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  Astroboletim #2146  
  01/10 a 03/10/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 01/10: 275.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Em 1962, entra em operação o radiotelescópio de 91 metros do NRAO. Este telescópio, que colapsou subitamente no dia 15 de novembro de 1988, era o segundo maior do mundo.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste por estas noites. Vire-se para oeste e olhe bem para cima. Para a direita de Vega, ou para baixo e para a direita de Vega, a cerca de 14º (quase punho e meio à distância do braço esticado), procure Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. O resto da sua cabeça está um pouco mais para trás. A cabeça de Dragão cabe mais ou menos no campo de visão de uns binóculos. As estrelas principais da constelação de Vega - Lira - têm magnitudes 3 ou 4 e estendem-se para a esquerda de Vega a metade da distância até Eltanin.

 

DIA 02/10: 276.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Lançamento da Explorer 14.

HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 19:49.
Uma das estrelas muito vermelhas mais brilhantes para binóculos é a estrela de carbono TX Piscium (ou 19 Piscium). Fica pouco para lá da parte inferior do Círculo de Peixes, asterismo este que fica para sul (para baixo e para a direita) do Grande Quadrado de Pégaso. TX Psc tem magnitude aparente 4,9, ao alcance de uns binóculos. As estrelas de carbono são especialmente vermelhas em parte porque as vemos através de um filtro vermelho: o vapor de C2 molecular nas suas atmosferas.

 

DIA 03/10: 277.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1815, cai um meteorito em Chassigny, França. Foi o primeiro meteorito a ser identificado como sendo de Marte.
Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercury 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
HOJE, NO COSMOS:
Os enxames globulares são mais abundantes nas noites de verão. Agora, nesta primeira semana de outubro, com o céu noturno ainda sem Lua, aproveite a noite para observar os quatro que ainda restam: temos M71 à constelação de Seta; M15 "espirrada" do nariz de Pégaso; M2 em Aquário, um pouco mais a sul; e M30 nas profundezas do sul de Capricórnio.

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O Hubble descobriu que o jato de um buraco negro promove erupções estelares
 
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Impressão artística que olha para o núcleo da galáxia elíptica gigante M87. Um buraco negro supermassivo ejeta um jato de plasma com 3000 anos-luz de comprimento, viajando quase à velocidade da luz. Em primeiro plano, à direita, está um sistema estelar binário. O sistema está longe do buraco negro, mas na vizinhança do jato. No sistema, uma estrela normal, envelhecida e inchada, "derrama" hidrogénio sobre uma estrela companheira anã branca. À medida que o hidrogénio se acumula na superfície da anã, esta atinge um ponto de rutura que a leva a explodir como uma bomba de hidrogénio. As novas surgem frequentemente em toda a galáxia gigante com 1 bilião de estrelas, mas as que se encontram perto do jato parecem explodir com mais frequência. Até à data, ninguém sabe porque é que os jatos dos buracos negros aumentam a taxa de erupção das novas.
Crédito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)
 

Numa descoberta surpreendente, os astrónomos que utilizam o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA descobriram que o jato tipo maçarico de um buraco negro supermassivo, no núcleo de uma enorme galáxia, parece causar a erupção de estrelas ao longo da sua trajetória. As estrelas, chamadas novas, não são apanhadas no interior do jato, mas aparentemente estão situadas numa perigosa vizinhança.

Esta descoberta está a confundir os investigadores à procura de uma explicação. "Não sabemos o que se está a passar, mas é uma descoberta muito excitante", disse Alec Lessing da Universidade de Stanford, autor principal do artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal. "Isto significa que falta algo na nossa compreensão da forma como os jatos dos buracos negros interagem com o seu meio envolvente".

Uma nova surge num sistema estelar duplo em que uma estrela normal, envelhecida e inchada, derrama hidrogénio sobre uma estrela companheira anã branca. Quando a anã branca tiver acumulado uma camada superficial de hidrogénio com quilómetros de espessura, essa camada explode como uma bomba nuclear gigante. A anã branca não é destruída pela erupção da nova, que ejeta a sua camada superficial e volta a sugar combustível da companheira, e o ciclo da nova recomeça.

