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  Astroboletim #1611  
  16/08 a 19/08/2019  
     
     
 
Astronomia no Verão
CCVAlg | CCVTavira

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de agosto:

19/08 - Ria Formosa, a partir das 20:30, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim, astros e sons noturnos da Ria Formosa

20/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)

22/08 - Castelo de Paderne, a partir das 20:30 (atividade realizada pelo CCVAlg)

27/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição)

 
     
 
Efemérides

Dia 16/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, além de Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objetos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afeta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a deteção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas." David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade Johns Hopkins.
Observações: À medida que agosto procede e as noites começam a ficar um pouco mais frias, o Grande Quadrado de Pégaso sobre a este, apoiado num canto. As suas estrelas têm apenas segunda e terceira magnitudes, e o seu punho à distância do braço esticado cabe no seu interior. Com o passar da noite, a Lua nasce para a direita e um pouco para baixo desta constelação.

Dia 17/08: 229.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877, Asaph Hall descobria Fobos, a maior e mais interior lua de Marte.
Em 1958, é lançada a Pioneer 0, a primeira tentativa dos EUA em atingir órbita lunar, usando os primeiros foguetões Thor-Able. A missão falha. No entanto, é notável por ser uma das primeiras a ir para lá da Terra. 
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo de Baikonur. Chega a Vénus no dia 15 de dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra a partir da superfície de outro planeta. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte". 
Em 1999 a sonda Cassini passava pela Terra (1166 km), sobre o lado este do Pacífico Sul.

Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus novamente, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional a fim da sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20.000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: A pequena Ursa Maior começa a inclinar-se para a esquerda a norte.
Trânsito de Europa, entre as 23:22 e as 01:57 (já de dia 18).

Dia 18/08: 230.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1814 nascia Anders Jonas Angström, físico sueco e um dos fundadores da ciência da espectroscopia.
Em 1868, Pierre Janssen em conjunto com Norman Lockyer observam pela primeira vez hélio no espectro do Sol.
Em 1985 era lançado o Suisei, a segunda missão japonesa a estudar o cometa Halley.

Detetou água cometária, monóxido de carbono e iões de dióxido de carbono
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 01:49 e as 04:29.
O "W" de Cassiopeia, inclinado um pouco, está a nordeste por estas noites. O seu lado direito superior é o mais brilhante. Observe-o a subir e a inclinar-se cada vez mais ao longo da noite e ao longo dos próximos meses.

Dia 19/08: 231.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1646 nascia John Flamsteed, astrónomo inglês, o primeiro Astrónomo Real. Catalogou mais de 3000 estrelas.
Em 1924 nascia Willard Boyle, físico canadiano que recebeu o prémio Nobel da Física pela invenção do CCD
Em 1960, os cães espaciais russos Belka ("Squirrel") e Strelka ("Little Arrow") começaram a orbitar a Terra a bordo do satélite Korabl-Sputnik-2.

Iam também na missão 40 ratos brancos, 2 ratazanas e diversas qualidades de plantas. No dia seguinte todos foram recuperados em perfeitas condições.
Em 1964, lançamento do Syncom 3, o primeiro satélite de comunicações geoestacionário.
Em 1997, lançamento do Agila 2, a partir de Xichang, China. Foi o primeiro satélite de comunicações das Filipinas. 
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 01:23 e as 04:11.
Eclipse de Europa, entre as 20:56 e as 23:35.

 
     
 
Curiosidades


O ápex solar refere-se à direção de movimento do Sol. Dirige-se em direção à constelação de Hércules, a sudeste da estrela Vega.

 
 
   
Jovem Júpiter foi atingido de frente por enorme protoplaneta

Segundo um estudo publicado esta semana na revista Nature, uma colisão colossal entre Júpiter e um planeta ainda em formação no início do Sistema Solar, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, pode explicar leituras surpreendentes da nave espacial Juno da NASA.

Astrónomos da Universidade Rice e da Universidade Sun Yat-sen da China dizem que o seu cenário de impacto pode explicar as leituras gravitacionais anteriormente confusas da sonda Juno, que sugerem que o núcleo de Júpiter é menos denso e mais extenso do que o esperado.

