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Edição n.º 1288
12/07 a 14/07/2016
 
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29/07/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
21:00 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 12/07: 194.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.

Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 01:52.
Assim que anoiteça, olhe apenas 0,5º para norte de Júpiter em busca da estrela de 4.ª magnitude Sigma Leonis. Estão hoje muito próximos um do outro (da perspetiva do céu da Terra).

Dia 13/07: 195.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da Luna 15, que colidiu com a Lua no dia 21 de julho do mesmo ano.

Observações: A Ursa Maior, alta a noroeste após o anoitecer, vira-se agora como que para "apanhar água" durante as noites de verão e início de outono.

Dia 14/07: 196.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, era realizado o primeiro voo rasante por Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4. Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa. No mesmo ano, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Em 2015, a primeira visita a Plutão e às suas luas.

A New Horizons, uma missão da NASA lançada a 19 de janeiro de 2006, passa a 12.500 km de Plutão e a 28.800 km da sua lua Caronte.
Observações: A Lua, no seu ciclo mensal em redor do céu, forma mais uma vez um rectângulo com Marte, Saturno e Antares. Marte brilha para baixo da Lua após o lusco-fusco, Saturno está para a esquerda da Lua e para baixo do "Senhor dos Anéis" encontra-se Antares.

 
CURIOSIDADES


O código usado pelas missões Apollo à Lua está disponível para consulta no site GitHub.

 
DESCOBERTO NOVO PLANETA ANÃO PARA LÁ DE NEPTUNO

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um novo planeta anão em órbita no disco de pequenos mundos gelados para lá de Neptuno. O novo objeto mede aproximadamente 700 km em diâmetro e tem uma das maiores órbitas para um planeta anão. Designado 2015 RR245 pelo Centro de Planetas Menores da UAI (União Astronómica Internacional), foi descoberto com o Telescópio do Canadá-França-Hawaii em Mauna Kea, Hawaii, como parte do levantamento OSSOS (Outer Solar System Origins Survey).

"Os mundos gelados para lá de Neptuno esboçam como os planetas gigantes se formaram e se moveram para longe do Sol. Permitem-nos desvendar a história do nosso Sistema Solar. Mas quase todos estes mundos gelados são dolorosamente pequenos e ténues: é realmente emocionante encontrar um grande e brilhante o suficiente para o podermos estudar em detalhe," comenta a Dra. Michele Bannister da Universidade de Victoria, na Columbia Britânica, pós-doutorada que pertence ao levantamento OSSOS.

JJ Kavelaars, do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, avistou RR245 pela primeira vez em fevereiro de 2016 em imagens do levantamento OSSOS obtidas em setembro de 2015. "Lá estava no ecrã - este pequeno ponto de luz que se movia tão lentamente que tinha que estar, pelo menos, ao dobro da distância que Neptuno está do Sol," afirma Bannister.

Renderização da órbita de RR245 (linha amarela). Os objetos de brilho idêntico ou superior estão legendados. O Centro de Planetas Menores descreve o objeto como o 18.º maior objeto da Cintura de Kuiper.
Crédito: Alex Parker, equipa OSSOS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa ficou ainda mais animada quando eles perceberam que a órbita do objeto o leva para mais de 120 vezes a distância entre a Terra e o Sol. O tamanho de RR245 não é ainda conhecido com exatidão, pois as suas propriedades de superfície precisam de ser medidas com maior precisão. "Ou é muito pequeno e brilhante, ou grande e sem brilho."

A vasta maioria dos planetas anões como RR245 ou foi destruída ou expulsa do Sistema Solar no caos que se seguiu quando os planetas gigantes se moveram para longe do Sol até às suas posições atuais: RR245 é um dos poucos planetas anões que sobreviveu até ao dia presente - juntamente com Plutão e Éris, o maior dos planetas anões conhecidos. RR245 orbita agora o Sol entre a população remanescente de centenas de milhares de objetos trans-neptunianos muito mais pequenos, cuja órbita da sua maioria é invisível.

Mundos que giram tão longe do Sol têm geologia exótica com paisagens feitas de diversos materiais gelados, como a passagem recente da sonda New Horizons por Plutão revelou.