O Hubble encontrou duas vezes mais novas a explodir perto do jato do que noutras partes da galáxia gigante M87 durante o período de estudo. O jato é lançado por um buraco negro central com 6,5 mil milhões de massas solares, rodeado por um disco de matéria rodopiante. O buraco negro, alimentado pela matéria em queda, lança um jato de plasma com 3000 anos-luz de comprimento, que atravessa o espaço quase à velocidade da luz. Qualquer coisa apanhada no feixe energético seria queimada. Mas, de acordo com as novas descobertas do Hubble, aparentemente até estar perto do seu jato de energia também é arriscado.

 
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Uma imagem, pelo Telescópio Espacial Hubble, da galáxia gigante M87, que mostra um jato de plasma com 3000 anos-luz de comprimento e que tem origem no buraco negro central da galáxia, buraco negro este com 6,5 mil milhões de massas solares. O jato, semelhante a um maçarico, parece provocar a erupção de estrelas ao longo da sua trajetória. Estas novas não foram apanhadas no interior do jato, mas estão aparentemente numa vizinhança perigosa. Durante um recente estudo ao longo de 9 meses, os astrónomos que utilizaram o Hubble encontraram o dobro destas novas a explodir perto do jato do que noutras partes da galáxia. A galáxia é o lar de 1 bilião de estrelas e milhares de enxames globulares.
Crédito: NASA, ESA, STScI, Alec Lessing (Universidade de Stanford), Mike Shara (Museu Americano de História Natural); reconhecimento - Edward Baltz (Universidade de Stanford); processamento - Joseph DePasquale (STScI)
 

A descoberta do dobro de novas perto do jato implica que ou há o dobro de sistemas binários formadores de novas perto do jato ou que estes sistemas entram em erupção duas vezes mais do que sistemas semelhantes noutros pontos da galáxia.

"Há qualquer coisa que o jato está a fazer aos sistemas estelares que vagueiam na vizinhança circundante. Talvez o jato de alguma forma empurre o combustível de hidrogénio para as anãs brancas, fazendo com que entrem em erupção com mais frequência", disse Lessing. "Mas não é claro que se trate de um empurrão físico. Pode ser o efeito da pressão da luz que emana do jato. Quando se fornece hidrogénio mais depressa, as erupções são mais rápidas. Algo pode estar a duplicar a taxa de transferência de massa para as anãs brancas perto do jato". Outra ideia que os investigadores consideraram é que o jato está a aquecer a estrela companheira da anã, fazendo com que esta "transborde" e despeje ainda mais hidrogénio sobre a anã branca. No entanto, os investigadores calcularam que este aquecimento não é suficientemente grande para ter este efeito.

"Não somos os primeiros a dizer que parece haver mais atividade em torno do jato de M87", disse o coinvestigador Michael Shara do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque. "Mas o Hubble mostrou esta atividade acrescida com muito mais exemplos e significância estatística do que alguma vez tivemos antes".

Pouco depois do lançamento do Hubble, em 1990, os astrónomos utilizaram o seu instrumento FOC (Faint Object Camera) de primeira geração para espreitar para o centro de M87, onde se esconde o buraco negro monstruoso. Notaram que estavam a acontecer coisas invulgares à volta do buraco negro. Quase sempre que o Hubble olhava, os astrónomos viam "eventos transientes" azulados que podiam ser indícios de novas a aparecer como flashes de câmaras de paparazzi vizinhos. Mas a visão do FOC era tão estreita que os astrónomos do Hubble não conseguiam olhar para longe do jato para comparar com a região próxima do jato. Durante mais de duas décadas, os resultados permaneceram misteriosamente provocantes.

Evidências convincentes da influência do jato nas estrelas da galáxia hospedeira foram recolhidas durante um período de nove meses de observação do Hubble com câmaras mais recentes e de visão mais ampla para contar as novas em erupção. Isto constituiu um desafio para o calendário de observação do telescópio, porque exigia que se revisitasse M87 precisamente de cinco em cinco dias para tirar outra fotografia. A soma de todas as exposições de M87 levou à imagem mais profunda de M87 alguma vez obtida.

O Hubble encontrou 94 novas no terço de M87 que a sua câmara consegue abranger. "O jato não era a única coisa para que estávamos a olhar - estávamos a olhar para todo o interior da galáxia. Uma vez rastreadas todas as novas conhecidas por cima de uma imagem de M87, não precisámos de estatísticas para nos convencermos de que há um excesso de novas ao longo do jato. [...] Fizemos a descoberta simplesmente olhando para as imagens. E embora tenhamos ficado muito surpreendidos, as nossas análises estatísticas dos dados confirmaram o que vimos claramente", disse Shara.

