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Edição n.º 1215
30/10 a 02/11/2015
 
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30/10/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 – 22:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 30/10: 303.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1981, lançamento da soviética Venera 13. A Venera 13 transmitiu fotografias e dados de Vénus até março de 1983.
Em 1985, o vaivém espacial Challenger é lançado na STS-61-A, a sua última missão bem sucedida.

Observações: Por volta das 20 ou 21 horas, dependendo de onde vive, a brilhante Capella está exatamente à mesma altura no céu, a nordeste, que Fomalhaut a sul.

Dia 31/10: 304.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2000, lançamento da Soyuz TM-31, transportando a primeira tripulação residente da Estação Espacial Internacional. A ISS permanece tripulada continuamente desde aí.

Observações: O asteroide 2015 TB145, com 400 metros de diâmetro, passa a 1,3 distâncias lunares da Terra. Alcançará magnitude 10 ou 11 (demasiado ténue para ser observado a olho nu).
A Lua, neste dia das Bruxas, só nasce às 21:30. Assim que estiver alta, procure Orionte para a sua direita e Pollux e Castor de Gémeos para a sua esquerda.

Dia 01/11: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de maçro de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico, o maior radiotelescópio já construído.

Observações: Antes do amanhecer, Vénus está a 1,1º de Marte. Marte tem apenas 1/250 do seu brilho. Vão estar à distância mínima de 0,7º nos dias 2 e 3 de novembro.

Dia 02/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelasenxames e do centro da Via Láctea

Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi dire tor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí.
Observações: Continuando a observação de ontem, verifique que Marte e Vénus estão mais próximos um do outro.

 
CURIOSIDADES


Dennis Tito (esquerda) foi o primeiro turista espacial. Em abril de 2001, juntou-se à tripulação da Soyuz TM-32 e visitou a ISS durante quase oito dias.

 
PRIMEIRA DETEÇÃO DE OXIGÉNIO MOLECULAR NUM COMETA
A Rosetta fez a primeira deteção de oxigénio molecular num cometa. Os resultados apresentados neste gráfico são baseados em dados recolhidos pelo instrumento ROSINA da Rosetta entre setembro de 2014 e março de 2015, quando a Rosetta ainda estava em aproximação do Sol ao longo da sua órbita.
Topo, centro: medições de alta resolução permitiram com que o oxigénio molecular (O2) fosse distinguido de outras espécies como enxofre (S) e metano (CH3OH). A deteção dos gases na cabeleira é mais forte mais perto do núcleo, como esperado. A contribuição para a deteção, da contaminação a partir dos disparos dos motores durante as manobras, é muito baixa.
Topo, à direita: a forte correlação da abundância do oxigénio molecular com o vapor de água indica uma origem e mecanismo de libertação partilhados a partir do núcleo.
Centro, em baixo: a proporção O2/H2O não varia significativamente ao longo do período de estudo. As fortes variações de curta duração são atribuídas à diminuição do rácio de O2 para abundâncias ocasionalmente superiores de H2O ligadas com o ciclo diário de água gelada. O nível consistente implica que o O2 não é produzido hoje pelo vento solar ou pela interação ultravioleta com os gelos à superfície, caso contrário diminuiria rapidamente devido ao aumento de atividade do cometa. Em vez disso, o O2 deve ter sido incorporado nos gelos do cometa durante a sua formação no início do Sistema Solar e está a ser libertado com o vapor de água de hoje.
Crédito: nave - ESA/ATG medialab; cometa - ESA/Rosetta/NavCam; dados - A. Bieler et al. (2015)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Rosetta da ESA fez a primeira deteção, "in situ", da libertação oxigénio molecular de um cometa, uma observação surpreendente que sugere que foram incorporadas no cometa durante a sua formação.

A Rosetta estuda o Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko há mais de um ano e detetou uma abundância de diferentes gases libertados pelo seu núcleo. Vapor de água, monóxido de carbono e dióxido de carbono são os mais abundantes, com uma rica variedade de espécies portadoras de nitrogénio, enxofre e carbono, e até mesmo "gases nobres".

O oxigénio é o terceiro elemento mais abundante do Universo, mas a versão molecular mais simples do gás, O2, tem sido surpreendentemente difícil de rastrear, mesmo até em nuvens de formação estelar, porque é altamente reativo e é facilmente quebrado para ligar-se com outros átomos e moléculas.

