uE-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 680
De 10/09 a 13/09/2010
 
 
 
 

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1858, George Mary Searle descobre o asteróide 55 Pandora.
Em 1985, a sonda ICE (International Cometary Explorer) fez o primeiro voo rasante de um cometa, o cometa Giacobini-Zinner

Observações: A zona da cruz do Cisne é uma das mais ricas da Via Láctea. Faça uma viagem binocular ou telescópica para descobrir algumas das suas melhores jóias.

Dia 11/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: Vénus brilha a cerca de 3º para a direita da Lua, baixa a Oeste-Sudeste ao anoitecer.

Dia 12/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a sonda soviética Luna 2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Observações: A galáxia de Andrómeda (M31) já começa a estar num bom local de observação ao início da noite.

Dia 13/09: 256.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1994, a sonda Ulisses passa pelo pólo sul do Sol.

Observações: Aproveite a noite para observar os enxames da cauda de Escorpião, M6 (Enxame da Borboleta) e M7 (Enxame de Ptolomeu).

 
 
 
Quase todo o oxigénio da atmosfera terrestre foi produzido por organismos vivos. Constitui cerca de 21% da nossa atmosfera, sendo nitrogénio 78%, e os restantes 1% uma mistura de outros gases. O oxigénio é apenas um pequeno constituinte nas atmosferas dos outros planetas do Sistema Solar.
 
 
 
  DADOS DA PHOENIX FORNECEM MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A ÁGUA E VULCÕES EM MARTE  
 

Dados da sonda Phoenix da NASA sugerem que a água líquida interagiu com a superfície marciana ao longo da história do planeta e até aos tempos modernos. A pesquisa também proporciona novas evidências que a actividade vulcânica persistiu no Planeta Vermelho até tempos geologicamente recentes, há vários milhões de anos atrás.

Embora o "lander", que chegou a Marte no dia 25 de Maio de 2008, já não esteja a operar, os cientistas da NASA continuam a analisar os dados recolhidos nessa missão. Os achados mais recentes têm por base dados acerca do dióxido de carbono do planeta, que constitui cerca de 95% da atmosfera marciana.

"O dióxido de carbono atmosférico é como um espião químico," afirma Paul Niles, cientista do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, EUA. "Infiltra-se em todas as partes da superfície de Marte e pode indicar a presença de água, bem como a sua história."

Os instrumentos na Phoenix da NASA, que analisaram a atmosfera bem como amostras de solo marciano.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Texas
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Phoenix mediu com precisão isótopos de carbono e oxigénio no dióxido de carbono da atmosfera marciana. Os isótopos são variantes do mesmo elemento com diferentes massas atómicas. Niles é o autor principal de um artigo acerca destes achados, publicado na edição online de ontem da revista Science. O artigo explica os rácios de isótopos estáveis e as suas implicações na história da água marciana e dos vulcões.

"Os isótopos podem ser usados como uma assinatura química que nos pode dizer de onde veio algo, e por que tipos de acontecimentos passou," afirma Niles.

Esta assinatura química sugere que a água líquida existiu principalmente a temperaturas próximas do seu ponto de congelamento e que sistemas hidrotermais parecidos com os de Yellowstone são raros na história passada do planeta. As medições acerca do dióxido de carbono mostram que Marte era um planeta muito mais activo do que se pensava. Os resultados inferem que Marte reabasteceu o seu dióxido de carbono atmosférico há relativamente pouco tempo e o dióxido de carbono reagiu com a água líquida presente à superfície.

As medições foram levadas a cabo pelo instrumento EGA (Evolved Gas Analyzer) a bordo da Phoenix. Foi capaz de fazer análises do CO2 mais precisas que instrumentos similares a bordo das Viking nos anos 70. O Programa Viking foi, até à Phoenix, o único a providenciar dados sobre os isótopos marcianos.

A baixa gravidade e a falta de um campo magnético em Marte significa que à medida que o dióxido de carbono acumula-se na atmosfera, é perdido para o espaço. Este processo favorece a perda de um isótopo mais leve denominado carbono-12 em comparação com o carbono-13. Se o CO2 de Marte passou apenas por este processo de perda atmosférica sem qualquer outro processo a reabastecer o carbono-12, a proporção de carbono-13 para carbono-12 seria muito maior que a medida pela Phoenix. Isto sugere que a atmosfera marciana recentemente foi reabastecida com dióxido de carbono emitido por vulcões, e que o vulcanismo tem sido um processo activo no passado recente de Marte. No entanto, uma assinatura vulcânica não está presente nas proporções de outros dois isótopos, oxigénio-18 e oxigénio-16, descobertos no CO2 marciano. Os achados sugerem que o dióxido de carbono reagiu com água líquida, que enriqueceu o oxigénio no dióxido de carbono com o mais pesado oxigénio-18.

