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  Astroboletim #2148  
  08/10 a 10/10/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 08/10: 282.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1873, nascia Ejnar Hertzsprung, astrónomo e químico dinamarquês que, na primeira década do século XX, provou pela primeira vez a existência de estrelas gigantes e estrelas anãs.
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Juntamente com Henry Norris Russell, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste por estas noites. Vire-se para oeste e olhe bem para cima. Para a direita de Vega, ou para baixo e para a direita de Vega, a cerca de 14º (quase punho e meio à distância do braço esticado), procure Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. O resto da sua cabeça está um pouco mais para trás. A cabeça de Dragão cabe mais ou menos no campo de visão de uns binóculos. As estrelas principais da constelação de Vega - Lira - têm magnitudes 3 ou 4 e estendem-se para a esquerda de Vega a metade da distância até Eltanin.

 

DIA 09/10: 283.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1604 ocorre a supernova SN 1604, a supernova mais recente observada à vista desarmada na Via Láctea.
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Em 1873, nascia Karl Schwarzschild, físico e astrónomo alemão que, entre outras descobertas, determinou o raio de Schwarzschild, o tamanho do horizonte de eventos de um buraco negro
Em 1992, um fragmento de 13 kg do meteorito Peekskill aterra na entrada da garagem da residência Knapp em Peekskill, Nova Iorque, destruindo o Chevrolet Malibu de 1980 da família.
Em 2000, lançamento do HETE-2 (High Energy Transient Explorer), um observatório de raios-gama, a bordo de um foguetão Pegasus.
Em 2008. uma "mensagem da Terra" é enviada até Gliese 581c, um planeta parecido com a Terra a cerca de 30 anos-luz de distância. A Agência Espacial Ucraniana entregou o pacote de 500 mensagens, que se espera que alcance o exoplaneta no início de 2029.
Em 2009, primeiro impacto lunar das naves Centauro e LCROSS, como parte do Programa Robótico Lunar da NASA.
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo brilha a oeste por estas noites depois do lusco-fusco. Capella, igualmente brilhante, está muito baixa a norte-nordeste (dependendo da latitude do observador; quanto mais para norte estiver, mais alta estará). São ambas estrelas de magnitude 0.
Por volta das 21 horas, Arcturo e Capella brilham à mesma altura nas suas respetivas direções. Qual o momento exato deste evento? Depende da latitude e da longitude do observador.
Quando tal acontecer, vire-se para sul-sudeste e olhe perto do horizonte. Aí estará a estrela de primeira magnitude, Fomalhaut, à mesma altura - se se encontrar a 43º N. Para sul dessa latitude, estará mais alta do que Capella e Arcturo. Para norte, estará mais baixa.

 

DIA 10/10: 284.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1731 nascia Henry Cavendish, cientista britânico famoso pela sua descoberta do hidrogénio e pela sua medição da densidade da Terra.
Em 1846, Tritão, a maior lua de Neptuno, é descoberta pelo astrónomo inglês William Lassell.
Em 1960, a sonda soviética Mars 1960A falha a atingir órbita terrestre.
Em 1967 entra em ação o Tratado Espacial, assinado a 27 de janeiro desse ano por mais de sessenta nações.
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HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 19:55.
Após o cair da noite, olhe um pouco para a direita da Lua (ou um pouco para baixo e para a direita) para encontrar a "pega" do "bule de chá" de Sagitário. Bem para cima do nosso satélite natural, está a estrela Altair, uma das nossas vizinhas estelares mais próximas visíveis a olho nu. Fica a apenas 17 anos-luz.

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Telescópio Webb revela pormenores elusivos em sistemas estelares jovens
 
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Esta impressão artística de um disco de formação planetária em torno de uma estrela jovem mostra uma "panqueca" rodopiante de gás quente e poeira a partir da qual se formam os planetas. Utilizando o Telescópio Espacial James Webb, os investigadores obtiveram imagens pormenorizadas que mostram a estrutura cónica e em camadas dos ventos de disco - correntes de gás que sopram para o espaço.
Crédito: NAOJ

 

A cada segundo nascem mais de 3000 estrelas no Universo visível. Muitas estão rodeadas por aquilo a que os astrónomos chamam um disco protoplanetário - uma "panqueca" rodopiante de gás quente e poeira a partir da qual se formam os planetas. No entanto, os processos exatos que dão origem às estrelas e aos sistemas planetários ainda são pouco conhecidos.

