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  Astroboletim #2045  
  13/10 a 16/10/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 13/10: 286.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1773, Charles Messier descobria a Galáxia do Rodamoinho (M51).

Em 1884, Greenwich, em Londres, Inglaterra, é estabelecida como o meridiano de longitude para a Hora Universal
Em 1892 (noite de 13 para 14), Edward Emerson Barnard descobre D/1892 T1, o primeiro cometa descoberto por meios fotográficos. 
Em 1933, criação da Sociedade Interplanetária Britânica.
HOJE, NO COSMOS:
Agora que estamos praticamente a meio de outubro, Deneb substituiu Vega como a estrela brilhante mais perto do zénite após o cair da noite para observadores a latitudes médias norte. E, assim sendo, Capricórnio substituiu Sagitário como a constelação zodiacal baixa a sul.
Vega, entretanto, ainda é a estrela mais brilhante alta a oeste. Menos alta a sudoeste, procure Altair, que também é menos brilhante.
Logo para cima e para a direita de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está a alaranjada Tarazed. Para baixo de Tarazed e Altair encontra-se a constelação de Águia.

 

DIA 14/10: 287.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra. 
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em direto de uma nave espacial, a Apollo 7.
Em 2012, Felix Baumgartner salta da estratosfera e quebra o recorde de maior queda livre, a uma altitude de 39.068 metros. É também a primeira pessoa a quebrar a barreira do som sem recurso a um veículo.

HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 18:55.
Eclipse solar anular visível numa faixa estreita do continente americano. Parcial para uma área muito maior do mesmo continente.

 

DIA 15/10: 288.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1582, o papa Gregório XIII implementava o calendário gregoriano. O dia 4 de outubro deste ano é seguido diretamente pelo 15 de outubro.
Em 1608 nascia Evangelista Torricelli, físico italiano famoso por ter inventado o barómetro. 
Em 1829 nascia Asaph Hall, astrónomo americano famoso por ter descoberto as luas de Marte, Fobos e Deimos.

Determinou também as órbitas de satélites de outros planetas e de estrelas duplas, a rotação de Saturno e a massa de Marte.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral. 
Em 2001, a sonda Galileu da NASA passa a 181 km da lua de Júpiter, Io
Em 2003, a China lança a Shenzhou 5, a sua primeira missão espacial tripulada.
HOJE, NO COSMOS:
Aproveite a noite para observar o planeta Júpiter, baixo a este, e depois o planeta Saturno a sul. Antes do amanhecer, Vénus está visível a este.

 

DIA 16/10: 289.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 2012, é descoberto o exoplaneta Alpha Centauri Bb.

Em outubro de 2015, astrónomos publicaram um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio.
HOJE, NO COSMOS:
Tente observar a fina Lua Crescente, muito baixa a oeste-sudoeste ao anoitecer.

 
 
   
Amostra do asteroide Bennu contém carbono e água
 
Uma vista do exterior do coletor de amostras da OSIRIS-REx. No centro, à direita, pode ver-se material da amostra do asteroide Bennu. Os cientistas encontraram indícios de carbono e água na análise inicial deste material. A maior parte da amostra encontra-se no interior.
Crédito: NASA/Erika Blumenfeld & Joseph Aebersold
 

Os estudos iniciais da amostra do asteroide Bennu, com 4,5 mil milhões de anos, recolhida no espaço e trazida para a Terra pela NASA, mostram indícios de um elevado teor de carbono e de água, o que, em conjunto, pode indicar que os blocos de construção da vida na Terra podem ser encontrados na rocha. A NASA deu a notícia na quarta-feira, a partir do seu Centro Espacial Johnson, em Houston, onde líderes e cientistas mostraram o material do asteroide pela primeira vez desde a sua aterragem em setembro.

Esta descoberta faz parte de uma avaliação preliminar da equipa científica OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification and Security - Regolith Explorer) da NASA.