Este feito deve-se inteiramente às capacidades únicas do Hubble. As imagens dos telescópios terrestres não têm a nitidez necessária para ver as novas nas profundezas de M87. Não conseguem resolver estrelas ou erupções estelares perto do núcleo da galáxia porque a região que rodeia o buraco negro é demasiado brilhante. Só o Hubble consegue detetar as novas contra o brilhante fundo de M87.

As novas são extremamente comuns no Universo. Na galáxia M87, há uma nova todos os dias. Mas como existem pelo menos 100 mil milhões de galáxias em todo o Universo visível, entram em erupção, a cada segundo, cerca de 1 milhão de novas.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Hubble avista jato de um buraco negro a provocar erupções estelares (NASA Goddard via YouTube)

 


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Nova:
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Anãs brancas:
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M87*:
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M87:
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
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A atmosfera desaparecida de Marte pode estar escondida à vista de todos
 
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"Nesta altura da história de Marte, pensamos que o CO2 está em todo o lado, em todos os cantos e recantos, e que a água que escorre pelas rochas também está cheia de CO2", diz Joshua Murray.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
 

Marte nem sempre foi o deserto frio que vemos hoje. Há cada vez mais evidências de que a água já correu à superfície do Planeta Vermelho, há milhares de milhões de anos. E se havia água, também deve ter havido uma atmosfera espessa para evitar que a água congelasse. Mas, há cerca de 3,5 mil milhões de anos, a água secou e o ar, outrora carregado de dióxido de carbono, diminuiu drasticamente, deixando apenas a ténue atmosfera que hoje se agarra ao planeta.

Para onde foi exatamente a atmosfera de Marte? Esta questão tem sido um dos principais mistérios da história de Marte com 4,6 mil milhões de anos.

Para dois geólogos do MIT (Massachusetts Institute of Technology), a resposta pode estar na argila do planeta. Num artigo científico publicado na revista Science Advances, propõem que grande parte da atmosfera desaparecida de Marte pode estar presa na crosta coberta de argila do planeta.

A equipa defende que, enquanto a água esteve presente em Marte, o líquido pode ter escorrido através de certos tipos de rocha e desencadeado lentas reações em cadeia que progressivamente retiraram o dióxido de carbono da atmosfera e o converteram em metano - uma forma de carbono que pode ser armazenada durante éones na superfície argilosa do planeta.

Processos semelhantes ocorrem em algumas regiões da Terra. Os investigadores utilizaram os seus conhecimentos sobre as interações entre rochas e gases na Terra e aplicaram-nos à forma como processos semelhantes se poderiam desenrolar em Marte. Descobriram que, dada a quantidade de argila que se estima cobrir a superfície de Marte, a argila do planeta poderia conter até 1,7 bares de dióxido de carbono, o que seria equivalente a cerca de 80% da atmosfera inicial do planeta.

É possível que este carbono marciano sequestrado possa um dia ser recuperado e convertido em propulsor para alimentar futuras missões entre Marte e a Terra, propõem os investigadores.

"Com base nas nossas descobertas na Terra, mostramos que em Marte operaram processos semelhantes e que grandes quantidades de CO2 atmosférico podem ter sido transformadas em metano e sequestradas em argilas", afirma o autor do estudo, Oliver Jagoutz, professor de geologia no Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias do MIT. "Este metano pode ainda estar presente e talvez até ser utilizado como fonte de energia em Marte no futuro".

Nas dobras

O grupo de Jagoutz no MIT procura identificar os processos geológicos e as interações que impulsionam a evolução da litosfera da Terra - a camada exterior dura e quebradiça que inclui a crosta e o manto superior, onde se encontram as placas tectónicas.

Em 2023, ele e Murray concentraram-se num tipo de mineral argiloso de superfície chamado esmectite, que é conhecido por ser uma armadilha altamente eficaz para o carbono. Dentro de um único grão de esmectite há uma multiplicidade de dobras, nas quais o carbono pode permanecer inalterado durante milhares de milhões de anos. Os investigadores mostraram que a esmectite na Terra foi provavelmente um produto da atividade tectónica e que, uma vez exposta à superfície, os minerais de argila atuaram para extrair e armazenar suficiente dióxido de carbono da atmosfera para arrefecer o planeta durante milhões de anos.