Uma equipa de astrónomos liderada por investigadores da Universidade do Arizona utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA para obter alguns dos conhecimentos mais detalhados das forças que moldam os discos protoplanetários. As observações fornecem vislumbres do possível aspeto do nosso Sistema Solar há 4,6 mil milhões de anos.

Especificamente, a equipa foi capaz de detetar os chamados ventos de disco com um detalhe sem precedentes. Estes ventos são correntes de gás que sopram do disco de formação planetária para o espaço. Alimentados em grande parte por campos magnéticos, estes ventos podem viajar dezenas de quilómetros em apenas um segundo. As descobertas dos investigadores, publicadas na revista Nature Astronomy, ajudam os astrónomos a compreender melhor como os jovens sistemas planetários se formam e evoluem.

De acordo com a autora principal do artigo científico, Ilaria Pascucci, professora no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, um dos processos mais importantes num disco protoplanetário é o facto da estrela consumir matéria do disco que a rodeia, o que é conhecido por acreção.

"O modo como uma estrela acreta massa tem uma grande influência na forma como o disco circundante evolui ao longo do tempo, incluindo a maneira como os planetas se formam mais tarde", disse Pascucci. "As formas específicas como isto acontece ainda não foram compreendidas, mas pensamos que os ventos impulsionados por campos magnéticos, ao longo da maior parte da superfície do disco, podem desempenhar um papel muito importante".

As estrelas jovens crescem puxando gás do disco que está a girar à sua volta, mas para que isso aconteça, o gás tem de perder alguma da sua inércia. Caso contrário, o gás orbitaria consistentemente a estrela e nunca cairia sobre ela. Os astrofísicos chamam a este processo "perda de momento angular", mas a forma exata como isso acontece tem-se revelado difícil de entender.

Para melhor compreender como o momento angular funciona num disco protoplanetário, é útil imaginar uma patinadora no gelo: o juntar os braços ao seu corpo fá-la-á girar mais depressa, enquanto que esticá-los abrandará a sua rotação. Como a sua massa não se altera, o momento angular permanece o mesmo.

Para que a acreção ocorra, o gás ao longo do disco tem de perder momento angular, mas os astrofísicos têm dificuldade em chegar a acordo sobre como é que isso acontece exatamente. Nos últimos anos, os ventos do disco têm surgido como atores importantes, afunilando algum gás da superfície do disco - e com ele, o momento angular - o que permite que o gás restante se mova para dentro e acabe por cair sobre a estrela.

Uma vez que existem outros processos que moldam os discos protoplanetários, é fundamental poder distinguir entre os diferentes fenómenos, de acordo com a segunda autora do artigo, Tracy Beck do STScI (Space Telescope Science Institute) da NASA.

Enquanto o material na orla interna do disco é empurrado para fora pelo campo magnético da estrela, no que é conhecido como vento-X, as partes exteriores do disco são corroídas pela intensa luz estelar, resultando nos chamados ventos térmicos, que sopram a velocidades muito mais lentas.

"Para distinguir entre o vento impulsionado pelo campo magnético, o vento térmico e o vento-X, precisámos realmente da elevada sensibilidade e resolução do JWST (Telescópio Espacial James Webb)", disse Beck.

Ao contrário do vento-X, que tem um foco restrito, os ventos observados no presente estudo têm origem numa região mais vasta que incluiria os planetas rochosos interiores do nosso Sistema Solar - aproximadamente entre a Terra e Marte. Estes ventos também se estendem mais acima do disco do que os ventos térmicos, atingindo distâncias centenas de vezes superiores à distância entre a Terra e o Sol.

"As nossas observações sugerem fortemente que obtivemos as primeiras imagens dos ventos que podem remover o momento angular e resolver o problema de longa data de como as estrelas e os sistemas planetários se formam", disse Pascucci.