"A amostra OSIRIS-REx é a maior amostra de um asteroide rico em carbono alguma vez trazida para a Terra e vai ajudar os cientistas a investigar as origens da vida no nosso próprio planeta durante gerações", disse o Administrador da NASA, Bill Nelson. "Quase tudo o que fazemos na NASA procura responder a perguntas sobre quem somos e de onde viemos. Missões da NASA como a OSIRIS-REx vão melhorar a nossa compreensão dos asteroides que podem ameaçar a Terra, ao mesmo tempo que nos dão um vislumbre do que está para além dela. A amostra chegou à Terra, mas ainda há muita ciência por vir - ciência como nunca vimos antes".

Embora seja necessário mais trabalho para compreender a natureza dos compostos de carbono encontrados, a descoberta inicial é um bom presságio para futuras análises da amostra do asteroide. Os segredos contidos nas rochas e poeiras do asteroide serão estudados durante décadas, fornecendo conhecimentos sobre a formação do nosso Sistema Solar, como os materiais precursores da vida podem ter sido semeados na Terra e que precauções devem ser tomadas para evitar colisões de asteroides com o nosso planeta.

Material bónus de amostra

O objetivo da recolha de amostras da OSIRIS-REx era 60 gramas de material do asteroide. Os especialistas em curadoria do Centro Johnson da NASA, que trabalham em novas salas limpas construídas especialmente para a missão, passaram 10 dias a desmontar cuidadosamente o hardware de retorno da amostra para obter um vislumbre geral. Quando a tampa do recipiente científico foi aberta pela primeira vez, os cientistas descobriram material do asteroide a cobrir o exterior da cabeça do coletor, na tampa do recipiente e na base. Havia tanto material extra que até atrasou o cuidadoso processo de recolha e contenção da amostra primária.

"Os nossos laboratórios estavam prontos para o que quer que Bennu nos reservasse", disse Vanessa Wyche, diretora do Centro Espacial Johnson da NASA. "Tivemos cientistas e engenheiros a trabalhar lado a lado durante anos para desenvolver caixas de luvas e ferramentas especializadas para manter o material do asteroide imaculado e para conservar as amostras de modo a que os investigadores de agora e das próximas décadas possam estudar esta preciosa dádiva do cosmos."

Nas primeiras duas semanas, os cientistas efetuaram análises rápidas desse material inicial, recolhendo imagens de um microscópio eletrónico de varrimento, medições infravermelhas, difração de raios X e análise de elementos químicos. A tomografia computorizada de raios X foi também utilizada para produzir um modelo 3D em computador de uma das partículas, realçando a diversidade do seu interior. Este vislumbre inicial forneceu a evidência de carbono e água abundantes na amostra.

"Ao espreitarmos os segredos antigos preservados na poeira e nas rochas do asteroide Bennu, estamos a abrir uma cápsula do tempo que nos fornece conhecimentos profundos sobre as origens do nosso Sistema Solar", disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx, Universidade do Arizona, Tucson. "A abundância de material rico em carbono e a presença abundante de minerais argilosos que contêm água são apenas a ponta do icebergue cósmico. Estas descobertas, tornadas possíveis através de anos de colaboração dedicada e ciência de ponta, impulsionam-nos numa viagem para compreender não só a nossa vizinhança celeste, mas também o potencial para o início da vida. Com cada revelação de Bennu, ficamos mais perto de desvendar os mistérios da nossa herança cósmica".