Por exemplo, os átomos de oxigénio combinam-se com os átomos de hidrogénio em grãos frios de poeira para formar água, ou uma separação livre do O2, graças à radiação ultravioleta, pode ser recombinado com uma molécula de O2 para formar ozono (O3).

Apesar da sua deteção nas luas geladas de Júpiter e Saturno, o O2 tem estado desaparecido do inventário de espécies voláteis associadas com cometas. Até agora.

"Nós não estávamos realmente à espera de detetar O2 no cometa - e com esta alta abundância - porque é tão quimicamente reativo, por isso foi uma surpresa," afirma Kathrin Altwegg da Universidade de Berna e investigadora principal do instrumento ROSINA (Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis) da Rosetta.

"É também inesperada porque não existem muitos exemplos da deteção de O2 interestelar. E, portanto, mesmo que tivesse sido incorporado no cometa durante a sua formação, este não é facilmente explicado pelos modelos atuais de formação do Sistema Solar."

A equipa analisou mais de 3000 amostras recolhidas em torno do cometa entre setembro de 2014 e março de 2015, a fim de identificar o O2. Eles determinaram uma abundância de 1-10% em relação ao H2O, com um valor médio de 3,80 ± 0,85%, uma ordem de magnitude superior ao previsto pelos modelos que descrevem a química das nuvens moleculares.

A quantidade de oxigénio molecular detetado mostra uma forte relação com a quantidade de água medida num dado momento, sugerindo que a sua origem no núcleo e o mecanismo de libertação estão ligados. Por outro lado, a quantidade de O2 visto está fracamente correlacionado com o monóxido de carbono e o azoto molecular, mesmo que tenham uma volatilidade semelhante ao O2. Além disso, ainda não foi detetado ozono.

Durante o período de estudo de seis meses, a Rosetta estava em direção ao Sol ao longo da sua órbita, e orbitava tão perto quanto 10-30 km do núcleo. Apesar da distância cada vez menor ao Sol, o rácio O2/H2O manteve-se constante ao longo do tempo, e também não se alterou com a longitude ou latitude da Rosetta sobre o cometa.

Esta fotografia do Cometa 67P/C-G obtida pela câmara de navegação da Rosetta foi obtida no dia 18 de outubro de 2015 a uma distância de 433 km do centro do cometa. A imagem tem uma resolução de 36,9m/pixel e abrange 37,8 km de comprimento.
Crédito: ESA/Rosetta/NavCam
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em mais detalhe, a relação O2/H2O foi vista a diminuir para abundâncias elevadas de H2O, uma observação que pode ser influenciada por água gelada à superfície produzida no processo diário de sublimação-condensação.

A equipa explorou as possibilidades para explicar a presença e a consistentemente alta abundância de O2 e a sua relação com a água, bem como a falta de ozono, ao início considerando a fotólise e radiólise da água gelada durante várias escalas de tempo.

Na fotólise, os fotões quebram as ligações entre as moléculas, enquanto a radiólise envolve fotões mais energéticos ou eletrões e iões velozes que depositam energia no gelo e ionizam moléculas - um processo observado nas luas geladas do Sistema Solar exterior e nos anéis de Saturno. Qualquer um dos processos pode, em princípio, levar à formação e libertação de oxigénio molecular.

A radiólise terá que ter operado durante os milhares de milhões de anos que o cometa passou na Cintura de Kuiper e levado à acumulação de O2 até poucos metros de profundidade. Mas estas camadas superiores têm que ter sido removidas desde que o cometa se deslocou para a sua órbita mais interior no Sistema Solar, excluindo-a como a fonte do O2 visto hoje.

Uma produção mais recente de O2, via radiólise e fotólise, pelas partículas do vento solar e fotões ultravioletas, só deve ter ocorrido nos primeiros micrómetros da superfície do cometa.

"Mas se esta era a fonte primária do O2, então seria de esperar que víssemos uma diminuição na proporção de O2/H2O pois esta camada foi removida durante o período de tempo de seis meses das nossas observações," afirma Andre Bieler da Universida de Michigan e autor principal do artigo que descreve os resultados, publicado na revista Nature desta semana.

"A geração instantânea de O2 também parece improvável, já que deverá levar a proporções variáveis de O2 sob diferentes condições de iluminação. Ao invés, parece mais provável que o O2 primordial foi, de alguma forma, incorporado nos gelos do cometa durante a sua formação e está hoje sendo libertado com o vapor de água."