Para o seu estudo, os investigadores selecionaram quatro sistemas de discos protoplanetários, todos eles vistos de lado da perspetiva da Terra.

"A sua orientação permitiu que a poeira e o gás no disco atuassem como uma máscara, bloqueando alguma da luz da brilhante estrela central, que de outra forma teria oprimido os ventos", disse Naman Bajaj, estudante do Laboratório Lunar e Planetário que contribuiu para o estudo.

Ao configurar os detetores do JWST para distinguir moléculas em certos estados de transição, a equipa foi capaz de rastrear várias camadas dos ventos. As observações revelaram uma estrutura intrincada e tridimensional de um jato central, aninhado dentro de um invólucro em forma de cone de ventos com origem a distâncias progressivamente maiores do disco, semelhante à estrutura em camadas de uma cebola. Uma nova descoberta importante, de acordo com os investigadores, foi a deteção consistente de um buraco central pronunciado no interior dos cones, formado por ventos moleculares em cada um dos quatro discos.

A equipa de Pascucci espera, no futuro, expandir estas observações a mais discos protoplanetários, para ter uma melhor noção de quão comuns são as estruturas do vento de disco observadas no Universo e de como evoluem ao longo do tempo.

"Pensamos que podem ser comuns, mas com quatro objetos é um pouco difícil de dizer", disse Pascucci. "Queremos obter uma amostra maior com o James Webb e depois ver se conseguimos detetar mudanças nestes ventos à medida que as estrelas se agregam e os planetas se formam".

// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (PDF)

 


Quer saber mais?

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Uma nova teoria alternativa para a origem da Lua
 
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Uma nova investigação levada a cabo por Darren Williams, professor de astronomia e astrofísica no campus de Behrend da Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, na imagem, e por Michael Zugger, engenheiro e investigador no Laboratório de Investigação Aplicada da mesma universidade, propõe uma nova hipótese para a formação da Lua: uma captura de troca binária quando dois objetos passaram perto de uma Terra muito mais jovem.
Crédito: Universidade do Estado da Pensilvânia
 

Ao longo de seis missões à Lua, de 1969 a 1972, os astronautas das Apollo recolheram quase 400 kg de rocha e solo lunares. A análise química e isotópica desse material mostrou que era semelhante à rocha e ao solo da Terra: rico em cálcio, basáltico e datado a cerca de 60 milhões de anos após a formação do Sistema Solar.

Com base nesses dados, os cientistas planetários que se reuniram numa conferência em 1984, no Hawaii, chegaram ao consenso de que a Lua se formou a partir de detritos após uma colisão com a jovem Terra.

Mas, de acordo com dois investigadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, essa pode não ser a verdadeira história da origem da Lua. Uma nova investigação publicada na revista The Planetary Science Journal por Darren Williams, professor de astronomia e astrofísica, e Michael Zugger, engenheiro e investigador do Laboratório de Investigação Aplicada da mesma universidade, propõe outra possibilidade: que a Lua foi capturada durante um encontro próximo entre uma jovem Terra e um binário terrestre - a Lua e outro objeto rochoso.

"Aquela conferência de 1984 definiu a narrativa durante 40 anos", disse Williams. "Mas as questões ainda persistiam. Por exemplo, uma Lua que se forma a partir de uma colisão planetária, tomando forma à medida que os detritos se aglomeram num anel, deveria orbitar acima do equador do planeta. A Lua da Terra orbita num plano diferente.

"A Lua está mais alinhada com o Sol do que com o equador da Terra", disse Williams.

Os investigadores dizem que, na teoria alternativa da captura por troca de binários, a gravidade da Terra separou o binário, apanhando um dos objetos - a Lua - e transformando-o num satélite que orbita no seu plano atual.

Há evidências de que isto acontece noutras partes do Sistema Solar, disse Williams, apontando para Tritão, a maior das luas de Neptuno. A hipótese dominante neste campo é que Tritão foi puxado para a sua órbita a partir da Cintura de Kuiper, onde se pensa que um em cada 10 objetos seja um binário. Tritão orbita Neptuno numa órbita retrógrada, movendo-se na direção oposta à rotação do planeta. A sua órbita está também significativamente inclinada, com um ângulo de 67 graus em relação ao equador de Neptuno.

