Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1257
25/03 a 28/03/2016
 
Siga-nos:      
 

25/03/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 25/03: 85.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1538, nascia Christopher Clavius, astrónomo e matemático alemão que modificou a proposta do calendário gregoriano moderno. Nos seus últimos anos foi provavelmente um dos mais respeitados astrónomos na Europa e os seus livros foram usados para a educação astronómica durante mais de 50 anos e até fora do continente europeu.
Em 1655, Christiaan Huygens descobria a maior lua de SaturnoTitã

Em 1979, o primeiro vaivém espacial completamente funcional, o Columbia, chega ao Centro Espacial John F. Kennedy, para ser preparado para lançamento.
Em 1992, o cosmonauta Sergei Krikalev regressa à Terra após 10 meses a bordo da estação espacial Mir.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 17:38 e as 20:30.
Por volta das 23:00, a "frigideira" de Ursa Maior encontra-se de cabeça para baixo bem alta a norte-nordeste, mesmo por cima da Ursa Menor, como se derramasse água sobre ela. O inverso acontece no outono.

Dia 26/03: 86.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, o exército dos Estados Unidos lança o Explorer 3.

Observações: Ocultação de Calisto, entre as 01:35 e as 04:43.

Dia 27/03: 87.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1845, nascia Wilhelm Röntgen, físico alemão que produziu e detetou radiação electromagnética num comprimento de onda que hoje chamamos de raios-X, um feito que lhe valeu o Prémio Nobel da Física em 1901.
Em 1969, era lançada a Mariner 7

Observações: O grande e brilhante Hexágono de Inverno ainda pode ser observado depois do anoitecer, preenchendo o céu a sudoeste e oeste. Comece com a brilhante Sirius a sudoeste, o canto inferior esquerdo do Hexágono. Bem para cima de Sirius encontra-se Procyon. Daí, salte até Pollux e Castor, ainda mais altos, e para a direita de Castor até Menkalinen e Capella, para Aldebarã, Rigel em Orionte, e depois novamente para Sirius.

Dia 28/03: 88.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1802, Heinrich Wilhem Matthäus Olbers descobre 2 Pallas, o segundo asteroide conhecido.

Em 1993 foi descoberto um remanescente de supernova na galáxia M81 (Ursa Maior), pelo astrónomo amador espanhol Francisco Garcia Diaz.
Observações: Pelas 01:30, olhe para sudeste e poderá ver Saturno, Marte e a Lua formando uma linha perto do horizonte.

 
CURIOSIDADES


A Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia satélite da Via Láctea. Mesmo assim, é a quarta maior galáxia do Grupo Local: 1.ª, a Galáxia de Andrómeda (M31); 2.ª a Via Láctea, e a 3.ª a Galáxia do Triângulo (M33).

 
BEM-VINDOS À PRIMAVERA!

Não devia a primavera ter começado a dia 21 de março, o dia mundial da Floresta (ONU), da Árvore (ONU), da Poesia (UNESCO), da infância (UNICEF) em vez de começar no dia 20?

Oficialmente, a primavera, como todas as estações do ano, é delimitada por instantes observáveis por via da astronomia. No caso desta estação, ela tem início num equinócio, e termina no solstício seguinte. Na astronomia, a noção de equinócio está associada a uma orientação específica do nosso planeta face ao Sol. Um equinócio é o momento em que o Sol e o equador do Planeta estão num mesmo plano. Imaginando que o planeta Terra tivesse anéis tão maravilhosos quanto o são os de Saturno, seria o momento em que a sombra deles ficaria mais fina projetada mesmo no equador!

