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Edição n.º 1193
14/08 a 17/08/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 14/08: 226.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1846, um meteorito com 2,3 kg, do tipo condrito, colide com a superfície da Terra perto da cidade de Cape Girardeau, no estado do Missouri, EUA. 

Observações: Lua Nova, pelas 15:56.
Esta é a altura do ano em que o "Bule de Chá" de Sagitário está mais alto a sul depois do anoitecer. Tem mais ou menos o tamanho de um punho à distância de um braço esticado. Está inclinado e a "deitar chá" para a direita.

Dia 15/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o The Big Ear, um radiotelescópio operado pela Universidada Estatal do Ohio, como parte do projeto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projeto.

Em 2006, a sonda Voyager 1, o mais distante objeto feito pelo Homem, alcança as 100 UA do Sol. Isto significa que a sonda, lançada no dia 20 de agosto de 1977, estava 100 vezes mais distante do Sol que a Terra.
Observações: Conjunção inferior de Vénus, pelas 20:23.
Aviste Saturno a sudoeste depois do cair da noite. A estrela mais brilhante para a esquerda é a alaranjada Antares. Desenhe uma linha desde Antares e que passa por Saturno até chegar a Beta Librae (Zubeneschamali). Se continuar a desenhar tal linha, chega perto de Arcturo.

Dia 16/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, com Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objetos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afeta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a deteção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas."David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Embora o pico já tenha passado, é possível que ainda se consigam observar meteoros das Perseídas.

Dia 17/08: 229.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877, Asaph Hall descobria Fobos, a maior e mais interior lua de Marte.
Em 1958, é lançada a Pioneer 0, a primeira tentativa dos EUA em atingir órbita lunar, usando os primeiros foguetões Thor-Able. A missão falha. No entanto, é notável por ser uma das primeiras a ir para lá da Terra. 
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo de Baikonur. Chega a Vénus em 15 de dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra a partir da superfície de outro planeta. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de Agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte". 
Em 1999 a sonda Cassini passava pela Terra (1166 km), sobre o lado este do Pacífico Sul.

Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus novamente, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional a fim da sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20.000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: A Lua, extremamente fina, já pode ser observada bem baixa a oeste ao lusco-fusco. Torna-se mais fácil de observar com o passar dos dias.

 
CURIOSIDADES


Magnitude absoluta é a magnitude que qualquer objeto teria se fosse colocado exactamente a 10 parsecs (32,6 anos-luz) de distância do observador.

 
O GRANDE DIA DA ROSETTA AO SOL
Esta série de imagens do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko foi capturada pela câmara OSIRIS da Rosetta no dia 12 de agosto de 2015, meras horas antes do cometa ter alcançado o ponto mais próximo do Sol ao longo da sua órbita de 6,5 anos.
A imagem da esquerda foi obtida às 14:07 GMT, a do meio às 17:35 GMT e a da direita às 23:31 GMT.
Foram capturadas a uma distância de aproximadamente 330 km do cometa. A atividade do cometa, que atingirá o seu pico de intensidade nas próximas semanas, é claramente visível nestas imagens espetaculares. Em particular, uma grande explosão pode ser vista na imagem do meio.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda Rosetta testemunhou a maior aproximação do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko ao Sol. O momento exato do periélio ocorreu às 02:03 (GMT) de ontem, quando o cometa passou a 186 milhões de quilómetros do Sol.

No ano que já passou desde a chegada da Rosetta, o cometa viajou cerca de 750 milhões de quilómetros ao longo da sua órbita em direção ao Sol, a crescente radiação solar aqueceu o núcleo, fazendo com que os seus gelos escapassem como gás para o espaço a um ritmo cada vez maior. Estes gases, juntamente com as partículas de poeira que arrastam, fazem crescer a atmosfera - cabeleira - e a cauda do cometa.

