoestrelas e para resolver o problema do momento angular.

// Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

CB26:
Catálogo de discos circunstelares

Formação estelar:
Wikipedia

PdBI (Plateau de Bure Interferometer), agora NOEMA (Northern Extended Milimeter Array):
IRAM
PdBI (Wikipedia)
NOEMA (Wikipedia)

 
   
Também em destaque
  Webb descobre nova característica na atmosfera de Júpiter (via STScI)
Júpiter tem algumas das características atmosféricas mais conspícuas do nosso Sistema Solar. A Grande Mancha Vermelha, grande o suficiente para envolver a Terra, é quase tão conhecida como alguns dos vários rios e montanhas deste planeta Terra a que chamamos casa. No entanto, tal como a Terra, Júpiter está sempre a mudar e há muito sobre o planeta que ainda temos de aprender. O Telescópio Espacial James Webb está a desvendar alguns desses mistérios, revelando novas características de Júpiter que nunca vimos antes, incluindo um jato de alta velocidade a passar sobre o equador do planeta. Embora a corrente de jato não seja tão aparente ou impressionante como algumas das outras características de Júpiter, está a dar aos investigadores uma visão incrível sobre a forma como as camadas da atmosfera do planeta interagem umas com as outras. Ler fonte
     
  Novo Atlas Siena fornece medições melhoaradas de quase 400.000 galáxias (via NOIRLab)
Os astrónomos criaram um atlas detalhado de quase 400.000 galáxias na nossa vizinhança cósmica. O Atlas Galáctico Siena foi compilado com dados dos telescópios NOIRLab da NSF e foi concebido para ser o mais importante atlas digital de galáxias de grandes dimensões. É um tesouro de informação para os investigadores que estudam tudo desde a formação e evolução das galáxias até à matéria escura e às ondas gravitacionais. Está também disponível gratuitamente online para ser explorado pelo público. Ler fonte
     
  Em busca de bioassinaturas concentradas num antigo lado marciano (via PSI)
Uma descoberta histórica feita por uma equipa liderada por Alexis Rodriguez, do PSI (Planetary Science Institute), revelou evidências de planícies sedimentares criadas pela drenagem de aquíferos em formações marcianas colapsadas de nome terrenos caóticos. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Poeira e a Nebulosa do Véu Ocidental

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jiang Wu
 
É tão grande que é fácil não a ver. Toda a Nebulosa do Véu tem seis vezes o diâmetro da Lua Cheia, mas é tão ténue que é preciso binóculos para a ver. A nebulosa foi criada há cerca de 15.000 anos, quando uma estrela na direção da constelação de Cisne explodiu. A espetacular explosão teria parecido mais brilhante do que Vénus durante uma semana - mas não há registo dela. A imagem mostra a orla ocidental da nuvem de gás ainda em expansão. Filamentos de gás notáveis incluem a Nebulosa da Vassoura da Bruxa no canto superior esquerdo, perto da brilhante estrela de primeiro plano 52 Cygni, e o Triângulo de Fleming (anteriormente conhecido como Triângulo de Pickering) que corre diagonalmente para cima no centro da imagem. O que é raramente fotografado -- mas visto nesta longa exposição que recorreu a muitas bandas de cor -- é a poeira castanha refletora que corre verticalmente para cima à esquerda na imagem, poeira provavelmente criada nas atmosferas frias de estrelas massivas.
 
   
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