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Edição n.º 1211
16/10 a 19/10/2015
 
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30/10/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 16/10: 289.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2012, é descoberto o planeta extrasolar Alpha Centauri Bb.

Observações: Maior elongação oeste de Mercúrio, pelas 04:00.
A Lua está localizada mesmo por cima de Saturno, baixos a sudoeste ao lusco-fusco.

Dia 17/10: 290.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604, o astrónomo Johannes Kepler observa uma supernova na constelação de Ofíuco.

Observações: Um pouco antes do amanhecer, Marte, Júpiter e Vénus formam um triângulo muito fino a este. Marte e Júpiter, especialmente, estão muito próximos um do outro no céu (menos de 0,3º de separação).

Dia 18/10: 291.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário no Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.

Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objetos gelados, conhecida como centauros, que reside no Sistema Solar exterior. 
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Observações: Se é madrugador(a), observe novamente os três planetas Marte, Júpiter e Vénus. Nota mudanças nas suas posições em relação a ontem?

Dia 19/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).

A sua teoria revoluciona a ciência. 
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reações nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Em 2014, o cometa Siding Spring passa a 140.000 km de Marte.
Observações: Depois do anoitecer, aviste o padrão em forma de "W" de Cassiopeia, bem alto a nordeste. O terceiro segmento do "W", contando a partir de cima, aponta quase diretamente para baixo. Prolongue este segmento de reta duas vezes e encontrará o Enxame Duplo de Perseu. Este par de enxames abertos é muito ténue à vista desarmada sob um céu escuro, mas visível a binóculos ou através de um pequeno telescópio em qualquer lugar.

 
CURIOSIDADES


A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é maior que o planeta Terra.

 
O QUE COLIDE COM CERES, FICA EM CERES

Um novo conjunto de experiências de impacto a alta velocidade sugerem que o planeta anão Ceres pode ser uma espécie de alvo cósmico de dardos: os projéteis que batem nele, tendem a lá ficar.

As experiências, realizadas usando o AVGR (Ames Vertical Gun Range) no Centro de Pesquisa Ames da NASA, sugerem que quando os asteroides e outros projéteis colidem com Ceres, grande parte do material de impacto permanece à superfície em vez de ressaltar para o espaço. Os resultados indicam que a superfície de Ceres pode consistir em grande parte por uma mistura de materiais de meteoritos recolhidos ao longo de milhares de milhões de anos de bombardeamento.

A investigação, por Terik Daly e Peter Schultz da Universidade Brown, EUA, foi publicada na revista Geophysical Research Letters.

Experiências usando um canhão de alta velocidade sugerem que quando os asteroides atingem alvos que são ou gelados ou feitos silicatos porosos, grande parte do material fica na cratera. Os achados têm implicações para a composição do planeta anão Ceres.
Crédito: Centro de Pesquisa Ames da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ceres é o maior objeto na cintura de asteroides e o planeta anão mais próximo da Terra. Até à recente chegada da sonda Dawn, tudo o que se sabia sobre Ceres vinha de observações telescópicas. As observações mostraram que Ceres tem uma densidade misteriosamente baixa, sugerindo que ou é feito de um material muito poroso de silicato, ou talvez tenha uma grande camada de água gelada. As observações da sua superfície foram marcantes - em grande parte por não o serem.

"Não é nada de especial nas observações telescópicas," afirma Daly, estudante de doutoramento em Brown e o autor principal do estudo. "É como se alguém pegasse numa única cor de tinta e o pintasse todo. Quando pensamos sobre o que poderia ter provocado esta superfície homogénea, os nossos pensamentos voltam-se para os processos de impacto."

E para compreender os processos de impacto, os cientistas dirigiram-se ao AVGR, um canhão com 4,26 metros que pode lançar projéteis até 25.750 km/h. Para este trabalho, Daly e Schultz quiseram simular impactos em superfícies de baixa densidade que imitam as duas possibilidades para a composição da superfície de Ceres: silicato poroso ou superfície gelada.

"A ideia era olhar estes dois casos, porque nós realmente não sabemos ainda exatamente como Ceres é," comenta Daly.

Para o caso de silicatos porosos, os investigadores lançaram projéteis em direção a pedra-pomes em pó. Para o caso do gelo, usaram dois alvos: neve, e neve coberta por uma fina camada de silicatos macios, simulando a possibilidade do gelo de Ceres estar por baixo de uma camada de silicato. Então, atingiram estes alvos com pedaços de basalto e alumínio do tamanho de seixos, simulando tanto meteoritos rochosos como metálicos.