"Isto é intrigante," disse o astrónomo e coautor do estudo, Andrea Isella. "Sugere que algo aconteceu e que mexeu com o núcleo, e é aí que o impacto gigante entra em ação."

Isella explicou que as principais teorias sobre a formação de planetas sugerem que Júpiter começou como um planeta denso, rochoso ou gelado que mais tarde reuniu a sua atmosfera espessa do disco primordial de gás e poeira que deu origem ao nosso Sol.

 
Impressão de artista de uma colisão entre um jovem Júpiter e um protoplaneta massivo ainda em formação no Sistema Solar inicial.
Crédito: K. Suda & Y Akimoto/Mabuchi Design Office, cortesia do Centro de Astrobiologia do Japão
 

Isella disse que estava cético quando o autor principal do estudo, Shang-Fei Liu, sugeriu a ideia de que os dados podiam ser explicados por um impacto gigantesco que agitou o núcleo de Júpiter, misturando o conteúdo denso do seu núcleo com as camadas menos densas acima. Liu, ex-investigador de pós-doutoramento no grupo de Isella, é agora membro da faculdade em Sun Yat-sen em Zhuhai, China.

"Soava-me muito improvável," recorda Isella, "como algo com uma probabilidade de um num bilião. Mas Shang-Fei convenceu-me, com os seus cálculos, de que não era assim tão inverosímil."

A equipa de investigação realizou milhares de simulações de computador e descobriu que um Júpiter em rápido crescimento pode ter perturbado as órbitas de "embriões planetários" próximos, protoplanetas que estavam nos estágios iniciais da formação planetária.

Liu disse que os cálculos incluíram estimativas da probabilidade de colisões sob diferentes cenários e da distribuição de ângulos de impacto. Em todos os casos, Liu e colegas descobriram que havia pelo menos 40% de hipóteses de que Júpiter engolisse um embrião planetário nos primeiros milhões de anos. Além disso, Júpiter produziu em massa um "forte foco gravitacional" que deu origem a colisões frontais mais comuns do que aquelas apenas raspantes.

Isella explicou que o cenário de colisão se tornou ainda mais atraente depois de Liu ter executado modelos computacionais 3D que mostravam como uma colisão afetaria o núcleo de Júpiter.

"Como é denso e vem com muita energia, o impactor seria como uma bala que passa pela atmosfera e atinge o núcleo de frente," disse Isella. "Antes do impacto, teríamos um núcleo muito denso, cercado pela atmosfera. O impacto frontal espalha as coisas, diluindo o núcleo."

 
Renderização que mostra o efeito de um grande impacto no núcleo de um jovem Júpiter, como sugerido por cientistas das Universidades Rice e Yat-sen. Eles dizem que a colisão, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, pode explicar leituras surpreendentes da sonda Juno da NASA.
Crédito: Shang-Fei Liu/Universidade Sun Yat-sen
 

Os impactos em ângulos que apenas raspam o planeta podem fazer com que o objeto impactante se torne preso gravitacionalmente e afunde gradualmente no núcleo de Júpiter, e Liu disse que embriões planetários menores tão massivos quanto a Terra se desintegrariam na espessa atmosfera de Júpiter.

"O único cenário que resultou num perfil de densidade de núcleo semelhante ao que a Juno mede hoje é um impacto frontal com um embrião planetário cerca de 10 vezes mais massivo do que a Terra," salientou Liu.

Isella acrescentou que os cálculos sugerem que, mesmo que este impacto tenha ocorrido há 4,5 mil milhões de anos, "ainda poderá levar muitos milhares de milhões de anos para que o material pesado volte a assentar num núcleo denso sob as circunstâncias sugeridas pelo artigo."

Isella, que também é coinvestigador do projeto CLEVER Planets, financiado pela NASA, com sede na Universidade Rice, disse que as implicações do estudo vão além do nosso Sistema Solar.

"Existem observações astronómicas de estrelas que podem ser explicadas por este tipo de evento," realçou.