Niles e a sua equipa teorizam que esta assinatura isotópica do oxigénio aponta para que a água líquida não esteja presente na superfície marciana há já algum tempo e em quantidades suficientes para afectar a composição da atmosfera actual. Os achados não revelam locais ou datas em específico da água líquida ou de aberturas vulcânicas, mas ocorrências recentes destas condições providenciam as melhores explicações para as proporções dos isótopos.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
SPACE.com
PHYSORG.com
Science News
MSNBC
UPI.com
Discovery News
EurekAlert!

Retrospectiva da cobertura da missão Phoenix pelo CCVAlg:
11 de Julho de 2007 - O próximo passo da exploração marciana
3 de Maio de 2008 - Sonda Phoenix prepara-se para aterrar no ártico marciano
14 de Maio de 2008 - Phoenix a caminho da aterragem em Marte
21 de Maio de 2008 - Como a Phoenix aterrará em Marte
24 de Maio de 2008 - Os derradeiros momentos da aterragem da Phoenix Mars Lander
28 de Maio de 2008 - Phoenix aterra em Marte e envia primeira imagens
31 de Maio de 2008 - Phoenix estica braço e observa ártico marciano
7 de Junho de 2008 - Phoenix usa pela primeira vez o seu microscópio óptico
7 de Junho de 2008 - Podem os micróbios da Phoenix sobreviver em Marte?
18 de Junho de 2008 - Phoenix pode ter descoberto gelo no limite de polígono
21 de Junho de 2008 - Material esbranquiçado escavado pela Phoenix é gelo
28 de Junho de 2008 - Phoenix envia tesouro de dados científicos
30 de Julho de 2008 - Solo de Marte é surpreendentemente pegajoso
2 de Agosto de 2008 - Phoenix confirma: há água em Marte
6 de Agosto de 2008 - Equipa da Phoenix abre janela do processo científico
16 de Agosto de 2008 - Microscópio da Phoenix tira primeira imagem de uma partícula de poeira marciana
23 de Agosto de 2008 - Química heterogénea na atmosfera de Marte
13 de Setembro de 2008 - Phoenix observa os seus primeiros diabos marcianos
1 de Outubro de 2008 - Cai neve em Marte
11 de Outubro de 2008 - Phoenix aproxima-se do fim
1 de Novembro de 2008 - O princípio do fim para a sonda Phoenix
20 de Fevereiro de 2009 - Água líquida poderá ter sido avistada em Marte
1 de Abril de 2009 - Revelada a zona mais habitável de Marte
8 de Julho de 2009 - Resultados da Phoenix apontam para ciclos climáticos em Marte
25 de Maio de 2010 - Sonda Phoenix permanece silenciosa, nova imagem mostra danos

Phoenix:
Página oficial (Universidade do Arizona)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Apanhado no acto - Bolas de fogo acendem Júpiter (via NASA)
Astrónomos amadores trabalhando com astrónomos profissionais avistaram duas bolas de fogo aquecendo a atmosfera de Júpiter este Verão, marcando a primeira vez que telescópios terrestres capturaram objectos relativamente pequenos colidindo na atmosfera do planeta gigante. Os dois meteoros - que produziram "sardas" em Júpiter, visíveis por telescópios pequenos - ocorreram a 3 de Junho e a 20 de Agosto, respectivamente. [Ler fonte]

Rover Opportunity a metade do seu caminho para a Cratera Endeavour (via NASA)
Quando o rover Opportunity deixou a cratera Victória faz dois anos este mês, a equipa científica do rover escolheu a cratera Endeavour como o destino a longo-termo do rover. No passado dia 8 de Setembro, o Opportunity alcançou a metade estimada da viagem de aproximadamente 19 quilómetros até ao limite Oeste da Endeavour. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Cefeu: Tromba até à Bolha - Crédito: Rogelio Bernal Andreo  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Na constelação de Cefeu abundam enxames estelares, nebulosas brilhantes e nuvens de poeira escura. Pode segui-las em esplêndido detalhe ao longo desta espectacular paisagem celeste, um mosaico de imagens telescópicas que cobre cerca de 17 graus. Começando perto do canto inferior esquerdo, a grande nebulosa de emissão está catalogada como IC 1396. Com centenas de anos-luz de comprimento e a cerca de 3.000 anos-luz de distância, tem um aspecto escuro, enroscado e parecido com uma gavinha, popularmente chamado de Tromba de Elefante. Perto do meio, a nebulosa brilhante com um enxame estelar embebido é NGC 7380. No canto superior direito situa-se NGC 7635 (Nebulosa da Bolha) e o enxame M52. Muitos destes objectos têm uma segunda designação no catálogo Sharpless (Sh2) e no catálogo Barnard (B) de nebulosas escuras. Associados com a formação estelar, estes locais são marcadores tantalizantes ao longo da complexa região de grandes nuvens moleculares.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt