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Edição n.º 1206
29/09 a 01/10/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 29/09: 272.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1954 é assinada a convenção que estabelece o CERN.
Em 1962 era lançado o Alouette 1, o primeiro satélite canadiano.
Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.

Marca o recomeço das missões depois do acidente 1986 51-L do vaivém Challenger. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Em 2004, o asteroide 4179 Toutatis passa a quatro distâncias lunares da Terra. No mesmo ano, a nave SpaceShipOne de Burt Rutan faz o seu primeiro voo espacial, dos dois necessários para ganhar o Ansari X Prize.
Observações: Vesta, o asteroide mais brilhante, está em oposição. Permanecerá toda a semana com magnitude 6,2, observável com binóculos (apesar da luz da Lua) na direção da constelação de Baleia. Descubra a sua posição com a ajuda do Stellarium, por exemplo.

Dia 30/09: 273.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1550, nascia Michael Maestlin, astrónomo e matemático alemão, famoso por ter sido o mentor de Johannes Kepler.
Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orionte.

A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do Hubble.
Em 1977, devido a cortes e a reservas de energia cada vez menores, as experiências ALSEP das Apollo, deixadas na Lua, são desligadas.
Em 1994, lançamento da missão STS-68 do vaivém Endeavour.
Em 1995, última transmissão da Pioneer 11, 20 anos após o seu lançamento em 1972.
Observações: Mercúrio em conjunção inferior, pelas 15:34.
Ao anoitecer, a Cassiopeia já está mais alta a nordeste do que a Ursa Maior a noroeste. O lado direito do padrão em forma de "W" de Cassiopeia está inclinado para cima.

Dia 01/10: 274.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Observações: A Lua nasce pelas 22:00, brilhando perto das Hiades e de Aldebarã.

 
CURIOSIDADES


A duração de um dia em Mercúrio (~176 dias terrestres) é equivalente a dois anos de Mercúrio (87,969 dias terrestres para completar uma órbita em torno do Sol).

 
NASA CONFIRMA EVIDÊNCIAS DE FLUXOS DE ÁGUA LÍQUIDA NO PLANETA MARTE DO PRESENTE
Estas listras longas, estreitas e escuras com 100 metros de comprimento chamadas RSL (em inglês, recurring slope lineae) que correm monte abaixo em Marte são formadas por fluxos contemporâneos de água. Recentemente, os cientistas planetários detetaram sais hidratados nestas encostas da cratera Hale, corroborando a sua hipótese inicial de que as estrias são, na verdade, formadas por água líquida. Pensa-se que a cor azul vista mais acima nos montes sejam estrias escuras não relacionadas com a sua formação, ao invés relacionadas com a presença do mineral piroxena. A imagem foi produzida graças a uma imagem a cores falsas IRB (infravermelho-vermelho-azul) ortorretificada num modelo digital do terreno produzido pelo HiRISE a bordo da MRO. O exagero vertical é de 1,5.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Novas descobertas da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA forneceram as evidências mais fortes, até agora, de que água líquida corre de forma intermitente no planeta Marte.

Usando um espectrómetro de imagem a bordo da MRO, os investigadores detetaram assinaturas de minerais hidratados em encostas onde misteriosas listras são vistas no Planeta Vermelho. Estas estrias escuras parecem aparecer e desaparecer ao longo do tempo. Escurecem e parecem correr encostas íngremes durante as estações mais quentes e, em seguida, desaparecem nas estações mais frias. Foram avistadas em vários locais de Marte quando as temperaturas estão acima dos -23º C, e desapareceram em épocas mais frias.

"A nossa missão em Marte tem sido a de 'seguir a água', na nossa busca por vida no Universo, e agora temos ciência convincente que valida o que há muito suspeitávamos," afirma John Grunsfeld, astronauta e administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington, EUA. "Este é um desenvolvimento significativo, pois parece confirmar que a água - embora salgada - corre, atualmente, à superfície de Marte."

Estes fluxos monte abaixo, conhecidos como RSL (em inglês, recurring slope lineae), têm sido muitas vezes descritos como estando possivelmente relacionados com água líquida. Os novos achados de sais hidratados nas encostas apontam para qual será a relação com essas características escuras. Os sais hidratados baixam o ponto de solidificação de uma solução salina líquida, tal como o sal nas estradas cá na Terra faz com que o gelo e a neve derretam mais rapidamente. Os cientistas dizem que é provavelmente a existência de um fluxo raso à subsuperfície, com água suficiente para subir à superfície e assim explicar o escurecimento.

"Nós descobrimos os sais hidratados apenas quando as características sazonais eram mais vastas, o que sugere que ou as próprias listras escuras ou um processo que as forma será a fonte da hidratação. Em ambos os casos, a deteção de sais hidratados nestas encostas significa que a água desempenha um papel vital na formação das estrias," afirma Lujendra Ojha do Instituto de Tecnologia da Georgia em Atlanta, autor principal do artigo sobre as descobertas, publicado ontem na revista Nature Geoscience.

Listras escuras e estreitas chamadas RSL (em inglês, recurring slope lineae) nas encostas da cratera Gani em Marte. Estas estrias escuras medem alguns metros de comprimento. Pensa-se que sejam formadas pelo fluxo de salmoura em Marte. A imagem foi produzida graças a uma imagem ortorretificada num modelo digital do terreno produzido pelo HiRISE a bordo da MRO. O exagero vertical é de 1,5.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
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Ojha notou pela primeira vez estas características intrigantes enquanto estudante da Universidade do Arizona em 2010, usando imagens do instrumento HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da MRO. As observações do HiRISE documentaram agora RSL em dúzias de locais em Marte. O novo estudo junta observações do HiRISE com mapeamento mineral do CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars), também do mesmo orbitador.

As observações do espectrómetro mostram assinaturas de sais hidratados em vários locais de RSL, mas apenas quando as características escuras são relativamente largas. Quando os investigadores observaram os mesmos locais e os RSL não eram tão extensos, não detetaram sais hidratados.

Ojha e coautores interpretam as assinaturas espectrais como provocadas por minerais hidratados chamados percloratos. Os sais hidratados mais consistentes com as assinaturas químicas são provavelmente uma mistura de perclorato de magnésio, clorato de magnésio e perclorato de sódio. Sabe-se que alguns percloratos impedem líquidos de congelar mesmo em condições tão frias quanto -70º C. Na Terra, os percloratos produzidos naturalmente estão concentrados em desertos, e alguns tipos de percloratos podem ser usados como combustível para foguetões.

Os percloratos já foram anteriormente observados em Marte. O módulo de aterragem Phoenix da NASA e o rover Curiosity descobriram percloratos no solo do planeta e alguns cientistas acreditam que as missões Viking na década de 1970 mediram também assinaturas destes sais. No entanto, este estudo dos RLS detetou percloratos, agora na forma hidratada, em diferentes áreas daquelas exploradas a partir do solo. Esta é também a primeira vez que os percloratos foram identificados a partir de órbita.

Animação que demonstra a criação dos RSL num encosta de Marte, à medida que a temperatura aumenta.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. do Arizona
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A MRO estuda Marte desde 2006 com os seus seis instrumentos científicos.

"A capacidade da MRO em observar vários anos marcianos com uma carga útil capaz de ver os pequenos detalhes dessas características permitiu resultados como estes: primeiro, a identificação destas intrigantes listras sazonais, e agora um grande passo em frente no sentido de explicar o que são," afirma Rich Zurek, cientista do projeto MRO no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Para Ojha, as novas descobertas são mais uma prova de que as linhas misteriosas que viu pela primeira vez escurecendo encostas marcianas há cinco atrás são, de facto, água.

"Quando a maioria das pessoas falam sobre água em Marte, geralmente falam de água no passado ou água gelada," explica. "Agora, sabemos que a história não termina aqui. Esta é a primeira deteção espectral que inequivocamente apoia as nossas hipóteses de formação de água líquida nos RSL."

