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Edição n.º 942
15/03 a 18/03/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 15/03: 74.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1713 nascia Nicolas Lacaille, cujas medições confirmaram o bojo equatorial da Terra; deu nome a 14 constelações do Hemisfério Sul.

Em 1972, a NASA anunciava o seu programa do Vaivém Espacial.
Em 2004, foi anunciada a descoberta de 90377 Sedna, o objecto natural mais longínquo já observado no Sistema Solar (além dos cometas de longo-período).
Observações: Bem para cima da Lua estão as Plêiades. Para cima e para a esquerda de M45 brilha o gigante Júpiter, com Aldebarã para a esquerda.

Dia 16/03: 75.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1926, o foguete lançado pelo físico Robert H. Goddard torna-se no primeiro a combustível líquido; demonstra a praticabilidade dos foguetões e convence Goddard que um dia estes serão capazes de fazer aterrar seres humanos na Lua. 

Goddard lança o seu aparelho num voo de dois segundos e meio a partir de um campo pertencente à sua tia Effie perto de Auburn, Massachusetts. Viaja 56 metros a uma velocidade de 96,6 km/h e alcança uma altitude de apenas 12,5 metros.
Em 1942, primeiro lançamento de teste do foguetão V-2. Explode na descolagem. 
Em 1966 era lançada a Gemini 8 - o primeiro acoplamento de dois veículos espaciais no espaço (com Agena).
Em 1999, a equipa da Lunar Prospector no Centro de Pesquisa Ames da NASA anuncia descobertas que confirmam que a massa da Lua é na sua maioria material ejectado da Terra aquando do impacto com um objecto do tamanho de Marte.
Observações: A Lua brilha a Oeste após o pôr-do-Sol, com as Plêiades para cima e para a direita, e Júpiter e Aldebarã para cima e para a esquerda.

Dia 17/03: 76.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958 era lançada a primeira sonda a energia solar, a Vanguard 1.

Transportava um sensor de medição de temperatura e um transmissor de rádio. O seu sistema de energia parou em 1964, embora se pensasse que continuaria a orbitar a Terra e a transmitir dados durante 1000 anos.
Observações: Esta noite a Lua encontra-se a cerca de 3º de Júpiter.

Dia 18/03: 77.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento matando 50 pessoas.
Observações: Assim que as estrelas começam a aparecer, procure o brilhante Sirius a Sul. É a ponta de baixo do Triângulo de Verão. Os outros cantos do triângulo são Procyon para cima e para a esquerda, e Betelgeuse para cima e para a direita de Sirius (num dos cantos de Orionte). Em comparação com o Triângulo de Verão, o de Inverno é mais brilhante, mais colorido e equilátero!

 
CURIOSIDADES


Em 1955, Walt Disney introduz pessoalmente a série de televisão 'Man In Space', na ABC. Wernher von Braun, engenheiro aerospacial e Walt Disney, o artista, usaram o novo meio televisivo para mostrar que os humanos poderiam ir à Lua e voltar com base em tecnologias futuras e no desejo de explorar e descobrir.

 
ROVER DA NASA DESCOBRE QUE MARTE JÁ TEVE CONDIÇÕES PARA SUPORTAR VIDA
Este conjunto de imagens compara rochas vistas pelo rover Opportunity e pelo rover Curiosity em duas zonas diferentes de Marte. À esquerda está a rocha "Wopmay", na Cratera Endurance, Meridiani Planum, estudada pelo rover Opportunity. À direita estão as rochas da unidade "Sheepbed" em Yellowknife Bay, na Cratera Gale, vistas pelo Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell/MSSS
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A análise de uma amostra de rocha recolhida pelo rover Curiosity da NASA mostra que Marte pode já ter suportado vida microbiana.

Os cientistas identificaram enxofre, nitrogénio, hidrogénio, oxigénio, fósforo e carbono -- alguns dos ingredientes químicos essenciais para a vida -- no pó que o Curiosity perfurou de uma rocha sedimentar perto de um antigo leito de rio na Cratera Gale em Marte no mês passado.

"Uma questão fundamental desta missão era determinar se Marte já poderia ter suportado um ambiente habitável," afirma Michael Meyer, líder científico do Programa de Exploração de Marte da NASA na sede da agência em Washington, EUA. "Pelo que agora sabemos, a resposta é sim."