Williams e Zugger determinaram que a Terra poderia ter capturado um satélite ainda maior do que a Lua - um objeto do tamanho de Mercúrio ou mesmo de Marte - mas a órbita resultante poderia não ser estável.

O problema é que a órbita de "captura" - a que a Lua segue - começou como uma elipse alongada em vez de um círculo. Ao longo do tempo, influenciada por marés extremas, a forma da órbita alterou-se.

"Hoje, a maré terrestre está à frente da Lua", disse Williams. "A maré alta acelera a órbita. Dá-lhe um impulso, um pouco de impulso. Com o tempo, a Lua afasta-se um pouco mais".

O efeito é invertido se a Lua estiver mais perto da Terra, como teria estado imediatamente após a captura. Ao calcular as alterações das marés e o tamanho e forma da órbita, os investigadores determinaram que a órbita elíptica inicial da Lua se contraiu ao longo de uma escala de tempo de milhares de anos. A órbita também se tornou mais circular, arredondando o seu percurso até que a rotação lunar se fixou na sua órbita à volta da Terra, como acontece atualmente.

Nessa altura, disse Williams, a evolução das marés provavelmente inverteu-se e a Lua começou a afastar-se gradualmente.

Todos os anos, disse ele, a Lua afasta-se 3 centímetros da Terra. À sua distância atual da Terra - quase 385.000 quilómetros - a Lua sente agora um puxão significativo da gravidade do Sol.

"A Lua está agora tão longe que tanto o Sol como a Terra estão a competir pela sua atenção", disse Williams. "Ambos estão a puxar por ela".

Os seus cálculos mostram que, matematicamente, um satélite capturado por troca binária poderia comportar-se como a Lua da Terra. Mas ele não tem a certeza de que foi assim que a Lua surgiu.

"Ninguém sabe como é que a Lua se formou", disse ele. "Durante as últimas quatro décadas, tivemos uma hipótese para a sua origem. Agora, temos duas. Isto abre um tesouro de novas questões e oportunidades para estudos futuros".

// Universidade do Estado da Pensilvânia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Lua:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
A origem da Lua (Wikipedia)

Programa Apollo:
NASA
Wikipedia

 
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NASA desliga instrumento científico para poupar energia à Voyager 2
 
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Engenheiros trabalham na Voyager 2 da NASA, no JPL, em março de 1977, antes do lançamento da nave espacial nesse mês de agosto. A sonda transporta 10 instrumentos científicos, alguns dos quais foram desligados ao longo dos anos para poupar energia.
Crédito: NASA
 

Os engenheiros da NASA desligaram o instrumento PLS (Plasma Science) a bordo da nave espacial Voyager 2 devido à diminuição gradual do fornecimento de energia elétrica da sonda.

Viajando a mais de 20,5 mil milhões de quilómetros da Terra, a sonda continua a utilizar quatro instrumentos científicos para estudar a região para lá da nossa heliosfera, a bolha protetora de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol. A sonda tem energia suficiente para continuar a explorar esta região com pelo menos um instrumento científico operacional até à década de 2030.

Os engenheiros da missão tomaram medidas para evitar desligar um instrumento científico durante o máximo de tempo possível, porque os dados científicos recolhidos pelas sondas gémeas Voyager são únicos. Nenhuma outra nave espacial de fabrico humano opera no espaço interestelar, a região para lá da heliosfera.

O PLS mede a quantidade de plasma (átomos eletricamente carregados) e a direção em que flui. Recolheu dados limitados nos últimos anos devido à sua orientação relativamente à direção em que o plasma flui no espaço interestelar.

Ambas as naves são alimentadas pelo decaimento do plutónio e perdem cerca de 4 watts de energia por ano. Depois de as duas Voyagers terem concluído a sua exploração dos planetas gigantes na década de 1980, a equipa da missão desligou vários instrumentos científicos que não seriam utilizados no estudo do espaço interestelar. Isso deu à nave espacial muita energia extra até há alguns anos atrás. Desde então, a equipa tem desligado todos os sistemas de bordo que não são essenciais para manter as sondas a funcionar, incluindo alguns aquecedores. Para adiar a necessidade de desligar outro instrumento científico, a equipa também ajustou a forma como a voltagem da Voyager 2 é monitorizada.

