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Edição n.º 979
23/07 a 25/07/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 23/07: 204.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, os Estados Unidos lançavam o satélite LandSat 1.

Em 1995, é descoberto o Cometa Hale-Bopp e torna-se visível a olho nu quase um ano depois.
Observações: A Noroeste após o anoitecer está a Ursa Maior, suspensa diagonalmente. A sua "pega" está em cima à esquerda. Siga a curva para chegar a Arcturo a Oeste.

Dia 24/07: 205.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 regressava à Terra em segurança caindo a cápsula com os astronautas em segurança no Oceano Pacífico. 

Observações: As duas estrelas mais brilhantes do Verão são Arcturo a Oeste e Vega quase no zénite. Estão a 37 e 25 anos-luz de distância, respectivamente.

Dia 25/07: 206.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda russa Mars 5.
Em 1976, a sonda Viking 1 obtém a famosa foto da "Face de Marte". 

Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7.
Observações: A Lua nasce tarde a Este esta noite. Se tiver acesso a um horizonte desimpedido, marque o local. O Grande Quadrado de Pégaso apoia-se num canto bem para a esquerda e para cima da Lua.

 
CURIOSIDADES


As possíveis causas para a perda atmosférica em Marte incluem: erosão gradual da atmosfera pelo vento solar, talvez com a ajuda de irregularidades no campo magnético de Marte; colisão catastrófica por um corpo grande o suficiente para expulsar uma percentagem significativa da atmosfera; a baixa gravidade de Marte que permitiu que a atmosfera "fugisse" para o espaço através de processos de escape atmosféricos.

 
ARTIGOS RELATAM PISTAS DO PASSADO ATMOSFÉRICO DE MARTE

Um par de novos artigos científicos relatam medições da composição da atmosfera marciana feitas pelo rover Curiosity da NASA, que também fornecem evidências acerca da perda de grande parte da atmosfera original da Marte.

O conjunto de instrumentos laboratoriais SAM (Sample Analysis at Mars) a bordo do Curiosity mediu as abundâncias de diferentes gases e diferentes isótopos em várias amostras da atmosfera marciana. Isótopos são variantes do mesmo elemento químico com diferentes pesos atómicos devido a terem diferentes números de electrões, como por exemplo o isótopo mais comum de carbono, carbono-12, e um isótopo estável mais pesado, o carbono-13.

O SAM verificou as proporções de isótopos mais leves de carbono e oxigénio no dióxido de carbono que compõe a maioria da atmosfera marciana. Os isótopos pesados de carbono e oxigénio são ambos enriquecidos na fina atmosfera marciana de hoje em dia, em comparação com as proporções das matérias-primas que formaram Marte, conforme deduzido a partir de proporções no Sol e noutras partes do Sistema Solar. Isto fornece não só evidências de suporte para a perda de grande parte da atmosfera original do planeta, mas também pistas de como esta perda ocorreu.

A imagem mostra uma demonstração em laboratório da câmara de medição dentro do espectrómetro de laser ajustável, um instrumento que faz parte do SAM a bordo do rover Curiosity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"À medida que se perdia atmosfera, a assinatura do processo era incorporada nos rácios isotópicos," afirma Paul Mahaffy do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano do Maryland. Ele é o investigador principal do SAM e o autor principal de um dos dois artigos acerca dos resultados do Curiosity, publicados na edição de 19 de Julho da revista Science.

Outros factores também sugerem que Marte já teve uma atmosfera muito mais espessa, tais como evidências da presença persistente de água líquida na superfície do planeta há muito tempo atrás, embora a atmosfera seja actualmente demasiado escassa para a água líquida persistir na superfície. O enriquecimento de isótopos mais pesados medidos em pontos dominantes do dióxido de carbono gasoso aponta para um processo de perda a partir do topo da atmosfera -- favorecendo a perda de isótopos mais leves -- em vez de um processo de interacção entre a atmosfera inferior e o solo.

