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Edição n.º 974
05/07 a 08/07/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 05/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Observações: Durante o amanhecer de hoje e amanhã, procure a Lua baixa a Este. Guia o seu caminho até Marte, Júpiter, Aldebarã e Beta Tauri. Binóculos vão ajudar.
A Terra encontra-se no afélio, a sua maior distância do Sol (apenas 1/30 mais longe do que no periélio em Janeiro)

Dia 06/07: 187.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, o radar planetário de Yevpatoria com 70 metros, envia uma mensagem METI para 5 estrelas: Hip 4872, HD 24540955 CancriHD 1030747 Ursae Majoris, que chegará em 2036, 2040, 2044 e 2049, respectivamente.

Observações: Duas horas após o pôr-do-Sol, após o anoitecer, o horizonte a Este-Nordeste corta o Grande Quadrado de Pégaso entre dois dos seus cantos opostos. Pela meia-noite, já o Grande Quadrado está bem visível, apoiado sobre o seu canto de baixo.

Dia 07/07: 188.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, Vénus oculta a estrela Régulo. Este evento raro é usado para determinar o diâmetro de Vénus e a estrutura da atmosfera venusiana.
Em 1988, era lançada a sonda soviética Phobos 1

Infelizmente a sonda perdeu-se no caminho até Marte devido a uma má actualização do software a 29/30 de Agosto. Este erro impediu o alinhamento correcto dos painéis solares com o Sol, o que gastou a bateria.
Observações: Esta é a altura do ano em que convém observar a rica mas baixa cauda de Escorpião com telescópio. Explore um verdadeiro ninho de enxames perto de M6.

Dia 08/07: 189.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2011, o vaivém espacial Atlantis é lançado na sua missão final.

Observações: Lua Nova, pelas 08:14.
Aproveite o início da noite para observar telescopicamente o planeta Saturno, na constelação de Virgem.

 
CURIOSIDADES


Plutão é o segundo planeta anão mais massivo. Tem aproximadamente 1/6 da massa da Lua e 1/3 do seu volume.

 
SERÁ QUE ANDRÓMEDA COLIDIU COM A VIA LÁCTEA HÁ 10 MIL MILHÕES DE ANOS ATRÁS?

Há já muitos anos que os cientistas acreditam que a nossa Galáxia, a Via Láctea, vai colidir com a sua vizinha, a Galáxia de Andrómeda, daqui a cerca de 3 mil milhões de anos e que essa será a primeira vez que tal colisão terá lugar. Mas uma equipa europeia de astrónomos, liderada por Hongsheng Zhao da Universidade de St. Andrews, propõe uma ideia muito diferente; que os dois Universos-ilha já colidiram no passado, há cerca de 10 mil milhões de anos atrás e que a nossa compreensão da gravidade está fundamentalmente errada. Notavelmente, isto explicaria perfeitamente a estrutura observada das duas galáxias e dos seus satélites, algo que tem sido difícil explicar até agora. O Dr. Zhao apresentou ontem o seu novo trabalho numa reunião da Sociedade Astronómica Real em St. Andrews, Escócia.

A Via Láctea, composta por cerca de 200 mil milhões de estrelas, faz parte de um grupo de galáxias chamado Grupo Local. Os astrofísicos frequentemente teorizam que a maioria da massa do Grupo Local é invisível, constituída pela chamada matéria escura. A maioria dos cosmólogos acreditam que em todo o Universo, esta matéria supera a matéria "normal" por um factor de cinco. A matéria escura tanto em Andrómeda como na Via Láctea torna a interacção gravitacional entre as duas galáxias forte o suficiente para superar a expansão do Cosmos, de modo que estão movendo-se na direcção uma da outra a cerca de 100 km/s, rumo a uma colisão que ocorrerá daqui a 3 mil milhões de anos.

Imagem da Galáxia de Andrómeda, usando um filtro que selecciona a luz da linha espectral do hidrogénio.
Crédito: Adam Evans
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas este modelo é baseado no modelo convencional da gravidade desenvolvido por Newton e modificado por Einstein há um século atrás, e esforça-se por explicar algumas propriedades das galáxias que vemos ao nosso redor. O Dr. Zhao e a sua equipa argumentam que, actualmente, a única maneira de prever com sucesso a força gravitacional de qualquer galáxia ou pequeno grupo galáctico, antes de medir o movimento das estrelas e do gás, é fazer uso de um modelo proposto pela primeira vez pelo professor Mordehai Milgrom do Instituto Weizmanne, em Israel, em 1983.

