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Edição n.º 1083
25/07 a 28/07/2014
 
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EFEMÉRIDES

Dia 25/07: 206.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda russa Mars 5.
Em 1976, a sonda Viking 1 obtém a famosa foto da "Face de Marte". 

Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7.
Observações: Marte e Espiga ainda brilham baixo a Sudoeste com o passar da noite. Marte continua a afastar-se Espiga; estão agora separados por 5,5º. Saturno brilha para cima e para a esquerda. Arcturo pisca bem alta para a direita.

Dia 26/07: 207.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.

Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003.
Observações: Lua Nova, pelas 23:44.

Dia 27/07: 208.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao director do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.

Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra.
Observações: O Verão já vai a pouco mais de um-terço, astronomicamente falando. Mas o Grande Quadrado de Pégaso, símbolo do Outono que se aproxima, já sobe a Este-Nordeste ao anoitecer e passa para Este com o avançar da noite. Encontra-se apoiado sobre um canto.

Dia 28/07: 209.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851 era tirada a primeira fotografia do Sol durante um eclipse total, a partir da qual se descobre a coroa solar.
Em 1867 nascia Charles Dillon Perrine, astrónomo americano-argentino, descobridor de duas luas de Júpiter (Himalia em 1904 e Elara em 1905).

Foi também director do Observatório Nacional Argentino (hoje com o nome Observatório Astronómico de Córdoba).
Em 1964 era lançada a sonda Ranger 7, que regista as primeiras imagens da Lua tiradas por uma nave americana.
Observações: Com a Lua agora longe do céu nocturno, tente o telescópico ninho de galáxias por cima das costas de Dragão. As mais brilhantes são de 10.ª magnitude.

 
CURIOSIDADES


Uma estrela de neutrões tem um diâmetro de poucas dezenas de quilómetros (a imagem mostra uma comparação com Manhattan, EUA).

 
HUBBLE DESCOBRE QUE TRÊS EXOPLANETAS SÃO SURPREENDENTEMENTE SECOS

Astrónomos, usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA, procuraram vapor de água nas atmosferas de três planetas em órbita de estrelas parecidas com o Sol - e descobriram-nos quase secos.

Os três planetas, conhecidos como HD 189733b, HD 209458b e WASP-12b, estão entre 60 e 900 anos-luz de distância da Terra e pensa-se serem candidatos ideais para detectar vapor de água nas suas atmosferas devido às suas altas temperaturas onde a água se transforma em vapor mensurável.

Estes chamados "Júpiteres quentes" estão tão perto das suas estrelas que têm temperaturas entre os 800 e 2200 graus Celsius. No entanto, descobriu-se que têm apenas entre um décimo e um milésimo da quantidade de água prevista pelas teorias de formação planetária.

"A nossa medição de água num dos planetas, HD 209458b, é a medição mais precisa de qualquer composto químico num planeta para lá do nosso Sistema Solar, e podemos agora dizer, com muito mais certeza que nunca, que encontrámos água num exoplaneta," afirma Nikku Madhusudhan do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, Inglaterra. "No entanto, a baixa abundância que encontrámos até agora é surpreendente."

Impressão de artista do gigante gasoso HD 209458b na constelação de Pégaso. Para surpresa dos astrónomos, encontraram muito menos vapor de água na quente atmosfera do exoplaneta do que os modelos de formação planetária prevêem.
Crédito: NASA, ESA, G. Bacon (STScI) e N. Madhusudhan (UC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Madhusudhan, que liderou a investigação, disse que esta descoberta representa um grande desafio para a teoria exoplanetária. "Basicamente abre inúmeros problemas na formação planetária. Nós esperávamos que todos estes planetas tivessem muita água. Temos que rever os modelos de formação e migração dos planetas gigantes, especialmente dos 'Júpiteres quentes', e investigar como são formados."

