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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1973  
  03/02 a 06/02/2023  
     
 

Observação do Cometa ZTF (C/2022 E3)
Data: 7 de fevereiro de 2023
Hora: 18:30-19:30
Vamos observar o cometa C/2022 E3 (ZTF), que está agora no céu!
Venha descobrir connosco este cometa a que chamam "verde" e por que razão não voltará a estar tão próximo em muitos milénios! Esta observação é GRATUITA e não necessita inscrição.
Através de telescópio, entre as 18:30 e as 19:30!
Observação limitada às condições atmosféricas e no horário estipulado.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
O Género das Estrelas

Data: 9 de fevereiro de 2023
Hora: 18:30-20:30
Nesta sessão que decorre poucos dias antes do dia internacional das mulheres e das raparigas na ciência, convidamos uma investigadora e um investigador a explicar como estudam as suas estrelas favoritas e o que nelas descobrem, com um especial destaque para as suas denominações. Depois deste diálogo, faremos observação astronómica com telescópio para também termos contacto visual com alguns segredos estelares.
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 03/02: 34.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966, a sonda soviética Luna 9, não tripulada, faz a primeira aterragem assistida com motores na Lua e, por isso, a primeira em qualquer outro corpo planetário que não a Terra.

Em 1984, lançamento da missão STS-41-B do vaivém espacial Challenger.
Em 1994, lançamento da STS-60, do vaivém Discovery, com o primeiro cosmonauta russo a bordo desta nave americana. Foi também a primeira missão do programa Shuttle-Mir
Em 1995, a astronauta Eileen Collins torna-se na primeira mulher a pilotar o vaivém espacial na missão STS-63, a partir do Centro Espacial Kennedy na Flórida, EUA.
Em 2005, o novo olho sensível do AreciboAlfalfa, começa a fazer um gigantesco levantamento do céu.
Em 2006, a equipa da Deep Impact da NASA divulga as primeiras evidências de gelo cometário
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase Cheia, brilha por baixo de Pollux e Castor durante a noite.

 

DIA 04/02: 35.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1600, Tycho Brahe e Johannes Kepler encontram-se no castelo Benátky, a nordeste de Praga.
Em 1906 nascia Clyde Tombaugh, famoso pela descoberta, em 1930, de Plutão

Também descobriu muitos asteroides.
Em 1932 era descoberto o asteroide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteroide 2824 Franke por Karl Wilhelm Reinmuth.
Em 2010, a equipa do Telescópio Espacial Hubble divulga novas imagens de Plutão e supreendem todos com alterações na superfície do planeta anão.
HOJE, NO COSMOS:
Ao início da noite, a Lua encontra-se bem para baixo de Castor e Pollux. Faz um leve, mas grande arco com Procyon para a sua direita e depois com Sirius.

 

DIA 05/02: 36.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1937 nascia Alar Toomre, astrónomo estónio-americano cuja investigação se focou na dinâmica das galáxias. 
Em 1963, Maarten Schmidt descobre enormes desvios para o vermelho em quasares. Schmidt deu ao objeto 3C 273 o termo objeto "quasi-estelar" ou quasar; milhares foram descobertos desde então. 
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objetivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1974, passagem da Mariner 10 por Vénus. A sonda mostra que as nuvens contornam o planeta em apenas 4 dias terrestres, embora o planeta propriamente dito demore 243 dias terrestres a completar uma rotação sobre o seu eixo.
Em 2002, o observatório solar RHESSI (Reuven Ramaty High Energy Solar Spectroscopic Imager) finalmente chega ao espaço, a bordo de um foguetão Pegasus. 
HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 18:29. A Lua, na direção da constelação de Leão, nasce a este-nordeste poucos minutos depois do pôr-do-Sol. Assim que a Lua esteja bem visível depois do anoitecer, pode ver que forma um triângulo isósceles, mais uma vez, com Régulo e com Algieba, as duas estrelas mais brilhantes da "foice" de Leão.

