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Edição n.º 908
16/11 a 19/11/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 16/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteróide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objectivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.

Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direcção do enxame globular M13
Observações: Aviste a ténue Lua Crescente a Oeste ao anoitecer e a Sudoeste, e use-a como guia para encontrar Marte, um pouco para baixo.
A partir das 23:45 e até por volta das 01:45 de dia 17, é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter. Entre a meia-noite e as 02:05 de dia 17, Io desaparece em frente do planeta e reaparece no lado oposto.

Dia 17/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a Luna 17 torna-se no primeiro veículo com rodas a aterrar na Lua

Observações: Por volta das 20:55, Io desaparece por entre a sombra provocada pelo planeta Júpiter. Torna a reaparecer no lado oposto por volta das 23:25.
A chuva de meteoros das Leónidas, normalmente fraca mas ocasionalmente surpreendente, deverá atingir o máximo nas horas que antecedem o amanhecer de Sábado. Com um céu escuro, conseguirá ver entre uma dúzia e 20 Leónidas por hora. A Lua é inexistente.

Dia 18/11: 323.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de Dezembro de 1993. A partir de Janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de teste. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Observações: Vega, em Lira, permanece a estrela mais brilhante no céu a Oeste-Noroeste por estas noites. Mais para cima, a estrela brilhante é Deneb em Cisne.
Por volta das 04:30 (de dia 17 para dia 18), Ganimedes é eclipsado pela sombra de Júpiter.
Assim que seja possível depois do pôr-do-Sol, aponte o seu telescópio para Júpiter e conseguirá ver a sombra de Io passar pela atmosfera. O evento termina por volta das 20:15 e Io reaparecer da frente do planeta a partir cerca de 20 minutos depois.

Dia 19/11: 324.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no Sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua.
Em 1999, a China lança a primeira missão Shenzhou não tripulada para órbita às 22:30 GMT.

Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos
Observações: Por volta das 03:55 (de dia 18 para 19), é possível observar telescopicamente a sombra de Europa passar pela atmosfera de Júpiter. O satélite desaparece em frente do planeta cerca das 04:40.
Depois do anoitecer, com Capela a subir a Nordeste e Vega a descer a Noroeste haverá uma hora em que as duas estrelas de magnitude zero estarão à mesma altura acima do horizonte. Sabe dizer a que horas?

 
CURIOSIDADES


Quer explorar a Via Láctea? Uma nova ferramenta feita pela Google chamada "100.000 Stars" permite fazer uma viagem pela nossa vizinhança cósmica (requer um browser que suporte WebGL, como o Chrome ou Firefox).

 
KEPLER COMPLETA MISSÃO PRINCIPAL, COMEÇA MISSÃO PROLONGADA

A NASA atingiu dois marcos na busca de planetas como a Terra - a conclusão bem-sucedida da missão principal de 3 anos e meio do Telescópio Espacial Kepler e o início de uma missão prolongada que pode durar até quatro anos.

Os cientistas têm usado os dados do Kepler para identificar mais de 2300 candidatos a planeta e para confirmar mais de 100 planetas - ensinando-nos que a nossa Galáxia está repleta de sistemas planetários, que os planetas são prolíficos e fornecendo pistas de que a Natureza faz pequenos planetas de forma eficiente.

Até agora, foram encontrados centenas de candidatos a planeta tipo-Terra, bem como candidatos que orbitam na zona habitável, a região de um sistema planetário onde a água líquida pode existir à superfície de um planeta. Nenhum dos candidatos é exactamente como a Terra. Com a conclusão da missão principal, o Kepler recolheu dados suficientes para começar a encontrar verdadeiros análogos Sol-Terra - planetas do tamanho da Terra com uma órbita de um ano em torno de estrelas semelhantes ao Sol.

Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"As descobertas iniciais da missão Kepler indicam que pelo menos um-terço das estrelas têm planetas e que o número de planetas na nossa Galáxia deve rondar os milhares de milhões," afirma William Borucki, investigador principal do Kepler, no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia. "Os planetas de maior interesse são outras Terras e estes podem já estar nos dados que aguardam análise. Os resultados mais interessantes do Kepler ainda estão por vir!"