A atividade atinge o seu pico de intensidade em torno do periélio nas semanas que se seguem - e é claramente visível nas espetaculares imagens enviadas pela sonda nos últimos meses. Uma imagem obtida pela câmara de navegação da Rosetta foi obtida às 01:04 GMT, apenas uma hora antes do momento do periélio, a uma distância de mais ou menos 327 km.

Esta série de imagens do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko foi capturada pela câmara OSIRIS da Rosetta no dia 12 de agosto de 2015, meras horas antes do cometa ter alcançado o ponto mais próximo do Sol ao longo da sua órbita de 6,5 anos.
Foram capturadas a uma distância de aproximadamente 330 km do cometa. A atividade do cometa, que atingirá o seu pico de intensidade nas próximas semanas, é claramente visível nestas imagens espetaculares.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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A câmara científica também capturou imagens ontem poucas horas antes do periélio. A atividade do cometa é claramente vista nas imagens, com uma variedade de jatos provenientes do núcleo, incluindo uma explosão fotografada às 17:35 GMT de anteontem.

"A atividade permanecerá assim tão alta durante muitas semanas, e estamos ansiosos por descobrir quantos mais jatos e eventos explosivos conseguimos apanhar em flagrante, tal como já testemunhámos nas últimas semanas," afirma Nicolas Altobelli, cientista do projeto Rosetta.

Esta imagem da câmara de navegação da Rosetta foi obtida às 01:04 GMT de dia 13 de agosto de 2015, apenas uma hora antes do cometa 67P/C-G ter alcançado o periélio - o ponto mais próximo do Sol da sua órbita de 6,5 anos. A foto foi obtida a cerca de 327 km do cometa. Tem uma resolução de 28 m/pixel, abrange 28,6 km de comprimento e foi processada para realçar os detalhes da atividade do cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/NAVCAM
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As medições da Rosetta sugerem que o cometa está a libertar até 300 kg de vapor de água - o equivalente a duas banheiras - por segundo. Este valor é 1000 vezes superior ao observado há um ano atrás quando a Rosetta estava em aproximação ao cometa. Nessa altura, registava uma taxa de apenas 300 gramas por segundo, o equivalente a dois copos pequenos de água.

Juntamente com o gás, estima-se que o núcleo liberte até 1000 kg de poeira por segundo, criando perigosas condições de trabalho para a Rosetta.

"Nos últimos dias, fomos forçados a afastar a sonda ainda mais do cometa. Estamos a uma distância entre 325 e 340 km esta semana, numa região onde consegue seguir as estrelas e operar sem se confundir com os níveis excessivos de poeira - se não funcionar corretamente, a Rosetta não consegue posicionar-se no espaço," comenta Sylvain Lodiot, gestor de operações da ESA.

A monitorização das mudanças do ambiente em redor do cometa antes, durante e depois do periélio, é um dos objetivos científicos primários a longo prazo da missão.

Esta sequência de imagens, obtidas com a câmara OSIRIS da Rosetta no dia 30 de julho de 2015, mostram um objeto com o tamanho de um pedregulho perto do núcleo do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
As imagens foram capturadas a cerca de 185 km de distância. O objeto mede entre um e 50 metros de diâmetro; no entanto, o seu tamanho exato não pode ser determinado pois depende da sua distância à sonda, o que não pode ser inferido através das imagens.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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Ao longo dos últimos meses, as estações do cometa mudaram, atirando o seu hemisfério sul para um verão curto - cerca de 10 meses - depois de mais de cinco anos e meio de escuridão. Isto revelou partes da superfície, anteriormente à sombra durante a estadia da Rosetta, permitindo aos cientistas preencherem algumas das peças que faltavam ao mapa regional.