O estudo mostrou que, em todos os casos, grandes proporções do material de impacto permaneceram na e em redor da cratera de impacto. Isto é especialmente verdade no caso do gelo, explica Daly.

"Nós mostramos que quando temos um impacto vertical na neve - um análogo para o gelo poroso que pensamos estar mesmo por baixo da superfície de Ceres - cerca de 77% da massa do projétil fica na cratera ou perto dela."

Os resultados foram um pouco surpreendentes, diz Schultz, que estudou processos de impacto durante muitos anos enquanto professor na Universidade Brown.

"Isto é realmente contrário às estimativas anteriores para corpos pequenos," afirma Schultz. "O pensamento era que seria expelido mais material do que aquele recolhido, mas nós mostrámos que realmente podemos entregar uma grande quantidade de material."

As velocidades de impacto usadas nas experiências são parecidas com as velocidades que se pensa serem comuns nas colisões da cintura de asteroides. Os resultados sugerem que a maioria dos impactos sobre corpos porosos, como Ceres, provocam uma acumulação de material de impacto sobre a superfície.

"Pensávamos que talvez se um impacto fosse invulgarmente lento, que seria entregue mais material," observa Schultz. "Mas o que estamos a dizer é que para um impacto típico, de velocidade média, na cintura de asteroides, estamos a entregar uma grande quantidade de material."

Ao longo de milhares de milhões de anos de tais impactos, Ceres pode ter acumulado bastante material não-nativo, explicam Daly e Schultz, e que grande parte é misturado para criar a superfície relativamente inofensiva vista com telescópios. Os investigadores estão confiantes que, à medida que a Dawn estuda a superfície numa resolução muito maior, seja capaz de avistar zonas individuais deste material "entregue". Isso ajudaria a confirmar a relevância destas experiências para corpos celestes, dizem.

Os resultados têm implicações para as missões que visam trazer amostras de asteroides para a Terra. A menos que os locais de pouso sejam escolhidos cuidadosamente, essas missões poderiam acabar com amostras que não são representativas do material original do objeto. Para o conseguir, pode ser necessário encontrar uma área onde houve um impacto relativamente recente.

"Não podemos fazer isto como a velha garra de uma máquina de guindaste que vemos nas salas de jogo e apanhar o que quer que esteja lá. Pode ser preciso encontrar uma cratera de impacto recente onde, talvez, o material original foi remexido."

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
Universidade Brown (comunicado de imprensa)
Geophysical Journal Letters
Colisão simulada em gelo (Universidade Brown via Vine)
ScienceDaily
Astrobiology Magazine
PHYSORG

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

Ceres:
Wikipedia

 
RETRATO PLANETÁRIO DO HUBBLE CAPTURA MUDANÇAS NA GRANDE MANCHA VERMELHA DE JÚPITER
Esta nova imagem do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter, foi feita durante o programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy). As imagens do programa torma possível a determinação das velocidades dos ventos de Júpiter, a identificação de diferentes fenómenos na sua atmosfera e o acompanhamento de mudanças nas suas características mais famosas. O mapa foi observado no dia 19 de janeiro de 2015, entre as 02:00 e as 12:30 (UT).
Crédito: NASA, ESA, A. Simon (GSFC), M. Wong (UC Berkeley) e G. Orton (JPL-Caltech)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA produziram novos mapas de Júpiter que mostram mudanças contínuas na sua famosa Grande Mancha Vermelha. As imagens também revelam uma estrutura rara em forma de onda na atmosfera do planeta que não era vista há décadas. A nova imagem é a primeira numa série de retratos anuais dos planetas do Sistema Solar exterior, que nos vão dar novos vislumbres desses mundos remotos e ajudar os cientistas a estudar como mudam ao longo do tempo.

Esta nova imagem de Júpiter captura uma ampla gama de características, incluindo ventos, nuvens e tempestades. Os cientistas por trás das novas imagens obtiveram exposições de Júpiter com a câmara WFC3 do Hubble durante um período superior a 10 horas e produziram dois mapas de todo o planeta a partir dessas observações. Estes mapas tornam possível a determinação das velocidades dos ventos de Júpiter, a fim de identificar fenómenos diferentes na sua atmosfera e acompanhar as mudanças nas suas características mais famosas.