Depois de centenas de anos a mais de 12 mil milhões de quilómetros (80 UA) do Sol, RR245 viaja em direção ao seu periélio (posição orbital mais próxima do Sol) a 5 mil milhões de quilómetros (34 UA), onde chegará por volta de 2096. RR245 está numa órbita altamente elíptica há pelo menos 100 milhões de anos.

Imagens da descoberta de RR245. As imagens mostram o lento movimento de RR245 ao longo de três horas.
Crédito: equipa OSSOS
 

Dado que RR245 só é observado há quase um ano, entre os 700 que leva para completar uma volta em torno do Sol, não sabemos a sua origem e como é que a sua órbita vai evoluir no futuro distante; a sua órbita precisa será refinada ao longo dos próximos anos e só nessa altura receberá um nome oficial. Como descobridores, a equipa OSSOS pode submeter o seu nome preferido para RR245 à UAI, que o tomará para consideração.

"O OSSOS foi desenhado para mapear a estrutura orbital do Sistema Solar exterior a fim de decifrar a sua história," explica o professor Brett Gladman da Universidade de Columbia Britânica em Vancouver. "Embora não tenha sido concebido para detetar de forma eficiente planetas anões, estamos muito satisfeitos por ter encontrado um numa órbita tão interessante."

RR245 é a maior descoberta e o único planeta anão encontrado pelo levantamento OSSOS, que até agora detetou mais de cinco centenas de novos objetos trans-neptunianos. "O OSSOS só é possível graças às excecionais capacidades de observação do Telescópio do Canadá-França-Hawaii. O CFHT está localizado num dos melhores locais de observação ótica da Terra, está equipado com uma grande câmara de campo-largo e pode adaptar-se rapidamente a cada noite às novas descobertas que fazemos. Esta instalação é verdadeiramente líder mundial," comenta Gladman.

Os levantamentos anteriores mapearam quase todos os planetas anões mais brilhantes. 2015 RR245 pode muito bem ser um dos últimos grandes mundos para lá de Neptuno até que telescópios maiores, como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope), entrem em operação em meados da década de 2020.

Links:

Notícias relacionadas:
CFHT (comunicado de imprensa)
Anúncio eletrónico da descoberta - UAI
Astronomy
SPACE.com
EarthSky
COSMOS
Science alert
Universe Today
spaceref
The Verge
UPI
Gizmodo
Popular Mechanics

2015 RR245:
Centro de Planetas Menores da UAI
Wikipedia

Levantamento OSSOS:
Página principal

Observatório do Canadá-França-Hawaii (CFHT):
Página oficial
Wikipedia

LSST:
Página oficial
Wikipedia

 
DAWN MAPEIA CRATERAS EM CERES ONDE O GELO PODE ACUMULAR-SE

Cientistas da missão Dawn da NASA identificaram regiões permanentemente à sombra no planeta anão Ceres. A maioria destas áreas são provavelmente frias o suficiente para reter água gelada durante mil milhões de anos, sugerindo que os depósitos de gelo podem lá existir agora.

"As condições em Ceres são as ideais para a acumulação de depósitos de água gelada," afirma Norbert Schorghofer, investigador convidado da Dawn e da Universidade do Hawaii em Manoa, EUA. "Ceres tem massa suficiente para segurar moléculas de água, e as regiões permanentemente à sombra que identificámos são extremamente frias - mais frias do que a maioria das regiões idênticas que existem na Lua e em Mercúrio."

As regiões permanentemente à sombra não recebem luz solar direta. Estão normalmente localizadas no chão de crateras ou ao longo de secções das paredes viradas para o polo. As regiões ainda recebem luz solar indireta, mas caso a temperatura fique abaixo dos -151º C, a área permanentemente à sombra é uma armadilha fria - um bom local para a água gelada se acumular e permanecer estável. As armadilhas frias já tinham sido previstas em Ceres, mas só foram identificadas agora.

Nos polos de Ceres, cientistas descobriram crateras que estão permanentemente à sombra (zonas azuis). Estas crateras têm o nome "armadilhas frias" caso tenham temperaturas inferiores a -151º C.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Neste estudo, Schorghofer e colegas estudaram o hemisfério norte de Ceres, melhor iluminado que o hemisfério sul. As imagens das câmaras da Dawn foram combinadas para produzir a forma do planeta anão, mostrando crateras, planícies e outras características em três dimensões. Usando estes dados, um modelo sofisticado de computador desenvolvido no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado americano de Maryland, determinou as áreas que recebem luz solar direta, a quantidade de radiação solar que atinge a superfície e como as condições mudam ao longo do ano de Ceres.

