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Edição n.º 1017
06/12 a 09/12/2013
 
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ACTIVIDADES

27.12.13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 23:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica nocturna com telescópio.
Público: Público em geral, local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 922
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu noturno com telescópio (dependente de meteorologia favorável)

28.12.13 - DESCOBRINDO O SOL 15:30 – 16:30 (actividade incluída na visita ao centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro – crianças até 12 anos grátis)
Observação do Sol em segurança para conhecer um pouco melhor alguns aspectos da nossa estrela. Público: Público em geral, local: CCVAlg

 
EFEMÉRIDES

Dia 06/12: 340.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, uma explosão na plataforma de lançamento da Vanguard TV3 impede a primeira tentativa dos EUA lançarem um satélite para órbita terrestre.

Em 2006, a NASA revela fotografias obtidas pela Mars Global Surveyor, sugerindo a presença de água líquida em Marte.
Observações: A Lua Crescente situa-se bem para cima de Vénus ao crepúsculo, com Alpha e Beta Capricorni agora para baixo e para a sua direita.
Maior área iluminada de Vénus (magnitude -4,66). É a melhor altura para o observar.

Dia 07/12: 341.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, nascimento de Gerard Kuiper, cientista planetário americano nascido na Holanda que descobriu luas de Urano e Neptuno, a atmosfera de Titã e estudou as origens dos cometas no Sistema Solar

Em 1972 era lançada a Apollo 17, a última das missões do programa Apollo. Foi também a última vez que um ser humano aterrou na Lua. A missão durou 301 horas, 51 minutos e 59 segundos, e recolheu a maior quantidade de amostras lunares. O comandante da Apollo 17 era Eugene A. CernanRonald E. Evans era o piloto do módulo de controlo e Harrison H. Schmitt era o piloto do módulo lunar. Schmitt foi também o único geólogo profissional a ir à Lua
Em 1995, a sonda Galileu chega a Júpiter, pouco mais de seis anos depois de ter sido lançada pelo vaivém espacial Atlantis durante a missão STS-34.
Observações: Pôr-do-Sol mais cedo do ano (para latitudes perto dos 40º N). A noite mais longa do ano só tem lugar dia 21, durante o solstício, e o nascer-do-Sol mais tardio só acontece dia 4 de Janeiro. A razão? O Tempo Solar muda em respeito ao Tempo Local durante esta altura do ano, um efeito provocado pela inclinação do eixo da Terra e pela elipsidade da órbita da Terra. Ainda bem que usamos horas padrão, e não precisamos de ajustar os nossos relógios devido aos movimentos inconstantes do Sol como era no passado. A Hora Padrão tornou as coisas mais simples para a sociedade mas complicou as coisas para os observadores atentos do céu.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:34 e as 21:53.
Trânsito de Io, entre as 20:16 e as 22:35.

Dia 08/12: 342.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990, a sonda Galileu aproxima-se do planeta Terra no seu caminho de Vénus até Júpiter. Torna-se na primeira sonda interplanetária a visitar a Terra.
Em 2010, com o segundo lançamento do Falcon 9 e o primeiro lançamento do Dragon, a SpaceX torna-se na primeira empresa privada a lançar, orbitar e recolher com sucesso uma nave espacial. No mesmo dia, a nave japonesa a energia solar, IKAROS, passa o planeta Vénus a cerca de 80.800 km de distância.

Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 00:10 e as 02:57.
Trânsito de Europa, entre as 01:35 e as 04:22.

Dia 09/12: 343.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, queda de um satélite russo em Kecksburg, perto de Pittsburgh, EUA.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 15:12.
Esta é a altura do ano em que a Cassiopeia, agora com a forma de um M achatado, está na sua posição mais alta a Norte ao princípio da noite.