Quatro novas regiões, separadas por limites geomorfológicos distintos, foram identificadas no hemisfério sul do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
O complexo ciclo das estações no cometa significa que o hemisfério sul - que inclui partes de ambos os lóbulos - teve um inverno de mais de cinco anos. Por volta de maio de 2015, as estações mudaram, atirando o hemisfério sul para um verão curto - aproximadamente 10 meses - e revelando partes da superfície que estavam anteriormente à sombra.
Isto permitiu com que os cientistas descobrissem as peças que faltavam do mapa regional do cometa. Tal como as 19 regiões identificadas em janeiro de 2015, as novas quatro têm nomes de deuses e deusas do antigo Egipto, seguindo o tema da missão Rosetta: Anhur, Khonsu, Sobek e Wosret. Anhur, Wosret e Khonsu estão na parte de baixo do lobo maior; Sobek está localizada no pescoço do cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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Identificaram quatro novas regiões geológicas no hemisfério sul, que incluem partes de ambos os lóbulos do cometa, elevando o número total de regiões para 23. Os nomes das novas regiões seguem a convenção de nomenclatura de deuses e deusas egípcios adotada para o cometa: Anhur, Khonsu, Sobek e Wosret.

Esta série de imagens do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko foram recolhidas entre 2014 e 2015 usando o Observatório Gemini. As primeiras três foram capturadas pelo Telescópio Gemini-Sul, no Chile, enquanto a quarta foi obtida pelo telescópio Gemini-Norte, em Mauna Kea, Hawaii.
Todas as imagens estão centradas no cometa e foram obtidas combinando várias exposições curtas; as estrelas são visíveis como riscos. Norte está para cima, este para a esquerda; a direção do Sol é indicada em cada imagem.
Na primeira imagem da secção superior, obtida no dia 20 de setembro de 2014, o cometa parece um ponto. Nessa altura, estava a cerca de 500 milhões de quilómetros do Sol, ou 3,3 UA (1 UA, ou Unidade Astronómica, é equivalente a 150 milhões de quilómetros, a distância média entre a Terra e o Sol). Na segunda imagem, obtida no dia 14 de novembro de 2014 - dois dias depois do pouso do Philae - o cometa exibe uma ténue cauda para cima e para a esquerda; estava a cerca de 450 milhões de quilómetros (3,0 UA) do Sol. Em ambas as imagens, o cometa está para este em relação ao Sol.
Durante vários meses entre o final de 2014 e a primavera de 2015, o cometa estava demasiado perto do Sol (no nosso céu) para ser observado da Terra. Durante esse tempo, passou por trás do Sol a partir da nossa perspetiva, e tornar-se-ia mais tarde visível para oeste do Sol. O cometa foi novamente observado pelo Gemini-Sul no verão, como mostra a terceira imagem, obtida no dia 30 de junho de 2015, quando o cometa estava a mais ou menos 200 milhões de quilómetros (cerca de 1,4 UA) do Sol; a cauda é visível para a direita.
À medida que o cometa se movia para latitudes mais a norte, tornou-se visível a partir do hemisfério norte em julho de 2015, A quarta imagem, obtida pelo Gemini-Norte no dia 4 de agosto de 2015, mostra uma cauda brilhante. O cometa estava a aproximadamente 186 milhões de quilómetros (cerca de 1,2 UA) do Sol e prestes a alcançar o periélio de dia 13 de agosto.
As duas imagens na secção inferior mostram uma versão ampliada da imagem de dia 4 de agosto. À esquerda, é mostrada a imagem original (mas numa escala de cores), com a cauda para a direita. A imagem da direita foi processada por subtração de um componente radialmente simétrico da cabeleira para assim melhorar possíveis anisotropias na sua forma.
Apesar de grande parte da sua cauda apontar para a direita, existe uma região de notável alta densidade que aponta numa direção diferente, para baixo e para a esquerda. O núcleo do cometa (que a Rosetta orbita) é demasiado fraco para ser visto, encontrando-se dentro do pixel mais interno da imagem.
As imagens de topo abrangem cerca de 100.000 km e as da secção inferior cerca de 50.000 km (à distância do cometa).
Crédito: Observatório Gemini/AURA; Reconhecimento: Matthew Knight (Observatório Lowell), Colin Snodgrass (Universidade Open, Reino Unido), Blair Conn (Observatório Gemini), Michael Kelley e Silvia Protopapa (Universidade de Maryland) e Tim Lister (Observatório Las Cumbres).
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A temperatura média do cometa também tem vindo a aumentar. Não muito tempo depois de chegar, as temperaturas à superfície rondavam os -70º C. Em abril-maio de 2015 tinham subido para apenas alguns graus abaixo de zero, e agora prevêem-se máximas de algumas dezenas de graus [positivos] para o próximo mês.