Ele enfatiza que estes resultados podem ter implicações importantes para a busca de água em exoplanetas potencialmente habitáveis do tamanho da Terra. Os instrumentos dos futuros telescópios espaciais poderão ter que ser desenhados com uma maior sensibilidade caso os alvos planetários sejam mais secos do que o previsto. "Devemos estar preparados para abundâncias de água muito mais baixas do que o previsto quando olharmos para as super-Terras (planetas rochosos com várias vezes a massa da Terra)," comenta Madhusudhan.

Usando espectros próximo do infravermelho para os planetas observados com o Hubble, Madhusudhan e colaboradores estimaram a quantidade de vapor de água, em cada uma das atmosferas planetárias, que explica os dados.

Os três planetas foram seleccionados porque orbitam estrelas relativamente brilhantes que fornecem radiação suficiente para a recolha de um espectro infravermelho. As características de absorção do vapor de água na atmosfera do planeta são detectáveis porque são sobrepostas sobre a pequena quantidade de luz estelar que é reflectida pela atmosfera do planeta.

A detecção de água é quase impossível para planetas em trânsito a partir da Terra porque a nossa atmosfera contém uma grande quantidade de água, o que contamina a observação. "Nós realmente precisamos do Hubble para fazer as observações," afirma Nicolas Crouzet do Instituto Dunlap da Universidade de Toronto e co-autor do estudo.

A teoria actualmente aceite para a formação dos planetas gigantes no nosso Sistema Solar, conhecida como acreção, afirma que um planeta é formado em torno de uma estrela jovem num disco protoplanetário constituído principalmente por hidrogénio, hélio e partículas de gelos e poeiras compostas por outros elementos químicos. As partículas de poeira aderem umas às outras, eventualmente formando grãos cada vez maiores. As forças gravitacionais do disco atraem estes grãos e partículas maiores até que é formado um núcleo sólido. Isto leva então à acreção de ambos os sólidos e gases para, eventualmente, formar um planeta gigante.

Esta teoria prevê que as proporções dos diferentes elementos no planeta são melhorados relativamente às da sua estrela, especialmente o oxigénio, que é suposto ser o mais melhorado. Assim que o planeta gigante se forma, espera-se que o seu oxigénio atmosférico seja largamente englobado dentro de moléculas de água. Os níveis muito baixos de vapor de água encontrados neste estudo levantam uma série de perguntas sobre os ingredientes que levam à formação de planetas.

"Existem tantas coisas que ainda não sabemos sobre os exoplanetas, e por isso isto abre um novo capítulo na compreensão de como os planetas e sistemas solares se formam," afirma Drake Deming da Universidade de Maryland, que liderou um dos estudos percursores. "O problema é que estamos supondo que a água é tão abundante nos outros sistemas como no nosso. O que o nosso estudo nos mostra é que as características da água podem ser muito mais fracas do que as nossas expectativas."

Os resultados foram publicados ontem na revista The Astrophysical Journal Letters.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
The Astrophysical Journal Letters (requer subscrição)
Universe Today
redOrbit
PHYSORG

HD 189733 b:
13/12/2008 - Hubble descobre dióxido de carbono num planeta extrasolar (CCVAlg)
22/03/2008 - Detectada a primeira molécula orgânica num planeta extrasolar (CCVAlg)
13/02/2008 - Detectadas moléculas orgânicas pela primeira vez num planeta extrasolar (CCVAlg)
Exoplanet.eu
Wikipedia

HD 209458 b:
23/10/2009 - Astrónomos fazem-no outra vez: descobrem moléculas orgânicas em "Júpiter quente" extrasolar (CCVAlg)
18/04/2007 - Primeiro sinal de água detectado num planeta extrasolar (CCVAlg)
Exoplanet.eu
Wikipedia

WASP-12b:
06/12/2013 - Hubble descobre sinais subtis de água em mundos nublados (CCVAlg)
21/05/2010 - Hubble descobre uma estrela a comer um planeta (CCVAlg)
10/12/2010 - Astrónomos detectam primeiro exoplaneta rico em carbono (CCVAlg)
Exoplanet.eu
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais 
Wikipedia

 
A MEDIÇÃO MAIS PRECISA DO TAMANHO DE UM EXOPLANETA

Graças aos telescópios Kepler e Spitzer da NASA, cientistas fizeram a medição mais precisa, até agora, do raio de um planeta para lá do nosso Sistema Solar. O tamanho do exoplaneta, chamado Kepler-93b, é agora conhecido com uma incerteza de apenas 119 km para cada lado do corpo planetário.