Num cenário, o O2 gasoso seria, em primeiro lugar, incorporado na água gelada aquando do início da fase de nebulosa protossolar do nosso Sistema Solar. Os modelos químicos dos discos protoplanetários preveem que as altas abundâncias do O2 gasoso poderiam estar disponíveis na zona de formação do cometa, mas que seria necessário um rápido arrefecimento de temperaturas acima dos -173º C até menos de -243º C para formar água gelada com O2 capturado nos grãos de poeira. Os grãos teriam, então, de ser incorporados no cometa sem serem alterados quimicamente.

"Outras possibilidades incluem: a formação do Sistema Solar numa parte excecionalmente quente de uma nuvem molecular, com temperaturas 10-20º C acima dos cerca de -263º C esperados normalmente para estas nuvens," comenta Ewine van Dishoeck do Observatório de Leiden, nos Países Baixos, coautor do artigo.

"Isto é ainda consistente com as estimativas para as condições de formação de cometas na nebulosa solar exterior, e também com as conclusões anteriores do cometa da Rosetta em relação à baixa abundância de N2."

Alternativamente, a radiólise dos grãos gelados de poeira pode ter ocorrido antes da acreção do cometa num corpo maior. Neste caso, o O2 permaneceria preso nos espaços vazios da água gelada nos grãos, enquanto o hidrogénio era difundido para fora, impedindo a reformação de O2 à água e resultando num aumento de estabilidade do nível de O2 no gelo sólido.

A incorporação de tais grãos de gelo dentro do núcleo pode explicar a forte correlação observada com o H2O no cometa de hoje.

"Independentemente do modo como foi produzido, o O2 foi também de alguma forma protegido durante o estágio de acreção do cometa: isto pode ter acontecido gentilmente, de forma a evitar a destruição do O2 por outras reações químicas," acrescenta Kathrin.

"Este é um resultado intrigante para os estudos, tanto dentro como fora da comunidade cometária, com possíveis implicações para os nossos modelos da evolução do Sistema Solar," afirma Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA.

Links:

Cobertura da missão Rosetta pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
06/10/2015 - Rosetta espia o lado escuro do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
29/09/2015 - Cometa da Rosetta é um binário de contacto
25/09/2015 - Rosetta revela ciclo de água do Cometa 67P/C-G
14/08/2015 - O grande dia da Rosetta ao Sol
11/08/2015 - "Fogos de artifício" cometários antes do periélio
07/08/2015 - Há um ano que a Rosetta orbita o Cometa 67P/C-G
04/08/2015 - Ciência à superfície do Cometa 67P/C-G
03/07/2015 - Depressões no Cometa 67P/C-G produzem jatos
26/06/2015 - Água gelada exposta, detetada à superfície do Cometa 67P/C-G
19/06/2015 - Despertar do Philae desencadeia intenso esforço de planeamento
16/06/2015 - O módulo de aterragem da Rosetta, Philae, acordou
12/06/2015 - Equipa da Rosetta avista brilho que poderá ser módulo desaparecido
05/06/2015 - Estudo ultravioleta revela surpresas na cabeleira de cometa
17/04/2015 - Rosetta e Philae descobrem que cometa não é magnetizado
24/03/2015 - Sonda Rosetra faz a primeira deteção de nitrogénio molecular num cometa
06/02/2015 - Rosetta "mergulha" para encontro íntimo
27/01/2015 - Rosetta observa cometa a largar o seu revestimento de poeira
23/01/2015 - Dando a conhecer o cometa da Rosetta
12/12/2014 - Rosetta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra
28/11/2014 - Onde diabos pousou o Philae?
21/11/2014 - Primeiros resultados científicos do Philae
18/11/2014 - Philae completa missão principal antes de hibernar
14/11/2014 - Philae poisa no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
11/11/2014 - Como aterrar num cometa
07/11/2014 - Adeus "J", olá Agilkia
28/10/2014 - O "perfume" do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko
17/10/2014 - ESA confirma local de aterragem do Philae
30/09/2014 - Philae com aterragem prevista para 12 de Novembro
16/09/2014 - Está escolhido o local de aterragem do Philae
26/08/2014 - Onde é que o Philae vai aterrar?
08/08/2014 - A nave Rosetta chega ao seu cometa de destino
05/08/2014 - Sonda Rosetta chega a cometa esta semana
01/04/2014 - Philae está acordado!
17/01/2014 - O despertador mais importante do Sistema Solar
13/07/2010 - Rosetta triunfa no asteróide Lutetia
13/11/2009 - Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? 
06/11/2009 - Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro 
06/09/2008 - Rosetta passa por Steins: um diamante no céu 
03/09/2008 - Contagem decrescente para "flyby" por asteróide 
28/02/2007 - A semana dos "flybys" 
01/06/2004 - Primeira observação científica da Rosetta 
12/03/2004 - Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta 
09/03/2004 - Sonda Rosetta finalmente lançada