 
CURIOSIDADES


Guillaume Le Gentil é provavelmente o astrónomo mais azarado de sempre. Ele fez parte de um projecto colaborativo internacional para observar o trânsito de Vénus de 1761 (como meio de medir a distância ao Sol). Esta ideia foi sugerida por Edmond Halley e requeria medições precisas a partir de vários locais da Terra. O projecto envolveu mais de uma centena de observadores, enviados para diferentes partes do globo. Como parte da expedição francesa, Guillaume Le Gentil partiu com destino Pondicherry, Índia, sob domínio francês na altura. Saíu de Paris em Março de 1760 e alcançou a Ilha Maurício (na altura chamada Ilha de França) em Julho. No entanto, tinha acabado de começar uma guerra entre a França e a Grã-Bretanha, o que dificultou a viagem para Este. Conseguiu finalmente passagem a bordo de uma fragata que se dirigia para a Costa de Coromandel, na Índia, em Março de 1761. Tinham-lhe prometido que conseguia chegar a tempo de observar o trânsito (6 de Junho), mas ventos desfavoráveis levaram o navio para fora do rumo previsto e passou cinco semanas no mar. Quando finalmente chegou a Pondicherry, o capitão veio a saber que os britânicos tinham ocupado a cidade, por isso a fragata veio-se obrigada a voltar à Ilha Maurício. No dia 6 de Junho, o céu estava limpo, mas como ainda se encontrava no mar, não conseguiu fazer observações astronómicas detalhadas devido à ondulação. Após ter vindo tão longe, pensou que mais valia esperar pelo próximo trânsito de Vénus, que teria lugar daqui a 8 anos. Passou algum tempo a mapear a costa de Madagáscar, e decidiu registar o trânsito de 1769 a partir de Manila, nas Filipinas. Encontrando hostilidades das autoridades espanholas, regressou a Pondicherry, que havia voltado para domínio francês em 1763. Chegou lá em Março de 1768. Construiu um pequeno observatório e esperou pacientemente. Finalmente, o dia em questão (4 de Junho de 1769) chegou, mas embora as previsões meteorológicas fossem boas, o céu esteve nublado, e Le Gentil não conseguiu observar o evento. Este azar quase que o levou à beira da insanidade, mas recuperou forças e decidiu regressar a França. Teve que atrasar a viagem de volta porque contraíu disenteria. Além do mais, o seu navio foi apanhado numa tempestade e teve que ser deixado na ilha de Reunião, onde esperou até que um navio espanhol o levasse para casa. Quando chegou finalmente a Paris em Outubro de 1771, tendo estado ausente durante 11 anos, descobriu que tinha sido declarado legalmente morto e que tinha sido substituído na Academia Real de Ciências. A sua mulher tinha casado novamente e os seus familiares tinham-se "apoderado entusiasticamente dos seus bens". Uma longa litigação e a intervenção do rei ajudaram à normalização das coisas. Recuperou a sua posição na academia e casou novamente. Mas como resultado deste episódio, renunciou a astronomia e dedicou-se a escrever as suas memórias.

 
 

Nas últimas duas semanas, temos encontrado dificuldades no envio do Astroboletim, pelo que pedimos imensas desculpas pelo ocorrido.

Neste espaço de tempo, foram criadas duas edições, que não chegaram ser distribuídas via e-mail. No entanto, estas edições encontram-se disponíveis para consulta no Arquivo:

O conteúdo noticioso encontra-se também, como sempre, disponível na página do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.

 
HUBBLE DESCOBRE SINAIS SUBTIS DE ÁGUA EM MUNDOS NUBLADOS

Usando o poderoso olho do Telescópio Espacial Hubble, duas equipas de cientistas descobriram assinaturas fracas de água nas atmosferas de cinco planetas distantes.

A presença de água na atmosfera foi já anunciada em vários exoplanetas que orbitam estrelas para lá do nosso Sistema Solar, mas este é o primeiro estudo a medir de forma conclusiva e a comparar os perfis e intensidades destas assinaturas em vários mundos.

Os cinco planetas extra-solares - WASP-17b, HD209458b, WASP-12b, WASP-19b e XO-1b - orbitam estrelas próximas. As forças das suas assinaturas de água varia. WASP-17b, um planeta com uma atmosfera especialmente "inchada", e HD209458b, são os planetas com os sinais mais fortes. As assinaturas dos outros três planetas, WASP-12b, WASP-19b e XO-1b, também são consistentes com água.