Resultados da monitorização

No dia 26 de setembro, os engenheiros deram o comando para desligar o instrumento PLS. Enviado pela DSN (Deep Space Network) da NASA, demorou 19 horas a chegar à Voyager 2, e o sinal de retorno demorou mais 19 horas a chegar à Terra.

Os engenheiros da missão monitorizam sempre com cuidado as alterações introduzidas nas operações da nave espacial com 47 anos, com o intuito de garantir que não geram efeitos secundários indesejados. A equipa confirmou que o comando foi executado sem incidentes e que a sonda está a funcionar normalmente.

Em 2018, o instrumento de plasma revelou-se fundamental para determinar que a Voyager 2 deixou a heliosfera. A fronteira entre a heliosfera e o espaço interestelar é demarcada por alterações nos átomos, partículas e campos magnéticos que os instrumentos das Voyagers conseguem detetar. Dentro da heliosfera, as partículas do Sol fluem para fora, para longe da nossa estrela mais próxima. A heliosfera está a mover-se através do espaço interestelar, por isso, na posição da Voyager 2, perto da frente da bolha solar, o plasma flui quase na direção oposta à das partículas solares.

O PLS é constituído por quatro "copos". Três deles apontam na direção do Sol e observam o vento solar no interior da heliosfera. Um quarto aponta num ângulo reto em relação à direção dos outros três e observou o plasma nas magnetosferas planetárias, na heliosfera e, agora, no espaço interestelar.

Quando a Voyager 2 saiu da heliosfera, o fluxo de plasma para os três copos virados para o Sol diminuiu drasticamente. Os dados mais úteis do quarto copo surgem apenas uma vez em cada três meses, quando a nave dá uma volta de 360 graus no eixo apontado para o Sol. Este facto contribuiu para a decisão da missão de desligar este instrumento antes dos outros.

O instrumento PLS da Voyager 1 deixou de funcionar em 1980 e foi desligado em 2007 para poupar energia. Outro instrumento a bordo da Voyager 2, chamado PWS (Plasma Wave Subsystem), pode estimar a densidade do plasma quando as erupções do Sol provocam choques através do meio interestelar, produzindo ondas de plasma.

A equipa da Voyager continua a monitorizar a saúde da nave espacial e os seus recursos disponíveis para tomar decisões de engenharia que maximizem a produção científica da missão.

// JPL/NASA (comunicado de imprensa)
// NASA (blog)
// MIT (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura das missões Voyager pelo CCVAlg - Astronomia:
17/09/2024 - Equipa da Voyager 1 realiza uma complicada troca de propulsores
24/10/2023 - Equipa da missão Voyager concentra-se numa correção de software e nos propulsores
02/05/2023 - Voyager da NASA fará mais ciência com nova estratégia energética
24/05/2022 - Os engenheiros estão a investigar os dados de telemetria da Voyager 1
14/05/2021 - À medida que a Voyager 1 estuda o espaço interestelar, as suas medições de densidade "levantam ondas"
24/03/2020 - Reimaginando a heliosfera, a bolha protetora do nosso Sistema Solar
08/11/2019 - Voyager 2 ilumina fronteira do espaço interestelar
12/07/2019 - Um novo plano para manter vivos os exploradores mais antigos da NASA
05/04/2019 - A viagem ao espaço interestelar
11/12/2018 - Voyager 2 entra no espaço interestelar
09/10/2018 - Voyager 2 pode estar perto de alcançar o espaço interestelar
05/09/2017 - O legado das missões Voyager
04/08/2017 - Após 40 anos, sondas Voyager ainda querem alcançar as estrelas
17/01/2017 - Hubble fornece roteiro interestelar da viagem galáctica das Voyager
06/03/2015 - Estudo descobre dois jatos de vento solar na heliosfera
17/09/2013 - Como é que sabemos que a Voyager alcançou o espaço interestelar? 
13/09/2013 - É oficial: Voyager 1 deixa Sistema Solar e entra no espaço interestelar
16/08/2013 - Novo estudo argumenta que Voyager 1 já saiu do Sistema Solar 
02/07/2013 - Voyager 1 explora fronteira final da nossa "bolha solar"
04/12/2012 - Voyager 1 da NASA encontra nova região no espaço profundo
09/10/2012 - Voyager 1 pode já ter deixado o Sistema Solar
19/06/2012 - Dados da Voyager 1 apontam para futuro interestelar
02/12/2011 - Sondas Voyager detectam radiação Lyman-Alpha da Via Láctea
10/06/2011 - Uma grande surpresa no limite do Sistema Solar
11/03/2011 - Voyager 1 procura resposta que sopra ao vento
25/11/2009 - Resolvido mistério nos confins do Sistema Solar
12/12/2007 - Sistema Solar é "esborrachado"
27/05/2005 - Voyager alcança fronteira do Sistema Solar