"Este ainda é um campo novo, de modo que os resultados estão longe de ser sólidos, mas tendo em conta que estamos à procura de planetas em torno de estrelas distantes, às vezes observamos emissões infravermelhas que desaparecem depois de alguns anos," disse Isella. "Uma ideia é que se estamos a observar uma estrela à medida que dois planetas rochosos colidem de frente e se fragmentam, formar-se-ia uma nuvem de poeira que absorve a luz estelar e a reemite. Vemos por isso uma espécie de um flash, no sentido de que agora temos esta nuvem de poeira que emite luz. E, depois de algum tempo, a poeira dissipa-se e essa emissão desaparece."

 
Impressão de artista da sonda Juno em órbita de Júpiter.
Crédito: NASA
 

A missão Juno foi desenhada para ajudar os cientistas a melhor compreender a origem e a evolução de Júpiter. A sonda, lançada em 2011, transporta instrumentos para mapear os campos gravitacionais e magnéticos de Júpiter e para investigar a estrutura interna profunda do planeta.

// Universidade Rice (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Jovem Júpiter foi atingido de frente por enorme protoplaneta (Universidade Rice via YouTube)

 


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Uma nova linha temporal do passado cataclísmico da Terra
 
Impressão de artista da Terra primitiva.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
 

Bem-vindos ao Sistema Solar primitivo. Logo após a formação dos planetas há mais de 4,5 mil milhões de anos, a nossa vizinhança cósmica era um lugar caótico. Ondas de cometas, asteroides e até protoplanetas seguiram em direção ao Sistema Solar interior, alguns colidindo com a Terra pelo caminho. Estes impactos foram tão violentos que derreteram as rochas à superfície do planeta.

Agora, uma equipa liderada pelo geólogo Stephen Mojzsis da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, estabeleceu uma nova linha temporal deste período violento da história do nosso planeta.

Num estudo publicado esta semana, os investigadores debruçaram-se sobre um fenómeno chamado "migração dos planetas gigantes". Este é o nome de um estágio na evolução do Sistema Solar no qual os maiores planetas, por razões que ainda não são claras, começaram a afastar-se do Sol.

Com base em registos de asteroides e outras fontes, o grupo estimou que este evento de alteração do Sistema Solar ocorreu há 4,48 mil milhões de anos - muito mais cedo do que alguns cientistas haviam proposto anteriormente.

As descobertas, disse Mojzsis, podem fornecer aos cientistas pistas valiosas sobre quando a vida pode ter tido origem na Terra.

"Nós sabemos que a migração dos planetas gigantes deverá ter ocorrido para explicar a atual estrutura orbital do Sistema Solar exterior," disse Mojzsis, professor no Departamento de Ciências Geológicas. "Mas até estudo, ninguém fazia ideia de quando ocorreu."

Bacia Imbrium

É um debate que, pelo menos em parte, tem as suas origens no programa espacial Apollo.

Quando os astronautas aterraram no lado visível da Lua no final da década de 1960 e início da década de 1970, recolheram muitas rochas. Mas estas amostras geológicas também eram intrigantes: muitas pareciam ter apenas 3,9 mil milhões de anos, centenas de milhões de anos mais jovens do que a própria Lua.

Para explicar as idades aparentemente anacrónicas das rochas, alguns investigadores sugeriram que a nossa Lua - e a Terra - foram atingidas mais ou menos nessa época por um surto de cometas e asteroides. Chamaram a este aumento nos impactos, apropriadamente, de "cataclismo lunar tardio."

 
 
Topo: a Bacia Imbrium da Lua pode ter sido formada por um único impacto gigante há cerca de 3,9 mil milhões de anos atrás; em baixo: a Cratera Hadley em Marte.
Crédito. NASA; ESA
 

Mas havia um problema com a teoria, acrescentou Mojzsis. Quando os cientistas inspecionaram os padrões de crateras na Lua, em Marte e em Mercúrio, não conseguiram encontrar nenhuma evidência de tal aumento.

"Acontece que a parte da Lua onde aterrámos é muito invulgar," explicou Mojzsis. "É fortemente afetada por um grande impacto, a Bacia Imbrium, que tem cerca de 3,9 mil milhões de anos e que afeta quase todas as nossas amostras."