Esta descoberta é a mais recente dos muitos avanços das missões marcianas da NASA.

"Foram precisas várias sondas, ao longo de vários anos, para resolver este mistério, e agora sabemos que há água líquida à superfície deste planeta desértico e frio," afirma Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte da NASA na sede da agência em Washington. "Parece que quanto mais estudamos Marte, mais aprendemos sobre a vida e onde existem recursos para apoiar a vida no futuro."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17/04/2015 - Dados meteorológicos do Curiosity reforçam existência de salmoura
11/02/2014 - Sondas marcianas vêm pistas de possíveis fluxos de água
13/12/2013 - Sonda marciana revela um Planeta Vermelho mais dinâmico
08/07/2009 - Resultados da Phoenix apontam para ciclos climáticos em Marte
20/02/2009 - Água líquida poderá ter sido avistada em Marte
13/12/2006 - Imagens sugerem breves fluxos de água em Marte

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature Geoscience
Instituto SETI
The Planetary Society
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
Astronomy Now
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New Scientist
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OASA

Perclorato:
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Fluxos sazonais em encostas marcianas (Wikipedia)

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

Phoenix:
NASA
Página oficial da Universidade do Arizona
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
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Wikipedia

 
COMETA DA ROSETTA É UM BINÁRIO DE CONTACTO
Dois cometas colidiram, a baixa velocidade e durante o Sistema Solar jovem, para dar o aspeto "patinho de borracha" ao Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Esta imagem foi capturada no dia 22 de agosto de 2014 a uma distância de 63,4 km do centro do cometa. Mostra o pequeno lóbulo do cometa à esquerda, com os impressionantes desfiladeiros de Hathor. No pano da frente, à direita, está a macia região Imhotep no glóbulo maior. A imagem tem uma escala de 5,4 metros por pixel e cobre 5,5 km de comprimento.
Crédito: ESA/Rosetta/Navcam
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas da missão Rosetta dizem que dois cometas colidiram a baixa velocidade no início do Sistema Solar para dar origem à forma de "patinho de borracha" do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko.

A origem dos dois lóbulos do cometa tem sido uma questão chave desde que a Rosetta revelou pela primeira vez o seu aspeto em julho de 2014.

Duas hipóteses principais emergiram: será que foi o resultado da fusão entre dois cometas ou será que o "pescoço" foi formado por uma espécie de erosão localizada, num único objeto?

Agora, os cientistas têm uma resposta inequívoca para o enigma. Ao usarem imagens de alta resolução obtidas entre 6 de agosto de 2014 e 17 de março de 2015, para estudar as camadas de material visto por todo o núcleo, mostraram que a forma surgiu de uma colisão, a baixa velocidade, entre dois cometas formados separadamente.

