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Edição n.º 1424
31/10 a 02/11/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 31/10: 304.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1992, o Vaticano (Papa João Paulo II) anuncia que a Igreja Católica errou em condenar Galileu, que afirmava que a Terra não era o centro do Universo.
Em 2000, lançamento da Soyuz TM-31, transportando a primeira tripulação residente da Estação Espacial Internacional. A ISS permanece tripulada continuamente desde aí.

Em 2014, durante um voo de testes da VSS Enterprise, um veículo espacial da Virgin Galactic fragmenta-se catastroficamente e despenha-se no Deserto do Mojave, Califórnia.
Observações: Nesta Noite das Bruxas, a Lua brilha a sul-sudeste. Encontra-se para baixo e para a direita do Grande Quadrado de Pégaso ao anoitecer, e diretamente por baixo com o passar da noite. O Grande Quadrado mede cerca de 15º de lado, um pouco maior do que um punho à distância do braço esticado.

Dia 01/11: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de março de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico.

Foi o maior radiotelescópio já construído até julho de 2016, quando o chinês FAST tomou o seu lugar.
Observações: A Lua está para baixo do Grande Quadrado de Pégaso. Procure as três estrelas da constelação de Carneiro, quase alinhadas na horizontal, cerca de 3 punhos à distância do braço esticado para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 02/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelasenxames e do centro da Via Láctea

Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante a oeste nestas noites de novembro. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a esquerda, apontando na direção de Altair, a estrela mais brilhante a sudoeste.
Três das estrelas principais de Lira, depois de Vega, são binários interessantes. Mesmo por cima de Vega está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, o "Duplo-Duplo". Epsilon forma um canto de um triângulo aproximadamente equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, quase a largura do polegar à distância do braço esticado. Cabe facilmente no campo de visão de uns binóculos.
Os binóculos também resolvem facilmente Epsilon. E um telescópio a partir de 4 polegadas e ampliação de 100x mostra que cada ponto brilhante é na realidade dois.
Zeta Lyrae é também um binário binocular; mais difícil, mas facilmente observável com telescópio.
Delta Lyrae, para cima e para a esquerda de Zeta, é um par muito mais largo e fácil.

 
CURIOSIDADES


Das 50 estrelas mais próximas (até 17 anos-luz da Terra), o Sol é a quarta com maior massa.

 
PEQUENO ASTEROIDE OU COMETA ESTÁ APENAS DE "VISITA" AO SISTEMA SOLAR
Esta animação mostra o percurso de A72017 U1, um asteroide - quiçá um cometa - enquanto passava pelo nosso Sistema Solar interior em setembro e outubro de 2017. A partir da análise do seu movimento, os cientistas calculam que tem provavelmente uma origem extrassolar, ou seja, exterior ao Sistema Solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um pequeno asteroide recentemente descoberto - ou talvez um cometa - parece ter origens extrassolares, ou seja, veio de outro lugar na nossa Galáxia. Se assim for, seria o primeiro "objeto interestelar" observado e confirmado pelos astrónomos.

Este objeto invulgar - por agora designado A/2017 U1 - tem menos de 400 metros em diâmetro e move-se incrivelmente depressa. Os astrónomos estão trabalhando urgentemente para apontar telescópios de todo o mundo e no espaço. Assim que estes dados sejam obtidos e combinados, os astrónomos podem saber mais sobre a origem e possivelmente sobre a composição do objeto.

A/2017 U1 foi descoberto no dia 19 de outubro pelo telescópio Pan-STARRS 1 da Universidade do Hawaii, em Haleakala, durante o curso da sua observação noturna por objetos próximos da Terra para a NASA. Rob Weryk, investigador pós-doutorado do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii, foi o primeiro a identificar o objeto em movimento e a submetê-lo ao Centro de Planetas Menores. Weryk subsequentemente vasculhou o arquivo de imagens Pan-STARRS e descobriu que também estava em imagens obtidas na noite anterior, mas não tinha sido inicialmente identificado pelo processamento de objeto em movimento.