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
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Nature - 2
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Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:
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VISTA DESCOBRE UM NOVO COMPONENTE DA VIA LÁCTEA
Com o auxílio do telescópio VISTA instalado no Observatório do Paranal do ESO, os astrónomos descobriram uma componente anteriormente desconhecida da Via Láctea. Ao mapear a localização de uma classe de estrelas que variam em brilho chamadas Cefeidas, foi descoberto um disco de estrelas jovens enterradas por trás de espessas nuvens de poeira no bojo central.
Este diagrama mostra a localização das Cefeidas recentemente descobertas numa impressão artística da Via Láctea.
Crédito: ESO/Microsoft Worldwide Telescope
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do telescópio VISTA instalado no Observatório do Paranal do ESO, os astrónomos descobriram uma componente anteriormente desconhecida da Via Láctea. Ao mapear a localização de uma classe de estrelas que variam em brilho chamadas Cefeidas, foi descoberto um disco de estrelas jovens enterradas por trás de espessas nuvens de poeira no bojo central.

O rastreio público VVV (VISTA Variables in the Vía Láctea) do ESO usa o telescópio VISTA instalado no Observatório do Paranal para obter imagens múltiplas em épocas diferentes das regiões centrais da nossa Galáxia nos comprimentos de onda do infravermelho. O rastreio está a descobrir uma enorme quantidade de novos objetos, incluindo estrelas variáveis, enxames e estrelas em explosão.

Uma equipa de astrónomos, liderada por Istvan Dékány da Pontificia Universidad Católica de Chile, utilizou dados deste rastreio, obtidos entre 2010 e 2014, para fazer uma descoberta notável — um componente anteriormente desconhecido da Via Láctea, a Galáxia que nos acolhe.

"Pensa-se que o bojo central da Via Láctea é constituído por imensas estrelas velhas. No entanto, os dados VISTA revelaram algo novo — e muito jovem em termos astronómicos!" diz Istvan Dékány, autor principal deste novo estudo.

Ao analisar os dados do rastreio, os astrónomos descobriram 655 candidatos a estrelas variáveis do tipo a que chamamos Cefeidas. Estas estrelas expandem-se e contraem-se periodicamente, levando entre alguns dias a meses a completar um ciclo e apresentando variações significativas de brilho durante o ciclo.

O tempo que uma Cefeida leva a tornar-se muito brilhante e depois a desvanecer outra vez é maior para as estrelas que são mais brilhantes e menor para as que são mais ténues. Esta relação precisa notável, descoberta em 1908 pela astrónoma americana Henrietta Swan Leavitt, faz do estudo das Cefeidas um dos meios mais eficazes de medir distâncias e mapear as posições de objetos distantes na Via Láctea e para além dela.

No entanto, há um senão — as Cefeidas não são todas iguais — pertencem a duas classes diferentes, uma muito mais jovem que a outra. Da amostra de 655 objetos observados, a equipa identificou 35 estrelas pertencentes ao sub-grupo das Cefeidas clássicas — estrelas brilhantes e jovens, muito diferentes das mais velhas normalmente residentes no bojo central da Via Láctea.

A equipa recolheu informação sobre o brilho e período de pulsação destes objetos e deduziu as distâncias a estas 35 Cefeidas clássicas. Os períodos de pulsação, que estão intimamente ligadas à idade, revelaram a juventude surpreendente destas Cefeidas.

"As 35 Cefeidas clássicas descobertas têm menos de 100 milhões de anos de idade. As Cefeidas mais jovens podem mesmo ter apenas cerca de 25 milhões de anos, embora não possamos excluir a presença de Cefeidas ainda mais jovens e brilhantes," explica o segundo autor do estudo Dante Minniti, da Universidad Andres Bello, Santiago, Chile.

As idades destas Cefeidas clássicas fornecem evidências sólidas de que tem havido um reabastecimento contínuo, não confirmado anteriormente, de estrelas recém-formadas na região central da Via Láctea nos últimos 100 milhões de anos. Esta não foi, no entanto, a única descoberta notável feita a partir desta base de dados do rastreio.