Uma seleção de imagens de alta resolução do OSIRIS, usadas para identificar padrões nas extensas camadas do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko.
Topo, à esquerda: características geológicas parecidas com socalcos (verde) e camadas expostas (linhas vermelhas tracejadas) no lóbulo maior do cometa. Tornam-se mais inclinados na direção do pescoço do cometa. Esta ampliação mostra terraceamento em dois locais (setas finas brancas e amarelas), juntamente com exemplos de delineamentos paralelos (setas grandes brancas) que definem uma estratificação contínua.
Em baixo, à esquerda: contornos de camadas expostas (linhas vermelhas tracejadas) principalmente nas regiões Imhotep e Ash do lóbulo grande do cometa. O terraceamento em Ash também muda a sua direção de inclinação, em relação à região Set, ligeiramente para Imhotep. Algumas camadas também estão indicadas no lóbulo pequeno do cometa, no pano de fundo. Esta ampliação mostra os detalhes das camadas paralelas numa secção ao longo da fronteira entre as regiões Imhotep e Ash.
Topo, à direita: camadas principais (linhas vermelhas tracejadas) e fraturas transversais (linhas azuis tracejadas) na face do penhasco Hathor do lóbulo pequeno do cometa. Não é vista nenhuma mudança abrupta na orientação das camadas entre Hathor e Ma'at. A ampliação mostra a estratificação num recanto da fronteira entre Hathor e Anuket, fornecendo uma visão da estrutura interior de Anuket, que parece estender-se para baixo de Ma'at. As características geológicas parecidas com socalcos em Anuket (setas brancas) são vistas em orientações diferentes para regiões vizinhas. Em conjunto, isto reforça a ideia que Hathor representa a estrutura interna do cometa, que foi exposta, do qual Anuket é o remanescente.
Em baixo, à direita: camadas (linhas brancas tracejadas) no limite de Anubis e Set no lóbulo grande do cometa. Esta escarpa contínua sugere que a espessura da região Set é de mais ou menos 150 metros. As três setas apontam para uma margem de "terraço" em Anubis e a seta branca solitária aponta para outro "terraço" adjacente à região Atum.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; M. Massironi et al (2015)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É evidente, a partir das imagens, que ambos os lóbulos têm um invólucro exterior de material organizado em camadas distintas, e nós pensamos que estas se estendem por várias centenas de metros por baixo da superfície," afirma Matteo Massironi, autor principal da Universidade de Pádua, Itália, e cientista associado da equipa OSIRIS.

"Podemos imaginar as camadas um pouco como uma cebola, exceto que neste caso estamos a considerar duas cebolas separadas de tamanhos diferentes que cresceram de forma independente antes de se fundirem."

Os resultados do estudo foram divulgados na revista Nature e apresentados ontem no Congresso Europeu de Ciência Planetária em Nantes, França.

Para chegar a esta conclusão, Matteo e colegas usaram imagens para identificar mais de 100 características parecidas com socalcos à superfície do cometa e camadas paralelas de material claramente visto em paredes de penhascos e fendas expostas. Foi então usado um modelo 3D para determinar as direções do declive e para visualizar como se estendem para o subsolo.

Os métodos utilizados pelos cientistas da Rosetta a fim de determinar a origem dupla da forma do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko.
Esquerda: foram usadas imagens de alta resolução do instrumento OSIRIS para identificar visualmente 100 características parecidas com socalcos (verde) ou estratos - camadas paralelas de material (linhas vermelhas tracejadas) - em paredes expostas e fendas por toda a superfície do cometa (topo: Hathor e regiões do lóbulo pequeno do cometa; baixo: região Set no lóbulo grande do cometa).
Meio: foi usado um modelo 3D para determinar as direções da inclinação dos estratos e para visualizar como se estendem até ao subsolo. Os planos das camadas estão sobrepostos sobre o modelo (painel da esquerda) e isolados (painel da direita) para mostrar que estão orientados coerentemente em redor do cometa, em dois invólucros delimitadores separados (a barra de escala indica o desvio angular entre o plano e o vetor de gravidade local).
Direita: vetores de gravidade local visualizados no modelo do cometa, perpendiculares aos planos dos estratos, que reforçam a natureza independente dos dois lóbulos.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; M. Massironi et al (2015)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Rapidamente ficou claro que as características estavam orientadas de forma coerente em ambas as partes do cometa e que em alguns lugares atingiam profundidades de aproximadamente 650 metros.

"Este foi o primeiro indício de que os dois lóbulos são independentes, reforçado pela observação de que as camadas estão inclinadas em direções opostas perto do pescoço do cometa," afirma Matteo.

"Para termos a certeza, também analisámos a relação entre a gravidade local e as orientações das características individuais em redor da superfície reconstruída do cometa."

Em termos gerais, as camadas de material formam-se em ângulos retos em relação à gravidade de um objeto. A equipa usou modelos para calcular a intensidade e direção da gravidade no local de cada camada.