Quer isto dizer que um equinócio da primavera se repete aproximadamente - descartando a evolução (precessão) do eixo de rotação do Planeta - quando a Terra voltar a estar naquele sítio, na órbita seguinte, um ano depois. Como este tempo não é um número inteiro de dias (ligeiramente inferior a 365 + 1/4 dias), a solução adotada para manter o calendário coerente foi acrescentar ao ano civil bissexto um dia intercalar (o dia 29 de fevereiro), mesmo antes do mês deste equinócio. Esse dia intercalar, que resulta de 4 "quartos-de-dia" acumulados em 4 anos, é uma correção "em excesso". Ou seja, ao acrescentar 24h em vez de 23,3h, está-se a trazer a data do equinócio para números mais baixos em cerca de 40 minutos a cada 4 anos. Por esta razão há nova correção quando os anos são múltiplos de 100, não se insere nenhum dia intercalar e o ano não é bissexto!

Infelizmente, 2016 é ano bissexto e, como pudemos constatar, a primavera já começou no dia 20! Isto significa então que é muito improvável que alguém da idade do autor deste texto volte a assistir a um equinócio terrestre a coincidir com um dia 21 de março! A última vez que isto aconteceu foi em 2007, e a próxima será só depois do ano não-bissexto de 2100, em 2102!

Ilustração animada da órbita terrestre anual indicando o paralelo terrestre à latitude que observa o Sol na vertical ao meio-dia solar em cada instante. A inclinação do eixo de rotação da Terra mantém-se constante.
Crédito: Centro Ciência Viva do Algarve, Filipe Dias
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Geometricamente, num equinócio, a luz do Sol ao meio-dia solar ilumina a superfície do planeta na vertical no equador. Num solstício, a zona que recebe a iluminação na vertical a esta hora tem o nome de "trópico". A animação acima ilustra como a zona de iluminação vertical varia ao longo do ano, oscilando entre trópicos. A localização do Centro Ciência Viva do Algarve aparece marcada a vermelho. A diferença de latitude entre o CCVAlg e essa zona corresponde ao ângulo que o sol fará com o zénite quando observado de Faro.

A alusão a anéis da Terra feita há pouco foi propositada. Qualquer planeta que possua uma inclinação do seu eixo face ao plano da sua órbita passará por dois equinócios por período de órbita. O próprio planeta Saturno tem equinócios (a cada 15 anos), e observar os anéis nesta altura foi uma excelente oportunidade para a sonda Cassini por volta de 2008, 2009. Nestas ocasiões, a espessura relativa entre anéis diferentes pode ser comparada pela forma como uns anéis tapam a luz que ilumina outros anéis. Qualquer sombra inesperada num anel expõe facilmente a silhueta de alguma irregularidade difícil de identificar de outro modo.

A sonda Cassini capturou este mosaico de Saturno dia e meio após o equinócio exacto do planeta, quando o disco do Sol estava exatamente no plano do equador do planeta. Os seus anéis refletem pouca luz solar.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 
Esta é uma composição, captada pela sonda Cassini, dos anéis observados de topo numa altura muito próxima do equinócio outonal de Saturno. Para facilitar a representação, foi removido da imagem o disco do planeta.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Sabia que: A posição do Sol no equinócio de março (chamado de "equinócio vernal") marca um ponto especial, um "zero": a referência do início de uma escala angular para medir a posição de tudo o que observamos no céu -- o ponto vernal.

Links:

Equinócio:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia
Anéis de Saturno (Wikipedia)

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ANTIGO GELO POLAR REVELA INCLINAÇÃO DA LUA
Este mapa polar do hidrogénio dos hemisférios norte e sul da Lua identifica os polos atuais e passados. Na imagem, as áreas mais claras mostram concentrações mais elevadas de hidrogénio e as áreas mais escuras mostram concentrações mais baixas.
Crédito: James Keane, Universidade do Arizona; Richard Miller, Universidade do Alabama em Huntsville
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma nova investigação financiada pela NASA fornece evidências de que o eixo de rotação da Lua deslocou-se cerca de cinco graus aproximadamente há três mil milhões de anos atrás. A evidência desse movimento é registada na distribuição do gelo lunar antigo, evidência de entrega de água ao Sistema Solar jovem.