Para contornar este viés, os investigadores decidiram afastar-se do Sistema Solar interior. Ao invés, compilaram as idades a partir de um banco de dados exaustivo de meteoritos que haviam caído na Terra.

"As superfícies dos planetas interiores foram extensivamente retrabalhadas por impactos e eventos nativos até há cerca de 4 mil milhões de anos," disse Ram Brasser, coautor do estudo e do Instituto Científico da Terra e da Vida em Tóquio. "O mesmo não é verdade para os asteroides. O seu registo é muito mais extenso."

A equipa descobriu que, independentemente de quando investigassem, não conseguiam encontrar um único asteroide ou pedaço de rocha planetária que registasse um evento de bombardeamento cataclísmico com idade inferior a aproximadamente 4,5 mil milhões de anos.

"A idades de 3,9 mil milhões de anos que dominaram as amostras lunares não foram vistas nos meteoritos," disse Brasser.

Para a equipa, isto forneceu-lhes apenas uma possibilidade: o Sistema Solar deve ter passado por um grande bombardeamento antes desta data limite. Impactos muito grandes, acrescentou Mojzsis, podem derreter rochas e redefinir de forma variável as suas idades radioativas.

 
 
Ilustrações de grandes asteroides atingido a Terra que, durante partes da sua história inicial, teria uma atmosfera muito mais espessa do que a que tem hoje.
Crédito: NASA com modificações por Stephen Mojzsis
 

Planetas em movimento

E a razão de toda esta carnificina? Mojzsis e colegas pensam que é por causa de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

Ele explicou que estes planetas gigantes provavelmente formaram-se muito mais perto do que onde estão hoje. No entanto, usando simulações de computador, o seu grupo demonstrou que estes corpos começaram a afastar-se em direção aos locais atuais há cerca de 4,48 mil milhões de anos.

No processo, espalharam detritos pelo caminho, enviando alguns deles em direção à Terra e à sua então jovem Lua.

A história do bombardeamento do Sistema Solar "começou com os cometas que vieram gritando até ao Sistema Solar interior. Ao fazê-lo, redefiniram a idade das crostas da Terra, da Lua e de Marte," salientou Mojzsis. "A próxima onda foi a dos planetesimais que sobraram da formação dos planetas interiores. O último grupo a chegar foram os asteroides, que continuam a viajar até à nossa vizinhança ainda hoje."

Os resultados, acrescentou, abrem uma nova janela para quando a vida pode ter aparecido na Terra. Com base nos resultados da equipa, o nosso planeta poderá ter estado calmo o suficiente para suportar organismos vivos há 4,4 mil milhões de anos. Os mais antigos fósseis conhecidos hoje têm apenas 3,5 mil milhões de anos.

"A única maneira de esterilizar completamente a Terra é derreter a crosta de uma só vez," explicou Mojzsis. "Nós mostrámos que isso não aconteceu desde o início da migração dos planetas gigantes."

// Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Formação e evolução do Sistema Solar:
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Migração dos planetas gigantes:
Modelo de Nice (Wikipedia)

Intenso bombardeamento tardio:
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Lua:
CCVAlg - Astronomia
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Programa Apollo:
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Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
 
Na imagem encontram-se os quatro locais candidatos à recolha de amostras do asteroide Bennu pela missão OSIRIS-REx da NASA. "Nightingale" (canto superior esquerdo) encontra-se no hemisfério norte de Bennu. "Kingfisher" (canto superior direito) e "Osprey" (canto inferior esquerdo) encontram-se na região equatorial do asteroide. "Sandpiper" (canto inferior direito) está no hemisfério sul de Bennu. Em dezembro, um destes locais será o escolhido para o evento de pouso da missão.
Crédito: NASA/Universidade do Arizona
 

Depois de meses a lutar contra a dura realidade da superfície do asteroide Bennu, a equipa que lidera a primeira missão de retorno de amostras de um asteroide da NASA selecionou quatro potenciais locais para a nave espacial OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) tocar o seu parceiro de dança cósmica.