Entretanto, os astrónomos na Terra têm vindo a acompanhar, ao longe, a evolução do cometa. A Rosetta está demasiado perto do cometa para ver a sua cauda crescer, mas as imagens recolhidas ao longo dos últimos meses, com telescópios de todo o mundo, mostram que já se estende por mais de 120.000 km.

Foi revelada em imagens uma cabeleira assimétrica, com uma região de notável alta densidade na direção oposta à cauda principal, imagens estas que também foram obtidas a semana passada pelo telescópio Gemini-Norte em Mauna Kea, Hawaii.

Projeção de mapa do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko usando dados da câmara OSIRIS da Rosetta. Tem por base uma projeção cilíndrica, um procedimento rotineiramente usado para mapear as superfícies de planetas, luas e outros corpos celes (aproximadamente) esféricos.
A aparência complexa é provocada pela forma invulgar e duplamente lobular deste cometa; o lóbulo pequeno é mostrado no centro do mapa, enquanto o mais pequeno está à esquerda e à direita.
Os pontos azuis dizem respeito às possíveis origens, à superfície do cometa, de alguns dos jatos observados recentemente pela OSIRIS. A linha amarela indica a linha sub-solar, que traça os pontos à superfície onde o Sol está diretamente por cima.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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"A combinação destes pontos de vista terrestres, e dos jatos individuais e explosões vistos de perto com a Rosetta, vão ajudar-nos a compreender os processos à superfície do cometa à medida que se aproxima do Sol," acrescenta Nicolas.

Esta sequência de imagens mostra o ambiente poeirento em redor do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e o desafio que é operar a sonda nestas condições. As imagens foram capturadas no dia 6 de julho de 2015 com a câmara OSIRIS.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA
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"Pretendemos voltar novamente para muito mais perto depois da diminuição de atividade e fazer um levantamento de como o cometa mudou. Também continuamos a manter a esperança que o Philae consiga retomar as suas operações científicas à superfície e nos dê uma visão detalhada das mudanças que ocorrem em torno do seu local de aterragem."

Finalmente, Patrick Martin, gestor da missão Rosetta da ESA, conclui: "É emocionante atingir a marca do periélio e estamos ansiosos por ver como é que este incrível cometa se comporta à medida que nos afastamos do Sol durante o próximo ano."

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Google+ Hangou sobre a missão, com a presença de especialistas da Rosetta (via YouTube)
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG
BBC News
Forbes

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
Wikipedia
ESA

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Philae (Wikipedia)

 
METANO E ÁGUA ENCOBREM EXOPLANETA PARECIDO COM JÚPITER
Impressão de artista do exoplaneta 51 Eridani b, no infravermelho, que mostra as camadas quentes nas profundezas da atmosfera que brilha através das nuvens. Devido à sua tenra idade, este primo jovem do nosso Júpiter é ainda quente e contém informação acerca da sua formação que ocorreu há 20 milhões de anos.
Crédito: Danielle Futselaar & Franck Marchis, Instituto SETI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Indo para além da descoberta e fotografando um jovem Júpiter, astrónomos usando o GPI (Gemini Planet Imager) do Observatório Gemini examinaram um mundo recém-descoberto em detalhes sem precedentes. Descobriram um exoplaneta com cerca de duas vezes a massa de Júpiter, o mais parecido com um planeta do Sistema Solar já observado diretamente em torno de outra estrela.