"A mesma face da Lua nem sempre apontou para a Terra," afirma Matthew Siegler do Instituto de Ciência Planetária em Tucson, Arizona, EUA, autor principal do artigo publicado na revista Nature. "À medida que o eixo mudou, também mudou a cara que vemos na Lua. Como que virou o nariz para a Terra."

Esta pesquisa interdisciplinar foi realizada em várias instituições como parte do SSERVI (Solar System Exploration Research Virtual Institute) da NASA com base no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado americano da Califórnia.

A água gelada pode existir no satélite natural da Terra em áreas permanentemente à sombra. Se o gelo na Lua é exposto à luz direta do Sol, evapora-se para o espaço. Os autores do artigo publicado na Nature mostram evidências de uma mudança no eixo de rotação ocorrida há milhares de milhões de anos atrás que permitiu com que a luz solar atingisse áreas anteriormente à sombra e que provavelmente continham gelo.

Os cientistas descobriram que a água gelada que sobreviveu a esta mudança efetivamente "pinta" um caminho ao longo do que o eixo se moveu. Eles corresponderam o percurso com modelos que preveem a localização do gelo estável e inferiram que o eixo da Lua se moveu cerca de cinco graus. Esta é a primeira evidência física de que a Lua sofreu uma mudança dramática de orientação e implica que a maior parte do gelo polar na Lua tem milhares de milhões de anos.

"As novas descobertas são uma visão convincente do passado dinâmico da Lua," afirma a Dra. Yvonne Pendleton, diretora do SSERVI, que apoia a investigação lunar e planetária como meio de avançar a exploração humana do Sistema Solar através da descoberta científica. "É maravilhoso ver os resultados de várias missões que apontam para estes resultados."

Os autores analisaram dados de várias missões da NASA, incluindo a Lunar Prospector, LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), LCROSS (Lunar Crater and Observation Sensing Satellite) e GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory), para construir o caso para uma mudança na orientação da Lua. A topografia do instrumento LOLA (Lunar Orbiter Laser Altimeter) e medições térmicas do Diviner lunar radiometer - ambos a bordo da LRO - foram usadas para ajudar à interpretação dos dados de neutrões da Lunar Prospector que suportam a hipótese de desvio polar.

Uma secção cruzada que atravessa a Lua, realçando a natureza antipodal dos voláteis polares da Lua (púrpura). A reorientação desse antigo polo (seta vermelha) até ao polo atual (seta azul) foi alimentada pela formação e evolução da região Procellarum - uma região no lado visível da Lua associada com uma alta abundância de calor radioativo que produz elementos (verde), um alto fluxo de calor e antiga atividade vulcânica.
Crédito: James Tuttle Keane, Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Siegler percebeu que as distribuições observadas do gelo, em cada dos polos lunares, pareciam estar mais relacionadas entre si do que se pensava anteriormente. Ao investigar mais, Siegler - e o coautor Richard Miller da Universidade do Alabama em Hunstville - descobriram que as concentrações de gelo deslocaram-se de cada polo à mesma distância, mas em direções exatamente opostas, sugerindo que o eixo de rotação, no passado, era diferente do que vemos hoje. Uma mudança na inclinação significa que algum do gelo depositado há muito tempo atrás evaporou-se quando exposto à luz solar, mas aquelas áreas que permanecem à sombra permanente, entre a orientação antiga e a nova, ainda conservam o seu gelo e, assim, indicam o que aconteceu.

Um corpo planetário pode deslocar o seu eixo quando há uma muito grande alteração na distribuição de massa. O coautor James Keane, da Universidade do Arizona em Tucson, modelou o modo como as mudanças no interior lunar podem ter afetado a rotação e inclinação da Lua. Ao fazê-lo, descobriu que a região Procellarum no lado visível da Lua era a única característica que poderia coincidir com a direção e quantidade de mudança no eixo indicadas perto dos polos. Além disso, as concentrações de material radioativo na região Procellarum são suficientes para ter aquecido uma porção do manto lunar, provocando uma alteração de densidade significativa o suficiente para reorientar a Lua.

