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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 558
De 08/07 a 09/07/2009
 
 
 

Dia 08/07: 189.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A Lua nasce tarde esta noite. Muito para cima e para a esquerda, brilha a estrela de primeira magnitude, Altair, e a estrela de 3.ª magnitude, Tarazed, mesmo por cima.

Dia 09/07: 190.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, a sonda Voyager 2 efectuava o seu "flyby" por Júpiter.

A descoberta de actividade vulcânica no satélite Io foi provavelmente a maior descoberta da missão.
Observações: Júpiter é a "estrela" para a esquerda da Lua. Embora pareçam que estão juntas, Júpiter está na realidade 1600 vezes mais distante.

 
 
 
O Sol tem finalmente manchas! Sâo as melhores dos últimos dois anos!
 
 
 
AIA 2009
 
 
  RESULTADOS DA PHOENIX APONTAM PARA CICLOS CLIMÁTICOS EM MARTE  
 

Química favorável e episódios com finas camadas de água líquida durante ciclos climáticos a longo-prazo podem, por vezes, tornar o local de aterragem da sonda Phoenix da NASA num ambiente favorável para micróbios.

As interpretações dos dados que a Phoenix enviou durante os seus cinco meses de operação numa planície marciana ártica, são tema de quatro artigos científicos da edição da semana passada da revista Science, os primeiros relatórios revistos acerca das descobertas da missão. A Phoenix terminou operações em Novembro de 2008, à medida que o Inverno marciano esgotava a energia dos painéis solares da sonda.

"Não só descobrimos água gelada, como se esperava, mas a química do solo e dos minerais que observámos leva-nos a acreditar que este local teve um clima mais molhado e quente no passado recente -- os últimos milhões de anos -- e que poderá voltar outra vez no futuro," disse Peter Smith, investigador principal da Phoenix, da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA.

Este mosaico de imagens da câmara SSI a bordo da sonda Phoenix da NASA mostra várias trincheiras escavadas pela Phoenix, um canto da sonda e a planície marciana que se prolonga até ao horizonte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Texas A&M
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um artigo sobre os estudos da água pela Phoenix, do qual Smith é o autor principal, e a quem se junta 36 co-autores de seis países, citam pistas que suportam uma interpretação que o solo tem tido finas camadas de água líquida no passado recente. As provas de água e de nutrientes potenciais "implicam que esta região poderá já ter preenchido os critérios para a habitabilidade" durante porções de ciclos climáticos, concluem estes autores.

A maior surpresa da missão foi a descoberta de compostos, denominados percloratos, no solo marciano. Esta descoberta da Phoenix é a cereja no topo do bolo de uma ênfase, cada vez maior, acerca da química do planeta, disse Michael Hecht, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, que com outros 10 co-autores, escreveu outro dos artigos acerca das descobertas químico-solúveis da Phoenix.

"O estudo de Marte está em transição, de um estágio 'siga-a-água' para um estágio 'siga-a-química'," dise Hecht. "Com os percloratos, por exemplo, vemos ligações com uma humidade atmosférica, misturas de solo, uma possível fonte de energia para micróbios, mesmo até um recurso possível para humanos."

O perclorato, que atrai fortemente a água, constitui algumas décimas percentuais da composição de todas as três amostras de solo analisadas pelo laboratório de química molhada da Phoenix. Consegue "puxar" a humidade do ar marciano. A maiores concentrações, poderá combinar com a água como uma espécie de salmoura, que fica líquida às temperaturas da superfície de Marte. Alguns micróbios na Terra usam perclorato como alimento. Os exploradores humanos poderão utilizar o perclorato como combustível para foguetões ou mesmo até para gerar oxigénio.

Este mosaico composto por imagens da Phoenix mostram as três pernas da sonda. Gotículas de material marciano numa das pernas (esquerda) podem ser água salgada.
Crédito: Kenneth Kremer, Marco Di Lorenzo, NASA/JPL/UA/Instituto Max Planck e Spaceflight Now.
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Outra surpresa da Phoenix foi a descoberta de nuvens de gelo e precipitação mais parecida com a da Terra do que se esperava. O instrumento laser da sonda, que estudava a atmosfera, detectou neve que caía das nuvens. Num dos artigos publicados a semana passada, Jim Whiteway da Universidade de York, em Toronto, Canadá, e outros 22 co-autores, afirmam que, mais para o Inverno (do que a Phoenix operou), esta precipitação poderia resultar num crescimento sazonal de água gelada no chão.