As pistas deste ambiente habitável vêm de dados obtidos pelos instrumentos SAM (Sample Analysis at Mars) e CheMin (Chemistry and Mineralogy). Os dados indicam que a área de Yellowknife Bay, que o rover está a explorar, era o final de um antigo sistema de rios ou um lago intermitente que poderia ter fornecido a energia química e outras condições favoráveis para micróbios. A rocha é composta por xistos refinados contendo minerais argilosos, minerais de sulfato e outros químicos. Este ambiente antigo e molhado, ao contrário de outros em Marte, não era duramente oxidante, ácido ou extremamente salgado.

A zona rochosa que o Curiosity perfurou para recolher a sua primeira amostra situa-se numa antiga rede de canais que desciam da orla da Cratera Gale. A base também é composta por argilas e mostra evidências de múltiplos períodos de piso molhado, incluindo nódulos e veias.

Este mapa em cores falsas mostra a área da Cratera Gale em Marte, onde o rover Curiosity aterrou a 6 de Agosto de 2012 e o local onde recolheu a sua primeira amostra perfurada na rocha John Klein.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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A broca do Curiosity recolheu a amostra num local a apenas algumas centenas de metros onde o rover já tinha encontrado um antigo leito em Setembro de 2012.

"Os minerais de argila constituem pelo menos 20% da composição desta amostra," afirma David Blake, investigador principal do instrumento CheMin no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia.

Estes minerais argilosos são um produto da reacção de água relativamente fresca com minerais ígneos, tais como olivina, também presentes no sedimento. A reacção pode ter tido lugar dentro do depósito sedimentar, durante o transporte do sedimento, ou na região da fonte do sedimento. A presença de sulfato de cálcio, juntamente com a argila, sugere que o solo é neutro ou ligeiramente alcalino.

Os cientistas ficaram surpresos ao encontrar uma mistura de químicos oxidados, menos oxidados e até não-oxidados, proporcionando um gradiente de energia do tipo que muitos micróbios da Terra exploram para sobreviver. Esta oxidação parcial foi pela primeira vez sugerida quando a perfuração revelou material cinza em vez de vermelho.

Esta comparação lado-a-lado mostra os padrões de difração em raios-X de duas amostras diferentes recolhidas da superfície marciana pelo rover Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
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"A variedade de ingredientes químicos que identificámos na amostra é impressionante, e sugere pares como sulfatos e sulfetos que indicam uma possível fonte de energia química para micro-organismos," afirma Paul Mahaffy, investigador principal do conjunto de instrumentos SAM, do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland.

Uma amostra perfurada adicional será usada para ajudar a confirmar estes resultados para vários dos traços gasosos analisados pelo instrumento SAM.

"Nós caracterizámos um muito antigo, mas estranhamento novo 'Marte cinza', onde as condições já foram favoráveis à vida," afirma John Grotzinger, cientista do projecto MSL (Mars Science Laboratory) do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. "O Curiosity está numa missão de descoberta e exploração e, como equipa, sentimos que há muitas mais descobertas excitantes pela frente nos meses e anos que virão."

Os cientistas planeiam trabalhar com o Curiosity na área "Yellowknife Bay" ainda durante muitas semanas antes de começar a longa viagem até ao monte central da Cratera Gale, o Monte Sharp. A investigação das camadas expostas no Monte Sharp, onde os minerais argilosos e minerais de sulfato já foram identificados a partir de órbita, pode dar mais informações acerca da duração e diversidade das condições de habitabilidade.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
Astronomy
PHYSORG
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
redOrbit
The Planetary Society
ScienceNews
National Geographic
Discovery News
BBC News
Reuters
The Verge
io9
AstroPT
jpn
Público
Jornal Digital
RTP
Diário de Notícias

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
PLANETAS TIPO-TERRA EM ZONAS HABITÁVEIS SÃO MAIS COMUNS DO QUE SE PENSAVA

De acordo com uma nova análise por cientistas da Universidade Penn State, o número de planetas potencialmente habitáveis é maior do que se pensava. E alguns desses planetas estão provavelmente escondidos em torno de estrelas próximas.

"Nós estimamos agora que se observássemos 10 das estrelas pequenas mais próximas, encontraríamos mais ou menos 4 planetas potencialmente habitáveis," afirma Ravi Kopparapu, investigador pós-doutorado em geociências. "Esta é uma estimativa conservadora," acrescenta. "Podem haver mais."

Kopparapu detalha as suas conclusões num artigo aceite para publicação na revista Astrophysical Journal Letters. Nele, recalcula a generalidade de planetas do tamanho da Terra nas zonas habitáveis de estrelas de baixa massa, também conhecidas como anãs-M ou anãs vermelhas.