Parte deste material aquecido do manto derreteu e veio até à superfície para formar as manchas escuras visíveis que preenchem as grandes bacias lunares que chamamos de mares. São estes mares que dão a "cara humana" à Lua.

Siegler conclui: "Estes achados podem abrir a porta a novas descobertas sobre a evolução do interior da Lua, bem como à origem da água na Lua e na Terra primitiva."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Universidade do Alabama (comunicado de imprensa)
Nature
Science
SPACE.com
(e) Science News
New Scientist
spaceref
COSMOS
Astronomy Now
PHYSORG
Discovery News
The Verge
Gizmodo
Forbes

Lua:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
MANCHAS BRILHANTES E DIFERENÇAS DE COR EM CERES
As manchas brilhantes da Cratera Occator, vistas aqui numa imagem de cores melhoradas obtida pela sonda Dawn da NASA. Estas imagens podem ser usaadas para realçar diferenças subtis de cor à superfície do planeta anão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI/LPI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas da missão Dawn da NASA divulgaram novas imagens da órbita mais baixa da sonda em redor de Ceres, incluindo fotos altamente antecipadas da Cratera Occator, durante a 47.ª conferência de Ciência Lunar e Planetária em The Woodlands, Texas, EUA, na terça-feira passada.

A Cratera Occator, com 92 km em diâmetro e 4 em profundidade, contém a área mais brilhante de Ceres, o planeta anão que a Dawn tem vindo a explorar desde 2015. As imagens mais recentes, obtidas 385 km acima da superfície de Ceres, revelam uma cúpula num poço com paredes lisas no centro brilhante da cratera. Várias características lineares e fraturas cruzam a parte superior e os flancos desta cúpula. As fraturas também rodeiam a cúpula e atravessam outras regiões brilhantes, mas mais pequenas, encontradas também dentro da cratera.

A Cratera Occator, que mede 92 km de diâmetro e 4 de profundidade, contém a área mais brilhante de Ceres.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Antes da Dawn ter começado as suas observações intensivas de Ceres no ano passado, a Cratera Occator parecia ser uma grande área brilhante. Agora, com as imagens recentes obtidas de perto, podemos ver características complexas que fornecem novos mistérios para investigar," afirma Ralf Jaumann, cientista planetário e coinvestigador da Dawn do Centro Aeroespacial Alemão em Berlim. "A geometria complexa do interior da cratera sugere atividade geológica no passado recente, mas teremos de concluir o mapeamento geológico detalhado da cratera antes de testar hipóteses para a sua formação."

Diferenças de cor

A equipa também divulgou um mapa de cores melhoradas da superfície de Ceres, destacando a diversidade dos materiais à superfície e as suas relações com a morfologia superficial. Os cientistas têm vindo a estudar as formas das crateras e a sua distribuição com grande interesse. Ceres não tem tantas bacias de impacto quanto os cientistas esperavam, mas o número de crateras mais pequenas geralmente coincide com as suas previsões. O material azul em destaque no mapa colorido está relacionado com fluxos, planícies lisas e montanhas, que parecem ser características de superfície muito jovens.

A Cratera Haulani em Ceres (34 km de diâmetro), vista nestas imagens do VIR a bordo da sonda Dawn.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/ASI/INAF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Embora os processos de impacto dominem a geologia da superfície de Ceres, nós identificámos variações específicas de cor que indicam alterações de material devidas a uma complexa interação do processo de impacto com a composição subsuperficial," explica Jaumann. "Adicionalmente, isto fornece evidências para uma camada subsuperficial enriquecida com gelo e voláteis."

Contando neutrões

Dados relevantes para a possibilidade de gelo à subsuperfície também estão a emergir do instrumento GRaND (Gamma Ray and Neutron Detector) da Dawn, que começou a adquirir os seus dados primários em dezembro. Os neutrões e os raios-gama, produzidos por interações dos raios cósmicos com os materiais à superfície, fornecem uma impressão digital da composição química de Ceres. As medições são sensíveis à composição química elementar do metro superior do rególito.