O planeta, conhecido como 51 Eridani b, orbita a sua estrela hospedeira a cerca de 13 vezes a distância Terra-Sol (equivalente a estar entre Saturno e Úrano no nosso Sistema Solar). O sistema está localizado a cerca de 100 anos-luz de distância. Os dados do Gemini também fornecem aos cientistas a mais forte deteção espectroscópica de metano na atmosfera de um planeta fora do nosso Sistema Solar, acrescentando às suas semelhanças com os planetas gigantes do nosso Sistema Solar.

"Muitos dos exoplanetas já observados diretamente têm atmosferas que parecem estrelas muito frias," afirma Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, que liderou a construção do GPI e agora lidera a caça de planetas. "Este parece ser um planeta."

A pesquisa foi publicada na edição de 13 de agosto de 2015 da revista Science.

"Este excelente resultado é uma demonstração clara das incríveis capacidades espectroscópicas e de imagem do GPI," afirma Chris Davis, da Divisão de Astronomia do NSF (National Science Foundation), que supervisiona o financiamento do Observatório Gemini. "As pesquisas exoplanetárias agora possíveis com o Gemini vão, sem dúvida, levar a uma bastante melhor compreensão do número de gigantes gasosos em órbita de estrelas vizinhas, das características das suas atmosferas e, finalmente, do modo como os planetas gigantes como Júpiter e Saturno são formados."

Imagem da descoberta de 51 Eridani b com o GPI, obtida no infravermelho próximo no dia 18 de dezembro de 2014. A estrela central foi quase totalmente removida por uma máscara de hardware e software a fim de permitir a deteção do exoplaneta, que é um milhão de vezes mais ténue.
Crédito: J. Rameau (UdeM) e C. Marois (NRC Herzberg)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A descoberta faz parte do esforço mais amplo da equipa em encontrar e caracterizar novos planetas chamado GPIES (GPI Exoplanet Survey). O levantamento espera explorar mais de 600 estrelas que podem hospedar sistemas planetários; até agora observaram quase uma centena de estrelas. "Este é exatamente o tipo de sistema que imaginámos descobrir quando projetámos o GPI," afirma James Graham, professor da Universidade de Berkeley e cientista do projeto GPI.

"O GPI é capaz de dissecar a luz de exoplanetas em detalhes sem precedentes para que possamos agora caracterizar outros mundos como nunca," comenta Christian Marois do NRC (National Research Council) do Canadá. Marois, um dos quase 90 investigadores da equipa, foi pioneiro em muitas das estratégias de observação e técnicas de redução de dados que desempenharam um papel fundamental na deteção e análise do novo planeta. A luz do planeta é muito ténue - um milhão de vezes mais fraca que a luz da estrela - mas o GPI consegue vê-lo claramente. "O planeta é tão ténue e está localizado tão perto da sua estrela, que é também o primeiro exoplaneta observado diretamente a ser totalmente compatível com os modelos de formação planetária de sistemas parecidos com o Sistema Solar," explica Marois.

As observações do Gemini também foram acompanhadas pelo Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, a fim de verificar a descoberta.

Fredrik Rantakyro, cientista do instrumento GPI, acrescenta: "Desde que era criança, sonhava com planetas em torno de outras estrelas e com as vidas que possivelmente poderiam existir lá. Como astrónomo, é normal trabalhar com telescópios topo de gama mas não é normal o coração bater mais depressa. É exatamente o que aconteceu com este sonho tornado realidade de descobrir um irmão de Júpiter!"

51 Eridani é jovem - tem apenas 20 milhões de anos - e é exatamente isso que tornou possível a deteção do planeta. Quando os planetas coalescem, o material que cai para o planeta liberta energia e aquece-o. Ao longo dos próximos cem milhões de anos irradiam essa energia, principalmente no infravermelho, e arrefecem gradualmente.