Esta teoria modificada da gravidade (MOND ou Modified Newtonian Dynamics) descreve como a gravidade se comporta de forma diferente em escalas maiores, divergindo das previsões feitas por Newton e Einstein.

O Dr. Zhao e colegas usaram esta teoria pela primeira vez para calcular o movimento do Grupo Local de galáxias. O seu trabalho sugere que a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda tiveram um encontro há cerca de 10 mil milhões de anos atrás. Se a gravidade está em conformidade com o modelo convencional em escalas maiores, então tendo em conta a suposta atracção gravitacional adicional da matéria escura, as duas galáxias ter-se-iam fundido.

"A matéria escura age como mel: num encontro próximo, a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda ficariam 'coladas' uma à outra, figurativamente falando," afirma o membro da equipa professor Pavel Koupa da Universidade de Bona, Alemanha. "Mas se a teoria de Milgrom está certa," afirma o colega Dr. Benoit Famaey (Observatório Astronómico de Estrasburgo)," então não existem partículas escuras e as duas grandes galáxias poderiam simplesmente ter passado uma pela outra, atraindo assim matéria uma da outra através da formação de grandes e finos braços de marés."

Diagrama esquemático que mostra como a Galáxia de Andrómeda (em baixo, à direita), colidiu com a Via Láctea (na intersecção dos eixos) há 10 mil milhões de anos atrás, moveu-se até uma distância máxima de mais de 3 milhões de anos-luz e está agora a aproximar-se da nossa Galáxia novamente. A linha mostra o percurso de Andrómeda em relação à Via Láctea.
Crédito: Fabian Lueghausen/Universidade de Bona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Formar-se-iam então pequenas novas galáxias nestes braços, "um processo frequentemente observado no Universo actual," acrescenta o membro da equipa Fabian Lueghausen, também de Bona. O Dr. Zhao explica: "A única maneira de explicar como as duas galáxias poderiam passar perto uma da outra sem se fundirem é se a matéria escura não estiver lá. As evidências observacionais de um encontro próximo passado, então, apoiam fortemente a teoria Milgromiana da gravidade."

Uma assinatura deste género pode já ter sido descoberta. Os astrónomos esforçam-se para compreender a distribuição das galáxias anãs em órbita tanto da Via Láctea como de Andrómeda. As galáxias anãs podem ser explicadas se nascerem de gás e estrelas arrancadas das duas galáxias-mãe durante o seu encontro próximo.

Pavel Kroupa vê isto como a "arma fumegante" para a colisão. "Dado o arranjo e o movimento das galáxias anãs, não vejo como qualquer outra explicação funcionaria," comenta.

A equipa pretende agora modelar o encontro usando a dinâmica Milgromiana e está a desenvolver código na Universidade de Bona para este propósito.

No novo modelo, a Via Láctea e Andrómeda vão ainda colidir novamente nos próximos milhares de milhões de anos, mas vai ser um "deja vu". E a equipa acredita que a sua descoberta tem consequências profundas na nossa compreensão actual do Universo. Pavel Kroupa conclui: "Se estivermos certos, a história do Cosmos terá que ser reescrita do zero."

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG

MOND:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

 
LUAS MAIS PEQUENAS DE PLUTÃO RECEBEM NOMES OFICIAIS

Os nomes das duas luas mais pequenas de Plutão, anteriormente referidas como "P4" e "P5", foram formalmente aprovados pela UAI (União Astronómica Internacional). P4 recebe o nome de Cérbero, o cão de três cabeças da mitologia grega. P5 é agora chamado Estige, o rio mitológico que separa o mundo dos vivos do reino dos mortos. As duas juntam-se às luas Caronte, Nix e Hidra. De acordo com as regras da UAI, as luas de Plutão têm nomes associados com o submundo da mitologia grega e romana.

O Dr. Mark Showalter, cientista do SETI em Mountain View, Califórnia, liderou a equipa de astrónomos que descobriu Cérbero e Estige. Ambas foram vistas pela primeira vez em exposições longas do sistema plutoniano obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble. Estas imagens foram obtidas em apoio da missão New Horizons da NASA, que vai passar por Plutão em Julho de 2015. Cérbero foi descoberta em 2011 e Estige em 2012.