Este mapa mostra uma porção do hemisfério norte de Ceres com dados de contagem de neutrões obtidos pelo instrumento GrAND a bordo da sonda Dawn.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/ASI/INAF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na órbita mais baixa da Dawn, o instrumento detetou menos neutrões perto dos polos de Ceres do que no equador, o que indica uma maior concentração de hidrogénio a altas latitudes. Dado que o hidrogénio é o componente principal da água, a água gelada deverá estar presente perto da superfície nas regiões polares.

"As nossas análises vão testar uma previsão de longa data de que a água gelada pode sobreviver, durante milhares de milhões de anos, mesmo por baixo da fria superfície a altas latitudes de Ceres," comenta Tom Prettyman, líder da equipa GRaND e coinvestigador da Dawn no Instituto de Ciência Planetária em Tucson, no estado americano do Arizona.

O mistério da Cratera Haulani

Mas a subsuperfície não tem a mesma composição em todo o planeta anão Ceres, de acordo com dados do VIR (Visible and Infrared Spectrometer), um instrumento que analisa a forma como vários comprimentos de onda da luz do Sol são refletidos pela superfície, permitindo com que os cientistas identifiquem minerais.

Este mapa colorido de Ceres criado a partir de um mosaico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Cratera Haulani, em particular, é um exemplo interessante de quão diverso Ceres é em termos de composição da superfície. Esta cratera de forma irregular, com as suas impressionantes listas brilhantes de material, mostra uma proporção diferente de materiais superficiais do que os seus arredores quando estudada pelo VIR. Enquanto a superfície de Ceres é composta principalmente por uma mistura de materiais contendo carbonatos e silicatos, a sua proporção relativa varia ao longo da superfície.

"As imagens de cores falsas de Haulani mostram que o material escavado pelo impacto é diferente da composição geral de Ceres. A diversidade de materiais implica que ou existe uma camada de mistura por baixo, ou que o próprio impacto mudou as propriedades dos materiais," afirma Maria Cristina de Sanctis, principal cientista do VIR, com base no Instituto Nacional de Astrofísica de Roma.

Água em Oxo

Os cientistas da Dawn também informaram numa sessão científica da conferência que o instrumento VIR detetou água na Cratera Oxo, uma característica jovem com 9 km de largura no hemisfério norte de Ceres. Esta água pode estar incorporada em minerais ou, em alternativa, pode assumir a forma de gelo.

Jean-Philippe Combe do Instituto Bear Fight, em Winthrop, Washington, disse que este material com água pode ter ficado exposto durante um deslizamento de terra ou um impacto - talvez até mesmo uma combinação dos dois eventos.

Oxo é o único lugar em Ceres, até agora, onde a água foi detetada à superfície. A Dawn continuará a observar esta área.

O quadro geral

A Dawn fez história no ano passado quando se tornou na primeira missão a alcançar um planeta anão, e a primeira a orbitar dois alvos extraterrestres distintos - ambos na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter. A missão realizou extensas observações de Vesta durante a sua estadia de 14 meses em 2011 e 2012.

Este mapa global mostra a superfície de Ceres em cores melhoradas, abrangendo comprimentos de onda infravermelhos, além do alcance visual humano.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

"Estamos animados por divulgar estas belas novas imagens, sobretudo de Occator, que ilustram a complexidade dos processos que moldam a superfície de Ceres. Agora que podemos ver as enigmáticas manchas brilhantes de Ceres, os minerais à superfície e a morfologia em alta resolução, estamos trabalhando para descobrir os processos que formaram este planeta anão. Ao comparar Ceres com Vesta, podemos recolher novas informações sobre o início do Sistema Solar," afirma Carol Raymond, investigadora principal adjunta da missão Dawn, no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

Links:

Cobertura da missão Dawn pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
18/03/2016 - Descobertas variações inesperadas nas manchas brilhantes de Ceres
25/12/2015 - Ceres: imagens a partir da órbita mais baixa da Dawn
11/12/2015 - Novas pistas sobre as manchas brilhantes de Ceres e suas origens
16/10/2015 - O que colide com Ceres, fica em Ceres
02/10/2015 - Equipa da Dawn partilha novos mapas e informações sobre Ceres
11/09/2015 - Manchas de Ceres em mais detalhe
23/06/2015 - Manchas de Ceres continuam a mistificar
28/04/2015 - Pontos brilhantes de Ceres novamente visíveis
10/03/2015 - Dawn é a primeira sonda a orbitar um planeta anão
03/03/2015 - Dawn aproxima-se de encontro histórico com planeta anão
27/02/2015 - "Mancha brilhante" em Ceres tem companheira mais ténue
30/01/2015 - Dawn captura imagens de Ceres com resolução superior à do Hubble
02/01/2015 - Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres
09/12/2014 - Dawn captura a sua melhor imagem, até agora, de Ceres 
03/09/2013 - Ceres - um dos factores de mudança no prisma do Sistema Solar
04/09/2012 - Dawn prepara-se para sair de Vesta e rumar até Ceres
11/05/2012 - Missão Dawn revela segredos de asteróide gigante 
13/12/2011 - Será Vesta o "planeta terrestre mais pequeno"?
19/07/2011 - Sonda Dawn envia imagens a partir de órbita de Vesta
15/07/2011 - Sonda Dawn entra em órbita de asteróide dia 15 de Julho
28/06/2011 - Dawn aproxima-se de estadia de um ano em asteróide gigante 
12/09/2007 - Dawn a um passo de viagem até cintura de asteróides

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Smithsonian
Universe Today
Discover
redOrbit
New Scientist
POPULAR SCIENCE
Space Daily
PHYSORG
COSMOS
National Geographic
Discovery News
BBC News
UPI
Forbes
The Verge
gizmag
AstroPT

Ceres:
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Cassini espia os picos mais altos de Titã (via NASA)
Numa homenagem aos alpinistas extraterrestres do futuro, os cientistas que trabalham na missão Cassini da NASA identificaram o ponto mais alto da maior lua de Saturno, Titã. Tem 3337 metros e encontra-se dentro um trio de encostas montanhosas chamadas Mithrim Montes. Os investigadores descobriram que os picos mais altos de Titã rondam os 3000 metros de altura. Ler fonte
     
  Luas de Saturno podem ser mais jovens que os dinossauros (via Instituto SETI)
Uma nova investigação sugere que algumas das luas geladas de Saturno, bem como os seus famosos anéis, podem ser adornos modernos. O seu nascimento dramático pode ter tido lugar há uns meros 100 milhões de anos atrás, mais recente que o reino de muitos dinossauros. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Hickson 91 em Peixe Austral
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa CHART32; Processamento - Johannes Schedler 
 
Varrendo os céus em busca de galáxias, o astrónomo canadiano Paul Hickson e colegas identificaram cerca de 100 grupos compactos de galáxias, agora apropriadamente chamados HCGs (Hickson Compact Groups). Esta imagem telescópica captura um destes grupos galácticos, HCG 91, em grande detalhe. As três galáxias espirais coloridas no centro do campo de visão estão trancadas numa batalha gravitacional, as suas interações produzindo ténues, mas visíveis, caudas de maré com mais de 100.000 anos-luz de comprimento. Os seus encontros próximos desencadeiam uma furiosa formação estelar. Numa escala de tempo cósmico, o resultado será a fusão numa única grande galáxia, um processo agora entendido como parte normal da evolução das galáxias, incluindo a nossa própria Via Láctea. HCG 91 situa-se a aproximadamente 320 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Peixe Austral. Mas a impressionante imagem de céu profundo também captura evidências de outras caudas de maré e interações galácticas mais fracas a 2 mil milhões de anos-luz.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2016 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.