Ao mapear as Cefeidas descobertas, a equipa traçou uma estrutura completamente nova na Via Láctea — um disco fino de estrelas jovens que se estende ao longo do bojo galáctico. Esta nova componente da nossa Galáxia tinha permanecido desconhecida e invisível em rastreios anteriores, uma vez que está enterrada por trás de espessas nuvens de poeira. A sua descoberta demonstra o poder único do VISTA, que foi precisamente concebido para estudar as estruturas profundas da Via Láctea através de imagens de grande angular de alta resolução nos comprimentos de onda do infravermelho.

"Este estudo é uma demonstração poderosa das capacidades inigualáveis do telescópio VISTA para investigar as regiões galácticas extremamente obscuras que não podem ser observadas por nenhuns outros rastreios atuais ou planeados." comenta Dékány.

"Esta parte da Galáxia era completamente desconhecida até o rastreio VVV a ter encontrado!" acrescenta Minniti.

Investigação subsequente é agora necessária para determinar se estas Cefeidas nasceram próximo do local onde se encontram atualmente ou se tiveram origem noutro local. Compreender as suas propriedades fundamentais, interações e evolução é crucial para compreender a evolução da Via Láctea e os processos da evolução galáctica como um todo.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
The Astrophysical Journal
SPACE.com
Astronomy Now
PHYSORG
redOrbit
spaceref
(e) Science News
Nature World News

Cefeidas:
Wikipedia
SEDS

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Telescópio VISTA:
ESO
Rastreios do VISTA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
BURACO NEGRO TEM GRANDE ERUPÇÃO

Os comportamentos estranhos e desconcertantes dos buracos negros tornaram-se recentemente um pouco menos misteriosos, graças a novas observações das missões Swift e NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA. Os dois telescópios espaciais apanharam um buraco negro supermassivo no meio de uma erupção gigante de raios-X, ajudando os astrónomos a resolver um quebra-cabeças em curso: como é que os buracos negros supermassivos entram em erupção?

Os resultados sugerem que os buracos negros supermassivos enviam feixes de raios-X quando as suas coroas circundantes - fontes de partículas extremamente energéticas - são disparadas, ou lançadas, para longe dos buracos negros.

"Esta é a primeira vez que fomos capazes de ligar o lançamento da coroa com uma erupção," afirma Dan Wilkins da Universidade Saint Mary em Halifax, no Canadá, autor principal de um novo artigo publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. "Isto vai ajudar-nos a compreender como é que os buracos negros supermassivos alimentam alguns dos objetos mais brilhantes do Universo."

Este diagrama mostra como a mudança de uma característica, chamada coroa, pode criar uma erupção de raios-X em redor de um buraco negro. A coroa (característica representada em cores roxas) colapsa (esquerda), torna-se mais brilhante, antes de ser ejetada pelo buraco negro (painel do centro e da direita). Os astrónomos não sabem porque é que as coroas mudam, mas aprenderam que este processo leva a um aumento de raios-X que pode ser observado pelos telescópios.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os buracos negros supermassivos, propriamente ditos, não emitem luz, mas são muitas vezes cercados por discos de material quente e incandescente. A gravidade do buraco negro puxa gás na sua direção, aquecendo-o e fazendo com que brilhe em diferentes comprimentos de onda. Outra fonte de radiação perto de um buraco negro é a coroa. As coroas são constituídas por partículas altamente energéticas que geram raios-X, mas os detalhes acerca da sua aparência, e como se formam, não são claros.

Os astrónomos pensam que as coroas têm uma de duas configurações possíveis. O modelo "poste de iluminação" diz que são fontes de luz, parecidas com lâmpadas, que ficam acima e por baixo do buraco negro, ao longo do seu eixo de rotação. O outro modelo propõe que as coroas são distribuídas de forma mais difusa, quer como uma nuvem maior em redor do buraco negro, ou como uma "sanduíche" que envolve o disco de material como fatias de pão. Na verdade, é possível que as coroas alternem entre ambas as configurações de "poste de iluminação" e "sanduíche".

Os novos dados suportam o modelo de "poste de iluminação" - e demonstram, com o mais alto detalhe até agora, como é que as coroas em forma de lâmpada se movem. As observações começaram quando o Swift, que monitoriza o céu em busca de explosões cósmicas de raios-X e raios-gama, avistou um grande clarão vindo do buraco negro supermassivo chamado Markarian 335, ou Mrk 335, localizado a 324 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Pégaso. Este buraco negro supermassivo, situado no centro de uma galáxia, já foi uma das mais brilhantes fontes de raios-X do céu.