O GPI usa um espectrógrafo de campo integral, um instrumento capaz de obter imagens em vários comprimentos de onda - ou cores - infravermelhos simultaneamente, a fim de procurar novos planetas auto-luminosos em redor de estrelas próximas. O lado esquerdo da animação mostra as imagens do GPI da estrela 51 Eridani em ordem de aumento de comprimento de onda de 1,5 para 1,8 micrómetros. As imagens foram processadas para suprimir a luz de 51 Eridani, revelando o exoplaneta 51 Eridani b (indicado) que é aproximadamente um milhão de vezes mais ténue que a estrela-mãe. As regiões brilhantes para a esquerda e direita da estrela oculta são artefactos do algoritmo de processamento de imagem e podem ser distinguidos de sinais astrofísicos reais com base no seu brilho e posição como função do comprimento de onda. O espectro de 51 Eridani b, no lado direito da animação, mostra como o brilho do planeta varia em função do comprimento de onda. Caso a atmosfera fosse totalmente transmissiva, o brilho seria aproximadamente constante em função do comprimento de onda. Não é o caso de 51 Eridani b, cuja atmosfera contém água (H2O) e metano (CH4). Ao longo da gama espectral deste conjunto de dados do GPI, a água absorve fotões entre os 1,5 e 1,6 micrómetros, e o metano absorve entre os 1,6 e 1,8 micrómetros. Isto leva a um pico forte no brilho do exoplaneta aos 1,6 micrómetros, o comprimento de onda em que a absorção de fotões pela água e pelo metano é mais fraca.
Crédito: Robert De Rosa (U. Berkeley), Christian Marois (NRC Herzberg, Universidade de Victoria)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Além de ser provavelmente o planeta de menor massa já observado diretamente, a sua atmosfera é também muito fria - 430º C. Também possui o mais forte sinal espectroscópico para a presença de metano atmosférico, semelhante ao ambiente de metano pesado que domina as atmosferas dos planetas gigantes do nosso Sistema Solar. O espectro do planeta também revelou água.

O estudo GPIES está atualmente a menos de 20% dos seus 600 alvos previstos para observações durante a campanha de 3 anos. Os alvos foram escolhidos devido à sua juventude e relativa curta distância ao Sistema Solar (até 300 anos-luz). Os resultados deste levantamento serão marcantes, pois estuda um regime de massa e separação exoplanetária nunca antes devidamente investigado. Espera-se que forneça o primeiro censo detalhado e a primeira demografia dos exoplanetas gigantes gasosos, que encontre sistemas multiplanetários e que realize uma caracterização espectral detalhada de muitos novos exoplanetas.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
Instituto SETI (comunicado de imprensa)
Universidade de Berkeley (comunicado de imprensa)
Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
Universidade de Montréal (comunicado de imprensa - francês)
Artigo científico
Animação artística do sistema 51 Eridani (via YouTube)
Science
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Scientific American
redOrbit
(e) Science News
CNN

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

GPI:
Página oficial
Observatório Gemini
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Petr Horálek
 
Assistiu à chuva de meteoros das Perseidas? Apesar do pico previsto para a chuva anual já ter passado, a atividade meteorítica ainda deverá continuar mais uns poucos dias, melhor apreciada apenas olhando para cima em locais com céu limpo, escuro e depois da meia-noite. Claro, as Perseidas deste ano têm a vantagem de coincidirem com a Lua Nova. Assim sendo, é mais fácil avistar meteoros mais ténues, sem a interferência do brilho da Lua. A última chuva de meteoros das Perseidas sem Lua ocorreu em 2013. Foi nesse ano que as exposições foram reunidas para construir esta imagem, obtida sob céus escuros e limpos na ilha Hvar ao largo da costa da Croácia. A composição de campo-largo inclui 67 meteoros que parecem sair da constelação de Perseu, o radiante da chuva, composição esta capturada entre 8 e 14 de agosto de 2013 contra um fundo que contém uma ténue luz zodiacal e a Via Láctea. A próxima chuva de meteoros Perseidas sem Lua será em agosto de 2018.
 

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