Weryk imediatamente percebeu que este era um objeto invulgar. "O seu movimento não podia ser explicado usando uma órbita de asteroide ou cometa normal do Sistema Solar," realça. Weryk contactou o estudante Marco Micheli, que chegou à mesma conclusão usando as suas próprias imagens de acompanhamento obtidas pelo telescópio da ESA em Tenerife, Ilhas Canárias. Mas com os dados combinados, tudo fazia sentido. Weryk disse: "Este objeto veio de fora do nosso Sistema Solar."

"Esta é a órbita mais extrema que já vi," comenta Davide Farnocchia, cientista do CNEOS (Center for Near-Earth Object Studies) do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Está a mover-se extremamente depressa e numa trajetória tão invulgar que podemos dizer com confiança que este objeto está de saída do Sistema Solar e já não volta."

A equipa do CNEOS traçou a atual trajetória do objeto e até analisou o seu futuro. A/2017 U1 surgiu da direção da constelação de Lira, viajando através do espaço interestelar a uns velozes 25,5 km/s.

A/2017 U1 tem muito provavelmente uma origem interestelar. Aproximando-se de cima, passou pelo Sol no dia 9 de setembro. Viajando a 44 km/s, o cometa está agora a afastar-se da Terra e do Sol, de saída do Sistema Solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O objeto aproximou-se do nosso Sistema Solar quase diretamente "acima" da eclíptica, o plano aproximado no espaço onde os planetas e a maioria dos asteroides orbitam o Sol, de modo que não teve encontros próximos com os oito planetas principais durante o seu mergulho em direção ao Sol. No dia 2 de setembro, o pequeno corpo cruzou o plano da eclíptica apenas dentro da órbita de Mercúrio e fez a sua aproximação máxima ao Sol no dia 9 do mesmo mês. Puxado pela gravidade do Sol, o objeto fez uma curva apertada do nosso Sistema Solar, passando por baixo da órbita da Terra no dia 14 de outubro a uma distância de aproximadamente 24 milhões de quilómetros - cerca de 60 vezes a distância à Lua. Atualmente, já passou novamente para cima do plano dos planetas e, viajando a 44 km/s em relação ao Sol, o objeto está a acelerar na direção da constelação de Pégaso.

"Percebemos há muito que estes objetos deviam existir, porque durante o processo de formação planetária muitos materiais devem ser expelidos dos sistemas planetários. O que é mais surpreendente é que nunca tínhamos visto objetos interestelares a passar por cá," comenta Karen Mecch, astrónoma do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii, especialista em corpos pequenos e na sua relação com a formação do Sistema Solar.

O pequeno objeto recebeu a designação temporária A/2017 U1 pelo Centro de Planetas Menores em Cambridge, Massachusetts, EUA, onde todas as observações de pequenos corpos no nosso Sistema Solar - e agora aqueles que estão só de passagem - são recolhidas. Matt Holman, diretor do Centro, comenta: "este tipo de descoberta demonstra o grande valor científico dos levantamentos contínuos de campo-largo do céu, juntamente com observações intensivas de acompanhamento, para encontrar coisas que de outra forma não conheceríamos."

Tendo em conta que este é o primeiro objeto encontrado do seu tipo, as regras de nomenclatura têm ainda que ser estabelecidas pela União Astronómica Internacional.

"Esperamos por este dia há décadas," comenta Paul Chodas, gestor do CNEOS. "Há muito tempo que teorizamos acerca da existência destes objetos - asteroides ou cometas que movem entre as estrelas e ocasionalmente passam pelo nosso Sistema Solar - mas esta é a primeira dessas deteções. Até agora, tudo indica que este é provavelmente um objeto interestelar, mas mais dados podem ajudar à sua confirmação."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
Queen's University Belfast (comunicado de imprensa)
Science
Sky & Telescope
SPACE.com
Science alert
Discover
PHYSORG
BBC
Forbes

A/2017 U1:
JPL/NASA
Wikipedia

Cometa interestelar:
Wikipedia

 
DAWN ENCONTRA POSSÍVEIS RESTOS DE UM ANTIGO OCEANO EM CERES
Esta animação mostra o planeta anão Ceres, visto pela sonda Dawn da NASA. O mapa sobreposto à direita dá aos cientistas pistas sobre a estrutura interna de Ceres, graças a medições de gravidade.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ceres está repleto de minerais que contêm água, sugerindo que o planeta anão poderá ter tido um oceano global no passado. O que aconteceu a esse oceano? Será que Ceres ainda tem água líquida hoje? Dois novos estudos da missão Dawn da NASA lançaram luz sobre estas questões.

