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Edição n.º 1515
14/09 a 17/09/2018
 
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ASTRONOMIA NO VERÃO DO CCVAlg

Atividades astronómicas planeadas para o mês de setembro:

15/09 - Observação astronómica noturna - Alto da Fóia, Monchique, a partir das 21:30

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis)

 
EFEMÉRIDES

Dia 14/09: 257.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915 nascia John Dobson. Fundador do "Sidewalk Astronomers" e inventor do telescópio dobsoniano.

Ensinou muitos a construir telescópios modestos e a usá-los: "Temos a responsabilidade de mostrar aos outros como é o nosso Universo a partir de um telescópio - e explicar o que estão a ver." 
Em 1959, a sonda soviética Luna 2 colide com a Lua, tornando-se no primeiro objeto feito pelo Homem a lá chegar.
Em 2015, o LIGO faz a primeira observação direta de ondas gravitacionais com um instrumento na Terra, usando os interferómetros gémeos localizados em Livingston, Louisiana e em Hanford, Washington. O programa anunciou ou seus achados no dia 11 de fevereiro de 2016.
Observações: Ao lusco-fusco, aviste a Lua Crescente a sudoeste, com Júpiter para baixo e para a direita. Uma linha que comece na Lua e passe por Júpiter aponta para Vénus, muito mais baixo.

Dia 15/09: 258.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da soviética Zond 5, tornando-se a primeira sonda a dar uma volta à Lua e a re-entrar na atmosfera da Terra.
Em 2017, termina a missão da sonda Cassini em Saturno, fragmentando-se na atmosfera do planeta.

Observações: A Lua paira sobre Antares ao cair da noite. Bem para a esquerda da Lua encontra-se Saturno e depois Marte. Para baixo e para a direita da Lua está Júpiter. E ainda mais para baixo e para a direita de Júpiter está Vénus, bem perto do horizonte.

Dia 16/09: 259.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1996, lançamento da missão STS-79 do vaivém Atlantis.

Observações: À medida que o dia se torna noite, Arcturo pisca a oeste. Vai ficando cada vez mais baixa a cada semana que passa. E para a sua direita está Ursa Maior, cada vez mais nivelada.

Dia 17/09: 260.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789, William Herschel descobre a Lua de Saturno, Mimas.

Em 1976, era apresentado pela NASA o primeiro Space Shuttle (ou vaivém espacial), Enterprise.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 00:15.
Uma antevisão de inverno: saia à rua com a primeira luz do Sol, e o céu mostra o mesmo panorama estelar que durante o pôr-do-Sol de fevereiro. Orionte está alto a sul, Sirius e Cão Maior brilham para baixo e para a esquerda, e Gémeos ocupa uma posição alta a este.

 
CURIOSIDADES

O JPL ganhou um prestigiado Emmy, da Academia de Televisão, Artes e Ciências dos EUA, na categoria de Melhor Programa Interativo Original, pela sua cobertura do "Grande Final" da Cassini em Saturno, graças às notícias, educação, televisão e esforços nas redes sociais.
 
O LEGADO DA SONDA DAWN, PERTO DO FIM DA MISSÃO
Impressão de artista da sonda Dawn manobrando acima de Ceres graças ao seu sistema de propulsão iónica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão da sonda Dawn da NASA está chegando ao fim, após 11 anos de inovações na ciência planetária, a reunir imagens de tirar o fôlego e a realizar feitos sem precedentes de engenharia.

A missão da Dawn foi prolongada várias vezes enquanto explorava Ceres e Vesta, que, quando combinados, perfazem 45% da massa da cintura principal de asteroides. Agora, a nave está prestes a ficar sem combustível hidrazina. Quando isso acontecer, provavelmente entre setembro e outubro, a Dawn perderá a sua capacidade de comunicar com a Terra. Permanecerá numa órbita silenciosa em torno de Ceres durante décadas.

"Embora seja triste ver a saída da Dawn da nossa família de missões, estamos intensamente orgulhosos dos seus muitos feitos," comenta Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciências Planetárias na sede da NASA em Washington. "Esta nave espacial não só desvendou segredos científicos nestes dois mundos pequenos mas importantes, como também foi a primeira a visitar e a orbitar corpos em dois destinos extraterrestres durante a sua missão. Os feitos científicos e de engenharia da Dawn ecoarão ao longo da história."

A Dawn foi lançada a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral em setembro de 2007, amarrada a um foguetão Delta II-Heavy. Entre 2011 e 2012, a sonda estudou Vesta, capturando imagens de crateras, desfiladeiros e até montanhas neste mundo parecido com um planeta.