 

DIA 06/02: 37.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Em 1971, Alan Shepard (Apollo 14) dá as primeiras tacadas de golfe na Lua.
Em 2018, o foguetão Falcon Heavy da SpaceX faz o seu voo inaugural.
HOJE, NO COSMOS:
O maior asterismo do céu (padrão informal de estrelas) - pelo menos o maior largamente reconhecido - é o Hexágono de Inverno. Preenche o céu a sudeste por estas noites. Comece com a brilhante Sirius em baixo. No sentido dos ponteiros do relógio, prossiga até Procyon, Pollux e Castor, Menkalinan e Capella bem alto, descendo por Aldebarã, Rigel no pé de Orionte e finalmente de volta a Sirius.
Betelgeuse brilha dentro do Hexágono, um pouco fora do centro.
O Hexágono é um pouco distendido. Mas se desenhar uma linha através da linha que passa pelo meio, de Capella até Sirius, o Hexágono é razoavelmente simétrico em relação a esse eixo.

 
 
   
Identificado o primeiro sistema progenitor de uma quilonova
 
Esta é uma impressão de artista da primeira deteção confirmada de um sistema estelar que irá um dia formar uma quilonova - a explosão ultrapoderosa, produtora de ouro, criada pela fusão de estrelas de neutrões. Estes sistemas são tão fenomenalmente raros que se pensa existirem apenas cerca de 10 sistemas deste tipo em toda a Via Láctea.
Crédito: CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine/M. Zamani
 

Utilizando dados do Telescópio SMARTS de 1,5 metros no CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory), um programa do NOIRLab da NSF, astrónomos descobriram o primeiro exemplo de um tipo fenomenalmente raro de sistema estelar binário, um sistema que tem todas as condições adequadas para eventualmente desencadear uma quilonova - a explosão ultrapotente, produtora de ouro, criada pela fusão de estrelas de neutrões. Tal arranjo é tão raro que se pensa existirem apenas cerca de 10 sistemas deste tipo em toda a Via Láctea. Os resultados foram publicados na revista Nature.

Este sistema invulgar, conhecido como CPD-29 2176, está localizado a cerca de 11.400 anos-luz da Terra. Foi identificado pela primeira vez pelo Observatório Neil Gehrels Swift da NASA. Observações posteriores com o Telescópio SMARTS de 1,5 metros permitiram aos astrónomos deduzir as características orbitais e os tipos de estrelas que compõem este sistema - uma estrela de neutrões criada por uma supernova "ultra-despojada" e uma estrela massiva em órbita próxima que está no processo de se tornar ela própria numa supernova ultra-despojada.

Uma supernova ultra-despojada é a explosão, no final da sua vida, de uma estrela massiva que teve grande parte da sua atmosfera exterior despojada por uma estrela companheira. Esta classe de supernova não tem a força explosiva de uma supernova tradicional, que de outra forma "chutaria" uma companheira estelar próxima para fora do sistema.

"A atual estrela de neutrões teria de se formar sem ejetar a sua companheira do sistema. Uma supernova ultra-despojada é o cenário que melhor explica estas estrelas companheiras estarem numa órbita tão íntima", disse Noel D. Richardson da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle e autor principal do artigo científico. "Para um dia criar uma quilonova, a outra estrela teria também de explodir como uma supernova ultra-despojada, para que as duas estrelas de neutrões pudessem eventualmente colidir e fundir-se".

 

Este infográfico ilustra a evolução do sistema estelar CPD-29 2176, o primeiro progenitor de quilonova confirmado.
Etapa 1: duas enormes estrelas azuis formam-se num sistema estrelar binário;
Etapa 2: a maior das duas estrelas aproxima-se do fim da sua vida;
Etapa 3: a menor das duas estrelas extrai material da sua companheira maior e mais madura, despojando-a de grande parte da sua atmosfera exterior;
Etapa 4: a estrela maior forma uma supernova ultra-despojada, a explosão, no final da vida, de uma estrela com menos "pontapé" do que uma supernova mais tradicional;
Etapa 5: como atualmente observado pelos astrónomos, a estrela de neutrões resultante da supernova anterior começa a sugar o material da sua companheira, invertendo o cenário do binário;
Etapa 6: com a perda de grande parte da sua atmosfera exterior, a estrela companheira também sofre uma supernova ultra-despojada. Esta fase acontecerá daqui a cerca de um milhão de anos;
Etapa 7: um par de estrelas de neutrões em íntima órbita mútua permanece agora onde outrora existiam duas estrelas massivas;
Etapa 8: as duas estrelas de neutrões entram em espiral uma em direção à outra, perdendo energia orbital como ténue radiação gravitacional;
Etapa 9: a fase final deste sistema, à medida que ambas as estrelas de neutrões colidem, produzindo uma poderosa quilonova, a fábrica cósmica de elementos pesados no nosso Universo.
Crédito: CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld

 

Para além de representar a descoberta de algo incrivelmente raro, o estudo de sistemas progenitores de quilonovas como este pode ajudar os astrónomos a desvendar o mistério de como esses eventos se formam, lançando luz sobre a origem dos elementos mais pesados do Universo.

"Durante bastante tempo, os astrónomos especularam acerca das condições exatas que poderiam eventualmente levar a uma quilonova", disse o coautor André-Nicolas Chené, astrónomo do NOIRLab. "Estes novos resultados demonstram que, pelo menos em alguns casos, duas estrelas de neutrões irmãs podem fundir-se quando uma delas foi criada sem uma explosão clássica de supernova".

A produção de um sistema tão invulgar, no entanto, é um processo longo e improvável. "Sabemos que a Via Láctea contém pelo menos 100 mil milhões de estrelas e provavelmente centenas de milhares de milhões mais. Este notável sistema binário é essencialmente um em cada dez mil milhões", disse Chené. "Antes do nosso estudo, a estimativa era que apenas deveriam existir um ou dois desses sistemas numa galáxia espiral como a Via Láctea".

Embora este sistema tenha tudo para eventualmente formar uma quilonova, caberá aos astrónomos do futuro estudar esse evento. Será necessário pelo menos um milhão de anos para que a estrela massiva termine a sua vida como uma explosão de supernova e deixe para trás uma segunda estrela de neutrões. Este novo remanescente estelar e a estrela de neutrões pré-existente terão então de se aproximar gradualmente num ballet cósmico, perdendo lentamente a sua energia orbital como radiação gravitacional.

Quando eventualmente se fundirem, a explosão de quilonova resultante produzirá ondas gravitacionais muito mais poderosas e deixará para trás uma grande quantidade de elementos pesados, incluindo prata e ouro.

"Este sistema revela que algumas estrelas de neutrões são formadas apenas com um pequeno pontapé de supernova", concluiu Richardson. "Ao entendermos a crescente população de sistemas como CPD-29 2176, vamos ter uma ideia de quão calmas podem ser algumas mortes estelares e se estas estrelas podem morrer sem as supernovas tradicionais".

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Universidade Aeronáutica Embry-Riddle (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Cosmoview ep. 61: Identificado o primeiro sistema progenitor de uma quilonova (NOIRLab via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
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CNN
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Quilonova:
Wikipedia

Estrelas de neutrões:
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Universidade de Maryland

CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory):
NOIRLab
Wikipedia
Telescópio SMARTS de 1,5 metros (fotos via NOIRLab)
Telescópio SMARTS de 1,5 metros (Wikipedia)

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

 
   
Rover Perseverance completa depósito de amostras marcianas
 
O rover Perseverance da NASA capturou este "selfie" olhando para um dos 10 tubos de amostragem do depósito que este criou numa área apelidada de "Three Forks". Esta imagem foi obtida pela câmara WATSON no braço robótico do rover no dia 20 de janeiro de 2023, o 684.º dia marciano, ou sol da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Menos de seis semanas após o seu início, a construção do primeiro depósito de amostras num outro mundo está concluída. A confirmação de que o rover Perseverance da NASA colocou com sucesso o 10.º e último tubo planeado para o depósito foi recebido por volta das 02:00 (hora portuguesa) de segunda-feira, 30 de janeiro, pelos controladores da missão no JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia. Este marco importante envolveu planeamento e navegação precisa para garantir que os tubos pudessem ser recuperados em segurança pela campanha MSR (Mars Sample Return) da NASA-ESA, que tem como objetivo trazer amostras de Marte para a Terra para um estudo mais aprofundado.