Cientistas da NASA descobriram fracas assinaturas de água nas atmosferas de cinco planetas distantes em órbita de três estrelas diferentes. Todos os cinco planetas parecem ter neblina. Esta ilustração mostra uma estrela iluminando a atmosfera de um planeta.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Estamos muito confiantes que estamos a ver a assinatura da água em vários planetas," afirma Avi Mandell, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano do Maryland, e autor principal de um estudo publicado dia 3 de Dezembro na revista Astrophysical Journal, onde descreve as descobertas em WASP-12b, WASP-17b e WASP-19b. "Este trabalho abre realmente as portas para comparar a quantidade de água presente nas atmosferas de diferentes tipos de exoplanetas, por exemplo em planetas mais quentes contra planetas mais frios."

Os estudos fazem parte de um censo de atmosferas exoplanetárias liderado por L. Drake Deming da Universidade de Maryland em College Park. Ambas as equipas usaram o WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble para explorar os detalhes da absorção de luz através das atmosferas dos planetas. As observações foram feitas numa gama de comprimentos de onda de infravermelhos onde a assinatura da água, se estiver presente, apareceria. As equipas compararam as formas e intensidades dos perfis de absorção, e a consistência das assinaturas deu-lhes confiança para tirarem estas conclusões. As observações demonstram o desempenho exemplar e contínuo do Hubble na pesquisa exoplanetária.

"Detectar a atmosfera de um exoplaneta é extraordinariamente difícil. Mas fomos capazes de obter um sinal muito claro, e é água," afirma Deming, cuja equipa anunciou os seus resultados para HD209458b e XO-1b num artigo publicado a 10 de Setembro na mesma revista. A equipa de Deming usou uma nova técnica com tempos de exposição maiores, o que aumentou a sensibilidade das suas medições.

Os sinais de água foram todos menos pronunciados do que o esperado, e os cientistas suspeitam que é por causa de uma camada de neblina ou poeira em cada dos cinco planetas. Esta neblina pode reduzir a intensidade de todos os sinais da atmosfera do mesmo modo que o nevoeiro torna as cores numa fotografia menos pronunciadas. Ao mesmo tempo, a neblina altera os perfis dos sinais de água e de outras moléculas importantes de uma maneira distinta.

Para determinar o que está na atmosfera de um exoplaneta, os astrónomos observam o planeta passar em frente da estrela-mãe e registam os comprimentos de onda transmitidos e partcialmente absorvidos.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cinco planetas são Júpiteres quentes, mundos massivos que orbitam muito perto das suas estrelas hospedeiras. Os investigadores ficaram inicialmente surpresos que todos os cinco pareciam ser enevoados. Mas Deming e Mandell realçam que outros cientistas estão a encontrar evidências de neblina em torno de exoplanetas.

"Estes estudos, combinados com outras observações do Hubble, estão mostrando-nos que há um número surpreendentemente grande de sistemas para os quais o sinal de água ou é atenuado ou completamente ausente," afirma Heather Knutson do Instituto de Tecnologia da Califórnia, co-autora no artigo de Deming. "Isto sugere que as atmosferas nubladas ou com neblina podem de facto ser comuns em Júpiteres quentes."

O instrumento WFC3 do Hubble é um dos poucos capazes de espiar as atmosferas de exoplanetas a muitos biliões de quilómetros de distância. Estes estudos excepcionalmente desafiantes podem ser feitos apenas se os planetas são avistados enquanto passam em frente das suas estrelas. Os investigadores podem identificar os gases na atmosfera de um planeta ao determinar quais os comprimentos de onda que a luz estelar transmite e quais são parcialmente absorvidos.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico - 2 (formato PDF)
NASA (via YouTube)
SPACE.com
Space Daily
Astronomy
PHYSORG
redOrbit
Universe Today
National Geographic
Discovery News
UPI
AstroPT
Público
Expresso

WASP-17b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

HD209458b:
18/04/2007 - Primeiro sinal de água detectado num planeta extrasolar (CCVAlg)
23/10/2009 - Astrónomos fazem-no outra vez: descobrem moléculas orgânicas em "Júpiter-quente" extrasolar (CCVAlg)
Wikipedia
Exoplanet.eu