Num caso, modelaram o cometa como um único corpo com um centro de massa perto do pescoço. No outro, trabalharam com dois cometas separados, cada um com o seu próprio centro de massa.

A equipa verificou que a orientação de uma dada camada e a direção da gravidade local estão mais próximas, perpendicularmente, no modelo dos dois objetos separados, em vez do exemplo com um único núcleo.

"Isto sugere que as camadas na cabeça e no corpo do cometa formaram-se independentemente antes dos dois objetos se fundirem mais tarde," conclui Matteo. "Deve ter sido uma colisão a baixa velocidade, a fim de preservar estas camadas até às profundidades que os nossos dados implicam."

Imagem obtida pela câmara OSIRIS da Rosetta no dia 22 de setembro de 2014 a uma distância de 28 km. Foca-se na morfologia irregular, fraturada e estratificada da região Set do corpo principal. No pano da frente está um "terraço" largo, com uma grande fenda que revela o esqueleto craterado e interior do núcleo do cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

"Além disso, as semelhanças estruturais marcantes entre os dois lóbulos implicam que, apesar de terem origens inicialmente independentes, devem ter-se formado através de um processo de acreção semelhante," explica o coautor Bjorn Davidsson da Universidade de Uppsala, na Suécia.

"Também foram observadas camadas à superfície de outros cometas durante missões anteriores, sugerindo que esses também sofreram uma história de formação parecida."

Finalmente, a equipa explica que apesar da erosão não ser a causa principal da forma do cometa, ainda desempenha um papel importante na evolução do cometa.

Esta imagem foi capturada pela Rosetta no dia 5 de setembro de 2014 a uma distância de 44,25 km do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. No pano da frente está a região Anubis e um contacto estratificado com a região Set.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

As variações locais vistas na estrutura da superfície provavelmente resultam das diferentes taxas de sublimação - quando o gelo se transforma diretamente em gás - dos gases congelados e incorporados dentro das camadas individuais, camadas estas que não estão necessariamente distribuídas uniformemente ao longo do cometa.

"O modo como o cometa obteve a sua forma curiosa tem sido uma questão importante desde que o vimos pela primeira vez. Agora, graças a este estudo detalhado, podemos dizer com certeza que é um 'binário de contacto'," comenta Holger Sierks, investigador principal do OSIRIS no Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar em Gotinga, Alemanha.

"Este resultado contribui para o conhecimento crescente do cometa - como se formou e qual a sua evolução," explica Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta.

"A Rosetta vai continuar a observar o cometa por mais um ano, para obter o máximo de informação sobre este corpo celeste e sobre o seu lugar na história do nosso Sistema Solar".

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Nature
Science
Discovery News
Popular Science
New Scientist
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ScienceNews
Forbes
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M31 vs. M33
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Malcolm Park (North York Astronomical Association)
 
Separadas por aproximadamente 14 graus (28 Luas Cheias) no céu do planeta Terra, a galáxia espiral M31 (à esquerda) e M33 fazem ambas parte do Grupo Local, bem como a nossa Via Láctea. Esta composição encontra detalhes da estrutura espiral nas duas galáxias, enquanto as gigantes galáxias vizinhas parecem estar equilibradas em campos estelares nos dois lados da brilhante estrela Mirach, a estrela beta da constelação de Andrómeda. Mirach está a apenas 200 anos-luz de distância do Sol. Mas M31, a Galáxia de Andrómeda, está a 2,5 milhões de anos-luz e M33, a Galáxia do Triângulo, está também a aproximadamente 3 milhões de anos-luz de distância. Embora pareçam distantes uma da outra, M31 e M33 estão numa luta gravitacional. De facto, radioastrónomos descobriram indícios de uma ponte de hidrogénio gasoso neutro que pode ligar as duas, evidências de um encontro mais próximo no passado. Com base em medições, as simulações gravitacionais prevêm atualmente que a Via Láctea, M31 e M33 vão passar por encontros próximos mútuos e, potencialmente, fusões, daqui a milhares de milhões de anos no futuro.
 

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