Plutão e as suas cinco luas.
Crédito: NASA/ESA/M. Showalter, Instituto SETI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os nomes foram seleccionados com base nos resultados de uma votação na Internet, realizada em Fevereiro de 2012. Foram recebidos quase 500.000 votos, incluindo 30.000 sugestões por parte dos votantes. "Fiquei impressionado com a resposta do público à campanha de nomenclatura," afirma o Dr. Showalter.

Cérbero ficou colocado em segundo lugar na votação. Estige em terceiro. O vencedor dos votos foi "Vulcano", com base na sugestão do actor William Shatner, o conhecido capitão James T. Kirk da série e filmes da saga Star Trek. Vulcano era o nome do planeta natal de Spock. A UAI deu séria consideração a este nome, que é partilhado pelo deus romano dos vulcões. No entanto, o nome Vulcano já foi usado para um hipotético planeta entre Mercúrio e o Sol. Embora este planeta não exista, o termo "vulcanóide" permanece em uso para quaisquer asteroides que existem dentro da órbita de Mercúrio. E dado que este deus romano não está intimamente associado com Plutão, a proposta foi rejeitada. "Estou grato à UAI por ter dado especial consideração às nossas sugestões," afirma o Dr. Showalter.

Vamos obter melhores imagens de Cérbero e Estige em 2015, quando a New Horizons se tornar na primeira sonda a passar pelo sistema de Plutão. Alan Stern, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, afirma: "as descobertas de Cérbero e Estige acrescentam aos mistérios que rodeiam a formação do sistema de Plutão." Stern é o investigador principal da New Horizons. Durante a passagem, a sonda vai também procurar novas luas, que poderão ser demasiado pequenas para serem detectadas pelo Hubble. Depois, a New Horizons vai continuar a explorar a mais distante Cintura de Kuiper.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
18/06/2004 - New Horizons II - uma missão ao Sistema Solar longínquo
01/11/2005 - Duas novas luas descobertas em torno de Plutão
20/01/2006 - New Horizons partiu
23/06/2006 - Novas luas de Plutão chamadas Hidra e Nix
22/07/2011 - Hubble descobre outra lua em torno de Plutão
29/11/2011 - Luas de Plutão podem significar perigo para a New Horizons
13/07/2012 - Hubble descobre quinta lua em torno de Plutão
12/02/2013 - Ajude a nomear duas luas de Plutão
25/06/2013 - Equipa de New Horizons mantém plano de voo original para Plutão

Notícias relacionadas:
UAI (comunicado de imprensa)
SETI (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
Science Daily
Discovery News
PHYSORG
New Scientist
redOrbit
National Geographic
AstroPT

Sistema de Plutão:
Plutão (Wikipedia)
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hidra (Wikipedia)
Cérbero (Wikipedia)
Estige (Wikipedia)

New Horizons:
Página oficial
Wikipedia

Regras de nomenclatura de objectos astronómicos:
UAI

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M82: Galáxia com Supervento

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ken Crawford (Obs. Rancho Del Sol)
 

Também conhecida como Galáxia do Charuto devido à sua aparência visual, M82 é uma galáxia com um supervento. De facto, graças a explosões de supernovas e aos poderosos ventos oriundos de estrelas massivas, a formação estelar em M82 alimenta o fluxo avassalador de material. As evidências para o supervento das regiões centrais da galáxia são claras nesta composição. A composição salienta emissão dos filamentos de hidrogénio atómico gasoso em tons avermelhados. Os filamentos prolongam-se por mais de 10.000 anos-luz. Algum deste gás no supervento, enriquecido por elementos pesados criados em estrelas massivas, irá eventualmente escapar para o espaço intergaláctico. A inclusão de filtros de banda-estreita na exposição profunda revelou uma ténue característica apelidada de boné. Situado a cerca de 35.000 anos-luz para cima e para a esquerda da galáxia, o boné parece ser material do halo galáctico ionizado pelo choque do supervento ou por intensa radiação ultravioleta de estrelas jovens e massivas no núcleo da galáxia. Despoletada por encontros próximos com a vizinha e gigante galáxia M81, a intensa formação estelar em M82 deverá durar aproximadamente mais 100 milhões de anos. M82 está a 12 milhões de anos-luz de distância, perto da fronteira norte da constelação da Ursa Maior.

 

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