A equipa da Dawn descobriu que a crosta de Ceres é uma mistura de gelo, sais e materiais hidratados que foram submetidos a atividades geológicas passadas e possivelmente recentes, e que essa crosta representa a maior parte desse antigo oceano. O segundo estudo baseia-se no primeiro e sugere que existe uma camada mais macia e facilmente deformável sob a crosta da superfície rígida de Ceres, que também pode ser a assinatura do líquido residual do oceano.

"Mais e mais, estamos a aprender que Ceres é um mundo dinâmico e complexo que pode ter hospedado muita água líquida no passado, e ainda pode ter alguma água subterrânea," comenta Julie Castillo-Rogez, cientista do projeto Dawn e coautora dos estudos, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Como é o interior de Ceres? A gravidade pode-nos dizer

Aterrar em Ceres para investigar o seu interior seria um desafio técnico e arriscaria contaminar o planeta anão. Em vez disso, os cientistas usam as observações orbitais da Dawn para medir a gravidade de Ceres, a fim de estimar a sua composição e estrutura interior.

O primeiro dos dois estudos, liderado por Anton Ermakov, investigador pós-doutorado no JPL, usou medições da forma e dados de gravidade da missão Dawn para determinar a estrutura interna e composição de Ceres. As medições foram obtidas pela observação dos movimentos da nave com a DSN (Deep Space Network) da NASA para rastrear pequenas mudanças na órbita da sonda. Este estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

A investigação de Ermakov e colegas apoia a possibilidade de que Ceres é geologicamente ativo - se não atualmente, então talvez tenha sido no passado recente. Três crateras - Occator, Kerwan e Yalod - e a solitária montanha de Ceres, Ahuna Mons, estão associadas com "anomalias gravitacionais". Isto significa que as discrepâncias entre os modelos da gravidade de Ceres feitos pelos cientistas e o que a Dawn observou nestes quatro locais podem ser associadas com estruturas subterrâneas.

"Ceres tem uma abundância de anomalias gravitacionais associadas com características geológicas excecionais," comenta Ermakov. Nos casos de Ahuna Mons e Occator, as anomalias podem ser usadas para melhor entender a origem destas características, que se pensa serem expressões diferentes de criovulcanismo.

O estudo descobriu que a densidade da crosta é relativamente baixa, mais próxima da do gelo do que das rochas. No entanto, um estudo pelo investigador convidado da Dawn, Michael Bland do USGS (U.S. Geological Survey), indicou que o gelo é demasiado suave para ser o componente dominante da crosta forte de Ceres. Então, como pode a crosta de Ceres ser tão leve quanto o gelo em termos de densidade, mas simultaneamente muito mais forte? Para responder a esta questão, outra equipa modelou como a superfície de Ceres evoluiu com o tempo.

Um Oceano "Fóssil" em Ceres

O segundo estudo, liderado por Roger Fu da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, investigou a força e composição da crosta de Ceres e o interior mais profundo ao estudar a topografia do planeta anão. Este estudo foi publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

Ao estudar como a topografia evoluiu num corpo planetário, os cientistas podem entender a composição do seu interior. Uma crosta forte e dominada por rocha pode permanecer inalterada ao longo dos 4,5 mil milhões de anos do Sistema Solar, enquanto uma crosta fraca, rica em gelos e sais, deformar-se-ia ao longo desse período.

Ao modelar a forma como a crosta de Ceres flui, Fu e colegas descobriram que é provavelmente uma mistura de gelo, sais, rocha e um componente adicional que se pensa ser hidrato de clatrato. Um hidrato de clatrato é uma "jaula" de moléculas de água que rodeiam uma molécula de gás. Esta estrutura é 100 a 1000 vezes mais forte do que a água gelada, apesar de ter quase a mesma densidade.

Os cientistas pensam que Ceres já teve características de superfície mais pronunciadas, mas que suavizaram com o passar do tempo. Este tipo de achatamento de montanhas e vales requer uma crosta de alta resistência descansando por cima de uma camada mais deformável, que Fu e colegas interpretam conter um pouco de líquido.