Pouco depois da equipa ter comunicado os seus resultados, Jagoutz olhou por acaso para um mapa da superfície de Marte e apercebeu-se de que grande parte da superfície desse planeta estava coberta pelas mesmas argilas de esmectite. Poderiam as argilas ter tido um efeito semelhante de retenção de carbono em Marte e, em caso afirmativo, qual a quantidade de carbono que as argilas poderiam conter?

"Sabemos que este processo acontece e está bem documentado na Terra. E estas rochas e argilas existem em Marte", diz Jagoutz. "Por isso, quisemos tentar ligar os pontos".

"Todos os cantos e recantos"

Ao contrário do que acontece na Terra, onde a esmectite é uma consequência do movimento e elevação das placas continentais para trazer rochas do manto para a superfície, em Marte não existe tal atividade tectónica. A equipa procurou formas de as argilas se poderem ter formado em Marte, com base no que os cientistas sabem sobre a história e a composição do planeta.

Por exemplo, algumas medições remotas da superfície de Marte sugerem que pelo menos parte da crosta do planeta contém rochas ígneas ultramáficas, semelhantes às que produzem esmectite através da meteorização na Terra. Outras observações revelam padrões geológicos semelhantes aos de rios e afluentes terrestres, onde a água poderia ter fluído e reagido com a rocha subjacente.

Jagoutz e Murray perguntaram-se se a água podia ter reagido com as rochas ultramáficas profundas de Marte de uma forma que produzisse as argilas que cobrem a superfície atualmente. Desenvolveram um modelo simples de química das rochas, baseado no que se sabe sobre a forma como as rochas ígneas interagem com o seu ambiente na Terra.

Aplicaram este modelo a Marte, onde os cientistas pensam que a crosta é maioritariamente constituída por rochas ígneas ricas no mineral olivina. A equipa utilizou o modelo para estimar as alterações que as rochas ricas em olivina poderiam sofrer, assumindo que existia água à superfície durante pelo menos mil milhões de anos e que a atmosfera era rica em dióxido de carbono.

"Nesta altura da história de Marte, pensamos que o CO2 está em todo o lado, em todos os cantos e recantos, e que a água que escorre pelas rochas também está cheia de CO2", diz Murray.

Ao longo de cerca de mil milhões de anos, a água que escorre pela crosta teria reagido lentamente com a olivina - um mineral rico numa forma reduzida de ferro. As moléculas de oxigénio da água ligaram-se ao ferro, libertando hidrogénio e formando o ferro oxidado vermelho que dá ao planeta a sua cor icónica. Este hidrogénio livre ter-se-ia então combinado com o dióxido de carbono presente na água, formando metano. À medida que esta reação progredia ao longo do tempo, a olivina ter-se-ia transformado lentamente noutro tipo de rocha rica em ferro, conhecida como serpentinite, que depois continuou a reagir com a água para formar esmectite.

"Estas argilas de esmectite têm uma grande capacidade de armazenar carbono", diz Murray. "Utilizámos o conhecimento existente sobre a forma como estes minerais são armazenados em argilas na Terra e extrapolámos para dizer: se a superfície marciana tem esta quantidade de argila, quanto metano pode ser armazenado nessas argilas?"

 
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Este esquema ilustra a alteração progressiva de rochas ricas em ferro em Marte, à medida que as rochas interagem com água contendo CO2 da atmosfera. Ao longo de vários milhares de milhões de anos, este processo pode ter armazenado CO2 suficiente na superfície argilosa, sob a forma de metano, para explicar a maior parte do CO2 que desapareceu da atmosfera inicial do planeta.
Crédito: cortesia dos investigadores
 

Ele e Jagoutz descobriram que se Marte estiver coberto por uma camada de esmectite com 1100 metros de profundidade, esta quantidade de argila pode armazenar uma enorme quantidade de metano, equivalente à maior parte do dióxido de carbono na atmosfera que se pensa ter desaparecido desde que o planeta secou.

"Descobrimos que as estimativas dos volumes globais de argila em Marte são consistentes com o facto de uma fração significativa do CO2 inicial de Marte ter sido sequestrado como compostos orgânicos na crosta rica em argila", diz Murray. "De certa forma, a atmosfera desaparecida de Marte pode estar escondida à vista de todos".