As conclusões confirmam que Kepler-93b é uma "super-Terra" com cerca de 1,5 vezes o tamanho do nosso planeta. Embora as super-Terras sejam comuns na Galáxia, não existe nenhuma no nosso Sistema Solar. Exoplanetas como Kepler-93b são, portanto, os únicos laboratórios em que podemos estudar esta classe importante de planeta.

Com bons limites para os tamanhos e massas das super-Terras, os cientistas podem finalmente começar a teorizar acerca da composição destes mundos estranhos. Medições anteriores, pelo Observatório Keck no Hawaii, colocavam a massa de Kepler-93b em cerca de 3,8 vezes a da Terra. A densidade de Kepler-93b, derivada da sua massa e raio recentemente obtido, indica que o planeta é de facto muito provavelmente constituído por ferro e rocha, tal como a Terra.

Usando dados do telescópios Kepler e Spitzer da NASA, cientistas fizeram a medição mais precisa, até à data, do tamanho de um mundo para lá do nosso Sistema Solar, como ilustrado nesta impressão de artista.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Com o Kepler e o Spitzer, obtivémos a medição mais precisa, até à data, do tamanho de um planeta extrasolar, que é fundamental para compreendermos estes mundos longínquos," afirma Sarah Ballard, da Universidade de Washington em Seattle, EUA, autora principal do artigo sobre a descobertas, publicado na revista The Astrophysical Journal.

"A medição é tão precisa que pode ser literalmente comparada a sermos capazes de medir a altura de uma pessoa com 1,8 metros até uma precisão de 1,9 centímetros - se essa pessoa estivesse em Júpiter," afirma Ballard.

Kepler-93b orbita uma estrela localizada a cerca de 300 anos-luz de distância, com cerca de 90% da massa e raio do Sol. A distância orbital do exoplaneta - apenas cerca de um-sexto da distância de Mercúrio ao Sol - implica uma temperatura escaldante à superfície que ronda os 760 graus Celsius. Apesar das recém-descobertas parecenças com a Terra, Kepler-93b é demasiado quente para a vida.

Para fazer a nova medição do raio deste exoplaneta "quentinho", ambos os telescópios Kepler e Spitzer observaram a passagem, ou trânsito, de Kepler-93b pelo disco da sua estrela-mãe, eclipsando uma pequena fracção da luz estelar. O olhar firme do Kepler também acompanhou simultaneamente a diminuição do brilho da estrela provocado por ondas sísmicas que se deslocam no seu interior. Estas leituras codificam informações precisas acerca do interior da estrela. A equipa alavancou-as para avaliar minuciosamente o raio da estrela, o que é crucial para medir o raio do planeta.

O Spitzer, por sua vez, confirmou que o trânsito exoplanetário parecia o mesmo em infravermelho do que no visível pelo Kepler. Estes dados corroborantes do Spitzer - alguns dos quais foram recolhidos através de um novo método de observação precisa - descartaram a possibilidade da detecção do Kepler ser falsa, o que chamamos de falso positivo.

Conjuntamente, os dados apresentam um erro de apenas 1% no raio de Kepler-93b. A medição significa que o planeta, com um diâmetro estimado em 18.000 quilómetros, pode ser cerca de 240 km maior ou mais pequeno, a distância aproximada [e directa] entre Lisboa e Viseu.

O Spitzer acumulou um total de sete trânsitos de Kepler-93b entre 2010 e 2011. Três dos trânsitos foram capturados usando uma técnica observacional que chamam "peak-up". Em 2011, os engenheiros do Spitzer reaproveitaram a câmara "peak-up" do telescópio, usada para apontar o telescópio com precisão, para controlar onde a luz aterra nos pixéis individuais dentro da câmara infravermelha do Spitzer.