O Curiosity mediu o mesmo padrão em isótopos de hidrogénio, bem como de carbono e oxigénio, consistentes com a perda de uma parte considerável da atmosfera original da Marte. O enriquecimento de isótopos mais pesados na atmosfera marciana tinha sido previamente medido em Marte e em bolhas de gás presas dentro de meteoritos marcianos. As medições dos meteoritos indicam que grande parte da perda atmosférica pode ter ocorrido durante os primeiros mil milhões dos 4,6 mil milhões de anos da história do planeta. As medições do Curiosity anunciadas a semana passada podem ser comparadas com os estudos de meteoritos e com modelos de perda atmosférica.

As medições do Curiosity não medem directamente a taxa actual de fuga atmosférica, mas a próxima missão da NASA a Marte, a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution Mission), irá fazê-lo. "O ritmo actual de perda é exactamente o que a missão MAVEN, com lançamento previsto para Novembro deste ano, está projectada para determinar," afirma Mahaffy.

Os novos artigos descrevem análises de amostras da atmosfera marciana com dois diferentes instrumentos do SAM durante as primeiras 16 semanas da missão do rover em Marte, que está agora na sua 50.ª semana. O espectrómetro de massa do SAM e o espectrómetro de laser ajustável mediram independentemente rácios virtualmente idênticos de carbono-13 para carbono-12. O SAM também inclui um cromatógrafo a gás que usa todos os três instrumentos para analisar rochas e solo, bem como a atmosfera.

"A obtenção do mesmo resultado com duas técnicas muito diferentes aumentou a nossa confiança de que não há nenhum erro sistemático desconhecido subjacente às medições," afirma Chris Webster do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. Ele é o líder científico do espectrómetro de laser ajustável e o autor principal do segundo artigo. "A precisão destas novas medições melhora a base para a compreensão da história da atmosfera."

O Curiosity aterrou dentro da Cratera Gale a 6 de Agosto de 2012. O rover começou este mês uma viagem de muitos meses a partir de uma área onde descobriu evidências para um ambiente passado favorável à vida microbiana, em direcção ao Monte Sharp, onde os cientistas vão procurar evidências de como o ambiente mudou.

Links:

Cobertura da missão do rover Curiosity pelo CCVAlg:
09/07/2013 - Rover Curiosity começa viagem até Monte Sharp
07/06/2013 - Cientistas calculam exposição à radiação durante viagem a Marte
04/06/2013 - Seixos comprovam antigo leito de rio em Marte
21/05/2013 - Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo
19/03/2013 - Rover Curiosity vê tendência em presença de água
15/03/2013 - Rover da NASA descobre que Marte já teve condições para suportar vida
05/02/2013 - Curiosity perfura rocha marciana pela primeira vez
18/01/2013 - Curiosity prepara-se para primeira perfuração marciana
28/12/2012 - Rover Curiosity passa Natal na "Casa da Avó"
11/12/2012 - O futuro do Curiosity: mapeamento montanhoso
04/12/2012 - Rover da NASA completa primeira análise de solo marciano
06/11/2012 - Rover Curiosity encontra pistas de mudanças na atmosfera de Marte
02/11/2012 - Curiosity analisa primeiras amostras de solo marciano
02/10/2012 - Curiosity descobre que tempo em Marte é surpreendentemente quente
28/09/2012 - Rover Curiosity descobre antigo leito na superfície marciana
21/09/2012 - Rover Curiosity aponta armas para rocha invulgar na sua viagem
07/09/2012 - Rover Curiosity começa actividades com o seu braço robótico
31/08/2012 - Curiosity começa viagem para Este
28/08/2012 - Curiosity envia incrível imagem em alta-resolução do Monte Sharp
21/08/2012 - Laser e braço do Curiosity passam primeiros testes
10/08/2012 - Curiosity envia 1.º panorama a cores
07/08/2012 - Curiosity aterra em Marte!
03/08/2012 - Rover Curiosity: tudo ou nada
31/07/2012 - Aterragem de rover marciano segue grande tradição dramática com 40 anos
17/07/2012 - Rover Curiosity a caminho da aterragem no início de Agosto
20/12/2011 - Rover marciano da NASA começa pesquisa no espaço
25/11/2011 - Como é que o Curiosity vai para Marte? Com muito cuidado
22/11/2011 - Mega-rover pronto para pesquisar sinais de vida em Marte
05/07/2011 - Rover Curiosity poderá subir monte com altura do Kilimanjaro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
Science - 2 (requer subscrição)
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily
Nature World News
redOrbit
BBC News