Desde a sua chegada em dezembro de 2018 que a sonda OSIRIS-REx tem mapeado todo o asteroide com o objetivo de identificar os locais mais seguros e acessíveis para a nave recolher amostras. Estes quatro locais agora serão estudados em mais detalhe a fim de selecionar os dois últimos alvos - um primário e um local de reserva - em dezembro.

A equipa originalmente planeava já ter escolhidos os dois últimos locais até este ponto da missão. A análise inicial de observações terrestres sugeriu que a superfície do asteroide provavelmente continha grandes "lagoas" de material fino. As primeiras imagens da nave, no entanto, revelaram que Bennu tem um terreno particularmente rochoso. Desde então, a topografia cheia de pedregulhos criou um desafio para a equipa identificar áreas seguras contendo material amostrável, que deve ser suficientemente fino - menos de 2,5 cm de diâmetro - para o mecanismo de recolha o conseguir recolher.

"Sabíamos que Bennu ia surpreender-nos, de modo que viemos preparados para o que pudéssemos encontrar," disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. "Como acontece com qualquer missão de exploração, lidar com o desconhecido requer flexibilidade, recursos e engenho. A equipa OSIRIS-REx demonstrou estes traços essenciais para superar o inesperado durante todo o encontro com Bennu."

O cronograma original da missão incluía, intencionalmente, mais de 300 dias de tempo extra para as operações de asteroide a fim de enfrentar tais desafios inesperados. Numa demonstração da sua flexibilidade e engenho em resposta às surpresas de Bennu, a equipa da missão está a adaptar o seu processo de seleção de locais. Em vez de selecionar os dois últimos locais este verão, a missão vai passar mais quatro meses a estudar os quatro candidatos em mais detalhe, prestando especial atenção na identificação de regiões com material fino e amostrável recorrendo a observações de alta resolução. Os mapas que os "cidadãos contadores de pedregulhos" ajudaram a criar através de observações no início deste ano foram usados como um dos muitos dados considerados na avaliação da segurança de cada local. Os dados recolhidos serão fundamentais para selecionar os dois últimos alvos mais adequados para a recolha de amostras.

A fim de se adaptar ainda mais à complexa superfície de Bennu, a equipa da OSIRIS-REx fez outros ajustes no processo de identificação do seu local de recolha de amostras. O plano original da missão previa um local de recolha de amostras com um raio de 25 metros. Não existem locais deste tamanho que não tenham pedregulhos, por isso a equipa identificou locais que variam entre 5 e 10 metros em raio. Para que a sonda tenha como alvo um local mais pequeno, a equipa reavaliou as capacidades operacionais da nave a fim de maximizar o seu desempenho. A missão também reforçou os seus requisitos de navegação para guiar a sonda até à superfície do asteroide, e desenvolveu uma nova técnica de amostragem chamada "Bullseye TAG," que usa imagens da superfície do asteroide para navegar, com alta precisão, a sonda até ao solo. Até agora, o desempenho da missão demonstrou que os novos padrões estão dentro das suas capacidades.

"Embora a OSIRIS-REx tenha sido construída para recolher amostras de um asteroide a partir de uma área semelhante a uma praia, o extraordinário desempenho de voo, até à data, demonstra que seremos capazes de enfrentar o desafio que a superfície acidentada de Bennu representa," comentou Rich Burns, gerente do projeto da OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Este extraordinário desempenho engloba não apenas a nave e os instrumentos, mas também a equipa que continua a enfrentar todos os desafios que Bennu nos lança."

Os quatro locais candidatos em Bennu são designados "Nightingale" (rouxinol), "Kingfisher" (guarda-rios), "Osprey" (águia-pesqueira) e "Sandpiper" (galinhola) - pássaros nativos do Egito. O tema da nomenclatura complementa as outras duas convenções de nomenclatura da missão - divindades egípcias (o asteroide e a nave espacial) e aves mitológicas (características à superfície de Bennu).