WASP-12b:
21/05/2010 - Hubble descobre uma estrela a comer um planeta (CCVAlg)
10/12/2010 - Astrónomos detectam primeiro exoplaneta rico em carbono (CCVAlg)
Wikipedia
Exoplanet.eu

WASP-19b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

XO-1b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

 
GLIESE 581G: PLANETA POTENCIALMENTE HABITÁVEL - SE EXISTIR

Gliese 581g é um candidato a planeta extra-solar, dentro de um sistema a apenas 20 anos-luz da Terra. Anunciado pela primeira vez em 2010 como um planeta com uma massa três a quatro vezes a da Terra na zona habitável da sua estrela-mãe, o exoplaneta tem estado sob escrutínio à medida que outras equipas de pesquisa lançam dúvidas sobre a sua existência.

Steven Vogt do Observatório UCO/Lick da Universidade da Califórnia liderou a equipa de astrónomos que viu pela primeira vez o planeta em 2010. No entanto, poucos meses depois, Michel Mayor do Observatório de Genebra na Suíça, dirigiu um outro grupo que não foi capaz de encontrar evidências do planeta. Dois estudos de acompanhamento chegaram a conclusões semelhantes.

Em 2012, o grupo de Vogt publicou outro artigo defendendo os seus resultados e lançando dúvidas sobre os métodos da equipa suíça.

Os resultados da descoberta de 2010 mostravam um planeta em órbita da anã vermelha Gliese 581 a uma distância de 0,15 UA. Embora à primeira vista isto possa não soar como uma distância habitável, uma vez que o planeta está muito mais perto da sua estrela do que a Terra está do Sol, a anã vermelha produz muito menos energia que o Sol. Isto significa que os planetas têm que orbitar muito mais perto a fim de caírem dentro do intervalo de habitabilidade.

É importante realçar que a habitabilidade depende de uma série de factores, que incluem a quantidade de variação da luz da estrela, as condições da atmosfera do planeta e, possivelmente, processos geológicos no planeta propriamente dito (como placas tectónicas). Mesmo assim, a distância do planeta à estrela é um dos passos para reduzir a lista de candidatos a planetas habitáveis.

Gliese 581g é na realidade um entre seis planetas possíveis neste sistema. O planeta irmão 581f foi anunciado na mesma altura. Está a mais ou menos 0,76 UA da estrela, na periferia do sistema planetário da estrela.

A zona habitável de Gliese 581 em comparação com a zona habitável do nosso Sistema Solar.
Crédito: ESO; Wikipedia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os outros planetas possíveis incluem Gliese 581e (que completa uma órbita a cada 3,15 dias), Gliese 581b, com o tamanho de Neptuno, e as super-Terras Gliese 581c e Gliese 581d. Alguns astrónomos acreditam ser possível que, mesmo que Gliese 581d esteja situado no limite da zona habitável, possa também ser habitável caso um efeito de estufa aqueça a sua superfície.

Gliese 581g e o irmão 581f foram pela primeira revelados ao mundo a 29 de Setembro de 2010. A equipa de Vogt detectou os planetas usando o método de "velocidade radial" que examina mudanças no movimento da estrela, provocadas pelo movimento orbital de um planeta. Os dados foram recolhidos por dois instrumentos: o espectrógrafo HARPS acoplado a um telescópio no Chile, e o espectrógrafo HIRES acoplado no telescópio havaiano Keck.

No entanto, naquele mês de Outubro, uma equipa de Genebra apresentou numa assembleia da União Astronómica Internacional mais dados obtidos pelo HARPS. Foram capazes de detectar quatro dos outros planetas mas, segundo eles, a informação não mostrava Gliese 581g.

"A razão para tal é que, apesar da extrema precisão do instrumento e dos muitos pontos de dados, a amplitude do sinal deste potencial quinto planeta é muito baixa e basicamente ao nível do ruído de medição," afirma Francesco Pepe, astrónomo que trabalha com dados do HARPS no Observatório de Genebra.

Os estudos de acompanhamento também não encontraram 581g. Em 2010, um grupo liderado por Rene Andrae do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha, relatou que o grupo de Vogt tinha baseado os seus achados na suposição que os planetas tinham órbitas circulares, uma conclusão que, segundo a equipa alemã, estava incorrecta.