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
NEVE NUM SISTEMA PLANETÁRIO BEBÉ
Concepção artística da linha de neve em TW Hydrae, que mostra gelo de água a cobrir grãos de poeira no disco interior (4,5 a 30 unidades astronómicas, a azul) e gelo de monóxido de carbono a cobrir grãos no disco exterior (a mais de 30 unidades astronómicas, a verde). A transição de azul para verde marca a linha de neve do monóxido de carbono. As linhas de neve ajudam os grãos de poeira a aderirem uns aos outros, ao darem-lhes uma cobertura pegajosa, o que é essencial à formação de planetas e cometas. Pelo facto dos diferentes compostos químicos terem diferentes pontos de congelação, as respectivas linhas de neve encontram-se a distâncias diferentes da estrela.
Crédito: B. Saxton e A. Angelich/NRAO/AUI/NSF/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de astrónomos conseguiu obter pela primeira vez a imagem de uma linha de neve num sistema planetário recém-nascido distante. A linha de neve, situada no disco que rodeia a estrela TW Hydrae, do tipo solar, promete ensinar-nos mais sobre a formação de planetas e cometas, incluindo os factores que determinam a sua composição e, consequentemente, sobre a história do nosso Sistema Solar. Os resultados foram publicado a semana passada na revista Science Express.

Os astrónomos usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para obterem a primeira imagem da linha de neve num sistema planetário recém-nascido. Na Terra, as linhas de neve formam-se a altitudes elevadas, onde as temperaturas baixas transformam a humidade do ar em neve. Esta linha é claramente visível numa montanha, no local onde o pico coberto de neve termina e a face rochosa descoberta começa.

As linhas de neve em torno das estrelas jovens formam-se de maneira semelhante, nas regiões distantes e frias dos discos de poeira, a partir dos quais se formam os sistemas planetários. Partindo da estrela em direcção ao exterior, a água é a primeira a congelar, formando a primeira linha de neve. Mais longe da estrela, à medida que as temperaturas descem, as moléculas mais exóticas podem gelar e transformar-se em neve, tais como o dióxido de carbono, o metano e o monóxido de carbono. Estes diferentes tipos de neve dão aos grãos de poeira uma camada exterior pegajosa e desempenham um papel importante, ajudando os grãos a ultrapassarem a sua tendência natural para se quebrarem por meio de colisões, e permitindo-lhes tornarem-se os blocos constituintes cruciais de planetas e cometas. A neve também aumenta a quantidade de matéria sólida disponível, podendo fazer acelerar drasticamente o processo de formação planetária.

Cada uma destas diferentes linhas de neve - água, dióxido de carbono, metano e monóxido de carbono - podem estar ligadas à formação de tipos particulares de planetas. Em torno de uma estrela tipo-Sol, num sistema planetário como o nosso, a linha de neve da água corresponderia à distância entre as órbitas de Marte e Júpiter, e a linha de neve do monóxido de carbono corresponderia à órbita de Neptuno.

A linha de neve descoberta pelo ALMA é o primeiro indício que temos da linha de neve do monóxido de carbono em torno de TW Hydrae, uma estrela jovem situada a 175 anos-luz de distância da Terra. Os astrónomos pensam que este sistema planetário em formação partilha muitas das características do nosso Sistema Solar, quando este tinha apenas alguns milhões de anos de idade.

"O ALMA deu-nos a primeira imagem real de uma linha de neve em torno de uma estrela jovem, o que é tremendamente excitante, já que podemos aprender muito sobre o período inicial da história do nosso Sistema Solar," disse Chunhua "Charlie" Qi (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, Cambridge, EUA), um dos autores principais do artigo científico que descreve este trabalho. "Conseguimos observar detalhes escondidos anteriormente, sobre as regiões geladas de outro sistema planetário semelhante ao nosso."

A presença da linha de neve do monóxido de carbono pode ter igualmente consequências mais importantes do que apenas a formação de planetas. O gelo de monóxido de carbono é necessário à formação de metanol, que é um dos blocos constituintes das moléculas orgânicas mais complexas essenciais à vida. Se os cometas levarem estas moléculas a planetas recém-formados, do tipo da Terra, estes planetas poderão ficar equipados com os ingredientes necessários à vida.