"Algo muito estranho aconteceu em 2007, quando Mrk 335 desvaneceu por um fator de 30. O que descobrimos é que ele continua a entrar em erupção, mas nunca mais atingiu os níveis de brilho e estabilidade anteriormente observados," afirma Luigi Gallo, investigador principal do projeto e também da Universidade Saint Mary. Outro coautor, Dirk Grupe da Universidade Estatal Morehead, no estado americano do Kentucky, tem vindo a utilizar o Swift para monitorizar regularmente o buraco negro desde 2007.

Em setembro de 2014, o Swift apanhou Mrk 335 numa grande erupção. Assim que Gallo ficou ao corrente da situação, enviou um pedido à equipa do NuSTAR para seguir rapidamente o objeto como parte do programa "alvo de oportunidade", onde o calendário previamente planeado é interrompido para eventos importantes. Oito dias mais tarde, o NuSTAR ajustou os seus olhos de raios-X no alvo, testemunhando a metade final do evento.

Impressão de artista de um buraco negro supermassivo, rodeado por um disco rodopiante de material que cai na sua direção.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Depois de uma análise cuidadosa dos dados, os astrónomos perceberam que estavam observando a ejeção, e eventual colapso, da coroa do buraco negro.

"Ao início, a coroa colapsou para dentro e, em seguida, foi lançada para cima como um jato," afirma Wilkins. "Nós ainda não sabemos como os jatos dos buracos negros se formam, mas é uma possibilidade empolgante que a coroa deste buraco negro estava começando a formar a base de um jato antes de ter entrado em colapso."

Como é que os investigadores sabem que a coroa se moveu? A coroa liberta raios-X que tem um espectro ligeiramente diferente - "cores" de raios-X - do que a radiação oriunda do disco em redor do buraco negro. Ao analisar o espectro de raios-X de Mrk 335 na gama de comprimentos de onda observados pelo Swift e pelo NuSTAR, os investigadores puderam discernir que os raios-X da coroa tinham aumentado de brilho - e que este brilho era devido ao movimento da coroa.

As coroas podem mover-se muito rapidamente. A coroa associada com Mrk 335, segundo os cientistas, viajava a cerca de 20% da velocidade da luz. Quando isto acontece, a coroa é lançada na nossa direção e a sua luz aumenta num efeito chamado reforço Doppler relativista.

Os resultados mostram que a erupção de raios-X deste buraco negro foi provocada pela ejeção da coroa.

"A natureza da fonte energética de raios-X que chamamos coroa é misteriosa, mas agora que temos a capacidade de ver mudanças dramáticas como esta, estamos a recolher pistas sobre o seu tamanho e estrutura," afirma Fiona Harrison, investigadora principal do NuSTAR no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA, que não esteve envolvida no estudo.

Muitos outros mistérios dos buracos negros permanecem. Por exemplo, os astrónomos querem compreender o que despoleta a ejeção da coroa em primeiro lugar.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
15/08/2014 - NuSTAR vê luz desfocada em redor de buraco negro

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade Saint Mary (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Sociedade Real Astronómica
Astronomy Now
ScienceDaily
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EarthSky
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
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  Astrofísicos produzem primeiro mapa de idade do halo da Via Láctea (via Universidade de Notre Dame)
Astrónomos lideraram uma equipa internacional de investigadores que produziram o primeiro mapa cronológico do halo da Via Láctea. Usando uma amostra de 4700 estrelas BHB (blue horizontal-branch) do SDSS, a equipa mostrou que as estrelas mais velhas estão concentradas na região central da Galáxia, confirmando previsões de simulações numéricas. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - IC 1871: Dentro da Nebulosa da Alma
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sara Wager
 
Esta ampliação cósmica examina profundamente a Nebulosa da Alma. As nuvens escuras e ameaçadoras de poeira delineadas pelas cristas brilhantes de gás incandescente estão catalogadas como IC 1871. Com cerca de 25 anos-luz, este campo telescópico cobre apenas uma pequena parte das muito maiores nebulosas do Coração e Alma. À distância estimada de 6500 anos-luz, esta região de formação estelar está situada dentro do braço espiral de Perseu da Via Láctea, visto nos céus do planeta Terra na direção da constelação de Cassiopeia. Um exemplo de formação estelar desencadeada, as densas nuvens de IC 1871 são elas próprias esculpidas pelos ventos intensos e radiação das enormes estrelas jovens da região. Esta imagem a cores adota uma paleta que se tornou popular em imagens de regiões de formação estelar obtidas pelo Hubble.
 

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