Ao longo das suas campanhas científicas, o rover tem vindo a recolher um par de amostras rochosas que a equipa da missão considera cientificamente significativas. Uma amostra de cada par obtido até agora encontra-se no depósito cuidadosamente arranjado na região "Three Forks" da Cratera Jezero. As amostras do depósito servirão como um conjunto de reserva enquanto a outra metade permanece dentro do Perseverance, que em princípio será o principal meio de transporte de amostras para o SRL (Sample Retrieval Lander") como parte da campanha.

 
A câmara WATSON do rover Perseverance obteve esta imagem do 10.º e último tubo a ser colocado durante a criação do primeiro depósito de amostras noutro mundo, no dia 28 de janeiro de 2023, o 690.º dia marciano, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Os cientistas da missão pensam que as amostras rochosas e sedimentares fornecem uma excelente secção transversal dos processos geológicos que tiveram lugar na Cratera Jezero pouco depois da sua formação há quase 4 mil milhões de anos. O rover também depositou uma amostra atmosférica e o chamado tubo "testemunha", que é utilizado para determinar se as amostras que estão a ser recolhidas podem estar contaminadas com materiais que viajaram com o rover desde a Terra.

Os tubos de titânio foram depositados à superfície num intricado padrão em ziguezague, com cada amostra a cerca de 5 a 15 metros de distância uma da outra para garantir que pudessem ser recuperadas em segurança. Acrescentando tempo ao processo de criação do depósito, a equipa precisou de mapear com precisão a localização de cada tubo com 7 polegadas (18,6 centímetros de comprimento) para que as amostras pudessem ser encontradas mesmo que cobertas com poeira. O depósito encontra-se em terreno plano perto da base do antigo delta do rio, em forma de leque, que se formou há muito tempo quando um rio correu para um lago.

"Com o depósito em 'Three Forks' no nosso espelho retrovisor, o Perseverance dirige-se agora delta acima", disse Rick Welch, gestor adjunto do projeto Perseverance no JPL. "Vamos fazer a nossa subida pela rota 'Hawksbill Gap' que explorámos recentemente. Assim que passarmos a unidade geológica que a equipa científica chama de 'Rocky Top', estaremos num novo território e começaremos a explorar o topo do delta".

 
Este mapa mostra onde o rover Perseverance da NASA deixou cair 10 amostras para que uma futura missão as possa recolher. Após mais de cinco semanas de trabalho, o depósito de amostras foi concluído no dia 28 de janeiro de 2023, o 690.º dia, ou sol, da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A próxima campanha científica

A passagem pelo afloramento "Rocky Top" representa o fim da Campanha "Delta Front" do rover e o início da Campanha "Delta Top" devido à transição geológica que se realiza a esse nível.

"Descobrimos que desde a base do delta até ao nível onde se encontra 'Rocky Top', as rochas parecem ter sido depositadas num ambiente lacustre", disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance no Caltech. "E as que estão imediatamente acima de 'Rocky Top' parecem ter sido criadas num ou perto do fim de um rio marciano que corria para o lago. À medida que subimos o delta para um rio, esperamos mover-nos para rochas que compostas por grãos maiores - desde areia a grandes rochas. Esses materiais provavelmente tiveram origem em rochas fora de Jezero, erodidas e depois transportadas pela água até à cratera".

Uma das primeiras paragens que o rover fará durante a nova campanha científica é num local a que a equipa científica chama de "Unidade Curvilínea". Essencialmente um banco de areia marciano, a unidade é feita de sedimentos que há éones atrás foram depositados numa curva num dos canais fluviais de Jezero. A equipa científica pensa que a Unidade Curvilínea será um excelente local para caçar os intrigantes afloramentos de arenito e talvez argilito, e para ter uma visão dos processos geológicos para lá das paredes da Cratera Jezero.

Mais sobre a missão Perseverance

Um objetivo principal da missão do Perseverance em Marte é a investigação astrobiológica, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover vai caracterizar a geologia do planeta e o clima passado e será a primeira missão a recolher e a armazenar rochas e rególito marciano, abrindo caminho para a exploração humana do Planeta Vermelho.

As missões subsequentes da NASA, em cooperação com a ESA, vão enviar naves a Marte para recolher estas amostras armazenadas à superfície e trazê-las para a Terra para uma análise mais profunda.