O resultado desta manobra: Ballard e colegas foram capazes de reduzir por metade o intervalo de incerteza das medições do raio do exoplaneta pelo Spitzer, melhorando a concordância entre as medições do Spitzer e do Kepler.

"Ballard e a sua equipa fizeram um grande avanço científico, demonstrando o poder da nova abordagem do Spitzer para as observações de exoplanetas," afirma Michael Werner, cientista do projecto Spitzer do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal (requer subscrição)
PHYSORG
redOrbit

Kepler-93b:
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
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Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Wikipedia

 
OBSERVATÓRIO DE RAIOS-X CHANDRA CELEBRA 15.º ANIVERSÁRIO

Há quinze anos atrás, o Observatório de raios-X Chandra da NASA era lançado para o espaço a bordo do vaivém espacial Columbia. Desde 23 de Julho de 1999 que o Chandra tem ajudado a revolucionar a nossa compreensão do Universo graças à sua incomparável visão de raios-X.

O Chandra, um dos actuais "Grandes Observatórios" da NASA, juntamente com o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial Spitzer, foi especialmente desenhado para detectar emissão de raios-X de regiões quentes e energéticas do Universo.

Com a sua soberba sensibilidade e resolução, o Chandra observou objectos que vão desde os planetas e cometas mais próximos até aos quasares mais distantes conhecidos. Fotografou restos de estrelas que explodiram, ou remanescentes de supernova, observou a região em torno do buraco negro supermassivo no centro da nossa Via Láctea e descobriu buracos negros por todo o Universo. O Chandra também fez um grande avanço no estudo da matéria escura ao examinar a separação da matéria normal em colisões de enxames galácticos. Também está a contribuir para a investigação sobre a natureza da energia escura.

Para comemorar o 15.º aniversário do Chandra, foram anunciadas quatro novas imagens de remanescentes de supernova - a Nebulosa do Caranguejo, Tycho, G292.0+1.8 e 3C58. Estes remanescentes de supernova são muito quentes e energéticos e brilham em raios-X, o que permite com que o Chandra os capture em grande detalhe.

Para celebrar o 15.º aniversário do Chandra, foram anunciadas quatro novas imagens recentemente processadas de remanescentes de supernova.
Crédito: NASA/CXC/SAO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O Chandra mudou o modo como fazemos astronomia. Mostrou que a precisão na observação de raios-X a partir de fontes cósmicas é fundamental para entender o que está a acontecer," afirma Paul Hertz, director de Divisão de Astrofísica da NASA em Washington, EUA. "Felizmente tivemos 15 anos - até agora - para usar o Chandra e avançar a nossa compreensão das estrelas, galáxias, buracos negros, energia escura e a origem dos elementos necessários para a vida."

O Chandra orbita muito acima da atmosfera da Terra, que absorve raios-X, a uma altitude até 139.0000 km, o que permite observações longas sem interferências da sombra da Terra. Quando foi para o espaço em 1999, era o maior satélite já lançado pelo vaivém espacial.

"Estamos muito contentes com a forma como o Chandra continua a desempenhar as suas funções," afirma Belinda Wilkes, directora do CXC (Chandra X-ray Centre) em Cambridge, Massachusetts, EUA. "As equipas de ciência e de operações trabalham arduamente para garantir que o Chandra fornece os seus resultados surpreendentes, tal como tem acontecido durante a última década e meia. Estamos ansiosos por fazer mais ciência inovadora durante a próxima década e mais além."

Originalmente chamado AXAF (Advanced X-ray Astrophysics Facility), o telescópio foi proposto pela primeira vez à NASA em 1976. Antes do seu lançamento a bordo do vaivém espacial, o observatório mudou de nome em honra ao falecido Subrahmanyan Chandrasekhar, indiano-americano e laureado com o prémio Nobel. Conhecido no mundo como Chandra (que em sânscrito significa "lua" ou "luminoso"), foi amplamente considerado como um dos astrofísicos mais importantes do século XX.