A equipa pensa que a maior parte do oceano antigo de Ceres está agora congelado e preso na crosta sob a forma de gelo, hidratos de clatrato e sais. Assim permanece há mais de 4 mil milhões de anos. Mas a existir líquido residual por baixo, esse oceano ainda não está completamente congelado. Isso é consistente com os vários modelos de evolução térmica de Ceres publicados antes da chegada da Dawn, apoiando a ideia de que o interior mais profundo de Ceres contém o líquido restante do seu antigo oceano.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
24/03/2017 - Gelo nas crateras permanentemente à sombra de Ceres ligado ao passado da inclinação axial
07/03/2017 - Criovulcanismo no planeta anão Ceres
21/02/2017 - Dawn descobre evidências de materiais orgânicos em Ceres
20/12/2016 - Onde está o gelo de Ceres? Novos achados da Dawn
05/08/2016 - O que está dentro de Ceres? Novas descobertas a partir de dados de gravidade
12/07/2016 - Dawn mapeia crateras em Ceres onde o gelo pode acumular-se
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
1.º estudo - Journal of Geophysical Research: Planets
2.º estudo - Earth and Planetary Science Letters
Universe Today
EarthSky
PHYSORG
Popular Mechanics
Forbes

Ceres:
Wikipedia

Hidrato de clatrato:
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
CIENTISTAS DETETAM COMETAS FORA DO NOSSO SISTEMA SOLAR

Cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e outras instituições, trabalhando em estreita colaboração com astrónomos amadores, avistaram as caudas poeirentas de seis exocometas - cometas para lá do nosso Sistema Solar - em órbita de uma ténue estrela a 800 anos-luz da Terra.

Estas bolas cósmicas de gelo e poeira, que eram do tamanho do Cometa Halley e viajavam a cerca de 160 mil quilómetros por hora antes de se vaporizarem, são alguns dos objetos mais pequenos já encontrados fora do nosso próprio Sistema Solar.

A descoberta marca a primeira vez que um objeto tão pequeno quanto um cometa foi detetado usando fotometria de trânsito, uma técnica na qual os astrónomos observam a luz de uma estrela à procura de indicadoras quedas de intensidade. Estas diminuições assinalam trânsitos potenciais, passagens de planetas ou outros objetos em frente de uma estrela, que bloqueiam momentaneamente uma pequena fração da sua luz.

Impressão de artista de um exocometa no sistema KIC 3542116.
Crédito: Danielle Futselaar
 

No caso desta nova deteção, os investigadores foram capazes de discernir a cauda do cometa, ou cauda de gás e poeira, que bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz enquanto este transitava a sua estrela hospedeira.

"É incrível que algo muito mais pequeno que a Terra possa ser detetado apenas pelo facto de que está a emitir muitos destroços," comenta Saul Rappaport, professor emérito de física no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. "É bastante impressionante poder ver algo tão pequeno e tão distante."

Rappaport e a sua equipa publicaram os seus resultados a semana passada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os coautores são Andrew Vanderburg do Centro Harvard-Smithosnian para Astrofísica; vários astrónomos amadores, entre eles Thomas Jacobs de Bellevue, Washington; e investigadores da Universidade do Texas em Austin, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade de Northeastern.

"Onde poucos viajaram"

A deteção foi feita usando dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA, um observatório estelar lançado para o espaço em 2009. Durante quatro anos, monitorizou cerca de 200.000 estrelas à procura de diminuições na luz estelar provocadas pelo trânsito de exoplanetas.

Até à data, a missão identificou e confirmou mais de 2400 exoplanetas, a maioria em órbita de estrelas na direção da constelação de Cisne, com a ajuda de algoritmos automatizados que examinam rapidamente os dados do Kepler, procurando as características quedas na luz estelar.

Os exoplanetas mais pequenos detetados até agora medem cerca de um-terço do tamanho da Terra. Os cometas, em comparação, têm apenas o tamanho de alguns campos de futebol, ou o tamanho de uma pequena cidade, tornando-os incrivelmente difíceis de avistar.

No entanto, no dia 18 de março, Jacobs, um astrónomo amador cujo passatempo é vascular dados do Kepler, foi capaz de discernir vários curiosos padrões de luz entre o ruído.