Os cientistas concentram-se nas anãs-M por várias razões, explica. A órbita de planetas em torno de anãs-M é muito curta, o que permite aos cientistas recolher dados sobre um maior número de órbitas num período mais curto de tempo que em estrelas tipo-Sol, que têm zonas habitáveis maiores. As anãs-M também são mais comuns que estrelas como o Sol, o que significa que podem ser observadas em maior número.

De acordo com os seus resultados, "a distância média até ao planeta potencialmente habitável mais próximo é de cerca de 7 anos-luz. Isto é aproximadamente metade da distância de estimativas anteriores," afirma Kopparapu. "Existem cerca de oito estrelas frias até 10 anos-luz de distância, por isso de modo conservador, podemos esperar encontrar cerca de três planetas do tamanho da Terra em zonas habitáveis."

Este gráfico mostra estimativas optimistas e conservadoras dos limites de zonas habitáveis em torno de estrelas frias e de baixa massa. Os números indicam os nomes de candidatos a planeta conhecidos pelo Kepler. A cor amarela representa candidatos com menos de 1,4 vezes o raio da Terra. A cor verde representa candidatos a planeta com raios entre 1,4 e 2 vezes o da Terra. Planetas com o sinal "+" não estão na zona habitável.
Crédito: Universidade Penn State
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O trabalho segue um estudo recente por cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica que analisaram 3987 anãs-M para calcular o número de candidatos a planetas do tamanho da Terra em zonas habitáveis de estrelas frias - uma região em torno de uma estrela onde os planetas rochosos são capazes de sustentar água líquida e, portanto, vida. Esse estudo usou os limites de zonas habitáveis calculados em 1993 por Jim Kasting, agora professor Evan Pugh no Departamento de Geociências da Universidade de Penn State. Kopparapu notou que as suas conclusões, com base em dados do Kepler, não reflectiam as estimativas mais recentes para determinar se planetas caem dentro da zona habitável.

Estas novas estimativas são baseadas num modelo actualizado desenvolvido por Kopparapu e seus colaboradores, usando informação sobre a absorção de água e dióxido de carbono que não estava disponível em 1993. Kopparapu aplicou as suas conclusões no estudo da equipa de Harvard, usando o mesmo método de cálculo, e descobriu que existem planetas adicionais nas zonas habitáveis recém-determinadas.

"Usei os nossos novos cálculos das zonas habitáveis e descobri que existem quase três vezes mais planetas tipo-Terra nas zonas habitáveis de estrelas de baixa massa do que em estimativas anteriores," afirma Kopparapu. "Isto significa que planetas do tamanho da Terra são mais comuns do que se pensava, e que é um bom sinal para a detecção de vida extraterrestre."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
08/02/2013 - Planetas tipo-Terra na "porta ao lado"

Notícias relacionadas:
Universidade Penn State (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
redOrbit
Space Daily
PHYSORG

Anãs vermelhas (anãs-M):
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  ALMA rescreve a história da formação estelar intensa no Universo (via ESO)
Observações feitas com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) mostram que a formação estelar mais intensa no cosmos ocorreu muito mais cedo do que o que se supunha anteriormente. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Observando Através de Abell 68
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble Heritage/Colaboração ESA-HubbleReconhecimento: Nick Rose
 
Quer usar um enxame de galáxias como telescópio? É mais fácil do que pensa, pois os enxames galácticos distantes agem naturalmente como fortes lentes gravitacionais. De acordo com a teoria de Einstein da relatividade geral, a massa do enxame, dominada por matéria escura, dobra a luz e cria imagens distorcidas e amplificadas de galáxias de fundo ainda mais distantes. Esta detalhada imagem infravermelha do Hubble ilustra o caso do enxame galáctico Abell 68 como um telescópio gravitacional, explorado pelo astrónomo amador Nick Rose durante a competição de processamento de imagens "Hidden Treasures" da ESA-Hubble. Os círculos n.º 1 e 2 mostram duas imagens da mesma galáxia de fundo. O círculo n.º 3 marca um membro do enxame de galáxias, não uma lente gravitacional, desprovido do seu próprio gás à medida que atravessa o meio intergaláctico mais denso. A elipse n.º 4 inclui muitas galáxias de fundo, vistas como riscos alongados e arcos. O enxame Abell 68 propriamente dito está a cerca de 2,1 mil milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Raposa. A região central do enxame, capturada na imagem do Hubble, mede mais de 1,2 milhões de anos-luz.
 

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