"O Chandra continua a ser uma das missões mais bem-sucedidas já lançadas pela NASA, medindo em qualquer métrica - custo, planeamento, sucesso técnico e, acima de tudo, descobertas científicas," afirma Martin Weisskopf, cientista do projecto Chandra, do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Hunstville, no estado americano do Alabama. "Tem sido um privilégio trabalhar no desenvolvimento e manutenção desta potência científica, e aguardamos com ansiedade os anos vindouros."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
27/06/2014 - Misterioso sinal de raios-X aponta para matéria escura
09/05/2014 - Observatório Chandra tem novas informações sobre formação de enxames
25/03/2014 - Intrépida estrela sobrevive explosão de supernova
07/03/2014 - Chandra e XMM-Newton providenciam medições directas da rotação de um buraco negro distante
10/01/2014 - Morte por buraco negro numa galáxia anã?
22/11/2013 - Chandra ajuda a confirmar evidências de jacto no buraco negro da Via Láctea
27/09/2013 - Encontrado elo perdido entre pulsares de raios-X e rádio
03/09/2013 - Chandra apanha buraco negro da Via Láctea a rejeitar "comida"
02/08/2013 - Chandra vê planeta eclipsante pela primeira vez em raios-X
14/06/2013 - Chandra descobre muitos buracos negros em Andrómeda
03/05/2013 - Gigante nuvem de gás em NGC 6240
25/09/2012 - Chandra mostra que Via Láctea está rodeada por halo de gás quente
17/08/2012 - O incrível enxame da Fénix
29/04/2011 - Chandra descobre novas evidências sobre origem de supernovas
08/04/2011 - Telescópios da NASA unem forças para observar explosão sem precedentes
25/03/2011 - Estrelas e listas em explosão
08/04/2009 - Mão cósmica alcança a luz
27/03/2009 - Errático buraco negro regula-se a ele próprio
02/03/2009 - Antigo pulsar ainda pulsa
17/12/2008 - Energia escura restringe desenvolvimento do Universo
19/12/2007 - Buraco negro de galáxia "estrela da morte" dispara a vizinha
31/10/2007 - Quebrado novamente recorde de buraco negro
22/09/2007 - Formação de estrelas na cauda de galáxia
02/06/2007 - Uma emissão invulgar
09/05/2007 - Chandra observa a mais brilhante supernova
17/02/2007 - Nebulosa da Águia - olhando para os Pilares da Criação
04/11/2006 - Buraco negro super-massivo
07/07/2006 - Chandra revela um pouco mais sobre supernovas
11/08/2006 - Chandra confirma constante de Hubble
06/12/2005 - O fim de uma supernova
18/10/2005 - O berçário da destruição
25/06/2004 - Chandra observa misterioso aquecimento no centro da Via Láctea

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Fotos do 15.º aniversário do Chandra (NASA)
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SPACE.com
Universe Today
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AstroPT

Observatório Chandra:
15.º aniversário do Chandra
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Programa Grandes Observatórios:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais 
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
FERMI ENCONTRA UM PULSAR "METAMÓRFICO"

No final de Junho de 2013, um binário excepcional contendo uma estrela de neutrões veloz e rodopiante sofreu uma mudança dramática de comportamento, mudança esta nunca antes observada. De acordo com o Telescópio Espacial Fermi da NASA, o "farol" de rádio do pulsar desapareceu e, ao mesmo tempo, o sistema aumentou cinco vezes de brilho em raios-gama, a forma mais poderosa de radiação electromagnética.

"É quase como se alguém tivesse carregado num botão, transformando o sistema de um estado de baixa energia para um de maior energia," afirma Benjamin Stappers, astrofísico da Universidade de Manchester, Inglaterra, que liderou o esforço internacional com o objectivo de compreender esta impressionante transformação. "A mudança parece reflectir uma interacção errática entre o pulsar e a sua companheira, o que nos dá uma oportunidade para explorar uma fase de transição rara na vida deste binário."