O Telescópio Espacial Kepler da NASA pesquisa candidatos a planeta em órbita de sóis distantes, ou exoplanetas, ao medir continuamente o brilho de mais de 150.000 estrelas. Quando um candidato a planeta passa, ou transita, em frente da estrela a partir do ponto de vista do telescópio, a luz da estrela é bloqueada. Planetas de diferentes tamanhos bloqueiam diferentes quantidades de luz estelar. A quantidade de luz estelar bloqueada por um planeta revela o seu tamanho relativamente à estrela-mãe.

O Kepler foi lançado a 6 de Março de 2009. A sua missão era examinar uma parte da Galáxia para determinar que fracção de estrelas pode abrigar planetas do tamanho da Terra, potencialmente habitáveis. Os planetas que orbitem perto ou dentro das zonas habitáveis são de particular interesse.

O Kepler começou a busca por pequenos mundos como o nosso a 12 de Maio de 2009, após dois meses de comissionamento. Passados poucos meses, cinco planetas extrasolares, conhecidos como Júpiteres quentes por causa do seu enorme tamanho e órbitas próximas em torno das suas estrelas, foram confirmados.

O fotómetro requintadamente preciso do Kepler, ou sensor de luz, está desenhado para detectar alterações minúsculas no brilho, o que indica um planeta do tamanho da Terra. Para um observador distante, a Terra ao transitar o Sol, bloquearia a sua luz por apenas 84 partes num milhão. Isto é menos do que 1/100 de um por cento, o equivalente à quantidade de luz bloqueada por um mosquito em frente ao farol de um carro, visto a vários quilómetros de distância.

O campo de visão do fotómetro do Kepler, situado nas constelações de Cisne, Lira e Dragão.
Crédito: Carter Roberts/NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os dados dos trânsitos são ricos em informação. Ao medir a profundidade da queda do brilho e conhecendo o tamanho da estrela, os cientistas podem determinar o tamanho ou raio do planeta. O tempo que o planeta demora a completar uma órbita pode ser determinado ao medir o tempo decorrido entre trânsitos. Assim que o período é conhecido, pode ser aplicada a Terceira Lei de Kepler para determinar a distância média do planeta à estrela. Com esta distância, e a temperatura e tamanho da estrela, os cientistas conseguem saber se o planeta está ou não na zona habitável.

Os resultados dos dados do Kepler continuam a expandir o nosso conhecimento dos planetas e dos sistemas planetários. Aqui ficam alguns pontos altos da missão Kepler:

  • Em Agosto de 2010, cientistas confirmaram a descoberta do primeiro sistema planetário com mais de um planeta transitando a mesma estrela. O sistema Kepler-9 abriu a porta que permite a medição de interacções gravitacionais entre planetas, tal como observado pelas variações no seu tempo de trânsito. Esta nova e poderosa técnica permite com que os astrónomos, em muitos casos, calculem a massa dos planetas directamente a partir de dados do Kepler, sem a necessidade de seguimento com observações terrestres;
  • Em Janeiro de 2011, a equipa do Kepler anunciou a descoberta do primeiro planeta inquestionavelmente rochoso, fora do Sistema Solar. Medindo 1,4 vezes o tamanho da Terra, Kepler-10b é o planeta confirmado mais pequeno com medições do raio e da massa. Os resultados dos dados do Kepler continuaram a descobrir planetas cada vez mais pequenos, alguns com o tamanho de Marte, e dizem-nos que mundos rochosos e pequenos podem ser comuns na Via Láctea;
  • Em Fevereiro de 2011, cientistas anunciaram ter encontrado um sistema planetário apinhado e compacto - uma estrela que tem múltiplos planetas em trânsito. Kepler-11 tem seis planetas maiores que a Terra, todos orbitando mais perto da sua estrela-mãe do que Vénus orbita o Sol. Este e outros sistemas multiplanetários subsequentemente identificados têm um espaçamento orbital, em relação à sua estrela e aos próprios planetas, totalmente diferente do imaginado antes da missão;
  • Em Setembro de 2011, os dados do Kepler confirmaram a existência de um mundo com um pôr-do-Sol duplo como o famoso retratado nos filmes da saga "Guerra das Estrelas" há mais de 35 anos. A descoberta de Kepler-16b tornou o que já foi o reino da ficção científica, em facto científico. Desde então, as descobertas de outros seis mundos que orbitam outras estrelas duplas demonstram que os planetas podem formar-se e persistir nos arredores de um sistema com duas estrelas;
  • Em Dezembro de 2011, o Kepler anunciou o primeiro planeta da missão descoberta na zona habitável. Com aproximadamente 2,4 vezes o tamanho da Terra, Kepler-22b é o planeta mais pequeno já descoberto em órbita de uma estrela parecida com o Sol e na zona habitável. Esta descoberta confirmou que estamos cada vez mais perto de encontrar planetas como o nosso;
  • Em Fevereiro de 2012, a equipa do Kepler anunciou mais de 1000 novos candidatos a planeta de trânsito, para um total acumulado de 2321. Os dados continuam a tendência de identificar planetas cada vez mais pequenos e com períodos orbitais maiores e mais parecidos com o da Terra. Os resultados incluem centenas de sistemas planetários - estrelas com múltiplos candidatos a planeta em trânsito;
  • Recentemente, cidadãos que participavam no programa "Planets Hunters", liderado pela Universidade de Yale, que pede ajuda ao público para analisar os dados do Kepler em busca de planetas em trânsito, fizeram a sua primeira descoberta planetária. O esforço conjunto de astrónomos amadores e cientistas levou ao primeiro caso de um planeta em órbita de uma estrela dupla que, por sua vez, são orbitadas por um segundo par de estrelas distantes.

"O tesouro de novas descobertas planetárias do Kepler, muitas bem diferentes do que qualquer outra encontrada anteriormente, vai continuar a surpreender. Mas para mim, a descoberta mais maravilhosa da missão não foi a descoberta de planetas individuais, mas de sistemas de dois, três, até seis planetas localizados bem perto das suas estrelas e, tal como os planetas que orbitam o Sol, movendo-se sob quase o mesmo plano," afirma Jack Lissauer, cientista planetário no Ames. "Tal como as pessoas, os planetas interagem e podem ser muito afectados pelos seus vizinhos. Como são as vizinhanças de exoplanetas tipo-Terra? Esta é a pergunta que mais espero que o Kepler responda nos próximos anos."

Em Abril de 2012, a NASA concedeu ao Kepler uma extensão da missão, provavelmente até 2016. Mais tempo permitirá a busca contínua de mundos como o nosso -- mundos que não estão nem muito longe nem muito perto da sua estrela.

"A Terra não é única, não é o centro do Universo. A diversidade de outros mundos é maior que a descrita em todos os livros e filmes de ficção científica," afirma Geoff Marcy, professor de astronomia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA. "Aristóteles estaria orgulhoso de nós, por termos respondido a algumas das questões mais profundas e filosóficas acerca do nosso lugar no Universo."

Links:

Cobertura da missão Kepler pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
16/10/2012 - Amadores descobrem planeta em sistema quádruplo
27/07/2012 - Cientistas medem orientação de sistema multiplanetário, descobrem ser muito parecido ao nosso Sistema Solar
24/07/2012 - Será Gliese 581g verdadeiramente o "primeiro planeta extrasolares potencialmente habitável"?
22/05/2012 - Exoplaneta recém-descoberto pode tornar-se em pó
08/05/2012 - Procurando Terras ao procurar Júpiteres
27/04/2012 - Astrónomos identificam três exoplanetas
24/04/2012 - Irmã da Terra na mira
27/01/2012 - Kepler anuncia 11 sistemas planetários com 26 planetas
13/01/2012 - Kepler descobre os três exoplanetas mais pequenos até agora
27/12/2011 - Kepler descobre dois planetas "torriscados"
23/12/2011 - Kepler descobre primeiros planetas do tamanho da Terra para lá do Sistema Solar
06/12/2011 - Kepler confirma seu primeiro planeta na zona habitável de estrela tipo-Sol
20/09/2011 - Missão Kepler descobre mundo que orbita duas estrelas
17/05/2011 - Pesquisa SETI aponta telescópio para lista de "topo" em planetas tipo-Terra
22/03/2011 - Nova estimativa para mundos tipo-Terra: 2 mil milhões, só na Via Láctea
01/03/2011 - Descobertos dois planetas que partilham a mesma órbita
04/02/2011 - Excelentes notícias orundas do Telescópio Kepler
11/01/2011 - Missão Kepler da NASA descobre o seu primeiro planeta rochoso
27/08/2010 - Missão Kepler da NASA descobre dois planetas que transitam a mesma estrela
18/06/2010 - Kepler divulga dados acerca de 306 potenciais exoplanetas
10/08/2009 - Kepler descobre o seu primeiro planeta extrasolar
15/05/2009 - Que comece a caça planetária
20/04/2009 - Primeiras imagens da missão Kepler
10/04/2009 - Telescópio Kepler abre o seu olho
09/03/2009 - Missão Kepler parte em busca de novos mundos
06/03/2009 - Telescópio Kepler é lançado hoje
18/02/2009 - Via Láctea poderá ter milhares de milhões de 'Terras'
06/02/2009 - Telescópio Kepler irá pesquisar "Terras" extrasolares

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
redOrbit
PHYSORG
SPACE.com

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Wikipedia

 
PERDIDO NO ESPAÇO: ENCONTRADO PLANETA SOLITÁRIO?
Impressão de artista do planeta errante CFBDSIR J214947.2-040308.9. É o objecto deste género mais próximo do Sistema Solar, não orbita em torno de uma estrela e por isso, não brilha com luz reflectida; o fraco brilho que emite pode apenas ser detectado no infravermelho. O objecto parece azulado nesta imagem infravermelha porque muita da radiação nos maiores comprimentos de onda infravermelhos é absorvida por metano e outras moléculas existentes na atmosfera do planeta. No visível, o objecto é tão frio que apenas brilharia muito pouco com uma cor vermelha escura, quando visto de perto.
Crédito: ESO/L. Calçada/P. Delorme/Nick Risinger/R. Saito/Consórcio VVV
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do Telescópio Canadá-França-Hawaii, os astrónomos identificaram um corpo que é, muito provavelmente, um planeta a vaguear pelo espaço sem uma estrela hospedeira. Este é, até agora, o melhor candidato a planeta errante e o mais próximo do Sistema Solar, a uma distância de cerca de 100 anos-luz. A sua relativa proximidade, juntamente com a ausência de estrela brilhante muito próxima, permitiram à equipa de astrónomos estudar a sua atmosfera com todo o pormenor. Este objecto deu também aos astrónomos uma ideia do tipo de exoplanetas que futuros instrumentos poderão observar em torno de estrelas diferentes do Sol.

Os planetas errantes são objectos, com massas típicas de planetas, que vagueiam no espaço sem ligação a nenhuma estrela. Possíveis exemplos de tais objectos foram já encontrados anteriormente, mas sem o conhecimento das suas idades, não foi possível saber se eram realmente planetas ou anãs castanhas - estrelas "falhadas" que não conseguem ter tamanho suficiente para dar início às reacções termonucleares que fazem brilhar as estrelas.

Os astrónomos descobriram agora um objecto, chamado CFBDSIR2149, que parece fazer parte de um grupo de estrelas próximas conhecido como Associação estelar AB Doradus. Os investigadores encontraram o objecto em observações feitas com o Telescópio Canadá-França-Hawaii e utilizaram seguidamente o VLT do ESO para examinar as suas propriedades.

A associação AB Doradus é o grupo estelar deste género mais próximo do Sistema Solar. As estrelas que o compõem deslocam-se em conjunto no espaço e pensa-se que se tenham formado todas ao mesmo tempo. Se o objecto estiver associado a este grupo - sendo, neste caso, um objecto jovem - será possível deduzir muito mais sobre as suas características, incluindo a temperatura, massa e composição da atmosfera. Existe também uma pequena probabilidade de que a sua ligação ao grupo seja fortuita.