As novas imagens confirmam que a grande tempestade, que já está presente em Júpiter há pelo menos 300 anos, continua a encolher. A tempestade, conhecida como Grande Mancha Vermelha, é vista aqui a rodopiar no centro da imagem do planeta. Tem vindo a diminuir de tamanho a um ritmo notavelmente mais rápido e de ano para ano há já algum tempo. Mas agora, a taxa de contração parece estar a abrandar novamente, embora a mancha ainda seja cerca de 240 km mais pequena do que era em 2014.

O movimento das nuvens de Júpiter pode ser visto através da comparação do primeiro mapa com o segundo. A ampliação mostra a Grande Mancha Vermelha em diferentes comprimentos de onda e revela uma características filamentária nunca antes vista.
Crédito: NASA/ESA/Goddard/UC Berkeley/JPL-Caltech/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O tamanho da mancha não é a única mudança avistada pelo Hubble. No centro da mancha, mancha esta que tem uma cor menos intensa do que anteriormente, está um filamento invulgar que pode ser visto abrangendo quase toda a largura do vórtice. Este filamento roda e gira ao longo do período de 10 horas da sequência de imagens, distorcido por ventos que sopram a 540 km/h.

Há uma outra característica de interesse nesta nova imagem do nosso vizinho gigante. Para norte do equador do planeta, os investigadores encontraram uma estrutura rara em forma de onda, de um tipo que só tinha sido avistado no planeta apenas uma vez, há décadas atrás pela missão Voyager 2, lançada em 1977. Nas imagens da Voyager 2 a onda era pouco visível e os astrónomos começaram a pensar que a sua aparência era apenas um acaso, já que nada do género tinha sido visto novamente. Até agora.

Na Cintura Equatorial Norte de Júpiter, os cientistas avistaram uma onda rara que só tinha sido observada uma vez. É parecida com uma onda que por vezes ocorre na atmosfera da Terra durante a formação dos ciclones. Esta ampliação a cores falsas de Júpiter mostra ciclones (setas) e as ondas (linhas verticais).
Crédito: NASA/ESA/Goddard/UC Berkeley/JPL-Caltech/STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A onda atual foi encontrada numa região repleta de ciclones e anticiclones. Ondas similares - chamadas ondas baroclínicas - aparecem por vezes na atmosfera da Terra, no local de formação dos ciclones. Segundo os cientistas, a onda pode ser originária de uma camada clara por baixo das nuvens, tornando-se apenas visível quando se propaga para a camada de cima.

As observações de Júpiter fazem parte do programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), que permitirá ao Hubble dedicar tempo, cada ano, para observar os planetas exteriores. Além de Júpiter, já foram observados Neptuno e Úrano como parte do programa e os mapas destes planetas serão colocados no arquivo público. Saturno será adicionado à série mais tarde. A coleção de mapas irá crescer ao longo do tempo e ajudar os cientistas não só a compreender as atmosferas dos planetas gigantes no Sistema Solar, como também as atmosferas do nosso próprio planeta e dos planetas descobertos em torno de outras estrelas.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Hubblesite
UC Berkeley (comunicado de imprensa)
Artigo científico
The Astrophysical Journal
Google Hangout sobre Júpiter e sobre o Hubble (via YouTube)
Júpiter em 4K (NASA Goddard via YouTube)
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
POPULAR SCIENCE
Astronomy Now
spaceref
(e) Science News
redOrbit
Discovery News
UPI
Engadget
The Verge
Forbes
SIC Notícias
Expresso
TSF
AstroPT

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Grande Mancha Vermelha (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Enxurradas em Mangala Valles (via ESA)
Pensa-se que inundações catastróficas despoletadas por degelos derivados do aquecimento por atividade vulcânica, sejam responsáveis pelo cenário caótico ilustrado nesta região da rede de canais de Mangala Valles. Ler fonte
     
  Colina perto do polo sul lunar formada por processo vulcânico único (via Universidade Brown)
Dentro de uma gigante bacia de impacto no polo sul da Lua está situado um pequeno monte de origem misteriosa. Investigadores da Universidade Brown sugerem que o monte foi formado por processos vulcânicos únicos postos em ação pelo impacto que formou a bacia. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Tromba de Elefante em IC 1396
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