Jacobs, que trabalha como consultor de emprego para pessoas com deficiências intelectuais, é membro do Planet Hunters - um projeto de cientistas-cidadãos estabelecido pela Universidade de Yale para alistar astrónomos amadores na busca por exoplanetas. Os membros receberam acesso aos dados do Kepler na esperança que possam avistar algo de interesse que um computador pode não notar.

Em janeiro, Jacobs começou a analisar os quatro anos inteiros dos dados do Kepler, obtidos durante a sua missão principal, que inclui mais de 200.000 estrelas, cada com curvas individuais de luz, ou gráficos de intensidade de luz ao longo do tempo. Jacobs passou cinco meses a estudar os dados a olho, muitas vezes antes e depois do trabalho, e durante os fins-de-semana.

"A procura de objetos de interesse nos dados do Kepler requer paciência, persistência e perseverança," diz Jacobs. "Para mim, é uma forma de caça ao tesouro, sabendo que há um evento interessante à espera de ser descoberto. É tudo sobre exploração e estar à caça, onde poucos viajaram antes."

"Algo que vimos antes"

O objetivo de Jacobs era procurar algo fora do comum que os algoritmos de computador pudessem não ter notado. Em particular, procurava trânsitos únicos - mergulhos na luz estelar que aconteceram apenas uma vez, o que significa que não eram periódicos como planetas que orbitam uma estrela várias vezes.

Na sua pesquisa, avistou três trânsitos únicos em redor de KIC 3542116, uma estrela fraca localizada a 800 anos-luz da Terra (os outros três trânsitos foram mais tarde descobertos pela equipa). Ele marcou os eventos e alertou Rappaport e Vanderburg, com quem colaborou no passado para interpretar as suas descobertas.

"Nós deliberámos durante um mês, porque não sabíamos o que era - os trânsitos planetários são diferentes," lembra Rappaport. "Então ocorreu-me, 'Estes trânsitos parecem-se com algo que já vimos antes.'"

Num típico trânsito planetário, a curva de luz resultante assemelha-se a um "U", com uma queda acentuada, e posteriormente um aumento igualmente acentuado, como resultado do bloqueio da luz da estrela pelo planeta. No entanto, as curvas de luz que Jacobs identificou pareciam assimétricas, com um mergulho acentuado, seguido por um aumento mais gradual.

Rappaport apercebeu-se que a assimetria nas curvas de luz pareciam-se com planetas desintegrantes, com longas caudas de detritos que continuariam a bloquear parte da luz à medida que o planeta se afastava da estrela. No entanto, tais planetas desintegrantes orbitam a sua estrela, fazendo trânsitos repetidos. Em contraste, Jacobs não observou esse padrão periódico nos trânsitos que identificou.

"Nós pensámos, o único tipo de corpo que poderia fazer o mesmo e não repetir é aquele que provavelmente é destruído no final," realça Rappaport.

Por outras palavras, ao invés de orbitar em torno da estrela, os objetos devem ter transitado e, no final, "voado" demasiado perto da estrela, sendo vaporizados.

"O único tipo de objeto que se adapta, e tem uma massa suficientemente pequena para ser destruído, é um cometa," salienta Rappaport.

Os investigadores calcularam que cada cometa bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz estelar. Para fazer isto vários meses antes de desaparecer, o cometa provavelmente desintegrou-se completamente, criando um rasto de poeira espesso o suficiente para bloquear essa quantidade de luz estelar.

Vanderburg diz que o facto destes seis exocometas parecerem ter transitado muito perto da sua estrela nos últimos quatro anos levanta algumas questões intrigantes, cujas respostas podem revelar algumas verdades sobre o nosso próprio Sistema Solar.

"Porque existem tantos cometas nas regiões interiores destes sistemas solares?" pergunta Vanderburg. "Será uma era extrema de bombardeamento? Esta foi uma parte realmente importante da formação do nosso próprio Sistema Solar e pode ter trazido água à Terra. Talvez o estudo dos exocometas e a descoberta da razão porque podem ser encontrados em redor deste tipo de estrelas... nos possam dar informações sobre como os bombardeamentos ocorrem nos outros sistemas solares."

Os investigadores dizem que, no futuro, a missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) vai continuar o tipo de pesquisa feita pelo Kepler.