Os investigadores encontraram dúzias de regiões permanentemente à sombra em todo o hemisfério norte. A maior região encontra-se dentro de uma cratera com 16 km de diâmetro localizada a menos de 65 km do polo norte.

Como um todo, as regiões permanentemente à sombra de Ceres ocupam cerca de 1800 quilómetros quadrados. É apenas uma pequena fração do planeta anão - muito menos do que 1% da superfície do hemisfério norte.

A equipa espera que estas regiões em Ceres sejam mais frias do que aquelas em Mercúrio ou na Lua. Isto porque Ceres está muito longe do Sol, e as áreas nas crateras à sombra recebem muito pouca radiação indireta.

"Em Ceres, estas regiões agem como armadilhas frias até latitudes relativamente baixas," explica Erwan Mazarico, investigador convidado da Dawn em Goddard. "Na Lua e em Mercúrio, só as regiões permanentemente à sombra muito perto dos polos ficam frias o suficiente para o gelo ser estável à superfície."

A situação em Ceres é mais semelhante à de Mercúrio do que à da Lua. Em Mercúrio, as regiões à sombra correspondem a mais ou menos à mesma fração do hemisfério norte. A eficiência de armadilhas - a capacidade para acumular água gelada - é também comparável.

Pelos cálculos da equipa, cerca de 1 em cada 1000 moléculas de água geradas à superfície de Ceres acaba em armadilhas frias durante o ano de Ceres (1682 dias terrestres). Isso é suficiente para construir depósitos de água, finos, mas detetáveis, ao longo de 100.000 anos ou mais.

"Enquanto as armadilhas frias podem fornecer depósitos de água gelada à superfície como as observadas na Lua e em Mercúrio, Ceres pode ter sido formado com um relativamente maior reservatório de água," acrescenta Chris Russell, investigador principal da missão Dawn, com base na Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA. "Algumas observações indicam que Ceres pode ser um mundo rico em voláteis que não é dependente de outras fontes externas no dia-a-dia."

Os resultados estão disponíveis online na revista Geophysical Research Letters.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Geophysical Research Letters
Sombras permanentes em Ceres (NASA via YouTube)
Astronomy
SPACE.com
redOrbit
PHYSORG
Astronomy Now
(e) Science News

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Galáxia "Frankenstein" surpreende astrónomos (via NASA)
A cerca de 250 milhões de anos-luz de distância, existe uma zona do Universo que os astrónomos consideravam calma e normal. Mas agora, cientistas descobriram uma galáxia enorme, possivelmente formada a partir de partes de outras galáxias. Ler fonte
     
  Noites frias durante todo o ano marciano podem levantar poeira (via NASA)
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - O Núcleo Rodopiante da Nebulosa do Caranguejo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA - Reconhecimento: J. Hester (ASU), M. Weisskopf (NASA / GSFC)
 
No centro da Nebulosa do Caranguejo está uma estrela de neutrões magnetizada, do tamanho de uma cidade, que gira 30 vezes por segundo. Conhecida como Pulsar do Caranguejo, é na realidade a mais à direita de duas estrelas brilhantes, mesmo por baixo de um redemoinho central nesta impressionante imagem captada pelo Hubble. Abrangendo cerca de 3 anos-luz de diâmetro, esta espetacular fotografia mostra gás brilhante, cavidades e filamentos entrelaçados banhados numa estranha luz azul. O tom azul é radiação visível emitida por eletrões que espiralam num forte campo magnético quase à velocidade da luz. Como um dínamo cósmico, o pulsar alimenta a emissão da nebulosa, dirigindo uma onda de choque através do material circundante e acelerando os eletrões em espiral. Com mais massa do que o Sol e a densidade de um núcleo atómico, o pulsar é o núcleo colapsado de uma estrela gigante que explodiu. A Nebulosa do Caranguejo é o remanescente em expansão das camadas exteriores da estrela. A explosão de supernova foi testemunhada cá no planeta Terra no ano 1054.
 

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