Nos próximos dois anos, a equipa científica da missão continuará a caracterizar as amostras e a realizar as análises necessárias para atingir os objetivos científicos da missão. A NASA preservará pelo menos 70% da amostra no Centro Johnson para posterior investigação por cientistas de todo o mundo, incluindo as futuras gerações de cientistas. Como parte do programa científico da OSIRIS-REx, um grupo de mais de 200 cientistas de todo o mundo irá explorar as propriedades do rególito, incluindo investigadores de muitas instituições dos EUA, parceiros da NASA como a JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency), CSA (Canadian Space Agency) e outros cientistas de todo o mundo. Amostras adicionais serão também emprestadas no final deste outono ao Instituto Smithsonian, ao Centro Espacial Houston e à Universidade do Arizona para exibição ao público.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão OSIRIS-REx pelo CCVAlg - Astronomia:
26/09/2023 - Cápsula da OSIRIS-REx, com amostras do asteroide Bennu, pousou com sucesso na Terra
05/09/2023 - NASA completa últimos testes da missão OSIRIS-REx antes da chegada das amostras do asteroide Bennu
29/04/2022 - NASA dá luz verde à nave espacial OSIRIS-REx para visitar outro asteroide
08/10/2021 - As rochas altamente porosas são responsáveis pela superfície surpreendentemente irregular de Bennu
13/08/2021 - OSIRIS-REx da NASA fornece informações sobre a órbita futura do asteroide Bennu
14/05/2021 - OSIRIS-REx despede-se de Bennu
20/04/2021 - OSIRIS-REx deixa a sua marca no asteroide Bennu
27/10/2020 - OSIRIS-REx recolhe quantidade significativa de material do asteroide Bennu
23/10/2020 - OSIRIS-REx toca com sucesso no seu asteroide
20/10/2020 - Dez curiosidades sobre Bennu
13/10/2020 - OSIRIS-REx desvenda mais segredos do asteroide Bennu
29/09/2020 - OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG
25/09/2020 - Asteroide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície
11/09/2020 - Porque é que o asteroide Bennu está a expelir partículas para o espaço?
27/03/2020 - Os pedregulhos de Bennu brilham como faróis para a OSIRIS-REx da NASA
10/03/2020 - Primeiros nomes oficiais dados a características da superfície de Bennu
17/12/2019 - "X" marca o local: NASA seleciona zona para recolha de amostras em Bennu
10/12/2019 - Missão OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de partículas de Bennu
10/12/2019 - OSIRIS-REx prestes a selecionar local de recolha de amostras
16/08/2019 - Selecionados os quatro candidatos finais a local de recolha de amostras de Bennu
28/05/2019 - NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx
22/03/2019 - OSIRIS-REx revela grandes surpresas em Bennu
15/03/2019 - Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, gira mais depressa ao longo do tempo
14/12/2018 - Recém-chegada OSIRIS-REx já descobriu água no asteroide Bennu
28/08/2018 - OSIRIS-REx da NASA começa campanha de observações do asteroide
27/12/2016 - OSIRIS-REx vai procurar asteroides raros
06/09/2016 - NASA prepara-se para lançar a sua primeira missão de recolha e envio de amostras de um asteroide

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Asteroide Bennu:
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OSIRIS-REx:
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Novo lançamento de dados do Gaia revela lentes raras, o núcleo de um enxame e ciência imprevista
 
A nova e bela vista de Omega Centauri aqui apresentada tal como visualizada pelo Gaia Sky. Combina estrelas tal como vistas no DR3 do Gaia e através de um novo modo implementado como parte do novo lançamento de dados. São apresentadas estrelas com diferentes níveis de brilho, desde uma magnitude imediatamente abaixo do limite de visibilidade a olho nu até estrelas mais de um milhão de vezes mais fracas.
A equipa revelou 526.587 estrelas que o Gaia não tinha visto antes, detetando estrelas demasiado próximas umas das outras para serem medidas no processo normal do telescópio e estrelas no núcleo do enxame que são até 15 vezes mais fracas do que as vistas anteriormente. Os novos dados revelam 10 vezes mais estrelas em Omega Centauri; este novo conhecimento permitirá aos investigadores estudar a estrutura do enxame, como as estrelas constituintes estão distribuídas, como se movem e muito mais.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

A missão Gaia da ESA divulgou uma mina de ouro de conhecimentos sobre a nossa Galáxia e não só. Entre outras descobertas, o observador estelar ultrapassa o potencial planeado para revelar meio milhão de estrelas novas e ténues num enxame massivo, para identificar mais de 380 possíveis lentes cósmicas e para identificar as posições de mais de 150.000 asteroides no Sistema Solar.

O Gaia está a mapear a nossa Galáxia e mais além com um extraordinário detalhe multidimensional, completando o censo estelar mais preciso de sempre. A missão está a pintar um quadro detalhado do nosso lugar no Universo, permitindo-nos compreender melhor os diversos objetos que o compõem.