Esta imagem ALMA mostra a região onde a neve de monóxido de carbono se formou em torno da estrela. O monóxido de carbono está representado a verde, e começa a uma distância de mais de 30 unidades astronómicas de TW Hydrae. Para além de ser necessário à formação de planetas e cometas, o monóxido de carbono é necessário à criação de metanol, o qual é um bloco constituinte indispensável à vida.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Até hoje, nunca se tinham obtido imagens directas de linhas de neve, já que estas linhas se formam sempre no plano central relativamente estreito do disco protoplanetário e por isso, tanto a sua localização precisa como a sua extensão nunca tinham sido determinadas. Acima e abaixo da região estreita onde as linhas de neve existem, a radiação da estrela impede a formação de gelo. A concentração de gás e poeira no plano central é indispensável para insular a área da radiação estelar, de modo a que o monóxido de carbono e outros gases possam arrefecer e congelar nesta zona.

A equipa de astrónomos conseguiu espreitar para o interior deste disco, onde a neve se formou, utilizando um truque. Em vez de procurarem neve - que não pode ser observada directamente - procuraram uma molécula chamada diazenylium (N2H+), a qual brilha intensamente na região do milímetro do espectro electromagnético e é, por isso, um alvo perfeito para um telescópio como o ALMA. Esta molécula frágil é facilmente destruída na presença de monóxido de carbono gasoso, logo só aparecerá em quantidades susceptíveis de serem detectadas em regiões onde o monóxido de carbono se transformou em neve, não podendo portanto destruir a molécula. Ou seja, duma maneira geral, a chave para encontrar a neve de monóxido de carbono consiste em encontrar diazenylium.

A sensibilidade e resolução únicas do ALMA permitiram aos astrónomos detectar a presença e traçar a distribuição de diazenylium, e com isso encontrar uma fronteira claramente definida a cerca de 30 unidades astronómicas da estrela (30 vezes a distância entre a Terra e o Sol), o que dá, efectivamente, uma imagem negativa da neve de monóxido de carbono existente no disco que rodeia a TW Hydrae, a qual pode, por sua vez, ser utilizada para detectar a linha de neve do monóxido de carbono, precisamente onde a teoria prevê que deva estar - na zona interior do anel de diazenylium.

"Nestas observações usámos apenas 26 das antenas ALMA, que serão um total de 66. Indicações de linhas de neve em torno de outras estrelas começam já a aparecer noutras observações ALMA, e estamos convencidos que futuras observações que usarão a rede total revelarão muitas mais e fornecerão mais e mais avançadas pistas sobre a formação e evolução de planetas. Aguardemos estes resultados," conclui Michiel Hogerheijde do Observatório de Leiden, Holanda.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
18/06/2013 - Hubble descobre evidências de formação planetária mais longínqua de qualquer estrela
01/02/2013 - Estrelas podem ser mães em idade avançada
21/10/2011 - Herschel detecta água abundante em disco de formação planetária

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
CfA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
SPACE.com
SpaceDaily
science 2.0
PHYSORG
redOrbit
Caltech
National Geographic
Discovery News
ars technica
UPI.com
Jornal Digital
Boas Notícias
Expresso
AstroPT

Diazenylium:
Wikipedia

TW Hydrae:
Wikipedia

Discos protoplanetários:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Terra e Lua, de Saturno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute
 
Você está aqui. Todas as pessoas que conhece estão aqui. Cada ser humano que já viveu - viveu aqui. A foto acima é do sistema Terra-Lua, capturada pela sonda Cassini em órbita de Saturno no Sistema Solar exterior. A Terra é o mais brilhante dos dois pontos perto do centro, enquanto a Lua é visível para baixo e para a esquerda. A imagem não processada mostra vários riscos que não são estrelas mas raios cósmicos que atingiam a câmara digital enquanto obtia a imagem. Foi capturada na Sexta passada e enviada no Sábado. Quase ao mesmo tempo, muitos seres humanos cá na Terra tiravam as suas próprias imagens de Saturno.
 

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