"Para onde foi o CO2 de uma atmosfera inicial, mais espessa, é uma questão fundamental na história da atmosfera de Marte, do seu clima e da habitabilidade por micróbios", diz Bruce Jakosky, professor emérito de geologia na Universidade do Colorado e investigador principal da missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution), que orbita e estuda a atmosfera superior de Marte desde 2014. Jakosky não esteve envolvido no estudo atual. "Murray e Jagoutz examinam a interação química das rochas com a atmosfera como forma de remover o CO2. No limite superior das nossas estimativas da quantidade de meteorização ocorrida, este pode ser um processo importante na remoção de CO2 da atmosfera inicial de Marte".

// MIT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (science Advances)

 


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Marte:
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The Nine Planets
Atmosfera de Marte (Wikipedia)

Esmectite:
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Rocha ultramáfica:
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Serpentinite:
Wikipedia

MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution):
NASA
Wikipedia

 
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OSIRIS-REx, 1 ano depois: amostra de asteroide continua a fornecer pistas sobre o início do Sistema Solar e as origens da vida na Terra
 
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Dante Lauretta (à direita), professor na Universidade do Arizona e investigador principal da OSIRIS-REx, recolhe dados científicos com Francis McCubbin, curador de Astromateriais da NASA, e Scott Sandford, líder científico da cápsula de retorno de amostras da NASA, pouco depois da cápsula da missão OSIRIS-REx ter aterrado no Campo de Testes e Treino do Utah, do Departamento de Defesa dos EUA, no dia 24 de setembro de 2023. A amostra foi recolhida do asteroide Bennu em outubro de 2020.
Crédito: NASA/Keegan Barber
 

Já passou um ano desde que a nave espacial OSIRIS-REx da NASA entregou, com sucesso, a maior amostra de um asteroide de sempre à Terra, no dia 24 de setembro de 2023.

Desde então, pistas intrigantes sobre os primórdios do Sistema Solar e as potenciais origens da vida na Terra surgiram do estudo da amostra, sob a liderança do investigador principal da OSIRIS-REx, Dante Lauretta, professor de ciências planetárias na Universidade do Arizona, EUA.

A entrega bem-sucedida de 122 gramas de material do asteroide próximo da Terra, Bennu, assinalou um momento crucial na exploração do espaço. A missão recolheu mais do dobro do requisito inicial de 60 gramas de material da superfície do asteroide. Os exames iniciais do material revelaram informações cruciais sobre a composição do asteroide. Os investigadores identificaram quantidades significativas de compostos à base de carbono e minerais hidratados na amostra, apoiando hipóteses sobre o potencial papel dos asteroides em trazer componentes essenciais para a vida à Terra primitiva.

Os cientistas também descobriram na amostra a presença de fosfato de magnésio e sódio, um específico mineral de fosfato que não foi detetado durante o estudo remoto do asteroide. Este facto sugere que as origens de Bennu podem ser mais complexas do que se pensava inicialmente. Também sugere que o asteroide poderá ter nascido de um corpo celeste maior e rico em água.

"Um ano depois da OSIRIS-REx ter entregue a sua amostra à Terra, estou espantado com as descobertas que fizemos", disse Lauretta. "Encontrar compostos orgânicos e sinais de um passado aquoso em Bennu aproxima-nos da compreensão das origens do nosso Sistema Solar e da química que pode ter desencadeado a vida na Terra. É uma poderosa lembrança de como estamos profundamente ligados ao Universo".

Embora a maior parte do material do asteroide continue a ser cuidadosamente conservado nas instalações especializadas da NASA, algumas partes foram atribuídas a importantes instituições de investigação, incluindo a Universidade do Arizona. Alguns museus dos EUA exibem agora fragmentos do material extraterrestre, como parte de uma iniciativa para encorajar um maior envolvimento do público com este feito científico.

 
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Guardado num recipiente transparente protegido por um invólucro metálico, esta pedrinha recolhida do asteroide Bennu pela nave espacial OSIRIS-REx está em exposição no Museu de Minerais da Universidade do Arizona.
Crédito: Chris Richards/Universidade do Arizona
 

"A viagem da OSIRIS-REx ultrapassou as nossas maiores expetativas, em grande parte graças à dedicação e perspicácia dos estudantes que estiveram no centro desta missão", disse Lauretta. "Sendo um projeto liderado por uma universidade, conseguimos envolver diretamente os estudantes em descobertas inovadoras. Estas descobertas não só expandem o nosso conhecimento científico como também demonstram o papel único que uma universidade pode desempenhar no avanço da exploração espacial, promovendo um ambiente de aprendizagem prática que prepara a próxima geração para liderar o futuro da ciência planetária".