A mais recente divulgação (FPR, ou "focused product release") da missão vai ainda mais longe, fornecendo muitas informações novas e melhoradas sobre o espaço que nos rodeia. O lançamento traz uma ciência excitante e inesperada: descobertas que vão muito para além do que o Gaia foi inicialmente concebido para descobrir e para aprofundar a nossa história cósmica.

Então - o que é que o FPR do Gaia traz de novo?

Meio milhão de novas estrelas: O modo de observação do Gaia foi alargado para desvendar núcleos de enxames

O terceiro lançamento de dados do Gaia (DR3) continha dados sobre mais de 1,8 mil milhões de estrelas, construindo uma visão bastante completa da Via Láctea e mais além. No entanto, ainda havia lacunas no mapeamento. O Gaia ainda não tinha explorado completamente áreas do céu especialmente densamente povoadas de estrelas, deixando-as comparativamente inexploradas - pondo "de lado" estrelas com brilhos inferiores aos das suas muitas vizinhas.

Os enxames globulares são um exemplo chave desta situação. Estes enxames são alguns dos objetos mais antigos do Universo, o que os torna especialmente valiosos para os cientistas que estudam o nosso passado cósmico. Infelizmente, os seus núcleos brilhantes, repletos de estrelas, podem sobrecarregar os telescópios que tentam obter uma visão clara. Como tal, continuam a ser peças de puzzle em falta nos mapas do Universo.

Para colmatar as lacunas nos mapas, o Gaia selecionou Omega Centauri, o maior enxame globular que pode ser visto da Terra e um excelente exemplo de um enxame "típico". Em vez de se concentrar apenas em estrelas individuais, como faria normalmente, o Gaia ativou um modo especial para mapear verdadeiramente uma área mais vasta do céu em torno do núcleo do enxame, sempre que este fosse visto.

 
Infográfico que mostra parte da nova divulgação científica do Gaia, nomeadamente do enxame globular Omega Centauri.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

"Em Omega Centauri, descobrimos mais de meio milhão de novas estrelas que o Gaia não tinha visto antes - em apenas um enxame!" diz a autora principal Katja Weingrill do Instituto Leibniz de Astrofísica em Potsdam, Alemanha, membro da colaboração Gaia.

"Não se trata apenas de colmatar buracos no nosso mapeamento, embora isso seja valioso por si mesmo", acrescenta o coautor e membro da Colaboração Gaia, Alexey Mints, também do mesmo instituto. "Os nossos dados permitiram-nos detetar estrelas que estão demasiado próximas umas das outras para serem medidas corretamente no modo regular do Gaia. Com os novos dados podemos estudar a estrutura do enxame, como as estrelas constituintes estão distribuídas, como se movem e muito mais, criando um mapa completo em grande escala de Omega Centauri. Estamos a utilizar o Gaia em todo o seu potencial - utilizámos esta espantosa ferramenta cósmica na sua potência máxima".

Esta descoberta não só satisfaz como excede o potencial planeado do Gaia. A equipa utilizou um modo de observação concebido para garantir o bom funcionamento de todos os instrumentos do Gaia. "Não estávamos à espera de o utilizar para fins científicos, o que torna este resultado ainda mais excitante", acrescenta Katja.

As novas estrelas reveladas em Omega Centauri marcam uma das regiões mais populosas exploradas pelo Gaia até agora.

O Gaia está atualmente a explorar mais oito regiões desta forma, cujos resultados serão incluídos no catálogo DR4 (Data Release 4). Estes dados ajudarão os astrónomos a compreender verdadeiramente o que se passa no interior destes blocos de construção cósmica, um passo crucial para os cientistas que pretendem confirmar a idade da nossa Galáxia, localizar o seu centro, descobrir se passou por colisões no passado, verificar como as estrelas mudam ao longo da sua vida, restringir os modelos de evolução galáctica e, em última análise, inferir a possível idade do próprio Universo.

À procura de lentes: Gaia, o cosmólogo acidental

Embora o Gaia não tenha sido concebido para a cosmologia, as suas novas descobertas perscrutam o Universo distante, à procura de objetos esquivos e excitantes que contêm pistas para algumas das maiores questões da humanidade sobre o cosmos: as lentes gravitacionais.