Então, em 2015, as câmaras da Dawn detetaram um criovulcão e misteriosas manchas brilhantes em Ceres, que os cientistas descobriram mais tarde serem depósitos de sal produzidos pela exposição de líquido salobro a partir do interior de Ceres.

"O legado da Dawn é que ela explorou dois dos últimos mundos inexplorados do Sistema Solar," realça Marc Rayman do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, que serve como diretor e engenheiro-chefe da missão Dawn. "A Dawn mostrou-nos mundos alienígenas que, durante dois séculos, foram apenas pontos de luz entre as estrelas. E produziu estes retratos detalhados e íntimos e revelou paisagens exóticas e misteriosas, diferentes de tudo o que já vimos."

Feitos de Engenharia

A Dawn é a única sonda a orbitar um corpo da cintura de asteroides. E é a única espaçonave a orbitar dois destinos extraterrestres. Estes feitos foram possíveis graças à propulsão iónica, um sistema de propulsão tremendamente eficiente, familiar aos fãs de ficção científica e entusiastas do espaço. A Dawn empurrou os limites das capacidades e resistência do sistema, mostrando quão útil é para outras missões que visam visitar vários destinos.

Impulsionado por propulsão iónica, a Dawn alcançou Vesta em 2011 e investigou o asteroide da superfície ao núcleo durante os 14 meses em órbita. Em 2012, os engenheiros manobraram a Dawn para fora de órbita, e conduziram-na através da cintura de asteroides durante mais de dois anos antes de inseri-la em torno do planeta anão Ceres, onde tem vindo a recolher dados desde 2015.

A missão teve como alvo Ceres e Vesta porque funcionam como cápsulas do tempo, sobreviventes intactos da primeira parte da nossa história.

"Vesta e Ceres contaram a sua história de como e onde se formaram, e como evoluíram - uma história magmática de fogo que levou a um Vesta rochoso e uma história mais fria e rica em água que resultou no antigo mundo oceânico Ceres," afirma Carol Raymond do JPL, investigadora principal da missão Dawn. "Estes tesouros de informações vão continuar a ajudar-nos a entender outros corpos no Sistema Solar no futuro."

Ceres Espetacular

À superfície de Ceres, os cientistas encontraram a química de um oceano antigo. "O que descobrimos foi completamente alucinante. A história de Ceres está espalhada por toda a superfície," observa Raymond.

Alguns dos pontos brilhantes revelaram-se depósitos brilhantes e salgados, compostos principalmente por carbonato de sódio, que chegaram à superfície numa salmoura lamacenta de dentro ou de baixo da crosta.

As descobertas reforçam a ideia de que os planetas anões, não apenas as luas geladas como Encélado e Europa, podiam ter abrigado oceanos durante a sua história - e potencialmente ainda o fazem. As análises dos dados da Dawn sugerem que ainda pode haver líquido sob a superfície de Ceres e que algumas regiões estavam geologicamente ativas até há pouco tempo, alimentando-se de um reservatório profundo.

Uma das maiores revelações da Dawn sobre Ceres está na região da Cratera Ernutet. Foram encontradas moléculas orgânicas em abundância. Estão entre os blocos de construção da vida, embora os dados da Dawn não possam determinar se os materiais orgânicos de Ceres foram formados a partir de processos biológicos.

"Existem evidências crescentes de que os compostos orgânicos em Ernutet vieram do interior de Ceres e, nesse caso, podem ter existido por algum tempo no oceano interior," explica Julie Castillo-Rogez, cientista do projeto Dawn e vice-investigadora principal no JPL.

Vesta Vibrante

Em Vesta, a Dawn mapeou as crateras deste mundo parecido com um planeta e revelou que o seu hemisfério norte sofreu impactos maiores do que o esperado, sugerindo que havia, ao início, um número maior de objetos grandes na cintura de asteroides do que os cientistas pensavam.

Em 1996, o Telescópio Espacial Hubble transmitiu imagens de uma montanha no centro de uma enorme bacia em Vesta agora chamada Rheasilvia. O mapeamento da Dawn mostrou que tem o dobro da altura do Monte Evereste e revelou desfiladeiros que rivalizam em tamanho com o Grande Canyon.

A Dawn também confirmou Vesta como a fonte de uma família muito comum de meteoritos.