Além de contribuir para os campos da astrofísica e da astronomia, explica Rappaport, a nova deteção mostra a perseverança e discernimento dos cientistas-cidadãos.

"Eu podia dizer 10 tipos de coisas que eles descobriram nos dados do Kepler que os algoritmos não conseguiram encontrar, devido à capacidade de reconhecimento de padrões no olho humano," comenta Rappaport. "Podíamos agora desenvolver um algoritmo de computador para encontrar este tipo de forma cometária. Mas não foram avistados em buscas anteriores. Eram suficientemente detalhados, mas não tinham a forma certa programada nos algoritmos. Eu acho justo dizer que nunca teriam sido encontrados por qualquer algoritmo."

Links:

Notícias relacionadas:
MIT (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society

Universe Today

Exocometa:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
ROSETTA ENCONTRA PLUMA NO COMETA SUSTENTADA A PARTIR DE BAIXO
Pluma de poeira do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, vista pela câmara OSIRIS a bordo da sonda Rosetta no dia 3 de julho de 2016. A sombra da pluma é visível na bacia, na região Imhotep.
Esta pluma foi especialmente útil a partir de uma perpsetiva científica. Além de observar o local e a própria pluma, a trajetória da Rosetta levou-a através do material ejetado, permitindo com que os instrumentos recolhessem valiosas medições in situ. A análise destes dados indica que alguma fonte de energia subsuperficial, ainda por determinar, ajudou a alimentar a pluma.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No ano passado, uma fonte de poeira foi detetada a jorrar de dentro do cometa da Rosetta, levando à pergunta: como foi impulsionada? Os cientistas sugerem agora que a explosão foi conduzida de dentro do cometa, talvez libertada de antigos respiradouros de gás ou bolsas de gelo escondido.

A pluma foi vista pela nave espacial Rosetta da ESA, a 3 de julho de 2016, apenas alguns meses antes do final da missão e quando o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko se estava a afastar do Sol, a uma distância de quase 500 milhões de quilómetros.

"Observámos uma pluma de poeira brilhante que soprava para longe da superfície, como uma fonte", explica Jessica Agarwal, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar em Göttingen, na Alemanha, e autora principal do novo artigo.

"Durou cerca de uma hora, produzindo cerca de 18 kg de pó a cada segundo."

Além de um aumento acentuado do número de partículas de poeira que fluíam do cometa, a Rosetta também detetou pequenos grãos de água gelada.

As imagens mostraram a localização da explosão: uma parede com 10 m de altura em torno de uma depressão circular na superfície.

Plumas, falésias em colapso e elementos semelhantes foram anteriormente observados no cometa, mas detetar este foi especialmente afortunado: além de fotografar a localização em detalhes, Rosetta também recolheu amostras do próprio material ejetado.

Uma pluma de poeira do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, vista pela sonda Rosetta no dia 3 de julho de 2016, forneceu evidências de que a explosão foi alimentada desde o interior do cometa, talvez através da libertação de antigas bolhas de gás ou locais com gelo escondido.
Em cima, à esquerda: um modelo do cometa que realça a região Imhotep. A seta indica a bacia a partir da qual a pluma emergiu no dia 3 de julho de 2016.
Em baixo, à esquerda: imagem do cometa, obtida pela câmara de navegação no dia 5 de fevereiro de 2016, que mostra a iamgem mais claramente.
Em cima, à direita: imagem obtida com a câmara OSIRIS da Rosetta durante a explosão. Em baixo estão duas imagens da mesma região, para efeitos de comparação, também da OSIRIS: à esquerda, uma imagem de 2 de julho, cerca de 10 horas antes da explosão, e à direita, a mesma região vista no dia 3 de maio.
Crédito: imagem do cometa (esquerda) - ESA/Rosetta/NavCam; modelo do cometa - ESA; todas as outras: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Esta pluma foi realmente especial. Temos excelentes dados de cinco instrumentos diferentes sobre como a superfície mudou e sobre o material ejetado, porque a Rosetta estava, por acaso, a voar sobre a pluma e a olhar para o lado certo da superfície quando aconteceu", acrescenta Jessica.

"A Rosetta não tinha anteriormente fornecido uma cobertura detalhada e abrangente de um evento como este."