A missão Mars 2020 do rover Perseverance faz parte da abordagem da exploração da Lua e de Marte da NASA, que inclui as missões Artemis à Lua que vão ajudar a preparar a exploração humana do Planeta Vermelho.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
27/12/2022 - Rover Perseverance deposita a sua primeira amostra à superfície de Marte
16/12/2022 - Cientistas gravam pela primeira vez o som de um diabo de poeira marciano
09/12/2022 - Rover Perseverance recolhe amostras de poeira marciana
29/11/2022 - Rover Perseverance deteta mais carbono orgânico em Marte, em busca de sinais de vida
01/11/2022 - Os cientistas escolheram as primeiras amostras marcianas dignas de viajarem para a Terra
20/09/2022 - Rover Perseverance da NASA investiga terreno geologicamente rico de Marte
30/08/2022 - Rover Perseverance faz novas descobertas na Cratera Jezero
15/07/2022 - Perseverance explora locais de aterragem para a campanha MSR
07/06/2022 - Rover Perseverance da NASA estuda os ventos selvagens da Cratera Jezero
29/04/2022 - Helicóptero Ingenuity avista equipamentos que ajudaram ao pouso do rover Perseverance
21/12/2021 - Rover Perseverance faz descobertas surpreendentes
12/10/2021 - Perseverance obtém mais informações sobre o passado da Cratera Jezero
14/09/2021 - Rover Perseverance recolhe peças do puzle da história de Marte
07/09/2021 - Rover Perseverance da NASA obtém primeira amostra marciana
29/05/2021 - O detetive a bordo do rover Perseverance
14/05/2021 - Braço robótico do Perseverance começa a realizar ciência
04/05/2021 - Helicóptero marciano Ingenuity começa nova fase de demonstração
12/03/2021 - SuperCam do Perseverance transmite os primeiros dados
09/03/2021 - Rover Perseverance move-se pela primeira vez
26/02/2021 - À procura de vida nas amostras do rover Perseverance
19/02/2021 - Rover Perseverance da NASA pousa em segurança no Planeta Vermelho
09/02/2021 - Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
27/11/2018 - Os locais de aterragem dos próximos rovers marcianos da NASA e da ESA

Notícias relacionadas:
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Marte:
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Cratera Jezero:
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Rover Perseverance:
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Investigações revelam mais evidências de que Mimas é um "mundo oceânico furtivo"
 
Imagem de Mimas (esquerda) e dois modelos do interior do satélite (direita).
Crédito: NASA/JPL/SSI/SwRI
 

Quando uma cientista do SwRI (Southwest Research Institute) descobriu evidências surpreendentes de que a lua mais pequena e interior de Saturno podia gerar a quantidade certa de calor para suportar um oceano interno líquido, os colegas começaram a estudar a superfície de Mimas para compreender como o seu interior pode ter evoluído. Simulações numéricas da bacia de impacto Herschel da lua, a característica mais marcante na sua superfície fortemente craterada, determinaram que a estrutura da bacia e a ausência de placas tectónicas em Mimas são compatíveis com uma concha gelada e um oceano geologicamente jovem.

"Nos dias finais da missão Cassini em Saturno, a sonda identificou uma curiosa libração, ou oscilação, na rotação de Mimas, que frequentemente aponta para um corpo geologicamente ativo capaz de suportar um oceano interno", disse a Dra. Alyssa Rhoden do SwRI, especialista em geofísica de satélites gelados, particularmente os que contêm oceanos, e na evolução dos sistemas de satélites gigantes. Ela é a segunda autora de um novo trabalho publicado na revista Geophysical Research Letters sobre o assunto. "Mimas parecia ser um candidato improvável, com a sua superfície gelada e fortemente craterada marcada por uma cratera de impacto gigante que faz com que a pequena lua se pareça muita com a 'Estrela da Morte' da saga 'Guerra das Estrelas'. Se Mimas tem um oceano, representa uma nova classe de pequenos mundos oceânicos 'furtivos' com superfícies que não traem a existência do oceano".