Aproximando-se do Fim

A Dawn continuou a recolher imagens de alta-resolução, espectros de raios-gama e de neutrões, espectros infravermelhos e dados de gravidade em Ceres. Quase uma vez por dia, sobrevoa Ceres a aproximadamente 35 km da sua superfície - apenas mais ou menos 3/4 da altitude de um jato de passageiros - reunindo dados valiosos até gastar o que resta da hidrazina que alimenta os propulsores que controlam a sua orientação.

Dado que Ceres tem condições de interesse para os cientistas que estudam a química que leva ao desenvolvimento da vida, a NASA segue protocolos rígidos de proteção planetária para o descarte da nave Dawn. Ao contrário da Cassini, que deliberadamente mergulhou na atmosfera de Saturno para proteger o sistema da contaminação - a Dawn permanecerá em órbita de Ceres, que não tem atmosfera.

Os engenheiros desenharam a órbita final da Dawn para garantir que não colide com o planeta anão pelo menos durante 20 anos - e provavelmente durante mais algumas décadas.

Rayman, que liderou a equipa que voou a Dawn durante toda a missão e até à sua órbita final, gosta de pensar no final da Dawn desta maneira: como "um monumento inerte e celeste à criatividade e à engenhosidade humanas."

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
16/06/2018 - Matéria orgânica em Ceres pode ser mais abundante do que se pensava inicialmente
15/12/2017 - Áreas brilhantes em Ceres sugerem atividade geológica
14/11/2017 - Dawn explora a evolução do interior de Ceres
31/10/2017 - Dawn encontra possíveis restos de um antigo oceano em Ceres
24/03/2017 - Gelo nas crateras permanentemente à sombra de Ceres ligado ao passado da inclinação axial
07/03/2017 - Criovulcanismo no planeta anão Ceres
21/02/2017 - Dawn descobre evidências de materiais orgânicos em Ceres
20/12/2016 - Onde está o gelo de Ceres? Novos achados da Dawn
05/08/2016 - O que está dentro de Ceres? Novas descobertas a partir de dados de gravidade
12/07/2016 - Dawn mapeia crateras em Ceres onde o gelo pode acumular-se
01/07/2016 - Atividade hidrotermal recente poderá explicar a área mais brilhante de Ceres
25/03/2016 - Manchas brilhantes e diferenças de cor em Ceres
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Dawn: Missão da Dawn à Cintura de Asteroides (NASA JPL via YouTube)
SPACE.com
Astronomy Now
spaceref
PHYSORG
COSMOS
Popular Science
Popular Mechanics

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
"Toolkit" da missão (NASA)
Wikipedia

Ceres:
Wikipedia

Vesta:
Wikipedia

 
ASTRÓNOMOS TESTEMUNHAM NASCIMENTO DE NOVA ESTRELA A PARTIR DE EXPLOSÃO ESTELAR
Ao contrário da maioria das explosões estelares que desvanecem, a supernova SN 2012au continua a brilhar ainda hoje graças a um novo e poderoso pulsar.
Crédito: NASA, ESA e J. DePasquale (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As explosões de estrelas, conhecidas como supernovas, podem ser tão brilhantes que ofuscam as suas galáxias hospedeiras. Elas demoram meses ou anos para desaparecer e, às vezes, os remanescentes gasosos da explosão colidem com gás rico em hidrogénio e tornam-se temporariamente brilhantes novamente - mas será que podem permanecer luminosas sem qualquer interferência externa?

É o que Dan Milisavljevic, professor assistente de física e astronomia da Universidade de Purdue, acredita ter visto seis anos depois da explosão "SN 2012au".

"Nunca tínhamos visto uma explosão deste tipo, numa escala tão tardia de tempo, permanecer visível a não ser que tivesse algum tipo de interação com o hidrogénio gasoso deixado para trás pela estrela antes da explosão," comenta. "Mas não há um pico espectral de hidrogénio nos dados - outra coisa estava a energizar o objeto."

À medida que as estrelas grandes explodem, os seus interiores colapsam até um ponto no qual todas as suas partículas se tornam neutrões. Se a estrela recém-nascida tiver um campo magnético e girar rápido o suficiente, pode acelerar partículas carregadas próximas e tornar-se o que os astrónomos chamam de nebulosa de vento pulsar.

É o que mais provavelmente aconteceu com SN 2012au, de acordo com os resultados publicados na The Astrophysical Journal Letters.

"Sabemos que as explosões de supernova produzem esses tipos de estrelas de neutrões que giram rapidamente, mas nunca tínhamos visto evidências diretas nesta escala de tempo única," realça Milisavljevic. "Este é um momento chave em que a nebulosa de vento pulsar é brilhante o suficiente para agir como uma lâmpada que ilumina o material expulso e exterior da explosão."