Uma lente gravitacional ocorre quando a imagem de um objeto distante é distorcida por uma massa perturbadora - uma estrela ou uma galáxia, por exemplo - situada entre nós e esse objeto. Esta massa intermédia atua como uma lupa gigante, ou lente, que pode amplificar o brilho da luz e criar múltiplas imagens da fonte distante no céu. Estas configurações curiosas e raras são visualmente intrigantes e têm um imenso valor científico, revelando pistas únicas sobre os primeiros tempos e habitantes do Universo.

"O Gaia é um verdadeiro caçador de lentes", diz a coautora Christine Ducourant do Laboratório de Astrofísica de Bordéus, França, membro da colaboração Gaia. "Graças ao Gaia, descobrimos que alguns dos objetos que vemos não são simplesmente estrelas, apesar de se parecerem com elas. Na verdade, são quasares muito distantes que sofrem o efeito de lente - núcleos galácticos extremamente brilhantes e energéticos alimentados por buracos negros. Apresentamos agora 381 candidatos sólidos a quasares com lentes, incluindo 50 que consideramos altamente prováveis: uma mina de ouro para os cosmólogos e o maior conjunto de candidatos alguma vez lançado de uma só vez".

 
Infográfico que, à esquerda, descreve visualmente o funcionamento de uma lente gravitacional. À direita estão seis sistemas de lentes identificadas no DR3 do Gaia e em baixo alguns factos sobre as novas descobertas.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

A equipa identificou os candidatos a partir de uma extensa lista de possíveis quasares (incluindo os do DR3 do Gaia). Cinco das possíveis lentes são potenciais cruzes de Einstein, sistemas de lentes raras com quatro componentes de imagem diferentes em forma de cruz.

Encontrar quasares com lentes é um desafio. As imagens constituintes de um sistema de lentes podem agrupar-se no céu de forma enganadora, e a maioria está muito longe, o que os torna ténues e difíceis de detetar.

"A grande vantagem do Gaia é que olha para todo o lado, pelo que podemos encontrar lentes sem precisar de saber onde procurar", acrescenta o coautor Laurent Galluccio da Universidade da Costa Azul, França, e membro da colaboração Gaia. "Com esta publicação de dados, o Gaia é a primeira missão a realizar um levantamento de todo o céu de lentes gravitacionais em alta resolução."

Alargar o valor do Gaia à cosmologia traz sinergias com a missão Euclid da ESA, recentemente lançada com o objetivo de explorar o Universo escuro. Embora ambas se concentrem em diferentes partes do cosmos - o Euclid no mapeamento de milhares de milhões de galáxias, o Gaia no mapeamento de milhares de milhões de estrelas - os quasares com lentes descobertos pelo Gaia podem ser utilizados para orientar futuras explorações com o Euclid.

Asteroides, luz estelar empilhada e estrelas pulsantes

Outros artigos científicos publicados recentemente fornecem uma visão mais aprofundada do espaço que nos rodeia e dos objetos diversos e por vezes misteriosos que nele se encontram.

Um deles revela mais pormenores sobre 156.823 dos asteroides identificados no âmbito do DR3 do Gaia. O novo conjunto de dados permite identificar as posições destes corpos rochosos ao longo de um período de tempo quase duas vezes superior ao anterior, tornando a maioria das suas órbitas - baseadas apenas nas observações Gaia - 20 vezes mais precisas. No futuro, o DR4 do Gaia completará o conjunto e incluirá cometas, satélites planetários e o dobro do número de asteroides, melhorando o nosso conhecimento dos pequenos corpos no espaço próximo.

 
Esta imagem utiliza dados do DR3 do Gaia para mostrar as órbitas de muitos asteroides. Os maiores círculos azul e amarelo mostram órbitas planetárias, enquanto as muitas órbitas interiores são asteroides. A região central está toda dentro da órbita de Júpiter (círculo azul).
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

Um outro trabalho mapeia o disco da Via Láctea, traçando sinais fracos observados na luz das estrelas, impressões ténues do gás e da poeira que flutuam entre as estrelas. A equipa Gaia empilhou seis milhões de espetros para estudar estes sinais, formando um conjunto de dados incrivelmente grande de características fracas que nunca antes tinham sido medidas numa amostra tão grande. Saber mais sobre a origem deste sinal ajuda-nos a estudar os complexos e interligados processos físicos e químicos ativos em toda a nossa Galáxia e a compreender melhor o material que se encontra entre as estrelas.