Rhoden trabalhou com a estudante Adeene Denton para melhor compreender como uma lua fortemente craterada como Mimas poderia possuir um oceano interno. Denton modelou a formação da bacia de impacto Herschel usando o software de simulação iSALE-2D. Os modelos mostraram que a concha gelada de Mimas tinha de ter pelo menos 55 km de espessura na altura do impacto que formou Herschel. Em contraste, as observações de Mimas e os modelos do seu aquecimento interno limitam a espessura atual da concha gelada a menos de 30 km, se atualmente albergar um oceano. Estes resultados implicam que um oceano atual dentro de Mimas deve ter estado a aquecer e a expandir-se desde que a bacia se formou. Também é possível que Mimas estivesse totalmente congelada, tanto na altura do impacto que formou Herschel como atualmente. Contudo, Denton descobriu que a inclusão de um oceano interior em modelos de impacto ajudou a produzir a forma da bacia.

"Descobrimos que Herschel não pode ter sido formada numa concha gelada à espessura atual sem obliterá-la no local de impacto" disse Denton, que é agora investigadora pós-doutorada na Universidade do Arizona. "Se Mimas tem hoje um oceano, a concha de gelo tem vindo a ficar menos espessa desde a formação de Herschel, o que também poderia explicar a ausência de fraturas em Mimas. Se Mimas é um mundo oceânico emergente, isso coloca importantes restrições à formação, evolução e habitabilidade de todas as luas de tamanho médio de Saturno".

"Embora os nossos resultados apoiem um oceano atual dentro de Mimas, é um desafio reconciliar as características orbitais e geológicas da lua com a nossa compreensão atual da sua evolução termo-orbital", disse Rhoden. "Avaliar o estatuto de Mimas como lua oceânica seria uma referência para os modelos da sua formação e evolução. Isto ajudar-nos-ia a compreender melhor os anéis de Saturno e as luas de tamanho médio, bem como a prevalência de luas oceânicas potencialmente habitáveis, particularmente em Úrano. Mimas é um alvo atraente para uma investigação contínua".

// SwRI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Geophysical Research Letters)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
25/01/2022 - Evidências de um oceano interno na lua de Saturno, Mimas
21/10/2014 - Lua de Saturno pode esconder um núcleo "fóssil" ou um oceano

Mimas:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Libração:
Wikipedia

Sonda Cassini:
NASA
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Desatando um nó de enxames de galáxias (via NASA)
Os astrónomos capturaram uma colisão espetacular e contínua entre pelo menos três enxames de galáxias. Dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA, do XMM-Newton da ESA e de um trio de radiotelescópios está a ajudar os astrónomos a descobrir o que está a acontecer nesta cena confusa. Colisões e fusões como esta são a principal forma de os enxames de galáxias poderem crescer para os gigantescos edifícios cósmicos vistos hoje em dia. Estes também atuam como os maiores aceleradores de partículas do Universo. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Reflexões nas 1970s

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Daniel Stern
 
As 1970s são por vezes ignoradas pelos astrónomos, como este belo grupo de nebulosas de reflexão em Orionte - NGC 1977, NGC 1975 e NGC 1973 - geralmente negligenciados a favor do brilho substancial do berçário estelar próximo mais conhecido como a Nebulosa de Orionte. Encontradas ao longo da espada de Orionte, a norte do brilhante complexo da Nebulosa de Orionte, estas nebulosas de reflexão estão também associadas à gigantesca nuvem molecular de Orionte a cerca de 1500 anos-luz de distância, mas são dominadas pela cor azul característica da poeira interestelar que reflete a luz de estrelas jovens e quentes. Nesta imagem nítida a cores, uma porção da Nebulosa de Orionte aparece ao longo da margem inferior, com um grupo de nebulosas de reflexão no centro da imagem. NGC 1977 estende-se pelo campo logo abaixo do centro, separada de NGC 1973 (acima à direita) e de NGC 1975 (acima à esquerda) por regiões escuras ligadas a uma ténue emissão avermelhadas de átomos de hidrogénio. No seu conjunto, as regiões escuras sugerem a muitos a forma de um homem a correr. À distância estimada da poeirenta nuvem de Orionte, este corredor teria cerca de 15 anos-luz de diâmetro.
 
   
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