Já se sabia que SN 2012au era extraordinária - e estranha - de muitas maneiras. Embora a explosão não fosse brilhante o suficiente para ser apelidada de supernova "superluminosa", era extremamente energética, de longa duração e tinha uma curva de luz similarmente lenta.

Milisavljevic prevê que se os investigadores continuarem a monitorizar os locais de supernovas extremamente brilhantes, podem ver transformações semelhantes.

"Se realmente existe um pulsar ou nebulosa de vento magnetar no centro da estrela que explodiu, pode empurrar de dentro para fora e até acelerar o gás," explica. "Se voltarmos a alguns destes eventos alguns anos depois e fizermos medições cuidadosas, podemos observar o gás rico em oxigénio a sair da explosão ainda mais depressa."

As supernovas superluminosas são um tema quente da astronomia transiente. São fontes potenciais de ondas gravitacionais e buracos negros, e os astrónomos pensam que podem estar relacionadas com outros tipos de explosões, como explosões de raios-gama e FRBs (fast radio bursts). Os cientistas querem compreender a física fundamental por detrás, mas são difíceis de observar porque são relativamente raras e ocorrem muito longe da Terra.

Somente a próxima geração de telescópios, que os astrónomos apelidaram de "Telescópio Extremamente Grandes", terão a capacidade de observar estes eventos em detalhe.

"Este é um processo fundamental no Universo. Nós não estaríamos aqui a menos que isto acontecesse," comenta Milisavljevic. "Muitos dos elementos essenciais à vida vêm de explosões de supernovas - o cálcio nos nossos ossos, o oxigénio que respiramos, o ferro no nosso sangue - acho que é crucial para nós, cidadãos do Universo, entender este processo."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Purdue (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
EurekAlert!
PHYSORG

Nebulosa de vento pulsar (PWN):
Wikipedia
Catálogo de PWNs

 
CIENTISTAS ENCONTRAM EVIDÊNCIAS DE ESCARAMUÇA PLANETÁRIA PRECOCE
Cientistas do SwRI estudaram o asteroide binário Pátroclo-Menoetius, vistos aqui nesta impressão de artista, para determinar que provavelmente ocorreu uma escaramuça entre os gigantes gasosos no início da história do Sistema Solar, nos seus primeiros 100 milhões de anos.
Crédito: Observatório W. M. Keck/Lynete Cook
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) estudaram um par invulgar de asteroides e descobriram que a sua existência aponta para um rearranjo planetário inicial no nosso Sistema Solar.

Estes corpos, chamados Pátroclo e Menoetius, são os alvos da futura missão Lucy da NASA. Têm aproximadamente 113 km de diâmetro e orbitam-se um ao outro enquanto giram coletivamente em torno do Sol. São o único grande binário conhecido na população de corpos antigos conhecidos como asteroides troianos. Os dois enxames troianos orbitam mais ou menos à mesma distância do Sol que Júpiter, um enxame orbita à frente do gigante gasoso e o outro atrás.

"Os troianos foram provavelmente capturados durante um período dramático de instabilidade dinâmica quando ocorreu uma escaramuça entre os planetas gigantes do Sistema Solar - Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno," afirma o Dr. David Nesvorny, cientista do SwRI. É o autor principal do artigo científico, publicado na revista Nature Astronomy. Esta agitação empurrou Úrano e Neptuno para fora, onde encontraram uma grande população primordial de pequenos corpos que se pensa serem a fonte dos objetos da atual Cintura de Kuiper, que orbitam na orla do Sistema Solar. "Muitos pequenos corpos desta Cintura de Kuiper primordial foram espalhados para o interior e alguns deles ficaram presos como asteroides troianos."

Esta animação mostra a órbita do par Pátroclo-Menoetius em torno um do outro. Cientistas do SwRI postulam que provavelmente deverá ter ocorrido uma escaramuça entre os gigantes gasosos, no início da história do Sistema Solar, porque o binário foi capturado intacto pelos enxames de asteroides troianos.
Crédito: Durda/Marchi/SwRI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, uma questão fundamental com este modelo de evolução do Sistema Solar é a sua cronologia. No artigo, os cientistas demonstram que a própria existência do par Pátroclo-Menoetius indica que a instabilidade dinâmica entre os gigantes gasosos deve ter ocorrido nos primeiros 100 milhões de anos da formação do Sistema Solar.