Por último, mas não menos importante, um artigo caracteriza a dinâmica de 10.000 estrelas gigantes vermelhas pulsantes e binárias, de longe a maior base de dados disponível até à data. Estas estrelas faziam parte de um catálogo de dois milhões de estrelas variáveis candidatas lançado no DR3 do Gaia e são fundamentais para calcular distâncias cósmicas, para confirmar características estelares e para clarificar a forma como as estrelas evoluem no cosmos. A nova publicação fornece uma melhor compreensão da forma como estas estrelas fascinantes mudam ao longo do tempo.

 
Cada símbolo neste mapa do céu indica a posição de estrelas no catálogo Gaia. A cor vermelha indica variáveis de longo período, cuja varibilidade é conduzida pelo pulso estelar. Os pontos verdes são estrelas de longo período secundário, cuja causa da variabilidade ainda é assunto de debate, mas que se pensa estar ligada a uma nuvem de poeira em órbita da estrela. Os símbolos azuis são variáveis elipsoidais: gigantes vermelhas que fazem parte de um sistema binário com um objeto compacto denso, cuja forma é distorcida numa forma de ovo devido à forte atração gravitacional da companheira. Cada fonte muda de luminosidade mais ou menos periodicamente e tem uma velocidade de linha de visão variável. Isto significa que a superfície estelar ou se aproxima ou se afasta de nós ciclicamente à medida que pulsa, ou que a estrela o faz ao longo da sua órbita. Quanto mais escura a tonalidade e quanto maior o tamanho de cada símbolo, mais essa velocidade muda ao longo do seu ciclo.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

"Esta publicação de dados demonstra ainda mais o valor amplo e fundamental do Gaia - mesmo em tópicos para os quais não foi inicialmente concebido", afirma Timo Prusti, cientista do projeto Gaia na ESA.

"Embora o seu foco principal seja o levantamento de estrelas, o Gaia está a explorar tudo, desde os corpos rochosos do Sistema Solar até aos quasares com imagens múltiplas que se encontram a milhares de milhões de anos-luz de distância, muito para além da Via Láctea. A missão está a proporcionar uma visão verdadeiramente única do Universo e dos objetos que o compõem, e estamos a tirar o máximo partido da sua perspetiva ampla e abrangente dos céus que nos rodeiam".

Os próximos passos

O anterior lançamento de dados do Gaia, o DR3, foi divulgado no dia 13 de junho de 2022. Foi o estudo mais detalhado da Via Láctea até à data e um tesouro de dados sobre estranhos "sismos estelares", estrelas em movimento assimétrico, ADN estelar e muito mais. O DR3 do Gaia continha detalhes novos e melhorados de quase dois mil milhões de estrelas da Via Láctea e incluía os maiores catálogos de estrelas binárias, milhares de objetos do Sistema Solar e - mais longe e fora da nossa Galáxia - milhões de galáxias e quasares.

O próximo lançamento de dados da missão, o DR4 do Gaia, não é esperado antes do final de 2025. Basear-se-á no DR3 e neste lançamento provisório de produtos específicos para melhorar ainda mais a nossa compreensão da Via Láctea multidimensional. Irá aperfeiçoar o nosso conhecimento das cores, posições e movimentos das estrelas; resolver sistemas estelares variáveis e múltiplos; identificar e caracterizar quasares e galáxias; listar candidatos a exoplanetas; e muito mais.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
// Instituto Leibniz de Astrofísica em Potsdam (comunicado de imprensa)
// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Universidade de Barcelona (comunicado de imprensa)
// Vendo Omega Centauri com o Gaia (ESA via YouTube)

FPR do Gaia - Omega Centauri:
// ESA (descrição)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

FPR do Gaia - Variáveis de longo período:
// ESA (descrição)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

FPR do Gaia - Asteroides:
// ESA (descrição)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

FPR do Gaia - Bandas interestelares difusas:
// ESA (descrição)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