As órbitas planetárias do sistema Gliese 581, comparadas com os planetas do nosso Sistema Solar ("g" designa Gliese 581g).
Crédito: NSF, Zina Deretsky, Wikipedia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em 2011, foi publicado um artigo na MNRAS (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society) que usou um diferente método estatístico para interpretar os dados do HARPS e do HIRES. Este grupo, liderado por Philip Gregory da Universidade da Columbia Britânica, também não conseguiu encontrar um sinal que indicasse a existência de Gliese 581g.

Em 2012, no entanto, os descobridores de 581g publicaram um novo estudo com base em dados expandidos da equipa suíça que colocava em questão o seu planeta. Os seus resultados indicavam que 581g existia de facto (581f não aparecia nos dados, mas a equipa disse que usou apenas os do HARPS e que iriam voltar a analisar o assunto mais tarde). Os dados coincidiam desde que os astrónomos assumissem órbitas circulares.

"Eu acredito que a solução de órbitas circulares é a mais defensável e credível" realça Vogt. "Por todas as razões que explicam em detalhe [no artigo], ganha por conta da estabilidade dinâmica, por ajuste, e pelo princípio da Parcimónia (Navalha de Occam)."

Vogt também aponta que o artigo da equipa suíça, até finais de 2012, não tinha sido aceite para publicação (no final de 2013, a listagem no site arXiv diz que foi submetido para publicação na revista Astronomy & Astrophysics). Ele disse que a sua própria equipa foi incapaz de chegar às mesmas conclusões que a equipa suíça a menos que removessem alguns pontos de dados.

"Eu não sei se essa omissão foi intencional ou um erro," afirma. "Só posso dizer que, se é um erro, têm-no feito várias vezes, não só neste trabalho, como também noutros."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/07/2012 - Será Gliese 581g verdadeiramente o "primeiro planeta extrasolar potencialmente habitável"?
21/12/2010 - Mundo extraterrestre pode estar mesmo em zona habitável
01/10/2010 - Recém-descoberto exoplaneta pode ser o primeiro realmente habitável
21/10/2009 - 32 novos exoplanetas encontrados
22/04/2009 - Descoberto o planeta extrasolar mais leve (e pequeno) até agora
20/06/2007 - Destruídas hipóteses de vida em planeta distante
13/06/2007 - "Gotas" de descobertas planetárias tornam-se uma "inundação"

Notícias relacionadas:
Artigo da equipa suíça (formato PDF)
Artigo da equipa de Vogt de 2012 (formato PDF)
SPACE.com

Gliese 581:
Wikipedia
Exoplanet.eu
Gliese 581b (Wikipedia)
Gliese 581c (Wikipedia)
Gliese 581d (Wikipedia)
Gliese 581e (Wikipedia)
Gliese 581f (Wikipedia)
Gliese 581g (Wikipedia)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa Planetária Abell 7
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Don Goldman
 
A muito ténue nebulosa planetária Abell 7 encontra-se a cerca de 1800 anos-luz de distância, mesmo para Sul de Orionte nos céus do planeta Terra e na direcção da constelação de Lebre. Cercada por estrelas da Via Láctea e perto da linha de visão de distantes galáxias de fundo, a sua forma esférica geralmente simples, com aproximadamente 8 anos-luz de diâmetro, é traçada nesta imagem de céu profundo. Dentro dos seus limites encontram-se detalhes lindos e mais complexos, realçados pelo uso de filtros de banda estreita. A emissão do hidrogénio e nitrogénio é aqui vista em tons avermelhados com a emissão do oxigénio ajustada para um tom azul-esverdeado, dando a Abell 7 uma aparência mais natural, que de outra forma seria demasiado fraca para ser apreciada a olho nu. As nebulosas planetárias representam uma fase final muito breve na evolução estelar que o nosso próprio Sol vai sentir daqui a 5 mil milhões de anos, à medida que a estrela central da nebulosa, tipo-Sol, liberta as suas camadas exteriores. Abell 7 tem uma idade estimada em 20.000 anos. A sua estrela central é vista aqui como uma fraca anã branca com 10 mil milhões de anos.
 

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