Notícias relacionadas:
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Sondas Voyager:
NASA
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Voyager 1 (Wikipedia)
Voyager 2 (Wikipedia)

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
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Heliosfera:
Wikipedia

Espaço interestelar:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Os depósito de gelo lunar são mais extensos do que se pensava (via NASA)
De acordo com uma nova análise de dados da missão LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, os depósitos de gelo na poeira e rocha lunares (regolito) são mais extensos do que se pensava. O gelo seria um recurso valioso para futuras expedições lunares. A água podia ser utilizada para proteção contra a radiação e para apoiar os exploradores humanos, ou dividida nos seus componentes de hidrogénio e oxigénio para produzir combustível para foguetões, energia e ar respirável. Ler fonte
     
  Um novo local de nascimento para o asteroide Ryugu (via Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar)
O asteroide Ryugu possivelmente não viajou tanto do seu local de origem até à sua atual órbita próxima da Terra como se supunha. Uma nova investigação publicada na revista Science Advances sugere que Ryugu se formou perto de Júpiter. Estudos anteriores apontavam para uma origem para lá da órbita de Saturno. Há quatro anos, a sonda espacial japonesa Hayabusa 2 trouxe amostras de Ryugu para a Terra. Investigadores na Alemanha compararam agora os tipos de níquel encontrados nestas amostras, bem como em meteoritos típicos ricos em carbono. Os resultados mostram uma alternativa às ideias anteriores sobre os locais de nascimento destes corpos: diferentes asteroides ricos em carbono podem ter-se formado na mesma região perto de Júpiter - embora parcialmente através de processos diferentes e com cerca de dois milhões de anos de diferença. Ler fonte
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M27: Não é um Cometa

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Francesco Sferlazza, Franco Sgueglia
 
Enquanto procurava cometas nos céus de França, no século XVIII, o astrónomo Charles Messier manteve diligentemente uma lista de coisas encontradas durante as suas expedições telescópicas que definitivamente não eram cometas. Este é o número 27 da sua agora famosa lista de não-cometas. De facto, os astrónomos do século XXI identificá-la-iam como uma nebulosa planetária, mas também não é um planeta, embora possa aparecer redonda e semelhante a um planeta através de um pequeno telescópio. Messier 27 (M27) é um excelente exemplo de uma nebulosa de emissão criada quando uma estrela semelhante ao Sol fica sem combustível nuclear no seu núcleo. A nebulosa forma-se à medida que as camadas exteriores da estrela são expelidas para o espaço, com um brilho visível gerado por átomos excitados pela intensa, mas invisível, luz ultravioleta da estrela moribunda. Conhecida pelo nome popular de Nebulosa do Haltere, a nuvem de gás interestelar, maravilhosamente simétrica, tem mais de 2,5 anos-luz de diâmetro e fica a cerca de 1200 anos-luz de distância, na direção da constelação de Vulpecula (Raposa). Esta impressionante imagem a cores realça os pormenores da bem estudada região central e as características mais ténues e raramente fotografadas do halo exterior da nebulosa.
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