Um sistema binário é composto por duas estrelas que orbitam em torno do seu centro de massa comum. Este sistema em particular, conhecido como AY Sextantis, está localizado a cerca de 4000 anos-luz na direcção da constelação de Sextante. O par é constituído por um pulsar de 1,7 milissegundos, chamado PSR J1023+0038 - ou J1023 - e por uma estrela que contém aproximadamente um-quinto da massa do Sol. As estrelas completam uma órbita em apenas 4,8 horas, o que as coloca tão próximas que o pulsar está gradualmente evaporando a sua companheira.

Quando uma estrela maciça colapsa e explode como supernova, o seu núcleo esmagado pode sobreviver como um remanescente compacto chamado estrela de neutrões ou pulsar, um objecto que "aperta" mais massa que o Sol numa esfera não muito maior que uma grande cidade. Estrelas de neutrões jovens e isoladas rodam dezenas de vezes por segundo e geram feixes de rádio, luz visível, raios-X e raios-gama que os astrónomos observam como pulsos sempre que estes feixes ficam apontados para a Terra. Os pulsares também criam fluxos poderosos, ou "ventos", de partículas altamente energéticas que se movimentam quase à velocidade da luz. Todo este poder vem do campo magnético do pulsar, que gira muito rapidamente. Com o passar do tempo, à medida que os pulsares se "acalmam", estas emissões desvanecem.

Estas impressões de artista mostram um modelo do pulsar J1023 antes (topo) e depois (baixo) do seu feixe rádio (verde) ter desvanecido. Normalmente, o vento pulsar repele a corrente de gás da companheira. Quando a corrente ganha a "batalha", forma-se um disco de acreção e os jactos de raios-gama (magenta) obscurecem o feixe de rádio.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior; veja aqui a animação)
 

Há mais de 30 anos atrás, os astrónomos descobriram outro tipo de pulsar, que roda em 10 milissegundos ou menos, atingindo velocidades de rotação até 43.000 rpm (rotações por minuto, unidade não-SI). Enquanto os pulsares jovens normalmente aparecem isolados, mais de metade dos pulsares de milissegundo são encontrados em sistemas binários, o que sugere uma explicação para a sua rápida rotação.

"Os astrónomos já suspeitavam que os pulsares de milissegundo eram alimentados pela transferência e acumulação de matéria das suas estrelas companheiras, por isso muitas vezes são chamados de pulsares reciclados," explica Anne Archibald, investigadora pós-doutorada do Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON) em Dwingeloo, que descobriu J1023 em 2007.

Durante a fase inicial de transferência de massa, o sistema poderia ser considerado um binário de raios-X com baixa massa, em que uma estrela de neutrões mais lenta emite pulsos de raios-X à medida que o gás quente se desloca para a sua superfície. Mil milhões de anos mais tarde, quando o fluxo de matéria chega ao fim, o sistema seria classificado como um pulsar de milissegundo acelerado e com emissões de rádio alimentadas por um campo magnético de rápida rotação.

Para melhor compreender a rotação e evolução orbital de J1023, o sistema tem sido monitorizado regularmente no rádio, usando o Telescópio Lovell no Reino Unido e o WSRT (Westerbork Synthesis Radio Telescope) na Holanda. Estas observações revelaram que o sinal de rádio do pulsar foi desligado e isso desencadeou a busca por uma mudança associada nas suas propriedades de raios-gama.

Poucos meses antes, os astrónomos descobriram um sistema muito mais distante que alternava entre os estados de rádio e raios-X num espaço de semanas. Localizado em M28, um enxame globular a cerca de 19.000 anos-luz de distância, um pulsar conhecido como PSR J1824-2452I sofreu uma erupção de raios-X em Março e Abril de 2013. À medida que as emissões de raios-X desvaneciam no início de Maio, emergia o feixe de rádio do pulsar.

Apesar de J1023 ter alcançado energias muito mais altas e estar consideravelmente mais perto, ambos os binários são muito parecidos. O que está acontecer, dizem os astrónomos, são os últimos suspiros caóticos dos processos de rotação destes pulsares.