FPR do Gaia- Quasares sob o efeito de lente gravitacional:
// ESA (descrição)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
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Omega Centauri:
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Enxames globulares:
CCVAlg - Astronomia
SEDS
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Lentes gravitacionais:
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Asteroides:
Centro de Planetas Menores da UAI
CNEOS (JPL NASA)
NEODyS-2
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Estrela variável de longo período:
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Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
FPR do Gaia (ESA)
FPR do Gaia (arquivo)
FPR do Gaia (artigos)
FPR do Gaia (histórias)
Catálogo DR3 do Gaia
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Euclid:
ESA
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Nuvem de poeira da colisão entre dois planetas gelados escurece a luz da sua estrela-mãe
 
Ilustração de uma nuvem em forma de donut que se formou após a colisão de dois planetas gigantes de gelo. A nuvem brilha a vermelho escuro com o calor da colisão. Um asteroide e pequenos detritos da colisão estão em frente da nuvem em forma de donut. A estrela-mãe, ASASSN-21qj, está ao longe, à esquerda da nuvem.
Crédito: Mark Garlick
 

Pela primeira vez, um grupo internacional de astrónomos viu o brilho térmico de dois planetas gigantes gelados a colidir. Também puderam observar a nuvem de poeira resultante a mover-se em frente da estrela-mãe vários anos mais tarde. Liderados pelo astrónomo Matthew Kenworthy, do Observatório de Leiden, os investigadores monitorizaram as variações de brilho da estrela durante dois anos após esta ter começado a escurecer no visível. Os investigadores descobriram, por coincidência, que a estrela tinha duplicado o seu brilho em comprimentos de onda infravermelhos três anos antes. A sua investigação foi publicada na revista científica Nature.

A estrela chama-se ASASSN-21qj. O seu nome vem da rede de telescópios que descobriu pela primeira vez o desvanecimento da estrela em comprimentos de onda visíveis. A estrela foi estudada intensivamente por uma rede de astrónomos amadores e profissionais, que monitorizaram as mudanças de brilho. Uma publicação casual de um investigador amador numa rede social levou à descoberta de que o sistema duplicou o seu brilho em comprimentos de onda infravermelhos cerca de três anos antes da estrela começar a desvanecer-se no visível. A missão norte-americana NEOWISE já tinha observado este facto.

Uma colisão de dois planetas

"Para ser honesto, isto foi uma completa surpresa para mim", diz o Dr. Kenworthy. "Quando o levantamento ASASSN partilhou a curva de luz desta estrela com outros astrónomos, comecei a observá-la com uma rede de telescópios e observadores. Do nada, um astrónomo nas redes sociais assinalou que a estrela se iluminou no infravermelho durante mil dias antes de se desvanecer no ótico. Soube então que se tratava de um acontecimento invulgar".

Richelle van Capelleveen, estudante de Leiden, trabalhou no projeto como aluna de mestrado. Ela continua: "Trabalhei na curva de luz com o Dr. Kenworthy e, durante o nosso trabalho, apercebemo-nos de que poderia ser uma colisão de dois planetas".

A explicação mais provável é que dois exoplanetas gigantes de gelo colidiram um com o outro, produzindo o brilho infravermelho captado pela missão NEOWISE, e que a nuvem de detritos em expansão daí resultante se deslocou para a frente da estrela cerca de três anos mais tarde, fazendo com que o brilho da estrela diminuísse nos comprimentos de onda visíveis.

Colisão planetária

A temperatura e o tamanho do material incandescente e a quantidade de tempo que o brilho durou é consistente com a colisão de dois exoplanetas gigantes de gelo, como inferimos dos nossos cálculos e modelos de computador", diz o coautor Dr. Simon Lock (Universidade de Bristol, Reino Unido).

O que é novo é que pensamos que esta é a primeira vez que vemos o brilho do corpo produzido pela colisão planetária", diz o Dr. Grant Kennedy (Universidade de Warwick, Reino Unido), também coautor do artigo.