Inicialmente, os cientistas achavam que a pluma poderia ter sido o gelo superficial a evaporar na luz solar. No entanto, as medições da Rosetta mostraram que tinha que haver algo mais enérgico para lançar essa quantidade de poeira no espaço.

"Teria de ter sido libertada energia por baixo da superfície para impulsioná-la", diz Jessica. "Há processos evidentes em cometas que ainda não entendemos completamente."

Como essa energia foi libertada ainda não está claro. Talvez fossem bolhas de gás pressurizadas a subir por cavidades subterrâneas e a explodir livremente através de aberturas antigas, ou reservas de gelo a reagir violentamente quando expostas à luz solar.

Esta imagem é uma composição de cores falsas, onde o azul realça a presença e localização de água gelada.
No dia 3 de julho de 2016, uma pluma de poeira foi avistada na depressão gelada perto do grande pedregulho na parte de baixo da imagem. Esta pluma foi especialmente útil a partir de uma perpsetiva científica. Além de observar o local e a própria pluma, a trajetória da Rosetta levou-a através do material ejetado, permitindo com que os instrumentos recolhessem valiosas medições in situ. A análise destes dados indica que alguma fonte de energia subsuperficial, ainda por determinar, ajudou a alimentar a pluma.
A imagem foi construída a partir de 3 imagens separadas obtidas pela câmara OSIRIS da Rosetta. Combina os canais do infravermelho próximo, verde e azul (cores vermelho, laranja e azul, respetivamente).
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Um dos principais objetivos da Rosetta foi entender como funciona um cometa. Por exemplo, como se forma o seu invólucro gasoso e muda ao longo do tempo?", afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

"As explosões são interessantes por causa disso, mas não conseguimos prever quando ou onde estas ocorreriam – tínhamos de ter sorte em capturá-las.

"Ter uma cobertura completa e multi-instrumental de uma explosão como esta, e do seu efeito na superfície, é realmente importante para revelar como estes eventos são conduzidos.

"Os cientistas da Rosetta estão agora a combinar medições obtidas a partir do cometa com simulações de computador e trabalho de laboratório, para descobrir o que impulsiona tais plumas em cometas."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
SPACE.com
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  Hubble observa exoplaneta onde neva "protetor solar" (via NASA)
O Telescópio Espacial Hubble da NASA descobriu um planeta infernal, para lá do nosso Sistema Solar, onde "neva" protetor solar. O problema é que a precipitação de protetor solar (óxido de titânio) só acontece no lado permanentemente noturno do planeta. Quaisquer possíveis visitantes ao exoplaneta Kepler-13Ab precisariam de armazenar essa proteção, porque não a conseguiriam encontrar no lado quente e diurno, sempre virado para a sua estrela hospedeira. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6369: A Nebulosa do Pequeno Fantasma
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Arquivo do HubbleNASA
 
A fantasmagórica mas bonita NGC 6369 é uma ténue aparição nos céus noturnos popularmente conhecida como Nebulosa do Pequeno Fantasma. Foi descoberta no século XVIII pelo astrónomo William Herschel enquanto usava um telescópio para explorar a constelação de Ofiúco. Herschel historicamente classificou a nebulosa redonda e parecida com um planeta como uma Nebulosa Planetária. Mas as nebulosas planetárias não têm nenhuma relação com planetas. Na verdade, são formadas no fim da vida de uma estrela parecida com o Sol, à medida que liberta as suas camadas exteriores para o espaço enquanto o núcleo encolhe para se tornar uma anã branca. Esta anã branca, vista perto do centro, irradia fortemente no ultravioleta e faz brilhar a nebulosa em expansão. Detalhes bastante complexos e estruturas em NGC 6369 são aqui reveladas nesta imagem a cores do Hubble. O anel principal da nebulosa mede cerca de um ano-luz de diâmetro e o brilho dos átomos ionizados de oxigénio, hidrogénio e azoto têm as cores azul, verde e vermelho respetivamente. A mais de 2000 anos-luz de distância, a Nebulosa do Pequeno Fantasma fornece um olhar para o futuro do nosso Sol, que produzirá a sua própria nebulosa planetária daqui a 5 mil milhões de anos.
 

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