Em J1023, as estrelas estão muito mais próximas uma da outra, assim que uma corrente de gás flui da estrela companheira para o pulsar. A rápida rotação do pulsar e o seu intenso campo magnético são os responsáveis tanto do feixe de rádio como do poderoso vento pulsar. Quando o feixe de rádio é detectável, o vento pulsar retém a corrente de gás da companheira, impedindo-a de se aproximar. Mas de vez em quando a corrente ganha, aproximando-se do pulsar e estabelecendo um disco de acreção.

O gás no disco torna-se comprimido e quente, atingindo temperaturas suficientemente altas para emitir raios-X. De seguida, o material ao longo da orla interior do disco perde energia rapidamente e cai em direcção ao pulsar. Quando atinge uma altitude de aproximadamente 80 km, os processos que envolvem a criação do feixe de rádio ou são desligados ou, mais provavelmente, obscurecidos.

A borda interna do disco provavelmente flutua consideravelmente a esta altitude. Certas partes podem acelerar para fora quase à velocidade da luz, formando jactos duplos de partículas disparados em direcções opostas - um fenómeno mais tipicamente associado com a acreção de buracos negros. As ondas de choque dentro e ao longo da periferia destes jactos são provavelmente a fonte da brilhante emissão de raios-gama detectada pelo Fermi.

Os resultados foram publicados na edição de 20 de Julho da revista The Astrophysical Journal. A equipa relata que J1023 é o primeiro exemplo, já observado, de um binário de raios-gama de baixa massa, compacto e transeunte. Os investigadores esperam que o sistema sirva como um laboratório único para a compreensão de como os pulsares de milissegundo se formam e para estudar os detalhes de como a acreção ocorre em estrelas de neutrões.

"Até agora, o Fermi aumentou o número de pulsares de raios-gama conhecidos por cerca de 20 vezes e duplicou o número de pulsares de milissegundo dentro da nossa Galáxia," afirma Julie McEnery, cientista do projecto para a missão, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "O Fermi continua a ser um motor incrível de descobertas de pulsares."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
27/09/2013 - Encontrado elo perdido entre pulsares de raios-X e rádio

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
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Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal (requer subscrição)
Artigo científico - 2 (arXiv.org)
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science 2.0
Astronomy
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Nature World News
Discovery News
io9

Pulsares:
Wikipedia
Pulsares de milissegundo (Wikipedia)
Lista de pulsares de milissegundo com rotação e acreção
Catálogo ATNF de Pulsares

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Sonda Voyager pode não ter alcançado ainda o espaço interestelar (via União Geofísica Americana)
Em 2012, a equipa da missão Voyager anunciou que a Voyager 1 tinha passado para o espaço interestelar. Mas, nos quase dois anos depois desse anúncio histórico, e apesar de observações subsequentes que suportam esta afirmação, ainda permanece uma incerteza acerca deste marco na História da Humanidade. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - IC 4603: Nebulosa de Reflexão em Ofiúco
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Quem fez a imagem
 
Porque é que esta fotografia de um campo estelar faz lembrar uma pintura impressionista? O efeito é criado não apenas por manipulação digital, mas também por grandes quantidades de poeira interestelar. A poeira, rica em carbono e parecida em tamanho com fumo de cigarro, começa muitas vezes nas atmosferas exteriores de estrelas grandes, frias e evoluídas. A poeira é dispersada à medida que a estrela morre e cresce através de acreção no meio interestelar. As densas nuvens de poeira são opacas à luz visível e podem esconder completamente estrelas de fundo. Para nuvens menos densas, a capacidade da poeira reflectir preferencialmente luz estelar azul torna-se importante, efectivamente realçando a luz azul das estrelas e marcando a poeira circundante. As emissões nebulares de gás, normalmente mais brilhantes na luz vermelha, podem combinar-se para formar áreas aparentemente criadas na tela de um artista. Na imagem acima está a parte central da nebulosa IC 4603, em redor da estrela brilhante SAO 184376 (actualmente de oitava magnitude) que ilumina principalmente a nebulosa azul de reflexão. IC 4603 pode ser vista perto da estrela muito brilhante Antares (primeira magnitude) na direcção da constelação de Ofiúco.
 

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