Os modelos recentes da formação de corpos pequenos sugerem que estes tipos de binários são os remanescentes dos primeiros tempos do nosso Sistema Solar, quando pares de corpos pequenos podiam formar-se diretamente a partir da nuvem em colapso de "seixos".

"As observações da Cintura de Kuiper atual mostram que binários como este eram bastante comuns nos tempos antigos," comenta o Dr. William Bottke, diretor do Departamento de Estudos Espaciais do SwRI, coautor do artigo. "Apenas alguns deles existem agora dentro da órbita de Neptuno. A questão é como interpretar os sobreviventes."

O SwRI estudou o único grande binário conhecido na população de corpos antigos conhecida como troianos, aqui ilustrada, encontrando evidências de uma antiga escaramuça entre os gigantes gasosos do Sistema Solar. Os dois enxames de troianos orbitam mais ou menos à mesma distância do Sol que Júpiter, um enxame orbita à frente do gigante gasoso e o outro atrás.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Caso a instabilidade tivesse sido adiada muitas centenas de milhões de anos, como sugerido por alguns modelos de evolução do Sistema Solar, as colisões dentro do disco primordial de corpos pequenos teriam perturbado os binários relativamente frágeis, não deixando nenhum para ser capturado na população de troianos. As instabilidades dinâmicas anteriores teriam deixado mais binários intactos, aumentando a probabilidade de que pelo menos um deles tivesse sido capturado na população de troianos. A equipa criou novos modelos que mostram que a existência do binário Pátroclo-Menoetius indica uma instabilidade anterior.

Este modelo de instabilidade dinâmica inicial tem importantes consequências para os planetas terrestres, particularmente em relação à origem das grandes crateras de impacto na Lua, em Mercúrio e em Marte, formadas há aproximadamente 4 mil milhões de anos. Os astros que fizeram estas crateras são menos propensos a serem lançados das regiões exteriores do Sistema Solar. Isto poderá implicar que foram formados a partir de corpos pequenos remanescentes do processo de formação dos planetas terrestres.

Este trabalho salienta a importância dos asteroides troianos em iluminar a história do nosso Sistema Solar. Vamos poder aprender muito mais sobre o binário Pátroclo-Menoetius quando a missão Lucy da NASA, liderada pelo coautor do artigo e cientista do SwRI, o Dr. Hal Levison, estudar o par em 2033, culminando uma missão de 12 anos para visitar ambos os enxames troianos.

Links:

Notícias relacionadas:
SwRI (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Artigo científico (Nature Astronomy)
Astronomy
SPACE.com
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Binário Pátroclo-Menoetius:
Wikipedia
JPL

Asteroides troianos:
Wikipedia

Sonda Lucy:
NASA
Wikipedia

 
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O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA começou uma nova missão para lançar luz sobre a evolução das primeiras galáxias do Universo. O levantamento BUFFALO vai observar seis enormes enxames galácticos e os seus arredores. As primeiras observações mostram o enxame Abell 370 e galáxias sobre o efeito de lentes gravitacionais em seu redor. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Ao Longo do Véu Ocidental
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dados - Steve Milne & Barry Wilson, Processamento - Steve Milne
 
De aparência delicada, estes filamentos de gás incandescente estão espalhados pelo céu do planeta Terra na direção da constelação de Cisne. Formam a parte ocidental da Nebulosa do Véu. A Nebulosa do Véu, propriamente dita, é um grande remanescente de supernova, uma nuvem em expansão nascida da morte explosiva de uma estrela gigante. A luz da explosão original provavelmente alcançou a Terra há mais de 5000 anos. Expelida pelo evento cataclísmico, a onda de choque interestelar espalha-se pelo espaço, varrendo e excitando o material interestelar. Os filamentos brilhantes são, na verdade, mais parecidos com longas ondulações num lençol visto quase de lado, notavelmente bem separados nos gases atómicos hidrogénio (vermelho) e oxigénio (azul-verde). Também conhecida como Loop de Cisne, a Nebulosa do Véu abrange agora aproximadamente 3 graus ou 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia. Enquanto isso se traduz em mais de 70 anos-luz à sua distância estimada de 1500 anos-luz, este mosaico composto por duas exposições telescópicas da parte ocidental estende-se por cerca de metade dessa distância. As partes mais brilhantes do Véu ocidental são reconhecidas como nebulosas separadas, incluindo A Vassoura da Bruxa (NGC 6960) ao longo do topo da imagem e o Triângulo de Pickering (NGC 6979) em baixo e à esquerda.
 

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