O âmbito da missão OSIRIS-REx foi alargado para além dos seus objetivos iniciais. A nave espacial, agora com o novo nome OSIRIS-APEX, embarcou numa nova missão para estudar o asteroide próximo da Terra Apophis. Esta missão alargada é liderada por Dani Mendoza DellaGiustina, professor assistente no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona. A missão OSIRIS-APEX tem como objetivo observar Apophis durante a aproximação deste asteroide à Terra em 2029, o que poderá fornecer dados sem precedentes sobre as interações entre objetos próximos da Terra e o campo gravitacional do nosso planeta.

O estudo do asteroide Apophis tem um significado particular para as estratégias de defesa planetária. Sendo um asteroide representativo de objetos próximos da Terra potencialmente perigosos, Apophis poderá fornecer dados críticos para o desenvolvimento de futuras medidas de proteção planetária.

// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
28/06/2024 - Descoberta surpreendente de fosfato nas amostras do asteroide Bennu recolhidas pela OSIRIS-REx
13/10/2023 - Amostra do asteroide Bennu contém carbono e água
26/09/2023 - Cápsula da OSIRIS-REx, com amostras do asteroide Bennu, pousou com sucesso na Terra
05/09/2023 - NASA completa últimos testes da missão OSIRIS-REx antes da chegada das amostras do asteroide Bennu
29/04/2022 - NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteroide
08/10/2021 - As rochas altamente porosas são responsáveis pela superfície surpreendentemente irregular de Bennu
13/08/2021 - OSIRIS-REx da NASA fornece informações sobre a órbita futura do asteroide Bennu
14/05/2021 - OSIRIS-REx despede-se de Bennu
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

Asteroide Bennu:
NASA
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OSIRIS-REx:
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exemplo   As marés da Lua sugerem uma camada lunar derretida (via Eos)
Sabemos que, por baixo da sua crosta de silicatos, repleta de crateras, a Lua tem um manto de olivina e um núcleo metálico. Algumas investigações também sugeriram que uma camada parcialmente fundida pode estar na base do manto sólido, ensanduichada entre ele e o núcleo sólido. Mas outras evidências discordam. Agora, cientistas apresentam novas medições que apoiam a existência desta zona de transição algo fundida, que poderá ter implicações fundamentais para a nossa compreensão da estrutura, origem e evolução da Lua. Ler fonte
     
exemplo   Quão doce é a Via Láctea? Um astroquímico está a ajudar a descobrir (via Universidade do Mississippi)
O astroquímico Ryan Fortenberry, professor de química e bioquímica da Universidade do Mississippi, colaborou com Ralf Kaiser, da Universidade do Hawaii em Manoa, para estudar a criação de um ácido simples de açúcar em condições semelhantes às do espaço. Esta molécula, o ácido glicérico, é considerada um "bloco de construção" da vida. A revista Physics News publicou recentemente a sua investigação. Ler fonte
     
  Este planeta rochoso, em torno de uma anã branca, assemelha-se à Terra - daqui a 8 mil milhões de anos (via UC Berkeley)
A descoberta de um planeta semelhante à Terra a 4000 anos-luz de distância,permite antever um destino possível para o nosso planeta, milhares de milhões de anos no futuro, quando o Sol se tiver transformado numa anã branca e a Terra, irradiada e congelada, tiver migrado para além da órbita de Marte. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Correntes Estelares no Universo Local

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: David Martinez Delgado et al.
 
As vinte galáxias apresentadas nestes painéis fazem parte de um ambicioso levantamento astronómico de correntes estelares. Cada painel apresenta uma vista composta; uma imagem profunda, invertida, obtida a partir de levantamentos de imagens publicamente disponíveis de um campo que rodeia uma imagem de uma galáxia massiva próxima. As imagens invertidas revelam estruturas cósmicas ténues, fluxos estelares com centenas de milhares de anos-luz de comprimento, que resultam da perturbação gravitacional e eventual fusão de galáxias satélites no Universo local. Estes levantamentos de fusões e interações gravitacionais entre galáxias massivas e as suas satélites são guias cruciais para os modelos atuais de formação galáctica e da cosmologia. Naturalmente, a deteção de correntes estelares na vizinha Galáxia de Andrómeda e na nossa Via Láctea também fornece evidências espetaculares de perturbações em curso nas galáxias satélites do nosso mais local grupo de galáxias.
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