Esta imagem obtida com o instrumento SOFI, montado no New Technology Telescope do ESO, no Observatório de La Silla, mostra o planeta errante CFBDSIR J214947.2-040308.9 no infravermelho. Este objecto aparece como um ténue ponto azul no centro da imagem e está marcado com uma cruz.
Crédito: ESO/P. Delorme
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A ligação entre este novo objecto e o grupo estelar trata-se de uma pista vital, que permitirá aos astrónomos calcular a idade do objecto recém-descoberto. Esta é a primeira vez que um objecto errante de massa planetária é identificado como fazendo parte de um grupo estelar em movimento, e a sua ligação ao grupo torna-o o candidato a planeta errante mais interessante a ser identificado até agora.

"Procurar planetas em torno de estrelas é semelhante a estudar um pirilampo que se encontra a um centímetro de distância de um farol distante de automóvel," diz Philippe Delorme (Institut de planétologie et d'astrophysique de Grenoble, CNRS/Université Joseph Fourier, França), autor principal do novo estudo. "Este objecto errante próximo proporciona-nos uma oportunidade de estudar o pirilampo com todo o pormenor, sem que as luzes brilhantes dos faróis do automóvel estraguem tudo."

Pensa-se que os objectos errantes, como o CFBDSIR2149, formem-se ou como planetas normais que foram expelidos dos seus sistemas planetários, ou como objectos solitários, tais como estrelas muito pequenas ou anãs castanhas. Em ambos os casos, estes objectos são bastante intrigantes - ou como planetas sem estrela ou como os objectos mais pequenos possíveis, num intervalo que vai desde as estrelas de maior massa às mais pequenas anãs castanhas.

"Estes objectos são importantes, já que nos podem ajudar a compreender melhor como é que os planetas são ejectados dos sistemas planetários ou como é que objectos muito leves podem resultar do processo de formação estelar," diz Philippe Delorme. "Se este pequeno objecto for um planeta ejectado do seu sistema nativo, dá-nos a imagem de mundos órfãos, errando no vazio do espaço."

Estes mundos podem ser comuns - talvez tão numerosos como as estrelas normais. Se o CFBDSIR2149 não estiver associado à Associação AB Doradus, será mais complicado conhecer a sua natureza e propriedades, e poderá antes ser caracterizado como uma anã castanha. Ambos os cenários representam questões importantes sobre como planetas e estrelas se formam e comportam.

"Trabalho adicional deverá confirmar se o CFBDSIR2149 é um planeta errante," conclui Philippe Delorme. "Este objecto poderá ser usado como base de dados para compreender a física de qualquer exoplaneta semelhante, que seja descoberto com futuros sistemas especiais de imagens de elevado contraste, incluindo o instrumento SPHERE, que será instalado no VLT.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy & Astrophysics
Universe Today
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
BBC News
AstroPT
cienciapt.net
Público

Planetas extrasolares:
Planeta errante (Wikipedia)
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

VLT:
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Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Eclipse Solar a Partir de Queensland
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Crédito: Phil Hart
 
A Lua Nova deste mês trouxe um eclipse solar total a partes do planeta Terra a 13 de Novembro. A maior parte do percurso do eclipse total recaiu sobre o Pacífico Sul, mas a sombra escura da Lua começou a sua viagem no Norte da Austrália, na manhã de Quarta-feira, hora local. Ao longo da sua viagem, este instantâneo telescópico capturou a silhueta da Lua sob os céus de Queensland ao longo da auto-estrada Mulligan a Oeste de Port Douglas. Quase completamente coberto, o disco solar é ainda visto rodeado por uma ténue coroa solar. As proeminências com o tamanho de planetas esticam-se por cima do limite activo do Sol. A luz solar é ainda vista através de finas aberturas no perfil acidentado do limbo lunar, o que cria as fugazes mas brilhantes Contas de Baily.
 

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