Os quatro locais são diversos tanto em posição geográfica como em características geológicas. Embora a quantidade de material amostrável em cada local ainda não tenha sido determinada, todos os quatro locais foram cuidadosamente avaliados para garantir a segurança da sonda à medida que desce, toca e recolhe uma amostra da superfície do asteroide.

"Nightingale" é o local mais a norte, situado a 56º N. Existem várias possíveis regiões de recolha de amostras. Encontra-se dentro de uma pequena cratera englobada por uma cratera maior com mais de 140 metros de diâmetro. O local contém principalmente material escuro e fino e tem o menor albedo, ou refletividade, e a temperatura mais baixa dos quatro alvos.

"Kingfisher" está localizado numa pequena cratera perto do equador de Bennu a 11º N. A cratera tem um diâmetro de 8 metros e é cercada por pedregulhos, embora o local propriamente dito esteja livre de rochas grandes. Dos quatro locais, "Kingfisher" tem a mais forte assinatura espectral de minerais hidratados.

"Osprey" está situada numa pequena cratera, com 20 metros em diâmetro, também localizada na região equatorial de Bennu a 11º N. Existem várias possíveis regiões de recolha de amostras no local. A diversidade de tipos de rochas na área circundante sugere que o rególito de "Osprey" também pode ser diversificado. "Osprey" tem a mais forte assinatura espectral de material rico em carbono dos quatro alvos.

"Sandpiper" está localizado no hemisfério sul de Bennu, a 47º S. O local encontra-se numa área relativamente plana na parede de uma grande cratera com 63 metros em diâmetro. Também estão presentes minerais hidratados, o que indica que "Sandpiper" pode conter material não modificado e rico em água.

Neste outono, a OSIRIS-REx dará início a análises detalhadas dos quatro locais candidatos durante a fase de reconhecimento da missão. Durante o primeiro estágio desta fase, a sonda executará passagens altas sobre cada um dos quatro locais a partir de uma distância de 1,29 km para confirmar que são seguros e contêm material amostrável. A obtenção de imagens detalhadas também ajudará a mapear as características e pontos de referência necessários para a navegação autónoma da sonda até à superfície do asteroide. A equipa usará os dados destas passagens para selecionar os dois locais de recolha de amostras finais (o primário e o de reserva) em dezembro.

O segundo e terceiro estágios do reconhecimento vão começar no início de 2020, quando a sonda realizar passagens sobre os dois últimos locais a altitudes ainda mais baixas e captar observações de resolução ainda mais elevada da superfície com o objetivo de identificar características, como agrupamentos de rochas que serão usados para navegar ate à superfície para recolha de amostras. A recolha de amostras da OSIRIS-REx está prevista para a segunda metade de 2020 e a sonda regressará à Terra no dia 24 de setembro de 2023.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Os locais finalistas à recolha de amostras de Bennu (NASA Goddard via YouTube)

 


Saiba mais

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

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Astrofísicos usaram o ALMA no Chile para fazer uma descoberta de um segundo planeta "bebé" (duas a três vezes mais massivo do que Júpiter) dentro de uma lacuna de gás e poeira. A equipa de investigação foi a primeira a descobrir um novo planeta dentro um disco planetário. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Saturno por Trás da Lua
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Peter Patonai (Astroscape Photography)
 
O que é aquilo ao lado da Lua? Saturno. Na sua viagem mensal em redor da Terra - e, portanto, do céu da Terra - a nossa Lua passou quase em frente de Saturno no início desta semana. Na verdade, a Lua passou diretamente em frente de Saturno a partir dos pontos de vista de uma ampla faixa do hemisfério sul da Terra. A imagem em destaque, obtida em Sydney, Austrália, capturou o par alguns minutos antes do eclipse. A imagem é uma única exposição com um tempo de 1/500 de segundo, depois processada para melhor destacar tanto a Lua quanto Saturno. Como Saturno está quase na direção oposta à do Sol, pode ser visto quase a noite toda, começando ao pôr-do-Sol, a sul e a este. A Lua minguante também estava quase oposta ao Sol, e também visível durante quase toda a noite. A Lua irá ocultar Saturno novamente durante cada órbita que fizer em torno da Terra este ano.
 
   
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