"Antes da Phoenix nós não sabíamos se ocorria precipitação em Marte," afirmou Whiteway. "Nós sabíamos que a calote polar avançava para Sul no Inverno, até ao local da Phoenix, mas não sabíamos como é que o vapor de água se movia da atmosfera até ao gelo no chão. Agora sabemos que neva, e que faz parte do ciclo hidrológico de Marte."

Este mosaico de imagens da câmara SSI a bordo da Phoenix mostra uma secção da sonda após a entrega de várias amostras de solo marciano aos instrumentos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Texas A&M
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Evidências que água gelada na área por vezes descongela o suficiente para molhar o solo, vêm da descoberta de carbonato de cálcio no solo, aquecido pelos fornos analíticos da sonda ou misturados com ácido no laboratório de química molhada. William Boynton (Universidade do Aironza) e outros 13 co-autores anunciam que a quantidade de carbonato de cálcio "é mais consistente com formação, no passado, através da interacção do dióxido de carbono atmosférico com finas camadas de água à superfície."

As novas descobertas deixam, por determinar, se as amostras de solo recolhidas pela Phoenix continham quaisquer compostos orgânicos baseados em carbono. O perclorato poderá ter quebrado compostos orgânicos simples durante o aquecimento das amostras de solo nos fornos, impedindo uma clara detecção.

O aquecimento nos fornos não provocou a libertação de vapor de água a temperaturas mais baixas que 295 graus Celsius, indicando que o solo não continha água agregada a partículas de solo. Os ciclos climáticos resultantes de mudanças na inclinação e na órbita de Marte, em escalas de centenas de milhares de anos, podem explicar o porquê da existência de efeitos de solo húmido.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
SPACE.com - 2
Universe Today
Universe Today - 2
Spaceflight Now
PHYSORG.com
EurekAlert!
National Geographic
Science Daily
MSNBC

Retrospectiva da cobertura da missão Phoenix pelo CCVAlg:
11 de Julho de 2007 - O próximo passo da exploração marciana
3 de Maio de 2008 - Sonda Phoenix prepara-se para aterrar no ártico marciano
14 de Maio de 2008 - Phoenix a caminho da aterragem em Marte
21 de Maio de 2008 - Como a Phoenix aterrará em Marte
24 de Maio de 2008 - Os derradeiros momentos da aterragem da Phoenix Mars Lander
28 de Maio de 2008 - Phoenix aterra em Marte e envia primeira imagens
31 de Maio de 2008 - Phoenix estica braço e observa ártico marciano
7 de Junho de 2008 - Phoenix usa pela primeira vez o seu microscópio óptico
7 de Junho de 2008 - Podem os micróbios da Phoenix sobreviver em Marte?
18 de Junho de 2008 - Phoenix pode ter descoberto gelo no limite de polígono
21 de Junho de 2008 - Material esbranquiçado escavado pela Phoenix é gelo
28 de Junho de 2008 - Phoenix envia tesouro de dados científicos
30 de Julho de 2008 - Solo de Marte é surpreendentemente pegajoso
2 de Agosto de 2008 - Phoenix confirma: há água em Marte
6 de Agosto de 2008 - Equipa da Phoenix abre janela do processo científico
16 de Agosto de 2008 - Microscópio da Phoenix tira primeira imagem de uma partícula de poeira marciana
23 de Agosto de 2008 - Química heterogénea na atmosfera de Marte
13 de Setembro de 2008 - Phoenix observa os seus primeiros diabos marcianos
1 de Outubro de 2008 - Cai neve em Marte
11 de Outubro de 2008 - Phoenix aproxima-se do fim
1 de Novembro de 2008 - O princípio do fim para a sonda Phoenix
20 de Fevereiro de 2009 - Água líquida poderá ter sido avistada em Marte
1 de Abril de 2009 - Revelada a zona mais habitável de Marte

Phoenix:
Página oficial (Universidade do Arizona)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
     
 
 
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  Foto  
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Uma beleza indiscritível e gradientes inimagináveis podem ser encontrados na Nebulosa da Trífida. Também conhecida como M20, esta nebulosa fotogénica é visível com binóculos na direcção da constelação de Sagitário. O processo energético da formação de estrelas cria não apenas cores, mas também caos. O gás vermelho resulta de radiação que atravessa o hidrogénio interestelar. Os filamentos de poeira escura que se entrelaçam por M20 foram criados nas atmosferas de estrelas gigantes frias, no remanescente de explosões de supernovas. Quais são as estrelas que iluminam a nebulosa de reflexão azul é um dos temas que ainda está em investigação. A luz de M20 que vemos hoje terá abandonado a nebulosa há cerca de 3,000 anos, embora a distância exacta à mesma ainda não tenha sido determinada. A luz demora cerca de 20 anos para atravessar M20.

 


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