Esta é realmente uma oportunidade fantástica para descobrir mais sobre o interior dos planetas gigantes", diz a Dra. Ludmila Carone do Instituto de Investigação Espacial da Academia Austríaca de Ciências em Graz. Normalmente, os planetas gigantes escondem os seus elementos pesados sob espessas camadas de hidrogénio e hélio. No entanto, nesta colisão, o material do interior foi ejetado ou arrastado para as regiões exteriores do corpo criado pela fusão dos dois planetas. Carone acrescenta: "Podemos já concluir que foi libertado muito vapor de água que ajudou a arrefecer o corpo pós-impacto até 1000 K".

Ao longo dos próximos anos, a nuvem de poeira começará a espalhar-se ao longo da órbita do remanescente da colisão, e uma dispersão de luz desta nuvem pode ser detetada tanto com telescópios terrestres como com o Telescópio Espacial James Webb. Em última análise, a nuvem de material em torno do remanescente pode condensar-se para formar um cortejo de luas que vão orbitar em torno deste novo planeta. Vamos monitorizar este sistema de perto para ver o que acontece a seguir", diz Kenworthy.

// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Universidade de Bristol (comunicado de imprensa)
// Observatório Las Cumbres (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (PDF)
// Uma colisão planetária: ASASSN-21qj (Observatório Las Cumbres via YouTube)

 


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Exoplanetas:
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Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

ASAS-SN:
Página oficial (Universidade Estatal do Ohio) 
Wikipedia

WISE (ou NEOWISE):
NASA
ipac
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Fonte estelar da juventude com uma história de formação turbulenta no centro da nossa Galáxia (via Universidade de Colónia)
Uma equipa internacional liderada pelo Dr. Florian Peißker do Instituto de Astrofísica da Universidade de Colónia analisou em pormenor um jovem enxame de estrelas na vizinhança imediata do buraco negro supermassivo Sagitário A* (Sgr A*) no centro da nossa Galáxia e mostrou que é significativamente mais jovem do que o esperado. Este enxame, conhecido como IRS13, foi descoberto há mais de vinte anos, mas só agora foi possível determinar os membros do enxame em pormenor, combinando uma grande variedade de dados - obtidos com vários telescópios ao longo de várias décadas. Ler fonte
     
  O enredo adensa-se na procura do nono planeta (via Universidade Case Western Reserve)
Dois físicos teóricos afirmam que as mesmas observações que inspiram a procura de um nono planeta podem ser evidências, no Sistema Solar, de uma lei da gravidade modificada, originalmente desenvolvida para compreender a rotação das galáxias. Ler fonte
     
  Pulsares talvez façam a matéria escura brilhar (via Universidade de Amesterdão)
A questão central na atual busca da matéria escura é: de que é feita? Uma resposta possível é que a matéria escura é constituída por partículas conhecidas como axiões. Uma equipa de astrofísicos, liderada por investigadores das universidades de Amesterdão e Princeton, demonstrou agora que, se a matéria escura for constituída por axiões, pode revelar-se sob a forma de um subtil brilho adicional proveniente de estrelas pulsantes. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
NGC 1097: Galáxia Espiral com Supernova

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Telescope Live (Chile); Processamento - Bernard Miller
 
O que está a acontecer no braço inferior desta galáxia espiral? Uma supernova. No mês passado, a supernova apelidada SN 2023rve foi descoberta pelo Observatório Al-Khatim dos Emirados Árabes Unidos e, mais tarde, considerada consistente com a explosão mortífera de uma estrela massiva, possivelmente deixando para trás um buraco negro. A galáxia espiral NGC 1097 está a uma distância relativamente próxima de 45 milhões de anos-luz e é visível com um pequeno telescópio na direção da constelação meridional da Fornalha. A galáxia é notável não só pelos seus pitorescos braços espirais, mas também por jatos ténues consistentes com antigos fluxos estelares deixados por uma colisão galáctica - possivelmente com a pequena galáxia vista entre os seus braços no canto inferior esquerdo. A imagem em destaque realça a nova supernova ao piscar entre duas exposições tiradas com vários meses de intervalo. Encontrar supernovas em galáxias próximas pode ser importante para determinar a escala e o ritmo de expansão de todo o nosso Universo - um tópico atualmente de inesperada tensão e muito debate.
 
   
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